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Maior desafio de Lula 4 será aprovar reformas no Congresso, diz Moody’s

30 October 2026 at 07:31

A dificuldade de aprovar pautas em um Congresso Nacional mais à direita será um dos principais desafios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo William Foster, vice-presidente sênior da Moody’s Ratings.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo apontou que a capacidade de negociar com parlamentares e construir acordos políticos será determinante para a implementação de medidas capazes de conter o avanço da dívida pública brasileira.

“O maior desafio que vejo neste momento não é apenas elaborar boas políticas e conquistar a credibilidade do mercado, mas conseguir aprovar a legislação no Congresso para dar sustentação a essas políticas”, afirmou Foster.

Na avaliação dele, o desafio será ainda maior do que no mandato anterior, diante da mudança na composição do Legislativo. “O Congresso se deslocou para a direita”, ressaltou.

Foster destacou que a aprovação de mudanças fiscais exigirá habilidade política do governo para negociar com o centro e construir maiorias. No Brasil, PECs (Propostas de Emenda à Constituição) precisam de três quintos dos votos de deputados e senadores, o que exige uma articulação ampla para a aprovação de mudanças estruturais.

“Isso vai exigir uma negociação significativa de acordos e uma disposição política que Lula precisará empregar para alcançar esses objetivos”, afirmou.

O executivo ressaltou que a questão fiscal não depende apenas da elaboração de medidas bem desenhadas, mas também de sua implementação. Para a agência, a capacidade do governo de transformar propostas em mudanças efetivas será fundamental para recuperar a confiança dos investidores.

A Moody’s mantém a nota de crédito soberano do Brasil em Ba1, um nível abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. Segundo Foster, a evolução da política fiscal será o principal fator para uma eventual mudança na avaliação do país.

Nesse sentido, apontou a necessidade de rever o crescimento das despesas obrigatórias, muitas delas corrigidas pelo salário mínimo e pela inflação. Para ele, mudanças nos mecanismos de indexação e no nível dos gastos poderiam reduzir os déficits primários e, no futuro, permitir a estabilização da dívida.

Juros elevados dificultam recuperação fiscal

O custo de financiamento da dívida é outro ponto de preocupação para a Moody’s. Segundo Foster, o Brasil apresenta despesas com juros elevadas em comparação com outros países, reflexo de taxas historicamente altas e da estrutura de financiamento do governo.

O executivo afirmou que os pagamentos de juros equivalem a cerca de 20% das receitas públicas e superam 8% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na entrevista, ele também destacou que mais de 40% da dívida do governo está vinculada a taxas flutuantes relacionadas à Selic, o que aumenta a exposição das contas públicas a períodos prolongados de juros elevados.

“[O Brasil] é muito mais vulnerável a taxas de juros mais altas por períodos mais longos, particularmente com um prazo médio ponderado da dívida pública em torno de quatro anos. Essa é uma característica estrutural […] e a tendência continuou a piorar nos últimos quatro anos do governo Lula”, ponderou.

Na avaliação de Foster, a política monetária enfrenta o desafio de conter as pressões inflacionárias enquanto a política fiscal mantém estímulos à atividade econômica. O aumento dos gastos públicos pode dificultar o trabalho do Banco Central e reduzir o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros.

O executivo, contudo, vê possibilidade de redução gradual dos juros, desde que algumas condições sejam atendidas. Entre elas, está um reequilíbrio da política fiscal, capaz de contribuir para a desaceleração da inflação e diminuir o custo de financiamento do governo e da economia.

“[A consolidação fiscal] permitiria ao Banco Central, potencialmente, ter mais confiança para que eles possam reduzir ainda mais as taxas”, disse.

Foster também alertou para a possibilidade de dominância fiscal, situação em que as pressões das contas públicas dificultam a condução da política monetária.

Para a Moody’s, a recuperação da credibilidade fiscal seria um caminho para melhorar as condições de financiamento e favorecer o crescimento sustentável. A redução do custo da dívida também ajudaria a diminuir os déficits e abrir espaço para investimentos do setor privado.

Dívida pública pode continuar crescendo sem reformas

A relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto é um dos principais fatores de risco para o perfil de crédito brasileiro, segundo Foster. O indicador passou de aproximadamente 72% para 83% do PIB nos últimos anos.

