❌

Normal view

Museu da Chapelaria conquista prémio de museu português do ano

30 October 2026 at 20:34

O Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, foi hoje distinguido com o Prémio Museu do Ano 2026, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), numa cerimónia realizada em Sesimbra, distrito de Setúbal, anunciou a organização.

O galardão foi atribuído durante a cerimónia dos Prémios APOM, que distinguiu projetos e profissionais em onze categorias, no Cineteatro Municipal João Mota, em Sesimbra, com a presença de representantes de entidades do setor e galardoados.

O Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), em Lisboa, e o Museu Nacional Resistência e Liberdade, instalado na Fortaleza de Peniche, que eram finalistas a Museu do Ano, receberam menções honrosas.

João Neto, presidente da direção da APOM, citado num comunicado da associação, destacou a escolha do museu premiado pelo trabalho de “excelência na preservação do património e memória da arte da chapelaria de São João da Madeira”.

Fundado em 2005, o Museu da Chapelaria é o único espaço museológico da Península Ibérica inteiramente dedicado à história e ao fabrico industrial do chapéu, atividade que marcou o desenvolvimento económico e social de São João da Madeira ao longo do século XX, indica o sítio ‘online’ deste equipamento.

A sua criação está ligada à memória da comunidade operária chapeleira, cujos trabalhadores eram conhecidos como “Unhas Negras”, devido às marcas deixadas nas mãos pelo contacto diário com o feltro, as tintas e os materiais utilizados no fabrico. Com o encerramento progressivo das fábricas, o município procurou preservar o património industrial e as histórias de várias gerações de trabalhadores.

O museu está instalado no edifício da antiga Empresa Industrial de Chapelaria, conhecida como “Fábrica Nova”, fundada em 1914 e encerrada em 1995.

A Câmara Municipal adquiriu o edifício e o espólio industrial em 1996, dando início ao processo que conduziu à criação do espaço museológico, inaugurado a 22 de junho de 2005.

A coleção reúne maquinaria utilizada nas diferentes fases de produção, ferramentas, moldes e formas de madeira, chapéus de várias épocas, fotografias, documentos e registos da atividade fabril.

No percurso da exposição permanente, o público pode acompanhar as etapas de fabrico e conhecer as condições de trabalho, os usos sociais do chapéu e a importância económica da indústria para a região.

Em janeiro de 2025, o Museu da Chapelaria reabriu ao público depois de seis meses de encerramento para obras de requalificação da exposição permanente, financiadas pelo Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus (ProMuseus).

A intervenção introduziu novos conteúdos e recursos de interpretação em português e inglês, materiais em braille e soluções multissensoriais destinadas a alargar as condições de acesso às coleções, segundo o museu.

Outra das áreas de intervenção tem sido a acessibilidade, dispondo o museu de percursos acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, conteúdos em braille e materiais que podem ser explorados pelo tato.

Em 2025, o museu recebeu uma menção honrosa do Prémio Acesso Cultura – Mickaella Dantas, pela criação de um Fraldário Acessível, destinado a pessoas de diferentes idades e géneros.

Dirigido por Tânia Reis, o museu está integrado na Rede Portuguesa de Museus desde 2010, ano em que recebeu a credenciação que reconhece a qualidade do trabalho técnico, científico e cultural desenvolvido pela instituição.

O Museu da Chapelaria já tinha sido distinguido pela APOM com três menções honrosas, em diferentes categorias: em 2005, na de Melhor Museu, quando foi um dos finalistas; em 2010, na de Melhor Serviço de Extensão Cultural; e, em 2023, na de Incorporação, pela doação de 77 criações do designer Luís Stoffel.

A APOM recebeu este ano 78 candidaturas aos prémios, provenientes de todo o país, indica ainda o comunicado da associação.

Os Prémios APOM, criados em 1994, distinguem anualmente museus, profissionais e projetos em diferentes áreas da atividade museológica, incluindo investigação, conservação, comunicação, educação e acessibilidade.

Na edição de 2025, que coincidiu com a celebração do 60.º aniversário da APOM, o Museu de Serralves, no Porto, venceu o prémio de Museu Português do Ano.

