O INE vai divulgar esta sexta-feira os dados do crescimento do PIB e a evolução da inflação. O mesmo acontece na Zona Euro e em vários países da Europa. Os investidores vão ainda reagir aos resultados da Amazon e às contas da Exxon, da Chevron e da BP.
As taxas Euribor cederam ligeiramente em outubro. Ainda assim, não será o suficiente para fazer a prestação da casa cair. Os encargos com o crédito à habitação vão voltar a subir no próximo mês. Os aumentos devem chegar aos 90 euros para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos.
As famílias estão a ser pressionadas com o aumento do custo de vida praticamente desde o início do ano. A taxa de inflação avançou para os 3,6% em setembro, com os preços a serem fortemente impulsionados pela energia e pela guerra sem fim à vista no Irão. Mas, além da subida dos preços dos bens que consumimos no dia-a-dia, outro fator tem condicionado cada vez mais o orçamento familiar: a casa.
Outubro trouxe uma relativa estabilização das Euribor, depois da forte subida registada em setembro. A média mensal destas taxas interbancárias desceu mesmo a três e 12 meses – no prazo mais curto marcou-se inclusivamente primeira descida desde janeiro, antes do conflito no Médio Oriente.
Boas notícias para quem tem crédito da casa? Sim. Mas os contratos cujas condições forem revistas em novembro ainda vão sofrer agravamentos nas prestações por conta da evolução das Euribor nos últimos meses e, essas sim, acumulam subidas face à última vez que os contratos foram atualizados.
Vamos às contas. Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%:
Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá 17,39 euros (2,6%) para mais de 684,7 euros;
Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 713,9 euros, uma subida de 44,17 euros em relação à prestação que pagava desde maio;
Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses ascenderá a 736,6 euros, mais 89 euros face à prestação que pagou no último ano.
Para o ajudar a calcular a prestação do seu crédito à habitação, o ECO preparou um simulador. Faça as contas para o seu caso.
Tenho um crédito à habitação no valor de
euros, contratualizado por um prazo de
anos, indexado à Euribor a 12 meses (que há um ano estava nos
% ), com um spread de
%. A prestação da casa que pago atualmente é de
308 euros, mas caso a Euribor a 12 meses passe para
%, a prestação passa para 432 euros.
(Mude os campos sublinhados para descobrir os números mais próximos da sua previsão.)
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o simulador.
As Euribor acompanham as expectativas dos mercados relativamente às taxas oficiais do Banco Central Europeu (BCE) que, esta quinta-feira decidiu, sem surpresas, fez uma pausa. Os investidores estão a antecipar que o final do ano traga mais uma subida, com a taxa de depósito a chegar a 31 de dezembro nos 2,75%.
As ações da Intel estão a afundar mais de 21% na negociação após o fecho, depois de a fabricante de chips ter apresentado previsões para o quarto trimestre abaixo do esperado, penalizadas por uma explosão mortal na sua fábrica em Israel e pelo abrandamento do segmento de PC.
A Intel prevê receitas entre 15 e 16 mil milhões de dólares no quarto trimestre, abaixo dos 17,07 mil milhões estimados pelos analistas, e um lucro ajustado de 25 cêntimos por ação, longe dos 43 cêntimos esperados.
A explosão em outubro na fábrica de Kiryat Gat, em Israel, que matou duas pessoas e feriu outra com gravidade, fará desaparecer cerca de 600 milhões de dólares em receitas ao longo de dois trimestres, avança a agência noticiosa Reuters. A unidade, que produz sobretudo chips para centros de dados, deverá começar a retomar a produção até ao final desta semana, após uma paragem de duas semanas.
Segundo o diretor financeiro, David Zinsner, a situação levará que as previsões de receitas para o quarto trimestre sejam reduzidas em cerca de 300 milhões de dólares. A Intel prevê um impacto semelhante nas receitas do primeiro trimestre de 2027. O impacto final pode ser maior, já que a Intel ainda está a avaliar que bolachas de silício podem ser aproveitadas.
A juntar-se a este cenário, a fabricante de chips alertou que as receitas no segmento de PC vão continuar a abrandar até ao primeiro semestre do próximo ano. O segmento está a ser pressionado pela forte subida dos preços da memória. A empresa estima que as receitas neste segmento caiam na ordem dos 25% no próximo trimestre.
No terceiro trimestre, as vendas da divisão de chips para PC caíram 5%, para 8,10 mil milhões de dólares. O mercado estimava 8,98 mil milhões. As receitas da Intel subiram 21%, para 16,51 mil milhões de dólares, em linha com as estimativas. O lucro ajustado situou-se nos 52 cêntimos por ação, acima das estimativas de 40 cêntimos.
A Amazon aumentou as receitas líquidas em 12% no terceiro trimestre, para 201,9 mil milhões de dólares, de acordo com a informação comunicada esta quinta-feira ao mercado. Ainda assim, os resultados da gigante do e-commerce e da cloud ficaram abaixo das estimativas dos analistas.
As receitas comparam com 180,2 mil milhões no mesmo período do ano passado, mas o mercado esperava 202,3 mil milhões. O lucro por ação, de 1,89 dólares, também ficou aquém dos 1,96 dólares estimados. A estes números juntou-se um cash flow livre negativo, que agravou os receios dos acionistas sobre os gastos em inteligência artificial. As ações caíram mais de 7% na negociação após o fecho.
A Amazon Web Services (AWS), a divisão de computação na cloud, viu as receitas subir 39%, para 46 mil milhões de dólares. A Amazon superou assim as estimativas dos analistas, que esperavam um aumento de 38,2%, para 45,61 mil milhões, segundo dados compilados pela LSEG.