Sem mudanças na política fiscal ao longo dos próximos quatro anos, a Moody’s projeta que a relação poderá alcançar cerca de 87% do PIB no ano seguinte e continuar aumentando. A estimativa da agência é superior à projeção do governo, que prevê um pico próximo de 88% nos próximos anos, antes de uma trajetória de queda.

“Para que a dívida comece a cair ou se estabilize, é necessário observar mudanças na política fiscal”, afirmou Foster.

Segundo ele, a principal frente de atuação seria a revisão das despesas obrigatórias, que apresentam uma tendência estrutural de crescimento. A redução do ritmo de expansão dos gastos e eventuais cortes poderiam contribuir para diminuir os déficits primários e, posteriormente, permitir a obtenção de superávits.

O executivo também fez ressalvas ao atual arcabouço fiscal brasileiro. Embora considere razoáveis as metas de resultado primário, ele avalia que o modelo não contempla de maneira suficiente o principal fator por trás do déficit total do governo: o pagamento de juros.

“Uma política fiscal crível precisa levar em conta o custo dos empréstimos”, afirmou.

Para o executivo, a adoção de metas de longo prazo para a dívida em relação ao PIB e mudanças na forma de acompanhar o cumprimento dos objetivos fiscais poderiam aumentar a transparência e a previsibilidade da política econômica.

A agência considera que uma melhora duradoura das contas públicas, acompanhada de crescimento econômico mais forte, poderia abrir caminho para uma perspectiva positiva e, eventualmente, para a elevação da nota de crédito brasileira ao grau de investimento. Isso exigiria, porém, uma mudança permanente e significativa na trajetória fiscal.

No sentido contrário, a persistência de déficits elevados e a deterioração da credibilidade da política econômica poderiam pressionar ainda mais os juros, prejudicar o crescimento e ampliar o endividamento.

Porém, Foster destacou que a polarização política dificulta a adoção de medidas fiscais não apenas no Brasil, mas também em outros países. Reformas que envolvem despesas sociais, previdência e saúde são particularmente sensíveis e dependem de consenso político.

“É necessário um reequilíbrio entre esses custos e os objetivos fiscais. Isso exige consenso político, algo que está muito difícil de alcançar no Brasil e em muitos países ao redor do mundo”, afirmou.

Para a Moody’s, a capacidade do governo Lula de construir pontes com a oposição e com os partidos de centro será decisiva para avançar com reformas capazes de estabilizar a dívida e fortalecer o perfil de crédito do país.

 

Binance investiga ataque hacker e congela US$ 2,54 bilhões em ativos

30 October 2026 at 00:02

A Binance informou, via publicação no X na noite desta quinta-feira (29), que está investigando um potencial “problema de segurança” em sua plataforma. Parte das negociações operadas pela Binance foram suspensas.

“Estamos trabalhando sem parar para resolver este problema. A Binance cobrirá todas as perdas. […] Estamos trabalhando 24 horas por dia e compartilharemos um relatório completo pós-incidente assim que a investigação for concluída”, escreveu a plataforma no X.

A empresa informou que congelou US$ 2,54 bilhões até o momento, que o montante pode subir à medida que suas equipes trabalham junto de forças policiais, emissores, empresas de inteligência em blockchain e parceiros da indústria para rastrear e travar ativos adicionais.

“Este é um esforço em escala da indústria, e somos gratos aos parceiros em todo o ecossistema que agiram rapidamente para ajudar a congelar os ativos afetados.”

“Nossa equipe está realizando verificações de segurança. As retiradas serão retomadas assim que o problema de segurança for totalmente resolvido”, escreveu a plataforma em publicação no X.

Segundo a Binance, os recursos dos usuários estão seguros.

A empresa segue atualizando o caso em suas redes sociais ao passo que confirma novas informações sobre a ocorrência. A Binance ainda alerta para que usuários fiquem atentos para potenciais golpes tentando tirar vantagem da situação.

A Binance dos Estados Unidos afirma que suas operações não foram afetadas pelo “incidente de segurança”.

“Somos uma plataforma separada e independente, e os fundos e serviços dos clientes estão seguros e funcionando normalmente”, diz a conta da operação norte-americana no X.

