Castro Almeida: Portugal ainda é beneficiário líquido da UE

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Para Portugal, “é problemático” aplicar uma taxa uniforme ao peso dos resíduos eletrónicos não recolhidos. Uma das sugestões em cima da mesa para criar um novo recurso próprio da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que aplicar um imposto especial sobre o consumo de tabaco, baseado na taxa mínima do imposto especial de consumo aplicada por cada Estado-Membro aos produtos do tabaco, Portugal apenas concorda com esta esta solução se for houver acordo sobre a diretiva do tabaco.
Paulo Rangel, numa audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos Assuntos Europeus, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), explicou que “Portugal não está fechado a nenhum recurso próprio, por posição de princípio, o que não significa que ao fim não esteja fechado relativamente a algum recurso, mas caso haja acordo para discutir um pacote global Portugal está disponível para analisar o impacto de cada um dos recursos propostos”.
Apesar desta posição de abertura, o recurso com base numa taxa sobre os resíduos eletrónicos não recolhidos, como computadores, telemóveis inteligentes, tabletes, televisores, impressoras, suscita “maiores reticências a Portugal”.
Quanto ao “imposto sobre o tabaco, que tem a ver com o tabaco não tradicional”, a posição de Portugal é “favorável desde que haja um acordo sobre a diretiva do tabaco”, explicou o MNE. “A versão atual da revisão da diretiva tem o nosso apoio. Se for esta a versão que fica estaremos disponíveis para aceitar este recursos próprio, se não for esta temos de rever esta posição”, explicou.
O ministro disse que Portugal é favorável ao imposto sobre as plataformas digitais, mas quanto à proposta de impostos sobre os jogos online tem de ser vista por Portugal “com grande cuidado, porque pode ter impacto no caso português”. Uma proposta que conta desde logo com a oposição de Malta onde o jogo tem um peso importante na economia.
Já no caso da proposta de taxar os criptoativos, como sugere o Parlamento Europeu, Paulo Rangel disse que ainda não está claro qual será o desenho e Portugal aguardará até que seja elaborada.
Portugal veria com bons olhos que ao nível das receitas tradicionais houvesse uma diminuição de 25% para 10% da taxa que os Estados-membros retém dos direitos aduaneiros cobrados, “aumentando assim os recursos aduaneiros da União”. Uma posição que certamente terá a oposição dos Países Baixos onde os portos têm um enorme peso na sua economia e que desta forma se veriam privados de uma importante receita orçamental.
Outra das formas de garantir mais recursos ao orçamento comunitário seria fazer um roll over da dívida emitida para pagar o Next GenerationEU, mas também emitir nova dívida comum consignada à defesa, opções às quais Portugal é favorável, sublinhou Paulo Rangel.
Esta opção não só geraria mais recursos como permitiria fixar em solo europeu as poupanças europeias que agora acabam por ser canalizadas para os mercados financeiros de outros países. “Dívida comum pode ajudar a fixar recursos e capitais europeus”, concluiu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que Portugal já conseguiu duas vitórias em Bruxelas nas negociações do próximo quadro financeiro 2028/2034. Garantir que existe uma verba “garantida” para a Agricultura e que portanto não poderá ser disputada pela Coesão, apesar de as duas políticas estarem concentradas no mesmo fundo. E que Portugal vai conseguir mais do que os atuais 9,3 mil milhões de euros para a Política Agrícola Comum.
Paulo Rangel recusou-se a dar números, porque as negociações ainda estão a decorrer, mas deixou a garantia: “Estamos acima em termos de PAC do envelope que recebemos no quadro anterior.
O ministro da Agricultura, a semana passada, no Parlamento, reiterou que Portugal já tem garantidos 7,4 mil milhões de euros para apoiar o rendimento dos agricultores e mais 2,5 mil milhões para o desenvolvimento rural. Mas José Manuel Fernandes admitiu a tentação no Governo de colocar projetos de abastecimento público de água nesta gaveta de 2,5 mil milhões. Algo a que se irá opor porque esse é um projeto de coesão.
A estes montantes poderão acrescer ainda os 1,6 mil milhões de euros que a proposta cipriota ‘angariou’ para Portugal, mas esse é um valor que ainda não está “certo”, como explicou o ministro da Agricultura. Fechada está também a possibilidade de cada Estado-membro antecipar 45 mil milhões de euros destinados à agricultura, o que para Portugal significa poder usar 2,41 mil milhões logo de início.
