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Lula deve acolher aliados sem mandato para compor nova Esplanada

27 October 2026 at 22:58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve considerar aliados que ficaram sem mandato após as eleições de 2026 e integrantes do governo que abriram mão de candidaturas na montagem da Esplanada dos Ministérios para o quarto mandato, que começa em janeiro de 2027.

Entre eles está o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que abriu mão de disputar uma vaga no Senado pelo Ceará para assumir a articulação política do governo, em abril deste ano.

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (27), Guimarães disse que os integrantes do governo que não disputaram as eleições para permanecer no Executivo estão à disposição do presidente para continuar a “servir o país”.

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Além do ministro-chefe da pasta responsável pela articulação política do governo, também estão nesse grupo Luiz Marinho (PT), do Trabalho e Emprego, que permaneceu no ministério após pedido de Lula, e Waldez Góes (PDT), da Integração e Desenvolvimento Regional, que desistiu de disputar o Senado pelo Amapá.

Outros integrantes do primeiro escalão, como Alexandre Padilha (PT), da Saúde, e Alexandre Silveira (PSD), de Minas e Energia, também permaneceram no governo e não concorreram no pleito deste ano.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), chegou a ser cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Pernambuco, mas decidiu continuar à frente da pasta, após pedido de Lula.

A permanência desses auxiliares na nova gestão, entretanto, dependerá das escolhas do presidente e das negociações com os partidos aliados.

Em entrevista à CNN, Guimarães afirmou que a composição do próximo governo deve refletir o resultado eleitoral e as alianças políticas que contribuíram para a reeleição de Lula.

O ministro também defendeu a formação de um governo de frente ampla, com a participação de legendas além do PT, mas ressaltou que os partidos devem assumir compromissos de fidelidade à agenda governista.

“Eu sou defensor de uma base menor, se for o caso, mas coesa, e que tenha fidelidade ao governo que está implementando as suas políticas e programas”, declarou.

Aliados derrotados nas urnas

A composição da nova equipe também deve levar em conta a acomodação de aliados derrotados nas urnas, a preservação de auxiliares que permaneceram no Executivo durante a disputa eleitoral e a ampliação da participação de partidos de centro, considerados importantes para o diálogo com o Congresso Nacional.

Entre os nomes que circulam nos bastidores está o de João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife que foi derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco.

Segundo apuração da CNN, ele é cogitado para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pasta anteriormente comandada por seu pai, Eduardo Campos, durante o primeiro mandato de Lula.

Outro partido que pode ganhar espaço é o MDB. A expectativa entre interlocutores do governo é que a ala nordestina da legenda tenha ao menos um ministério.

Os senadores Renan Calheiros e Renan Filho, derrotados nas eleições em Alagoas, aparecem entre os nomes cotados para integrar a próxima gestão.

O movimento também ocorre em meio à tentativa de reaproximação com legendas que se dividiram durante a campanha presidencial. Apesar de setores do MDB terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL), o PT deve se reunir com representantes da legenda para discutir sua participação no novo governo.

Disputa por espaço na Esplanada

A acomodação de aliados sem mandato ocorre paralelamente às negociações para ampliar a sustentação do governo no Congresso Nacional.

Além dos nomes ligados ao PT e ao PSB, interlocutores do presidente avaliam a participação de representantes do Centrão em postos estratégicos.

Um dos cargos mencionados nas articulações é o Ministério das Relações Institucionais, responsável pela interlocução com deputados e senadores e atualmente comandado por Guimarães.

O ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos) está entre os nomes ventilados para a função.

A possibilidade de mudanças na articulação política evidencia a disputa por espaço na Esplanada e o desafio de conciliar a permanência de auxiliares próximos ao presidente com a entrada de novos aliados.

A formação do novo governo começou a ser discutida após a vitória de Lula no segundo turno. Na segunda-feira (26), o presidente se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio às primeiras articulações para o próximo mandato.

As negociações ainda estão em estágio inicial e não há definição oficial sobre a distribuição das pastas.

