❌

Normal view

Arcabouço fiscal não é claro e direto como o necessáro, diz Meirelles à CNN

26 October 2026 at 23:30

Para Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), o marco fiscal adotado pelo governo Lula em 2023 não é tão “claro, direto e rigoroso” quando o assunto é a fixação dos limites de despesas permitidos ao Executivo.

O economista defendeu, em entrevista exclusiva ao CNN Money nesta segunda-feira (26), que seria mais crível “uma coisa clara”, ao invés de métricas de crescimento de gastos flexíveis a depender do crescimento da economia.

Além disso, Meirelles indicou que o “maior problema” em relação ao arcabouço fiscal “é que ele não está sendo seguido”.

Apesar de o governo ter cumprido as metas de gastos primários dos últimos anos, o ex-ministro observou que a regra só atendeu ao parâmetro estabelecido em lei ao ignorar da conta despesas extraordinárias.

Nesse sentido, apontou que a regra “perde eficácia” e que “a dívida cresce independentemente de como o governo a contabiliza”.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

Fazenda deve ter alguém favorável à mudança, diz Meirelles à CNN

26 October 2026 at 22:46

Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles defende que o próximo nome que ficar à frente da pasta deve ser o de alguém favorável à mudança na maneira como o governo gere as contas públicas.

“Seria alguém que fosse visto pelo mercado – e se for anunciado nessa direção – no sentido de assumir compromisso em relação à política fiscal claro“, disse Meirelles em entrevista ao CNN Money nesta segunda-feira (26).

Clareza passa, segundo o ex-ministro, por apresentar propostas diretas para o controle dos gastos, sem meandros e ambiguidades.

“Fato é que estamos com a dívida pública elevada e, se seguirmos nesse ritmo de gastos fiscais, vai ficar insustentável”, ressaltou ao CNN Money.

Questionado se o indicado à Fazenda teria de vir do mercado financeiro, Meirelles indicou que este não necessariamente seria um critério de escolha.

Além de sinalizar claramente seu compromisso fiscal, a pessoa escolhida teria de passar credibilidade sobre suas afirmações. Fator este que passa por dois elementos: ter um passado que confirme essa postura e representatividade junto do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conseguir bancar suas propostas.

Por outro lado, o ex-BC também não enxerga hoje ninguém no governo federal que tenha capacidade de transmitir uma postura fiscalista crível ao mercado.

“Certamente não há ninguém no governo que eu saiba. Pode estar lá dentro, mas ninguém publicamente que esteja fazendo uma declaração clara de que é necessário controle fiscal”, ponderou ministro.

Meirelles observou que uma postura mais contida seria compreensível por algum técnico de visão mais ortodoxa que estivesse compondo um governo que, até o momento, mantém em andamento uma política contrária.

“Alguém favorável à mudança relevante, essa pessoa dentro do governo teria ficado em uma situação complicada”, pontuou.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

 

❌