O retalho mantém-se uma das principais fontes de receitas.De acordo com a CNBC, as vendas online subiram 2% em termos homólogos, para 68,47 mil milhões de dólares, abaixo dos 69,68 mil milhões esperados pelos analistas, segundo a StreetAccount. As receitas de publicidade cresceram 11%, para 19,64 mil milhões, mas ficaram aquém do consenso de 20,82 mil milhões.
As duas unidades foram afetadas pela decisão de antecipar o Prime Day do terceiro para o segundo trimestre na maioria dos principais mercados, para evitar a sobreposição com o Mundial de Futebol, em junho, segundo o meio financeiro. O Prime Day é um dos principais eventos anuais de promoções da Amazon, dirigido aos membros Prime. Em 2025, decorreu inteiramente no terceiro trimestre. Segundo a empresa fundada por Jeff Bezos, sem esta mudança o crescimento homólogo das receitas teria sido cerca de quatro pontos percentuais superior.
O lucro operacional subiu para 28,1 mil milhões de dólares, face aos 17,4 mil milhões do terceiro trimestre de 2025. A AWS contribuiu com 17,8 mil milhões, contra 11,4 mil milhões no período homólogo.
Já o lucro líquido desceu de 21,2 para 20,7 mil milhões de dólares, ou de 1,95 para 1,89 dólares por ação diluída. “Esta descida deve-se sobretudo aos ganhos antes de impostos de 9,5 mil milhões, registados no terceiro trimestre de 2025 em resultados não operacionais, provenientes dos investimentos na Anthropic”, justifica a empresa.
O cash flow livre dos últimos 12 meses ficou negativo em 42,4 mil milhões de dólares, quando há um ano era positivo em 14,8 mil milhões. A Amazon atribui a quebra a um aumento de 94,8 mil milhões no investimento em ativos fixos, líquido dos proveitos de vendas e incentivos, que “reflete principalmente investimentos em inteligência artificial”.
Nos primeiros nove meses do ano, as receitas subiram de 503,5 para 584,1 mil milhões de dólares. O lucro operacional passou de 55,0 para 79,4 mil milhões. O lucro líquido mais do que duplicou, de 56,5 para 113,6 mil milhões. Para tal contribuíram 68,2 mil milhões de ganhos não operacionais, antes de impostos, face aos 15,7 mil milhões do período homólogo.
Para o quarto trimestre, a Amazon espera receitas entre 240 e 247 mil milhões de dólares. A estimativa média dos analistas é de de 244,51 mil milhões, segundo a LSEG. A empresa antecipa um impacto cambial desfavorável de cerca de 60 pontos base e espera que as receitas de publicidade cresçam a um ritmo próximo dos 20% . O lucro operacional deverá situar-se entre 28,5 e 33,5 mil milhões de dólares, face a 25,0 mil milhões no quarto trimestre de 2025. A previsão de capex para 2026 mantém-se nos cerca de 220 mil milhões de dólares.
A bolsa de Nova Iorque encerrou sessão, desta quinta-feira, em terreno negativo com o Nasdaq a liderar as perdas.
Assim, o Dow Jones cedeu 0,25% para 52.342,56 pontos, o S&P 500 recuou 0,31% para 7.720,22 pontos e o tecnológico Nasdaq perdeu 1,38% para 26.184,72 pontos.
Wall Street recuou na quinta-feira, com o Nasdaq a liderar as perdas, pressionado pela Alphabet, que caiu após decepcionar o mercado com os resultados trimestrais.
As ações da empresa de tecnologia perderam 12,6% após a divulgação de um fluxo de caixa negativo. Além disso, a empresa não atingiu as metas de receita e lucro pela primeira vez em quase quatro anos.
Os barris serão colocados no mercado até ao final de janeiro de 2027, incluindo 20,5 milhões barris de gasóleo, na sequência de um compromisso assumido no âmbito do G7.
O Governo vai estar a olhar tanto para a oferta pública como privada de produtos para aforradores e investidores individuais no “manifesto” para a poupança que está a preparar, refere, em entrevista ao Negócios, o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, a propósito do Dia Mundial da Poupança, que se assinala no próximo sábado.
O euro subiu, esta quinta-feira, face ao dólar depois de a presidente do Banco Central Europeu (BCE) dar a entender que as taxas de juro voltarão a subir em dezembro, salientando que dispõe de instrumentos para conter movimentos desordenados nos mercados.
Às 18:20 (hora de Lisboa), o euro seguia a 1,1170 dólares, quando na quarta-feira, pela mesma hora, negociava a 1,1134 dólares.
O BCE manteve hoje as taxas de juros, mas Christine Lagarde deu a entender — poucas horas após anunciar que iria cessar funções em 07 de fevereiro – que estas voltarão a subir em dezembro, apesar de a rentabilidade da dívida da França ter subido acentuadamente.
“A direção da viagem está clara”, disse Lagarde ao ser questionada sobre um possível aumento das taxas de juros em dezembro e se a situação da França poderia evitar esse incremento.
Lagarde enviou uma mensagem aos mercados, lembrando-lhes que o BCE possui agora “ferramentas para conter movimentos desordenados e indesejados do mercado”, o que significa vendas maciças de obrigações e um aumento acentuado dos rendimentos da dívida de um país.
O Conselho do BCE “decidiu hoje manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas”.
Com esta decisão, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez mantêm-se em, respetivamente, 2,50%, 2,65% e 2,90%.
O BCE aponta que os preços da energia continuaram a subir desde a última reunião, “representando riscos em sentido ascendente para as perspetivas de inflação e em sentido descendente para as perspetivas de crescimento”.
