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Justiça manda Meta retirar posts que incentivam demissão por política

30 October 2026 at 02:40

A Justiça do Trabalho determinou nesta quinta-feira (29) que a Meta, dona no Instagram, Facebook e WhatsApp, retire do ar, em até 24 horas, publicações do Instagram que incentivam empresários a vigiar, expor e demitir funcionários em razão de suas escolhas políticas.

A empresa também deverá exibir, em até 72 horas e durante cinco dias consecutivos, um aviso a todos os usuários do Instagram, Facebook e Threads no Brasil informando que a discriminação política e o assédio eleitoral no ambiente de trabalho são proibidos. O descumprimento das determinações poderá resultar em multa de R$ 200 mil.

A CNN Brasil procurou a Meta para pedir um posicionamento sobre a decisão, mas não recebeu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Na avaliação do juiz Bruno José Perusso, da 77ª Vara do Trabalho de São Paulo, as publicações ultrapassam os limites da liberdade de expressão ao estimular práticas discriminatórias contra trabalhadores exclusivamente por suas convicções políticas.

“Uma coisa é externar opinião política ou crítica partidária; outra, inteiramente distinta e ilícita, é utilizar as plataformas digitais para instigar a punição de trabalhadores por suas escolhas ideológicas“, afirma Perusso na decisão.

O magistrado também disse que, embora o empregador possa demitir um funcionário sem apresentar justificativa, a dispensa motivada exclusivamente por questões políticas é proibida pela Constituição.

Os conteúdos indicados pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) devem ser retirados imediatamente das recomendações da plataforma, como as abas de Explorar e Reels, e totalmente excluídos em até 24 horas. A empresa também terá de comunicar aos responsáveis pelos perfis, em até 48 horas, que as publicações foram removidas por determinação judicial.

O texto definido pela Justiça diz: “A legislação brasileira e a Constituição Federal proíbem a discriminação de trabalhadores e a prática de assédio eleitoral nas relações de trabalho. Ninguém pode ser punido, exposto, preterido na contratação ou dispensado em razão de sua convicção, preferência ou manifestação política“.

A decisão estabelece ainda que a companhia preserve os conteúdos retirados do ar e seus respectivos dados técnicos até o encerramento do processo.

Já o pedido do MPT para que a Meta pague R$ 50 milhões por danos morais coletivos será analisado no julgamento da ação. Procurada pela CNN, a empresa disse que não vai comentar o caso.

Da Argentina à carta com teor golpista: veja a cronologia da fuga de Flávio

29 October 2026 at 07:00

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta (28), em um avião particular com a mulher e as duas filhas, e ainda pela tarde publicou uma carta de teor golpista, na qual se autodeclara “líder” do Brasil. Inicialmente, aliados do ex-candidato à Presidência informaram que ele havia fugido ao país norte-americano na véspera.

Após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina às 22h50 da terça-feira, Flávio fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e desembarcou às 9h23 (10h23, no horário de Brasília), no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, segundo dados do site FlightRadar24, que monitora a malha aérea internacional, em tempo real.

Mais tarde, Flávio publicou a primeira versão de uma carta com teor golpista em que se autodeclarava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Minutos depois, o documento foi alterado para trocar o termo por “líder”, mas continuou causando reações de aliados e adversários políticos.

Entenda, a seguir, a sequência dos acontecimentos desta quarta.

De Foz do Iguaçu a Miami

A saída de Flávio do Brasil foi acompanhada de informações falsas sobre o paradeiro do senador. Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que Flávio já havia deixado o país e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro.

Flávio passou a terça-feira em uma fazenda na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de deixar o Brasil à noite. A informação sobre a permanência na propriedade foi divulgada pela emissora argentina C5N.

Por volta das 22h50, ele, a mulher e as duas filhas cruzaram a fronteira entre Brasil e Argentina, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones, rumo ao aeroporto de Puerto Iguazú. De lá, embarcaram em um jato particular com destino a Guayaquil, no Equador.

O voo, operado pela empresa argentina Baires Fly, utilizou uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo o site da empresa, a aeronave tem capacidade para 13 passageiros, e camas para 6 passageiros simultaneamente. O avião pode atingir uma velocidade de até 850 km/h.