De acordo com o último trabalho feito pela presidência irlandesa, Portugal tem no primeiro pilar (agricultura e coesão) uma dotação que ronda os 35,2 mil milhões de euros, e que se “traduz um ganho nominal de 7,6% e uma perda de 5,7% quando comparado em termos reais”. Em termos de dotação geral há uma evolução nominal de 3,6% e uma quebra real de 9,2%. Esta quebra real é agora inferior à inicialmente prevista, porque em virtude das negociações a presidência do Chipre alocou uma parcela que ao nosso país deu mais de 1.500 milhões de euros para os países da coesão.
A associação das empresas petrolíferas (Epcol) considera que existe alguma margem para aumentar a produção na refinaria de Sines, a única em funcionamento em Portugal, mas ressalva que essa possibilidade depende de fatores técnicos e económicos.
“Julgamos que existe alguma margem para aumentar a produção em Sines, mas a questão não é apenas técnica”, disse à Lusa o porta-voz da associação das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol), João Reis, questionado sobre o apelo da Comissão Europeia para travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE).
Segundo João Reis, um eventual aumento depende da “disponibilidade de crude e matérias-primas, do tipo de crude disponível, da mistura de produtos procurados pelo mercado (gasóleo, gasolina, jet fuel, etc.) e das condições económicas de operação”.
A associação considera que a nova posição da Comissão Europeia poderá valorizar a importância estratégica da refinaria de Sines, embora não antecipe grandes implicações para o setor nacional.
“Relativamente ao aparelho refinador nacional não nos parece que existam grandes implicações, mas evidentemente que ao passar a apoiar ativamente a manutenção da capacidade de refinação europeia, a posição estratégica de Sines poderá ser valorizada”, refere.
A Epcol vê “muito favoravelmente” a iniciativa de Bruxelas, sublinhando que tem defendido a importância estratégica da indústria de refinação para a segurança energética, o abastecimento de combustíveis, a defesa e a competitividade industrial europeia.
“Seria muito gravoso para a Europa perder capacidade de refinação antes de existirem alternativas plenamente capazes de assegurar o abastecimento energético”, comentou.
As declarações surgem depois de a Comissão Europeia ter defendido, na quarta-feira, a necessidade de travar o encerramento de refinarias e aumentar a produção de combustíveis na União Europeia (UE), numa altura em que os preços continuam pressionados e existem preocupações com a segurança do abastecimento.
Após uma reunião com representantes da indústria, em Bruxelas, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, defendeu que a UE precisa de aumentar a produção das refinarias existentes, com o objetivo de contribuir para a redução dos preços dos combustíveis.
O executivo comunitário anunciou ainda a intenção de trabalhar com o setor na elaboração de um roteiro conjunto para a transformação da indústria de refinação, procurando conciliar a manutenção da capacidade de produção com os objetivos de descarbonização.
Por sua vez, a associação europeia FuelsEurope, que representa a indústria de produção de combustíveis, congratulou-se com o lançamento do diálogo estratégico e com o reconhecimento da refinação como um setor essencial para a segurança energética, a economia e a defesa europeias.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a organização afirmou que as refinarias europeias estão disponíveis para trabalhar com a Comissão Europeia e os Estados-membros na identificação de soluções tecnicamente viáveis e seguras para maximizar a capacidade de produção disponível a curto prazo.
Segundo a FuelsEurope, as refinarias europeias aumentaram a produção de combustível para aviação em 30% em maio de 2026, face ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A associação admite que poderão ser possíveis novos aumentos, embora ressalve a existência de limitações técnicas e operacionais e a necessidade de criar condições adequadas para o efeito.
A FuelsEurope alertou ainda que a Europa perdeu 20% da sua capacidade de refinação desde 2009, com o encerramento de 35 refinarias, defendendo que devem ser evitados novos encerramentos para impedir o aumento da dependência de combustíveis importados.
Em Portugal, a atividade de refinação está concentrada em Sines, depois do encerramento da refinaria de Matosinhos, em 2021, pela Galp. Segundo os dados da Galp, a refinaria de Sines tem uma capacidade de destilação de 226 mil barris de petróleo por dia, sendo uma das maiores da Península Ibérica.
A empresa tem vindo a investir na transformação do complexo industrial de Sines, incluindo projetos ligados à produção de biocombustíveis avançados e hidrogénio verde, no âmbito da sua estratégia de descarbonização.
O presidente do Conselho Europeu manifestou esta quinta-feira apoio à proposta de Ursula von der Leyen para conceder o estatuto de “membro associado” da União Europeia ao Canadá, quer se utilize esse termo ou outro.
