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Nobel premeia a técnica que liga e desliga neurónios com luz

26 October 2026 at 14:30
(DR)

O Prémio Nobel da Medicina de 2026 distinguiu uma descoberta que nasceu de uma pergunta aparentemente simples: como é que uma alga microscópica “vê” a luz? Os alemães Peter Hegemann, da Universidade Humboldt de Berlim, e Georg Nagel, da Universidade de Würzburg, descobriram que a alga Chlamydomonas tem uma proteína, a canalrodopsina, que abre uma passagem na membrana da célula quando é atingida pela luz.

O norte-americano Karl Deisseroth, da Universidade de Stanford, percebeu o potencial desta descoberta e desenvolveu a optogenética. A técnica consiste em introduzir o gene desta proteína em neurónios específicos, que passam assim a reagir à luz. Com um feixe de luz, transmitido por uma fibra ótica muito fina, os cientistas conseguem ativar ou desativar grupos de células com enorme precisão, sem afetar as que estão à volta.

A optogenética revolucionou as neurociências. Permitiu perceber que neurónios estão envolvidos na memória, no sono, no movimento ou no medo. Mas o seu impacto pode ir muito além do laboratório. Já estão em curso ensaios clínicos para tentar devolver parte da visão a pessoas com doenças degenerativas da retina, tornando sensíveis à luz as células que sobrevivem. Os investigadores estudam também aplicações no tratamento da doença de Parkinson e da epilepsia.É um bom exemplo de como a investigação básica, mesmo sobre algas, pode mudar a medicina.

MS

Caminhar meia hora por dia pode travar o Alzheimer

26 October 2026 at 14:29

Não são precisos os famosos 10 mil passos diários para proteger o cérebro. A ciência mostra cada vez mais que bastam cerca de 3000 passos, o equivalente a meia hora de caminhada moderada, para atrasar os sinais da doença de Alzheimer.

A conclusão vem de um estudo norte-americano que acompanhou durante nove a onze anos quase 300 idosos que já apresentavam sinais precoces da doença no cérebro. Os participantes usaram pedómetros para registar a atividade física. Nos mais ativos, os sinais de declínio cognitivo foram quase reduzidos para metade.

A caminhada não fez desaparecer as placas de proteína amiloide, que são o alvo da maioria dos medicamentos atuais. Mas esteve associada a uma menor acumulação de outra proteína, a tau, mais diretamente ligada à perda de memória e de autonomia. O efeito mais forte surgiu entre os 5000 e os 7500 passos diários e estabilizou a partir daí. Estes resultados somam-se a outras investigações. Um grande estudo britânico, com mais de 78 mil pessoas, já tinha encontrado um risco de demência 25% menor em quem dava cerca de 3800 passos por dia.

Os cientistas lembram que é preciso cautela. A amostra foi pequena e as pessoas ativas tendem a ter outros hábitos saudáveis. Ainda assim, a mensagem é animadora: um gesto simples, gratuito e ao alcance de quase todos pode fazer diferença na saúde do cérebro.

MS

Inner Circle: “O reggae é uma música de vida e a internet não substitui o toque humano”

26 October 2026 at 14:22
(DR)

Com mais de cinco décadas de carreira, os lendários jamaicanos Inner Circle continuam a provar que a paixão pela música não conhece prazo de validade. Conhecidos mundialmente por êxitos como Bad Boys e Sweat, regressaram a Portugal para mais uma atuação, trazendo consigo uma história marcada por grandes conquistas, perdas profundas e uma fidelidade inabalável às raízes do reggae. Em entrevista, falaram sobre a ligação ao público português, as memórias de uma carreira extraordinária, os desafios da era digital e a importância de preservar a autenticidade na música e nas relações humanas. 

A relação dos Inner Circle com Portugal já conta com vários anos. A banda admite ter perdido a conta às visitas, estimando que esta seja a sexta, a sétima ou talvez a oitava atuação em território nacional. Embora reconheçam uma ligação ainda limitada à cena reggae portuguesa, revelam maior proximidade com o mercado lusófono, nomeadamente com o Brasil e grupos como os Cidade Negra. A afinidade com o sul da Europa explica-se pelas semelhanças culturais e ambientais: o clima, as influências africanas e a energia das pessoas fazem-nos recordar a atmosfera das Caraíbas e da própria Jamaica. Manter a energia e a criatividade ao longo de mais de 50 anos de carreira exige, segundo os músicos, uma receita simples: concentrar-se na música, em vez de perseguir tendências passageiras. 