A rota passou por Paraguai, Bolívia e Peru, sem cruzar o espaço aéreo brasileiro — um trajeto premeditado para evitar interceptações. O avião chegou ao Equador por volta das 5h35 desta quarta-feira para uma parada para abastecimento. Na reta final, o avião sobrevoou o Panamá e Cuba, e seguiu para Miami.

O voo chegou a ser o mais monitorado do mundo na plataforma FlightRadar24, com cerca de 53 mil pessoas acompanhando a aeronave às 10h18.

Flávio usou um passaporte italiano para entrar na Argentina. Para ingressar nos Estados Unidos, teria utilizado um passaporte diplomático brasileiro que já tinha sido cancelado na véspera.

A PF (Polícia Federal) informou que não encontrou registro oficial de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação também esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam sua prisão ou vigilância permanente.

Aliados defendem fuga, família fala em “perseguição”

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, lamentou a fuga do filho para os EUA em publicação nas redes sociais. “Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias.”

Horas depois, Jair Bolsonaro pediu autorização ao STF para receber a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O pedido foi concedido, e a previsão é de que eles se reúnam nesta quinta-feira (29), por volta das 11h.

A bancada do PL no Congresso também manifestou “total apoio” ao senador. Em nota divulgada nas redes sociais, os líderes do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticaram a forma como a imprensa tratou a saída do parlamentar e contestaram a caracterização de Flávio como foragido.

O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, afirmou à CNN Brasil que havia combinado com o senador a entrega dos passaportes à PF. Segundo ele, o plano era buscar os documentos na casa do parlamentar na terça-feira, prazo final para o cumprimento da ordem judicial. Reinaldet disse que foi surpreendido pela viagem e soube dela pela imprensa.

“Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o país“, disse Reinaldet.

Oposição cobra apuração

Após a confirmação do desembarque de Flávio em território americano, a oposição cobrou a apuração das circunstâncias de sua saída do país.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e o deputado Rogério Correia (MG) acionaram a Polícia Federal para investigar quem teria ajudado Flávio a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos.

Os parlamentares pedem que sejam apuradas possíveis redes de apoio político e financeiro, inclusive com eventual participação de integrantes dos governos de Donald Trump e Javier Milei.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, orientou ministros a evitar manifestações recorrentes sobre a saída do senador. A avaliação no Planalto é que os desdobramentos devem ficar sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, para evitar alimentar a narrativa de perseguição política.

Carta com teor golpista e reações de aliados

No início da noite, Flávio divulgou uma carta em que afirmou que a eleição presidencial havia sido fraudada, sem apresentar provas.

Na primeira versão, o senador se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, publicou uma nova versão, na qual substituiu a expressão por “líder do Brasil”.

No texto, afirmou que pretende comandar a oposição do exterior e comparou sua situação à de Rui Barbosa e Charles de Gaulle, que atuaram fora de seus países em contextos históricos distintos.

Após a publicação, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou em nota que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. O ministro ressaltou que a Justiça Eleitoral respeitou a vontade do eleitorado e entregou o resultado com segurança.

Em reação à carta, além das manifestações de parlamentares da oposição e de aliados de Lula nas redes sociais, parte dos aliados do próprio Flávio adotou um tom de cautela e evitou endossar a acusação de fraude eleitoral, defendendo o respeito ao resultado das urnas e a necessidade de apresentar provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoiou Flávio na campanha, disse compreender a indignação do senador, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

O União Brasil também reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota, a legenda declarou que o processo eleitoral transcorreu com lisura e que o resultado deve ser respeitado.

Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha do senador, afirmou que não há provas para sustentar a alegação. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

Mais tarde, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, publicou a primeira imagem ao lado do senador.

“Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”, escreveu. Segundo Eduardo, a imagem foi registrada nesta quarta. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil.”

 

Do passaporte ao asilo de Trump, a cronologia da fuga de Flávio aos EUA

28 October 2026 at 07:00

Dois dias após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial e um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega de seus passaportes, o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos nesta terça-feira (27). Integrantes de seu entorno afirmam que o governo de Donald Trump sinalizou autorização de permanência no país.