Num discurso no Conselho das Relações Internacionais de Montreal, à margem da cimeira entre a União Europeia e o Canadá, que se realiza esta quinta e sexta-feira, António Costa salientou que, nessa reunião, Bruxelas e Otava vão estabelecer “uma aliança para o futuro” e criar uma “associação cada vez mais estreita”. O presidente do Conselho Europeu salientou que a relação entre as duas partes é “tão forte” que ambas tencionam “criar algo de novo: ir além de uma simples associação, embora não se atinja a adesão plena à União Europeia (UE)”.
“A presidente da Comissão Europeia avançou mesmo a ideia audaciosa de tornar o Canadá um ‘membro associado’ da UE. Eu partilho a sua ambição. Seja esse termo ou outro, uma coisa é clara: a nossa associação vai ser a mais única, estreita e profunda que existe”, afirmou António Costa.
O presidente do Conselho Europeu deu assim respaldo a uma ideia que Ursula von der Leyen apresentou em setembro no discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e que tem sido criticada por alguns Estados-membros.
Países como a Alemanha ou a França opõem-se à criação deste estatuto, por considerarem que os seus moldes deveriam ter sido definidos antes de ser apresentado ao Canadá, além de criticarem Von der Leyen por ter feito a proposta sem os ter consultado previamente. Nesse sentido, pediram que a menção “membro associado” seja retirada da declaração final da cimeira UE-Canadá, que irá ser divulgada na sexta-feira.
No seu discurso, António Costa afirmou que o Canadá é “o mais europeu” dos parceiros da UE que não estão no continente. “Partilhamos os mesmos valores: a democracia, a dignidade humana, o pluralismo das ideias e o Estado de direito”, frisou o presidente do Conselho Europeu, que referiu que a parceria entre a UE e o Canadá se baseia na História.
“Mas a nossa vontade comum de continuar a encontrar soluções, através do diálogo e da confiança, permite antever que as oportunidades e os maiores êxitos desta parceria ainda estão por vir”, previu.
Costa salientou que, através da cimeira que se está a realizar, a UE e o Canadá tencionam “criar oportunidades” para as suas empresas, trabalhadores, investigadores e estudantes, “reduzindo dependências, criando emprego e reforçando a segurança, competitividade e prosperidade”.
“A ambição e a vontade de agir estão presentes. Com a nossa aliança e a nossa parceria, a UE e o Canadá não se limitam a responder a um mundo em transformação. Estamos a contribuir para moldar o mundo que há de vir”, afirmou Costa.
O presidente do Conselho Europeu reconheceu que essa “tarefa é ambiciosa”. “Mas, graças à confiança que nos une e à amizade que nos aproxima, não podemos falhar”, afirmou.
Num discurso desta quinta-feira em Montreal, Von der Leyen já tinha insistido na proposta de dar ao Canadá o estatuto de membro associado, frisando que o objetivo é criar uma “associação sem adesão” e em dar ao país uma “parceria mais próxima da condição de membro” do que qualquer outra que a UE tenha estabelecido até hoje.
“Queremos elevar a nossa relação ao nível mais elevado possível e é por isso que estamos a discutir a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da UE”, salientou a presidente da Comissão Europeia.
A Comissão Europeia abriu uma nova ronda para o programa de empréstimo SAFE, tendo disponível 21,3 mil milhões de euros que não foram usados pelos Estados-membros do montante inicial de 150 mil milhões de euros.
“Os Estados-Membros têm agora até 30 de novembro de 2026 para indicar os montantes que pretendem solicitar. Este financiamento permitirá aos Estados-Membros continuar a dar resposta às necessidades urgentes em matéria de defesa”, adianta Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para a área da Defesa, ao ECO/eRadar.
“A Comissão incentiva os Estados-Membros a utilizar os fundos ainda disponíveis de forma a contribuir para satisfazer as necessidades urgentes da Ucrânia“, refere ainda o mesmo porta-voz.
Em novembro do ano passado, os Estados-Membros apresentaram à Comissão os seus planos para a indústria de defesa, tendo sido aprovados as propostas de 19 países, entre os quais Portugal, que garantiu uma fatia de 5,8 mil milhões de euros.
Na quarta-feira, a Comissão aprovou o plano da Hungria, o último dos 19 países da União Europeia que se candidataram inicialmente. Mas tanto a Hungria como Itália reformularam as suas candidaturas, reduzindo os montantes solicitados. Estas alterações, bem como revisões de menor dimensão por parte de outros países candidatos, deixaram 21,3 mil milhões de euros em empréstimos por atribuir. Montante que agora a Comissão volta a colocar à disposição dos Estados-Membros para novas candidaturas ao mecanismo de empréstimo europeu.