Kiluanji Kia Henda estreia sátira sobre Angola no festival de cinema de Roterdão

29 October 2026 at 18:50

O filme “Karl Marx, Luanda”, do artista angolano Kiluanji Kia Henda, vai ter estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, em janeiro, nos Países Baixos, revelou hoje a organização.

Em “Karl Marx, Luanda”, Kiluanji Kia Henda imagina um país que “renova o seu compromisso com o comunismo” e conta “uma história de amor com viagens no tempo”, que combina “ficção científica africana com ‘western spaghetti’”, como descreveu o festival.

O filme tem coprodução entre Angola e Portugal (pela Wonder Maria Filmes) e representa um regresso de Kiluanji Kia Henda ao festival de Roterdão, onde apresentou em 2021 a performance “Red Light Square – history is a bitch project: Kinaxixi”, sobre o Largo de Kinaxixi, em Luanda, um projeto desenvolvido em residência no Porto.

Artista multidisciplinar nascido em 1979, Kiluanji Kia Henda aborda, através da arte, a memória coletiva, os espaços públicos e a sociedade. Tem refletido sobre o pós-colonialismo em várias exposições e criações, com trabalhos como “Redefining the power”, sobre os movimentos pela retirada de monumentos, que têm emergido na América, na Europa e também em África.

Em 2012 recebeu o Prémio Nacional de Arte e Cultura, em Angola, e, em 2017 o Frieze Artist Award, atribuído pela feira de arte londrina com o mesmo nome, dedicado a jovens emergentes.

Já marcou presença em iniciativas como a Bienal de São Paulo, e foi selecionado para exposições no Centre George Pompidou, em Paris, em 2020, na Tate Modern, em Londres, em 2018, e no Guggenheim de Bilbau, em 2015, o mesmo ano em que fez parte de uma mostra no Smithsonian, em Washington.

É ainda autor do Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas, para ser instalado na zona da Ribeira das Naus, em Lisboa.

O filme “Karl Marx, Luanda” é um dos primeiros títulos a ser anunciado para a 56.ª edição do festival de cinema de Roterdão, marcada de 28 de janeiro a 07 de fevereiro de 2027.

Retrospetivas de Lars von Trier e Kelly Reichardt na 20.ª edição do LEFFEST

29 October 2026 at 16:50

Em 2026, o LEFFEST – Lisboa Film Festival celebra uma data redonda: 20 edições e uma longa história marcada por retrospetivas, estreias mundiais e filmes estreados ou premiados ao longo do ano nos principais festivais internacionais.

O festival decorre de 6 a 15 de novembro e dissemina a programação por cinco salas da cidade. Aos espaços habituais do Cinema Medeia Nimas, Cinema São Jorge, Teatro do Bairro e Culturgest junta-se, nesta edição, o Cinema NOS Vasco da Gama, no Parque das Nações. Se, nos tempos que correm, ir à sala de cinema pode ser considerada uma opção de nicho, a inclusão de uma sala da NOS num recinto comercial vem demonstrar que, afinal, pode não ser bem assim.

A programação, como sempre, é eclética. Não se pretende agradar a todos, antes exibir obras cinematográficas que, na perspetiva de quem programa – o produtor Paulo Branco – merecem a atenção do público. Na Seleção Oficial, estão 11 filmes em competição. Entre eles, “Mariage au goût d”orange”, do francês Christophe Honoré, “Os Christophers”, do norte-americano Steven Soderbergh, e “Scherzetto”, do italiano Mario Martone. O romeno Radu Jude também faz parte da lista, com o “Diário de uma Criada de Quarto”, numa reinterpretação do clássico de Octave Mirbeau, assim como o mexicano Fernando Eimbcke, que traz ao LEFFEST a obra “Moscas”, reconhecida no Festival de Berlim.

Em competição estarão, também, a cineasta alemã Valeska Grisebach com “The Dreamed Adventure”, galardoada em Cannes, a austríaca Sandra Wollner com “Everytime”, distinguida na secção Un Certain Regard, e o russo Kantemir Balagov com “Butterfly Jam”. A representação latino-americana fica a cargo de “La perra”, da chilena Dominga Sotomayor, enquadrada na secção Quinzena dos Cineastas. A fechar a competição estará “Notre Salut”, do belga Emmanuel Marre, e “Ela Olhava Sem Nada Ver”, que leva a assinatura da atriz e realizadora francesa Fanny Ardant.

