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Deputado italiano pede investigação sobre cidadania dos irmãos Bolsonaro

29 October 2026 at 14:13

O deputado italiano, Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, apresentou na quarta-feira (28) um pedido de investigação sobre o processo de cidadania de Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, para os Ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália.

O pedido de investigação foi feito após a fuga de Flávio do Brasil para a Argentina utilizando um passaporte italiano. De lá, o senador partiu para o Equador e depois para os Estados Unidos, onde entrou usando um passaporte diplomático, cancelado pela PF (Polícia Federal).

Bonelli alega que os filhos de Jair Bolsonaro obtiveram a cidadania de forma extremamente rápida, enquanto requerentes comuns levam mais de uma década para conseguir o documento.

Na interpelação, o deputado também ressalta que os irmãos e o ex-presidente são investigados no Brasil e podem usar o documento para “escapar da justiça brasileira.”

Flávio e Eduardo apresentaram as solicitações à Embaixada da Itália em Brasília em 2020, diz o documento.

Em 8 de novembro de 2022, foram pessoalmente ao local pedir o adiantamento do processo, uma semana após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais. A cidadania dos dois foi concedida em 2023.

A data do pedido de Carlos Bolsonaro não está clara. A cidadania italiana para ele foi concedida em 2024, segundo a interpelação apresentada.

Bonelli exige que as pastas italianas instaurem uma auditoria sobre o cumprimento do prazo legal de 730 dias (dois anos) para análise e emissão e sobre a igualdade de tratamento para todos os solicitantes.

“Em muitos consulados no Brasil, a espera chega a dez anos, mais de uma década, e muitos são obrigados a recorrer ao Estado. Em Brasília, as convocações estavam suspensas desde agosto de 2018 e, até novembro de 2022, ainda era a vez daqueles que haviam se cadastrado em 2018”, declarou o deputado em um comunicado.

Ele ressaltou que, em 2018, já havia mais de 112 mil pedidos acumulados no Brasil. “A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos”, ressaltou Bonelli.

Carla Zambelli na Itália

Na interpelação, o deputado também cita o caso da ex-deputada Carla Zambelli, que disse em entrevista à CNN ser “intocável na Itália” após ser condenada no Brasil.

“O caso da ex-deputada Carla Zambelli — que, após uma condenação no Brasil, afirmou sentir-se “intocável” na Itália em virtude de seu passaporte italiano — ilustra o risco de que a cidadania italiana seja utilizada para escapar da justiça em seu país de origem”, afirma ele no documento.

Zambelli foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e inserção de documentos falsos. Ela também possui uma condenação de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Atualmente, a brasileira aguarda em liberdade, em Roma, a decisão da Justiça da Itália sobre sua extradição após passar quase um ano presa na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.

A Corte de Apelação de Roma adiou na terça-feira (27) o julgamento de repatriação da ex-deputada para 24 de novembro.

O julgamento de extradição se refere à condenação por ter perseguido um jornalista com arma em punho entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2022.

O governo brasileiro solicitou que Zambelli cumpra pena no Distrito Federal após a Justiça italiana avaliar que houve parcialidade do STF na condenação por invasão do sistema do CNJ.

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira (27) para o dia 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP).
Carla Zambelli, deputada federal licenciada em pronunciamento • Reprodução

Fuga de Flávio Bolsonaro

O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), chegou com a família às 10h25 desta quarta-feira (28) nos Estados Unidos.

A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Na operação para fugir do Brasil, Flávio passou pela fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã para abastecer. Minutos depois, decolou em direção à Flórida.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria em território argentino, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser questionado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

Flávio passou a fronteira na noite de terça

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.

A Migrações afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes.

Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil.

Como mostrou a CNN, o governo de Javier Milei negou, na manhã de terça-feira, que Flávio havia entrado na Argentina.

À CNN Brasil, o Ministério da Segurança, pasta responsável pelo Departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou que o senador, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), não entrou no país.

Flávio Bolsonaro chega aos EUA após derrota na eleição
Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida • 28/10/26 – Reuters/Eva Marie Uzcategui

Fontes confirmam destino final

Uma fonte brasileira próxima ao senador disse à CNN que ele temia ser preso no Brasil.

Um conselheiro de Donald Trump disse à CNN que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país.

O avião é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. Segundo a imprensa argentina, ele estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26) e decolou por volta da 0h20 desta quarta. De acordo com o site de monitoramento de voos Flight Radar, a aeronave pousou em Guayaquil pouco antes das 6h da manhã desta quarta-feira.

Da Argentina à carta com teor golpista: veja a cronologia da fuga de Flávio

29 October 2026 at 07:00

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta (28), em um avião particular com a mulher e as duas filhas, e ainda pela tarde publicou uma carta de teor golpista, na qual se autodeclara “líder” do Brasil. Inicialmente, aliados do ex-candidato à Presidência informaram que ele havia fugido ao país norte-americano na véspera.

Após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina às 22h50 da terça-feira, Flávio fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e desembarcou às 9h23 (10h23, no horário de Brasília), no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, segundo dados do site FlightRadar24, que monitora a malha aérea internacional, em tempo real.

Mais tarde, Flávio publicou a primeira versão de uma carta com teor golpista em que se autodeclarava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Minutos depois, o documento foi alterado para trocar o termo por “líder”, mas continuou causando reações de aliados e adversários políticos.

Entenda, a seguir, a sequência dos acontecimentos desta quarta.

De Foz do Iguaçu a Miami

A saída de Flávio do Brasil foi acompanhada de informações falsas sobre o paradeiro do senador. Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que Flávio já havia deixado o país e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro.

Flávio passou a terça-feira em uma fazenda na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de deixar o Brasil à noite. A informação sobre a permanência na propriedade foi divulgada pela emissora argentina C5N.

Por volta das 22h50, ele, a mulher e as duas filhas cruzaram a fronteira entre Brasil e Argentina, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones, rumo ao aeroporto de Puerto Iguazú. De lá, embarcaram em um jato particular com destino a Guayaquil, no Equador.

O voo, operado pela empresa argentina Baires Fly, utilizou uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo o site da empresa, a aeronave tem capacidade para 13 passageiros, e camas para 6 passageiros simultaneamente. O avião pode atingir uma velocidade de até 850 km/h.

