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PME alertadas para preparar próxima crise, investir em dados e planear financiamento

29 October 2026 at 20:35

As pequenas e médias empresas (PME) devem preparar-se desde já para futuras crises, reforçar a utilização de dados fiáveis na tomada de decisões e encarar o financiamento como um exercício de planeamento e não apenas de emergência, defenderam participantes na 4.ª edição do Fórum PME Magazine, que decorreu na quarta-feira, em Oeiras.

O encontro reuniu empresários, gestores e especialistas para debater temas como gestão do risco, inteligência artificial (IA), financiamento e internacionalização, numa edição que assinalou também o 10.º aniversário da PME Magazine.

Na sessão de abertura, o economista e ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral alertou para a crescente incerteza no comércio global, considerando que o fim da “era das regras” exige às empresas maior capacidade de adaptação.

“Não sei qual é a próxima crise. Eu penso que ninguém aqui sabe, mas vai aparecer”, afirmou, defendendo que as PME devem preparar planos alternativos para fornecedores, reforçar a cibersegurança e apostar numa resiliência financeira, operacional e humana.

Num painel dedicado à redução do risco empresarial, Pedro Rodrigues, cofundador e diretor executivo da Indie Energy, apontou a renegociação dos contratos de energia como uma medida imediata de redução de custos, enquanto Sandra Laranjeiro dos Santos, sócia fundadora da Cooperate Legal Services, aconselhou as empresas a reverem os seus contratos mais relevantes, sublinhando que a prevenção reduz encargos jurídicos futuros.

A inteligência artificial foi outro dos temas centrais do fórum. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), recordados durante o debate, apenas 11,5% das empresas com 10 ou mais trabalhadores utilizavam IA em 2025.

Os participantes defenderam uma adoção gradual da tecnologia, assente em dados de qualidade e em equipas preparadas para utilizar as ferramentas disponíveis.

Pedro Monteiro, da Konica Minolta Portugal, considerou que as empresas devem “começar pelos dados”, independentemente da sua dimensão, enquanto Pedro Petiz, da TEKEVER, advertiu para o risco de a IA ser usada apenas para substituir colaboradores mais experientes, cujo conhecimento continua a ser essencial para validar os resultados produzidos pela tecnologia.

A sessão da tarde abriu com uma intervenção de Sílvia Mota, CEO da MEXT, do Grupo Mota-Engil, e fundadora da Moon Capital, que destacou a necessidade de as empresas ganharem escala, prepararem processos de sucessão e procurarem fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário tradicional.

“Existe vontade de investimento, mas falta criar as condições para converter em crescimento”, afirmou.

No debate sobre financiamento, os oradores defenderam uma maior previsibilidade nos apoios públicos e criticaram os atrasos nos processos de aprovação.

Tiago Braga, da Start PME, referiu que uma decisão prevista para 90 dias pode demorar até um ano, enquanto Bernardo Seixas, da Granter, considerou essencial reduzir o tempo entre a abertura de concursos e a disponibilização efetiva dos fundos.

Por seu lado, Pedro Flores, diretor executivo do Grupo Your, sustentou que as empresas devem encarar o financiamento como uma componente estratégica da gestão. “Hoje em dia já não se pode pensar em financiamento como emergência, tem de se pensar em financiamento como planeamento”, afirmou.

O responsável da Start PME deixou ainda um apelo às empresas: “Parem de querer dinheiro para o dia seguinte. Façam o planeamento”.

No painel dedicado à internacionalização, os participantes distinguiram os conceitos de exportação e internacionalização e alertaram para a importância da reputação nos mercados externos.

Luís Martins, da Delta Cafés, salientou que “uma coisa é exportar e outra coisa diferente é internacionalizar”, enquanto Nuno Trigo, do Feel Group, explicou que a entrada da empresa no mercado brasileiro foi precedida por mais de um ano de análise e pela identificação de um parceiro local.

Já Ricardo Mira, da ION, resumiu o peso da reputação empresarial: “A comunicação é o que nós falamos de nós. A reputação é o que falam de nós”.