Ainda assim, e embora os efeitos do choque energético “ainda não se tenham feito sentir por completo”, o BCE assinala que a inflação subjacente permaneceu globalmente estável, não se verificando “uma resposta significativa dos salários nesta fase”.
O Conselho do BCE salientou que está empenhado na definição de políticas monetárias para assegurar que a inflação estabiliza nos 2% a médio prazo.
A bolsa lisboeta encerrou a sessão desta quinta-feira em terreno positivo, num dia marcado pelo otimismo generalizado nos mercados acionistas europeus, enquanto os investidores digeriam as decisões de política monetária e os dados macroeconómicos mais recentes. O índice PSI avançou 0,80%, fixando-se nos 9.319,57 pontos.
No índice nacional, o destaque positivo foi para a Jerónimo Martins, que liderou os ganhos ao valorizar 2,58% para 18,29 euros, seguida pelo BCP, que subiu 1,33% para 1,1050 euros. Ambas apresentaram contas do terceiro trimestre esta quarta-feira.
Do lado negativo, a Mota-Engil foi a única cotada a registar uma variação negativa relevante, cedendo 0,26% para 4,614 euros, num dia em que a generalidade dos títulos portugueses acompanhou a tendência altista europeia.
A nível europeu, o otimismo foi a tónica dominante, com a maioria dos principais índices a encerrar em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 registou um acréscimo de 0,82%, num movimento impulsionado pela expetativa em torno das decisões dos bancos centrais. O EuroStoxx 50, que agrega as maiores empresas da zona euro, fechou nos 6.212,35 pontos, uma subida de 0,72%.
Entre as principais praças, o DAX alemão destacou-se com um ganho de 1,45% para 26.076,22 pontos, seguido pelo CAC 40 francês, que avançou 1,05% para 7.970,00 pontos. O FTSE 100 britânico subiu 0,30% para 10.726,28 pontos, enquanto o FTSE MIB italiano registou um acréscimo de 0,39% para 50.017,50 pontos. A exceção foi o IBEX 35 espanhol, que contrariou a tendência e fechou em ligeira baixa de 0,16% para 18.852,69 pontos.
No seu habitual comentário de fecho, o Millennium investment banking destaca que “a generalidade das praças europeias encerrou em alta, num dia marcado por muitas contas empresariais e pelas decisões de política monetária do BCE. O Banco Central Europeu agiu como esperado e manteve as taxas de juro inalteradas, mas a grande surpresa foi o anúncio de saída antecipada da presidente Christine Lagarde, que ocorrerá a 7 de fevereiro de 2027″.
“O organismo afirmou que a inflação subjacente permanece amplamente estável, enquanto os efeitos totais do choque energético continuam a manifestar-se, reafirmando o seu compromisso de garantir que a taxa de inflação se estabilize na sua meta de médio prazo de 2%/ano”, acrescenta o analista do BCP.
“De resto, a notar o disparo da Soitec, depois de notas de mercado darem conta de uma potencial compra da Lumentum pela Marvell Tecnology, mostrando apetite pelo setor de fotónica para data centers. Em Portugal BCP e Jerónimo .Martins reagiram positivamente a contas e lideraram os ganhos no PSI. Na vizinha Espanha o IBEX foi castigado pela Banca, onde as contas do BBVA mostraram fraqueza no mercado doméstico”, concluiu o analista Ramiro Loureiro.
A sessão foi assim pautada pela cautela dos investidores face às decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e da Reserva Federal (Fed) dos EUA. O BCE optou por manter as taxas de juro inalteradas, em linha com as expectativas, mas o anúncio de que a presidente Christine Lagarde deixará o cargo antecipadamente, em fevereiro de 2027, introduziu um elemento de incerteza adicional no mercado.
Os economistas antecipam agora uma nova subida das taxas de juro por parte da Fed na reunião de dezembro, o que, a concretizar-se, poderá encerrar o atual ciclo de aperto monetário. A atenção dos investidores voltar-se-á, nas próximas sessões, para os indicadores de inflação e de atividade económica, que serão cruciais para aferir a trajetória futura da política monetária a nível global.
O contexto macroeconómico continua a ser desafiante. Os elevados preços da energia, as tensões fiscais e políticas em França e a desaceleração do crescimento do PIB na zona euro, que poderá ter abrandado para 0,2% no terceiro trimestre, continuam a condicionar as perspetivas. A inflação na zona euro acelerou para 3,8% em setembro, pressionada pela subida dos preços do petróleo e do gás, o que aumenta o risco de novas pressões inflacionistas e coloca o BCE numa posição delicada, dividido entre a necessidade de conter a inflação e a deterioração das perspetivas de crescimento.
No mercado energético, os preços do petróleo registaram um recuo, com o Brent a cair 0,7% para 114,50 dólares por barril e o WTI a descer 1% para 101,74 dólares. Esta descida surge após ganhos recentes e num contexto de elevada volatilidade geopolítica.
No mercado de dívida soberana, as yields das obrigações de referência a 10 anos registaram um movimento generalizado de descida. A yield da dívida alemã (Bund) recuou para 3,349%, uma descida de 4,38 pontos base, enquanto a de Portugal caiu para 3,833%, menos 7,91 pontos base. Em França, a yield a 10 anos situou-se em 4,892%, e nos EUA, a yield do Treasury a 10 anos desceu para 4,994%.