A possibilidade da fuga de Flávio começou com a publicação do jornal argentino Infobae, afirmando que o senador teria cruzado a fronteira em um voo privado rumo à Argentina. Ao longo do dia, veio a confirmação: Flávio estava, de fato, a caminho dos Estados Unidos.

Entenda, a seguir, a sequência dos acontecimentos, o que dizem aliados e adversários políticos e quais podem ser os próximos desdobramentos jurídicos e políticos para Flávio Bolsonaro.

As notícias ao longo do dia

  • Manhã: o sumiço, o prazo para entrega dos passaportes e o cancelamento dos documentos

Após os rumores da fuga, começaram a chegar as primeiras notícias sobre uma possível fuga de Flávio, que, segundo os próprios aliados, estava incomunicável.

O governo brasileiro acionou autoridades argentinas para apurar o possível deslocamento do senador para o país vizinhos, enquanto a PF (Polícia Federal) verificava registros nos postos de fronteira. Até aquele momento, o paradeiro do senador era desconhecido pelas autoridades brasileiras.

O senador não respondia às tentativas de contato de integrantes de sua equipe jurídica e de aliados. Os advogados esperavam encontrá-lo para receber os passaportes e entregá-los à PF, conforme a determinação de Moraes. O prazo terminou às 11h, sem que os documentos físicos fossem apresentados.

A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador em seus sistemas. Flávio, porém, tem cidadania italiana desde 2023 e pode ter direito a um passaporte daquele país. Esse terceiro documento só pode ser cancelado por autoridades italianas.

  • Início da tarde: a confirmação da viagem aos Estados Unidos

Fontes próximas à família Bolsonaro confirmaram que Flávio havia deixado o país durante a madrugada com a mulher e as duas filhas, em direção aos Estados Unidos. Uma fonte do governo americano ouvida pela Reuters também confirmou que o senador estava a caminho do país.

Segundo aliados, a saída foi motivada pelo receio de prisão após a decisão de Moraes. Eles também afirmaram que o governo Trump sinalizou a possibilidade de asilo político para Flávio e sua família.

O senador é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no caso Dark Horse, que apura o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Mendonça conduz o inquérito.

Outra investigação, de relatoria de Moraes, apura a prática, por Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi no âmbito deste inquérito e com base em um pedido da Polícia Federal que Moraes determinou na segunda-feira a entrega e o posterior cancelamento dos passaportes do senador.

Reação dos aliados

A notícia da saída provocou desconforto entre integrantes do PL que haviam aconselhado Flávio a não fugir e adotar uma estratégia jurídica para contestar a eleição. Para uma ala, a fuga foi considerada “inaceitável“.

No PL, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião de emergência para discutir a situação. Na avaliação de aliados, a ausência do senador pode dificultar a reorganização do bolsonarismo após a derrota.

Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial, afirmou que o núcleo central da candidatura não havia sido comunicado e disse estar “surpreso” com a decisão do ex-candidato à Presidência.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, adotou tom cauteloso: “Qualquer que seja a decisão de Flávio Bolsonaro, é preciso ser compreendida“.

Já o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), classificou a saída como “compreensível” e questionou a ordem de entrega dos passaportes. “O Brasil segue longe da normalidade institucional“, escreveu nas redes sociais.

O deputado Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa presidencial, afirmou que Flávio sofre uma “perseguição implacável” e manifestou solidariedade à mulher e às filhas do senador.

Reação da oposição

Integrantes do PT (Partido dos Trabalhadores) reagiram com críticas ao senador, à decisão de Moraes e com medidas judiciais. Os deputados federais Lindbergh Farias (RJ) e Rogério Correia (MG), além da deputada federal eleita Ana Elisa Santos (MG), pediram a Moraes a prisão preventiva de Flávio. A deputada federal Sâmia Bomfim, do PSOL, também pediu a cassação do mandato de Flávio no Senado.

Aliados e membros do governo solicitaram também um alerta vermelho da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) caso a ordem de prisão seja expedida. O pedido cita o descumprimento da determinação de entrega dos passaportes e o risco de fuga.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou que a saída contraria uma declaração feita pelo senador durante a campanha, quando disse que respeitaria o resultado das urnas.

