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Petrobras anuncia 3ª descoberta de petróleo em poço na Foz do Amazonas

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A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (29) a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, localizado em águas ultraprofundas na costa do estado do Amapá, na Foz do Amazonas, em lâmina d’água de 2.886 metros.

“Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço, o que nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

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De acordo com a companhia, a perfuração e a aquisição de dados geológicos foram concluídas. Agora será realizada apenas a finalização das operações no poço (procedimento chamado de abandono), e a sonda seguirá para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde iniciará a perfuração na locação Mãe de Ouro.

A Petrobras informou que a atuação no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, contribuindo para o atendimento à demanda energética do país.

Margem equatorial

A margem equatorial fica localizada entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, sendo a mais nova fronteira exploratória brasileira em águas profundas e ultraprofundas.

A Petrobras já perfurou mais de 700 poços na margem equatorial. "Pelas características do óleo e pela estimativa dos volumes existentes, a Margem Equatorial desperta interesse não só da indústria brasileira, como também do mercado internacional de petróleo e gás, que vislumbra possibilidades promissoras na região", destaca a estatal.

Resultado do terceiro trimestre

Nessa quarta-feira (28), a Petrobras anunciou que a produção média de óleo, líquido de gás natural ( LGN) e gás natural no terceiro trimestre de 2026 alcançou a marca recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboed), 11,7% acima do registrado no mesmo trimestre do ano passado e 5,3% acima do resultado do segundo trimestre do ano.

O recorde deve-se, principalmente, à maior eficiência da produção em oito anos, dos navios-plataforma P-78 e P-79, no Campo de Búzios, além do topo de produção do navio-plataforma Alexandre de Gusmão, no Campo de Mero, além do menor volume de perdas por paradas para manutenções.

No trimestre, entraram em operação 12 novos poços produtores, sendo seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos. "Os excelentes resultados operacionais do terceiro trimestre, divulgados nesta quarta-feira, são outro exemplo da qualidade de nossas entregas”, destacou a presidente da Petrobras.

Operação Contenção: DPRJ pede R$ 50 milhões em reparação a moradores

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A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) entrou com uma ação civil pública na Justiça pedindo que os moradores dos Complexos da Penha e do Alemão atingidos pela Operação Contenção sejam indenizados em R$ 50 milhões. O valor, segundo a DPRJ, deve ser revertido em obras nas áreas de educação, saúde, esportes e lazer, além de prestação de atendimento psicossocial.

Deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos dois complexos, na zona norte da capital fluminense, a ação resultou na morte de 122 pessoas, sendo cinco policiais e 117 não policiais.

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“A Operação Contenção expôs a vida dos moradores e gerou traumas pessoais, com agressões físicas, invasão de domicílios e furto de bens, tudo feito em nome de uma positiva tentativa de reocupação territorial, mas que, na verdade, só gerou derramamento de sangue”, afirma o defensor público Marcos Paulo Dutra Santos, coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (NUDEDH).

“Nesta ação, estamos buscando a condenação do Estado para que disponibilize tratamento diferenciado em prol da saúde mental de todos esses moradores, cujo território ficou marcado pelo episódio de maior letalidade policial do Brasil, sem prejuízo a proteções individuais, relacionadas aos danos causados a cada um”, destaca.

Um dos casos de reparação individual envolve a família de Ronaldo Julião da Silva, assassinado aos 46 anos no dia da operação. Silva era natural de Campina Grande (PB), tinha seis filhos, trabalhava como pedreiro e não tinha anotações criminais. A ação da DPRJ defende que “a omissão do Estado não comprometeu apenas a preservação do local, a realização da perícia e a investigação da morte, mas também o respeito à dignidade da pessoa humana, já que o corpo foi abandonado e exposto em via pública”.

Relatório

A ação civil pública ajuizada pela DPRJ tomou como base um relatório produzido pela organização internacional Human Rights Watch. O documento demonstrou o descumprimento, durante a operação, das determinações estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da  Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como ADPF das Favelas, especialmente quanto à utilização de câmeras corporais por agentes de segurança do Estado.