Juro diretor fica nos 2,5% apesar da inflação alta, para já. A subida de preços na zona euro está no nível mais alto em três anos. O BCE prescinde, para já, de voltar a subir os juros. Mas esse passo pode vir a seguir em breve. Depois do banco central dos Estados Unidos, também o Banco Central Europeu (BCE) prescinde, para já, de uma nova subida dos juros. O BCE decidiu na quinta-feira manter nos 2,5% a taxa de depósito dos bancos, que é a referência para os juros da poupança e do crédito. A nova subida dos preços da
O Consumo nos Lares Brasileiros registrou alta de 2,70% no acumulado de janeiro a setembro, segundo balanço da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que considera o percentual praticamente estável em relação aos 2,71% acumulados até agosto.
Em setembro houve alta de 0,59% em relação ao mesmo mês de 2025.
Na comparação mensal, houve queda de 1,46%, depois de dois meses de crescimento, sendo 3,01% em julho e 2,21% em agosto. O levantamento indica que também foram registradas quedas em setembro de 2024 (-1,30%) e de 2025 (-0,94%).
Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados, desde os pequenos, de bairro, até os grandes.
Trajetória
Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o consumo mantém trajetória positiva ao longo do ano, mesmo em cenário em que as famílias precisam conciliar o abastecimento dos lares com outros compromissos do orçamento. “O resultado acumulado até setembro mostra a continuidade desse movimento”, analisa.
Milan destacou que os indicadores do mercado de trabalho seguem favoráveis, fatores positivos para o consumo, com taxa de desocupação em 5,3% no trimestre encerrado em agosto e população ocupada em 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.
“O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777, com crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 385,6 bilhões, também recorde da série, com avanço de 4,8% na comparação anual, o equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais”, disse.
Milan citou o Bolsa Família, que destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias em setembro, e o Conselho da Justiça Federal, que liberou R$ 3,22 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), envolvendo mais de 278 mil beneficiários, além do pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Reeleição
Milan afirmou que uma das conquistas mais relevantes do governo atual foi a isenção de impostos para os produtos da cesta básica, com uma gama maior de itens, incluindo as proteínas (carne, frango, peixe), o que deve ajudar a manter o consumo.
“Por outro lado, existe uma preocupação com relação às novas taxas de impostos que serão divulgadas no início da nova gestão, para que isso não onere o restante dos produtos que compõem a cesta de alimento e de consumo. Também estamos preocupados com o endividamento das famílias e as medidas do governo com relação a isso.”
O vice-presidente da Abras ressaltou a necessidade da manutenção da proibição das bets, que colaboraram para aumento do consumo. Segundo dados divulgados esta semana pela entidade, as vendas de alimentos tiveram alta nas semanas posteriores à medida: de 6,5% de 05 a 11/10/2026, e de 6,3% de 12 a 18/10/2026, ambas comparadas com o mesmo período do ano passado.
Milan citou também a aprovação do fim da escala 6X1 e na redução da jornada de trabalho dos funcionários. “O supermercado teve um papel relevante na época da pandemia por ser uma atividade essencial. Essas medidas trouxeram uma preocupação porque foi uma legislação para todos os elos da cadeia. Nosso receio é o de que isso não desorganize o sistema de abastecimento como um todo.”
Alphabet. As ações da dona da Google, o mais popular motor de pesquisas online do mundo, estão sob forte pressão vendedora esta quinta-feira, na sequência dos resultados apresentados na quarta à noite.
Com a forte aposta na IA, a Alphabet registou um fluxo de caixa negativo no terceiro trimestre, o que aconteceu pela segunda vez desde que foi para a bolsa há mais de duas décadas. Mas não é o único sinal de preocupação. Também revelou que as pesquisas em “modo IA” estão a canabalizar as receitas do seu principal negócio de publicidade.
O marco
As ações da Alphabet estiveram a deslizar quase 13% no arranque da sessão em Wall Street. Cerca das 15h30 recuavam ‘apenas’ 11,6% para 284,72 dólares.
Em poucos momentos, a tecnológica perdeu 500 mil milhões de euros em capitalização de mercado. Só a Nvidia havia perdido mais numa só sessão, em janeiro de 2025.
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A causa
Pela segunda vez desde que foi para a bolsa, em 2004, a Alphabet registou um fluxo de caixa negativo. Atingiu os -9,1 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, período durante o qual elevou os gastos com IA para mais de 50 mil milhões, uma altura em que os investidores estão cada vez mais cautelosos em relação ao retorno dos pesados investimentos em IA.
O investimento de capital (Capex) cresceu para 51,3 mil milhões de dólares no trimestre, face aos 44,9 mil milhões do trimestre anterior. O Capex poderá atingir os 205 mil milhões este ano.
As contas revelaram ainda fragilidades no principal negócio de publicidade no motor de busca. A receita da maior divisão da Alphabet subiu 12% para 62,4 mil milhões de dólares, abaixo das estimativas de 64,9 mil milhões e marcado um forte abrandamento em relação à taxa de crescimento anual de quase 20% registada no início do ano.
O diretor de negócio da Google justificou o desempenho com as pesquisas em “modo IA” — que fornecem respostas em texto conversacional em vez de uma lista de links — e que estão a ter impacto nas pesquisas tradicionais a e levar a uma menor monetização através dos anúncios.
“Os pessimistas argumentarão que este é o primeiro trimestre em que a IA está a começar a prejudicar seriamente os seus negócios de pesquisa“, disse Jeffrey Wlodarczak, CEO da Pivotal Research.
O resultado líquido caiu 25% para 26,2 mil mihões de dólares, contra os 37,3 mil milhões de previsão dos analistas.
O que esperar a seguir
A queda vertiginosa das ações da Alphabet está a contagiar o setor tecnológico. O índice Nasdaq perde mais de 1%.