A rota passou por Paraguai, Bolívia e Peru, sem cruzar o espaço aéreo brasileiro — um trajeto premeditado para evitar interceptações. O avião chegou ao Equador por volta das 5h35 desta quarta-feira para uma parada para abastecimento. Na reta final, o avião sobrevoou o Panamá e Cuba, e seguiu para Miami.

O voo chegou a ser o mais monitorado do mundo na plataforma FlightRadar24, com cerca de 53 mil pessoas acompanhando a aeronave às 10h18.

Flávio usou um passaporte italiano para entrar na Argentina. Para ingressar nos Estados Unidos, teria utilizado um passaporte diplomático brasileiro que já tinha sido cancelado na véspera.

A PF (Polícia Federal) informou que não encontrou registro oficial de saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação também esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam sua prisão ou vigilância permanente.

Aliados defendem fuga, família fala em “perseguição”

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, lamentou a fuga do filho para os EUA em publicação nas redes sociais. “Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias.”

Horas depois, Jair Bolsonaro pediu autorização ao STF para receber a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O pedido foi concedido, e a previsão é de que eles se reúnam nesta quinta-feira (29), por volta das 11h.

A bancada do PL no Congresso também manifestou “total apoio” ao senador. Em nota divulgada nas redes sociais, os líderes do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e no Senado, Carlos Portinho (RJ), criticaram a forma como a imprensa tratou a saída do parlamentar e contestaram a caracterização de Flávio como foragido.

O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, afirmou à CNN Brasil que havia combinado com o senador a entrega dos passaportes à PF. Segundo ele, o plano era buscar os documentos na casa do parlamentar na terça-feira, prazo final para o cumprimento da ordem judicial. Reinaldet disse que foi surpreendido pela viagem e soube dela pela imprensa.

“Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o país“, disse Reinaldet.

Oposição cobra apuração

Após a confirmação do desembarque de Flávio em território americano, a oposição cobrou a apuração das circunstâncias de sua saída do país.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e o deputado Rogério Correia (MG) acionaram a Polícia Federal para investigar quem teria ajudado Flávio a deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos.

Os parlamentares pedem que sejam apuradas possíveis redes de apoio político e financeiro, inclusive com eventual participação de integrantes dos governos de Donald Trump e Javier Milei.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, orientou ministros a evitar manifestações recorrentes sobre a saída do senador. A avaliação no Planalto é que os desdobramentos devem ficar sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, para evitar alimentar a narrativa de perseguição política.

Carta com teor golpista e reações de aliados

No início da noite, Flávio divulgou uma carta em que afirmou que a eleição presidencial havia sido fraudada, sem apresentar provas.

Na primeira versão, o senador se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, publicou uma nova versão, na qual substituiu a expressão por “líder do Brasil”.

No texto, afirmou que pretende comandar a oposição do exterior e comparou sua situação à de Rui Barbosa e Charles de Gaulle, que atuaram fora de seus países em contextos históricos distintos.

Após a publicação, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, afirmou em nota que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. O ministro ressaltou que a Justiça Eleitoral respeitou a vontade do eleitorado e entregou o resultado com segurança.

Em reação à carta, além das manifestações de parlamentares da oposição e de aliados de Lula nas redes sociais, parte dos aliados do próprio Flávio adotou um tom de cautela e evitou endossar a acusação de fraude eleitoral, defendendo o respeito ao resultado das urnas e a necessidade de apresentar provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoiou Flávio na campanha, disse compreender a indignação do senador, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

O União Brasil também reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota, a legenda declarou que o processo eleitoral transcorreu com lisura e que o resultado deve ser respeitado.

Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha do senador, afirmou que não há provas para sustentar a alegação. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

Mais tarde, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, publicou a primeira imagem ao lado do senador.

“Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”, escreveu. Segundo Eduardo, a imagem foi registrada nesta quarta. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil.”

 

Eduardo cita Olavo e posta foto com Flávio após senador fugir para os EUA

29 October 2026 at 00:57

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou na noite desta quarta-feira (28) sua primeira foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) desde que o candidato derrotado fugiu para os Estados Unidos. Na legenda, ele citou uma frase que atribuiu ao escritor bolsonarista Olavo de Carvalho, morto em 2022.

“Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”, escreveu. Segundo Eduardo, a imagem foi registrada nesta quarta. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil.”

Ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem também publicou uma imagem ao lado de Flávio. Condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado, em 2023, ele também mora nos Estados Unidos desde o ano passado.

“Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade”, escreveu. “Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar.”

O ex-presidente da Abin, Alexandre Ramagem, e o ex-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro
O ex-presidente da Abin, Alexandre Ramagem, e o ex-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro • Reprodução

Eduardo mora nos Estados Unidos desde 2025, quando se mudou em busca de ajuda do governo estadunidense para anistiar os presos do 8 de janeiro de 2023, condenados por tentativa de golpe de Estado.

Em autoexílio, o ex-parlamentar se define como um “perseguido político”. Uma vez nos EUA, Eduardo virou um interlocutor entre a família Bolsonaro e autoridades americanas.

No último dia 8, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o cancelamento dos passaportes e o início do cumprimento da pena de prisão de Eduardo.

O ex-parlamentar foi condenado a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, cometido de forma continuada. O colegiado também impôs uma multa de 50 dias-multa, cada um equivalente a dois salários mínimos, totalizando R$ 162 mil reais.

Segundo a Suprema Corte, o ex-deputado usou sua influência no país para tentar interferir no processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, fugiu para os Estados Unidos na madrugada desta quarta-feira, após Moraes determinar que ele entregasse seus passaportes para a PF (Polícia Federal).

Uma das justificativas usadas pelo ministro para embasar sua decisão foi uma entrevista na qual Eduardo sugere exatamente que o irmão fugisse para os EUA se perdesse as eleições.

No último domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um quarto mandato, feito inédito na democracia brasileira, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 59.826.041 votos, ou 48,21% do total.

PF investiga circunstâncias da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil

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A Polícia Federal (PF) informou, nesta quarta-feira (28), que está investigando as circunstâncias da fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador desobedeceu decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático.

Em nota, a corporação afirma que atua nos limites da lei e que "a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”.

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Moraes expediu a ordem judicial de apreensão dos passaportes a pedido da própria PF, pouco após Flávio ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições para a Presidência da República, realizado no último domingo (25).

Flávio é investigado em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets. Ele também é alvo de outro inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai.