Os dispositivos são considerados um instrumento essencial à transparência das operações, à produção de provas e à proteção jurídica tanto da população quanto dos próprios agentes de segurança.

“O não uso de câmaras corporais acaba dificultando a elucidação de crimes. Esses equipamentos são uma garantia do morador contra arbitrariedades policiais, mas também uma garantia do bom policial, para que ele fique resguardado de eventuais acusações injustas de abuso de autoridade, por exemplo”, explica o defensor público Lucas Aparecido Alves Nunes, subcoordenador do NUDEDH.

Para Nunes, a retomada de territórios submetidos ao domínio de organizações criminosas é relevante, mas o relatório revela “excessos inadmissíveis” cometidos durante a Operação Contenção, que representam “um contrassenso”.

“Como uma operação que objetivava uma reocupação territorial e que, portanto, foi idealizada em benefício dos próprios moradores, poderia se voltar contra eles próprios, gerando danos a patrimônios, invasões indiscriminadas a domicílio e ofensas à integridade física dos moradores?”

A ação ajuizada também se apoia em outras fontes, como o relatório produzido pelo NUDEDH em conjunto com o Projeto Mirante, encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para auxiliar na apuração dos fatos.

Investigações

A investigação do MPRJ reúne mais de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais, 122 laudos periciais médico-legais e 262 depoimentos de agentes públicos, prestados por 255 pessoas. O material é analisado pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) e confrontado com registros de ocorrência, documentos operacionais de planejamento, mapas, croquis e dados sobre o uso de munições, para identificar possíveis divergências entre os relatos e as provas, de modo a reconstruir as circunstâncias de cada episódio.

Foram utilizadas técnicas de preservação tridimensional de imagens dos corpos, que permitem reexaminar aspectos das perícias e compará-los com outras evidências. O MPRJ realizou perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal (IML) e produziu laudos médico-legais relacionados às vítimas da ação. O trabalho também inclui a preservação e a análise de arquivos digitais, para garantir a integridade das provas e o cumprimento dos procedimentos de cadeia de custódia.

O Gaesp vem realizando buscas ativas por testemunhas e atividades de escuta de parentes das vítimas. Foram ouvidos 45 familiares de pessoas que morreram durante a operação. O Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ) também atua no acolhimento dos familiares, com atendimento psicossocial, orientações e encaminhamentos para serviços públicos de saúde e proteção.

*Com informações da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

Rio Uruguai está em elevação e atinge cota de alerta em Uruguaiana

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O nível do Rio Uruguai voltou a subir em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul (RS), informa a Defesa Civil da cidade. Uma elevação de 60 centímetros ocorreu em 24 horas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou que às 16h45 desta quarta-feira (28), o Rio Uruguai estava 8,33 metros acima do nível normal e atingiu a cota de alerta.  

De acordo o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres, a expectativa é de que o cenário seja de crescimento nos próximos dias. “Está subindo e deve continuar, no mínimo até sábado”, avaliou. A Defesa Civil segue monitorando o avanço não somente no município de Uruguaia, mas em toda região cortada pelo Rio Uruguai.

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A prefeitura de Uruguaiana informou que, devido à cheia do Rio Uruguai, o município tem 41 desabrigados (12 famílias) e 176 desalojados (69 famílias) que estão fora de casa em razão da elevação do nível do rio.

Balanço da prefeitura mostra que os desalojados estão em casa de parentes ou conhecidos. Os desabrigados foram levados para o Centro Esportivo Zona Leste, no bairro Santo Inácio, e no Centro Esportivo Nova Esperança.

A prefeitura e a Defesa Civil prestam atendimento às famílias nas áreas da saúde, segurança e assistência social. Os desabrigados contam com apoio da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada do Exército Brasileiro e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra).