“Depois de receber os montantes pretendidos pelos países, a Comissão informá-los-á das dotações indicativas no prazo de duas semanas após o fim do prazo de apresentação das candidaturas”, refere a Comissão em comunicado.
“Além de responderem às suas necessidades e prioridades nacionais em matéria de defesa, os Estados-Membros são também incentivados a utilizar os fundos desta segunda convocatória para reforçar a cooperação com a Ucrânia, incluindo a aquisição conjunta com este país nos seus planos de investimento”, pode ler-se em comunicado. “Devem igualmente dar prioridade às necessidades urgentes das forças armadas ucranianas e dos Estados-Membros, nomeadamente nos domínios dos sistemas de defesa antiaérea e antimíssil, dos drones e dos sistemas antidrones, bem como das munições e dos mísseis“, refere ainda.
Em 16 dos 19 acordos de empréstimo iniciais, a Comissão já assinou os acordos de empréstimo, tendo desembolsado cerca de 13,5 mil milhões de euros a 11 países que tinham solicitado pré-financiamento. No caso português, o acordo de empréstimo aguarda em Bruxelas por assinatura, data a partir da qual será possível fazer os pagamentos das tranches de 15%.
Inteligência artificial (IA), clima, energia e segurança são as áreas em que a União Europeia (UE) e o Canadá pretendem aprofundar a cooperação, ao mesmo tempo que exploram a possibilidade de Otava ganhar o estatuto de “membro associado” do bloco comunitário, afirmou esta quinta-feira Ursula von der Leyen.
A presidente da Comissão Europeia, que falava em Montreal, onde decorre a cimeira Canadá-UE, reiterou, assim, os compromissos assumidos no último discurso anual sobre o Estado da União, em setembro.
“A nossa ideia é simples: trata-se de uma associação sem adesão”, explicou von der Leyen, ressalvando, porém, que a ideia é “construir uma parceria que se aproxime mais da adesão do que qualquer outra coisa que [a UE] tenha feito até agora”. “Podemos trabalhar em tudo, desde a IA e o clima até à energia ou à segurança”, acrescentou.
Contudo, segundo a Reuters, os líderes da UE e do Canadá retiraram da sua declaração conjunta o termo “membro associado”, que não tem qualquer significado jurídico e ao qual muitos Estados-membros se têm oposto — a começar pela Alemanha. Em vez disso, acordaram com uma “associação cada vez mais estreita”.

A declaração, que será tornada pública na sexta-feira, indica que o trabalho para definir a relação entre o Canadá e a UE continuará até à próxima cimeira, no próximo ano.
O estreitamento dos laços com a União Europeia faz parte da estratégia do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, para reduzir a dependência económica e de segurança do Canadá em relação aos EUA, desde que Donald Trump impôs tarifas sobre os produtos do país vizinho. Mas os esforços de Otava para se aproximar do bloco comunitário correm o risco de irritar o Presidente norte-americano, uma vez que as negociações comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos continuam.
Carney afirmou anteriormente que o Canadá não pretende aderir à UE, mas sim estabelecer “uma aliança única”, dado que as duas regiões partilham valores e prioridades semelhantes e possuem pontos fortes complementares. “Estamos a procurar a resiliência, para que ninguém possa controlar os nossos mercados abertos, comprometer a nossa soberania, ameaçar a nossa integridade territorial ou minar as nossas liberdades, as nossas democracias e o nosso Estado de direito”, afirmou o primeiro-ministro canadiano perante o Parlamento Europeu no mês passado.
Na declaração conjunta que será divulgada no fim da cimeira, há ainda uma proposta para a realização de um estudo de viabilidade conjunto sobre as exportações canadianas de gás natural liquefeito (GNL) para a Europa e a criação de condições para que jovens do Canadá e da UE possam trabalhar de um lado e do outro do Atlântico.
Além disso, a líder do Executivo comunitário apelou a uma cooperação mais profunda entre a UE e o Canadá em matéria de segurança no Ártico. “Quando vemos a Rússia a reconstruir a sua presença militar no Ártico, a adotar estratégias híbridas contra os seus vizinhos e a redefinir a segurança do Ártico, isso tem impacto na União Europeia e no Canadá. Temos de agir e alterar a nossa postura estratégica e, juntamente com parceiros com visões semelhantes, como o Canadá, defender estes valores”, afirmou.
Ainda esta quinta-feira, Mark Carney irá reunir-se com líderes empresariais europeus antes de organizar um jantar com os líderes dos Estados-membros.