O LEFFEST não é feito apenas de competição entre cinematografias. Também acolhe antestreias fora de concurso e produções premiadas no circuito dos festivais ao longo do ano. Destaque para “Soudain”, de Ryusuke Hamaguchi, cujas intérpretes foram distinguidas em Cannes, “Bajañí”, do espanhol Fernando Trueba, “Coward”, do belga Lukas Dhont, “Fatherland”, do polaco Paweł Pawlikowski, e “Ink”, do britânico Danny Boyle, que abriu o Festival de Veneza.

O premiado e deliciosamente controverso cineasta dinamarquês Lars von Trier será objeto de uma retrospetiva praticamente integral da sua filmografia. E não será a única. Kelly Reichardt, Sophie Letourneur e o português Tiago Guedes, todos com presença confirmada em Lisboa, também verão as suas obras exibidas no LEFFEST, a que se soma o ciclo dedicado ao realizador sul-coreano Lee Chang-dong.

O júri da Seleção Oficial é presidido pelo realizador canadiano David Cronenberg, que estará em Lisboa para falar sobre o seu filme “M. Butterfly”, de 1993, numa conversa aberta ao público com a atriz Barbara Sukowa. Numa extensa lista de presenças o LEFFEST já anunciou que Abel Ferrara e Béatrice Dalle estarão na apresentação de “Salò, ou os 120 Dias de Sodoma”, de Pier Paolo Pasolini.

Frédéric Bonnaud, diretor-geral da Cinemateca Francesa, é outra das presenças confirmadas. A ele caberá falar sobre o filme “The Stranger”, de Orson Welles. Já a exibição de “My Brother’s Wedding” será acompanhada por Charles Burnett,  figura central do movimento L.A. Rebellion. O cineasta britânico Mike Leigh marcará presença à distância para apresentar “Tender Loving Care”.

Como já é habitual, o LEFFEST propõe um programa que ultrapassa os limites da sala de cinema, criando pontes com outras artes e disciplinas. Consulte aqui tudo o que vai acontecer nos dez dias do festival.

Miró em diálogo com artistas contemporâneos da Coleção de Serralves

28 October 2026 at 14:00

Até 7 de março de 2027, a Casa de Serralves acolhe a exposição “Afinidades Eletivas: Joan Miró e a Arte Contemporânea na Coleção do Museu de Serralves”, organizada pela Fundação de Serralves, apresenta obras da Coleção Miró em diálogo com obras de Helena Almeida, Michael Biberstein, Luisa Cunha, Ana Hatherly, Asger Jorn, Julie Mehretu, Robert Morris, Júlio Pomar, Dieter Roth, Julião Sarmento e Antoni Tàpies, entre outros artistas relevantes.

As suas práticas vão da pintura e da escultura à colagem, à instalação, à fotografia, ao vídeo e às obras multimédia, da Process Art à Arte Povera, e das desconstruções visuais dos códigos pictóricos ao Neoexpressionismo e ao questionamento da linguagem. Em cada um destes cruzamentos com obras da Coleção de Serralves, o percurso de Miró encontra eco na prática artística contemporânea. Daí que o título “Afinidades eletivas” tenha como ambição “assinalar a relação de Miró com a arte contemporânea enquanto encontro dinâmico”, como refere o curador da exposição, Robert Lubar Messeri.

No texto da folha de sala, Messeri salienta que Goethe se apropriou desse conceito para “sublinhar as ligações emocionais e as relações afetivas entre pessoas, coisas ou ideias que, mais do que impostas, são instintivas e escolhidas.” No contexto da exposição, a expressão “afinidades eletivas” parte dessas associações, enfatizando o diálogo visual e conceptual, mais do que as relações formais ou as lógicas de influência direta. As obras de Miró das décadas de 1960 e 1970 serviram como ponto de partida, havendo algumas incursões pontuais por obras anteriores.