Balanço do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontava para uma primavera chuvosa e com episódios recorrentes de tempestade e cheias, especialmente na Fronteira Oeste e na Metade Norte do estado do Rio Grande do Sul, por influência do El Niño 2026-2027.

A previsão é de que a bacia do Rio Uruguai se mantenha acima do nível até o final de novembro.

Previsão

De acordo com o Inmet, a previsão é de chuva nesta quinta-feira (29), na Região Sul, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, onde chove com trovoadas isoladas.

Para o Paraná e para o norte de Santa Catarina, está vigente aviso amarelo de perigo potencial para tempestades. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Rio Grande do Sul, mas, nas demais áreas do estado gaúcho, o sol aparece entre muitas nuvens e não deve chover.

O dia será frio em Curitiba (PR), com mínima de 13 °C e máxima de apenas 18 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas ficam amenas, com máxima de 23 °C.

Para esta sexta-feira (30), a chuva continua em grande parte da Região Sul. O tempo fica mais fechado em Santa Catarina, onde chove com trovoadas ao longo de todo o dia. No oeste, centro, sul e leste do Paraná e no norte do Rio Grande do Sul, ocorrem pancadas de chuva com trovoadas isoladas.

A meteorologia divulgou um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Paraná e na região de Porto Alegre (RS). Em grande parte do oeste e em toda a faixa sul do Rio Grande do Sul, o céu fica com muitas nuvens, mas não há previsão de chuva.

As temperaturas continuam amenas. Em Curitiba (PR), a mínima será de 15 °C e a máxima não deve passar dos 20 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas variam entre a mínima de 16 °C e a máxima, de 22 °C.

Justiça bloqueia R$ 327 mi do CV por venda ilegal de gás de cozinha

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco) denunciou nesta quarta-feira (28), 12 integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) acusados de controlar a comercialização de botijões de gás de cozinha em comunidades da região metropolitana do Rio, através de ameaças e extorsões contra comerciantes. 

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o MPRJ obteve junto à 2ª Vara Criminal Especializada da Capital, o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em recursos vinculados aos denunciados e às empresas utilizadas no esquema criminoso.

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As apurações apontaram que o esquema era montado por uma estrutura organizada, com funções específicas e comunicação permanente entre seus integrantes.

Equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Entre os denunciados está a principal liderança do Comando Vermelho no Rio, Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”.

Ele é apontado como a principal liderança da facção em liberdade e comanda as ações do CV do Complexo do Alemão.

As investigações tiveram início após o proprietário de um depósito de gás da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, denunciar à polícia ameaças de morte e sequestro.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso obrigava comerciantes a comprar gás exclusivamente de uma distribuidora específica ou exigir o pagamento de taxas mensais ao tráfico de drogas para continuar trabalhando.

O esquema funcionou entre 2024 e 2025, em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e na capital fluminense. Os moradores dessas comunidades eram obrigados a comprar gás somente dos locais apontados pelos traficantes, mesmo com preços majorados.

De acordo com a denúncia, as ameaças tinham como objetivo eliminar a concorrência, impor condições comerciais favoráveis aos criminosos e assegurar o pagamento periódico de valores à organização criminosa.

Movimentos sociais no Rio lembram vítimas da Operação Contenção

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Nesta quarta-feira (28), movimentos sociais, familiares e moradores fazem manifestação na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio. Organizado pela Frente Penha, a iniciativa marca um ano da Operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão, a mais letal do país, que deixou 122 pessoas mortas, entre elas cinco policiais civis e militares.

A manifestação une a denúncia da violência do Estado à solidariedade e ao acolhimento às pessoas, familiares das vítimas e sociedade civil. O objetivo é manter a memória sobre a chacina, ocorrida em outubro de 2025,  para que ela não se repita e para que os moradores de territórios mais violentados por incursões policiais se mobilizem pela paz em seus lugares.