Esta quinta-feira é a vez de Amazon e Apple darem continuidade à temporada de resultados do setor.
Em relação à Amazon, as ações estão a ceder mais de 2%. Os analistas estarão de olho no crescimento da AWS. O mercado antecipa um lucro por ação de 1,97 dólares em receitas de 202,25 mil milhões. A AWS deverá ter faturado 45,68 mil milhões, mais 38% face ao terceiro trimestre de 2025.
A frase
A Alphabet e a Microsoft foram a noite e o dia. O trimestre da Microsoft apresentou um crescimento muito disciplinado, enquanto a Google está com queima de dinheiro e o seu negócio principal ficou aquém das expectativas.
Afinal, a “capitã” do barco que é o Banco Central Europeu (BCE) vai mesmo abandonar o navio e fá-lo para ter uma voz mais ativa na vida política, explicou Christine Lagarde na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da decisão de manter os juros inalterados em outubro e, com mais destaque mediático, de sair da presidência do organismo após a reunião de política monetária.
Questionada repetidamente pelos jornalistas sobre qual o motivo por detrás do abandono prematuro, qual o caminho profissional após a presidência do BCE e o que significava isto para a política monetária europeia, Lagarde procurou reconfortar mercados e cidadãos, garantindo que “a instituição é sólida como uma rocha”.
A ainda presidente do BCE explicou a decisão com a necessidade de ter uma voz política mais ativa no atual contexto, admitindo que “não posso permanecer neutra” numa altura em que “a verdade […] tem sido frequentemente danificada, contradita e mal representada”.
“O motivo pelo qual estou a antecipar a minha saída […] é porque, como já expliquei aos meus colegas do Conselho de Governadores, quero ter a liberdade de expressão, de discurso e de ação em temas para lá da política monetária”, ilustrou na conferência de imprensa desta quinta-feira.
Lagarde argumentou que a sua experiência como banqueira central e, antes, como diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) a qualifica como uma voz de relevância – embora admitindo que “se as pessoas ouvem ou não é outra história”.
As questões sobre o futuro da política e advogada de formação francesa ficaram para o fim da conferência de imprensa, depois das explicações quanto à decisão de manter os juros inalterados entre 2,5% e 2,65% na reunião de outubro. O desfecho era largamente esperado pelo mercado, mas ainda assim Lagarde expandiu as explicações.
Falando numa decisão “unânime”, a líder do BCE reconheceu que houve discussões sobre se uma subida de juros seria apropriada, mas, com o cenário da inflação geralmente em linha com o previsto nas projeções macro de setembro, o Comité de Governadores optou por aguardar. Até dezembro, lembra, haverá “um manancial de informação e dados” que incluirá duas leituras da inflação, o PIB trimestral, duas leituras da produção industrial, índices de gestores de compras (PMI) e evolução salarial, tudo indicadores chave na fixação da política monetária.
Por outro lado, e abordando o disparo dos juros soberanos nos últimos meses, Lagarde rejeitou que a situação fosse exclusiva de França, mas alertou para a necessidade de a monitorizar. Um dos motivos desta subida é a forte e crescente emissão de dívida empresarial pelo sector tecnológico, sobretudo os hyperscalers de inteligência artificial (IA), pelo que “os governos nacionais mais endividados devem incorporar na sua política orçamental a expectativa de que os juros vão continuar mais altos por mais tempo”.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) publicou o “Relatório sobre a Atividade de Capital de Risco 2025”, que confirma o crescimento sustentado do setor em Portugal.
No final do ano, 86 entidades gestoras administravam organismos de investimento alternativo (OIA) de capital de risco, mais 6 (+8%) do que em 2024. O número de fundos de capital de risco (OIA) em atividade aumentou 20%, para 417, enquanto os ativos sob gestão subiram 24%, para 12,7 mil milhões de euros. O número de participantes cresceu igualmente 20%, para 20.496, dos quais 84% eram investidores não profissionais.
Os ativos permanecem concentrados nos fundos de maior dimensão. Os OIA com 100 milhões de euros ou mais representavam apenas 7% do total, mas detinham cerca de 38% dos ativos sob gestão. Em contraste, os fundos com menos de 2 milhões de euros correspondiam a cerca de 15% do universo e detinham menos de 1% do volume.
As estratégias continuaram dominadas por private equity (236 OIA, cerca de 69% dos ativos) e venture capital (168 OIA, cerca de 27%). O investimento em fases iniciais (seed capital, start-up e early stage) avançou 37%, para 2.849 milhões de euros. O capital destinado à expansão das empresas subiu no mesmo ritmo, para 3.988 milhões de euros. O investimento em turnaround aumentou 14%, para 771 milhões de euros.
As aquisições de participações sociais representaram 71% do valor total das transações. Foram registadas 1.073 operações de alienação, das quais 31% geraram mais-valias face ao valor de aquisição e 35% face ao valor em carteira.
No plano da supervisão, a CMVM destacou uma ação temática centrada nos requisitos de elegibilidade e nas práticas de comercialização, que originou a Circular 007/2026, publicada a 21 de outubro. A autoridade manteve o foco nos sistemas de governo e controlo interno, incluindo prevenção de conflitos de interesses, funções de conformidade e auditoria interna (no âmbito de uma ação coordenada pela ESMA), relatórios de autoavaliação e prevenção do branqueamento de capitais.
A atividade de capital de risco continua a ser uma prioridade de supervisão, garante o regulador que remete para a “esperada transposição das Diretivas (UE) 2024/927 e 2024/2994, que implicarão alterações ao Regime da Gestão de Ativos e ao Regulamento da CMVM n.º 7/2023, as entidades gestoras deverão avaliar a adaptação dos seus processos”.
