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Shortlist: automóveis, joalharia, vinho e outras experiências para esta semana

29 October 2026 at 19:04

A Shortlist desta semana cruza automóveis, arte, joalharia e música com propostas de gastronomia, hotelaria e perfumaria. O regresso a Itália da Dino Berlinetta Speciale, após 61 anos, abre um percurso que termina no V&A, entre os figurinos de Freddie Mercury.

1. The Macallan abre o primeiro ‘lar espiritual’ em Portugal

O Bar The Macallan na Boutique Torres Joalheiros

A The Macallan vai passar a ter um ‘lar espiritual’ em Lisboa, isto é, um espaço numa capital ou destino de luxo considerado pela marca como sua experiência mais completa. Em Portugal, esse local está integrado na Boutique Torres Joalheiros, na Avenida da Liberdade, o que também é uma novidade para a marca escocesa, e estará aberto a clientes das duas marcas e a visitantes. Segundo a Empor Spirits, representante do whisky em Portugal, aqui podem ser encontradas referências especiais e futuras edições limitadas. Está também previsto um serviço de Fine Whisky Concierge, dirigido a clientes selecionados na aquisição de referências Prestige, que poderá contemplar entregas, apresentações e provas privadas e personalizadas.

2. Audemars Piguet leva a geometria do Royal Oak para a joalharia

Joias Royal Oak da Audemars Piguet

A luneta octogonal e a bracelete integrada fazem do Royal Oak um dos modelos mais reconhecíveis da Audemars Piguet, desde 1972. A nova coleção Royal Oak Joaillerie, desenvolvida pela maison e co-desenhada por Nathalie Barzilay, transpõe essas linhas para colares e braceletes em ouro, diamantes e pedras preciosas. A coleção reúne duas criações de alta joalharia e peças em frosted gold, uma das assinaturas da marca. A textura granulada e luminosa do ouro é uma técnica desenvolvida em 2016 com a designer Carolina Bucci, por ocasião dos 40 anos do Royal Oak feminino, e é aplicada em peças de ouro branco, amarelo e rosa. A iniciativa prolonga a história do modelo no universo feminino, iniciada em 1976, quando Jacqueline Dimier redesenhou as suas proporções. Segundo Ilaria Resta, presidente executiva da Audemars Piguet, a joalharia permite à Maison revisitar os seus códigos estéticos e explorar novas formas de criação, em paralelo com a relojoaria.

3. O Ofício estreia uma série de jantares que cruza cozinha e vinho

Maurício Varela

O Ofício, no Chiado, inaugura a 28 de outubro o Wine + Dine Series, um ciclo de jantares mensais que reúne o anfitrião Maurício Varela, um chef convidado e um produtor de vinhos. A iniciativa prolonga a assinatura do restaurante, Wine & Dining Room, e decorre até março de 2027, com a proposta de aproximar cozinha e vinho num ambiente informal. A primeira noite junta Marcelo Rodrigues, à frente da cozinha do restaurante londrino Primeur, e Pedro Marques, produtor do Vale da Capucha, projeto familiar em Torres Vedras. Os dois chefs criam um menu a quatro mãos, com referências portuguesas, francesas e japonesas, entre pratos crus, grelhados e de conforto. Servido à la carte, será acompanhado por vinhos do Vale da Capucha apresentados pelo próprio produtor. O calendário inclui Gareth Storey e Filippo Pozzi, do Atlas Land, a 25 de novembro, Fagner Buzinhani, do Go Juu, e Nuno Mira do Ó, dos vinhos Druida, a 8 de dezembro, e, já em 2027, Alessandra Borsatto, do Flamma, e Anna Jørgensen, do Cortes de Cima, a 13 de janeiro.