Fuga

Segundo a PF, o parlamentar cruzou, na terça-feira (27), a fronteira com a Argentina, de onde embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, com a esposa e as duas filhas do casal.

Em nota, a PF informou que não encontrou registros oficiais de que, na fuga, Flávio tenha passado por qualquer posto de controle migratório brasileiro.

O órgão também assegurou que, ainda no domingo, dia do segundo turno, solicitou ao STF que autorizasse a adoção de medidas cautelares, com o intuito de impedir a fuga do senador.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial, para liderar a oposição brasileira do exterior.

Eduardo está nos Estados Unidos, apesar de constar contra ele um mandado de prisão em aberto no Brasil. 

O ex-deputado foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações do país, em uma tentativa de evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

Restrições

A Polícia Federal solicitou ordens restritivas como a apreensão dos passaportes de Flávio, as proibições de que deixasse o país e de que mantivesse contato com outros investigados no âmbito da Petição nº 16877/DF, do STF. O pedido foi atendido pelo ministro Alexandre de Moraes

O caso trata das suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e é relatado por Moraes. Um dos alvos da investigação é o advogado e empresário Willer Tomaz, de quem Flávio é próximo. O senador e o advogado negam qualquer irregularidade.

Ainda de acordo com a PF, após a decisão judicial, os passaportes comum e diplomático de Flávio emitidos pelo Brasil foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema Sonar, uma das ferramentas brasileiras para controlar a passagem de pessoas pelos postos de fronteira.

Mãe de Flávio: Coração sangra por mais um filho que se viu obrigado a ir

28 October 2026 at 17:08

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro (PL), mãe de três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (Eduardo, Carlos e Flávio), foi às redes sociais nesta quarta-feira (28) lamentar que mais um de seus filhos — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — tenha sido “obrigado a deixar” o país.

“Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias“, escreveu em publicação no X (antigo Twitter).

Flávio deixou o Brasil e fugiu rumo aos Estados Unidos depois de ter perdido a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25). Ele e sua família desembarcaram em Miami na manhã desta quarta-feira (28).

“Agora, são quatro netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis. Não poderei estar perto quando tiverem febre, pra colocar a mão em suas testas e verificar se está forte ou não”, publicou.

“Teria muito mais a falar sobre tudo que está acontecendo com minha família, mas não caberia aqui nesse espaço“, emendou.

Quero compartilhar com vocês um pouquinho o sentimento de um coração de mãe. Estou muito triste. Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte) porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua Pátria amada por causa de perseguições injustas,descabidas e arbitrárias. Agora são 4 netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis. Não poderei estar perto quando tiverem febre, pra colocar a mão em suas testas e verificar se está forte ou não. Mas nosso Deus sabe o que faz e eu confio totalmente Nele. Sei que Ele me dará forças pra suportar tudo isso. Teria muito mais a falar sobre tudo que está acontecendo com minha família, mas não caberia aqui nesse espaço. Eu repito sempre que meus filhos são a minha vida. Amo vocês demais da conta. A distância nos separa, porém o amor nos une. E agora separada de mais um, só me resta dizer um até breve Flávio, meu filho querido. Deus os abençoe. Até breve. @FlavioBolsonaro @CarlosBolsonaro @BolsonaroSP

— Rogéria Bolsonaro (@RNBolsonaro22) October 28, 2026

Fuga para os EUA

Flávio não é o primeiro filho de Rogéria a se autoexilar nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal se estabeleceu nos país em 2025 e pediu licença do mandato em março daquele ano.

Alegando perseguição política, passou a atuar junto ao governo americano em defesa do pai, Jair Bolsonaro. Sua saída do Brasil ocorreu antes da condenação criminal que receberia posteriormente.

Bolsonaro abandona Brasil en medio de procesos judiciales y tensiones políticas

28 October 2026 at 07:06
Las autoridades brasileñas intensificaron las acciones para localizar al legislador después de que no cumpliera con los requerimientos emitidos por la justicia dentro del plazo establecido.

Ecuador Flight Contradicts Reports Flavio Bolsonaro Reached Florida

28 October 2026 at 09:30
(FILE) Defeated presidential candidate Falvio Bolsonaro. Photo: EFE.

The whereabouts of defeated Brazilian presidential candidate Flávio Bolsonaro remain unclear after Brazil cancelled his passports and Argentinian officials said he had boarded a flight to Ecuador, contradicting earlier reports from several mainstream media outlets that he had arrived in Florida.


Argentinian migration authorities later said he had crossed Brazil’s land border with Argentina at 22:50 local time on Tuesday (01:50 GMT on Wednesday). In a tweet, the migration authorities said he, his wife and two daughters had boarded a private flight headed towards the city of Guayaquil in Ecuador at 23:30 (02:30 GMT on Wednesday). It is not clear whether Ecuador would be his final destination.

According to Metropoles, which had reported on his alleged arrival in the U.S. hours before, the legislator plans to hold a press conference in the United States this week, possibly in Washington.

RELATED: Brazil’s Court Probes Foreign Funds in Flávio Bolsonaro’s Campaign

Flavio Bolsonaro’s departure from Brazil occurred after Supreme Federal Court (STF) Justice Alexandre de Moraes ordered him to hand over his regular and diplomatic passports within 24 hours and barred him from leaving Brazil. After the deadline expired this Tuesday without him complying with the order, the Federal Police canceled the documents.

Amid the controversy, the U.S. Department of State confirmed to the outlet UOL that it will grant visas to Flávio and his family members, although it did not specify the category of the documents or the conditions of stay.

Democratic congressman Joaquín Castro said losing an election is not grounds for receiving asylum, and demanded explanations from President Donald Trump’s Government about its possible help to Flávio in leaving Brazil, noting that the lawmaker is under investigation in the South American nation for alleged corruption, money laundering and currency evasion. “The Trump administration owes Congress answers on its role helping Bolsonaro flee Brazil in contravention of Brazilian law,” he said.

Losing an election is not grounds for asylum.

Yet the Trump Administration is giving Flávio Bolsonaro safe haven in the United States. In Brazil, he is under investigation for alleged corruption, money laundering and currency evasion, and was ordered to surrender his passports.…

— Joaquin Castro (@JoaquinCastrotx) October 27, 2026

Brazilian media reported that the lawmaker’s flight also surprised leaders of his Liberal Party and raised questions about his next political steps. Flávio had previously stated that he would remain in Brazil to organize the opposition to Luiz Inácio Lula da Silva’s Government.