 

Mercado precifica 60,9% de chance de BC interromper queda de juros

28 October 2026 at 20:30

Os investidores passaram a apostar majoritariamente que o BC (Banco Central) deve interromper o ciclo de corte da taxa básica de juros, a Selic, em sua próxima reunião. O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne pela penúltima vez no ano entre terça-feira (3) e quarta-feira (4) da semana que vem.

Até sexta-feira (23), os contratos de opção de Copom negociados na B3 apuravam aposta majoritária (76%) em um novo corte de 0,25 ponto percentual pelo colegiado de diretores do BC. Eram 17,5% os que contavam com a possibilidade de manutenção.

As expectativas viraram na segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. Na segunda, 63,1% das posições montadas acreditavam que os cortes da Selic seriam interrompidos já na reunião de novembro. Na terça-feira (27), as apostas estavam em 60,9%.

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A B3 disponibiliza os dados referentes ao fechamento do pregão sempre no dia útil seguinte.

O resultado inesperado das eleições presidenciais e a forte deterioração dos ativos financeiros na segunda-feira levou gestores e economistas ouvidos pelo CNN Money a discutirem a possibilidade de a autoridade monetária não somente interromper os cortes, como endurecer a taxa de juros em resposta ao cenário fiscal pior e à disparada do dólar em relação ao real.

A expectativa gerada em torno de Flávio Bolsonaro (PL) era movida pela esperança dos investidores em uma política fiscal mais rígida. Com Lula, espera-se continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.

Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

 

Brasil pode ter menos renúncias fiscais, diz Tebet à CNN

28 October 2026 at 19:00

A redução das renúncias fiscais do país é um dos principais caminhos defendidos por Simonte Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e Orçamento, para ajustar as contas públicas.

“O Brasil lamentavelmente tem muita gordura pra cortar. O Brasil é o país dos desperdícios, é o país da corrupção, é o país de privilégios. Essa é uma frente que temos que enfrentar. Isso é suficiente? Não, mas tem muitas políticas públicas que eram necessárias e não são mais, como as renúncias fiscais”, pontuou em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (28).

“Trocar gastos ruins por gastos bons. Tirar políticas públicas que não são mais eficientes para comportar outras políticas públicas que foram prometidas e ninguém vai cometer estelionato eleitoral.”

Além de “ajustes finos” em cima de benefícios tributários e isenções considerados ineficientes, a ex-ministra apontou para a necessidade de se rever determinadas despesas e as regras do arcabouço fiscal adotado em 2023 pelo governo Lula.

A ex-ministra do Orçamento avaliou que, fazendo os ajustes necessários, o país pode atingir um superávit fiscal de valor equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em quatro anos.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

Precisamos de PEC para contenção dos gastos, defende Tebet à CNN

28 October 2026 at 18:41

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB) defendeu uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para ajustar as contas públicas do país.

“Nós temos um cardápio, nós temos medidas prontas na gaveta de alguns ministérios das equipes econômicas que serão colocadas, acredito eu, na mesa do presidente.
E aí o que eu acho mais importante é que a janela de oportunidade é agora. Agora precisamos da PEC da contenção de gastos, naquilo que precisa ser cortado sem reduzir benefícios sociais”, apontou Tebet em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (28).

“O Brasil lamentavelmente tem muita gordura pra cortar. O Brasil é o país dos desperdícios, é o país da corrupção, é o país de privilégios. Essa é uma frente que temos que enfrentar. Isso é suficiente? Não, mas tem muitas políticas públicas que eram necessárias e não são mais, como as renúncias fiscais”, pontuou.

Além de “ajustes finos” em cima de benefícios tributários e isenções considerados ineficientes, a ex-ministra apontou para a necessidade de se rever determinadas despesas e as regras do arcabouço fiscal adotado em 2023 pelo governo Lula.

Para dar um sinal positivo e esperado pelo mercado, Tebet avaliou que as medidas devem ser indicadas nos próximos 45 dias e “de forma objetiva”, visando fechar as contas públicas no verde em 2027.

A ex-ministra do Orçamento avaliou que, fazendo os ajustes necessários, o país pode atingir um superávit fiscal de valor equivalente a 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em quatro anos.

