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Soja encerra semana em Chicago pressionada por safra dos EUA

30 October 2026 at 19:16

O contrato futuro da soja para entrega em janeiro encerrou a sessão desta sexta-feira (30) negociado a US$ 12,34 por bushel na bolsa de Chicago, com desvalorização de 0,04%.

Segundo análise da Granar, após quatro sessões consecutivas de perdas, os preços apresentaram uma recuperação moderada durante o pregão, apoiados por operações de hedge realizadas por investidores. Apesar disso, os fundamentos de mercado continuam pressionados pelo avanço da colheita recorde nos Estados Unidos e pela entrada da nova safra no mercado.

A fraqueza das cotações do farelo de soja ao longo da semana, em meio ao bom desempenho das vendas argentinas e à maior competitividade das exportações brasileiras, reduziu o suporte aos preços da oleaginosa norte-americana. A desvalorização do real frente ao dólar favorece os embarques brasileiros e amplia a concorrência com o produto dos Estados Unidos.

No cenário comercial, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou duas novas vendas de soja da safra 2026/2027 para destinos não informados, nos volumes de 165,15 mil toneladas e 132 mil toneladas, respectivamente.

As operações alimentaram especulações sobre uma possível participação da China na demanda. No entanto, a ausência de confirmação oficial de novas compras pelo país asiático mantém os operadores cautelosos, especialmente diante da expectativa de retomada dos negócios entre os dois países e da importância do mercado chinês para as exportações norte-americanas.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,78% na bolsa de Chicago, negociado a US$ 4,47 por bushel.

Segundo análise da Granar, os preços do cereal seguem em trajetória negativa e caminham para completar a quinta semana consecutiva de perdas. Um dos principais fatores de pressão é a chegada da segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos, com a colheita ganhando ritmo nas principais regiões produtoras.

Os trabalhos no campo avançaram à medida que a colheita da soja, que havia recebido prioridade dos agricultores, se aproxima da conclusão. Com mais milho disponível no mercado, as perspectivas de oferta elevada aumentam a pressão sobre os contratos futuros.

Outro fator que limita uma possível recuperação das cotações é a perda de competitividade das exportações norte-americanas. A desvalorização do real frente ao dólar e a valorização da moeda norte-americana em relação ao euro tornam o cereal dos Estados Unidos menos competitivo diante de fornecedores de outras origens.

Apesar do cenário predominantemente negativo, a Granar não descarta movimentos de recuperação. Uma possível proteção cambial por parte dos fundos de investimento pode favorecer uma mudança de posicionamento no mercado, especialmente após a forte liquidação de contratos registrada nas semanas anteriores.

Trigo

O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,04%, negociado a US$ 6,03 por bushel.

Segundo análise da Granar, os preços do cereal nos mercados norte-americanos seguem em trajetória negativa e caminham para completar a nona semana consecutiva de perdas. O movimento é influenciado principalmente pela liquidação de posições por grandes fundos de investimento, que continuam reduzindo sua exposição ao mercado.

Entre os fatores que também pressionam as cotações está a valorização do dólar em relação ao euro. O movimento reduz a competitividade do trigo norte-americano no comércio internacional e favorece a comercialização do cereal produzido pela União Europeia. Além disso, o início da colheita no Hemisfério Sul amplia a atenção dos investidores sobre a entrada de novos volumes no mercado.

No cenário geopolítico, as negociações diplomáticas para um possível cessar-fogo no Mar Negro e a autorização do governo russo para a circulação de embarcações no Mar de Azov, suspensa desde 10 de julho, também estão no radar dos operadores.

Apesar das iniciativas diplomáticas, as tensões entre Rússia e Ucrânia permanecem. Segundo informações divulgadas pela Rússia nesta sexta-feira, a Ucrânia realizou um ataque com drones contra a refinaria de petróleo de Novokuybyshevsk, na região de Samara. Relatos locais apontaram explosões e um incêndio nas instalações, consideradas importantes para a produção de gasolina, diesel e combustível de aviação.

Trigo mais caro pressiona moinhos e padarias; veja como fica preço do pão

CJ Selecta fecha crédito verde de R$ 155 mi para compra de soja certificada

30 October 2026 at 19:05

A CJ Selecta, controlada desde 2017 pelo grupo sul-coreano CJ CheilJedang, fechou um financiamento de US$ 30 milhões, ou cerca de R$ 155 milhões, com o Bradesco para a compra de soja certificada. A operação, estruturada como um PPE (Pré-Pagamento à Exportação) Verde, estabelece critérios de rastreabilidade e sustentabilidade para a utilização dos recursos.

O financiamento está vinculado à aquisição de matéria-prima que atenda a padrões socioambientais verificáveis. Isso significa que a empresa precisa comprovar a origem da soja comprada e demonstrar que os fornecedores seguem critérios reconhecidos de sustentabilidade.

A operação faz parte da estratégia da CJ Selecta de ampliar o controle sobre a origem dos grãos utilizados em suas fábricas, afirmou a companhia em comunicado. Em 2025, 99,63% do volume de soja adquirido pela companhia teve a origem rastreada até o nível da propriedade rural, por meio do CAR (Cadastro Ambiental Rural). O registro permite identificar e delimitar os imóveis rurais.

No mesmo período, todo o volume de soja não geneticamente modificada comprado pela empresa recebeu certificação ProTerra, que estabelece requisitos relacionados à sustentabilidade da produção agrícola e à responsabilidade socioambiental da cadeia de fornecimento.

“A rastreabilidade da soja é um fator estratégico para a competitividade da cadeia e para o acesso a mercados cada vez mais exigentes em relação à origem da matéria-prima e às práticas socioambientais adotadas em sua produção”, afirmou o CEO da CJ Selecta, Alessandro Reis. 

Segundo o CEO da CJ Selecta, Alessandro Reis, o monitoramento combina análise geográfica das propriedades, avaliação socioambiental dos fornecedores e certificações independentes. O objetivo é verificar a procedência da matéria-prima e atender às exigências dos mercados consumidores.

“A aplicação de critérios verificáveis permite ampliar a transparência sobre a origem da soja e fortalecer os mecanismos de controle ao longo da cadeia de fornecimento. Ao combinar o rastreamento até a fazenda com certificações independentes, a CJ Selecta busca assegurar maior consistência na verificação da procedência e das práticas associadas à matéria-prima”, disse o executivo.

A soja é a principal matéria-prima utilizada pela companhia na fabricação de ingredientes destinados a segmentos como nutrição animal, alimentação, biocombustíveis e fertilizantes. Entre as principais produtoras e exportadoras globais de concentrado proteico de soja, a companhia também fabrica óleo, lecitina, etanol, fertilizantes e outros coprodutos, aproveitando a matéria-prima em diferentes etapas do processo industrial.

Critérios para o financiamento

O financiamento foi estruturado com base em um documento elaborado pela própria companhia, chamado Framework de Finanças Verdes. Ele estabelece quais atividades podem receber os recursos e como a empresa deve acompanhar e prestar contas sobre sua utilização.

Entre as atividades consideradas elegíveis estão agricultura regenerativa, adaptação às mudanças climáticas, geração de energia renovável, gestão da água, prevenção da poluição e economia circular.

O documento passou por uma avaliação independente da S&P Global Ratings, que verificou seu alinhamento aos princípios internacionais para emissão de títulos e concessão de empréstimos verdes, estabelecidos pela ICMA (International Capital Market Association).

Açúcar fecha em queda em Nova York e acumula perda de 4% na semana

30 October 2026 at 19:00

O contrato futuro do açúcar para entrega em março fechou a sessão desta sexta-feira (30) negociado a 19,36 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, com desvalorização de 0,56%.

Segundo análise da Barchart, os preços recuaram após atingirem, na quinta-feira, a máxima das últimas quatro sessões. O mercado repercutiu os dados divulgados de exportações do Brasil, que apontaram uma desaceleração no processamento da cana-de-açúcar na primeira quinzena de outubro.

No período, as usinas brasileiras moeram 32 milhões de toneladas de cana, queda de 18% em relação às 39 milhões de toneladas registradas em igual intervalo do ano passado. A produção de açúcar também recuou, com 2,15 milhões de toneladas, volume 23% inferior ao observado na primeira metade de outubro de 2025.

As condições climáticas seguem no radar dos investidores. As chuvas persistentes associadas ao fenômeno El Niño têm interrompido a colheita e atrasado as operações de moagem nas regiões produtoras do Brasil. Na quinta-feira, a StoneX informou que as previsões meteorológicas para os próximos sete dias indicavam a continuidade das dificuldades operacionais nas usinas.

Apesar de uma recuperação pontual no meio da semana, a pressão voltou a predominar na sessão de sexta-feira. Com isso, o açúcar negociado em Nova York acumulou desvalorização de 4% na semana, em meio às preocupações com a competitividade e o ritmo das vendas brasileiras ao mercado externo.

Outro fator que influenciou as cotações foi o comportamento do real frente ao dólar. De acordo com a Barchart, a moeda brasileira chegou a acumular desvalorização de 8% na semana, após uma queda expressiva no início do período. A recuperação parcial do câmbio não foi suficiente para reverter as perdas, mantendo no radar dos investidores os possíveis impactos sobre a oferta brasileira no mercado internacional.

Cacau

O contrato futuro do cacau para entrega em dezembro encerrou a sessão negociado a US$ 5.453 por tonelada na bolsa de Nova York, com leve desvalorização de 0,05%.

Segundo análise da Barchart, os preços atingiram uma nova mínima de um mês, prolongando o movimento de vendas observado nas últimas duas semanas. O mercado segue pressionado pelas preocupações com a possibilidade de aumento da oferta brasileira no comércio internacional.

Um dos fatores no radar dos investidores é a desvalorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira acumula queda de 8% na semana, movimento que pode estimular os exportadores nacionais a ampliar as vendas externas. Com o câmbio desfavorável, os produtores e comerciantes conseguem receber mais reais pela conversão das receitas obtidas em dólares.

Embora o Brasil tenha participação menor no mercado global de cacau em comparação com os principais produtores da África Ocidental e o Equador, o país ocupa a sétima posição entre os maiores produtores mundiais. Estimativas da ICCO (Organização Internacional do Cacau) indicam que a produção brasileira representa aproximadamente 4% a 5% da oferta global.

Com isso, mesmo com uma participação limitada no comércio internacional, o ritmo das vendas brasileiras permanece no radar do mercado, especialmente em um cenário de pressão sobre as cotações e maior atenção dos investidores ao comportamento do câmbio.

Café

O contrato futuro do café arábica para entrega em dezembro fechou o pregão negociado a US$ 2,87 por libra-peso na bolsa de Nova York, com valorização de 0,61%.