Uma delegação de eurodeputados pediu às autoridades chinesas para negociarem um acordo abrangente com a União Europeia de forma a evitar uma guerra comercial, advertindo que o bloco pode recorrer a medidas de retaliação caso não haja entendimento.
Esta posição foi transmitida por uma delegação de sete eurodeputados que terminou hoje uma visita de dois dias à China, numa altura em que vários responsáveis europeus têm alertado que o défice comercial com a China atingiu mil milhões de euros por dia em 2025.
Em comunicado, o Parlamento Europeu (PE) refere que, nas suas reuniões com as autoridades chinesas, incluindo com o ministro do Comércio, Wang Wentao, os eurodeputados avisaram que ninguém beneficiaria de uma guerra comercial.
Nesse sentido, pediram que se trabalhe com base nos recentes “passos positivos” que foram dados, designadamente o facto de a China ter aceitado reduzir significativamente as exportações de automóveis híbridos para a UE, para que se elabore um acordo comercial mais abrangente.
“Deixámos claro aos nossos homólogos chineses que esperamos que, no futuro, mais setores sejam abrangidos por esta abordagem, a par de uma implementação credível dos compromissos já assumidos”, refere o eurodeputado Bernd Lange, presidente da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu e que liderou esta delegação.
O eurodeputado defende que um acordo comercial mais abrangente é importante “não só para melhorar as relações comerciais, mas também para reforçar os laços económicos e políticos” entre a União Europeia (UE) e a China.
Por sua vez, o eurodeputado Pascal Canfin, redator do PE para as relações comerciais com a China e que também integrou esta delegação, refere que a visita foi importante para o PE transmitir “um sentido de urgência quanto à necessidade de estabilizar e reequilibrar” o comércio entre as duas partes.
“A interdependência está no centro das nossas relações, o que não é necessariamente negativo. No entanto, o modelo de exportação chinês é simplesmente insustentável para a UE”, salienta.
O eurodeputado recorda que a UE dispõe de instrumentos de retaliação caso verifique “um desequilíbrio” nas suas relações comerciais, numa ameaça velada à China, e defende que o bloco está disponível para o diálogo, mas precisa de “ver resultados”.
Saudando o acordo alcançado no início do mês sobre as exportações de carros híbridos, Pascal Canfin considera que essas conversas criaram “uma dinâmica positiva e produziram resultados concretos”.
“Esperamos poder dar continuidade a este espírito de cooperação e alcançar mais resultados em benefício dos cidadãos de ambas as partes num futuro próximo”, referiu.
A presidente da Comissão Europeia agradeceu hoje à presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, pelo trabalho que desenvolveu nos últimos sete anos, considerando que “reforçou a soberania económica” da UE e o papel internacional do euro.
“Da pandemia à guerra de agressão da Rússia, a sua firmeza e determinação ajudaram a manter a nossa economia estável e resiliente”, elogia Ursula von der Leyen numa publicação divulgada nas redes sociais, depois de ter sido anunciado que Christine Lagarde vai deixar a presidência do Banco Central Europeu (BCE) em 07 de fevereiro.
Von der Leyen salienta que, enquanto presidente do BCE, Lagarde “defendeu o aprofundamento da integração financeira na Europa” e personificou a nível internacional “aquilo de que qualquer moeda precisa: confiança e autoridade”.
“Foi assim que reforçou a soberania económica da Europa e consolidou o papel internacional do euro, algo que foi tão importante para si. O mundo precisa de mais líderes como a Christine. E espero que muitas mais mulheres sigam as suas pisadas”, afirma.
Por sua vez, em comunicado, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, agradece a Christine Lagarde pelo seu “contributo notável para a estabilidade da zona euro e pela sua liderança” num período de “grandes desafios económicos”.
O presidente do Eurogrupo salienta que o euro é um “marco no processo de integração europeia e um dos seus elementos mais tangíveis e valiosos”.
“O mandato de Christine Lagarde à frente do BCE veio reforçar ainda mais a confiança na moeda única europeia”, afirma.
Pierrakakis acrescenta que o Eurogrupo vai agora “agir rapidamente para preparar a recomendação do Conselho da UE ao Conselho Europeu sobre a nomeação”.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, pediu hoje para cessar funções em 07 de fevereiro, anunciou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que indicou que vai iniciar o processo de sucessão imediatamente.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Christine Lagarde afirma ter sido “um enorme orgulho e um imenso privilégio” servir o BCE, agradecendo a todos os que “contribuíram, apoiaram e trabalharam para cumprir” a missão da instituição de assegurar “a estabilidade dos preços e financeira”.
“Penso que deixo esta instituição com a sensação de dever cumprido e com um BCE preparado para o futuro”, considera.