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“Nossa comunidade, que é tão violentada, precisa ser vista com olhos de cuidado. Sobretudo as mulheres, crianças e jovens negros que têm seus direitos violados diariamente. Queremos mais cuidado, educação e saúde pra população de favela”, afirma Evelin Dias, assistente social e integrante da gestão da Frente Penha.

De acordo com o coletivo, a chacina reflete a realidade cotidiana de diversas regiões de favelas fluminenses. Apenas na Baixada Fluminense, como revela o relatório “Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ”, produzido pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, foram registradas 5.298 operações entre 2020 e 2025, que resultaram em quase 300 mortos, 700 feridos, 5.783 presos e 41 adolescentes apreendidos.

Os números das operações e da violência policial nessas áreas precisam ser vistos além da territorialidade - também pela lente racial. De acordo com o estudo “Pele alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, feito pela Rede de Observatórios e Segurança, o Rio de Janeiro registrou 800 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025; desse número, 88,6% das vítimas eram pessoas negras, num total de 588. 

O ato resgata a memória de todos e todas que tiveram seus filhos, irmãos, companheiros, amigos e pais vítimas da violência promovida por agentes do Estado, como ferramenta de resistência e luta contra o cotidiano dessas populações.

O evento começa com um almoço comunitário, promovido pela Frente Penha e parceiros no território. À tarde, com início às 14h, ocorre o ato mais importante, a caminhada pelas principais vias do bairro e a distribuição de cestas básicas para as famílias da comunidade.

O ato contará também com depoimentos de coletivos de incidência e acolhimento de famílias impactadas pela violência de Estado, como o Mães de Maio, Mães de Manguinhos e Projeto Fênix.

Além disso, haverá manifestações artísticas de música, dança e poesia de artistas locais como forma de reafirmar a vida e o bem viver nos territórios, unir e acolher a comunidade. A leitura de uma carta de repúdio da comunidade contra a violência do Estado e uma roda de capoeira e de jongo também fazem parte do evento. 

Para as crianças será montada uma área de recreação com brinquedos infláveis e pula-pula. A programação será encerrada com a soltura de balões em memória aos mortos, apresentação musical e falas de acolhimento.

MPRJ

O Ministério Público do Rio vem analisando e ouvindo testemunhas, familiares das vítimas e familiares de presos, participando diretamente do andamento das investigações.

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaesp) ofereceu, até o momento, 12 denúncias contra 28 policiais militares envolvidos na Operação Contenção. Os agentes foram denunciados por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência, além de irregularidades relacionadas ao uso de câmeras operacionais portáteis (COPs).

O trabalho integra o cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 e o exercício das atribuições constitucionais do Ministério Público no controle externo da atividade policial.

A análise das provas busca esclarecer eventuais responsabilidades individuais e as circunstâncias das 122 mortes registradas durante a operação, realizada em 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão, pelas forças de segurança do estado. Desde o início, o MPRJ adotou uma série de medidas para garantir investigação e perícia independentes. Instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio e realizou o acompanhamento em tempo real pelo plantão institucional de operações, com o acionamento dos protocolos previstos na ADPF 635.

Investigações

A investigação reúne mais de 4 mil horas de gravações de câmeras corporais, 122 laudos periciais médico-legais e 262 depoimentos de agentes públicos, prestados por 255 pessoas distintas. O material é analisado pelo Gaesp e confrontado com registros de ocorrência, documentos operacionais de planejamento, mapas, croquis e dados sobre o uso de munições, para identificar possíveis divergências entre os relatos e as provas, de modo a reconstruir, com o maior grau de precisão possível, as circunstâncias de cada episódio.

Foram utilizadas técnicas de preservação tridimensional de imagens dos corpos, que permitem reexaminar aspectos das perícias e compará-los com outras evidências. Com o apoio da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (Dedit), o MPRJ realizou perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal (IML) e produziu laudos médico-legais relacionados às vítimas da ação. O trabalho também inclui a preservação e a análise de arquivos digitais, para garantir a integridade das provas e o cumprimento dos procedimentos de cadeia de custódia.

