❌

Normal view

Ucraniana Fire Point consegue contornar limitações da Starlink para manter ataques à Rússia

30 October 2026 at 18:45

A fabricante ucraniana de armamento Fire Point desenvolveu sistemas capazes de concluir missões de ataque de longo alcance sem depender de uma ligação à Starlink, procurando reduzir a vulnerabilidade das operações militares às restrições impostas pela empresa de Elon Musk. A empresa está também a desenvolver capacidades próprias de ataque com mísseis balísticos.

“Os sistemas da Fire Point foram concebidos para terminar uma missão sem ligação por satélite”, afirmou a presidente executiva da empresa, Iryna Terekh, em entrevista à Reuters, explicando que a navegação sem recurso a sinais externos é uma prioridade para a empresa.

Apesar de ter conseguido ultrapassar tecnologicamente o problema, Terekh admite que a capacidade alternativa ainda é limitada. “Encontrámos uma forma de superar este desafio tecnologicamente, mas isto representa provavelmente apenas 15% a 20% daquilo que poderíamos fazer se a Starlink estivesse a funcionar sobre a Rússia”, esclareceu a responsável, à agência de notícias.

A questão da ligação por satélite ganhou relevância depois de a Ucrânia ter enfrentado limitações na utilização dos serviços da SpaceX. As forças ucranianas dependem fortemente da rede Starlink para assegurar comunicações por satélite no território do país, tendo Kiev pedido à empresa que alargasse a cobertura sobre a Rússia.

O presidente executivo da SpaceX, Elon Musk, acusou as forças ucranianas de violarem os termos de utilização da rede civil Starlink, ao recorrerem ao serviço para operações militares ofensivas. Kiev rejeitou essa acusação, afirmando que utiliza apenas a versão militarizada Starshield nessas missões.

Para a CEO da empresa ucraniana, o problema vai além da capacidade tecnológica e coloca em causa a previsibilidade do apoio norte-americano. “O que queremos é uma aliança com os Estados Unidos em que as regras sejam conhecidas antecipadamente, para que a questão de saber se temos autorização para nos defendermos não seja reaberta de poucas em poucas semanas, dependendo do estado de espírito de alguém”, afirmou.

Novo míssil balístico pode reforçar defesa

A Fire Point está também a desenvolver capacidades próprias de ataque com mísseis balísticos. A empresa anunciou este mês a primeira utilização em combate do FP-7, um míssil tático com um alcance de aproximadamente 300 quilómetros, que poderá ser utilizado contra lançadores russos de mísseis balísticos Iskander.

“O nosso novo míssil FP-7 poderá, entre outras coisas, ser um complemento valioso ao arsenal de armas que ajudam a proteger as nossas cidades”, afirmou Iryna Terekh à Reuters, considerando que a utilização deste armamento poderá ser mais económica do que recorrer a intercetores norte-americanos Patriot para determinadas missões.

A responsável sublinhou ainda a importância de a Ucrânia desenvolver os seus próprios sistemas de armamento, sem depender de autorizações externas para os utilizar. Com o FP-7, Kiev passa a integrar um grupo restrito de nações com capacidade para desenvolver mísseis balísticos próprios, sem que um país estrangeiro disponha de um mecanismo para os desativar remotamente.

A Fire Point está igualmente a trabalhar no FP-9, um míssil balístico com um alcance previsto de 800 quilómetros. Segundo a presidente executiva da empresa, o desenvolvimento e os testes são mais complexos devido à maior distância que o sistema terá de percorrer, mas o armamento está “muito perto” de ficar pronto para utilização em combate, ainda durante este ano.

GMV lidera projeto europeu de vigilância espacial com participação portuguesa

30 October 2026 at 18:33

A tecnológica GMV vai liderar um projeto europeu destinado a reforçar a vigilância e a segurança no espaço, com as equipas portuguesas a assumir responsabilidades na componente de cibersegurança. O projeto ARGUS prevê desenvolver uma constelação de até cinco pequenos satélites capazes de detetar interferências nas radiofrequências, identificar emissores e acompanhar objetos e detritos em órbita, contribuindo para a autonomia espacial europeia.

O contrato foi atribuído à GMV pela Agência Espacial Europeia (ESA) no final de setembro, no âmbito do programa europeu “EU Secure Connectivity”, para consolidar atividades pré-operacionais e reduzir riscos associados à futura implementação de serviços governamentais em órbita terrestre baixa. A iniciativa está ligada ao IRIS 2, a futura rede europeia de conectividade espacial segura e resiliente.