Durante o evento foram ainda atribuídos os Prémios PME Pitch, que distinguiram a PlayerSet, plataforma de inteligência aplicada ao futebol apresentada por Margarida Cavaca, e os Prémios Social CEO 2026.

Na categoria Social CEO, Rui Miguel Nabeiro, líder do Grupo Nabeiro-Delta Cafés, voltou a conquistar o primeiro lugar, repetindo a vitória alcançada em 2025. Mário Ferreira, da Douro Azul, ficou em segundo lugar, enquanto Ana Figueiredo, da MEO, ocupou a terceira posição.

O diretor-geral da PME Magazine, Daniel Marques, considerou que o fórum cumpriu o objetivo de fornecer “ideias concretas para decidir melhor num mundo instável”, encerrando uma edição marcada pelo foco na preparação das empresas para um contexto económico mais incerto.

Universidade de Aveiro na origem da inovação portuguesa premiada nos EUA

29 October 2026 at 00:30

A placa de comando Voronoi, da empresa portuguesa OLI, venceu o DPHA Product of the Year Award 2026, na categoria de Inovação, nos Estados Unidos da América. A solução foi desenvolvida em parceria com a Universidade de Aveiro.

O produto é fabricado em BIO ABS, material que incorpora 50% de matérias-primas de origem biológica renovável, como plantas, algas e resíduos orgânicos. Segundo a OLI, esta composição reduz a dependência de recursos fósseis.

A geometria da placa baseia-se no diagrama de Voronoi e apresenta uma estrutura facetada. A empresa afirma que os vincos estruturais permitem uma redução de 20% no consumo de matéria-prima, sem comprometer a resistência e a durabilidade.

A Voronoi está disponível em oito cores, com a pigmentação incorporada diretamente no polímero. Esta solução dispensa acabamentos metalizados, o que, de acordo com a empresa, simplifica a produção e diminui o impacto ambiental.

O desenvolvimento da placa enquadra-se no projeto OLIPUSH, integrado na Agenda ILLIANCE e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O projeto resulta de colaboração entre a indústria e a academia.

O prémio é atribuído pela Decorative Plumbing & Hardware Association (DPHA), associação norte-americana do setor de equipamentos para casas de banho e cozinhas.

A OLI, sediada em Portugal, produz autoclismos e outros equipamentos para casas de banho e está presente em mais de 80 países.

 

ID Logistics acelera crescimento para 25,6% no terceiro trimestre com receitas de 1.177,9 milhões

29 October 2026 at 00:18

A ID Logistics registou no terceiro trimestre de 2026 receitas de 1.177,9 milhões de euros, um crescimento de 25,6% face ao período homólogo e de 25,0% em dados comparáveis, acelerando face aos 22,6% do segundo trimestre e aos 17,2% do primeiro.

Em comunicado, o grupo francês de logística contratual, cotado na Euronext Paris, refere que o desempenho reflete a solidez da execução, a expansão internacional e os investimentos em tecnologia. Quase 80% da atividade é já gerada fora de França.

O presidente e diretor-executivo, Eric Hémar, sublinhou que o modelo de negócio está a ganhar escala e que o grupo entra nos últimos meses do ano com forte dinamismo comercial, após ter lançado 27 novas operações desde janeiro, das quais 10 apenas no terceiro trimestre.

Por região, a América do Norte confirmou-se como principal motor de crescimento, com uma progressão comparável de 48,1% no terceiro trimestre. A Europa, excluindo França, cresceu 23,4%, França 8,3% e as restantes regiões 35,9%, impulsionadas nomeadamente pelo arranque de operações na Austrália.

No plano comercial, o grupo destaca a elevada procura e a conquista de novos contratos. Nos Estados Unidos, vai acompanhar o crescimento da Nutrabolt, especialista em bebidas energéticas e nutrição desportiva, com uma terceira operação numa instalação dedicada de 60.000 metros quadrados em Jacksonville, na Florida. No Canadá, onde entrou há um ano, prevê abrir até final do ano a terceira instalação, mecanizada, no leste do país, para tratamento de vestuário e calçado de um cliente de longa data líder mundial do comércio eletrónico, o que constituirá a primeira operação de logística de moda da ID Logistics na América do Norte.