The trip took place after the electoral defeat he suffered against Lula in the presidential runoff on October 25.

Bolsonaristas fogem da Justiça e se espalham por ao menos quatro países

27 October 2026 at 22:58

Flávio Bolsonaro (PL) pode ser o mais novo integrante da lista de bolsonaristas que deixaram o Brasil. Caso confirmada a chegada aos Estados Unidos, o candidato derrotado nas eleições de 2026 se somará a parentes, influenciadores e ex-membros do governo de Jair Bolsonaro, que deixaram o país por condenações ou investigações. Sempre sob o argumento de perseguição política. 

A denúncia partiu do veículo argentino Infobae, que publicou hoje, 27 de outubro, que Flávio estaria na cidade de Puerto Iguazú, que faz fronteira com o Brasil, pronto para tomar um voo rumo aos EUA. Ainda não se sabe como o senador teria saído do Brasil para o país vizinho. Em 26 de outubro, dia seguinte à derrota nas urnas, o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse o passaporte à Justiça.

Um dos fundamentos da decisão de Moraes foi uma entrevista do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, dada dois dias antes do segundo turno, afirmando que o então candidato deveria deixar o país se perdesse o pleito. Também nesta terça, o blogueiro Paulo Figueiredo disse em sua live que, na noite de domingo, após confirmada a derrota, havia aconselhado o senador a ir para os EUA.

Flávio Bolsonaro é investigado em duas frentes pelo Supremo Tribunal Federal, mas, terminado seu mandato como senador, em 31 de janeiro de 2027, perderá o foro privilegiado. Sob relatoria do ministro André Mendonça, ele é investigado pela suspeita de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro por conta do financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A investigação mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção do longa. 

Em outra frente, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, Flávio é investigado pela suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas. A Polícia Federal (PF) quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontariam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.

Segundo a PF, há indícios de “vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar bets no estado.

Publicação de Flávio Bolsonaro no Instagram
O senador Flávio Bolsonaro afirmou em seu Instagram ter sido intimado pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (26), a entregar seus passaportes

Bolsonaristas nos EUA de Trump

Eduardo Bolsonaro mora no Texas (EUA) desde março de 2025. Ele foi condenado pelo STF em junho de 2026 por sua atuação para obter sanções americanas contra autoridades brasileiras. O ex-deputado teve a prisão decretada em outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições.

Eduardo tem passaporte italiano e também conseguiu o green card, documento que garante a residência permanente nos EUA. Desde que fugiu do Brasil, ele fez diversas viagens ao Oriente Médio e chegou a abrir uma empresa no Bahrein, conforme a Pública revelou.

Seu braço direito nos EUA, Paulo Figueiredo, mora na Flórida há dez anos. Ele é investigado no Inquérito das fake news e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Seu caso nunca foi julgado porque o neto do ex-ditador João Figueiredo nunca foi intimado, mas ele é considerado foragido.

Eduardo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem juntos, em 2026, em encontro nos EUA
Eduardo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem juntos, em 2026, em encontro nos EUA

Outro foragido que vive na Flórida é o blogueiro Allan dos Santos. Ele teve mandado de prisão preventiva decretado pelo STF em outubro de 2021 e reforçado em 2024, bem como o bloqueio de suas contas bancárias e perfis digitais no Brasil. O criador do extinto “Terça Livre” também é investigado no Inquérito das fake news e das milícias digitais por disseminação de conteúdo falso e ataques a autoridades.

Ainda na Flórida mora Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal pelo PL. Ele foi alvo de pedido de extradição após ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão pela trama golpista.

A fuga, em setembro de 2025, contou com a ajuda de Rodrigo Cataratas, condenado por liderar o garimpo ilegal na Terra Yanomami, conforme revelou a Pública. O empresário do garimpo também está foragido por ter ajudado na fuga de Ramagem.

Em abril de 2026, Ramagem chegou a ser detido pelo serviço de imigração dos EUA (ICE), mas foi liberado dois dias depois. Hoje, ele é um imigrante ilegal no país, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) e está sujeito a detenção e deportação, como a Pública também mostrou.

Bolsonaristas na Argentina, Itália e Espanha

Na Itália, a ex-deputada federal Carla Zambelli chegou a ser presa em junho de 2025. Em maio de 2026, ela foi solta pela Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça do país. Ela havia sido condenada pelo STF a dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ainda na Europa, mas na Espanha, mora o blogueiro Oswaldo Eustáquio, considerado foragido da Justiça brasileira desde 2023. Em outubro de 2026, ele se tornou réu por associação criminosa no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Em junho de 2025, o governo espanhol rejeitou o pedido de extradição do governo brasileiro por considerar que houve motivação política.

Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, é primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Ele é investigado no inquérito do golpe de Estado em 2023 e teve a prisão decretada em 2025. Ele mora na cidade de Puerto Iguazú, do lado argentino da tríplice fronteira, por onde Flávio Bolsonaro teria passado para tomar um voo para os EUA. A Pública mostrou que Leo é um dos investigados por desinformação e tentativa de golpe que seguem ativos nas redes em 2026.

Também na Argentina, estão cinco brasileiros condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, que foram extraditados em dezembro de 2025: Joelton Gusmão de Oliveira, Joel Borges Correa, Rodrigo de Freitas Moro, Wellington Firmino e Ana Paula de Souza, segundo apuração da BBC Brasil.

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Relembre aliados e familiares de Bolsonaro que também fugiram do Brasil

27 October 2026 at 22:48

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil nesta terça-feira (27), após derrota na eleição presidencial, retoma uma sequência de episódios envolvendo familiares e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que também saíram do país após perderem nas urnas. Entre os nomes, estão Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Oswaldo Eustáquio.

Flávio chegou aos Estados Unidos com a mulher e as filhas nesta terça-feira (27), segundo fontes ligadas ao governo americano ouvidas pela CNN Brasil. A viagem ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para entregar seus passaportes.

Confira os principais casos desde 2022 e, como antecedente, a saída de Allan dos Santos, ocorrida ainda em 2020.

