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“Porque é França”. Crise gaulesa reforça motivos para BCE pausar subida dos juros

29 October 2026 at 06:37

“Parce que c’est la France“. Faz pouco mais de dez anos que Jean-Claude Juncker cunhou a frase que retrata o excecionalismo na Europa. O luxemburguês, que em maio de 2016 liderava a Comissão Europeia, defendia a maior flexibilidade concedida a França, que tinha quebrado as regras orçamentais comunitárias ao registar um défice orçamental acima dos 3% do PIB, afirmando que não se podia aplicar o Pacto de Estabilidade de forma cega.

A frase, que na altura foi criticada por Portugal e Espanha por representar dois pesos e duas medidas, está de volta aos comentários dos analistas e deverá esta quinta-feira ensombrar a conferência de imprensa de Christine Lagarde depois de o Banco Central Europeu manter as taxas de juro inalteradas.

Essa decisão — de deixar a taxa de Facilidade Permanente de Depósito nos 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez em 2,65% e 2,90%, respetivamente, níveis atingidos em setembro com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano — é dada como garantida nos mercados e nas salas de research económico.

Segundo o ECB Watch, uma ferramenta do BCE para divulgar as probabilidades implícitas no mercado relativamente às decisões sobre as taxas de juro, há uma hipótese de 97% de uma pausa no custo do euro. Entre os economistas consultados pela Reuters numa sondagem divulgada a 8 de outubro, 70 dos 73 inquiridos apontaram para a manutenção dos níveis atuais.

“Os riscos de inflação continuam a ser a maior preocupação do BCE“, recordou Bas van Geffen, estratega macro para a Zona Euro no neerlandês Rabobank. “No entanto, ainda não há sinais de que a inflação dos preços da energia esteja a alastrar-se à fixação de salários e preços em geral”.

Esse racional está em linha com o que Lagarde expressou no final de setembro. O BCE vê a inflação a acelerar na Zona Euro, mas concentrada na energia, sem se tornar estrutural, nem se espalhar para salários mais altos, disse, para explicar que “a instituição não pode ignorar o choque energético, mas tem de responder de forma “ponderada”.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, explica as decisões de política monetária do Conselho do BCE e responde às perguntas dos jornalistas na conferência de imprensa do Conselho realizada no dia 10 de setembro de 2026, em Wannsee, Berlim.© 2026 European Central Bank

Mercado já assumiu papel do BCE

Para Carsten Brzeski, global head of macro do ING, à primeira vista, a evolução macroeconómica desde a última reunião até continuaria a justificar mais um aumento das taxas de juro. A inflação global voltou a aumentar em setembro e a maioria dos indicadores avançados aponta para uma resiliência contínua da economia, adiantou.

Vincou que, no entanto, “o aumento acentuado das taxas de rendibilidade das obrigações, na sequência da crise francesa, já está a impor uma nova orientação restritiva da política monetária“, explicando que aumento dos rendimentos das obrigações alemãs desde a reunião de setembro já teve, aproximadamente, o mesmo impacto no crescimento e na inflação que um aumento adicional das taxas de juro de 25 pontos de base e no caso da França, este impacto aproxima-se de um aumento de 50 pontos de base. “Ou, por outras palavras, o mercado obrigacionista assumiu o papel do BCE“, resumiu Brzeski.

No entanto, o facto de o prémio de risco das obrigações francesas a dez anos ter quase duplicado em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas — num contexto tóxico marcado por elevados défices públicos, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que suscita divisões no próximo ano — complica a situação para um BCE sempre cauteloso face à fragmentação entre os membros do bloco da moeda única.

Para Brzeski, “mesmo que França não tenha um papel de destaque no comunicado do BCE, será um elemento importante na conferência de imprensa“, pois as preocupações políticas e orçamentais, bem como o consequente alargamento dos spreads franceses, suscitaram dúvidas sobre se o BCE poderia intervir através do Instrumento de Proteção da Transmissão (TPI), que lhe permite adquirir títulos emitidos por Estados-membros cujas condições de financiamento se tenham deteriorado por razões não justificadas pelos fundamentos específicos de cada país.

