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O teu tempo não é para doar

VTM

É esta realidade que o SINTAB está a combater com a campanha nacional “O teu tempo não é para doar!”.

Na indústria alimentar, particularmente em Trás-os-Montes, são muitas as empresas onde os trabalhadores têm de vestir fardas, colocar equipamentos de proteção, cumprir regras de higiene ou preparar ferramentas antes de iniciar a produção. Em algumas, existem mesmo instruções para que se apresentem completamente preparados “ali uns cinco minutinhos antes” do início do horário de trabalho.

Mas vejamos… Se é a empresa que exige estes procedimentos para que o trabalho possa ser realizado, por que razão há de ser o trabalhador a oferecer o tempo necessário?

A verdade é que muitos trabalhadores desconhecem este direito. Outros, mesmo depois de esclarecidos, receiam reivindicá-lo. Afinal, questionar uma prática imposta durante anos exige coragem, sobretudo quando existe o medo de represálias.

E é precisamente aqui que entra o Sindicato. Não cabe aos trabalhadores encontrar soluções para reorganizar a produção, alterar procedimentos ou compatibilizar horários. Essas são responsabilidades das empresas. Aos trabalhadores cabe exigir que o seu tempo seja respeitado.

No lançamento desta campanha, o SINTAB esteve em quase 30 empresas, de Melgaço a Olhão, percorrendo todos os distritos do país, sem exceção. Até agora, já realizámos ações em mais de 50 empresas, abrangendo mais de 10 mil trabalhadores.

Estes números mostram a dimensão de um problema que durante demasiado tempo foi tratado como normal, mas o facto de uma injustiça se repetir durante anos não a transforma num direito patronal.

Dez, quinze, ou vinte minutos por dia parecem pouco. Multiplicados por meses e anos, são horas de vida entregues gratuitamente a quem já beneficia do nosso trabalho.

Nenhum trabalhador deve enfrentar sozinho esta reivindicação. A força para mudar práticas injustas nasce do esclarecimento, da solidariedade e da organização coletiva.

Se também chegas mais cedo para te preparares ou sais mais tarde para mudar de roupa ou até mesmo tomar banho, fala com o SINTAB. Informa-te, organiza-te e reivindica.

O salário paga o trabalho. Não compra o nosso tempo de vida. E o tempo que é nosso não é para doar!


Sandrina Santos (Dirigente Nacional do SINTAB)

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Vinte euros

VTM

Vinte euros.

Vinte euros por mês, num setor onde o salário base médio é de 924 euros.

A remuneração média bruta no setor é de 1.145 euros, enquanto a média nacional é de 1.686 euros.

O turismo gerou 20,1 mil milhões de euros em 2024, mais de 8% de toda a riqueza produzida no país. Só em julho deste ano registaram-se 9,6 milhões de dormidas.

No alojamento e restauração, 36,1% dos trabalhadores recebem o salário mínimo nacional.

A FESAHT, federação afiliada na CGTP, que representa os trabalhadores do setor, entregou a sua proposta em novembro de 2025. A APHORT não respondeu. Os 20 euros só apareceram em processo de conciliação no Ministério do Trabalho, requerido pelos sindicatos.

Entretanto, a APHORT assinou com o SITESE, afiliado na UGT, uma revisão do Contrato Coletivo de Trabalho para 2026. O que lá está retira direitos conquistados ao longo de décadas: permite jornadas de trabalho de 12 horas diárias sem o pagamento de trabalho suplementar; permite às empresas deixarem de pagar os feriados e, deste modo, deixar de pagar mais de 900€/ano a cada trabalhador; reduz para metade o pagamento do trabalho em dia de descanso semanal, acaba com as diuturnidades e com o direito centenário à alimentação em espécie.

O SITESE não tem praticamente associados no setor. Na prática, este contrato não se aplica a ninguém.

Mas pode vir a aplicar-se a muita gente, através de uma Portaria de Extensão, publicada pelo Governo, um contrato assinado por um sindicato sem trabalhadores no setor passa a abranger todos os que não estejam afiliados nos sindicatos da FESAHT.

Em Vila Real, há dez hotéis onde os trabalhadores, com o seu sindicato, apresentaram cadernos reivindicativos. São dez de 133 em todo o Norte.

Nesses 133 hotéis, a luta organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, da CGTP, deu aumentos de 50 a 100 euros, em muitos casos com efeitos retroativos a 1 de janeiro de 2026.

A diferença entre 20 euros e 100 não é o resultado de uma lei. Foram os trabalhadores, organizados no seu sindicato de classe, que os conquistaram.

No dia 17 de outubro, às 10h30, na Praça da Batalha, no Porto, a CGTP promove uma Manifestação Nacional por mais salário, melhores pensões e serviços públicos, e pelo Salário Mínimo Nacional de 1.100 euros. Há pré-aviso de greve para o setor da hotelaria para justificar a falta e há transportes organizados pela União dos Sindicatos de Vila Real.

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