Flávio Bolsonaro – Estados Unidos, em 2026

O senador deixou o país nesta terça, após ser intimado a entregar seus documentos de viagem. O prazo terminou às 11h desta terça-feira, sem cumprimento da ordem, e a Polícia Federal cancelou seus passaportes. Na segunda-feira (26), ele havia afirmado que não pretendia sair do Brasil.

Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em um inquérito que também envolve o advogado Willer Tomaz. Ao comentar a ordem judicial, o senador afirmou que entregaria os documentos e classificou a medida como uma tentativa de intimidação.

Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro (PL) em discurso após derrota no 2º turno das eleições presidencias • CNN Brasil

Carla Zambelli – Itália, em 2025

A ex-deputada federal deixou o Brasil após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão no processo sobre a invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Em junho de 2025, anunciou que estava no exterior e alegou buscar tratamento médico. Posteriormente, foi presa na Itália, onde tem cidadania.

Zambelli atualmente aguarda em liberdade decisões sobre sua extradição. Nesta terça-feira (27), a Corte de Apelação de Roma adiou para 24 de novembro a análise do pedido relacionado à condenação por perseguir um homem com arma em punho, em 2022. A defesa alegou não ter tido acesso a documentos enviados pelo Brasil.

Ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) • Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Eduardo Bolsonaro – Estados Unidos, em 2025

O ex-deputado federal se estabeleceu nos Estados Unidos em 2025 e pediu licença do mandato em março daquele ano. Alegando perseguição política, passou a aturar junto ao governo americano em defesa do pai. Sua saída ocorreu antes da condenação criminal que receberia posteriormente.

Em junho de 2026, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A Corte concluiu que ele buscou interferir no julgamento da tentativa de golpe mediante pressão sobre autoridades brasileiras. A defesa negou a configuração de coação. A condenação tornou-se definitiva em outubro, quando foi determinado o início do cumprimento da pena.

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro • CNN Brasil

Alexandre Ramagem – Estados Unidos, em 2025

Ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) “paralela” no governo Bolsonaro, Ramagem deixou o país mesmo proibido pelo STF. Segundo investigação da PF, atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático.

Ele foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à CNN Brasil, em julho, afirmou que aguardava a análise de um pedido de asilo e negou as acusações. Ramagem chegou a ser detido pelo serviço de imigração americano em abril, mas foi liberado dois dias depois.

Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin • 17 de junho de 2020 REUTERS/Adriano Machado

Oswaldo Eustáquio – Espanha, desde 2023

O blogueiro bolsonarista passou pelo Paraguai antes de se estabelecer na Espanha, em 2023. Com mandados de prisão expedidos no Brasil, foi considerado foragido pelas autoridades brasileiras. A Justiça espanhola rejeitou um pedido de extradição, apontando motivação política na investigação.

Neste mês, a Primeira Turma do STF o tornou réu por associação criminosa relacionada aos atos de 8 de Janeiro. A denúncia atribui a Eustáqui participação na mobilização contra o resultado da eleição de 2022. O recebimento da acusação abre a ação penal e ainda não representa condenação.

O blogueiro Oswaldo Eustáquio
O blogueiro Oswaldo Eustáquio • Reprodução/Facebook

Silvinei Vasques – capturado no Paraguai, em 2025

O ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) foi preso em Assunção, no Paraguai, em 26 de dezembro de 2025. Segundo a PF, Silvinei Vasques rompeu a tornozeleira eletrônica, saiu de Santa Catarina de carro e tentou embarcar para El Salvador usando um passaporte falso.

Silvinei havia sido condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. Após ser detido pelas autoridades paraguaias, foi entregue às autoridades brasileiras.

Allan dos Santos – saída anterior a 2022

O caso de Allan dos Santos antecede o recorte desta lista: o blogueiro deixou o Brasil em 2020 e foi para os Estados Unidos. Em 2021, Moraes determinou sua prisão preventiva no contexto das investigações sobre milícias digitais, e o governo brasileiro passou a buscar sua extradição. Allan alegava sofrer perseguição.

Em uma apuração distinta, Moraes acolheu em 2026 um pedido da PGR e arquivou uma investigação envolvendo Allan, Oswaldo Eustáquio, Marcos do Val e outro influenciador. A Procuradoria considerou insuficientes as provas para denunciar o grupo por obstrução de investigação e incitação ao crime naquele caso.

Piden prisión preventiva y alerta de Interpol para Flávio Bolsonaro

27 October 2026 at 22:14
«Hemos presentado una petición de prisión preventiva para Flávio Bolsonaro, que no entregó su pasaporte y habría huido a Estados Unidos (…) también hemos pedido que se active la alerta roja de la Interpol», explicó el diputado federal Lindbergh Farias.

Flávio Bolsonaro se habría fugado a EE.UU. para evadir la justicia de Brasil

27 October 2026 at 19:20
La Policía Federal de Brasil investiga si el senador Flávio Bolsonaro salió del país rumbo a Estados Unidos, tras no entregar sus pasaportes en el plazo fijado por el Supremo Tribunal Federal. Su paradero no está confirmado: el gobierno argentino y las autoridades brasileñas dicen que no hay registro oficial de su paso por la frontera.

Fachin arquiva inquérito sobre atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

27 October 2026 at 17:25

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, determinou o arquivamento do inquérito que investigou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo o ministro, a apuração já cumpriu sua finalidade ao resultar em denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), posteriormente recebida pela Corte e transformada em ação penal.

Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do STF em 16 de junho a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A condenação transitou em julgado em 3 de outubro e, cinco dias depois, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena.

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Na decisão pelo arquivamento neste terça-feira (28), Fachin afirmou que o inquérito atingiu a finalidade para a qual havia sido instaurado. “Com a instauração da AP 2.782, está exaurida a finalidade investigativa destes autos, não subsistindo razão para a manutenção da sua tramitação”, afirmou o ministro.

O inquérito foi aberto em maio de 2025 para investigar a atuação de Eduardo nos EUA. À época, a PGR apontou possíveis crimes relacionados às articulações do então deputado junto a autoridades americanas e à defesa de sanções contra ministros do STF e integrantes de outros órgãos brasileiros.

Segundo a acusação, Eduardo atuou para pressionar autoridades brasileiras e interferir em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai.

Ao condená-lo, a Primeira Turma entendeu que as articulações com autoridades dos EUA e a defesa de sanções contra integrantes da Corte ultrapassaram os limites da atuação política e configuraram coação no curso do processo.