Para o resto do ano, a ID Logistics mantém a confiança em alcançar mais um exercício de forte crescimento, com prioridades centradas no arranque das instalações recentemente abertas e na preparação do pico de atividade do quarto trimestre, com a Black Friday e a época natalícia. As receitas do quarto trimestre de 2026 serão publicadas em 26 de janeiro de 2027, após o fecho do mercado.

IPSS empregam cerca de 250 mil pessoas e prestam apoio diário a pelo menos 500 mil cidadãos

29 October 2026 at 00:14

A comunicação estratégica continua a ter um papel secundário em grande parte das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), comprometendo a visibilidade do trabalho desenvolvido e a capacidade de captar financiamento. A conclusão resulta de um estudo realizado junto de 254 instituições e serve de base ao livro IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social em Portugal, da autoria de Agostinho Branquinho, apresentado esta terça-feira no Porto.

A obra resulta de uma investigação desenvolvida no âmbito de um doutoramento aprovado com distinção e louvor e traça um retrato abrangente do setor social português, analisando modelos de governação, a relação das instituições com o Estado e os desafios de sustentabilidade financeira. Entre as principais conclusões está a reduzida utilização da comunicação estratégica como ferramenta de reforço da notoriedade pública e de mobilização de recursos.

Durante a apresentação, Agostinho Branquinho, atual primeiro-secretário da Área Metropolitana do Porto e antigo secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, defendeu que as instituições sociais desempenham um papel essencial no funcionamento da sociedade. “Estas instituições são o principal garante da democracia”, afirmou.

O autor apontou ainda a invisibilidade pública das IPSS como um dos principais obstáculos enfrentados pelo setor. “Raramente aparecem nos media e, quando aparecem, é por questões negativas. É contra isso que temos de lutar”, sublinhou.

De acordo com os dados divulgados na sessão, referentes a 2025, as instituições de solidariedade social empregam cerca de 250 mil pessoas e prestam apoio diário a pelo menos 500 mil cidadãos. Para Agostinho Branquinho, uma comunicação mais profissionalizada e estruturada pode contribuir para reforçar a confiança pública, atrair mecenato e diversificar as fontes de receita.

O livro apresenta dez recomendações destinadas a fortalecer a comunicação das IPSS, aumentar a sua visibilidade e promover maior autonomia financeira. Entre as soluções defendidas pelo autor estão a partilha de serviços e recursos entre organizações, através de centrais de compras e de seguros, bem como a possibilidade de fusão entre instituições para ganhar escala e eficiência.

A sustentabilidade financeira foi outro dos temas centrais da sessão. O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, alertou para a pressão crescente sobre as instituições, numa altura em que o envelhecimento da população coloca novos desafios às respostas sociais. O dirigente defendeu a inovação nos serviços prestados, a valorização dos trabalhadores do setor e a procura de fontes alternativas de financiamento.

Segundo os números apresentados, o Estado suporta cerca de 40% das despesas das instituições, enquanto os utentes contribuem com aproximadamente 33%, persistindo um défice de financiamento que obriga as organizações a procurar receitas complementares.

Também António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, destacou a importância de demonstrar o impacto concreto da intervenção social. “O mérito deste livro é dar rosto aos números”, afirmou, acrescentando que a capacidade de adaptação aos novos desafios será determinante para o futuro das instituições.

A apresentação decorreu na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, e reuniu diversas personalidades do setor social e político, entre as quais Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto e do Conselho Metropolitano do Porto, os antigos autarcas Rui Rio e Ricardo Rio, bem como representantes de vários municípios da Área Metropolitana do Porto.

Além do trabalho de investigação de Agostinho Branquinho, a publicação integra textos de Pedro Passos Coelho, padre Lino Maia, António Tavares e Pedro Duarte.

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