Segundo análise da Barchart, os preços registraram uma recuperação moderada após atingirem, na quinta-feira, a menor cotação em um mês. O avanço devolveu parte das perdas acumuladas nas últimas duas semanas, período em que o mercado foi pressionado pelas preocupações com o aumento da oferta brasileira no mercado internacional.

O movimento está relacionado ao comportamento do real frente ao dólar. A moeda brasileira chegou a acumular desvalorização de 9% na segunda-feira, após o resultado das eleições presidenciais do fim de semana. Embora tenha recuperado parte das perdas, o real ainda registra queda de 8% na semana, segundo a análise.

A desvalorização cambial aumenta a competitividade do café brasileiro no mercado externo e pode estimular os exportadores a ampliar as vendas. Isso ocorre porque, com o dólar mais valorizado, os vendedores conseguem obter mais reais na conversão das receitas recebidas em moeda estrangeira.

Apesar da alta registrada nesta sexta-feira, o mercado segue atento ao câmbio e ao ritmo das exportações brasileiras, fatores que podem influenciar a disponibilidade global do grão e o comportamento das cotações em Nova York.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro fechou o dia cotado a 77,83 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, com desvalorização de 0,85% em relação ao pregão anterior.

Suco de Laranja

O contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro encerrou a sessão na bolsa de Nova York em queda de 3,32%, cotado a US$ 1,32 por libra-peso.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=531694

Sabores do campo revelam um Brasil artesanal

30 October 2026 at 18:51

A cachaça carrega características da cana, do alambique e das escolhas feitas durante a produção. No caso do azeite, a variedade das azeitonas, o cultivo e a extração interferem no resultado. Já o doce de leite parte de ingredientes conhecidos, mas muda de acordo com a receita e o modo de fazer.

Em pequenas e médias propriedades rurais, técnicas, receitas e conhecimento acumulado dão características próprias a alimentos e bebidas que chegam à mesa dos brasileiros.

Cachaça de alambique, azeite e doce de leite foram as três categorias da edição de 2026 do Prêmio CNA Brasil Artesanal. Criada para valorizar alimentos e bebidas produzidos por pequenos e médios produtores rurais, a iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reconhece a qualidade e a identidade da produção artesanal brasileira.

Neste ano, 370 amostras participaram do concurso: 170 cachaças de alambique, 115 doces de leite e 85 azeites. Até chegar aos premiados, os produtos passaram por duas etapas de avaliação, uma com especialistas e outra aberta aos consumidores.

A cerimônia de premiação ocorreu em 15 de outubro, em Brasília, e reconheceu 30 produtos de seis estados. Os três primeiros colocados de cada modalidade receberam certificados, prêmios em dinheiro e os Selos Ouro, Prata e Bronze.

 

Primeiro, o produto. Depois, o rótulo

As amostras foram apresentadas sem identificação das marcas, para que os especialistas avaliassem suas características. A história dos produtos também esteve entre os aspectos considerados pelo concurso.

Na cachaça de alambique e no doce de leite, os finalistas foram conhecidos em maio e seguiram para o júri popular em 26 de junho. As cachaças foram avaliadas durante a PecBrasil, em Fortaleza (CE), e os doces de leite, na Expovitis, em Brasília.

Entre as cachaças amarelas, o primeiro lugar ficou com a Cachaça Cana da Terra Extra Premium, produzida por Antônio Abrão Bastos, em Alexânia (GO). A vencedora da categoria de cachaças brancas foi a Cachaça Durvalina, de João Alves, de Igarapé (MG).

Na disputa dos azeites, o Mantikir Summit Premium, de Herbert Silva Sales, produzido em Santo Antônio do Pinhal (SP), conquistou o primeiro lugar entre os blends, elaborados com diferentes variedades de azeitonas. Já o Alto das Oliveiras, de José Martins de Siqueira Filho, de Delfim Moreira (MG), venceu entre os monovarietais, feitos com uma única variedade.

Minas Gerais também levou os dois primeiros lugares do concurso de doce de leite. Na categoria pastoso, venceu o Dona Marlene, produzido por Raphaela Nayara, em Nova União. Entre os doces em barra, o campeão foi o Alferes do Tacho, de Leonardo de Souza Chagas, de São João del Rei.

 

Quem está por trás dos produtos

A fabricação de cachaça está na família de Antônio Abrão Bastos há cinco gerações. Para o produtor de Alexânia (GO), o prêmio reconhece o trabalho familiar e a importância da bebida para a cultura e o turismo brasileiros.

Em Santo Antônio do Pinhal, no interior paulista, Herbert Silva Sales conquistou o reconhecimento ainda na quarta safra da marca Mantikir. O resultado veio após os desafios enfrentados para desenvolver um azeite de qualidade e competir com produtores já estabelecidos no setor.

Em Delfim Moreira (MG), José Martins de Siqueira Filho participou do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar, que o incentivou a inscrever seu azeite no concurso.

Entre os fabricantes de doce de leite, Raphaela Nayara compartilhou o reconhecimento com a equipe envolvida na produção do Dona Marlene. Leonardo de Souza Chagas, responsável pelo Alferes do Tacho, recebeu a premiação como incentivo para continuar aperfeiçoando a receita.

Criado em 2019, o Prêmio CNA Brasil Artesanal já contemplou produtos como queijos, geleias, chocolates, salames, azeites, vinhos, cafés especiais e mel. A edição de 2026 reuniu produtores de diferentes regiões do país e deu visibilidade a receitas e técnicas desenvolvidas em pequenas e médias propriedades rurais.

“A CNN Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo deste publieditorial e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação”.

México regionaliza embargo e libera aves de todos os estados, exceto SC

30 October 2026 at 18:17

O México regionalizou as restrições às importações de carne de frango brasileira e voltou a autorizar compras de todos os estados, com exceção de Santa Catarina, onde foram identificados focos de doença de Newcastle. A informação foi confirmada ao CNN Agro nesta sexta-feira (30), a partir de informações de fontes do setor exportador da proteina.

A mudança encerra o bloqueio nacional que havia sido imposto pelo México após a confirmação da doença em aves comerciais catarinenses.

Com a regionalização, frigoríficos instalados nos demais estados brasileiros voltam a ter acesso ao mercado mexicano.

O México representa um mercado de aproximadamente 25 mil toneladas mensais de carne de frango brasileira, com receita estimada em US$ 70 milhões por mês, segundo estimativas do setor.

A retomada das exportações para os demais estados representa um alívio para a indústria avícola, que enfrentava restrições de diferentes parceiros comerciais após a confirmação do foco sanitário.

O México era considerado um dos principais pontos de preocupação do setor por ter adotado uma suspensão válida para todo o território brasileiro.

Veja os países e as restrições:

– Restrição nacional: Marrocos, Malásia, Uruguai e Síria. Para essas categorias, não há aceitação de compartimentos reconhecidos pelo Brasil.

– Restrição ao estado afetado: México, Chile, Malásia, Paraguai, Peru, Rússia, Turquia e União Aduaneira Euroasiática. Chile, Paraguai e Peru aceitam compartimentos reconhecidos, conforme as categorias indicadas. Para a Malásia, há condições específicas para embarques provenientes de estados não afetados.

– Restrição à zona afetada: África do Sul, Angola, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Bahrein, Bolívia, Botsuana, Burkina Faso, Camarões, Colômbia, Coreia do Sul, Cuba, Egito, Emirados Árabes Unidos, Equador, Grã-Bretanha, Guiné Equatorial, Jordânia, Lesoto, Mianmar, Nigéria, Quênia, República Dominicana, Senegal, Suazilândia, Sudão, União Europeia, Uruguai, Venezuela e Zimbábue.

– Restrição a estabelecimentos afetados: Cabo Verde, Etiópia, Estados Unidos, Filipinas, Guiana, Índia, Israel, Japão, Moçambique, Paquistão, Sri Lanka e Tanzânia.

– Regras específicas para ovos SPF: Argentina e Equador têm restrições a estabelecimentos afetados. Colômbia, México e Peru têm restrições à zona afetada ou a estabelecimentos monitorados. Paraguai tem restrição a estabelecimentos afetados.

– Venezuela: ovos férteis de perus têm restrição a estabelecimentos afetados.

Líbia e Suriname têm requisitos sanitários que não tratam diretamente da doença de Newcastle. Para esses destinos, deve ser considerada a zona afetada.

Newcastle: entenda os protocolos de biosseguridade nas granjas

30 October 2026 at 17:52

A prevenção contra a doença de Newcastle depende de um conjunto de medidas de biosseguridade adotadas diariamente nas granjas. Com a identificação do vírus em aves de vida livre, autoridades sanitárias e entidades do setor reforçam a necessidade de proteger os plantéis comerciais e evitar o contato entre aves domésticas e silvestres, que podem representar uma via de introdução de agentes infecciosos nas propriedades.

Mesmo sem vínculo direto entre as ocorrências identificadas, a detecção do vírus em aves de vida livre aumenta a preocupação com a circulação do patógeno no ambiente. Em Mato Grosso, o Indea-MT (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado) publicou, em 28 de outubro, a Nota Técnica nº 00016/2026, com orientações para que produtores e médicos-veterinários reforcem imediatamente os procedimentos de biosseguridade nas propriedades.

Entre as recomendações está a inspeção de telas, portas, cortinas e outras barreiras físicas dos galpões, com a correção de possíveis falhas que permitam a entrada de aves silvestres. A orientação também inclui proteger comedouros, bebedouros, silos e depósitos de ração, além de manter as áreas externas limpas e eliminar resíduos de alimentos que possam atrair pombos.

O controle de pragas também deve ser realizado de maneira planejada, evitando o deslocamento dessas aves para outras áreas da propriedade. Outra medida importante é intensificar a higienização e a desinfecção de veículos, rodas, ferramentas e equipamentos, além de utilizar roupas e calçados exclusivos nas áreas de criação.

A restrição da circulação de pessoas e veículos ao estritamente necessário também faz parte dos protocolos. Os acessos devem ser registrados, permitindo identificar quem entrou na propriedade e quais áreas foram visitadas.

Segundo o assessor técnico de Pecuária da Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Marcos Carvalho, a mobilização dos produtores é fundamental neste momento. Ele destaca que a prevenção depende do comprometimento de toda a cadeia produtiva, com atenção redobrada às condições sanitárias das granjas e dos galinheiros.

“É fundamental que os produtores mantenham a vigilância nas propriedades. A presença de vírus nos pombos reforça a importância de impedir o contato das aves de vida livre com as aves domésticas, observar qualquer alteração no comportamento ou na saúde dos lotes e comunicar imediatamente ao Indea os sinais suspeitos”, explica.