Eduardo nos EUA

O ex-parlamentar mora nos Estados Unidos desde o início do último ano, segundo ele, após sofrer perseguição política no Brasil. No país, Eduardo virou um interlocutor entre a família Bolsonaro e autoridades americanas. Segundo o STF, Eduardo usou sua influência no país para tentar interferir no processo que condenou Jair Bolsonaro.

Em julho deste ano, o governo dos Estados Unidos concedeu um green card a Eduardo. O documento garante a permanência do político por prazo indeterminado nos país norte-americano.

O documento de residência permanente de Eduardo foi pedido há mais de um ano para as autoridades americanas. Até então, ele vivia nos EUA, com autorização temporária para residir no Texas.

A extradição seria uma das alternativas da Justiça brasileira para fazer com que o ex-deputado cumprisse a pena. Com a emissão do green card isso fica mais difícil.

O documento permite que estrangeiros residam e trabalhem legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado, desde que cumpram as regras da legislação migratória norte-americana.

Eduardo Bolsonaro questiona vitória de Lula e pede pressão internacional

26 October 2026 at 18:51

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou, na madrugada desta segunda-feira (26/10), um vídeo em inglês nas redes sociais em que pede à comunidade internacional que não reconheça a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na gravação, ele afirma, sem apresentar provas, que houve fraude no processo eleitoral e defende o cancelamento do pleito. “Não reconheçam estas eleições. Precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”, declarou.

Eduardo sustenta que a virada de Lula entre o primeiro e o segundo turno seria “estatisticamente impossível”. Ele cita a soma dos votos de candidatos derrotados no primeiro turno e afirma que o petista não teria como ter ampliado sua votação na proporção registrada. O ex-deputado questiona ainda a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou o horário de votação em duas horas.

O argumento de Eduardo, no entanto, não menciona o aumento no comparecimento de eleitores entre os dois turnos. A abstenção caiu de 33,4 milhões no primeiro turno para 30,5 milhões no segundo, o que significa que mais de 128,1 milhões de brasileiros votaram neste domingo, ante 125 milhões na primeira etapa. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.

A Justiça Eleitoral negou as acusações e classificou a informação como falsa. O TSE esclareceu que fiscais do PL acompanharam normalmente o Teste de Integridade das Urnas e a totalização dos votos, com registros que comprovam a presença dos representantes. O presidente do STF, Edson Fachin, defendeu o respeito ao resultado das urnas e afirmou que a democracia exige o reconhecimento da vontade manifestada pelos eleitores.

A publicação de Eduardo ocorre após seu irmão, Flávio Bolsonaro, afirmar que não reconhece a derrota e anunciar que pedirá a anulação da eleição. Flávio criticou a prorrogação do horário de votação, mas não citou que a própria campanha do PL também solicitou a extensão em cinco estados. Os presidentes do STF, do TSE, do Senado e da Câmara já reconheceram o resultado.

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EXCLUSIVO: Eduardo Bolsonaro abriu empresa no Bahrein com passaporte italiano

23 October 2026 at 21:00

Em 30 de janeiro deste ano, Eduardo Bolsonaro postou uma foto com o Príncipe Herdeiro e Primeiro-Ministro do Reino do Bahrein, Sheik Salman bin Hamad Al Khalifa, ao lado do seu irmão, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ambos apareciam vestidos nos trajes tradicionais do país. “No mundo árabe, a candora é o equivalente ao terno e gravata. Vestir a roupa tradicional é mais do que estilo, é respeito. Diplomacia se faz com gestos. E gestos constroem confiança, proximidade e resultados reais para Bahrein e Brasil”, escreveu Eduardo, que tem pretensões de assumir o Ministério de Relações Exteriores se seu irmão vencer as eleições no próximo domingo.

Eduardo participava da comitiva oficial do candidato ao lado de Paulo Figueiredo e dos deputados federais Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE). A viagem incluiu uma visita ao palácio e um festival de corridas de cavalos promovido pela monarquia.

Mas o que Eduardo não mencionou no post do Instagram é que ele mantinha uma relação bem mais firme com o país.

Uma investigação da Agência Pública constatou que ele manteve uma empresa no Bahrein para realizar atividades de consultoria em gestão. Aberta em 19 de setembro de 2024, a The Next Level LLC funcionou oficialmente por pouco mais de um ano e teve suas atividades encerradas em setembro do ano passado por não ter renovado o registro de companhia limitada. O capital inicial era de cerca de R$ 130 mil.

Um detalhe chama a atenção: o irmão do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) registrou a empresa como cidadão italiano. Tanto Eduardo quanto seu irmão Carlos possuem passaporte italiano, fruto dos antepassados dos Bolsonaro na cidade de Anguillara Veneta, no norte do país.

A informação pode ampliar controvérsias em torno do lobby de Eduardo para gerir o Itamaraty e liderar a diplomacia brasileira. E abre dúvidas se ele não teria aberto empresas em outros países como cidadão italiano e não brasileiro.

Eduardo Nantes Bolsonaro, cujo nome, em árabe, aparece no Portal de Registro Comercial (SIJILAT) no Bahrein como ورانوسلوب ستنان ودراودإ, não respondeu aos questionamentos da Agência Pública sobre qual era a finalidade da empresa.

Mas ela foi aberta exatamente no mesmo período em que ele e o irmão Flávio buscavam fundos para viabilizar a realização do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, que recebeu aporte de US$ 13 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. Foi em dezembro de 2024 que Flávio conheceu Daniel Vorcaro em uma reunião online, e nos meses seguintes, até meados de 2025, Fabiano Zettel passou a coordenar o repasse dos valores em parcelas de cerca de US$ 2 milhões. Foi um período de grande mobilização para buscar apoio para o projeto familiar.

Em maio deste ano, o deputado federal Mário Frias Filho (PL-SP), produtor do filme e detentor dos direitos sobre a história de vida de Bolsonaro – como revelou a Pública – acompanhou Eduardo em uma nova viagem até o Bahrein. Realizada entre 12 e 18 de maio, segundo Mário Fias, a visita ocorreu a convite do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB, na sigla em inglês).

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Segundo levantamento da jornalista Juliana Dal Piva na sua coluna no ICL Notícias, Eduardo Bolsonaro esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019. Quatro destas viagens ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro. Depois disso, outras três coincidiram com momentos de pressão judicial do STF contra o ex-deputado federal.