No entanto, antes de ativar este instrumento criado em 2022, o Conselho de Governadores analisa um conjunto cumulativo de critérios para determinar se os países em causa estão a seguir políticas orçamentais e macroeconómicas sólidas e sustentáveis. “Na prática, isto inclui o cumprimento do quadro orçamental da UE, o que exigiria, no mínimo, que o Orçamento francês proposto fosse integralmente aprovado”, sublinhou o analista do ING,

De um modo geral, o BCE encontra-se numa posição difícil: intervir demasiado rapidamente em apoio à França poderá ser visto de forma desfavorável por outros Estados-membros e interpretado como um financiamento monetário da dívida de um país que não está disposto a cumprir as regras e isso constitui um forte argumento contra uma intervenção precoce.

Carsten Brzeski

Global head of macro, ING

“De um modo geral, o BCE encontra-se numa posição difícil: intervir demasiado rapidamente em apoio a França poderá ser visto de forma desfavorável por outros Estados-membros e interpretado como um financiamento monetário da dívida de um país que não está disposto a cumprir as regras e isso constitui um forte argumento contra uma intervenção precoce”, expressou Brzeski, recordando ainda que as mudanças na liderança do BCE nos próximos meses (com Isabel Schnabel, Phillip Lane e própria Lagarde perto de sair) também poderão afetar a forma como o BCE encara o TPI.

Michael Krautzberger, diretor de investimento global (CIO) de mercados públicos da Allianz Global Investors acredita que, “em última análise, é provável que o BCE reitere que a redução dos custos de financiamento deve advir de políticas orçamentais credíveis e de reformas estruturais, e não de uma intervenção monetária, o que pode suscitar preocupações tanto de risco moral como de credibilidade”.

“A inflação continua, por isso, a ser a bússola do BCE”, adiantou, sublinhando que embora a pausa prevista para esta quinta-feira seja justificada, “isto não deve ser interpretado como o fim do ciclo de endurecimento monetário“.

“Com o preço do petróleo acima dos 100 dólares, uma inflação que deve superar os 4% este inverno e uma economia que continua a mostrar solidez, continuamos a prever mais dois aumentos de 25 pontos base, em dezembro e, dependendo da evolução da situação em França, possivelmente em março, elevando a taxa dos depósitos para 3%”, concluiu.

A visão é partilhada pelos agentes de mercado. Segundo o ECB Watch, a probabilidade de nova subida na última reunião do ano, a 17 de dezembro, está nos 78,2%. A pausa do BCE nem deverá durar, portanto até ao Natal.

A nova Fed de Warsh: número de reuniões não muda, mas há menos decisões sobre juros

28 October 2026 at 19:39

Depois de lançar task forces para rever o trabalho da Reserva Federal (Fed) em cinco áreas, de boicotar o dot plot que sinaliza as taxas de juro no futuro, de abolir o forward guidance (orientação prospetiva) e limitar os comunicados a uma dúzia de curtos parágrafos, o chair Kevin Warsh anunciou esta quarta-feira a próxima etapa da ‘revolução’ no funcionamento do banco central — o mesmo número de reuniões do comité de política monetária (FOMC), mas nem todas irão incluir decisões sobre taxas de juros.

“Acreditamos que oito reuniões por ano é o número adequado para o FOMC, mas, em 2027, uma reunião centrar-se-á exclusivamente na estratégia geral de política monetária, não se prevendo nem uma votação sobre a taxa dos fundos federais nem uma declaração de política“, afirmou Warsh, em conferência de imprensa depois de a Fed ter anunciado a manutenção das taxas de juro no intervalo 3,75%-4%.

“As restantes serão reuniões regulares do FOMC para a definição de política monetária, e prevejo que, em 2028, teremos duas reuniões dedicadas a discussões sobre estratégia e seis… para a definição de política”, adiantou.