4. Os vinhos da Cooperativa do Pico chegam ao Taste & Toast Fest

Vinho da Cooperativa do Pico

A Cooperativa da Ilha do Pico participa na terceira edição do Taste & Toast Fest, a 6 de novembro, no The Yeatman, em Vila Nova de Gaia. O encontro reúne chefs e produtores de vinho em várias estações de degustação, dedicadas aos sabores de outono e à gastronomia portuguesa. A cooperativa açoriana apresenta três vinhos da colheita de 2023: Arinto dos Açores, Verdelho e Rola Pipa, lote das duas castas. Os vinhos refletem as condições da viticultura do Pico, onde as vinhas crescem em solos de origem vulcânica, sob influência do Atlântico. Com Ricardo Costa como anfitrião, o festival conta, entre outros, com Dieter Koschina, do Vila Joya, Pepe Vieira, Pedro Lemos e Paulo Morais, do Kanazawa. A pastelaria fica a cargo de Francisco Siopa, executive pastry chef do Penha Longa Resort, em Sintra.

5. Hotéis portugueses entre os vencedores dos World Luxury Awards

Palácio do Governador, em LisboaPalácio do Governador

Os World Luxury Awards 2026 distinguiram hotéis portugueses em várias categorias, do turismo de negócios à hotelaria de praia e ao bem-estar. Entre os premiados estão unidades em Lisboa, no Porto, em Sesimbra e no Algarve, com propostas que vão dos hotéis urbanos aos resorts. A Highgate Portugal somou 19 prémios, dos quais 14 foram atribuídos a seis hotéis. No Algarve, o Algarve Marriott Salgados Golf Resort & Spa recebeu distinções nas áreas de conferências e eventos, MICE e centro de conferências; o Marriott Residences Salgados Resort foi reconhecido pelos apartamentos com serviços, residências e oferta para famílias; e o The Westin Salgados Beach Resort venceu em wellness, bem-estar e hotelaria de praia.

No Porto, o Hilton Porto Gaia foi distinguido nas categorias de hotel de negócios, conferências e eventos e MICE. Em Lisboa, o Palácio do Governador – Lisbon Hotel & Spa recebeu o prémio de melhor hotel boutique de design de luxo no sul da Europa, enquanto o Sesimbra Oceanfront Hotel foi distinguido como melhor hotel de luxo em frente ao mar no sul da Europa.

O Lisbon Chiado Hotel & Spa recebeu duas distinções: melhor novo hotel de luxo em Portugal e melhor hotel urbano de luxo no sul da Europa. Inaugurado em 2025, o hotel resulta da reabilitação de dois edifícios em frente ao Teatro da Trindade, num investimento superior a 20 milhões de euros, segundo a Coporgest.

6. Sézane estreia-se na perfumaria

Perfume de Sézane

A Sézane acaba de lançar o seu primeiro perfume, criado em colaboração com a perfumista Sidonie Lancesseur. A fragrância combina notas frutadas e amadeiradas, numa composição que assinala a entrada da marca francesa no universo da perfumaria. Segundo a marca, o perfume é marcada pelo aroma de pera, madeira de caxemira e sândalo.

7. O V&A mostra os figurinos que construíram a imagem de Freddie Mercury

O Victoria and Albert Museum, em Londres, assinala o que seria o 80º aniversário de Freddie Mercury com a exposição Freddie Mercury – Splendid Things, um percurso por oito figurinos e peças de roupa usados pelo músico, que pode ser vista até 17 de janeiro de 2027. Entre as peças em destaque estão o fato Mercury Wing, criado por Wendy de Smet e usado na digressão de A Night at the Opera, e a capa e a coroa concebidas por Diana Moseley para a Magic Tour, em 1986. O percurso inclui ainda o figurino do vídeo de Made in Heaven e quimonos do guarda-roupa pessoal do artista. Sete dos oito looks foram emprestados por Mary Austin, amiga próxima de Mercury.

O projeto, desenvolvido com a própria Mary Austin, propõe olhar para a roupa como parte essencial da construção da persona de Freddy Mercury em palco. E”le não estava apenas a vestir roupa; estava a criar uma imagem à escala do espaço e da vastidão do público”, recorda Austin, citada pelo museu. Cada conjunto é apresentado em diálogo com as coleções e a arquitetura do V&A, em instalações concebidas pelo cenógrafo Tom Piper.