Foto mostra Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o Sheik Salman bin Hamad Al Khalifa usando turbantes e o tradicional thawb.

A mais recente ocorreu em 8 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Ele voltou a visitar o palácio e a se encontrar com o Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa, além do ministro de economia e finanças, para discutir cooperação econômica e comercial. 

As fotos foram feitas no mesmo dia em que o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou sua prisão pelo crime de coação no curso do processo, devido ao lobby realizado junto ao governo Trump por retaliações contra o Brasil. Alexandre mandou ainda cancelar os passaportes de Eduardo. 

O ex-deputado, foragido da justiça brasileira, usou seu passaporte italiano para entrar no país e postou vídeos xingando o ministro do STF e passeando pelo aeroporto do Bahrein e dos EUA livremente.

Eduardo Bolsonaro vive noite de celebridade na festa da extrema direita nos EUA

15 October 2026 at 23:00

Na noite de quarta-feira (14), empresários conservadores, influenciadores digitais e autoridades do governo dos Estados Unidos se reuniram no Andrew W. Mellon Auditorium, na capital Washington, D.C., para a festa de gala da Hispanic Heritage, organizado pela plataforma financeira Latino Wall Street.

O homenageado do evento foi Javier Milei, presidente da Argentina. Seu principal aliado no Brasil, Eduardo Bolsonaro, foi um dos convidados de honra.  

Na entrada, convidados trajados com roupas brilhantes e smokings cercaram Eduardo para tirar selfies e apertos de mão. Muitos perguntavam sobre o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre em casa a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Outros demonstravam entusiasmo com a liderança do irmão Flávio Bolsonaro no primeiro turno da disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Eduardo conversou com veículos de comunicação identificados com o movimento MAGA (“Make America Great Again”, um dos slogans de Donald Trump), como a ex-boxeadora Cara Castronuova, uma das correspondentes da Casa Branca alinhadas ao governo. Ele também posou ao lado de Javier Negre, comunicador espanhol apelidado de “Rei Midas da viralidade”. Negre é sócio de Fernando Cerimedo, marqueteiro argentino de extrema direita, detido em agosto na Bolívia, acusado de envolvimento em ataque a tiros contra a ex-companheira.    

Em determinado momento, na entrada do evento, uma mulher que parecia ser uma das convidadas segurou o braço de Eduardo e ambos olharam para baixo, compenetrados. Eles rezavam pelo Brasil. Quem também tietava Eduardo Bolsonaro era a autointitulada diplomata espiritual, consultora de direitos humanos e empresária gaúcha Luciana Pananos, que mora nos EUA. 

Do lado de dentro, iniciada a cerimônia, os oradores no palco falavam sobre acabar com a criminalidade e derrotar o socialismo na América Latina. Na plateia, os convidados, que pagaram entre US$ 3 mil e US$ 10 mil para participar do evento, saboreavam almôndegas de wagyu (carne bovina de origem japonesa), pato defumado com amoras, abacate recheado grelhado e filé-mignon bovino defumado. 

“Vamos expulsar o ditador comunista do Brasil”, bradou o homenageado da noite, Javier Milei, após abraçar calorosamente Eduardo, que deu chutes no ar como se estivesse expulsando Lula do posto. O presidente da Argentina disse ainda que os conservadores “não podem ceder um centímetro em nossa reconquista do hemisfério”. 

“Um discurso inspirador”

Após a fala de Milei, Eduardo discursou. Ele ponderou que o resultado da eleição ainda não estava definido. Mas o tom era abertamente comemorativo. “Quando confirmarmos a vitória do meu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, como presidente do Brasil, vamos entrar em uma nova era, que eu chamo de Era de Ouro da América Latina!”

O deputado cassado adotava um dos slogans de Donald Trump, que costuma dizer que o país vive uma nova “era de ouro” sob sua batuta. “Temos tudo para ser iguais aos Estados Unidos”, completou Eduardo.

Durante o discurso, ele também louvou outros presidentes de extrema direita na América Latina, como Nayib Bukele, de El Salvador, e o colombiano Abelardo de la Espriella.

“Amamos todos aqueles que dificultam a vida dos criminosos”, declarou, acrescentando que “pela primeira vez veremos todos os países [da América Latina] combatendo o narcoterrorismo”. O público aprovou e aplaudiu entusiasmado. Um empresário do setor imobiliário que atua em Honduras disse à reportagem que considerou o discurso “inspirador” e que o Brasil deveria adotar o “modelo Bukele”. 

Flávio e Eduardo já visitaram o CECOT, o megacomplexo penitenciário para onde o governo Trump enviou imigrantes que, segundo relatos, foram torturados. Se a vitória de Flávio Bolsonaro se concretizar, o Brasil pode integrar a coalizão Escudo das Américas, formada por 19 países da região e liderada pelos EUA.  

“O melhor ainda está por vir”, declarou Eduardo Bolsonaro, prometendo libertar o Brasil, começando por seu pai.

Mais que entusiasta da candidatura do irmão à Presidência, Eduardo é um dos nomes mais cotados para se tornar o próximo ministro das Relações Exteriores do Brasil em um eventual governo de Flávio. Desde que se mudou para os EUA, no início de 2025, o filho 03 de Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal por faltar a mais de 80% das sessões e também foi despojado do emprego como investigador da Polícia Federal por abandono de posto. 

No início de outubro, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes expediu um mandado de prisão contra ele, após sua condenação a mais de quatro anos de prisão por fazer lobby junto ao governo Trump contra o Judiciário brasileiro. Mas, no universo MAGA, Eduardo é uma estrela e a eleição de seu irmão é tratada como um fato consumado.

Obra de arte autografada por Eduardo Bolsonaro mostra a América Latina sob a bandeira dos EUA

Em conversa com jornalistas antes do evento, Eduardo descartou as preocupações com a ingerência dos EUA nas eleições brasileiras e voltou a repetir alegações sem fundamento que já foram contestadas: segundo ele, durante o governo de Joe Biden, a agência oficial de ajuda humanitária USAID, fechada por Trump em 2025, financiou ONGs e veículos de comunicação sob o pretexto de combater a desinformação, com o objetivo de impedir a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.

