Empresa que quer explorar lítio em Trás-os-Montes retira máquina de baldio: “É uma vitória”
Os populares que se opõem à exploração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, aplaudiram hoje a retirada da máquina de perfuração de um terreno baldio, pela Savannah, considerando que se trata de “uma vitória” para esta luta.
“É uma vitória para a nossa luta. E é uma alegria vermos uma máquina daquelas, que não tem outro objetivo que não destruir o baldio, a ir-se embora”, afirma citada em comunicado, Aida Fernandes, presidente do baldio de Covas do Barroso.
Durante três dias, entre terça e quinta-feira, populares juntaram-se junto a um local de prospeção, em terreno baldio inserido na servidão administrativa concedida à Savannah em maio, com o objetivo de bloquear os trabalhos da empresa.
Durante estes dias a concessionária da mina insistiu que “não estavam previstas intervenções no local dos protestos” e, ao final da tarde de quinta-feira, anunciou que concluiu os trabalhos geotécnicos no bloco este do projeto lítio do Barroso, numa área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.
A empresa referiu que o programa se encontra concluído naquela área, que as operações prosseguiram noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido e repetiu que a sua atuação, no local, ocorreu ao abrigo da servidão administrativa concedida pela Estado português.
Segundo o comunicado divulgado hoje pela associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), a empresa retirou a máquina de perfuração do baldio de Covas do Barroso por volta das 19:00 de quinta-feira.
“A empresa diz que não houve nenhum bloqueio, porque não havia trabalhos planeados. Alguém acredita nisto? De manhã, quando começávamos o bloqueio, víamos a carrinha dos trabalhadores a chegar ao local. Mas quando nos avistavam, iam-se embora. Se não tinham mais trabalhos planeados, porque é que demoraram três dias a retirar a máquina? É um discurso conveniente. Serve só para evitar alarme entre os investidores”, acrescenta Carlos Gonçalves, morador de Covas do Barroso.
O presidente da UDCB, Nélson Gomes, salienta, também citado no texto, que o “bloqueio mostra que a comunidade está disposta a fazer o necessário para travar este projeto”.
“A empresa não tem a maior parte dos terrenos que precisa para avançar com a mina, e ninguém aqui lhes vai facilitar a vida. Os investidores deste projeto andam iludidos. Tudo o que a empresa promete acaba por ser mais caro e demorado do que o prometido e tenho a certeza de que no final este projeto vai cair”, conclui.
Na quinta-feira, a Savannah disse ter comunicado ao mercado que concluiu “com sucesso” no início da semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico previstos para o bloco este do projeto.
A campanha durou cinco meses e envolveu 276 pontos de observação e mais de 180 poços de reconhecimento e, segundo a empresa, os trabalhos “representaram um investimento superior a 500 mil euros em serviços diretos na economia local”.
Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, que permitem medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, que forneceram dezenas de amostras destinadas a caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.
“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo”, disse na quinta-feira o diretor-executivo (CEO) da empresa, Emanuel Proença.
A contestação à mina é feita há oito anos e o projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.
O conteúdo Empresa que quer explorar lítio em Trás-os-Montes retira máquina de baldio: “É uma vitória” aparece primeiro em O MINHO.
