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Pedro Nuno Santos, o alegado salvador da TAP e a memória seletiva da política afinal, onde mora a verdade?

29 October 2026 at 20:34
DR

Meus caros leitores, hoje é muito fácil consultar informação. No passado, os documentos eram em papel e, por vezes, mudavam de gaveta. Agora, com a informação digitalizada, mais cedo ou mais tarde, muita coisa vem ao de cima, tal como o azeite.

Não ficaria de consciência tranquila se não desse a minha opinião sobre um artigo que li, escrito por um grande amigo, que elogiava Pedro Nuno Santos como o salvador da TAP. Respeito opiniões diferentes, pois essa é uma das riquezas da democracia. Mas resolvi pesquisar, porque a minha memória me dizia que nem tudo estava certo naquela análise.

Não pretendo ofender ninguém, muito menos o meu amigo. Quero apenas recordar factos e deixar uma pergunta, será que estamos a esquecer demasiado depressa as responsabilidades de quem nos governou?

Na política portuguesa, parece existir uma regra curiosa, quando as decisões correm mal, a culpa é de todos ou das circunstâncias, quando correm bem, o mérito pertence a um só. É por isso que Pedro Nuno Santos merece ser analisado sem ataques pessoais, mas também sem branqueamentos políticos.

A TAP, salvar a companhia não significa absolver quem a governou.

A história da TAP não começou com Pedro Nuno Santos. Em 2015, o Governo de Pedro Passos Coelho concluiu a privatização de 61% do capital, parcialmente revertida em 2016, já com António Costa. Em 2020, durante a pandemia, o Governo socialista avançou para a renacionalização, sob a tutela de Pedro Nuno Santos.

Já agora, a pandemia justificava uma intervenção pública? É uma questão discutível. Mas, em dezembro de 2021, foi anunciado um plano de reestruturação com cerca de 3,2 mil milhões de euros de auxílio público autorizado. Foram milhões de euros dos contribuintes.

É legítimo defender a importância estratégica da TAP para Portugal. O que também é legítimo é perguntar se o dinheiro foi bem aplicado e exigir responsabilidades pelas decisões tomadas.

O caso Alexandra Reis veio reforçar essas dúvidas. A Inspeção-Geral de Finanças considerou nulo o acordo de saída que envolvia uma compensação de 500 mil euros, com exceção das componentes relativas ao contrato de trabalho e à respetiva compensação. Pedro Nuno Santos acabou por se demitir em dezembro de 2022, na sequência da polémica.

A TAP pode ter sobrevivido a uma crise extraordinária. Mas isso não transforma automaticamente o responsável político num herói acima de qualquer crítica. Afinal, onde ficamos?

A habitação, uma crise que não nasceu ontem, meus amigos façam uma pesquisa sobre este assunto e vão ver a verdade.

A falta de casas resulta de vários fatores, entre eles a construção insuficiente ao longo dos anos, a escassez de oferta, a concentração da procura nas grandes cidades, o investimento imobiliário e as dificuldades de licenciamento. Os preços também não acompanharam os rendimentos de muitas famílias.

Os governos de António Costa tiveram anos para aumentar a oferta pública, facilitar a construção e criar condições para um mercado de arrendamento mais funcional. Em 2023, avançaram com o programa Mais Habitação, mas as medidas adotadas não resolveram o problema estrutural da falta de casas.

Não seria sério atribuir toda a responsabilidade a Pedro Nuno Santos ou a uma única lei. Mas também não é aceitável esquecer os anos de governação socialista quando avaliamos os resultados. A oposição de hoje não pode apagar as responsabilidades de ontem.

SNS e imigração, os problemas não desaparecem por decreto, e volto a pedir que façam uma pesquisa, vão perceber como se chegou a este caos que se vive.

No Serviço Nacional de Saúde, a falta de profissionais, as dificuldades de organização e os tempos de espera são problemas acumulados que exigem respostas concretas. Em 2023, cerca de 1,7 milhões de utentes não tinham médico de família, segundo os dados então divulgados pelo Conselho das Finanças Públicas.