Carvalho também chama a atenção para sintomas que podem indicar a presença da doença, como diarreia, torcicolo, secreção nasal, queda abrupta na produção de ovos e aumento da mortalidade.

Entenda os principais protocolos de biosseguridade nas granjas

A biosseguridade reúne procedimentos destinados a impedir a entrada e a disseminação de agentes infecciosos nos estabelecimentos avícolas. As medidas devem ser adotadas de forma permanente, independentemente da existência de casos confirmados na região.

1. Controle de acesso às propriedades

A entrada de visitantes deve ser restrita ao mínimo necessário. Produtores precisam manter registros atualizados de pessoas e veículos que circulam pela propriedade, identificando a origem e o destino de cada acesso. A medida reduz o risco de introdução de agentes infecciosos por meio do trânsito entre diferentes granjas.

2. Barreiras sanitárias

Pessoas autorizadas a entrar nas áreas de criação devem realizar a troca obrigatória de roupas e calçados, utilizando vestimentas específicas para cada ambiente da propriedade. O objetivo é evitar que microrganismos sejam transportados de áreas externas para o interior dos galpões.

3. Limpeza e desinfecção

Veículos utilizados no transporte de ração, insumos e materiais precisam passar por procedimentos rigorosos de lavagem e desinfecção. Ferramentas, equipamentos e utensílios também devem ser higienizados antes de serem compartilhados entre diferentes lotes ou propriedades.

4. Proteção das instalações

Telas, portas, cortinas e outras estruturas dos galpões devem ser inspecionadas regularmente. O objetivo é impedir a entrada de aves silvestres, pombos, patos e marrecos. Comedouros, bebedouros e depósitos de ração também precisam permanecer protegidos.

5. Tratamento da água e destinação de resíduos

A água fornecida às aves e utilizada nos sistemas de nebulização deve receber tratamento adequado. A destinação de carcaças e outros resíduos precisa seguir os procedimentos sanitários recomendados, assim como o cumprimento do vazio sanitário entre os lotes.

6. Monitoramento e notificação de suspeitas

Produtores e responsáveis técnicos devem acompanhar diariamente as condições sanitárias dos plantéis. Alterações respiratórias ou neurológicas, diarreia, secreção nasal, torcicolo, queda na postura e aumento da mortalidade precisam ser comunicados imediatamente ao serviço veterinário oficial.

A notificação devem ser realizada à Defesa Sanitária estadual ou pelo Sisbravet (Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias).

Novo sistema de rastreabilidade passa a valer a partir de 1º de julho

 

Ovos brancos e vermelhos têm menor diferença de preço desde 2022; entenda

30 October 2026 at 14:13

A diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos atingiu, em outubro, o menor patamar real desde fevereiro de 2022 em Bastos (SP), um dos principais polos de produção de ovos do país e conhecida como “Capital do Ovo”. 

O movimento ocorre em meio ao enfraquecimento da demanda, que tem pressionado as cotações das duas variedades e reduzido o espaço entre os valores praticados no mercado, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Na parcial de outubro, até o dia 28, os preços médios dos ovos brancos e vermelhos recuaram em relação a setembro na praça paulista. As duas categorias registraram as menores médias desde fevereiro de 2026 e, considerando apenas os meses de outubro, os valores mais baixos desde 2019, em termos reais, descontada a inflação pelo IGP-DI de setembro.

De acordo com agentes consultados pelo centro de pesquisas, o mercado apresenta menor fluxo de vendas na ponta final e aguarda uma possível recuperação do consumo com a virada do mês.

A aproximação das cotações, no entanto, não significa que os dois produtos tenham custos ou características de produção idênticos. Historicamente, os ovos vermelhos costumam ser comercializados a preços superiores aos dos brancos, principalmente em razão das diferenças entre as linhagens de galinhas utilizadas na produção.

Por que o ovo vermelho é mais caro que o branco?

A principal diferença entre os ovos brancos e vermelhos está na genética das galinhas que os produzem. A coloração da casca é determinada pela linhagem ou raça da ave, e não pela alimentação.

Em geral, galinhas de penas brancas, como as da linhagem Leghorn, produzem ovos de casca branca. Já aves de plumagem avermelhada ou castanha, como as Rhode Island Red e New Hampshire, costumam produzir ovos de casca avermelhada.

As diferenças entre as linhagens também influenciam os custos de produção. Galinhas que produzem ovos vermelhos tendem a ser maiores e consumir mais ração do que as aves que põem ovos brancos. Com isso, o custo de alimentação por ave pode ser mais elevado, o que ajuda a explicar a diferença de preços entre as duas variedades.

A formação dos preços também depende das condições de mercado. A disponibilidade de cada variedade e a preferência dos consumidores podem ampliar ou reduzir a diferença nas cotações. Parte dos compradores associa os ovos vermelhos a produtos caipiras ou a sistemas de criação diferenciados, embora a cor da casca, isoladamente, não indique o tipo de manejo adotado na granja.

A associação dos ovos vermelhos a produtos caipiras também contribui para a percepção de que são mais caros ou de qualidade superior. Essa relação, porém, não é necessariamente verdadeira. A cor da casca não indica o sistema de criação das galinhas: aves criadas em sistemas convencionais, com acesso restrito ao ambiente externo, também podem produzir ovos vermelhos. Da mesma forma, galinhas criadas soltas podem botar ovos brancos. Para identificar se o produto é caipira, é necessário observar as informações sobre o sistema de produção na embalagem, e não apenas a cor da casca. 

Ovo branco e vermelho têm diferença nutricional?

Apesar da diferença de preço, os ovos brancos e vermelhos apresentam composição nutricional semelhante. Ambos são fontes de proteínas, vitaminas e minerais, e a cor da casca não determina que um deles seja mais nutritivo que o outro.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, a principal distinção entre as variedades convencionais está relacionada à linhagem das galinhas. A cor da casca, por si só, não representa diferença nutricional.

O tamanho do ovo pode influenciar a quantidade total de nutrientes consumida, mas essa característica não é determinada exclusivamente pela cor. Outros fatores, como a idade da ave e as condições de produção, também podem interferir nas características do produto.

Outra distinção importante é a cor da gema, que está relacionada principalmente à alimentação das galinhas. Ingredientes com maior concentração de pigmentos naturais, como carotenoides, podem deixar a gema mais amarela ou alaranjada. Essa tonalidade, assim como a cor da casca, não garante, isoladamente, maior valor nutricional.

Newcastle pressiona MBRF e exportações, mas não ameaça oferta no Natal

30 October 2026 at 12:40

A confirmação de três focos da doença de Newcastle em granjas comerciais de perus no Oeste de Santa Catarina colocou a avicultura brasileira novamente diante de um desafio sanitário e comercial. Em menos de dez dias, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou ocorrências em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, municípios próximos e que concentram uma importante parcela da produção avícola catarinense.

A sequência de casos ampliou a preocupação com a circulação do vírus na região, levou ao sacrifício sanitário de milhares de aves e provocou restrições comerciais de países importadores de produtos avícolas brasileiros.

Apesar da evolução das ocorrências, o cenário não aponta, até o momento, para risco de desabastecimento de carne de frango, peru e outras aves especiais no mercado brasileiro, especialmente durante o Natal, período de maior procura por esses produtos. A avaliação é de Rodrigo Dutra, analista da Pasto & Consultoria, e Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. Segundo eles, a produção destinada às festas de fim de ano é planejada com antecedência, e boa parte dos produtos natalinos já passou pelo abate e está armazenada para atender à demanda de dezembro.

O impacto mais imediato está concentrado na cadeia produtiva de Santa Catarina, na operação da MBRF e no comércio internacional. A companhia tem forte presença na região e ocupa posição de destaque no mercado brasileiro de aves especiais e perus. Os focos identificados em propriedades fornecedoras da empresa exigiram medidas sanitárias, reorganização dos fluxos de produção e redirecionamento de pedidos destinados ao exterior.

O primeiro caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em 18 de outubro, em uma propriedade comercial de criação de perus de corte em Nova Itaberaba. A ocorrência foi identificada durante ações de vigilância epidemiológica, após a coleta de amostras na propriedade no final de setembro. Um segundo foco foi confirmado em 24 de outubro, em Coronel Freitas. Já em 27 de outubro, o ministério anunciou a terceira ocorrência, em Nova Erechim, também dentro da área de emergência sanitária estabelecida pelas autoridades.

Com a identificação do terceiro estabelecimento infectado, o número de aves envolvidas nas propriedades atingidas ultrapassou 48 mil, segundo informações divulgadas pela defesa agropecuária catarinense. As granjas de Nova Itaberaba e Coronel Freitas, com aproximadamente 6 mil e mais de 33 mil perus, respectivamente, foram identificadas como fornecedoras da MBRF. A propriedade de Nova Erechim tinha cerca de 9,6 mil aves, mas não havia confirmação pública sobre a empresa à qual fornecia.

O avanço dos registros chama atenção não apenas pela proximidade geográfica entre as propriedades, mas também pelo intervalo relativamente curto entre as confirmações. A sequência levou à ampliação das medidas de vigilância e ao reforço da fiscalização sobre outras granjas localizadas no entorno.

O Ministério da Agricultura declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. As medidas incluem investigação epidemiológica, controle do trânsito de animais e materiais, despovoamento sanitário das propriedades atingidas, limpeza e desinfecção das instalações e monitoramento intensificado dos estabelecimentos próximos.

Em Nova Itaberaba, as medidas sanitárias foram concluídas e a propriedade entrou em vazio sanitário. Em Coronel Freitas, o despovoamento das aves foi finalizado, enquanto os procedimentos de limpeza e desinfecção estavam em andamento. No terceiro estabelecimento, em Nova Erechim, as autoridades iniciaram os protocolos de contenção e investigação.

O que está por trás da sequência de casos?

A principal questão para o setor é entender como o vírus chegou às propriedades comerciais e se existe uma circulação mais ampla entre as populações de aves da região. Embora a proximidade entre os três estabelecimentos seja um elemento importante para a investigação, ainda não há uma conclusão oficial sobre a origem da contaminação ou sobre o caminho percorrido pelo agente infeccioso.

A doença de Newcastle é provocada por um vírus do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1), que pode infectar diferentes espécies de aves. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com secreções e excreções de animais infectados, por partículas dispersas no ambiente e por materiais contaminados. Equipamentos, instalações, água, alimentos, roupas e calçados também podem funcionar como veículos de disseminação. Roedores, insetos e outros vetores podem contribuir para o transporte do agente entre ambientes.