“Afinidades Eletivas: Joan Miró e a Arte Contemporânea na Coleção do Museu de Serralves” apresenta a relação de Joan Miró com a arte contemporânea como uma série de encontros dinâmicos e divide-se em sete secções: 1. Process Art; 2. Expressionismo revisitado; 3. Antimonumentos; 5. O desenho como prática; 6. Linguagem; e 7. Pintura en abîme.

O que a curadoria de Robert Lubar Messeri pretende é ilustrar como Miró se afirmou não só como um grande mestre moderno, mas também como artista contemporâneo cuja obra estava em sintonia com as dinâmicas emergentes no mundo da arte.

Os museus que se podem visitar à noite em Paris

27 October 2026 at 13:30

 

 

A capital francesa está novamente a arder. O descontentamento social é bem visível nas ruas de Paris e as manifestações e protestos levaram a organização da Art Basel Paris a encerrar a feira mais cedo, algo que nem uma pandemia conseguira fazer. Mas isso não quer dizer que galerias e museus não cumpram com a programação prevista.

Se estiver por Paris e precisar de uma margem de tempo para visitar “aquela exposição imperdível”, aqui ficam algumas sugestões dos espaços culturais que prolongam o seu horário num dia específico da semana.

 

Segunda-feira. Musée du Luxembourg – até às 22h

O museu próximo do Jardim homólogo foi uma das primeiras instituições de arte antiga a abrir ao público na cidade das luzes. Ocupa uma parte do Palácio do Luxemburgo, onde se encontra o Senado francês, e deixou de ter uma coleção permanente. O foco passaram a ser duas exposições temporárias por ano em homenagem a grandes figuras da arte moderna e da fotografia. Neste momento, Andy Warhol é o artista em destaque.

Andy Warhol – A Linha e a Imagem | até 10 de janeiro de 2027

 

Terça-feira. Jeu de Paume – até às 21h

Em pleno coração de Paris, o Jeu de Paume é um lugar de experimentação por excelência no que à imagem diz respeito. Da fotografia histórica ao cinema experimental e criações digitais contemporâneas, todas as faces e facetas da imagem passam por aqui. Até janeiro de 2027, o canadiano Stan Douglas, questiona como nós, humanos, construímos a história, a representamos e transmitimos.

Stan Douglas – Parallax | até 10 de janeiro de 2027

 

Quarta-feira. Museu do Louvre – até às 21h

É o maior e mais visitado museu do mundo! Antigo palácio real que remonta à Idade Média, o Louvre foi transformado ao longo do tempo até se tornar um museu aberto ao público em 1793. Possui um acervo de 500.000 obras, desde a Antiguidade até 1848 e da Europa Ocidental ao Irão, passando pela Grécia, Egito e Médio Oriente. O ideial é comprar bilhetes online com antecedência. Todas as quartas e sextas-feiras, dias em que o horário é alargado, são organizadas mini-visitas de 20 minutos com guias turísticos na exposição permanente e nas exposições atuais.

Zurbarán – 1598-1664 | até  25 de janeiro de 2027

 

Quinta-feira. Maison Européenne de la Photographie (MEP) – até às 22h

Situada numa mansão do século XVIII no coração do Marais, a Maison Européenne de la Photographie (MEP) tem uma coleção de mais de 12.000 obras, uma biblioteca especializada e livraria, e organiza workshops o ano todo. Este outono, a fotografia de moda pela lente do norte-americano Irving Penn, um dos nomes mais influentes da fotografia do século XX e colaborador de longa data – 60 anos! – da revista Vogue.

Penn & Fashion | até 17 de janeiro de 2027

 

Sexta-feira. Bourse de Commerce|Coleção Pinault – até às 21h

Em 2021, o edifício histórico da Bolsa de Paris, no bairro de Les Halles, reabriu as suas portas, transformado pelo renomado arquiteto japonês Tadao Ando para acolher parte da coleção de arte contemporânea do empresário e colecionador francês François Pinault. No bicentenário da invenção da fotografia, a efeméride é aqui assinalada através de 700 fotografias de 70 artistas. E também pela intervenção na Rotonde da artista norte-americana Barbara Kruger.