Na imigração, a extinção do SEF foi aprovada em 2021, quem era o governo e o ministro???, com votos favoráveis do PS e do Bloco de Esquerda. A transição para a AIMA, em 2023, revelou graves dificuldades administrativas e operacionais.

Isto não significa que toda a imigração seja descontrolada. Significa, sim, que o Estado tem de ter capacidade para gerir processos, fronteiras e serviços públicos. Será que também já nos esquecemos de quem tomou estas decisões?

Meus amigos, a política não pode funcionar como um altar. Pedro Nuno Santos pode ter qualidades, pode ter defendido opções estratégicas legítimas e pode reivindicar méritos. O que não podemos aceitar é que seja apresentado como salvador sem recordar os custos, os erros e as decisões tomadas sob a sua responsabilidade.

O mesmo princípio se aplica a José Sócrates, António Costa ou qualquer outro dirigente. Não devemos condenar ninguém apenas por pertencer a um partido, mas também não podemos absolver governos por simpatia ideológica.

Portugal não precisa de santos políticos. Precisa de governantes que expliquem as suas decisões, assumam os seus erros e respondam pelos resultados.

Foi por isso que perdi algum do meu tempo a pesquisar. Não para atacar um amigo, nem para impor a minha ideologia, mas para recordar aos leitores que a memória política é fundamental. Podemos ter opiniões diferentes, mas não devemos confundir lealdade partidária com verdade.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

Quando trabalhar já não chega, quem deve assumir as responsabilidades?

23 October 2026 at 17:59

Meus caros leitores, vivemos tempos de desilusão com as políticas e as promessas de muitos governantes. Esta é a minha opinião, e não tenho de pedir desculpa a ninguém por pensar assim. Custa-me ver pessoas que contribuíram para determinados problemas aparecerem agora a apoiar protestos contra aquilo que ajudaram a criar. Custa-me ainda mais ver a política transformar-se, tantas vezes, numa corrida aos cargos, aos favores e aos tachos, em vez de ser um espaço de competência, responsabilidade e serviço ao cidadão.

Não preciso de aparecer nas páginas dos jornais, nem de procurar protagonismo, para dar a minha opinião. Sou feliz por poder dizer o que penso, sem andar atrás de cargos ou de ser o menino bonito de ninguém. Preocupa-me ver escolhas feitas por amizade, conveniência ou interesses que pouco têm a ver com a capacidade de quem é escolhido. Que exemplo estamos a deixar aos futuros governantes e líderes?

Meus caros amigos, o meu desabafo está feito. Mas há uma realidade que merece a nossa reflexão, em Portugal e um pouco por toda a Europa. Há uma pergunta que cada vez mais portugueses fazem, muitas vezes em silêncio, como é possível trabalhar, cumprir obrigações, pagar impostos e, mesmo assim, não conseguir comprar casa, pagar uma renda ou viver com alguma tranquilidade?

Não estamos a falar de luxos, férias no estrangeiro ou carros novos. Estamos a falar do essencial, ter um teto, constituir família e olhar para o futuro sem sentir que estamos permanentemente a lutar para chegar ao fim do mês.

Perante esta realidade, importa perguntar, chegámos aqui por acaso ou houve decisões políticas que contribuíram para esta situação?

Não acredito que tudo seja culpa de um único governo, nem que todos os problemas tenham origem na política nacional. Mas também não aceito que ninguém assuma responsabilidades. Os governos existem para tomar decisões, definir prioridades e resolver problemas. Devem, por isso, ser avaliados pelos resultados que deixam, e não apenas pelas promessas que fazem.

A crise da habitação não nasceu de um dia para o outro. Durante anos, diferentes governos tiveram oportunidades para agir. Os governos socialistas que estiveram no poder durante grande parte do período entre 2015 e 2024 não são responsáveis por tudo, mas também não podem ficar de fora deste balanço. Houve tempo para identificar problemas, corrigir políticas e criar condições para aumentar a oferta de habitação a preços acessíveis.