Por esse motivo, a biosseguridade é considerada uma das principais barreiras de proteção da produção comercial. O controle do acesso às granjas, a higienização de veículos e equipamentos, a separação entre aves domésticas e silvestres e a vigilância permanente dos plantéis são medidas fundamentais para reduzir o risco de introdução e circulação do vírus.

Um elemento adicional de preocupação surgiu com a identificação do paramixovírus aviário tipo 1 em pombos de vida livre fora da área de emergência sanitária. A detecção chamou a atenção dos especialistas porque evidencia a presença do agente em aves que circulam livremente pelo ambiente e que podem representar um desafio adicional para a vigilância sanitária.

Entretanto, existe uma distinção importante já que o Ministério da Agricultura esclareceu que a identificação do vírus nesses pombos não configura um novo foco comercial de Newcastle e que a ocorrência não apresenta relação epidemiológica estabelecida com os casos registrados nas granjas de produção.

O sequenciamento genético realizado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo identificou, no foco de 2026, 97,35% de identidade com uma sequência do Pigeon paramyxovirus 1 (PPMV-1). Trata-se de uma variante virulenta do mesmo grupo viral. O dado é relevante para a investigação, mas não permite, isoladamente, afirmar que os pombos identificados tenham sido a origem da infecção nas granjas.

A hipótese de uma pressão ambiental maior sobre os estabelecimentos, portanto, merece atenção, mas a origem efetiva da circulação viral ainda depende da investigação epidemiológica.

Outro ponto que precisa ser considerado é que a identificação do vírus não significa necessariamente que tenha ocorrido uma falha de manejo nas propriedades. A ocorrência de um agente infeccioso pode envolver diferentes vias de exposição, e a determinação de eventuais falhas depende da análise das condições sanitárias de cada estabelecimento, dos protocolos adotados e da investigação conduzida pelas autoridades.

O que está confirmado é que o primeiro foco foi identificado durante uma ação de vigilância ativa, mesmo sem sinais clínicos nas aves. Isso demonstra a importância do monitoramento laboratorial, inclusive em plantéis que não apresentam manifestações aparentes da doença.

O Brasil havia registrado o último foco comercial de Newcastle em

, em uma granja de frangos de corte no Rio Grande do Sul. Antes disso, a enfermidade era considerada erradicada da avicultura comercial brasileira desde 2006. A nova ocorrência em Santa Catarina, portanto, representa mais um episódio que exige resposta coordenada do serviço veterinário oficial e do setor privado.

Por que os casos atingem diretamente a MBRF?

A concentração dos registros em granjas de perus ajuda a explicar por que a MBRF está no centro das preocupações do setor. A empresa tem uma presença expressiva na produção avícola catarinense e opera uma unidade de abate de perus em Chapecó, no Oeste do estado.

De acordo com Rodrigo Dutra, da Pasto & Consultoria, a estrutura de produção de perus em Santa Catarina apresenta uma concentração importante em torno da companhia. Como a unidade de Chapecó é a única planta de abate de perus no estado, as granjas comerciais da região que trabalham com essa proteína estão diretamente vinculadas à operação da empresa.

Na avaliação do analista, esse modelo ajuda a explicar por que os focos identificados em propriedades da região tiveram repercussão tão direta sobre a MBRF. As granjas atingidas estão inseridas em uma cadeia de fornecimento concentrada, na qual a companhia possui participação relevante.

Dutra destaca que a presença da MBRF no segmento de aves em Santa Catarina é superior à de sua principal concorrente, a JBS. Segundo as estimativas apresentadas pelo analista, a empresa detém aproximadamente 75% do mercado brasileiro de peru e 60% do segmento de aves especiais.

Essa participação aumenta a exposição operacional da companhia quando há uma ocorrência sanitária em sua região de atuação. Ao mesmo tempo, a dimensão nacional da empresa funciona como um fator de proteção, já que a produção não está concentrada exclusivamente em Santa Catarina.

A avaliação de Dutra é que os três estabelecimentos atingidos representam um elo relativamente pequeno diante da escala total da MBRF. As propriedades envolvidas somam aproximadamente 46 mil aves na estimativa inicial do analista, volume que não compromete, por si só, a capacidade de abastecimento da companhia.

O primeiro estabelecimento atingido, em Nova Itaberaba, também teve uma particularidade importante que segundo Dutra as aves não deixaram a propriedade nem foram encaminhadas para o abate. Isso significa que não houve entrada daquele lote na cadeia de comercialização de produtos destinados ao consumidor.

Ainda segundo Dutra, a companhia, por sua vez, precisou reorganizar parte de sua operação para atender aos compromissos comerciais e reduzir os efeitos das restrições impostas pelos países importadores.

Como a MBRF está reorganizando a produção?

De acordo com Rodrigo Dutra, a resposta operacional da companhia deve ficar estruturada em três frentes. A primeira envolve o sacrifício sanitário das aves das propriedades atingidas, seguido pelos procedimentos de limpeza, desinfecção e vazio sanitário. A medida busca eliminar o agente infeccioso dos estabelecimentos e reduzir o risco de disseminação para outras granjas.

A segunda frente é o redirecionamento dos pedidos internacionais para unidades industriais localizadas no Paraná e no Rio Grande do Sul, que permanecem habilitadas a exportar para determinados mercados. A estratégia permite que a empresa preserve parte dos contratos e mantenha o atendimento aos compradores internacionais sem depender exclusivamente da produção catarinense.

A terceira envolve a estocagem de produtos que já foram industrializados em Santa Catarina, mas que ficaram sem destino comercial em razão das restrições sanitárias. Em vez de direcionar imediatamente esse volume ao mercado brasileiro, a companhia mantém os produtos armazenados, aguardando a retomada das autorizações de exportação.

“Essa estratégia é importante porque evita que uma quantidade adicional de carne seja direcionada de uma só vez ao mercado doméstico. Caso o produto impedido de seguir para o exterior fosse imediatamente colocado à venda no Brasil, poderia haver pressão sobre os preços e sobre a comercialização de outras aves”, informou à CNN Brasil.

Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, também chama atenção para o efeito da estocagem. Segundo ele, a preocupação não está concentrada na disponibilidade de peru para o Natal, mas no destino da produção que continuará sendo abatida ao longo das próximas semanas.

O problema é que os frigoríficos precisam administrar o volume que deixa de seguir para os mercados internacionais enquanto os embargos permanecem em vigor. Isso pode aumentar a necessidade de armazenagem e elevar os custos operacionais, especialmente se as restrições demorarem a ser retiradas.

O impacto, portanto, não se resume às aves sacrificadas. Há também uma questão logística e comercial relacionada ao armazenamento, à reorganização dos embarques, à utilização das plantas industriais e à preservação dos contratos com clientes internacionais.

Procuradas pela CNN, a MBRF e a ABPA, associação que representa as indústrias de abate de aves, ainda não se manifestaram sobre o assunto.

Exportações têm impacto, mas regionalização reduz perdas

Santa Catarina ocupa uma posição estratégica no comércio internacional de proteínas avícolas. Em 2025, o estado exportou aproximadamente 29,5 mil toneladas de carne de peru, o equivalente a 44,8% de todo o volume embarcado pelo Brasil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior e compilados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

No mercado de carne de frango, a importância também é expressiva já que Santa Catarina exportou cerca de 1,2 milhão de toneladas em 2025, correspondente a 23,3% do total nacional. A receita com as exportações de carne de aves do estado alcançou aproximadamente US$ 2,1 bilhões naquele ano.

Com esse peso no comércio exterior, qualquer restrição sanitária envolvendo a produção catarinense tem potencial para afetar o desempenho das exportações brasileiras.

Até a atualização divulgada pelo Ministério da Agricultura em 27 de outubro, as suspensões estavam distribuídas de maneira diferente entre os países compradores.

México e Malásia haviam suspendido importações de determinados produtos avícolas provenientes de todo o Brasil. Já Arábia Saudita, China e Chile restringiram produtos originários de Santa Catarina, com diferenças entre os itens abrangidos por cada medida.

A regionalização é um ponto fundamental para evitar que a ocorrência em uma região comprometa toda a produção nacional. No caso da China, por exemplo, a negociação conduzida pelo governo brasileiro permitiu limitar a restrição a Santa Catarina, evitando a suspensão das compras provenientes dos demais estados.

Para Rodrigo Dutra, os mercados e produtos atingidos representam aproximadamente 46 mil toneladas mensais, volume próximo de 10% dos embarques brasileiros de produtos avícolas. O analista avalia, contudo, que parte significativa dessa quantidade poderá ser absorvida por unidades industriais localizadas em outros estados, desde que estejam habilitadas a atender aos requisitos sanitários de cada destino.

Essa possibilidade reduz o impacto sobre o comércio exterior, mas não elimina as dificuldades. O redirecionamento depende da capacidade disponível nas plantas, da logística de transporte, da adequação dos produtos e das exigências específicas de cada mercado.

Iglesias avalia que o efeito das restrições tende a permanecer administrável enquanto os focos estiverem concentrados na região e as autoridades conseguirem demonstrar que as medidas de contenção foram eficazes. A retomada dos embarques dependerá da evolução epidemiológica e do cumprimento dos protocolos sanitários exigidos pelos importadores.

O analista ressalta que o setor precisa acompanhar especialmente o avanço da vigilância nas propriedades próximas, porque novos registros podem prolongar o período de restrições e dificultar a normalização do fluxo comercial.

Na avaliação dos analistas é que o Natal está protegido, mas estoque e preços exigem atenção. A proximidade das festas de fim de ano é uma das principais preocupações do mercado, já que o consumo de peru, chester e outras aves especiais costuma crescer em dezembro. A questão é se a perda de parte dos plantéis e as dificuldades operacionais da MBRF poderiam reduzir a oferta justamente no período de maior demanda.

Ainda segundo Dutra, os focos atingiram uma parcela pequena de uma operação industrial muito maior e que o volume de aves envolvido não representa uma ameaça ao abastecimento nacional. Além disso, o analista destaca que a companhia possui estrutura produtiva em diferentes estados e pode reorganizar parte dos pedidos e da distribuição.

Fernando Henrique Iglesias reforça que existe uma característica importante na produção de aves natalinas, que é o planejamento industrial começa muito antes das festas. O abate de perus e outras aves especiais acontece ao longo do ano e se estende até aproximadamente meados de novembro. Com isso, uma parcela significativa dos produtos destinados ao Natal já está pronta e armazenada.

Na prática, a perda de aproximadamente 46 mil aves, na estimativa inicial de Dutra, ou o volume superior a 48 mil envolvido nas três propriedades não representa uma redução relevante diante da escala nacional de produção.