Warsh, que foi nomeado por Donald Trump em janeiro e sucedeu a Jerome Powell à frente da Fed em maio, nunca escondeu a aversão à comunicação excessiva. “Ao contrário de muitos dos meus colegas, tanto antigos como atuais, não acredito no forward guidance”, explicou no Senado em abril. “Não acho que deva antecipar-vos qual poderá ser uma decisão futura”.

O presidente da Fed é também um forte crítico do dot plot – o gráfico que representa as avaliações dos membros do FOMC sobre o percurso futuro das taxas de juro. “A Fed comunica ao mundo inteiro quais vão ser os seus dots e quais vão ser as suas previsões”, disse na mesma audição. “Bem, então a Fed também é humana — mantém essas previsões por mais tempo do que deveria”.

Logo na primeira reunião do FOMC, em junho, o presidente da Fed começou a dar sinais que não quer o banco central a dar muitas pistas. A declaração eliminou por completo qualquer orientação sobre futuros movimentos das taxas, com um formato revisto que se limitava a indicar a decisão sobre as taxas e reafirmava a intenção do banco central de manter reservas abundantes no sistema bancário. O documento abreviado marcava o regresso a um formato semelhante ao utilizado pelo antigo presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan. Apenas 18 dos 19 decisores apresentaram projeções de taxas de juro no dot plot, com Warsh a confirmar que foi ele a exceção.

“Aprender muito” até dezembro

O Presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com Kevin Warsh durante a sua cerimónia de tomada de posse como novo presidente da Reserva Federal no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, a 22 de maio de 2026.EPA/YURI GRIPAS / POOL

Esta quarta-feira, questionado sobre se a Fed poderá aumentar os juros na reunião de 9 de dezembro, conforme prevê a grande maioria dos analistas, Warsh repetiu o mantra. “Não acredito na orientação prospetiva, na ausência de uma crise”, disse.

“Não acredito em prejulgar as reuniões, não vou partilhar reflexões sobre o que vai acontecer em dezembro” vincou. “Podemos aprender muito até lá, estaremos em melhor posição para determinar a decisão política certa”. defendeu.

Em comunicado, a Fed admitiu que a “inflação continua elevada”, mas sublinhou que “a recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

Reserva Federal mantém juros inalterados e ganha tempo para continuar a avaliar impacto da guerra

28 October 2026 at 18:00

A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos manteve esta quarta-feira inalteradas as taxas de juro, ganhando tempo para avaliar o impacto da guerra no Médio Oriente na inflação e no mercado de trabalho antes de avançar para uma segunda subida do custo do dólar este ano, prevista por analistas e investidores para dezembro.

A decisão, que mantém as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,75% e 4,00%, era amplamente esperada e foi anunciada em comunicado após o final da reunião de dois dias do Federal Open Market Committee (FOMC, comité de política monetária).

“A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh. “A recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

No curto comunicado, a Fed adiantou que a atividade económica está a expandir-se a um ritmo forte. “Embora a incerteza continue elevada, em parte devido à evolução da situação geopolítica, o consumo interno tem-se mostrado resiliente”, vincou. Explicou ainda que o crescimento da produtividade é forte e o investimento de capital é robusto, enquanto a criação de emprego tem acompanhado o crescimento da população ativa e a taxa de desemprego tem-se mantido praticamente inalterada.

Na última reunião, a 16 de setembro, a Fed quebrou uma pausa que durava desde o final do ano passado, com um aumento de 25 pontos base. Essa decisão tinha sido unânime, mas a desta quarta-feira contou com dois votos derrotados contra 10 a favor.

A governadora Lisa Cook, atualmente alvo do presidente Donald Trump, que pretende afastá-la do banco central, manifestou discordância a favor de um aumento da taxa de juro de um quarto de ponto percentual, tal como fez a presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, uma voz consistentemente hawkish que também manifestou a sua discordância em julho pelo mesmo motivo.