Para os Inner Circle, o verdadeiro sucesso não se mede pela popularidade instantânea nem pelos números nas redes sociais, mas pela capacidade de uma canção atravessar gerações e continuar a despertar emoções muito depois de desaparecerem as tendências da sua época. Esta convicção foi reforçada por um percurso que os levou a viver momentos marcantes da história do reggae. No final da década de 1970, após assinarem contrato com a Island Records, participaram no histórico concerto One Love Peace, realizado na Jamaica, em 1978, durante um período de fortes tensões políticas e sociais. A música assumiu então um papel agregador, demonstrando a capacidade de aproximar pessoas e promover a paz num ambiente marcado pela divisão e pela violência. A carreira ficou também marcada pela perda prematura de Jacob Miller, o carismático vocalista que morreu em 1980. A sua morte representou um golpe profundo para o grupo, mas o seu espírito resiliente permaneceu como inspiração para continuar. A convicção de que a jornada ainda não tinha terminado ajudou os músicos a regressar ao estúdio e a prosseguir o caminho. Apesar da partida precoce, a obra de Miller continua viva e a conquistar novas gerações. Foi sobretudo na década de 1990 que os Inner Circle consolidaram o seu estatuto internacional. A banda admite nunca ter antecipado a dimensão nem a longevidade do sucesso de Bad Boys e Sweat. Inspirado nos desafios da juventude e na figura de um jovem rebelde à procura do seu lugar no mundo, Bad Boys ganhou maior projeção ao integrar a banda sonora dos filmes protagonizados por Will Smith e Martin Lawrence. Já Sweat, com uma melodia contagiante e uma energia associada à liberdade e ao verão, conquistou públicos em mercados tão distintos como a Alemanha, a Rússia, a Ásia e a América do Sul. O sucesso demonstrou que a música pode ultrapassar barreiras linguísticas e culturais, criando uma ligação emocional universal. Apesar dos êxitos alcançados, os Inner Circle continuam atentos ao futuro da música. 

A Inteligência Artificial é uma das questões que mais reservas lhes suscita. Os músicos questionam a utilização de ferramentas que produzem conteúdos a partir de obras existentes, defendendo que a criação artística exige aprendizagem, dedicação, experiência e sensibilidade humana. Para a banda, a dimensão emocional da música não pode ser reduzida a algoritmos nem substituída pelo processamento de referências anteriores. Também a passagem dos discos de vinil e das cassetes para o streaming e as redes sociais transformou a relação do público com a música. Os músicos recordam uma época em que ouvir um álbum implicava tempo, atenção e descoberta: observar a capa, ler os créditos, conhecer os intérpretes e escutar cada faixa com disponibilidade para absorver a sua essência. 

Hoje, perante a oferta quase inesgotável das plataformas digitais, receiam que as canções se tenham tornado produtos de consumo rápido, facilmente substituídos por novidades. Embora reconheçam as possibilidades da tecnologia, alertam para o risco de se perder uma ligação mais profunda com as obras e os seus criadores. Em defesa da autenticidade, os Inner Circle insistem que a música deve continuar a nascer de experiências, emoções e histórias reais, capazes de criar ligações duradouras. A preocupação com o bem-estar físico e mental também faz parte da sua filosofia de vida, com os músicos a valorizarem uma alimentação vegetariana e hábitos equilibrados para enfrentar décadas de digressões. A mensagem estende-se às relações humanas. Num mundo cada vez mais dominado pelos ecrãs, a banda defende a importância do convívio presencial, da conversa, do afeto e da proximidade. A tecnologia pode facilitar a comunicação, mas não substitui a presença, o abraço ou a emoção de um encontro. Esta é também uma das mensagens fundamentais do reggae: a importância da união, da partilha e do respeito pelo outro. Mais de meio século depois, os Inner Circle continuam a percorrer os palcos do mundo com a convicção de que a música é muito mais do que entretenimento. É memória, identidade e uma linguagem universal capaz de aproximar gerações e culturas. 

Enquanto Bad Boys e Sweat continuarem a conquistar públicos de diferentes idades, a banda terá a prova de que as canções verdadeiramente especiais não pertencem apenas à época em que nasceram, mas a todos aqueles que continuam a encontrar nelas uma parte da sua própria história.

Paulo Perdiz/MS

Os perigos da Internet começam com um clique. Como proteger os nossos filhos?

26 October 2026 at 13:52
(DR)

Redes sociais, jogos online e aplicações de mensagens fazem parte da vida dos mais novos. Conheça os principais riscos, os sinais de alerta e o que pais e escolas podem fazer para os proteger.

Tecnologia Sem Complicações

Hoje, a Internet faz parte da vida das nossas crianças e adolescentes. Através dos telemóveis, computadores, redes sociais e jogos online, os mais novos estudam, comunicam, divertem-se e fazem novas amizades.

A tecnologia oferece enormes oportunidades, mas também apresenta riscos que muitos pais desconhecem. Por vezes, basta um simples clique ou uma conversa aparentemente inocente para uma criança ficar exposta a situações perigosas.