“O Brasil já sofreu uma interferência internacional. O que eu vejo agora é justamente o oposto”, afirmou. A primeira medida de um eventual governo de seu irmão seria “expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes” do STF, disse ele, referindo-se ao ministro como um “tirano”. Caso contrário, seu irmão não conseguiria governar, na opinião do deputado cassado. Perguntado se voltaria para o Brasil mesmo com o pedido de prisão, Eduardo negou. “Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não”, afirmou.

Eduardo circulava pelo salão de baile acompanhado de perto pelo blogueiro de extrema direita Allan dos Santos. Foragido nos EUA desde 2021, quando teve prisão decretada pelo Supremo, o blogueiro é investigado em dois inquéritos sobre a criação de milícias digitais e propagação de fake news.

Eduardo Bolsonaro cercado pelo blogueiro foragido por Allan do Santos e por membros da Revista Timeline

Presença frequente em eventos conservadores nos EUA, Eduardo também conversou informalmente com Matt Schlapp, presidente da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), e sua mulher, Mercedes, que mencionou os Bolsonaro em seu discurso e previu que Flávio será eleito presidente do Brasil. “Colocamos a América Latina de volta nos trilhos”, afirmou ela.

Já no fim da noite, enquanto os convidados dançavam ao som de La Bamba, Conga e Macarena, a reportagem conversou com Lena Ruseva, que vestia um longo vestido vermelho estampado com o rosto de Trump e a frase “Drill, baby, drill” (“Perfure, baby, perfure”, slogan de Trump em alusão à exploração de petróleo).

Autodenominada artista America First, Ruseva contou que Milei havia gostado tanto do retrato que ela fez dele especialmente para a ocasião que quis ficar com a obra. Ela também demonstrou orgulho do quadro que teria dado de presente a Trump em um de seus aniversários.

A artista trumpista Lena Ruseva em entrevista na chegada à festa

Algumas de suas obras estavam expostas no salão e seriam leiloadas, com lances iniciais de US$ 10 mil. Entre elas, havia uma representação da bandeira americana com o contorno da América Latina. Eduardo Bolsonaro assinou a obra com letras douradas.

“Disse a ele que ficaria com o quadro até que se tornasse o próximo presidente do Brasil”, contou ela.

Empresário que fundou Instituto com Eduardo Bolsonaro presta serviço para campanhas

1 October 2026 at 22:04

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

Sérgio Henrique Sant’Anna, sócio do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), recebeu R$340 mil nas eleições de 2026. Segundo dados da plataforma DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral, duas empresas suas prestaram serviços para três campanhas à Câmara dos Deputados.

A NHR Estratégia e Comunicação LTDA recebeu R$160 mil das campanhas de General Girão (PL-RN) e Athally Cristhinny (Republicanos-RR) por serviços não especificados, que receberam R$2,8 milhão e R$625 mil de fundo partidário, respectivamente. 

A empresa foi fundada em março deste ano com capital social de R$100 mil para realização de “atividades de consultoria em gestão empresarial”.

Outros R$180 mil foram pagos a sua sociedade individual de advocacia pela campanha de Lucas Pavanato (PL-SP), que por sua vez, recebeu R$2,8 milhões da Direção Nacional do PL.

Entre 2022 e 2025, o escritório dividiu o endereço com o Instituto Conservador Liberal, entidade que fundou com Eduardo Bolsonaro para realização da Conferência CPAC Brasil. O empresário diz que o ICL está ativo apenas na Receita Federal e que não tem relação com as atividades do ex-deputado no exterior.

Por que isso importa?

  • Sérgio e Eduardo Bolsonaro fundaram juntos o Instituto Coservador Liberal (ICL), que promovia no Brasil o CPAC, conferência conservadora ligado ao Trumpismo. O evento não acontece no Brasil desde que Eduardo foi para os EUA, onde mantém sua atividade política nos EUA, cujo financiamento é ainda pouco claro.

Em julho de 2025, o The Intercept Brasil revelou que a Sant’Anna havia recebido R$600 mil em recursos do fundo partidário do PL ao longo de 2024 para prestação de serviços advocatícios – mesmo período em que realizou uma das edições do CPAC Brasil com Eduardo Bolsonaro. 

Agora, a Pública revela que o empresário segue sendo financiado com fundo eleitoral através de aliados dos Bolsonaro.

Sérgio Sant'Ana e Eduardo Bolsonaro durante o CPAC Brasil 2021
Sérgio Sant’Ana e Eduardo Bolsonaro durante o CPAC Brasil 2021

Candidato à reeleição, Girão é aliado de longa data de Eduardo Bolsonaro, frequentemente republicando seus vídeos e posicionamentos nas redes sociais. Quando o ex-deputado foi condenado por tentar interferir nas investigações sobre a trama golpista, o parlamentar foi à Tribuna da Câmara contestar a decisão, que chamou de “perseguição judicial”. 

O coro também foi entoado por Lucas Pavanato na Câmara Municipal de São Paulo. O vereador postulante à Câmara dos Deputados fez um discurso a favor de Eduardo Bolsonaro quando ele anunciou sua ida aos Estados Unidos. “O recado que eu deixo é claro, nós não vivemos em uma democracia”, disse.

Lucas Pavanato na Assembleia Legislativa de São Paulo
Lucas Pavanato na Assembleia Legislativa de São Paulo

Girão também integra a comitiva de parlamentares bolsonaristas que frequenta eventos conservadores internacionais. Em 2024, foi um dos deputados convidados pelo republicano Chris Smith a comparecer em audiência pública em Washington, que acabou sendo cancelada. 

Já Athally está fazendo sua estreia na política apresentando-se como a única candidata a deputada federal em Roraima apoiada por Nikolas Ferreira (PL-MG), também aliado de Sant’Anna. O advogado acompanhou o deputado mineiro na chamada “Caminhada Pela Liberdade” realizada em janeiro deste ano, que pedia a anistia a presos pelo 8 de janeiro, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionadas, as campanhas dos candidatos Athally e Girão não responderam sobre os serviços prestados por Sergio Sant’Anna às campanhas. Já o candidato Lucas Pavanato afirmou que “todos os serviços jurídicos da campanha foram prestados pelo contratado” e que “não conversa com o Eduardo [Bolsonaro] faz quase um ano”.

O advogado afirmou que presta serviços de advocacia para Pavanato e de assessoria de comunicação para Girão e Athally. Também negou relação com Eduardo Bolsonaro, de quem diz ter se afastado desde que foi para os Estados Unidos.

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