Hermès e Louis Vuitton lideram ranking das marcas de luxo mais valiosas
A Hermès é a marca de luxo mais valiosa do mercado, segundo a edição de 2026 da Interbrand, conhecida esta quarta-feira. A marca das Birkin e Kelly é seguida de perto por outra insígnia francesa, a Louis Vuitton. Nos automóveis, Mercedes-Benz e BMW mantêm os valores mais elevados, apesar de terem recuado no ranking.
A Hermès lidera a seleção de marcas de luxo que constam do Best Global Brands 2026, com um valor de marca de 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros). A Louis Vuitton surge logo depois, com 45,1 mil milhões (40,5 mil milhões de euros). Esta é uma lista dentro da lista, selecionando marcas de moda, joias, carros e outras que têm sido tradicionalmente associadas ao segmento alto e a high-net-worth individuals (HNWI).
Hermès reforça o seu valor, mas a Louis Vuitton caiu
A comparação com os dados de 2025 permite perceber que a Hermès fortaleceu a sua liderança entre as marcas de luxo. O seu valor subiu 10,6%, de 40,9 mil milhões de dólares (36,7 mil milhões de euros) para 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros), e passou do 21.º para o 15.º lugar no ranking global. Outra marca que cresceu foi a Chanel: vale mais 8,1%, atingindo 32,9 mil milhões de dólares (29,6 mil milhões de euros). Mantém-se na 24.ª posição.
Notícias menos boas para a Louis Vuitton, apesar de continuar entre as duas marcas mais valiosas do mercado. Perdeu 6,9% do valor, para 45,1 mil milhões de dólares (40,5 mil milhões de euros), e caiu da 12.ª para a 16.ª posição.
Mas a maior queda, em linha com os resultados financeiros, é da Gucci, detida pelo grupo Kering. A marca perdeu 30,7% do valor, para 8,1 mil milhões de dólares (7,3 mil milhões de euros) em 2026, descendo do 69.º para o 93.º lugar. A Prada perdeu 15,1%, para 7,6 mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros), e recuou dez posições, para 96.ª.
Nos carros, a Ferrari, que este ano apresentou o seu primeiro veículo elétrico, valorizou 14,7%, para 17,7 mil milhões de dólares (15,9 mil milhões de euros), e subiu três lugares no ranking, estando agora na 51.ª posição.
Segundo a Interbrand, a Ferrari alargou a sua presença para lá do automóvel, entrando na moda, nos museus e em parcerias estratégicas, sem perder a identidade que a distingue e foi isso que a fez crescer. Aliás, a plataforma frisa que este é o quinto ano consecutivo em que a Ferrari sobe no ranking.
O relatório apresenta-a como exemplo de uma marca de luxo que ampliou o seu universo “sem perder de vista aquilo que a torna inconfundivelmente Ferrari”, diz o documento. “A sua marca não é apenas uma expressão do que vende, é a base que lhe permite expandir-se”.
A marca italiana foi das que mais cresceu e obtém um resultado em contraciclo com outras marcas de luxo ou premium do setor automóvel em que a perda de valor foi regra e há até uma saída:
- A Mercedes-Benz caiu 18,6%, para 40,8 mil milhões de dólares (36,6 mil milhões de euros), descendo do 10.º para o 20.º lugar.
- A BMW recuou 17,9%, para 38,4 mil milhões de dólares (34,5 mil milhões de euros), e passou da 14.ª para a 22.ª posição.
- Audi e Porsche perderam, respetivamente, 19,5% e 17,5%. Ambas estão avaliadas em 12,4 mil milhões de dólares (11,1 mil milhões de euros). Ocupam a 65.ª e a 66.ª posições, respetivamente.
- A Range Rover, que ocupava o 97.º lugar em 2025, deixou de constar do Top 100 em 2026.
A Hermès, avaliada em 45,2 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros) tem conseguido, segundo a Interbrand, é destacada pela forma como protege a sua promessa de marca em vez de procurar aumentar o volume. Nesse aspeto, dizem, a comparação é com a Ferrari. “Os artesãos da Hermès continuam a manufaturar malas de assinatura como faziam nos inícios, em 1837. Ambas protegem a promessa, não o volume”.
A Gucci é o contrário. “A Hermès muda de diretores criativos sem deixar de ser o que é. A Gucci muda com cada um deles. Uma constituição permite a uma casa acolher uma nova voz sem se tornar uma casa diferente”, refere o documento, lembrando o êxito de Alessandro Michele, assentes em colaborações inesperadas e em escutar novas gerações, e os maus resultados que se lhe seguiram.
Luxo fica fora do top 10
Apesar de valiosas, as marcas de luxo não figuram no ranking geral das dez mais valiosas, um top que é liderado pela Apple, avaliada em 514,6 mil milhões de dólares, seguida pela Microsoft e pela Google. A Hermès, a marca de luxo mais bem classificada, surge apenas em 15.º lugar. E a mais bem classificada nos carros, a Mercedes-Benz está na 20.ª posição.
Por regiões do mundo, das 100 marcas mais valiosas, 51 são norte-americanas, 35 europeias (incluindo a Accenture, que é de origem norte-americana mas tem sede legal na Irlanda), 13 asiáticas e uma latino-americana, a Corona. Entre as asiáticas, sete são japonesas. Não há marcas de África, da Austrália ou do Médio Oriente. Não há nenhuma marca portuguesa.
A América do Norte é, de longe, a região mais valiosa: as suas 51 marcas somam cerca de 2,57 biliões de euros, aproximadamente 74% do valor total das 100 marcas.

O ranking global vale, no total, 3,866 biliões de dólares, mais 8,1% do que na edição anterior. A Interbrand assinala que as marcas tecnológicas representam metade do top 10 e que as nove marcas do setor presentes no ranking concentram 48% do seu valor total.

Como é elaborado o ranking
A Interbrand, uma consultora internacional que faz parte do grupo Omnicom e é especializada em marcas e na definição de estratégia, identidade e experiência de marca e o seu impacto, calcula o valor de cada marca através de três componentes: desempenho financeiro, influência da marca nas decisões de compra e força da marca. A análise financeira estima o lucro operacional após impostos e deduz o custo do capital utilizado para gerar receitas e margens. O papel da marca mede quanto a escolha do consumidor é influenciada pela marca, em vez de fatores como o preço, a conveniência ou as características do produto.
A força da marca avalia a sua capacidade para gerar fidelidade, procura e lucros sustentáveis no futuro. A Interbrand analisa dez fatores, comparando cada marca com as concorrentes do seu setor e com marcas de referência internacionais.
Para entrar no Top 100, uma marca tem de obter uma parte significativa das receitas fora do mercado de origem, ter presença global e penetração em mercados emergentes, disponibilizar dados financeiros públicos suficientes, apresentar perspetivas de lucro económico positivo no longo prazo, ter notoriedade nos principais mercados e alcançar uma pontuação de força da marca igual ou superior a 50.