Ainda assim, reforçou que a revisão de gastos deve ser feita sem penalizar os mais necessitados.

“Importante falar do equilíbrio fiscal. Os problemas do Brasil cabem dentro do orçamento brasileiro, e é possível e necessário fazer um ajuste fiscal, uma revisão de gastos sem tirar um benefício sequer”, inadgou.

“Trocar gastos ruins por gastos bons. Tirar políticas públicas que não são mais eficientes para comportar outras políticas públicas que foram prometidas e ninguém vai cometer estelionato eleitoral.”

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

Petrobras: CVM multa Cerveró em R$ 16 mi por desvios na compra de Pasadena

28 October 2026 at 01:03

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu, nesta terça-feira (27), pela condenação do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cuñat Cerveró, no caso da compra da refinaria de Pasadena.

Em fevereiro de 2006, a estatal adquiriu a refinaria localizada no estado norte-americano do Texas, um projeto de responsabilidade de Cerveró.

A autarquia reconheceu que o ex-diretor atuou com desvio de poder e violou o dever de lealdade ao receber vantagem indevida da vendedora para que a Petrobras aprovasse a aquisição da participação inicial na refinaria.

Cerveró foi condenado a multa de R$ 16.122.750,00 e foi inabilitado por 15 anos de assumir cargos como administrador ou conselheiro fiscal em companhais de capital aberto.

A CVM ainda decidiu por extinguir a punição contra o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que morreu em agosto de 2022. Ainda reconheceu a prescrição dos casos em relação a:

  • José Sérgio Gabrielli de Azevedo, ex-presidente da Petrobras;
  • Almir Guilherme Barbassa, ex-diretor da Petrobras;
  • Guilherme de Oliveira Estrella, ex-diretor da Petrobras;
  • Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras;
  • Ildo Luis Sauer, ex-diretor da Petrobras;
  • ex-presidente Dilma Rousseff;
  • ex-ministro e ex-conselheiro da Petrobras Antônio Palocci Filho;
  • Fábio Coletti Barbosa, ex-conselheiro da Petrobras;
  • Cláudio Luiz da Silva Haddad, ex-conselheiro da Petrobras;
  • Gleuber Vieira, ex-conselheiro da Petrobras;

Caso superada a prescrição, a decisão é pela absolvição da acusação de violação ao dever de diligência por exame de mérito.

Investigado e condenado

Em 2014, Nestor Cerveró reconheceu ser o responsável pela elaboração do projeto em que havia as cláusulas Marlim e Put option, criticadas pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A cláusula Marlim garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. A Put Option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra, em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.

Preso em janeiro de 2015, o ex-diretor da Petrobras foi investigado e condenado no âmbito da Operação Lava Jato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e desvio de poder. Ele passou à prisão domiciliar em junho do ano seguinte após assinar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Minerais críticos podem elevar PIB do país em R$ 243 bi até 2050

Famílias e empresas pagaram R$ 674 bi em juros no 1º semestre, alta de 7,4%

27 October 2026 at 21:24

As famílias brasileiras viram seus gastos com juros subirem quase 10% no primeiro semestre de 2026 – em comparação com o mesmo período do ano anterior -, totalizando despesa da ordem de R$ 515,4 bilhões, segundo levantamento da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo).

Já as empresas tiveram de desembolsar R$ 158,6 bilhões com juros nos primeiros seis meses do ano. Somados os valores, pessoas físicas e jurídicas perderam R$ 674 bilhões nesse sentido, alta de 7,4% ante o primeiro semestre de 2025.

Apesar do crédito ficar cada vez mais caro – a taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% para 25,3% -, o consumidor segue buscando empréstimos – o saldo real do crédito livre às pessoas físicas subiu 6,1%, a R$ 2,353 trilhões, enquanto as concessões avançaram 5,1%.

Não obstante, a FecomercioSP apurou que a inadimplência cresce, com os atrasos acima de 90 dias atingindo 7,37% dos consumidores, após piora de 1,78 ponto percentual do indicador.

“Em apenas dois anos, houve uma deterioração expressiva da capacidade de pagamento. […] Os lares com dívidas permanecem em patamar elevado”, aponta a entidade em nota de pesquisa.