Quando se anunciam apoios, mas a construção continua insuficiente, podemos ajudar algumas famílias no imediato sem resolver o problema de fundo. Quando a burocracia, os impostos e a incerteza dificultam o investimento, quem procura uma casa a um preço razoável acaba por sentir as consequências.

Não defendo que o Estado abandone os mais vulneráveis, nem acredito que o mercado resolva tudo sozinho. Defendo, sim, que a solidariedade deve ser acompanhada de políticas eficazes, contas bem feitas e resultados concretos. Proteger as pessoas não pode servir de desculpa para adiar indefinidamente as reformas necessárias.

E há outra questão que não podemos ignorar, em Portugal, já vimos governos chegarem ao poder sem terem vencido as eleições, através de acordos parlamentares que juntaram forças políticas com visões muito diferentes. É legítimo questionar as consequências dessas escolhas e avaliar o que trouxeram ao país. Governar não é distribuir promessas para garantir votos; é tomar decisões, mesmo quando são difíceis, e assumir as suas consequências.

Olhemos também para outros países europeus que foram governados por forças socialistas ou por coligações de esquerda. Não podemos atribuir todos os seus problemas à mesma ideologia, porque cada país tem a sua realidade. Mas também não devemos ignorar os resultados das políticas seguidas. Afinal, é para isso que serve olhar para o passado, aprender com os erros, em vez de insistir neles.

Portugal precisa de menos anúncios e mais execução, de licenças mais rápidas, condições para construir, melhor aproveitamento dos imóveis disponíveis e investimento sustentado em habitação pública. Precisa também de regras estáveis, que conciliem os direitos dos inquilinos com a necessidade de aumentar a oferta.

Não se trata de desrespeitar quem pensa de maneira diferente. Trata-se de exigir responsabilidade a quem governa. Um país não pode viver eternamente à espera de que o próximo governo resolva aquilo que o anterior deixou por resolver.

A verdadeira solidariedade não consiste em prometer tudo a todos. Consiste em criar condições para que as pessoas possam trabalhar, progredir e viver com dignidade. O esforço individual importa, sim, mas também é necessário que exista um país onde esse esforço tenha uma oportunidade real de dar frutos.

Quando uma geração começa a duvidar de que trabalhar e poupar lhe permitirá comprar uma casa e construir o seu futuro, não estamos apenas perante uma crise imobiliária. Estamos perante um sinal de alerta para toda a sociedade.

Meus caros leitores, não sou do contra por sistema. Sou contra as promessas impossíveis, a falta de competência e os políticos que parecem fazer tudo para chegar ao poder, mas depois se esquecem de quem lhes confiou o voto. Não podemos continuar a aplaudir quem promete o impossível para entrar no galinheiro, quando é preciso começar por reparar aquilo que ajudou a destruir.

Desculpem o desabafo, mas abram os olhos e olhem para o passado. O presente também é consequência das decisões de ontem. Quem governa tem a obrigação de apresentar resultados e assumir responsabilidades.

Bom fim de semana.

Augusto Bandeira/MS

Liderar não é mandar, é saber ouvir

8 October 2026 at 17:43
DR.

Meus caros leitores, eu não voltarei a perder amigos por ter observado algo que não é a realidade, mas não posso deixar sem dar a minha opinião, mas ao mesmo tempo aconselhar e congratular, este fim de semana tive oportunidade de estar com um jovem presidente de Câmara Municipal e, pouco depois, num evento da nossa comunidade. Dois momentos diferentes que me fizeram pensar sobre liderança, idade e aquilo que podemos aprender uns com os outros.