A CMVM diz que o relatório visa reforçar a transparência e incentivar práticas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do mercado de capitais português.
Christine Lagarde vai abandonar a presidência do Banco Central Europeu (BCE) a 7 de fevereiro, antes do fim do mandato, previsto para outubro, para poder intervir em assuntos que o cargo a impede de abordar.
“Quero ter liberdade de palavra, liberdade de expressão e liberdade para me envolver em questões que não sejam de política monetária”, afirmou esta quinta-feira, na conferência de imprensa após a reunião em que o Conselho do BCE manteve as taxas de juro inalteradas.
A decisão de antecipar a saída foi explicada aos colegas, aos trabalhadores e aos governadores dos bancos centrais com a vontade de deixar de estar sujeita ao dever de neutralidade, revelou Lagarde aos jornalistas.
“Somos guiados por um mandato e não saímos desse mandato porque esse é o preço que pagamos por sermos independentes”, declarou a presidente do BCE, sublinhando que essa obrigação também se aplica aos membros da Comissão Executiva e do Conselho, cuja intervenção se centra na política monetária.
Há coisas que posso dizer; se as pessoas vão ouvir ou não, isso é outra história. Mas sinto que devo dizer essas coisas e não o posso fazer no meu cargo atual.
“Não creio que possa permanecer neutra. Não creio que me possa sentir confortável nessa neutralidade neste momento”, afirmou, referindo-se a acontecimentos em várias partes do mundo, para lá da Europa.
Sem identificar países, responsáveis políticos ou episódios, Lagarde apontou a defesa da verdade como uma das razões para querer intervir publicamente. “Interesso-me pela verdade. E vejo a verdade ser muitas vezes prejudicada, contrariada por deturpações.”
Lagarde invocou a experiência de mais de duas décadas em funções económicas e financeiras, incluindo a liderança do Fundo Monetário Internacional e do BCE, para explicar o contributo que considera poder dar fora da instituição.
“Há coisas que posso dizer. Se as pessoas vão ouvir ou não, isso é outra história. Mas sinto que devo dizer essas coisas e não o posso fazer no meu cargo atual”, afirmou.
A presidente do BCE assegurou ainda que o processo para identificar o seu sucessor já começou e rejeitou que a transição possa comprometer as decisões da instituição.
Até à saída de Frankfurt, Lagarde prevê ainda conduzir as reuniões de política monetária de dezembro e fevereiro.
A presidente do BCE assegurou ainda que o processo para identificar o seu sucessor já começou e rejeitou que a transição possa comprometer as decisões da instituição. “A instituição é sólida, forte”, declarou, depois de garantir que existem “muitos candidatos excelentes”.
O BCE confirmou que Lagarde comunicou a saída ao Conselho e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa. Caberá ao Conselho Europeu nomear quem lhe sucederá.
“O BCE está numa posição forte o bastante para esperar por mais dados.” Foi com esta frase que Christine Lagarde justificou, na conferência de imprensa desta quinta-feira, a decisão de manter as taxas de juro inalteradas, no mesmo dia em que anunciou que deixa a presidência do banco central em fevereiro. A taxa de depósito fica em 2,50%, a das operações principais de refinanciamento em 2,65% e a da facilidade de cedência de liquidez em 2,90%, segundo o comunicado do Conselho do BCE.
A presidente do banco central da moeda única revelou que a hipótese de subir os juros esteve em cima da mesa, notando que “o Conselho de Governadores discutiu se um aumento seria adequado”, mas “considerou, por unanimidade, que o BCE está bem posicionado” em matéria de nível de taxas de juro e que “a abordagem comedida continua a ser adequada neste momento”.
Lagarde voltou a repetir a mensagem do comunicado do BCE, notando que as decisões serão tomadas reunião a reunião, em função dos dados, sem compromisso prévio com uma trajetória das taxas, indicando, porém, que “é provável que o BCE desenvolva cenários em dezembro”.
A maioria dos indicadores de expectativas de inflação a longo prazo está próxima de 2%.
O peso da energia explica a discussão do resultado da decisão desta última reunião dos governadores. “Os preços da energia subiram acima do cenário de base” e “o impacto indireto da escalada dos preços da energia intensificou-se”, afirmou Lagarde, que avisou que “os riscos para a inflação são em alta” e que “as fases iniciais da cadeia de preços apontam para pressão ascendente”.
Ainda assim, disse que “não há sinais de efeitos de segunda ordem, além das projeções”, que “a inflação subjacente manteve-se, em grande medida, estável” e que “a maioria dos indicadores de expectativas de inflação a longo prazo está próxima de 2%”. Lagarde vaticinou ainda que “a descida subsequente da inflação da energia deverá reduzir a inflação total”.
Nos salários, a presidente do BCE referiu que “o indicador de salários mostra um crescimento de 2,5% a 2,8% nos meses que restam de 2026” e “as pressões salariais mantêm-se moderadas”.
Os países com dívida elevada têm de ter em conta, nos planos de política orçamental, que as taxas de juro estão mais altas e é provável que assim continuem.
Os mercados de dívida foram o outro tema forte da conferência de imprensa, com Lagarde a notar que “a parte longa da curva subiu a nível global”, explicando que o foco está “nas obrigações a 10 anos e em toda a curva”. Lagarde apontou também um fator menos habitual, ao sublinhar que “a emissão de dívida pelos hiperescaladores desempenha um papel na subida das yields“. Segundo as suas palavras, “o custo do financiamento a longo prazo subiu desde setembro” e “as condições financeiras tornaram-se mais restritivas desde a última reunião”.