“O contrato assinado com a ESA corresponde à fase de consolidação do programa IRIS 2 Low-LEO [órbita terrestre baixa], centrada na definição das soluções tecnológicas e na redução de riscos. Esta fase deverá abrir caminho ao desenvolvimento e à operação do sistema. Só nessa altura, ultrapassadas as atuais incertezas, será possível definir a dimensão concreta da missão e falar de valores de investimento mais significativos”, afirmou fonte oficial da GMV ao ECO/eRadar, quando questionada sobre o valor do investimento.

As equipas da GMV em Portugal serão responsáveis pela estratégia de acreditação e pela capacidade de gerar e gerir Informação Classificada da União Europeia (EUCI), contando com a participação da espanhola Alén Space, empresa que integra o grupo.

“É a confirmação do reconhecimento das competências das equipas da GMV na área da consciência do domínio espacial, um domínio essencial, cada vez mais disputado e sujeito a ameaças e ataques”, assinala João Branco, diretor de Sistemas Espaciais da GMV em Portugal, citado em comunicado.

O responsável destaca ainda que a ESA decidiu ativar opções do contrato, atribuindo à empresa não só tarefas relacionadas com a estratégia de acreditação de segurança, mas também responsabilidades na gestão de informação classificada europeia.

Cinco satélites para detetar interferências e objetos em órbita

O conceito de missão ARGUS prevê uma constelação de até cinco satélites pequenos do tipo CubeSat 16U, equipados com sensores para monitorizar o espetro de radiofrequências e sistemas óticos para observar o ambiente orbital.

Os equipamentos de radiofrequência permitirão detetar e caracterizar interferências nas comunicações, incluindo através da geolocalização de emissores terrestres e da identificação de emissores em órbita. Em paralelo, os sensores óticos deverão permitir detetar e acompanhar satélites, outros objetos espaciais e detritos orbitais.

A combinação destas duas capacidades pretende melhorar a consciência do domínio espacial (Space Domain Awareness), permitindo identificar ameaças e proteger as próprias infraestruturas espaciais europeias.

Uma das características do ARGUS será a sua arquitetura distribuída: os dados recolhidos pelos diferentes satélites serão combinados e processados em terra, através de técnicas de fusão de informação, para gerar dados com maior utilidade operacional. O sistema foi também concebido para integrar sensores adicionais e outras fontes externas de informação, permitindo alargar progressivamente as suas capacidades.

Bruxelas dá novo passo para apoiar Ucrânia com 45 mil milhões em 2027

30 October 2026 at 15:51

A Comissão Europeia propôs disponibilizar à Ucrânia mais 45 mil milhões de euros em 2027, dos quais a maior fatia, 31,7 mil milhões, será destinada ao reforço da capacidade industrial de defesa do país. Os restantes 13,3 mil milhões servirão para apoiar o orçamento ucraniano e assegurar o funcionamento dos serviços públicos essenciais.

“Estamos a dar à Ucrânia a previsibilidade de que tanto precisa e a ajudar a manter os serviços públicos essenciais. Reforçar o apoio à Ucrânia é uma prioridade máxima na agenda em Montreal. Juntamente com os nossos aliados, devemos também fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para aumentar a pressão sobre a Rússia, de modo a fazer cessar a sua bárbara guerra de agressão”, assinala a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada em comunicado.

A proposta, apresentada esta sexta-feira, integra a execução do empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros destinado a financiar as necessidades da Ucrânia em 2026 e 2027. Bruxelas pretende, assim, avançar com a segunda parcela do financiamento, submetendo a proposta ao Conselho da União Europeia (UE), onde os Estados-membros terão de decidir sobre a disponibilização dos fundos para o próximo ano.

Dos 45 mil milhões de euros previstos para o próximo ano, 31,7 mil milhões serão destinados à capacidade industrial de defesa ucraniana. O objetivo passa por reforçar a capacidade do país para produzir e adquirir equipamento militar, num contexto em que continua a enfrentar a invasão russa e a necessidade de sustentar o esforço de guerra.

Os restantes 13,3 mil milhões serão canalizados para apoio orçamental, repartidos em partes iguais entre o mecanismo “Ukraine Facility” e a assistência macrofinanceira da UE. Cada instrumento deverá disponibilizar até 6,65 mil milhões de euros.

No início deste mês, Bruxelas e Kiev afirmaram num comunicado conjunto que acordaram avançar com a atribuição de 45 mil milhões de euros através do Empréstimo de Apoio à Ucrânia para 2027, acrescentando que serão realizadas reuniões mensais para coordenar os esforços de apoio financeiro e de Defesa do país sob invasão russa

Desde o começo da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022, o bloco europeu já disponibilizou um total de 231,6 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia. Desse montante, 3,8 mil milhões correspondem a receitas provenientes de ativos russos imobilizados.

❌