“Ele disse que ia respeitar o resultado das urnas e na primeira derrota, o cara vai embora, ele é um frouxo“, afirmou Guimarães à CNN Brasil.

A Polícia Federal, por sua vez, havia alertado Moraes no domingo (25) sobre o risco de Flávio deixar o país. Segundo delegados ouvidos pela CNN, a saída do senador concretizou o risco apontado à Justiça.

Já a área internacional do Palácio do Planalto admite que a fuga de Flávio pode desgastar ainda mais a relação com o governo norte-americano.

Na avaliação de alguns interlocutores do presidente, a medida de Moraes também foi precipitada e deu à oposição um argumento para sustentar o discurso de perseguição à família Bolsonaro.

A fuga repercutiu em veículos da imprensa internacional, que questionaram o paradeiro do senador, as investigações que o envolvem e os possíveis efeitos do episódio sobre o futuro da direita brasileira. A mídia estrangeira falou que os Estados Unidos viraram “refúgio dos Bolsonaro“, citou “reviravolta dramática” e também a “incerteza” do futuro da extrema direito no Brasil.

O que pode acontecer daqui para a frente?

A saída do país pode ter consequências judiciais e políticas. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes, associado ao risco de fuga, pode fundamentar um pedido de prisão preventiva. A medida, porém, depende de decisão judicial.

“Se ele não entrega o passaporte e de fato está tentando fugir, aí sim há um requisito claro para prisão preventiva”, afirmou Luisa Ferreira, professora de Direito da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O advogado José Paes Neto também avalia que a saída pode prejudicar a defesa do senador. “Juridicamente, é a pior escolha possível para a defesa“, disse. Segundo Neto, eventuais investigações podem continuar mesmo com Flávio no exterior, enquanto um processo de extradição dependeria de um caminho longo e incerto.

No campo político, a ausência do senador abre espaço para outros nomes disputarem a liderança da oposição a Lula. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado por interlocutores do entorno de Bolsonaro como uma alternativa para ocupar esse espaço e disputar a Presidência em 2030.

Flávio também vai perder o foro privilegiado em fevereiro de 2027, quando termina seu mandato no Senado, após 24 anos em cargos parlamentares. Segundo as informações disponíveis, os inquéritos que tramitam no STF devem continuar na Corte, embora a competência para julgá-los possa ser reavaliada conforme as circunstâncias de cada caso.

A situação do senador nos Estados Unidos também permanece em aberto. O Departamento de Estado americano informou que emitirá vistos para Flávio e sua família e permitirá a entrada deles no país, mas isso não equivale à concessão de asilo político.

Antonio Tabet diz que ajudou a preparar respostas de Lula para debate

27 October 2026 at 22:53

O humorista Antonio Tabet, um dos fundadores do Porta dos Fundos, afirmou nesta terçater ajudado a preparar respostas do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um debate eleitoral.

“Me vi varando a noite escrevendo respostas para que fossem usadas no debate sobre aposentadoria, escala 6 por 1 e até nove dedos (aquela)“, disse em publicação no X (antigo Twitter), nesta segunda-feira (26).

Tabet relatou que ele e o filho comemoraram quando o presidente utilizou as respostas e afirmou que, inicialmente, pretendia ficar afastado das eleições deste ano por considerar que o posicionamento político pode trazer prejuízos profissionais. Três fatores, segundo ele, o fizeram mudar de ideia: “O ímpeto cidadão; a sede por justiça; e meu filho, Pedro“.

O publicitário relacionou sua decisão ao medo de que o filho, que se identifica como LGBTQIAPN+, fosse alvo de violência por sua identidade. Também citou o processo movido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), motivado por uma publicação em que Tabet criticava a “família miliciana”.

Depois da disputa judicial, Tabet disse ter ampliado sua participação na campanha. Ele relatou que cancelou uma peça, adiou trabalhos e passou a conversar frequentemente com o deputado federal André Janones (Rede), dono do canal “Exército de Lula” no WhatsApp, com quem teria conversado mais do que com seus próprios filhos.

“Acordei o publicitário adormecido aqui pra virar marketeiro voluntário. E ainda levo jeito”, escreveu.