Christine Lagarde é presidente do Banco Central Europeu desde novembro de 2019. O seu atual mandato terminava em outubro de 2027.

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Começou a corrida à presidência do Banco Central Europeu. Depois de meses de especulação sobre uma saída antecipada, Christine Lagarde despediu-se esta quinta-feira da instituição que liderou desde novembro de 2019, informando que vai abandonar o banco central no dia 7 de fevereiro de 2027, oito meses antes do final do seu mandato.
Em dia de decisão sobre as taxas de juro, o foco já está no futuro, com o processo para encontrar um sucessor a começar desde já. O neerlandês KlaasKnot e o espanhol Pablo Hernández de Cos surgem apontados como os principais candidatos a suceder a Lagarde, mas poderão surgir outros nomes na corrida ao BCE.
“Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, foi com esta declaração feita nas redes sociais que Christine Lagarde se despediu, poucas horas antes de comparecer esta quinta-feira na habitual conferência de imprensa após ser comunicada a decisão sobre as taxas de juro.
A oficialização da saída não é propriamente uma surpresa, mas deixa o segundo cargo por preencher no conselho de governadores do BCE, depois de também Isabel Schnabelter anunciar que vai deixar a instituição para assumir funções de destaque no Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o economista-chefe Philip Lane deverá abandonar a sua posição em maio de 2027, numa verdadeira dança de cadeiras na autoridade da política monetária do euro. Apesar de apenas agora o Conselho Europeu começar a preparar a sucessão, há vários nomes que têm sido apontados para o cargo.
As três nomeações poderão ser acordadas num pacote negociado entre os Estados-membros, sendo que o cargo mais disputado é o de líder da entidade. Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como um terceiro nome na corrida, não sendo de excluir um candidato surpresa.
“Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos são considerados os principais candidatos. Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa”, explica Matthew Ryan, Head of Market Strategy, da Ebury, numa nota onde comenta a saída de Lagarde.
Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa.
Dito isto, Ryan destaca que não acredita “que a transição altere a trajetória das taxas a curto prazo. O presidente define a agenda, mas, em última análise, é apenas uma voz no Conselho do BCE e raramente se sobrepõe ao consenso”. “Ainda assim, uma sucessão prolongada poderia introduzir volatilidade nos mercados num momento já frágil, pelo que quanto mais cedo for nomeado um sucessor, melhor”, argumenta.
“Os nomes apontados como possíveis sucessores são ambos banqueiros centrais muito competentes e com provas dadas, pelo que, para os mercados, a mudança não terá grande importância”, afirma Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank, citado pela Reuters.
Simon Dangoor, responsável pelo investimento macro em obrigações na Goldman Sachs realça que “o BCE é agora uma instituição bastante consolidada, e o mercado está familiarizado com a forma como opera”. “O comportamento institucional deverá sobreviver à saída de Lagarde e manter-se bastante semelhante, independentemente de quem assumir o cargo“, sustenta também à Reuters.
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O antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot é o candidato dos Países Baixos à liderança do BCE. O economista liderou o banco central neerlandês durante dois mandatos, entre 2011 e 2025. Classificado como um falcão — termo dado a quem defende uma política monetária mais restritiva — , Knot conta com uma vasta experiência enquanto membro do conselho de governadores do BCE.
Nos seus 14 anos enquanto membro do conselho enfrentou dois momentos distintos na entidade. Com o italiano Mario Draghi na presidência mostrou a sua oposição às medidas de estímulo monetário anunciadas pelo então líder do BCE em plena crise da dívida. Já a convivência com Christine Lagarde, que substituiu Draghi em 2019, ficou marcada por uma harmonia perfeita.
Knot chegou ao BCE em plena crise da dívida soberana, que afundou a economia da região e ameaçou a sobrevivência do euro. Perante os riscos que persistiam na Zona Euro e que coincidiram com os pedidos de ajuda internacional de Portugal, Grécia e Irlanda, Draghi exerceu um papel de destaque na defesa do euro, com a expressão “whatever it takes” a marcar um ponto de viragem na crise, materializando-se na “bazuca” de medidas anunciadas. A reação nos mercados foi positiva, mas Knot expressou desde o início as suas reservas em relação às políticas de Draghi.
As críticas do neerlandês, primeiro feitas em privado, vieram a público no final de 2019, quando o italiano aprovou um novo pacote de estímulos, apesar da oposição de um terço dos membros do conselho.
Num momento em que a inflação no bloco enfrenta uma forte pressão devido à escalada dos preços dos combustíveis, Knot deverá privilegiar uma política de taxas de juro mais agressiva, para conter a inflação, o que poderá pesar no bolso das famílias, que já sentem a subida das taxas Euribor.