O Gaesp/MPRJ vem realizando buscas ativas por testemunhas e atividades de escuta de familiares das vítimas. Foram ouvidos 45 familiares de pessoas mortas durante a operação, algumas delas com o apoio da Ouvidoria da instituição em diferentes atividades itinerantes no Quartel do Corpo de Bombeiros da Penha, que resultaram no registro de 45 depoimentos de familiares. O Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ) também atua no acolhimento dos familiares, com atendimento psicossocial, orientações e encaminhamentos para serviços públicos de saúde e proteção.

Denúncias encaminhadas à Justiça

As investigações já resultaram no oferecimento de 12 denúncias, todas recebidas pela Justiça, com um total de 28 policiais denunciados, sendo que alguns agentes respondem a mais de um processo.

As denúncias envolvem diferentes crimes identificados a partir das provas reunidas pelo Ministério Público, como roubo, furto qualificado, violação de domicílio, constrangimento ilegal, peculato e recusa de obediência a ordem superior, em razão do descumprimento das normas de utilização das câmeras corporais. 

Uso de COPs

A investigação do Gaesp/MPRJ também identificou falhas recorrentes na utilização das câmeras corporais durante a operação. Na Polícia Militar, foram constatadas situações envolvendo agentes sem equipamentos, câmeras descarregadas, falta de baterias suplementares e problemas no planejamento da distribuição e do uso dos dispositivos. Na Polícia Civil, dos 685 agentes que participaram da operação, apenas 62 utilizaram efetivamente câmeras corporais, prejudicando a capacidade de documentação das ações e o trabalho de investigação para o regular esclarecimento dos fatos ocorridos durante os confrontos.

Diante das irregularidades identificadas, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, expediu, em março de 2026, recomendações aos secretários de Estado da Polícia Militar, Polícia Civil e de Segurança Pública para aprimorar o uso das câmeras corporais. Entre as medidas recomendadas à Polícia Militar estão a melhoria do planejamento e da distribuição dos equipamentos, a identificação ostensiva dos agentes, a disponibilização de câmeras para todo o efetivo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a apresentação de um cronograma de ampliação dos dispositivos e o aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e treinamento dos policiais.

Algumas medidas já estão sendo adotadas pela Polícia Militar, como a ampliação do quantitativo de equipamentos utilizados (COPs), a utilização de sistemas institucionais de monitoramento, georreferenciamento, rastreabilidade e custódia, a atuação dos órgãos correcionais no tratamento dos registros audiovisuais, a implementação de política educacional específica, com inserção de conteúdos nos currículos e previsão de expansão na modalidade de ensino a distância, e a capacitação de agentes, por parte do Gesar (Grupamento Especializado de Salvamento e Ações de Resgate), para o atendimento pré-hospitalar tático no contexto de operações policiais.

Para a Polícia Civil, o PGJ recomendou a utilização de câmeras corporais em atividades ostensivas, operações policiais, cumprimento de mandados judiciais e outras situações previstas nas normas de utilização dos equipamentos.

Justiça proíbe deputada de incentivar demissão de opositores

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A Justiça do Trabalho atendeu parcialmente pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) e determinou, em decisão liminar, que a deputada estadual India Armelau se abstenha de promover atos que incentivem empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas. 

A parlamentar em seu segundo mandato pelo Partido Liberal (PL) foi a mais votada para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com mais de 248 mil votos. No primeiro mandato, em 2022, a parlamentar obteve mais de 57 mil votos.

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Em publicação nas redes sociais, a deputada, que conta com cerca de um milhão de seguidores, publicou a mensagem “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o “L”. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.

Na decisão, o juiz do Trabalho Leonardo Saggese Fonseca destaca que “sendo a ré uma integrante do Parlamento, mas do que qualquer outro cidadão, deve prezar pela liberdade de expressão, desde que respeitosa, deve fomentar a democracia e aceitar as diferentes opções políticas de cidadãos e trabalhadores, sem utilizar de discursos e falas que podem gerar pela sua leitura ou escuta, sentimentos de ódio, perseguição ou discriminação.”