O jovem presidente de Câmara que conheci transmitiu-me vontade de fazer diferente, de procurar mudanças e de fazer crescer a cidade que lidera, BRAGA, mas sem esquecer que uma cidade é feita de pessoas diferentes, com diferentes idades e maneiras de pensar. Respeitar essa diversidade também é uma forma de liderar. Gostei e vi mais um grande jovem presidente que sabe onde está, reconhece e respeita o que foi feito no passado, aceita ideias e quer ser diferente no futuro, muitos parabéns.

Depois pensei no nosso movimento associativo. Existem pessoas que dedicaram grande parte da sua vida às associações e que têm conhecimentos e experiências que não estão escritos em nenhum livro. Mas experiência, por si só, não chega. Também é preciso saber ouvir e reconhecer quando não conhecemos determinado assunto.

Dou um exemplo sem querer apontar o dedo a ninguém. Assistimos recentemente a uma tentativa de realizar um Santoinho, uma tradição minhota que merece todo o nosso respeito. O Santoinho não é apenas música, dança e festa. Tem história, cor, alegria e uma identidade própria que deve ser conhecida e respeitada.

Quando apresentamos uma tradição sem conhecer verdadeiramente aquilo que ela representa, corremos o risco de transformar algo bonito numa imagem muito diferente da sua verdadeira essência.

E aqui está, para mim, a diferença entre mandar e liderar. Quem manda pode dizer, “Eu quero, eu posso e eu mando.” Quem lidera deve perguntar, “Quem conhece isto? Quem pode ajudar? O que podemos fazer melhor?”

E acreditem meus caros leitores, depois de uma longa passagem, vivencias com diferentes tipos de pessoas com diferentes ideias em diversas organizações, eu não acredito que o problema esteja na idade.

Um jovem pode trazer novas ideias, energia e uma visão diferente do futuro. Uma pessoa com muitos anos de experiência pode transmitir conhecimentos, memória e aquilo que aprendeu com os erros e os sucessos do passado.

Então, porque não juntarmos as duas coisas?

Na política, como no associativismo, precisamos de juventude para renovar e de experiência para orientar. Os mais novos devem ter espaço para fazer diferente, mas também devem ter a humildade de perceber que nem tudo começa com eles.

Da mesma forma, os mais velhos devem saber transmitir o testemunho sem querer controlar tudo. Passar o testemunho não significa entregar o lugar e desaparecer. Significa ensinar, aconselhar e estar disponível para ajudar.

É aqui que entra uma palavra fundamental, equipa. Uma boa liderança não se faz rodeando-se apenas de pessoas que dizem sempre que sim. Faz-se com pessoas que conhecem, que questionam e que querem o mesmo objetivo.

O poder não deveria servir para alimentar egos, conquistar títulos ou promover pessoas. Deveria servir para fazer coisas acontecerem. E no associativismo isso é ainda mais importante. Se queremos manter as nossas tradições vivas, temos de as respeitar, mas também saber transmiti-las às novas gerações.

Não podemos pedir aos jovens que defendam uma cultura que nunca lhes explicámos.

Dois episódios, duas lideranças e duas formas diferentes de olhar para aquilo que significa estar à frente de uma organização.

Não digo que os jovens sejam melhores, nem que os mais velhos sejam melhores. Acredito que podemos ser muito melhores quando juntamos a força de quem chega com a experiência de quem já caminhou.

Porque liderar não é saber tudo. Liderar é saber ouvir quem sabe, é saber aprender, é saber transmitir e perceber que o cargo é temporário, mas aquilo que fazemos pode ficar para as gerações seguintes. E fazer em conjunto e, não pensar, isto é, nosso, é aqui que se faz, isso prejudica uma liderança e transmite algo negativo para a juventude, união é importante no associativismo.

Talvez o verdadeiro segredo de uma boa liderança não esteja em saber quem manda, deixem os títulos de lado.

Talvez esteja em saber quem deve ouvir. Projetem / organizem o futuro, procurem quem sabe para vos ajudar, seja na política ou no associativismo, o respeito entre todos é saber ouvir, mas também saber transmitir, é muito importante.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

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