O momento em que os focos foram identificados também é determinante. Como boa parte da produção natalina já passou pelo abate e está estocada, a ocorrência sanitária não compromete diretamente o volume que foi planejado para atender à demanda de dezembro.

Iglesias avalia que o efeito sobre a oferta de aves natalinas será limitado. A preocupação maior está relacionada à produção corrente, principalmente frangos e outras aves que continuarão sendo abatidos enquanto as restrições comerciais estiverem em vigor.

Se os embargos forem prolongados, os frigoríficos poderão enfrentar um aumento dos estoques e custos adicionais de armazenagem. Dependendo da duração das restrições e da capacidade de redirecionamento da produção, esse cenário poderá afetar a estratégia comercial das empresas e a formação de preços no mercado interno.

Por outro lado, a liberação dos mercados internacionais tende a permitir que os produtos armazenados voltem a seguir para seus destinos originais, reduzindo a pressão sobre a cadeia doméstica.

O Ministério da Agricultura também reforçou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. A doença exige medidas rigorosas de controle sanitário, mas os produtos que chegam regularmente ao comércio, sob fiscalização oficial, não representam risco ao consumidor.

O que pode acontecer daqui para frente?

O desdobramento dos casos dependerá de dois fatores principais, sendo eles a capacidade de conter a circulação do vírus no Oeste Catarinense e a velocidade das negociações com os parceiros comerciais.

No campo sanitário, a prioridade é impedir que novas propriedades comerciais sejam atingidas. A ampliação da vigilância, a investigação epidemiológica e o controle do trânsito de animais e materiais são fundamentais para identificar possíveis vias de disseminação e evitar que a ocorrência se espalhe para outras regiões produtoras.

No campo comercial, o desafio será demonstrar aos países importadores que os focos estão controlados e que as regiões não afetadas continuam aptas a fornecer produtos avícolas. A regionalização das restrições é um instrumento importante nesse processo, mas a retomada não ocorre automaticamente após o encerramento das medidas dentro das propriedades.

A MBRF, por sua vez, terá de administrar a produção das unidades afetadas, preservar a capacidade de atendimento dos mercados internacionais e equilibrar os custos de armazenagem com a necessidade de manter o fluxo de comercialização.

A avaliação dos analistas é que, com o controle dos focos e o cumprimento do vazio sanitário, a tendência é de normalização gradual das operações. Entretanto, a identificação de novos casos poderá prolongar as restrições e ampliar os custos para a indústria.

Foie gras: como a iguaria é produzida e por que gera polêmica

 

Irani tem lucro líquido de R$ 56,5 mi no terceiro trimestre, alta de 34,3%

30 October 2026 at 11:52

A Irani Papel e Embalagem registrou lucro líquido de R$ 56,51 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 34,3% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a companhia, o resultado foi influenciado pela maior variação do valor justo dos ativos biológicos.

A receita líquida somou R$ 456,58 milhões no período, crescimento de 5,3% na comparação anual. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 151,99 milhões, avanço de 3,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

De acordo com a empresa, o desempenho operacional foi impulsionado pelo maior volume de vendas no segmento de embalagens sustentáveis, que inclui papelão ondulado. O volume comercializado nesse segmento apresentou crescimento de 11,5% na comparação interanual.

Apesar do aumento nas vendas, os preços médios recuaram 1,2% no trimestre. A companhia atribuiu o movimento à dinâmica do mercado, caracterizada pelo equilíbrio entre oferta e demanda.

No encerramento do terceiro trimestre de 2026, a alavancagem da Irani ficou em 1,89 vez.

Do total da dívida, 67% correspondia a obrigações de longo prazo, enquanto os 33% restantes tinham vencimento no curto prazo. Em relação à composição por moeda, 99% do endividamento estava denominado em moeda nacional.

Aurora Coop anuncia aquisição de ativos da Mar & Terra em MS

29 October 2026 at 20:01

A Aurora Coop anunciou nesta quinta-feira (29) a aquisição de ativos do complexo de produção e industrialização de pescados da Mar & Terra, localizado em Itaporã, em Mato Grosso do Sul. A operação foi formalizada com a Bello Alimentos, empresa com sede em Itaquiraí (MS), e faz parte da estratégia da cooperativa de ampliar sua atuação no segmento de pescados.

O negócio envolve ativos isolados da operação, incluindo a estrutura industrial de processamento de peixes, uma fábrica de rações e fazendas destinadas à produção própria. A aquisição amplia a estrutura da Aurora Coop no setor, embora as empresas não tenham divulgado valores ou outros detalhes financeiros da transação.

A conclusão da operação ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do cumprimento das demais condições aplicáveis. Até que todas as etapas sejam concluídas, Aurora Coop e Bello Alimentos continuarão operando de forma independente.

Em comunicado conjunto, as empresas afirmaram que estão comprometidas com uma transição responsável e transparente, com atenção aos colaboradores, produtores, parceiros comerciais e demais públicos envolvidos no processo.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=626307

Soja em Chicago tem 4ª queda seguida apesar de exportações fortes dos EUA

29 October 2026 at 19:24

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em baixa na bolsa de Chicago, acumulando o quarto pregão consecutivo de perdas. O vencimento para entrega em janeiro recuou 0,26% e fechou cotado a US$ 12,34 por bushel, pressionado pelo avanço da colheita norte-americana e pela desvalorização do farelo de soja.

Segundo análise da Granar, o avanço dos trabalhos no campo nos Estados Unidos acelera a entrada de novos grãos no mercado, aumentando a disponibilidade do produto. Outro fator de pressão foi o desempenho do farelo de soja, cujo contrato para dezembro registrou queda de US$ 7,05 e encerrou o dia a US$ 362,99 por tonelada.

A desvalorização do derivado foi atribuída, em parte, ao forte desempenho das exportações argentinas e à maior competitividade da soja brasileira no mercado internacional, favorecida pela desvalorização do real frente ao dólar. Esse cenário ampliou a pressão sobre os preços, mesmo diante de indicadores positivos para a demanda externa norte-americana.

O relatório semanal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), referente ao período de 16 a 22 de outubro, apontou vendas de 2,576 milhões de toneladas de soja da safra 2026/27. O volume ficou abaixo das 2,841 milhões de toneladas registradas no levantamento anterior, mas superou as expectativas dos operadores, que variavam entre 400 mil e 2,2 milhões de toneladas.

De acordo com o USDA, as vendas líquidas recuaram 9% em relação à semana anterior, mas apresentaram crescimento expressivo na comparação com a média das quatro semanas anteriores.

Apesar do resultado acima das projeções do mercado, o avanço da oferta norte-americana e a concorrência internacional contribuíram para manter as cotações sob pressão em Chicago, prolongando a sequência de perdas da oleaginosa.

Milho

Os contratos futuros do milho encerraram a sessão majoritariamente em baixa na bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelos dados de vendas externas do país. O vencimento para entrega em dezembro recuou 0,11% e fechou cotado a US$ 4,51 por bushel.

Segundo análise da Granar, a entrada de novos grãos no mercado, impulsionada pelo andamento da segunda maior colheita já registrada nos Estados Unidos, continuou limitando o desempenho das cotações. O relatório semanal de exportações também não trouxe suporte significativo aos preços, diante da redução das vendas em relação à semana anterior.

De acordo com o USDA, as vendas de milho da safra 2026/27 totalizaram 1,303 milhão de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O volume ficou abaixo das 1,527 milhão de toneladas registradas no relatório anterior e próximo do limite inferior das estimativas de analistas privados, que variavam entre 1,1 milhão e 2,6 milhões de toneladas.

O USDA informou que as vendas semanais recuaram 15% em relação à semana anterior, mas avançaram 32% na comparação com a média das últimas quatro semanas. Os destinos não especificados concentraram o maior volume de negociações no período.

Apesar do crescimento em relação à média recente, o desempenho acumulado das exportações segue inferior ao do ano passado. Até 22 de outubro, os Estados Unidos haviam comercializado 23,50 milhões de toneladas de milho, queda de 33,56% ante as 35,37 milhões de toneladas negociadas no mesmo período de 2025.

O avanço da colheita norte-americana e o ritmo das vendas externas permanecem no radar dos participantes do mercado, que avaliam a capacidade da demanda internacional de absorver a oferta disponível e oferecer sustentação às cotações em Chicago.

Trigo

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão em alta na bolsa de Chicago, apoiados pelo avanço das vendas externas dos Estados Unidos e por operações de hedge realizadas por fundos de investimento. O vencimento para entrega em dezembro valorizou 0,79% e fechou cotado a US$ 6,03 por bushel.

Segundo análise da Granar, os fundos aproveitaram os níveis atuais de preços para realizar operações financeiras após uma liquidação expressiva de contratos nas sessões anteriores. O movimento ocorre em meio a uma sequência de oito semanas consecutivas de desvalorização do cereal, que ainda poderia se estender ao fim desta semana.

O mercado também encontrou suporte nos dados semanais de exportação divulgados pelo USDA. Na semana encerrada em 22 de outubro, as vendas líquidas de trigo para a safra 2026/27 totalizaram 849,8 mil toneladas, volume superior às 239,6 mil toneladas registradas no relatório anterior.

O resultado também ficou acima das estimativas dos operadores, que variavam entre 275 mil e 600 mil toneladas. De acordo com o USDA, as vendas líquidas alcançaram o maior volume do ano comercial e apresentaram crescimento expressivo em relação à média das quatro semanas anteriores. As Filipinas foram o principal destino das negociações, com compras de 226,3 mil toneladas.

Apesar do desempenho semanal positivo, a comercialização acumulada dos Estados Unidos permanece abaixo do registrado no ano passado. Até 22 de outubro, o país havia vendido 11,52 milhões de toneladas de trigo, uma redução de 29,33% em relação às 16,30 milhões de toneladas comercializadas na mesma data de 2025.

Produção de tomate bate recorde, mas clima desafia produção em 2026

Produção de tomate bate recorde, mas clima desafia produção em 2026

Açúcar sobe 0,67% em Nova York com queda na moagem de cana no Brasil

29 October 2026 at 19:09

Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão desta quinta-feira (29) em alta na bolsa de Nova York. O vencimento para março avançou 0,67%, cotado a 19,47 centavos de dólar por libra-peso, impulsionado por dados que apontam redução na moagem de cana-de-açúcar e na produção brasileira.