Numa corrida em que enfrenta o espanhol de Cos, o neerlandês poderá ter um apoio de peso para chegar a Frankfurt. França, que já teve dois presidentes (Jean-Claude Trichet e Christine Lagarde), poderá apoiar o neerlandês Klaas Knot, num acordo que permitiria ao Eliseu escolher o próximo economista-chefe do banco central, segundo avançou a Reuters recentemente.
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Pablo Hernández de Cos, o antigo governador do Banco de Espanha e atual diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais, é o candidato de Espanha ao BCE. Considerado uma “pomba” — que defende uma política monetária menos restritiva — moderada, de Cos liderou o banco central espanhol entre 2018 e 2024, um período em que a inflação se situou em valores extremamente baixos, seguido pela pandemia e por um ciclo histórico de subida das taxas de juro para conter a subida de preços galopante.
De Cos foi também economista-chefe do Banco de Espanha, tendo dado o passo pouco habitual de passar de um cargo técnico para uma função de decisão de política monetária, o que reflete o sucesso que alcançou ao reforçar a importância da investigação no banco central.
Descrito como um economista pragmático, apesar de ser caracterizado como “pomba”, entre 2022 e 2024, de Cos voou mais alto e vestiu o fato de “falcão”, defendendo subidas de juros.
No início deste ano, quando alguns dos principais banqueiros centrais do mundo manifestaram publicamente apoio a Jerome Powell, então presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, perante pressões políticas, terá sido De Cos um dos principais coordenadores desse processo.
O alemão Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, deverá ser a escolha da Alemanha para entrar na corrida à sucessão de Lagarde. Com grande conhecimento dos mercados financeiros, liderança e gestão de crises, Nagel alterou profundamente a relação da Alemanha com o BCE. Enquanto o seu antecessor, Jens Weidmann, esteve durante anos em conflito aberto com o BCE de Mario Draghi, Nagel moderou o discurso e voltou a integrar-se no consenso da instituição, embora continue a ser um falcão moderado em matéria de política monetária.
Apesar de definir claramente as suas linhas vermelhas, o alemão está disposto a fazer compromissos noutras matérias. Também apoiou a criação do Sistema Europeu de Seguro de Depósitos, um projeto a que Berlim se opôs durante muito tempo, receando que os contribuintes alemães tivessem de suportar os custos da irresponsabilidade financeira de outros países.
Defensor da independência do BCE, Nagel tem rejeitado as críticas políticas à instituição e, recentemente, argumentou que algumas das propostas do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) seriam contraproducentes e poderiam afastar investidores. Membro do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Nagel desempenhou anteriormente cargos de topo no Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) e no grupo bancário público alemão KfW.
Apesar de já ter manifestado o seu interesse à porta fechado para o cargo, a proposta de Nagel poderá enfrentar um travão, uma vez que seria inédito dois cidadãos alemães liderarem simultaneamente duas das mais importantes instituições da União Europeia: o BCE e a Comissão Europeia.
Há ainda a possibilidade de surgir, à última hora, um candidato-surpresa, à semelhança do que aconteceu em 2019, quando Macron apresentou inesperadamente Lagarde como principal candidata ao cargo de presidente do BCE. O antigo governador do Banco de França François Villeroy de Galhau poderá surgir como um candidato inesperado à presidência do BCE.
O BCE já subiu, este ano, duas vezes as taxas de juro para conter a escalada da inflação. Numa decisão amplamente esperada, o banco central subiu, na reunião de setembro, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito para 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez para 2,65% e 2,90%, respetivamente. Já esta quinta-feira, a expectativa dos economistas é que a entidade deixe tudo como está, adiando para dezembro uma nova subida de juros.
“Este timing para o BCE está longe de ser o ideal. A saída de Lagarde ocorre numa altura em que a guerra no Irão mantém a inflação bem acima do pretendido, num nível que parece destinado a permanecer assim durante algum tempo”, destaca o responsável do Ebury, reforçando que “os mercados obrigacionistas europeus estão também sob pressão, com o spread franco-alemão no nível mais elevado desde 2011”.
As últimas semanas têm sido marcadas pela escalada das taxas de juro da dívida soberana, com as yields francesas a baterem máximos de várias décadas devido aos receios dos investidores em torno das contas públicas do país, deixando o BCE em prontidão.
Por outro lado, a guerra no Irão e o impacto nos preços da energia continuam a pressionar os preços na região, forçando o banco central a continuar a mexer nos juros para conter a subida da inflação.