Daqui decorre o aviso aos governos por parte de Lagarde: “Os países com dívida elevada têm de ter em conta, nos planos de política orçamental, que as taxas de juro estão mais altas e é provável que assim continuem”, afirmou.
A presidente do BCE defendeu também que “as medidas orçamentais devem ser temporárias, focadas e à medida” e que “a estabilidade orçamental é uma âncora crucial”, e alertou ainda que “a incerteza orçamental pode apertar ainda mais as condições financeiras” e que “uma deterioração do sentimento do mercado pode apertar as condições de financiamento e travar a procura”.
Para a atividade económica, o diagnóstico é de risco em baixa, com sinais de resistência. “Os riscos para o crescimento apontam em baixa” e “uma nova subida dos preços da energia penaliza a confiança dos consumidores”, disse Lagarde.
Por outro lado, “os dados mais recentes sugerem que a economia se está a expandir no terceiro trimestre”, “o crescimento deverá manter-se apoiado no curto prazo” e “espera-se que as exportações acelerem com apoio”. Para a presidente do BCE, “o investimento em inteligência artificial e a despesa pública têm de reforçar o crescimento”.
As grandes tecnológicas mundiais já começaram a reportaram os resultados referentes ao terceiro trimestre. Apesar da expansão dos seus negócios o mercado teve reações distintas. No caso da Meta caiu mais de 6% entre a divulgação dos resultados e o fecho do dia seguinte, a Alphabet (que detém a Google) está a cair nesta altura mais de 11% no dia seguinte aos resultados enquanto que a Microsoft sobe mais de 2%.
Com os resultados surgem também interrogações. Como estão os investidores a encarar os avultados investimentos que as grandes tecnológicas estão a fazer na inteligência artificial (IA)? Existirá uma ‘bolha’? E que efeito sobre as cotadas europeias?
Analistas consultados pelo Jornal Económico (JE) consideram que os resultados permitem perceber que continuam os avultados investimentos na IA e que existe pressão para que esse capital investido se transforme em receita e lucro. E quanto à Europa? As respostas vão desde possíveis pressões nas avaliações das cotadas europeias caso existem dúvida sobre a lucratividade da IA até penalizações ligadas a questões de sentimento e avaliação de risco.
Quanto aos resultados a Meta reportou um crescimento de 26% nas suas receitas e de 264% no seu lucro líquido, para os 64,6 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros) e para os 9,8 mil milhões de dólares (8,8 mil milhões de euros), respetivamente, no terceiro trimestre, face ao período homólogo.
A Alphabet reportou um crescimento de 25% nas suas receitas para os 127,5 mil milhões de dólares (114,6 mil milhões de euros) e o lucro líquido caiu 25,2% para os 26,1 mil milhões de dólares (23,4 mil milhões de euros), no terceiro trimestre, face ao ano anterior.
Já a Microsoft aumentou as suas receitas em 19% para os 92,3 mil milhões de dólares (82,9 mil milhões de euros) e o lucro subiu 32% para os 36,6 mil milhões de dólares (32,9 mil milhões de euros), no primeiro trimestre do ano fiscal (corresponde ao terceiro trimestre do ano civil), face ao período homólogo.
Para o analista da ActivTrades Europe, Henrique Valente, os resultados já conhecidos da Meta, Alphabet e Microsoft “não permitem concluir” se existe uma bolha na inteligência artificial ou se “estamos próximos” de uma eventual correção acentuada [termo que se refere a queda superiores a 10% face a um pico]. “Confirmam a continuidade de um investimento massivo no setor, com pressões cada vez mais visíveis sobre a geração de caixa, mas também mostram que esse investimento está a traduzir-se em receitas”, assinala.
O head of trading do Banco Carregosa, João Queiroz, diz que a principal conclusão é que a discussão “já não passa por saber” se existe procura para a IA, que será “real e crescente”. O verdadeiro desafio está agora sobre a velocidade a que os enormes investimentos em centros de dados (ou data centers), semicondutores e capacidade computacional “se transformarão” em lucros recorrentes.
“O crescimento da cloud (ou nuvem) da Microsoft e a expansão do negócio publicitário da Meta beneficiaram da IA, segundo as respetivas empresas, demonstrando que esta tecnologia já contribui para o aumento das receitas”, adianta. No caso da Alphabet evidencia alguns dos desafios desta transição: “A maior utilização do modo de IA na pesquisa, cuja monetização publicitária ainda está em desenvolvimento, contribuiu para um desempenho dos anúncios abaixo das expectativas, apesar do forte crescimento da cloud”, explica Henrique Valente.
João Queiroz diz que os resultados da Meta “mostram simultaneamente” robustez operacional e uma “crescente exigência” do mercado quanto ao retorno do capital investido. “As receitas cresceram 26% para 64,6 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros), superando as estimativas, e a publicidade continua a beneficiar das melhorias introduzidas pelos modelos de IA“, adianta. “No entanto, os gastos em infraestruturas e centros de dados atingiram níveis máximos, conduzindo a um fluxo de caixa livre negativo no trimestre, algo raro na história recente da empresa”, acrescenta.
“O investimento destas empresas constitui receita para outras, mas a sustentabilidade deste ciclo vai depender da capacidade de gerar retornos que justifiquem os montantes aplicados”, salienta o analista da ActivTrades.
Se os resultados aumentarem as dúvidas sobre a rentabilidade da IA, os investidores “poderão reduzir” a exposição ao setor tecnológico à escala global, o que “pressionaria” também as avaliações das empresas europeias, acrescenta. “Uma deterioração mais acentuada da confiança poderá alargar este efeito de contágio a outros setores, através de uma redução generalizada da exposição ao risco”, alerta.