Segundo informações compiladas pela Barchart, o Ministério da Agricultura informou, na noite de quarta-feira, que as usinas brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de outubro, volume 18% inferior às 39 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

De acordo com os dados divulgados pelo ministério, a produção brasileira de açúcar também apresentou retração e foram produzidas 2,15 milhões de toneladas na primeira metade de outubro, queda de 23% na comparação anual.

As chuvas persistentes associadas ao El Niño têm interrompido a colheita e atrasado a moagem da cana-de-açúcar no país, um dos principais fornecedores globais do produto. A continuidade das precipitações mantém a atenção do mercado sobre o ritmo das operações nas usinas e a disponibilidade de açúcar.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a StoneX apontou que as previsões de chuva para as regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil nos próximos sete dias indicam a continuidade das dificuldades nas operações de moagem. O cenário reforça as preocupações com o ritmo da produção brasileira e contribuiu para a valorização dos contratos futuros na sessão.

Cacau

Os contratos futuros do cacau encerraram a sessão com resultados mistos na bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro terminou estável, cotado a US$ 5.456 por tonelada, enquanto o contrato para março recuou 0,22%, a US$ 5.563 por tonelada.

Os preços da commodity permaneceram sob pressão e se consolidaram pouco acima da mínima de um mês registrada na sessão anterior, mesmo diante de novas projeções de redução da oferta global para a próxima temporada.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a StoneX revisou suas estimativas para o mercado mundial de cacau em 2026/27 e passou a projetar um déficit de 64 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 25 mil toneladas. Segundo a consultoria, a ocorrência de um El Niño intenso deve prejudicar a produção em importantes países produtores.

A expectativa da StoneX é de que a produção mundial de cacau recue 9,6% na temporada 2026/27, para 4,74 milhões de toneladas. A queda deve ser influenciada principalmente pela redução da oferta na Indonésia, na Costa do Marfim e no Equador, em razão dos impactos climáticos associados ao fenômeno.

A nova estimativa contrasta com o cenário projetado para a safra 2025/26, quando a consultoria prevê um superávit global de 494 mil toneladas. Apesar da perspectiva de restrição na oferta na temporada seguinte, os contratos encerraram o dia sem recuperação significativa, mantendo o mercado próximo das mínimas recentes.

Café

A possibilidade de aumento das vendas de café brasileiro pressionou as cotações do arábica nesta sessão. Na bolsa de Nova York, o contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,45% e encerrou o dia negociado a US$ 2,85 por libra-peso, atingindo uma nova mínima de um mês.

Segundo análise da Barchart, a queda ampliou as perdas acumuladas ao longo da semana, em meio às expectativas de que os exportadores brasileiros intensifiquem as vendas após a desvalorização do real. Embora o real tenha recuperado parte das perdas, a moeda ainda acumula desvalorização de 8% na semana, conforme os dados citados pela Barchart.

A queda do real tende a favorecer as exportações brasileiras, uma vez que os produtores e exportadores passam a receber mais reais pela receita obtida em dólares. Esse movimento pode estimular a comercialização do café no mercado internacional e ampliar a disponibilidade do produto, pressionando os preços futuros.

Com isso, o mercado acompanha o comportamento do câmbio e o ritmo das vendas brasileiras, diante da perspectiva de maior oferta no curto prazo.

Algodão

Os contratos futuros do algodão encerraram a sessão em alta na bolsa de Nova York, em que o vencimento para entrega em dezembro avançou 0,45%, fechando cotado a 78,50 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo dados compilados pela Barchart, o relatório semanal de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou a comercialização de 216.488 fardos de algodão na semana encerrada em 22 de outubro. O volume representa um aumento de 8,45% em relação à semana anterior e um crescimento de 63,07% na comparação com o mesmo período do ano passado.

As vendas referentes à nova safra somaram 38.345 fardos no período. Porém, os embarques norte-americanos apresentaram retração semanal e anual.

De acordo com o levantamento, os embarques totalizaram 160.762 fardos, queda de 18,13% em relação à semana anterior e recuo de 8,02% na comparação com a mesma semana do ano passado.

O desempenho das vendas externas e o ritmo de entrega da fibra norte-americana seguem entre os indicadores acompanhados pelos participantes do mercado, que avaliam a demanda internacional e as perspectivas para o equilíbrio entre oferta e consumo.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o preço futuro do suco de laranja para janeiro finalizou o dia com desvalorização de 5,10% e precificado em US$ 1,36 por libra-peso. 

https://stories.cnnbrasil.com.br/agro/como-o-agronegocio-enfrenta-o-risco-climatico-que-muda-a-cada-safra/

AGCO tem queda de 83% no lucro líquido do terceiro trimestre

29 October 2026 at 11:52

A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas dona das marcas Valtra, Fendt e Massey Ferguson, registrou lucro líquido de US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 83,1% em relação aos US$ 305,7 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Nos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido somou US$ 183,9 milhões, recuo de 70,8% na comparação com os US$ 631 milhões registrados entre janeiro e setembro do ano passado.

A receita líquida de vendas da companhia totalizou US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a receita atingiu US$ 7,2 bilhões, alta de 0,7% na comparação anual.

Na América Latina, as vendas líquidas recuaram 19,1% no terceiro trimestre, desconsiderando os efeitos cambiais. Segundo a companhia, a redução refletiu a menor demanda por máquinas agrícolas na região. O resultado operacional também caiu, pressionado principalmente pela diminuição das vendas e dos volumes de produção.

No Brasil, as vendas de tratores no varejo recuaram 17% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa atribuiu o movimento à menor demanda por máquinas de maior porte. As vendas de colheitadeiras caíram 38% na mesma base de comparação.

A AGCO apontou juros elevados, restrições ao crédito e condições econômicas desfavoráveis para os produtores rurais como fatores que pressionaram a rentabilidade no campo. A incerteza econômica e sobre as políticas públicas também reduziu a confiança dos agricultores e contribuiu para o adiamento das compras de equipamentos.

Em nota, o presidente e CEO da AGCO, Eric Hansotia, afirmou que a companhia opera em um cenário de demanda global por máquinas agrícolas no nível mais fraco em mais de uma década. Segundo ele, os custos elevados de insumos e as incertezas nos mercados de commodities e no comércio internacional contribuíram para a retração.

A empresa informou que ajustou a produção à demanda, administrou os estoques dos concessionários e manteve o controle de custos. Também destacou investimentos em agricultura de precisão, sistemas de pulverização direcionada com inteligência artificial e soluções autônomas, voltados à redução dos custos operacionais dos produtores.

A AGCO estima a receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2026. A margem operacional ajustada deve ficar em torno de 7%, enquanto o lucro por ação ajustado é estimado em aproximadamente US$ 5,50.

A fabricante também informou que pretende manter os volumes de produção alinhados à demanda do mercado, com foco no controle de custos e na disciplina de preços.

Raízen fecha acordo tributário de R$ 22,4 bilhões e revisa projeções

29 October 2026 at 00:01

A Raízen firmou nesta quarta-feira (28) um acordo tributário com a PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e a Receita Federal do Brasil para regularizar débitos com a União que somam R$ 22,4 bilhões. A operação envolve a companhia e outras sociedades de seu grupo econômico e representa uma etapa importante para a implementação do Plano de Recuperação Extrajudicial.

Do total negociado, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade econômica da própria Raízen, enquanto os R$ 5,7 bilhões restantes são de responsabilidade econômica final dos acionistas controladores, conforme os instrumentos aplicáveis.

Para os débitos atribuídos à companhia, foram concedidos descontos de R$ 8,5 bilhões sobre multas e juros. Com isso, o saldo a ser liquidado pela Raízen caiu para R$ 8,2 bilhões. A quitação ocorrerá por meio da utilização de R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais e do pagamento de R$ 2,5 bilhões à vista.

A transação tributária é uma das condições necessárias para a reestruturação financeira da empresa. A companhia informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos do processo.

Em comunicado, a empresa divulgou uma versão atualizada do material apresentado aos credores financeiros, com revisões de informações operacionais e financeiras referentes à safra 2026/27. A atualização ocorre no contexto do processo de reestruturação financeira da companhia e da implementação de seu Plano de Recuperação Extrajudicial.

Segundo comunicado ao mercado, o documento foi disponibilizado no site de Relações com Investidores da empresa. A companhia informou que a divulgação busca garantir aos acionistas e ao mercado acesso simultâneo e equitativo às principais informações sobre os termos e as condições do plano.

O material reúne dados sobre os negócios e o desempenho operacional e financeiro da Raízen, além de estimativas e projeções elaboradas com base nas informações disponíveis e nas premissas consideradas razoáveis pela administração.

A empresa ressalta, porém, que as projeções refletem as expectativas atuais da gestão e não representam garantia de resultados futuros. Segundo a companhia, fatores operacionais, comerciais, financeiros, macroeconômicos e setoriais podem provocar diferenças relevantes entre os resultados efetivamente apurados e as estimativas divulgadas.

A Raízen também informou que atualizará a seção 3, referente a projeções, de seu Formulário de Referência dentro do prazo regulamentar. O documento deverá refletir as estimativas revisadas e os motivos das alterações.

No comunicado, a companhia reiterou seu compromisso com a transparência, a governança corporativa e o cumprimento das normas aplicáveis. A empresa afirmou ainda que manterá os acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes.

Índia amplia etanol automotivo com Brasil no radar estratégico

Pilgrim’s Pride tem lucro líquido ajustado de US$ 117,7 milhões no 3º tri

28 October 2026 at 23:33

A Pilgrim’s Pride registrou lucro líquido ajustado de US$ 117,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, encerrado em 27 de setembro. Pelo critério contábil GAAP, o lucro líquido foi de US$ 116,3 milhões. A companhia norte-americana de alimentos divulgou os resultados nesta quarta-feira (28), em meio à pressão sobre os preços da carne de frango nos Estados Unidos e à redução das margens operacionais.

As vendas líquida somou US$ 4,65 bilhões no período, queda de 2,2% em relação aos US$ 4,76 bilhões registrados no mesmo trimestre de 2025. O lucro operacional recuou 61,1%, para US$ 191,5 milhões, ante US$ 492,6 milhões um ano antes.

O EBITDA ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, totalizou US$ 316,3 milhões, redução de 50% na comparação anual, frente aos US$ 633,1 milhões registrados no terceiro trimestre do ano passado. A margem EBITDA ajustada caiu de 13,3% para 6,8%, uma retração de 6,5 pontos percentuais.