Tabet disse sentir alívio, alegria e senso de justiça com o resultado das eleições e sinalizou que pretende continuar atuando politicamente.

“Quero enfrentar inimigos melhores em 2030. Não só mais qualificados. Menos escroques e escrotos mesmo. Quem sabe não me filio a algum partido para a próxima? De repente, com gente que gosto ao lado.”

EUA viraram “refúgio dos Bolsonaro” após fuga de Flávio, diz imprensa globa

27 October 2026 at 22:11

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), repercutiu em veículos da imprensa internacional, que questionaram o paradeiro do senador, as investigações que o envolvem e os possíveis efeitos do episódio sobre o futuro da direita brasileira.

O jornal britânico Financial Times descreveu a possível saída como uma “reviravolta dramática” na trajetória do senador, que, segundo o jornal, demonstrava confiança de que seria o próximo presidente do Brasil até pouco antes da apuração eleitoral.

“A saída de Bolsonaro, se confirmada, adicionará um elemento explosivo a um ambiente político já conturbado em Brasília após a eleição de domingo, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após uma notável virada no segundo turno“, diz o jornal.

O Financial Times ressaltou ainda que Flávio havia prometido liderar a oposição, mas que sua saída poderia custar à família Bolsonaro parte de sua autoridade sobre os partidos de direita no Congresso.

Título do jornal Financial Times sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/Financial Times

Já o britânico The Guardian afirmou que a possível fuga do senador “torna o futuro da extrema-direita após a eleição presidencial ainda mais incerto“. O jornal relembrou que Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e que Eduardo Bolsonaro tem um mandado de prisão em aberto no país.

O Guardian recuperou a trajetória política de Flávio, destacando que ele aprovou “pouquíssimas” leis durante seus 24 anos de carreira como deputado estadual e senador.

Título do jornal The Guardian sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/The Guardian

O jornal norte-americano The New York Times destacou, no título, que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos “após a derrota eleitoral“. O  diário americano relembrou que Flávio é investigado por suas ligações com o advogado Willer Tomaz em um esquema de lavagem de US$ 1 bilhão.

“O Sr. Bolsonaro está sendo investigado por suas ligações com um advogado brasileiro acusado de lavar mais de US$ 1 bilhão por meio de um vasto esquema de fraude“, afirma.

Título do jornal The New York Times sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/The New York Times

O The Washington Post destacou no título do texto que brasileiros tentavam descobrir o paradeiro do senador. “Onde ele está?“, questionou o jornal.

“Ninguém sabe, ou está disposto a dizer, para onde foi o candidato presidencial de direita“, disse.

O Post observou que o silêncio de Flávio alimentava especulações e que as preocupações tinham “raízes na história recente” do país, relembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro viajou para os Estados Unidos pouco depois de perder a eleição para Lula, em 2022, quando ainda ocupava a Presidência.

Título do jornal The Washington Post sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/The Washington Post

O The Wall Street Journal também recuperou a viagem de Bolsonaro à Flórida, no fim de dezembro de 2022, dois dias antes de deixar o cargo, após se recusar a reconhecer a derrota eleitoral.

O jornal lembrou que o ex-presidente voltou ao Brasil três meses depois e passou a ser alvo de uma investigação sobre uma suposta tentativa de anular o resultado eleitoral. Também mencionou sua condenação a 27 anos de prisão e o cumprimento da pena em prisão domiciliar.

“Enquanto isso, o irmão mais novo de Flávio Bolsonaro, Eduardo, mudou-se para os EUA no início de 2025. Ele agora enfrenta uma pena de quatro anos de prisão se retornar ao Brasil, mas obteve um green card americano, que lhe permite permanecer no país permanentemente“, publicou o Wall Street Journal.

Título do jornal The Wall Street Journal sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/The Wall Street Journal

Na França, o Le Monde destacou logo no título que “Flávio Bolsonaro, isolado, abandonou os esforços para pedir a anulação da eleição após a vitória de Lula“.

O diário francês também descreveu o senador como cada vez mais fragilizado, com pouco apoio às suas acusações de fraude e aliados se distanciando. O jornal se referiu a Jair Bolsonaro como um ex-presidente “envolvido em diversos casos de corrupção“.