A liminar também determina que a deputada Índia Armelau remova as comunicações e publicações que deram origem à ação civil pública dos locais em que foram divulgadas, especialmente sites, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens. 

Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 5 mil, a partir do primeiro dia útil seguinte ao término do prazo de 48 horas para cumprimento da determinação.

Defesa

Em nota pública, em suas redes sociais, a deputada estadual Índia Armelau esclarece que jamais teve qualquer preconceito contra quem quer que seja.

“Como empresária, sempre convivi com a diversidade ideológica e defendo que as opções políticas dos trabalhadores sejam integralmente respeitadas. Mas preocupo-me com situações de sabotagem às próprias empresas, quebra da confiança e fidúcia entre empregador e empregado, contrariando missão, valores e objetivos da empresa”, disse.

No texto, a parlamentar esclarece que “o episódio em questão decorre de um equívoco interpretativo: o comentário foi feito a partir de replicagem, oriunda de uma postagem de terceiro de outra rede e não expressa qualquer orientação ou encorajamento sobre contratações ou demissões por parte da deputada por convicção política”.

“Índia Armelau defende relações equilibradas e a pacificação social entre o capital e o trabalho. Ao perceber que foi mal interpretada, deletou imediatamente os stories e postagens neste sentido, para evitar utilização indevida e qualquer tipo de tensionamento social sobre o tema”, explicou a parlamentar.

CNBB parabeniza Lula e pede atenção aos mais pobres

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao vice-presidente Geraldo Alckmin pela reeleição, no 2º turno das eleições e pediu atenção prioritária para os pobres e vulneráveis.

"Acreditamos que a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade e o bem comum devem orientar as decisões políticas e econômicas", diz nota da entidade da Igreja Católica.

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”Esses princípios encontram expressão concreta na defesa da vida desde a concepção até seu fim natural, na superação da fome e da miséria, na promoção do trabalho digno, na garantia de acesso à saúde, à educação e à moradia, na proteção das crianças, dos idosos e das famílias, no cuidado com os povos indígenas e as comunidades tradicionais e na preservação de nossa Casa Comum”, pontua a nota.

A nota fala ainda da polarização vivida pelo país no período eleitoral e que o Brasil precisa de gestos concretos de pacificação e respeito às diferenças e de valorização das instituições democráticas.

Para a CNBB, o desenvolvimento de uma nação não pode ser avaliado apenas por indicadores econômicos, mas também pela capacidade de assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e dos direitos fundamentais.

"Também desejamos reafirmar a importância do fortalecimento das instituições, do respeito à Constituição Federal, da promoção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência", conclui a nota.

PF registrou 86 casos de possíveis crimes eleitorais no 2º turno

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A Polícia Federal divulgou nesta segunda-feira (26) que 86 casos relacionados a possíveis crimes eleitorais foram registrados no segundo turno das eleições.

Também foram instaurados 13 inquéritos policiais e lavrados 64 termos circunstanciados de ocorrência. Além disso, seis situações de flagrante permaneciam em análise.

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Entre os principais registros, estão 38 casos de possíveis violações ou tentativas de violações dos sigilos dos votos, 24 de propaganda eleitoral irregular, oito de desordem nos trabalhos eleitorais e seis de desobediência eleitoral. Foram registradas ainda ocorrências envolvendo danos a urnas eletrônicas e suspeitas de votação em nome de terceiros.

Os casos foram registrados em 21 unidades da federação: Paraíba (11), Minas Gerais (9), Sergipe (8), Bahia (5), Pernambuco (5), Rio de Janeiro (5), Alagoas (4), Espírito Santo (4), Mato Grosso (4), Acre (3), Distrito Federal (3), Piauí (3), Paraná (3), São Paulo (3), Ceará (2), Maranhão (2), Mato Grosso do Sul (2), Pará (2), Rio Grande do Norte (2), Rondônia (2) e Santa Catarina (1).