Atualmente, os mercados estão a descontar mais três mexidas nas taxas até ao final do próximo ano, antecipando que o BCE aumente o juro dos depósitos para 3,25%, um nível que poderá restringir o crescimento económico na região.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, pediu hoje para cessar funções em 07 de fevereiro, anunciou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que indicou que vai iniciar o processo de sucessão imediatamente.
“Fui informado por Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), da sua intenção de deixar o cargo no dia 07 de fevereiro de 2027. Respeito a sua decisão”, anunciou António Costa numa publicação nas redes sociais.
Christine Lagarde é presidente do Banco Central Europeu desde novembro de 2019.
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O presidente do Conselho Europeu anunciou nas redes sociais a saída de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu. António Costa diz que a francesa lhe comunicou a intenção de deixar o cargo a 7 de fevereiro - dentro de três meses - o que faz iniciar já o processo para a escolha do sucessor

O presidente do Conselho Europeu anunciou nas redes sociais a saída de Christine Lagarde da presidência do Banco Central Europeu. António Costa diz que a francesa lhe comunicou a intenção de deixar o cargo a 7 de fevereiro - dentro de três meses - o que faz iniciar já o processo para a escolha do sucessor

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Agora é oficial. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, vai abandonar o cargo no próximo dia 7 de fevereiro. O Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, já foram informados da saída da líder da instituição, que acontece antes do banco central anunciar a sua decisão sobre as taxas de juro na região e que surge após meses de especulação que apontavam a francesa para o Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Processo de nomeação de um sucessor arranca já esta quinta-feira: “decorrerá sem demora”.
“A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o cargo a 7 de fevereiro de 2027“, diz um comunicado publicado no site do BCE.
A ainda presidente do BCE publicou entretanto um vídeo na rede social X, onde deixa uma mensagem de despedida e agradecimento, afirmando que “tem sido um motivo de grande orgulho servir” a instituição. “Deixo esta instituição com a sensação de ter realizado um bom trabalho e de deixar um BCE preparado para o futuro“, realça Lagarde na sua mensagem final no vídeo que acompanha a publicação.
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O presidente do Conselho Europeu já reagiu à saída de Lagarde, numa declaração na qual agradece a dedicação da presidente do BCE desde que assumiu o cargo, em novembro de 2019. “Fui informado por Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, da sua intenção de deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027. Registo, com respeito, a sua decisão”, diz António Costa, citado num comunicado no site do Conselho Europeu.
Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do BCE. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade (…) Perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro.
“Gostaria de agradecer a Christine Lagarde pela dedicação demonstrada enquanto presidente do Banco Central Europeu (BCE), cargo que ocupa desde novembro de 2019. Ao longo do seu mandato, liderou a instituição com um forte sentido de dever e responsabilidade“, refere o presidente do Conselho Europeu, destacando que “a Europa beneficiou da sua liderança em tempos de incerteza e do seu compromisso inabalável com o projeto europeu”.
O antigo primeiro-ministro lembrou ainda que “perante uma pandemia mundial, uma guerra na Europa, crises energéticas e choques inflacionistas, assegurou uma liderança firme e determinada, contribuindo para salvaguardar a estabilidade e a resiliência da área do euro”.
António Costa acrescenta que, “para garantir uma transição tranquila para a próxima liderança do BCE, o processo de nomeação do sucessor será iniciado hoje e decorrerá sem demora, com vista a uma decisão atempada do Conselho Europeu, reunido na sua composição relativa à área do euro”.
A saída de Lagarde era avançada há vários meses. Com eleições em França marcadas para abril, os governos da Zona Euro querem alcançar um acordo para a sucessão no BCE antes do evento eleitoral, com a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, a surgir como favorita para suceder ao Presidente Emmanuel Macron.
Já há cerca de duas semanas foi avançado que o Fórum Económico Mundial poderia indicar já no dia 2 de novembro Lagarde para a instituição, o que poderá ter levado a presidente do BCE a comunicar esta quinta-feira a sua saída do banco central.
A iminente remodelação surge num período de grande volatilidade nos mercados globais de obrigações, com França a enfrentar uma crise que ameaça alastrar-se, isto numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a entrar no nono mês e continua a agravar os custos da dívida pública europeia e a intensificar as preocupações com as pressões orçamentais em toda a União Europeia.
Os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot. Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, poderá surgir como o candidato alemão.
Christine Lagarde estará esta quinta-feira a falar aos jornalistas na habitual conferência de imprensa após o comunicado, no qual deverá manter as taxas de juro inalteradas.
(Notícia atualizada às 10h58)