Título do jornal Le Monde sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/Le Monde

O Le Figaro adotou um tom mais contundente já no título: “Encurralado por escândalos, Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos após derrota para Lula“.

O texto começa com a pergunta “Onde está Flávio Bolsonaro?“. O diário francês afirmou que ele era alvo de diversas investigações por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro e descreveu o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como “uma pedra no sapato” dos apoiadores da família Bolsonaro.

Título do jornal Le Figaro sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/Le Figaro

O espanhol El País enfatizou a contradição entre a possível saída do país e as declarações anteriores do senador, que havia afirmado que, em hipótese alguma, fugiria do Brasil e que pretendia liderar a oposição a Lula.

O veículo reproduziu a declaração em que o senador prometeu entregar seus passaportes e se defender do que chamou de “farsa” e tentativa de intimidação.

Título do jornal El País sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/El País

Na Argentina, o La Nación apresentou os Estados Unidos como um “refúgio do clã” Bolsonaro e mencionou alegações de que o governo de Donald Trump teria participado da saída do senador e poderia conceder-lhe asilo.

O jornal começou o texto relembrando que a última viagem de Flávio aos Estados Unidos havia ocorrido no fim de maio e que seu retorno agora é como um possível foragido.

“Mas o senador do Partido Liberal (PL), surpreendentemente derrotado no segundo turno das eleições de domingo, certamente jamais imaginou que seu retorno a este país aconteceria após fugir do Brasil em flagrante desrespeito a uma ordem judicial de proibição de viagem e com um possível pedido de asilo político ao governo republicano“, publicou o La Nación.

Título do jornal La Nación sobre a fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/La Nación

Após “Exército do Lula”, apoiadores de Paes lançam “Exército do Dudu”

26 October 2026 at 23:24

Após a mobilização nas redes sociais em torno do canal “Exército do Lula”, apoiadores de Eduardo Paes (PSD) passaram a divulgar o “Exército do Dudu” no WhatsApp.

A mobilização ocorre em meio à disputa judicial sobre a exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que levou a Justiça Eleitoral a declarar Douglas Ruas (PL) eleito no primeiro turno.

Em 14 de outubro, o diretório nacional do PSD (Partido Social Democrático) protocolou  uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para restabelecer o segundo turno entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. O partido pedia uma decisão urgente para que a votação ocorresse no dia do segundo turno, nesse domingo (25), o que não aconteceu.

Caso não fosse possível realizar a votação no mesmo dia do segundo turno, o partido pedia, como alternativa, que o TSE marque o eventual segundo turno do Rio de Janeiro em outra data, antes da diplomação ou da posse.

A legenda questionou a exclusão dos votos de Garotinho do cálculo que define a necessidade de uma segunda etapa. A anulação desses votos fez Ruas ultrapassar a metade dos válidos e vencer a eleição no primeiro turno.

O PSD pediu a “contabilização dos votos atribuídos a candidato que, mesmo inelegível, tenha participado regularmente do processo eleitoral, excluídos da base de cálculo para a definição da realização de segundo turno somente os votos nulos e brancos”.

“A anulação superveniente do voto pode atingir seus efeitos em favor do candidato; não pode transformar retroativamente uma escolha política validamente manifestada nas urnas em ausência de escolha”, disse o partido.

O PSD também argumentou que a divulgação inicial de um segundo turno criou uma expectativa legítima para os eleitores. Por isso, defende que a decisão posterior sobre a candidatura de Garotinho não poderia eliminar essa etapa.

Flávio diz que vai pedir cassação da chapa de Lula por abuso de poder

26 October 2026 at 20:27

O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pretende acionar a Justiça Eleitoral para pedir a cassação da chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), sob a alegação de abuso de poder político e econômico durante a campanha.

Flávio acusou alega que o presidente reeleito Lula injetou meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer compra de votos.

“A disputa não deveria ser um vale-tudo por parte de quem quer se manter no poder. O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedentes, com total desequilíbrio na disputa eleitoral”, afirmou.

O candidato derrotado também acusou a campanha de Lula de ter feito um “complexo industrial de fake news” e uma “difusão em massa de mentiras para aterrorizar a população”.

“Então, eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, e a competição tem que ser justa e igual”, disse.

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