Lula começa a desenhar equipe para o próximo governo

27 October 2026 at 13:49

Após a vitória no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Brasília para iniciar as articulações políticas e definir a nova composição da Esplanada dos Ministérios para a gestão que começa em janeiro de 2027. O Palácio da Alvorada tornou-se o centro das movimentações nos primeiros dias após o resultado das urnas.

Nos bastidores de Brasília, já circulam nomes cotados para os principais ministérios, especialmente aqueles que se aproximaram da campanha petista no segundo turno.

Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, houve uma mudança de forças no núcleo duro da campanha entre o primeiro e o segundo turno, com destaque para três figuras que são vistas por aliados de Lula como fundamentais para a virada na eleição.

Nomes cotados para os ministérios

Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, é apontado como favorito para assumir o Ministério da Fazenda. Aliados de Lula o descrevem como um nome ao mesmo tempo político e técnico, tendo ocupado a Secretaria de Fazenda do governo do Piauí.

Fonteles já teria sinalizado confiança no vice-governador eleito, Washington Bandeira (PT), também filiado ao PT, o que abriria caminho para sua ida ao governo federal. A chapa dos dois foi a mais votada no primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil.

Camilo Santana (PT-CE), senador e ex-ministro da Educação, aparece como cotado para a Casa Civil — cargo que anteriormente era associado a Fernando Haddad (PT), mas cuja força política agora pende para Santana.

Já André Janones (Rede-MG), deputado reeleito por Minas Gerais, que comandou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 10 milhões de inscritos, é visto por aliados do presidente como alguém com “carta branca” para assumir a Secretaria de Comunicação Social ou a Secretaria Geral, ambas no Palácio do Planalto.

Outros nomes em disputa

João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, é cogitado para o Ministério de Ciência e Tecnologia. O cargo teria um valor simbólico, já que o pai dele, Eduardo Campos (PSB), ocupou a mesma pasta durante o primeiro mandato de Lula.

Além disso, aliados do presidente avaliam indicar um nome do Centrão para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação com o Congresso Nacional.

O nome de Silvio Costa Filho (Republicanos), que ocupou o Ministério de Portos e Aeroportos no terceiro mandato, está sendo ventilado para essa função — especialmente porque o Congresso eleito em 2026 é considerado mais à direita do que o de 2022.

Articulação com o Congresso e agenda internacional

Na segunda-feira (26) seguinte à eleição, Lula se reuniu no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente.

Os dois buscam se reeleger nos comandos de suas Casas legislativas e a articulação com o Executivo é considerada estratégica para a pauta do próximo ano.

Além das tratativas políticas internas, Lula também dedicou parte da segunda-feira (26) à agenda internacional, reunindo-se com o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, e o embaixador Audo Faleiro, também assessor da área diplomática, para planejar compromissos externos dos próximos meses.

O presidente, no entanto, vinha atendendo com cautela os pedidos de telefonemas de líderes internacionais, em razão de uma voz comprometida após a intensa agenda de campanha.

Reação do mercado e movimentação da oposição

O dia seguinte à vitória de Lula foi marcado por forte turbulência nos mercados financeiros. A Bolsa de Valores fechou em queda de 13,88%, aos 176 mil pontos, com acionamento do circuit breaker pela B3, que interrompeu as negociações por 30 minutos.

O dólar subiu 8,36%, cotado a R$ 5,40. A instabilidade foi atribuída à desconfiança dos investidores sobre a condução da política fiscal e o perfil da equipe econômica do quarto mandato. Em declaração à CNN Brasil, Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou que o dia foi de “especulações” e garantiu que Lula tem “compromisso com as contas públicas”.

Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro declarou que será o líder da oposição ao governo petista. Ele recuou do pedido de anulação do pleito motivado pela extensão do horário de votação, mas anunciou que pedirá a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder político e econômico.

O PL, partido de Flávio, emitiu nota reconhecendo os resultados, mas cobrou esclarecimentos sobre questionamentos levantados durante o processo eleitoral. Partidos que apoiaram Flávio no segundo turno já sinalizaram reaproximação com Lula na tentativa de manter espaço no governo.

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