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Super-ricos geram mais poluição e lucram com desastres climáticos

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A parcela de 0,1% mais ricos da população mundial - 8 milhões de pessoas - gera mais poluição por carbono do que os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres.

Os super-ricos impulsionam o colapso climático por meio de emissões desproporcionais, enquanto conseguem se proteger das consequências e ainda lucram a partir da destruição.Por outro lado, as pessoas em maior vulnerabilidade sofrem os piores impactos, como casas e plantações destruídas por enchentes ou incêndios, além de meios de subsistência perdidos e fome.

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A conclusão é de um relatório produzido pela Oxfam, publicado antes da conferência climática da ONU (COP31), na Turquia, que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, em nota.

Uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém que faz parte dos 50% mais pobres, segundo dados reunidos no estudo.

Análise da Oxfam indica que apenas um ano de emissões dos 1% mais ricos causará 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor. Dessas, 78% vão ocorrer em países de renda baixa e média-baixa, ainda que esses países sejam responsáveis por apenas 8% das emissões globais.

“Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, acrescentou Behar.

Além disso, o relatório aponta que as emissões dos 1% mais ricos causarão quase US$53 trilhões em danos econômicos até 2050. Até essa data, há ainda a estimativa de que até 1 bilhão de pessoas possam ser deslocadas pela crise climática, sendo a maioria no Sul Global.

“Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, concluiu o diretor da Oxfam.

O relatório alerta ainda que desastres climáticos são cada vez mais explorados para promover políticas que aprofundam a desigualdade, como a privatização da ação climática e dos serviços públicos, apropriações de terras, desregulamentação e benefícios fiscais para os super-ricos.

“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores”, afirmou Behar. “Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução.”

O novo índice Destruir e Reconstruir (Destroy & Rebuild Index) da Oxfam identificou 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução pós desastres.

Recomendações

Diante do cenário relatado, a Oxfam fez algumas recomendações. Uma delas é que os grandes poluidores paguem e reduzam de forma rápida e significativa suas emissões de carbono, por meio de impostos sobre riqueza e renda, tributação sobre empresas de combustíveis fósseis e impostos punitivos sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados.

Outra medida seria aumentar o financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações, em vez de empréstimos que ampliam o endividamento. Os recursos destinados à adaptação climática precisariam ser triplicados até 2035.

Além de garantir uma infraestrutura pública resiliente ao clima e serviços públicos fortalecidos, a entidade recomenda acabar com o lucro obtido a partir dos desastres climáticos, limitando o poder corporativo em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises.

COP31: Super-ricos poluem mais do que quase metade da humanidade, diz Oxfam

27 October 2026 at 07:49

Os 0,1% mais ricos do mundo produzem mais poluição do que os 3,5 mil milhões de pessoas mais pobres do planeta em conjunto, revela hoje 27 de outubro uma análise da Oxfam, divulgada antes da COP31 na Turquia.

Segundo a confederação internacional de organizações contra a pobreza e a desigualdade, os 0,1% mais ricos equivalem a oito milhões de pessoas e cada uma destas contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais vagas de calor extremo do que alguém pertencente aos 50% mais pobres da humanidade.

Coletivamente, este grupo emite mais de três vezes a poluição com gases com efeito de estufa produzida por toda a população da África Subsaariana, estimada em 1,3 mil milhões de pessoas.

A Oxfam calculou ainda que os 1% mais ricos são responsáveis por 20% do aquecimento global registado desde 1990, emitindo, em média, 100 vezes mais por pessoa do que alguém dos 50% mais pobres.

As emissões deste grupo poderão causar 1,9 milhões de mortes adicionais relacionadas com o calor num único ano, 78% das quais em países de baixo rendimento ou de rendimento médio-baixo, apesar de estes representarem apenas 8% das emissões globais.

“Quem menos contribuiu para esta crise está a perder as suas casas, colheitas e, cada vez mais, as suas vidas”, lamentou o diretor-executivo da Oxfam International, Amitabh Behar, citado num comunicado.

A Oxfam alega que os super-ricos conseguem proteger-se através de seguros privados, habitações em zonas mais seguras e serviços privados de combate a incêndios, enquanto a maioria da população enfrenta inundações, incêndios e insegurança alimentar.

A aviação privada é apresentada como um dos exemplos mais evidentes da desigualdade: em conjunto, os jatos privados emitem mais gases com efeito de estufa em dois segundos do que uma pessoa dos 50% mais pobres emite durante um ano.

No estudo intitulado “Índice Destruir e Reconstruir”, a Oxfam apela aos Governos que vão reunir-se em novembro em Antalya, Turquia, na 31ª conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31) para fazerem pagar os grandes poluidores, através de impostos permanentes sobre a riqueza e os rendimentos elevados, taxas sobre as empresas de combustíveis fósseis e impostos sobre bens de luxo que produzem muitos gases com efeito de estufa, como os jatos privados.

A organização defende igualmente um aumento substancial do financiamento climático para o Sul Global, com prioridade para financiamento público e subsídios em vez de empréstimos, e pede que o financiamento para adaptação seja triplicado até 2035.

A Oxfam estima que, até 2050, cerca de mil milhões de pessoas, cerca de 10% da população mundial, possam ser deslocadas devido à crise climática, sobretudo no Sul Global.

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