O objetivo não é assustar os pais nem afastar os filhos da tecnologia, mas ajudá-los a reconhecer os perigos e a saber como agir.

Que perigos existem na Internet?

Um dos problemas mais conhecidos é o cyberbullying, ou assédio digital. Acontece quando uma criança é repetidamente insultada, ameaçada, humilhada ou perseguida através de mensagens, redes sociais ou jogos online.

Outro risco é o contacto com adultos que se fazem passar por jovens da mesma idade. Estes indivíduos podem conquistar gradualmente a confiança da criança, fingindo amizade ou interesse romântico, para depois pedir fotografias íntimas, informações pessoais ou encontros presenciais.

Esta forma de manipulação é conhecida como grooming.

Existe também a chamada sextorsão, uma forma de chantagem em que alguém ameaça divulgar fotografias ou vídeos íntimos caso a vítima não envie dinheiro ou mais imagens.

Em muitos casos, os criminosos utilizam perfis falsos e exploram o medo ou a vergonha dos adolescentes para os impedir de pedir ajuda.

A inteligência artificial veio acrescentar outro risco: a possibilidade de criar imagens, vídeos e vozes falsos, tornando algumas tentativas de manipulação ainda mais convincentes.

Como reconhecer os sinais de alerta?

Nem sempre é fácil perceber quando uma criança está a passar por uma situação difícil na Internet.

No entanto, os pais devem prestar atenção a algumas mudanças de comportamento:

  • Isolamento, tristeza ou ansiedade sem explicação aparente.
  • Medo ou nervosismo ao receber mensagens.
  • Tentativas constantes de esconder o ecrã do telemóvel.
  • Alterações repentinas no sono, no rendimento escolar ou nas amizades.
  • Pedidos inesperados de dinheiro ou receio de falar sobre determinadas pessoas.

Estes sinais não significam necessariamente que exista um problema digital, mas justificam uma conversa tranquila e atenta.

O que podem fazer os pais?

A prevenção começa em casa, através do diálogo e da confiança.

Conheça o mundo digital dos seus filhos. Procure saber que aplicações utilizam, com quem comunicam e que jogos frequentam. Não é necessário dominar a tecnologia, mas é importante demonstrar interesse.

Estabeleça regras adequadas à idade. Defina horários, utilize controlos parentais quando apropriado e reveja as definições de privacidade das aplicações.

Ensine-os a proteger a informação pessoal. Moradas, escolas, números de telefone, palavras-passe e fotografias privadas não devem ser partilhados com desconhecidos.

Explique que nem todos são quem dizem ser. Uma fotografia bonita ou um perfil aparentemente verdadeiro não garante a identidade de ninguém.

Acima de tudo, diga-lhes claramente que, se alguma coisa correr mal, podem pedir ajuda sem receio de serem castigados ou julgados.

E qual é o papel das escolas?

As escolas têm também uma responsabilidade importante.

Tal como ensinam regras de segurança rodoviária, devem promover a educação digital, explicando os riscos das redes sociais, do assédio online e da partilha de informações pessoais.

Professores e pais devem colaborar, identificar situações preocupantes e garantir que as crianças sabem a quem recorrer quando se sentem ameaçadas.

E se suspeitar que o seu filho está em perigo?

O primeiro passo é manter a calma. Ouça o seu filho, evite culpabilizá-lo e procure compreender o que aconteceu.

Se existirem ameaças, chantagem ou contactos suspeitos, interrompa a comunicação com o agressor e guarde as mensagens e outros elementos que possam servir de prova. Não envie dinheiro nem responda às exigências.

No Canadá, situações de exploração sexual de menores na Internet podem ser denunciadas através do Cybertip.ca. Em caso de perigo imediato, contacte a polícia através do 911.

Se estiverem envolvidas imagens íntimas de menores, não as reencaminhe nem faça novas cópias; peça orientação às autoridades sobre como preservar as provas.

Proteger não significa proibir

A Internet não tem de ser um lugar perigoso. É uma ferramenta extraordinária de aprendizagem, comunicação e descoberta.

Mas, tal como ensinamos os nossos filhos a atravessar uma estrada em segurança, também devemos ensiná-los a navegar no mundo digital.

A melhor proteção não é apenas controlar o que os nossos filhos fazem na Internet. É criar uma relação de confiança que lhes permita procurar a nossa ajuda quando mais precisam.

Tecnologia Sem Complicações — Compreender a tecnologia. Evitar burlas. Viver mais seguro no mundo digital.

João Costa, CISSP, CISA, MCP (Especialista em Segurança da Informação, Auditoria de Sistemas e Gestão de Riscos Tecnológicos)

Clique AQUI para imprimir estas informações. Créditos MDC Media Group Inc.

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