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Fuga de Flávio contou com estratégia de desinformação de aliados

28 October 2026 at 10:16

A saída do Brasil do candidato derrotado ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) foi acompanhada, ao longo de toda a terça-feira (27), de informações falsas sobre o paradeiro do senador.

Os dados foram repassados por pessoas ligadas à família Bolsonaro e por fontes ligadas ao governo de Donald Trump.

Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que Flávio já havia deixado o país e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio só cruzou a fronteira às 22h50 de terça, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Ele estava com a mulher, Fernanda, e as filhas, Carolina e Luiza.

Às 23h30, a família embarcou em um voo privado com destino declarado a Guayaquil, no Equador.

Nas horas anteriores, a CNN publicou, com base nessas fontes, informações que o registro oficial argentino agora desmente.

O que foi dito ao longo do dia

Pouco depois das 14 horas, aliados de Flávio afirmaram à CNN que o senador e a família haviam deixado o Brasil naquela terça.

No meio da tarde, duas fontes confirmaram à CNN que Flávio estava a caminho dos Estados Unidos.

Na mesma linha, uma autoridade americana disse à agência Reuters que o senador estava a caminho do país.

Às 17h39, fontes ligadas ao governo americano afirmaram à CNN que Flávio já havia chegado aos EUA com a mulher e as filhas.

Uma pessoa a par da situação também disse à CNN, ainda à tarde, que ele estava em solo americano.

À noite, um conselheiro de Trump disse à CNN que o presidente americano autorizou a entrada de Flávio. Segundo a fonte, autoridades americanas sabiam desde segunda-feira (26) que o senador tinha 24 horas para entregar os passaportes e lhe disseram que a entrada nos EUA seria permitida.

Pouco antes das 22 horas, aliados afirmaram à CNN que Flávio já havia se encontrado com o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida, e que planejavam uma entrevista para esta quarta-feira (28) para explicar a decisão de deixar o país.

Uma hora depois, segundo o governo argentino, Flávio estava passando pelo controle migratório na fronteira.

Informação falsa enquanto a PF procurava o senador

As versões circularam enquanto a Polícia Federal procurava Flávio.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia determinado no domingo (25) a entrega dos passaportes do senador e o proibido de deixar o país.

O prazo terminou às 11h de terça, e os documentos não foram entregues. A PF então cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio.

Com o senador dado como já fora do país e até já nos EUA, a atenção se voltou para a chegada dele em território americano. Mas Flávio ainda não tinha cruzado a fronteira.

O governo argentino também negou durante a terça que o senador tivesse entrado no país, versão que acabou revista pela própria Migrações na madrugada desta quarta.

Orientação para não sair

Na segunda-feira (26), em reunião com integrantes da campanha em um escritório de advocacia no Lago Sul, em Brasília, Flávio foi aconselhado por aliados a não deixar o país, segundo apurou a CNN.

Aliados moderados avaliavam que uma prisão logo após a eleição prejudicaria a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior e, por isso, não esperavam nenhuma medida contra ele.

No mesmo dia, em vídeo nas redes sociais, o senador afirmou ter sido intimado a entregar os passaportes e que também estava proibido de deixar o país.

Uma fonte brasileira próxima a Flávio disse à CNN que ele temia ser preso.

Destino final

Fontes ouvidas pela CNN mantêm que o objetivo final do senador são os Estados Unidos.

Dois funcionários do governo americano disseram à CNN que vistos estão sendo emitidos para ele e a família.

Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial da chegada da aeronave ao Equador nem do pouso em território americano.

Flávio é investigado em dois inquéritos da PF. Um apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que teria recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O outro investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades e diz manter apenas relação de amizade com Tomaz, que também contesta as suspeitas.

Kassab pede equilíbrio fiscal a Lula e alerta para risco de “hostilidade”

27 October 2026 at 16:12

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça-feira (27) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará manter o equilíbrio fiscal e formar uma equipe econômica alinhada para evitar dificuldades no quarto mandato, a partir de 2027.

Kassab alertou para o risco de desgaste do governo diante de um Congresso Nacional mais crítico e da cobrança da população pelo cumprimento das promessas de campanha. A avaliação foi feita durante o evento “Quadriênio 2027-2030: O que esperar dos eleitos?”, promovido pelo Dominium Group.

“Se ele não fizer um bom governo, vai se associar a decepção da sociedade junto a uma hostilidade do Congresso Nacional. E não há outra saída a não ser um bom governo”, afirmou.

Na avaliação do dirigente, Lula deverá escolher ministros da Fazenda e do Planejamento com conhecimento técnico e capacidade de articulação para conciliar a manutenção dos programas sociais com o controle das contas públicas.

Ele citou o primeiro mandato do petista como referência para a condução da política econômica, quando, segundo ele, foi possível ampliar os programas sociais e preservar o equilíbrio fiscal.

A preocupação também foi abordada pelo economista-chefe da Galápagos Capital, Cláudio Ferraz, que apontou o crescimento da dívida pública, diante de resultados primários negativos, como um dos principais desafios dos próximos anos.