8. Dino Berlinetta Speciale regressa a Itália após 61 anos

A Dino Berlinetta Speciale, um dos automóveis mais emblemáticos desenhados por Aldo Brovarone, regressa a Itália pela primeira vez em 61 anos. Apresentada no Salão Automóvel de Paris em 1965, a peça é o destaque de La matita di Pininfarina, exposição que assinala o centenário do nascimento do designer no Museu Nacional do Automóvel de Turim. Com curadoria de Maria Paola Stola, a exposição abriu a 7 de outubro e percorre a carreira de Brovarone no Centro de Estilo Pininfarina, onde trabalhou entre 1953 e 1988. Reúne desenhos do arquivo da empresa, cartazes, fotografias e automóveis que ajudam a compreender a evolução da sua obra.

As escolhas da Shortlist são editorialmente selecionadas pelo ECO Avenida.

Hermès e Louis Vuitton lideram ranking das marcas de luxo mais valiosas

29 October 2026 at 06:38

A Hermès é a marca de luxo mais valiosa do mercado, segundo a edição de 2026 da Interbrand, conhecida esta quarta-feira. A marca das Birkin e Kelly é seguida de perto por outra insígnia francesa, a Louis Vuitton. Nos automóveis, Mercedes-Benz e BMW mantêm os valores mais elevados, apesar de terem recuado no ranking.

A Hermès lidera a seleção de marcas de luxo que constam do Best Global Brands 2026, com um valor de marca de 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros). A Louis Vuitton surge logo depois, com 45,1 mil milhões (40,5 mil milhões de euros). Esta é uma lista dentro da lista, selecionando marcas de moda, joias, carros e outras que têm sido tradicionalmente associadas ao segmento alto e a high-net-worth individuals (HNWI).

Hermès reforça o seu valor, mas a Louis Vuitton caiu

A comparação com os dados de 2025 permite perceber que a Hermès fortaleceu a sua liderança entre as marcas de luxo. O seu valor subiu 10,6%, de 40,9 mil milhões de dólares (36,7 mil milhões de euros) para 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros), e passou do 21.º para o 15.º lugar no ranking global. Outra marca que cresceu foi a Chanel: vale mais 8,1%, atingindo 32,9 mil milhões de dólares (29,6 mil milhões de euros). Mantém-se na 24.ª posição.

Notícias menos boas para a Louis Vuitton, apesar de continuar entre as duas marcas mais valiosas do mercado. Perdeu 6,9% do valor, para 45,1 mil milhões de dólares (40,5 mil milhões de euros), e caiu da 12.ª para a 16.ª posição.

Mas a maior queda, em linha com os resultados financeiros, é da Gucci, detida pelo grupo Kering. A marca perdeu 30,7% do valor, para 8,1 mil milhões de dólares (7,3 mil milhões de euros) em 2026, descendo do 69.º para o 93.º lugar. A Prada perdeu 15,1%, para 7,6 mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros), e recuou dez posições, para 96.ª.

Nos carros, a Ferrari, que este ano apresentou o seu primeiro veículo elétrico, valorizou 14,7%, para 17,7 mil milhões de dólares (15,9 mil milhões de euros), e subiu três lugares no ranking, estando agora na 51.ª posição.

Segundo a Interbrand, a Ferrari alargou a sua presença para lá do automóvel, entrando na moda, nos museus e em parcerias estratégicas, sem perder a identidade que a distingue e foi isso que a fez crescer. Aliás, a plataforma frisa que este é o quinto ano consecutivo em que a Ferrari sobe no ranking.

O relatório apresenta-a como exemplo de uma marca de luxo que ampliou o seu universo “sem perder de vista aquilo que a torna inconfundivelmente Ferrari”, diz o documento. “A sua marca não é apenas uma expressão do que vende, é a base que lhe permite expandir-se”.