Pode existir efeito de contágio sobre a Europa?
“Para a Europa, o efeito de contágio, e de alguma forma sistémico, dependerá sobretudo da interpretação que os investidores fizerem da relação entre crescimento e investimento”, assinala o head of trading do Banco Carregosa.
“Num cenário construtivo, estes resultados funcionam como uma validação da procura estrutural por IA, beneficiando empresas europeias relacionadas com a cadeia de valor tecnológica, incluindo fabricantes de equipamento elétrico, operadores de centros de dados, fornecedores industriais e empresas de semicondutores. Nesse contexto, os índices europeus poderiam continuar a acompanhar parcialmente o dinamismo observado nos Estados Unidos”, explica.
Mas se o mercado concluir que os hyperscalers (ou hiperescaladoras) estão a investir a ritmo “demasiado acelerado” face ao retorno obtido, poderá surgir “pressão adicional” sobre os segmentos mais expostos ao tema. “Essa preocupação já se refletiu recentemente em várias empresas associadas ao ciclo de investimento em IA, cujas valorizações corrigiram significativamente apesar de os fundamentos operacionais permanecerem sólidos: enquanto Meta, Microsoft e Alphabet continuam entre as empresas mais valiosas do mundo em capitalização bolsista, os múltiplos permanecem elevados e deixam pouca ou nenhuma margem para desapontamentos”, refere.
“Para as bolsas europeias, o impacto será provavelmente mais uma questão de sentimento e avaliação do risco do que de deterioração fundamental da procura por tecnologia e inteligência artificial. A narrativa passou de “crescer a qualquer custo” para “crescer com rentabilidade”, uma evolução que tende a tornar o mercado mais seletivo, mas não necessariamente mais pessimista e muito dependente do que podem ser os resultados das operações de IPO [ou entradas em bolsa] da Anthropic e eventualmente da OpenAI num futuro próximo”, acrescenta.
No dia marcado pelo anúncio de saída de Christine Lagarde da liderança do Banco Central Europeu (BCE) em fevereiro, a presidente da autoridade monetária da moeda única explica em conferência de imprensa a decisão do Conselho do BCE ter mantido as taxas inalteradas.
Depois de ter subido as taxas de juro em 25 pontos base no encontro de setembro, o BCE deixou tudo igual ao fim da sua reunião de dois dias. A taxa de Facilidade Permanente de Depósito permaneceu esta quinta-feira nos 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez em 2,65% e 2,90%, respetivamente, níveis atingidos em setembro com o segundo aumento de 25 pontos base deste ano.
A decisão do BCE surge num momento que França enfrenta uma situação delicada, com os juros das obrigações do país a escalarem num contexto de elevados défices públicos, um impasse orçamental, protestos de rua e uma eleição que suscita divisões no próximo ano. Um verdadeiro “cocktail” explosivo que levou o prémio de risco das obrigações francesas a dez anos a quase duplicar em relação ao valor de referência alemão ao longo das últimas semanas.
“O Conselho do BCE decidiu hoje manter inalteradas as três taxas de juro diretoras”, adianta o comunicado divulgado pela instituição liderada por Christine Lagarde. Apesar de não ter mexido nos juros, a entidade reconhece que “os preços da energia continuaram a subir, colocando riscos em alta para as perspetivas de inflação e riscos em baixa para as perspetivas de crescimento”.
O conselho de governadores acrescenta que, “embora os efeitos totais do choque energético ainda estejam a fazer-se sentir, a inflação subjacente manteve-se, até agora, relativamente estável e os salários não revelam, nesta fase, uma reação significativa”.
O BCE assume ainda que “é provável que a maior dimensão e duração do choque energético, bem como as suas implicações para os efeitos indiretos e de segunda ordem, contribuam para aumentar a inflação e reduzir o crescimento”, reconhecendo que “as condições de financiamento tornaram-se mais restritivas desde a última reunião do Conselho do BCE, o que deverá pesar sobre a inflação e o crescimento”.
Nova subida em dezembro?
Num momento em que a situação no Médio Oriente continua a refletir-se num agravamento dos custos da energia, com impacto generalizado nos preços, o conselho do BCE reitera que vai “definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabiliza no seu objetivo de 2% no médio prazo”, um sinal que poderá estar preparado para continuar a subir juros, aliás como o próprio mercado antecipa.
O comunicado realça ainda que o BCE “continua bem posicionado para fazer face ao atual nível elevado de incerteza” e “seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária”.
“As decisões do Conselho do BCE sobre as taxas de juro terão por base a sua avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos novos dados económicos e financeiros, bem como da evolução da inflação subjacente e da eficácia da transmissão da política monetária”, assegura o conselho, que “não se compromete antecipadamente com uma trajetória específica para as taxas de juro”.
Quanto aos programas de compra de ativos, o BCE nota que “as carteiras do APP e do PEPP estão a diminuir a um ritmo moderado e previsível, uma vez que o Eurosistema já não reinveste os montantes de capital reembolsados dos títulos que chegam à maturidade”.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, vai justificar a decisão do BCE uma conferência de imprensa agendada para as 14h45 (hora de Lisboa), naquela que será a antepenúltima em que surge como líder da instituição, uma vez que vai abandonar o cargo a 7 de fevereiro. Lagarde irá, assim, liderar a reunião de dezembro, agendada para os dias 16 e 17 de dezembro, e o encontro marcado para os dias 3 e 4 de fevereiro.