(Notícia atualizada às 18h12 com mais informação)

 

 

 

Mercados e ‘midterms’ levam Fed a carregar no botão da pausa nos juros, mas só até dezembro

28 October 2026 at 06:33

Em Banguecoque, na Tailândia, convidado para falar nas reuniões do FMI, Kevin Warsh voltou a demonstrar sintomas da alergia que tem ao forward guidance, ou seja, não ofereceu sinais sobre o que o banco central que lidera, a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, poderá decidir em relação às taxas de juro nas próximas reuniões. Para Warsh, o mistério serve para dar flexibilidade à Fed, remover previsibilidade sobre as suas ações e obrigar os agentes dos mercados a depender menos do banco central. Há momentos, no entanto, como a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC, comité de política monetária) que termina esta quarta-feira, em relação aos quais o consenso dos analistas, investidores e até decisores é tão forte que o silêncio de Warsh serve apenas para concordar com a certeza.

A reação imediata ao resultado surpreendente do índice de preços no consumidor subjacente (sem energia ou bens alimentares) de setembro, de 0,3% em relação ao mês anterior, foi de elevar as probabilidades de um aumento das taxas de juro em outubro para mais de 50%, recordaram os analistas do banco de investimento neerlandês ING. “Mas isso não durou muito tempo e comentários dos vice-presidentes da Fed, Philip Jefferson e Michelle Bowman, e do governador Chris Waller, que indicavam que não havia pressa em decidir sobre o próximo passo de política monetária, acalmaram rapidamente os mercados”.

“O facto de Kevin Warsh ter posteriormente optado por não realçar as probabilidades de uma intervenção, em Banguecoque, ao contrário do que aconteceu no simpósio de Jackson Hole antes do aumento de setembro, reduziu ainda mais as probabilidades percebidas de uma intervenção”.

Esta terça-feira, nos mercados de futuros, segundo a ferramenta CME Fedwatch, essa probabilidade do banco central aumentar as taxas de juro em 25 pontos base (pb) para 4%-4,25% na reunião de quarta-feira já desceu para 7,2%, tendo atingindo 64% no final de setembro. Na última reunião, a 16 de setembro, a Fed quebrou uma pausa que durava desde o final do ano passado, com um aumento de 25 pb.

Entre os economistas, a opinião é praticamente idêntica. Uma esmagadora maioria, 94 em 100 inquiridos numa sondagem da Reuters realizada entre 16 e 20 de outubro, espera que o banco central mantenha o custo do dólar inalterado. Além do panorama económico e financeiro, a grande proximidade das ‘midterms’ norte-americanas dá mais força ao cenário de pausa, com a Fed a procurar resguardar-se de qualquer acusação de que uma decisão sua possa ter efeito eleitoral.

 

Inflação pede aperto, mas trabalho dá tempo à Fed

Rogier Quaedvlieg, senior US economist no banco ABN-AMRO reconhece que a inflação de setembro se revelou mais forte do que o esperado, mas explicou que, ao contrário de agosto, quando a surpresa positiva se concentrou de forma invulgar, revelou pressões de preços mais generalizadas. Os preços da energia estão a repercutir-se cada vez mais em categorias como as tarifas aéreas; os preços dos veículos subiram e a inflação relacionada com a tecnologia manteve-se elevada, adiantou, e é improvável que o relatório tenha dado ao Fed a confiança de que a inflação está a regressar de forma sustentável aos 2%.

A preocupação da Fed reside menos no choque energético inicial — que a política monetária não pode impedir — do que na sua potencial propagação. “Os aumentos persistentes dos custos dos fatores de produção aumentam o risco de as empresas repercutirem esses custos nos consumidores e, em última análise, de a inflação mais elevada se refletir nos salários”, explicou, vincando que uma política restritiva constitui uma garantia contra esses efeitos de segunda ordem.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

“Ainda assim, há razões para não reagir de forma exagerada a dois resultados elevados“, salientou Quaedvlieg. “A amplitude da inflação continua a melhorar, sugerindo que a recente aceleração ainda não se transformou num processo de inflação generalizado e, além disso, alguns dos fatores que atualmente impulsionam a inflação das despesas dos consumidores parecem destinados a atenuar-se, em particular a contribuição invulgarmente elevada do software e, um pouco mais tarde, dos chips de memória”.