“Um desafio do país nos próximos anos é a discussão das contas públicas”, reforçou Ferraz. Segundo ele, a situação fiscal é uma possível fonte de preocupação dos mercados, refletida na volatilidade cambial.

No campo econômico, Ferraz apontou que os próximos cem dias poderão ser relevantes para as perspectivas de crescimento, diante de sinais de desaceleração da atividade, pressões inflacionárias e incertezas internacionais.

No evento, a relação com o Legislativo também foi destacada por Kassab, que afirmou que o PSD estará disposto a apoiar propostas consideradas positivas, mas sem alinhamento automático ao Palácio do Planalto.

“Nesse momento é importante que o presidente entenda que iremos ajudá-lo a ser um bom presidente, mas estaremos atentos, vigilantes para fiscalizar. Eu acho que a independência é fundamental”, disse.

Para Marcelo Moraes, fundador do Dominium Group, os ajustes na área econômica e nas articulações políticas devem ser céleres para a nova gestão petista, sob o risco de impactos em investimentos.

“O importante é que os ajustes sejam rápidos, tanto na economia quanto na política. A economia não pode demorar muito tempo para se estabilizar porque o valor das empresas vai se destruindo e também, na política, se não tivermos regras claras rapidamente, os investimentos não chegam.”

Leandro Gabiati, da Dominium Consultoria, apontou ainda que o Congresso passou a disputar maior influência com o Executivo diante da autonomia financeira e do controle de aproximadamente R$ 60 bilhões em recursos de emendas parlamentares.

Para o especialista, a negociação com os parlamentares será central na definição das prioridades do próximo governo.

Reformas estruturais

Kassab também defendeu a aprovação, ainda neste ano, de uma proposta inicial de reforma do Judiciário que estabeleça idade mínima de 60 anos para a escolha de integrantes dos tribunais superiores, mandatos de 12 anos e quarentena de dois anos após o exercício do cargo.

“Acredito que acalmaria o país uma medida como essa aprovada”, afirmou.

Segundo o dirigente, a iniciativa permitiria reduzir as tensões institucionais enquanto mudanças mais amplas nas atribuições do Judiciário fossem discutidas.

Sobre uma nova reforma política, Kassab defendeu mudanças no sistema eleitoral brasileiro com a adoção do voto distrital misto. O modelo divide os estados em “distritos eleitorais”, nos quais os eleitores poderiam votar apenas em candidatos que representam aquele local.

Uma outra parte das vagas é distribuída por voto no partido, com uma lista de candidatos definida pelas siglas.

“Pela primeira vez, o PSD fechará questão em relação ao voto distrital misto no sentido de dar o apoio a esse projeto”, disse a jornalistas após o evento.

O presidente do PSD também defendeu uma reforma administrativa voltada à contenção de gastos e ao enfrentamento de privilégios, com o objetivo de ampliar os recursos disponíveis para investimentos sociais e em infraestrutura.

“A reforma administrativa é fundamental. Diminuir o Estado, conter gastos, enfrentar privilégios”, declarou.

Para Kassab, as mudanças poderiam abrir espaço para a redução da carga tributária, mas ele condicionou o avanço das propostas à disposição do governo de encaminhá-las.

O dirigente avaliou ainda que Lula terá a oportunidade de conduzir o próximo mandato sem a preocupação de disputar uma nova eleição, mas precisará construir apoio político para implementar sua agenda.

Kassab defendeu que partidos de diferentes campos, inclusive o PL, estejam preparados para fiscalizar o governo e apoiar projetos considerados favoráveis ao país.

PF aciona Argentina por temor de fuga de Flávio

27 October 2026 at 13:42

O governo brasileiro acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga do país do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A Polícia Federal tem também checado informações de registros nos postos regulares de fronteira com o país.

O site argentino Infobae publicou nesta terça-feira (27) que o candidato derrotado nas eleições havia cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina em um voo privado. Informação não confirmada até o momento.

Segundo apurou a CNN, até agora, porém, o governo brasileiro não tem informações se o senador está no Brasil.

Nesta terça-feira, acaba o prazo para que o primogênito de Jair Bolsonaro entregue seus passaportes. Até o momento não há informações de que a entrega tenha sido feita.

Os aliados do senador dizem que ele não deixou o país.  À CNN Brasil, o governo de Javier Milei negou que Flávio tenha entrado na Argentina. O Ministério da Segurança, responsável pelo departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou para a reportagem que o ex-candidato do PL não entrou, nem pediu para entrar no país.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu o contato do senador com o empresário e advogado Willer Tomaz.

Em decisão sigilosa, cujo conteúdo foi obtido pela CNN, o magistrado também determinou o cancelamento do passaporte brasileiro em nome do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A CNN apurou que Flávio foi intimado pela Polícia Federal na manhã da última segunda-feira (26) a cumprir a decisão e a entregar os documentos de viagem.

Flávio e Willer são investigados em um mesmo inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e que apura denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Neste ano, Willer foi alvo da operação Sem Desconto, que apura irregularidades no INSS, e deixou o país, passando a viver nos Estados Unidos.

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