A companhia encerrou o trimestre com alavancagem líquida de 1,76 vez o EBITDA ajustado, abaixo da faixa de referência de duas a três vezes estabelecida pela empresa. Segundo a Pilgrim’s Pride, a posição de liquidez permanece sólida para sustentar futuras oportunidades de crescimento.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a receita líquida atingiu US$ 13,81 bilhões, queda de 1,2% ante os US$ 13,98 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O lucro operacional recuou 70,2%, para US$ 420 milhões, enquanto o EBITDA ajustado somou US$ 984,4 milhões, baixa de 46,9% em relação aos US$ 1,85 bilhão de um ano antes.

No mesmo intervalo, o lucro por ação pelo critério GAAP caiu 76,7%, de US$ 4,17 para US$ 0,97. No terceiro trimestre isolado, o indicador passou de US$ 1,44 para US$ 0,49, recuo de 66%.

Pressão sobre o mercado de frango

Nos Estados Unidos, a oferta de carne de frango aumentou acima do crescimento da demanda, pressionando os preços dos cortes. Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontaram expansão de 2,2% na oferta em relação ao ano anterior, movimento que contribuiu para reduzir os valores de mercado durante o trimestre.

A Pilgrim’s Pride informou que a diversificação do portfólio, os ganhos de eficiência operacional e as melhorias no rendimento da produção ajudaram a compensar parcialmente a pressão sobre os preços das commodities. Os volumes de frango fresco permaneceram estáveis em relação ao trimestre anterior, apoiados por ações promocionais e ampliação da distribuição.

O segmento de alimentos preparados nos Estados Unidos apresentou desempenho positivo, com crescimento superior a 15% nos volumes em relação ao terceiro trimestre de 2025. A marca Just Bare, de produtos de frango totalmente cozidos, também avançou no varejo, com aumento superior a 25% nas vendas em comparação anual.

Na Europa, as vendas e os volumes cresceram em relação ao ano anterior, impulsionados pela procura por proteínas e refeições com preços mais acessíveis. Apesar disso, as margens foram pressionadas pela situação do mercado de carne suína e pela elevação dos custos de produção. A empresa também informou que segue em andamento o processo de aprovação da aquisição da Walkers Deli & Sausage, com conclusão prevista para o início de 2027.

No México, a rentabilidade melhorou em relação ao trimestre anterior, acompanhando a recuperação das condições de mercado para o frango vivo. As vendas de produtos frescos de marca no varejo cresceram mais de 40% na comparação anual, enquanto os volumes junto a clientes estratégicos do varejo aumentaram mais de 8%.

“Continuamos focados em nossos investimentos e estratégias para impulsionar o crescimento rentável e adaptar nosso portfólio às mudanças nas condições de mercado”, afirmou Fabio Sandri, presidente e diretor-executivo da Pilgrim’s Pride, em comunicado.

Crédito rural empresarial soma R$ 477,2 bilhões na safra 2025/26

Ações da Minerva caem 9,40% com pressão dos juros e riscos nas exportações

28 October 2026 at 21:54

As ações das indústrias frigoríficas tiveram desempenho misto no pregão desta quarta-feira (28), com queda expressiva da Minerva e recuo dos papéis da JBS, enquanto a MBRF encerrou em alta.

O mercado acompanhou a volatilidade do dólar e dos juros, além de fatores específicos que afetam as operações das companhias, como a suspensão de exportações de carne bovina à China em uma unidade da MBRF e os possíveis impactos da doença de Newcastle sobre os embarques de carne de frango.

A Minerva (BEEF3) liderou as perdas do grupo, com desvalorização de 9,40%, a R$ 2,89 por ação, ante R$ 3,19 no fechamento anterior. Segundo Luca Vello, analista da Genial Investimentos, embora fosse esperado que o setor exportador de proteínas se beneficiasse de um dólar mais baixo após o cenário eleitoral, fatores negativos específicos e a exposição das empresas ao endividamento pesaram sobre os ativos.

O analista destacou que companhias com dívidas elevadas e compromissos atrelados ao CDI tendem a sofrer maior pressão em um ambiente de juros altos.

As BDRs da JBS (JBSS32), negociadas na B3, recuaram 1,70%, encerrando o dia a R$ 63,58. Já a MBRF (MBRF3) fechou em alta de 1,47%, a R$ 16,53, após oscilar entre a mínima de R$ 15,59 e a máxima de R$ 16,63 durante a sessão.

Para Raphael Galo, head de agronegócio e mercado de capitais da A7 Capital, a volatilidade cambial e as oscilações dos juros seguem entre os principais fatores de influência sobre as operações das empresas.

No caso da MBRF, o analista também apontou a aversão ao risco no mercado acionário após as eleições e os efeitos de notícias relacionadas ao setor de proteínas. Entre elas estão a suspensão das exportações de carne bovina para a China pela unidade de Promissão (SP) e o foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, que pode afetar os volumes exportados de carne de frango.

O desempenho das ações ocorreu em um dia de valorização dos contratos futuros do boi gordo na B3, que voltaram a superar os R$ 400 por arroba em alguns vencimentos.

O movimento evidencia que a alta das cotações da pecuária não se traduz necessariamente em valorização dos papéis dos frigoríficos, cujos resultados também dependem dos custos de aquisição de animais, das margens de processamento, do câmbio, do custo da dívida e das condições de acesso aos mercados internacionais.

Clima e degradação redesenham o lucro no agro e impulsionam integração

Trigo cai 1,84% em Chicago com dólar forte e cenário no Mar Negro

28 October 2026 at 18:55

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão desta quarta-feira (28) em queda na bolsa de Chicago, pressionados pela atuação dos fundos de investimento e por fatores geopolíticos e cambiais. O vencimento para dezembro recuou 1,84%, fechando cotado a US$ 5,99 por bushel.

Segundo análise da Granar, os fundos de investimento continuaram vendendo contratos do cereal, contribuindo para a desvalorização. As negociações diplomáticas em busca de um acordo de paz para a região do Mar Negro também pesaram sobre os preços. Além disso, o fortalecimento do dólar em relação ao euro reduziu a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional.

Outro fator acompanhado pelos investidores foi a retomada das autorizações para a saída de navios graneleiros do Mar de Azov, na Rússia. Segundo informações da Reuters, autoridades russas voltaram a permitir a passagem de embarcações pela região pela primeira vez desde 10 de julho, quando o tráfego foi interrompido após ataques de drones ucranianos.

De acordo com sete fontes do setor ouvidas pela agência, as autorizações para a travessia pelo Estreito de Kerch, que conecta o Mar de Azov ao Mar Negro, são válidas até 15 de novembro. Duas das fontes informaram que os navios serão escoltados por um comboio naval russo durante a passagem pelo Mar Negro.

A liberação ocorre em meio a um cessar-fogo localizado, previsto para durar seis dias, com o objetivo de permitir a passagem segura de suprimentos humanitários para a cidade de Oleshky, controlada pela Rússia, na região de Kherson. A retomada parcial do tráfego marítimo e as perspectivas de avanços diplomáticos entram no radar dos investidores diante dos possíveis impactos sobre o fluxo de grãos na região.

Soja

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Chicago, ampliando a sequência negativa para três pregões consecutivos. O vencimento para janeiro recuou 0,40%, fechando cotado a US$ 12,46 por bushel.

Segundo análise da Granar, o avanço da colheita nos Estados Unidos e a entrada da nova safra no circuito comercial continuam influenciando as cotações. Os trabalhos no campo seguem sob condições predominantemente secas no Meio-Oeste norte-americano, cenário que acompanha o desenvolvimento da colheita e a chegada de novos volumes ao mercado.

Outro fator de pressão foi a ausência de confirmação de novas vendas pontuais de soja norte-americana para a China. A competitividade das exportações brasileiras também pesou sobre os preços, após a forte desvalorização do real frente ao dólar registrada na segunda-feira. Embora a moeda brasileira tenha recuperado parte das perdas entre terça e quarta-feira, o movimento cambial ainda favorece a competitividade do produto nacional no mercado internacional.

Apesar da falta de anúncios específicos envolvendo compradores chineses, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) confirmou nesta quarta-feira uma nova venda de 120 mil toneladas de soja da safra 2026/2027. Segundo o órgão, o destino da operação ainda não foi identificado.

A combinação entre a entrada da nova safra norte-americana, as incertezas sobre a demanda chinesa e a concorrência brasileira mantém os preços sob pressão em Chicago, enquanto o mercado acompanha os próximos anúncios de vendas e o ritmo de comercialização da produção dos Estados Unidos.

Milho

Os contratos futuros do milho registraram recuperação parcial na Bolsa de Chicago, após três sessões consecutivas de perdas. O vencimento para dezembro avançou 0,67% e encerrou o pregão cotado a US$ 4,51 por bushel.

Segundo análise da Granar, o movimento de alta foi impulsionado por operações de hedge, utilizadas para proteção contra oscilações de preços, e por compras oportunistas de fundos de investimento. Apesar da reação, as cotações ainda refletem um cenário de pressão, após o cereal acumular quatro semanas consecutivas de desvalorização.

O avanço dos preços também foi limitado pelo progresso da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta de milho no mercado. No cenário internacional, a desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar e o fortalecimento da moeda norte-americana frente ao euro reduzem a competitividade das exportações dos Estados Unidos, dificultando uma recuperação mais consistente das cotações.

Na Ucrânia, os estoques de milho também estão no radar dos investidores. De acordo com o Serviço Estatal de Estatísticas do país, os volumes armazenados somavam 3,10 milhões de toneladas em 1º de outubro, alta de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento foi realizado no início da safra 2026/2027.

A logística de escoamento da produção ucraniana segue como um desafio adicional. Desde meados de julho, as exportações de produtos agrícolas do país enfrentam restrições no Mar Negro, levando ao uso do rio Danúbio e de outras rotas alternativas de transporte. Esse cenário influencia o fluxo de grãos no mercado internacional e permanece entre os fatores acompanhados pelos participantes do setor.

Conflito no Oriente Médio ameaça agricultores brasileiros


Café recua em NY com avanço dos estoques e desvalorização do real

28 October 2026 at 18:48

A pressão sobre a oferta brasileira e o avanço dos estoques certificados influenciaram as negociações do café nesta sessão de quarta-feira (28). Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 2,38%, encerrando o pregão cotado a US$ 2,86 por libra-peso.

De acordo com o Barchart, a desvalorização do real brasileiro também contribui para o movimento de baixa. Na segunda-feira, a moeda caiu cerca de 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. Embora tenha recuperado parte das perdas, o real ainda acumula desvalorização de aproximadamente 8% na semana. Com a moeda brasileira mais fraca, os exportadores podem receber mais em reais pelas vendas externas, o que aumenta o incentivo à comercialização do café brasileiro no mercado internacional.