Para o economista do ABN-AMRO, se a inflação continuar a justificar novas medidas de aperto monetário, o relatório do mercado de trabalho de setembro explica por que razão esse aperto não tem de ocorrer imediatamente. O número de empregos aumentou apenas 29 mil, a par de revisões em baixa de 60 mil nos dois meses anteriores e a média de três meses desceu para cerca de 50 mil. “Os dados do mercado de trabalho aliviam em grande parte a pressão para um aumento imediato das taxas de juro e a Reserva Federal pode dar a si própria mais seis semanas para avaliar se a recente força da inflação representa uma pressão persistente ou apenas mais um pico temporário”.

Mercados e eleições apontam para pausa antes de nova subida

Os mercados obrigacionistas também continuam a fazer parte do trabalho da Fed, referiu Matthew Ryan, head of market strategy na Ebury, uma fintech de sistemas de pagamento e gestão de risco cambial controlada pelo Banco Santander e pela gestora de fundos Centerbridge Partner. Recordou que a taxa de rendibilidade das Treasuries a 10 anos atingiu um máximo de 24 anos, de 5,35% a 8 de outubro, antes de recuar, mas salientou que os custos de financiamento permanecem elevados e continuam a tornar mais restritivas as
condições financeiras.

“A queda das obrigações francesas e as oscilações nas ações relacionadas com a IA reforçaram a sensação de fragilidade nos mercados a nível mundial“, vincou Ryan. “Este não é um momento óbvio para a Fed arriscar agravar uma onda de vendas e, com as eleições intercalares a uma semana de distância, pensamos que a maioria dos membros do comité ficará satisfeita por esperar”, argumenta.

Mas os investidores não devem confundir uma pausa com uma mudança de rumo, alertou Jenny Zeng, diretora de investimento (CIO) global em obrigações na Allianz Global Investors (GI). A economia dos EUA manteve-se notavelmente resiliente perante taxas mais elevadas, a inflação voltou a acelerar, o mercado de trabalho mantém-se aquecido e o consumo e o investimento empresarial continuam a impulsionar o crescimento, recordou. Os preços mais elevados da energia e os fortes investimentos relacionados com a inteligência artificial (IA) contribuem para o impulso inflacionista.

“Na nossa opinião, isto significa que a Fed ainda tem trabalho a fazer“, vincou, adiantando que “a Fed pode fazer uma pausa em outubro, mas não acreditamos que o ciclo de aperto monetário tenha terminado”.

A visão da Allianz GI – de uma pausa agora e um novo aumento de 25 pontos base na reunião de 9 dezembro – é o cenário central para a grande maioria de economistas e investidores. Na sondagem da Reuters, todos os 100 inquiridos apontaram para essa mexida pelo banco central na última reunião do ano, enquanto nos mercados a ferramenta CME Fedwatch mostra uma chance de 75,5%.

Moeve, Namíbia e guerra. Os botões que fazem subir e descer as ações da Galp

27 October 2026 at 06:37

"A bolsa sobe pelas escadas e desce de elevador". O velho ditado de Wall Street não tem autoria conhecida, mas expressa bem o que acontece muitas vezes nos mercados e aplica-se na perfeição ao impacto das negociações com a Moeve nas ações da Galp este ano. A 8 de janeiro, quando as duas empresas anunciaram que iam discutir a possibilidade de unirem os negócios de refinação e distribuição na Península Ibérica, a reação dos mercados foi positiva, mas a subida foi pela escadaria: 2,4% no dia do anúncio, 3,55% no seguinte e por aí além, perfazendo um ganho de 10,9% em cinco sessões. Esta segunda-feira, a notícia que essas conversações foram interrompidas sem acordo contribuiu para uma reação praticamente simétrica, uma queda de 10,8% para 20,77 euros cada, mas desta vez a viagem foi de elevador, numa só sessão.

Grande parte da reação -- que retirou 1,7 mil milhões de euros à capitalização bolsista da Galp -- teve a ver com o fator surpresa. Biraj Borkataria, analista do RBC Capital afirmou…

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