A FecomercioSP afirma que 3,4 milhões de lares registram dívidas, o maior patamar desde 2022.

Já olhando para as empresas, o levantamento nota outro comportamento alarmante: o gasto total com juros se manteve quase o mesmo entre 2025 e 2026, enquanto as operações de crédito recuaram; com menor saldo de crédito, o que manteve a despesa elevada é o fato do encarecimento das concessões.

Juros altos desencorajam consumo e podem frear economia; entenda

 

Choque eleitoral deve se acomodar, mas mercado cobra compromisso fiscal

27 October 2026 at 06:40

O resultado do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu o mercado.

A resposta veio na operação dos ativos nesta segunda-feira (26): o dólar registrou a maior alta diária em 23 anos, os juros futuros tiveram alta de quase dois pontos e a Bolsa teve de paralisar suas operações na abertura do que foi o pior pregão desde a pandemia.

Por outro lado, chama atenção um desempenho que pode soar contraintuivo: na contramão, o VIX Brasil – indicador usado como “termômetro do medo” do mercado brasileiro – chegou a cair 40% ao longo do dia. No fim dos negócios, apurava perda de 38,59%.

A reeleição de Lula para um quarto mandato pode ter frustrado as expectativas do mercado financeiro e forçado o desmonte de posições construídas em torno da tese Flávio Bolsonaro. Mas o VIX apura que a volatilidade caiu. O choque inicial ainda deve ressoar pelos próximos dias, mas o mercado deve se assentar e voltar a se pautar em fundamentos e no noticiário, seja ele corporativo ou político.

“A forte reação do mercado nesta segunda-feira reflete o fato de que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva não estava totalmente precificada pela maior parte dos agentes financeiros. Nas semanas que antecederam o segundo turno, o Ibovespa registrou expressiva alta embalado pela expectativa de que Flávio Bolsonaro sairia vencedor”, observa Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

“Essa aposta fez com que muitos fundos e investidores institucionais se posicionassem de forma otimista para um cenário que acabou não se concretizando nas urnas, tornando o ajuste de preços não apenas previsível diante do choque de expectativas, mas também devido à urgência operacional no desmonte rápido das carteiras.”

Após o primeiro turno, o mercado viveu uma euforia que levou o Ibovespa a renovar recordes com a vitória parcial de Flávio. Comparando com a duração do primeiro movimento, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o pessimismo ainda deve durar “por enquanto”.

“A lua de mel do otimismo do mercado financeiro no pós-primeiro turno durou uns 15 dias aproximadamente”, relembra.

O movimento imediato de queda – pelo que Nossig chama de “liquidação forçada de posições” – tende a perder força à medida que o “choque inicial” do resultado eleitoral é absorvido, explica a analista.

A volatilidade cai à medida que as eleições acabam e sabe-se concretamente quem será o próximo presidente. A incerteza não é anulada, de modo que o mercado deve seguir buscando pistas sobre qual vai ser a postura do petista em seu próximo governo.

A expectativa gerada em torno de Bolsonaro era movida pela esperança dos investidores em uma política fiscal mais rígida. Com Lula, espera-se continuidade de uma economia pautada no impulso com gastos públicos.

Mas os analistas ouvidos pela reportagem apontam que agora, antes de concretizar novas estratégias, o mercado deve esperar para observar o que será de fato sinalizado pelo governo. Desse modo, a Bolsa deve entrar em um período de oscilação tática e consolidação de preços.

Olivia Carneiro, economista e mestre pela Universidade de Chicago, ressalta que algum resquício de especulação eleitoral deve seguir nesse período de transição de mandatos. Com um Congresso mais à direita, o mercado deve fazer os cálculos sobre a governabilidade de Lula 4 e a continuidade – ou não – de medidas de impacto para a economia.

Nesse sentido, Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, pondera sobre o impacto inflacionário que algumas propostas devem ter no próximo ciclo – e consequentemente nas expectativas do mercado -, como o fim da escala 6×1. O analista coloca também na ponta do lápis o efeito que o El Niño pode gerar sobre o preço dos alimentos.