Durante o segundo turno, foram apreendidos, em contagem preliminar, R$ 41.420 em bens e valores, incluindo R$ 4.157 em dinheiro. Entre os materiais apreendidos, estão aparelhos celulares, equipamentos de informática e de som.

Números de 2026

Até as 9h30 desta segunda-feira (26), a Polícia Federal havia instaurado 1.629 inquéritos policiais relacionados a crimes eleitorais ao longo de 2026. Na mesma data, havia 2.483 inquéritos em andamento.

O valor total de bens e valores apreendidos em ações relacionadas a crimes eleitorais alcançou quase R$ 52 milhões, dos quais R$ 31 milhões correspondem a dinheiro em espécie.

Os dados também incluem investigações relacionadas à violência política contra a mulher, prevista no art. 326-B do Código Eleitoral. Ao longo do ano, há 104 inquéritos em andamento.

Os números são dinâmicos e podem sofrer alterações em razão de novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas da instituição.

"Não poderia ficar de fora", diz idoso que votou 10 dias após cirurgia

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O segundo turno das eleições no Rio de Janeiro transcorre tranquilamente. Apesar da chuva no início da votação, muita gente já aguardava nas filas na abertura das seções eleitorais. Muitos idosos foram exercer o seu direito de cidadania, apesar de já terem mais de 70 anos, faixa etária em que o voto é facultativo.

No Instituto São João Batista (ISJOB), no bairro do Méier, zona norte da cidade, a movimentação de eleitores idosos foi grande, apesar de o colégio ter três andares e não ter elevador, apenas escadas.

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Um deles foi o professor universitário aposentado Carlos Peixoto, de 81 anos, que, apesar de ter sido operado de um câncer de bexiga há dez dias, fez questão de votar. Ele contou que teve um problema com a sonda e não conseguia urinar, então teve de votar ao hospital no dia seguinte à alta hospitalar. O problema foi corrigido e ele está em recuperação.

Apesar de ainda estar com os pontos da cirurgia, o professor foi andando sozinho de casa até a seção eleitoral. Ele disse que “não poderia deixar de votar".

"Eu votei a minha vida toda e, num momento tão importante como este, eu não poderia ficar de fora.”

Peixoto contou que votou em menos de 30 segundos e que a sua seção estava vazia. “Mas, se estivesse cheia, eu iria usar o direito à prioridade e passaria na frente.”

Outro que também votou no instituto foi o jornaleiro Chico Spinelli, que completa 68 anos neste domingo (25). Ele celebrou o aniversário em família, com um churrasco, no sábado (24), porque não teria condições de comemorar hoje.

“Eu saí de casa para votar logo cedo e depois vou abrir a banca de jornal, coisa que já não faço mais há algum tempo.”  Com relação ao voto na seção eleitoral, Spinelli disse que foi muito rápido “e que ele tinha que exercer o seu direito de voto para ajudar o seu candidato.”

Chico Spinelli disse que dali iria direto para a banca de jornal, uma das principais do bairro do Méier. Ele é jornaleiro há mais de 40 anos e disse que não abre mais a banca aos domingos. Mas decidiu abrir hoje, porque lá consegue conversar com os fregueses, se distrair e  vender, além de jornais e revistas, "um cafezinho para a turma".

“Dessa forma eu esqueço um pouco da eleição e fico mais tranquilo, mas não deixo de tomar o meu remédio para pressão diariamente.”

Transporte gratuito

No Rio de Janeiro, os ônibus urbanos estão funcionando gratuitamente até o final da votação. O metrô também, até as 20h. A gratuidade também vale para as barcas que fazem a travessia entre o Rio e Niterói, Praça XV-Cocotá e entre o Rio e a Ilha de Paquetá.

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