Remember Me – Obras-Primas da Fotografia da Coleção Pinault | até 18 de janeiro de 2027

 

Sábado. Palais de Tokyo – até às 22h

O Palais de Tokyo, todos os dias abre as suas portas até às 22h00, exceto à terça-feira. A programação de outono j´´a arrancou e dissemina-se, nada mais nada menos, do que por oito exposições, centradas no trabalho de Valérie John, Ali Cherri, Lassana Sarre, Rose Lowder, Sonia Gomes, Paul Kodjo e Céleste Richard-Zimmermann.

 

Extensão do Doclisboa regressa a Macau com mostra de documentários de três continentes

27 October 2026 at 10:49

A extensão do Doclisboa 2025 regressa a Macau entre 05 e 19 de novembro com a apresentação de dez documentários, incluindo obras dos vencedores do festival de curtas local, anunciou hoje o Instituto Português do Oriente (IPOR).

“Ao integrar na programação os filmes apresentados nas competições de 2025 do DocLisboa e do Festival Internacional de Curtas de Macau, o IPOR enriquece a oferta cultural da cidade, cruzando obras marcantes do documentário contemporâneo do Ocidente e do Oriente e reafirmando a identidade cultural de Macau”, lê-se numa mensagem da diretora do IPOR, Patrícia Quaresma, no programa hoje divulgado.

A abertura do festival, em 05 de novembro, vai ser dedicada a três obras distinguidas no Festival Internacional de Curtas de Macau.

“Voo Nupcial”, de Chan Chon Sin, acompanha um “homem de movimentos graciosos” que começou certo dia “a ver as suas órbitas oculares a encherem-se de sombras irregulares que não desapareciam”, lê-se no programa.

Já “O Desenvolvimento de Macau”, de Zhang Linliang, centra-se na experiência pessoal e criação do fotógrafo Chen Xianyao, radicado em Macau. Já em “Na Órbita Sem Ti”, Leong Hou Wang traz ao grande ecrã a vida da “Tia da Banca”, proprietária de uma loja local.

Neste primeiro dia ainda é possível assistir ao documentário “Maneiras”, de António Sanmarful, sobre “a notável história inerente a três edifícios emblemáticos desenhados” em Macau pelo arquiteto José Maneiras (1935-2025).

A programação inclui ainda “Explode São Paulo, Gil”, da realizadora brasileira Maria Clara Escobar, que vai estar em Macau para o festival. Esta produção luso-brasileira conta o percurso de Gil, que sonha ser cantora e se muda para São Paulo, onde trabalha como doméstica.

“Maria Clara propõe fazer um filme sobre ela. Gil torna-se famosa e elas explodem duas cidades e refletem sobre sonhos, trabalho e esquecimento”, refere-se no programa.

“As Estações”, da luso-francesa Maureen Fazendeiro, combina depoimentos de trabalhadores rurais e notas de campo de um casal de arqueólogos, imagens de arquivo amador e desenhos científicos, lendas e poemas e canções para dar forma a “uma viagem pela história real e inventada” do Alentejo “e dos povos que aí viveram”.

“As brigadas revolucionárias na luta contra a ditadura”, de Luiz Gobern Lopes, “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Bulanka”, de Leonor Noivo são as outras obras de cineastas portugueses que constam da programação desta edição da extensão a Macau do Doclisboa 2025.

“Bulanka” acompanha mulheres filipinas que “hoje, enfrentam uma nova forma de colonização, a migração forçada pelo trabalho”, refere-se ainda na apresentação, onde se descreve que milhares de filipinas trabalham como empregadas domésticas e cuidadoras em países estrangeiros, “sustentando economias alheias enquanto deixam as próprias famílias para tras”.

O filme chega agora a Macau, onde vive uma numerosa comunidade migrante originária deste país do Sudeste Asiático.

Ainda parte do festival, está a obra do franco-americano Eugène Green “A Árvore do Conhecimento”, uma fábula sobre Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa que cai nas mãos do Ogre, um homem que fez um pacto com o diabo e usa o rapaz para atrair turistas, transformando-os em animais para depois os abater, numa “crítica nem sempre velada ao modo como a cidade se rendeu ao turismo”, lê-se na apresentação desta obra no portal do Doclisboa.

❌