Para além disso, Carneiro vê um cenário global ainda com muitas incertezas – como os preços de energia, a guerra no Irã e crises de dívida, inflação e juros altos por diversos países -, fazendo o mercado ficar sem novos impulsos claros e evidentes para se movimentar.

Porém, mesmo com exterior desfavorável, o Ibovespa vem conseguindo colher espólios em 2026. Apesar da queda de 13,88% na ressaca da eleição, o principal indicador do mercado acionário brasileiro acumula alta de 10,32% no ano. Desde 2023, a alta é de mais de 60%.

Ainda assim, é consenso no mercado de que o ânimo dos investidores “vai depender da postura do Lula daqui para frente”, enfatiza Olivia Carneiro.

Construir credibilidade fiscal junto do mercado financeiro vai requisitar do presidente mais do que discurso, segundo Alex Agostini. Ele nota que “nada será suficiente” para os agentes econômicos sem a indicação de um nome forte e vindo de fora do Partido dos Trabalhadores para o Ministério da Fazenda.

A novo chefe da equipe econômica deverá ser alguém “técnico e pró-mercado”, resume.

“Para que haja trégua, precisa indicar nome forte à Fazenda. Não só ortodoxo, mas um aristocrata, que conhece as demandas do mercado financeiro e do setor privado. E para que a credibilidade seja duradoura, o governo vai ter de formar corpo junto do centrão para aprovar suas medidas”, pontua o economista-chefe da Austin.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

Arcabouço fiscal não é claro e direto como o necessáro, diz Meirelles à CNN

26 October 2026 at 23:30

Para Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), o marco fiscal adotado pelo governo Lula em 2023 não é tão “claro, direto e rigoroso” quando o assunto é a fixação dos limites de despesas permitidos ao Executivo.

O economista defendeu, em entrevista exclusiva ao CNN Money nesta segunda-feira (26), que seria mais crível “uma coisa clara”, ao invés de métricas de crescimento de gastos flexíveis a depender do crescimento da economia.

Além disso, Meirelles indicou que o “maior problema” em relação ao arcabouço fiscal “é que ele não está sendo seguido”.

Apesar de o governo ter cumprido as metas de gastos primários dos últimos anos, o ex-ministro observou que a regra só atendeu ao parâmetro estabelecido em lei ao ignorar da conta despesas extraordinárias.

Nesse sentido, apontou que a regra “perde eficácia” e que “a dívida cresce independentemente de como o governo a contabiliza”.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

Fazenda deve ter alguém favorável à mudança, diz Meirelles à CNN

26 October 2026 at 22:46

Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles defende que o próximo nome que ficar à frente da pasta deve ser o de alguém favorável à mudança na maneira como o governo gere as contas públicas.

“Seria alguém que fosse visto pelo mercado – e se for anunciado nessa direção – no sentido de assumir compromisso em relação à política fiscal claro“, disse Meirelles em entrevista ao CNN Money nesta segunda-feira (26).

Clareza passa, segundo o ex-ministro, por apresentar propostas diretas para o controle dos gastos, sem meandros e ambiguidades.

“Fato é que estamos com a dívida pública elevada e, se seguirmos nesse ritmo de gastos fiscais, vai ficar insustentável”, ressaltou ao CNN Money.

Questionado se o indicado à Fazenda teria de vir do mercado financeiro, Meirelles indicou que este não necessariamente seria um critério de escolha.

Além de sinalizar claramente seu compromisso fiscal, a pessoa escolhida teria de passar credibilidade sobre suas afirmações. Fator este que passa por dois elementos: ter um passado que confirme essa postura e representatividade junto do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conseguir bancar suas propostas.

Por outro lado, o ex-BC também não enxerga hoje ninguém no governo federal que tenha capacidade de transmitir uma postura fiscalista crível ao mercado.

“Certamente não há ninguém no governo que eu saiba. Pode estar lá dentro, mas ninguém publicamente que esteja fazendo uma declaração clara de que é necessário controle fiscal”, ponderou ministro.

Meirelles observou que uma postura mais contida seria compreensível por algum técnico de visão mais ortodoxa que estivesse compondo um governo que, até o momento, mantém em andamento uma política contrária.

“Alguém favorável à mudança relevante, essa pessoa dentro do governo teria ficado em uma situação complicada”, pontuou.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

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