Outro fator que pressiona as cotações é o volume de café que aguarda classificação nos armazéns monitorados pela ICE. Na terça-feira, mais de 36 mil sacas de café brasileiro estavam nessa condição, o maior número em cinco semanas. Após a aprovação nos testes de classificação, os lotes passam a integrar os estoques certificados da bolsa.

O volume de café brasileiro nos armazéns da ICE aumentou desde meados de setembro e alcançou 80.084 sacas na semana passada, o maior nível em nove meses. Na terça-feira, os estoques recuaram ligeiramente, para 79.867 sacas, mas permanecem próximos do pico recente, reforçando a pressão sobre os preços futuros.

Açúcar

O contrato futuro do açúcar com vencimento em março fechou a sessão com alta de 0,73% na Bolsa de Nova York, cotado a 19,34 centavos de dólar por libra-peso.

O avanço foi sustentado por dados da S&P Global Energy, que apontaram uma redução na produção de açúcar das usinas do Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de outubro. Segundo a consultoria, o volume produzido ficou em 2 milhões de toneladas, abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. As chuvas persistentes associadas ao fenômeno El Niño prejudicaram a colheita da cana-de-açúcar e reduziram o ritmo de moagem nas unidades produtoras.

Apesar da recuperação registrada na sessão, as cotações ainda acumulam perdas expressivas em relação à semana anterior. Na segunda-feira, os preços recuaram acentuadamente em meio à forte desvalorização do real brasileiro, que chegou a cair 9% após o resultado das eleições presidenciais no fim de semana. A moeda apresentou recuperação parcial, mas ainda acumula queda de cerca de 8% na semana, movimento que pode favorecer as exportações brasileiras e pressionar os preços internacionais do açúcar.

Cacau

O contrato futuro do cacau com vencimento em dezembro encerrou o pregão com desvalorização de 2,17% na bolsa, cotado a US$ 5.456 por tonelada.

A queda é influenciada por preocupações de que a desvalorização do real brasileiro possa estimular os exportadores nacionais a ampliar as vendas da commodity, conforme destacou o Barchart. Com a moeda brasileira mais fraca em relação ao dólar, os vendedores podem receber mais em reais pelas negociações internacionais, o que tende a favorecer a oferta no mercado global.

Embora o Brasil tenha participação menor no comércio mundial de cacau em comparação com os países da África Ocidental e o Equador, o país ocupa a sétima posição entre os maiores produtores globais, respondendo por cerca de 4% a 5% da produção mundial, segundo estimativas da Organização Internacional do Cacau (ICCO).

Outro fator de pressão sobre as cotações é o aumento dos estoques monitorados pela ICE. Na segunda-feira, os volumes atingiram 3.684.698 sacas, o maior patamar em dois anos e meio. Na terça-feira, houve um leve recuo para 3.679.744 sacas, mas o nível elevado dos estoques continua pesando sobre os preços futuros.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro do suco de laranja com vencimento em janeiro encerrou a sessão em alta de 0,87%, cotado a US$ 1,44 por libra-peso.

Algodão

O contrato de algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com valorização de 0,12% na Bolsa de Nova York, cotado a 78,15 centavos de dólar por libra-peso.

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Produção de ração animal cresce 4,2% no Brasil no primeiro semestre de 2026

28 October 2026 at 17:11

A indústria brasileira de alimentação animal produziu 45,2 milhões de toneladas de rações no primeiro semestre de 2026, alta de 4,2% em relação às 43,3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado, conforme os dados são do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal).

O crescimento foi observado nos principais segmentos, com destaque para a avicultura de corte e a suinocultura, embora diferentes cadeias produtivas continuem enfrentando dificuldades para manter as margens.

Segundo Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, o aumento da produção não representa, necessariamente, melhora nos resultados financeiros dos produtores. A pressão sobre os custos dos insumos e os preços recebidos nas propriedades mantém a rentabilidade como um dos principais desafios do setor.

A produção de rações para frangos de corte atingiu 19,9 milhões de toneladas no primeiro semestre, avanço de 5,3% ante as 18,9 milhões de toneladas registradas em igual período de 2025. O segmento respondeu por aproximadamente 44% de todo o volume produzido pela indústria de alimentação animal no país.

O desempenho acompanha o crescimento das exportações brasileiras de carne de frango. De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), os embarques superaram 2,9 milhões de toneladas no semestre, alta de 12,9% na comparação anual e recorde para o período. A diversificação dos destinos e a base de comparação influenciada pelas restrições sanitárias de 2025 contribuíram para o resultado.

Na suinocultura, a produção de rações cresceu 5,4%, passando de 10,6 milhões para 11,2 milhões de toneladas. As exportações de carne suína também avançaram, superando 794 mil toneladas no semestre, aumento de 10%, segundo a ABPA.

Apesar do desempenho no comércio exterior, o aumento do plantel e os ganhos de produtividade ampliaram a oferta interna de animais. Na avaliação do Sindirações, esse descompasso pressionou as cotações dos suínos e reduziu as margens dos produtores independentes.

Na bovinocultura de corte, a produção de rações somou 2,86 milhões de toneladas no primeiro semestre, aproximadamente 110 mil toneladas acima do volume registrado um ano antes, crescimento de 4%. O setor passa por mudanças no ciclo pecuário, com maior retenção de fêmeas para reprodução e alterações na disponibilidade de animais para abate. Esse movimento pode contribuir para sustentar os preços do boi gordo, ao mesmo tempo que aumenta a preocupação com o custo de reposição do rebanho e as margens dos frigoríficos.

O confinamento também ganhou espaço a partir de junho, com aumento da ocupação dos cochos e perspectivas de recuperação da atividade no segundo semestre. O comportamento da demanda por rações, contudo, dependerá dos preços dos animais, dos ingredientes utilizados na alimentação, das condições das pastagens e da viabilidade econômica dos sistemas de produção. A suplementação de matrizes e as estratégias nutricionais adotadas na recria e na terminação podem sustentar parte da demanda, mesmo diante de alterações no volume de animais destinados ao abate.

Na bovinocultura leiteira, a produção de rações aumentou 1,8%, para 3,8 milhões de toneladas. O avanço ocorreu em um cenário de dificuldades para os produtores, diante da pressão sobre os preços do leite e da concorrência das importações de leite em pó, principalmente da Argentina e do Uruguai. Segundo o Sindirações, a redução da rentabilidade limita a capacidade de investimento das propriedades e pode comprometer a permanência de produtores na atividade.

Na avicultura de postura, o volume de rações cresceu 1%, alcançando aproximadamente 3,8 milhões de toneladas. O segmento, entretanto, enfrenta uma piora nas relações de troca entre os preços dos ovos e os custos dos principais ingredientes da alimentação, como milho e farelo de soja. A combinação entre a desvalorização dos ovos e o encarecimento dos insumos reduziu o poder de compra dos produtores.

Entre os demais segmentos, a aquicultura registrou crescimento de 5,4% na produção de rações, que chegou a aproximadamente 940 mil toneladas. No mercado de alimentos para cães e gatos, a produção avançou 1%, superando 2 milhões de toneladas. Já as rações para equinos alcançaram cerca de 470 mil toneladas, alta de 0,5%. Os demais segmentos somaram aproximadamente 320 mil toneladas, crescimento de 1%.

O balanço do primeiro semestre mostra que a indústria brasileira de alimentação animal ampliou os volumes produzidos, acompanhando o desempenho das cadeias de proteína animal e de outros segmentos da criação. Ao mesmo tempo, os resultados evidenciam diferenças entre os mercados: enquanto as exportações de carnes sustentam a atividade de aves e suínos, a sobreoferta interna, a pressão dos custos e as dificuldades nas relações de troca limitam a rentabilidade em diferentes cadeias.

Para Ariovaldo Zani, o desafio é transformar o crescimento da produção em resultados econômicos sustentáveis, por meio da eficiência nutricional, do planejamento comercial e da gestão financeira das propriedades.

Produção e exportações recordes redefinem a pecuária brasileira

Cacau tem maior recomposição da oferta desde 2021, mas déficit é esperado

28 October 2026 at 15:24

O balanço global de cacau da temporada 2025/26 foi revisado para um superávit de 494 mil toneladas, consolidando o maior movimento de recomposição da oferta desde 2020/21. Os dados constam na quinta e última revisão do relatório da StoneX Brasil, elaborada pelo analista Lucca Bezzon e Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado.

A revisão, referente ao ciclo de outubro a setembro, foi impulsionada principalmente pelo aumento das estimativas de produção nos principais países produtores. Na Costa do Marfim, a projeção foi ajustada para 2,05 milhões de toneladas. 

O Equador encerrou o período com exportações recordes, enquanto o Brasil registrou uma das melhores safras da série histórica. Em Gana, informações que citam o Cocobod, órgão regulador do setor cacaueiro do país, indicam uma produção próxima de 700 mil toneladas.

Camarões foi uma exceção entre as origens analisadas. Segundo o relatório, o país foi afetado pelas temperaturas elevadas e pela intensificação do fenômeno climático Harmattan, caracterizado por ventos secos que atingem partes da África Ocidental.

Pelo lado da demanda, a StoneX elevou a estimativa em 30 mil toneladas, para 4,69 milhões de toneladas. O ajuste ocorreu após a moagem de cacau apresentar resultado acima do esperado no terceiro trimestre. A consultoria ressalta, porém, que parte desse aumento está associada à recomposição de estoques e ao processamento nos países de origem, sem representar necessariamente uma expansão equivalente do consumo de chocolate.

Oferta menor e déficit previsto para 2026/27

Para a temporada 2026/27, também compreendida entre outubro e setembro, a StoneX projeta um déficit global de 64 mil toneladas. A estimativa indica uma interrupção no processo de recomposição dos estoques observado no ciclo anterior.

A revisão incorpora os efeitos de um evento de El Niño de forte intensidade, que vêm afetando de maneira distinta as principais regiões produtoras. Na Costa do Marfim, o relatório aponta chuvas abaixo da média e lentidão na colheita. Na Indonésia, o destaque é a seca severa, enquanto o Equador enfrenta excesso de umidade.

Com esse cenário, a oferta global de cacau deve diminuir 9,6% em 2026/27. A estimativa foi reduzida em 90 mil toneladas em relação à projeção de julho. Ao mesmo tempo, a demanda deve continuar em recuperação gradual.

Apesar do déficit previsto, o volume é menor do que os registrados nas temporadas entre 2021/22 e 2023/24. Ainda assim, de acordo com a análise da StoneX, o mercado deve iniciar o próximo ciclo com menor margem de segurança nos estoques, aumentando a sensibilidade dos preços a eventuais deteriorações das condições climáticas, especialmente na África Ocidental.

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