A marca italiana foi das que mais cresceu e obtém um resultado em contraciclo com outras marcas de luxo ou premium do setor automóvel em que a perda de valor foi regra e há até uma saída:

  • A Mercedes-Benz caiu 18,6%, para 40,8 mil milhões de dólares (36,6 mil milhões de euros), descendo do 10.º para o 20.º lugar.
  • A BMW recuou 17,9%, para 38,4 mil milhões de dólares (34,5 mil milhões de euros), e passou da 14.ª para a 22.ª posição.
  • Audi e Porsche perderam, respetivamente, 19,5% e 17,5%. Ambas estão avaliadas em 12,4 mil milhões de dólares (11,1 mil milhões de euros). Ocupam a 65.ª e a 66.ª posições, respetivamente.
  • A Range Rover, que ocupava o 97.º lugar em 2025, deixou de constar do Top 100 em 2026.

A Hermès, avaliada em 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros) tem conseguido, segundo a Interbrand, é destacada pela forma como protege a sua promessa de marca em vez de procurar aumentar o volume. Nesse aspeto, dizem, a comparação é com a Ferrari. “Os artesãos da Hermès continuam a manufaturar malas de assinatura como faziam nos inícios, em 1837. Ambas protegem a promessa, não o volume”.

A Gucci é o contrário. “A Hermès muda de diretores criativos sem deixar de ser o que é. A Gucci muda com cada um deles. Uma constituição permite a uma casa acolher uma nova voz sem se tornar uma casa diferente”, refere o documento, lembrando o êxito de Alessandro Michele, assentes em colaborações inesperadas e em escutar novas gerações, e os maus resultados que se lhe seguiram.

Luxo fica fora do top 10

Apesar de valiosas, as marcas de luxo não figuram no ranking geral das dez mais valiosas, um top que é liderado pela Apple, avaliada em 514,6 mil milhões de dólares, seguida pela Microsoft e pela Google. A Hermès, a marca de luxo mais bem classificada, surge apenas em 15.º lugar. E a mais bem classificada nos carros, a Mercedes-Benz está na 20.ª posição.

Por regiões do mundo, das 100 marcas mais valiosas, 51 são norte-americanas, 35 europeias (incluindo a Accenture, que é de origem norte-americana mas tem sede legal na Irlanda), 13 asiáticas e uma latino-americana, a Corona. Entre as asiáticas, sete são japonesas. Não há marcas de África, da Austrália ou do Médio Oriente. Não há nenhuma marca portuguesa.

A América do Norte é, de longe, a região mais valiosa: as suas 51 marcas somam cerca de 2,57 biliões de euros, aproximadamente 74% do valor total das 100 marcas.

As marcas mais valiosas, distribuídas geograficamente

O ranking global vale, no total, 3,866 biliões de dólares, mais 8,1% do que na edição anterior. A Interbrand assinala que as marcas tecnológicas representam metade do top 10 e que as nove marcas do setor presentes no ranking concentram 48% do seu valor total.

As 100 marcas mais valiosas em 2026, segundo a Interbrand

Como é elaborado o ranking

A Interbrand, uma consultora internacional que faz parte do grupo Omnicom e é especializada em marcas e na definição de estratégia, identidade e experiência de marca e o seu impacto, calcula o valor de cada marca através de três componentes: desempenho financeiro, influência da marca nas decisões de compra e força da marca. A análise financeira estima o lucro operacional após impostos e deduz o custo do capital utilizado para gerar receitas e margens. O papel da marca mede quanto a escolha do consumidor é influenciada pela marca, em vez de fatores como o preço, a conveniência ou as características do produto.

A força da marca avalia a sua capacidade para gerar fidelidade, procura e lucros sustentáveis no futuro. A Interbrand analisa dez fatores, comparando cada marca com as concorrentes do seu setor e com marcas de referência internacionais.

Para entrar no Top 100, uma marca tem de obter uma parte significativa das receitas fora do mercado de origem, ter presença global e penetração em mercados emergentes, disponibilizar dados financeiros públicos suficientes, apresentar perspetivas de lucro económico positivo no longo prazo, ter notoriedade nos principais mercados e alcançar uma pontuação de força da marca igual ou superior a 50.

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