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TSE e aliados de Flávio defendem urnas após carta com teor golpista

29 October 2026 at 07:50

Após divulgação de carta com teor golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), aliados do ex-candidato à Presidência e o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se pronunciaram defendendo o resultado do segundo turno das eleições, que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No texto, Flávio não reconhece a derrota no pleito e alega “fraude”, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral. Na primeira versão, declarava-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e republicou o documento sem a frase, se dizendo “líder” do país.

Depois da acusação, o TSE se manifestou dizendo que “qualquer pessoa” pode baixar os arquivos das urnas e auditar o resultado da eleição.

Em publicação, a Justiça Eleitoral afirmou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os logs de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos contêm informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que votaram.

O presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, também se pronunciou. Em nota, disse que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado” e disse que o resultado do pleito foi entregue com segurança.

“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, escreveu em comunicado.

Ainda afirmou que todos os “questionamentos feitos dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.

O que disseram os aliados

Alguns integrantes da campanha de Flávio à Presidência e aliados também se manifestaram após a divulgação do texto.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos primeiros a se pronunciar.

Em nota, afirmou que a oposição deve respeitar o resultado das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. No texto, disse compreender a indignação de Flávio e destacou que o sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

Para Tarcísio, o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”. No texto, ainda defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições para fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.

Nesta quarta, o governador disse ter recomendado que Flávio permanecesse no Brasil após derrota nas eleições. Também afirmou, em entrevista ao Estadão, que não sabia que o senador pretendia viajar para os Estados Unidos.

Tarcísio já havia reconhecido o resultado do pleito em vídeo publicado nas redes sociais na terça (27). Na publicação, disse que “reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, fazendo críticas à gestão de Lula.

Outro nome que discordou do teor da carta de Flávio foi seu coordenador de campanha e líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Marinho disse nesta noite que não é possível afirmar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.

“Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, disse o senador.

Marinho ainda afirmou não ter sido consultado sobre o documento divulgado pelo ex-candidato à Presidência e que não sabe como Flávio vai atuar dos Estados Unidos para coordenar a direita. Também voltou a dizer que não sabia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixaria o país.

Após a carta de Flávio, o União Brasil, que havia lhe apoiado no segundo turno, também divulgou nota dizendo reconhecer que o processo eleitoral “transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.

A Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado. O presidente do partido, Antônio Rueda, disse que “a soberania popular se manifestou de forma livre” nas urnas.

Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, como o Republicanos, o Podemos e o MDB.

Carta de Flávio

Na tarde desta quarta, Flávio divulgou uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.

No documento, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa “fraude eleitoral” no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.

O ex-candidato do PL (Partido Liberal) cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação de domingo (25) até as 19h, como um dos argumentos. Ele se refere a Zanin como “ex-advogado de Lula” e afirma que o magistrado permitiu uma “impossibilidade matemática”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio — uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Como mostrou a CNN, dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

No próprio domingo, Nunes Marques já havia declarado que a prorrogação do horário de votação não comprometeu o pleito.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, destacou.

Desde a divulgação dos resultados, Flávio disse não reconhecer o resultado do segundo turno e afirmou que pediria anulação das eleições. Um dia depois, porém, integrantes da campanha do ex-candidato ouvidos pela CNN disseram que ele havia desistido de questionar a validade da votação.

Na terça (27), aliados relataram à CNN que Flávio havia deixado o Brasil.

O senador chegou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta após passar pela fronteira da Argentina, fazer escala no Equador — onde parou para abastecer — e decolar em direção aos EUA.

 

Nos EUA, Ramagem diz que Flávio será voz do Brasil por “liberdade”

29 October 2026 at 01:30

Ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alexandre Ramagem (PL) apareceu em foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite desta quarta-feira (28). Na publicação, escreveu que o ex-candidato à Presidência foi para os Estados Unidos para ser “a voz do Brasil por liberdade”.

“Hoje nos Estados Unidos. Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade. Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar”, afirmou.

Condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro de 2025 a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2023, ele mora nos Estados Unidos desde o ano passado, tendo deixado o Brasil mesmo após proibição da Suprema Corte.

Segundo investigação da PF (Polícia Federal), Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Além da prisão, ele também foi condenado a 50 dias-multa no valor de um salário mínimo o dia. A Suprema Corte ainda determinou, por maioria, a perda do mandato de deputado federal.

Em entrevista à CNN Brasil, em julho, Ramagem afirmou que aguardava a análise de um pedido de asilo e negou as acusações. Ele chegou a ser detido pelo serviço de imigração americano em abril, mas foi liberado dois dias depois.

Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta manhã acompanhado de sua esposa e duas filhas. A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Integrantes do governo de Donald Trump sabiam, já na segunda-feira (26), que o senador precisava entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Eles deixaram claro ao ex-candidato que sua entrada no país seria permitida, como apurado pela CNN.

Nesta noite, Flávio divulgou uma carta com teor golpista. No documento, ele diz que não reconhece o resultado do pleito que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chegou a se apresentar como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, antes de recuar do termo e publicar um novo documento no qual se define como “líder”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.

 

Após carta de teor golpista de Flávio, Kassio diz que eleição foi normal

28 October 2026 at 22:19

Após divulgação da carta com teor golpista do senador Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, disse em nota nesta quarta-feira (28) que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”.

Nunes Marques mencionou “instabilidade”, mas ressaltou que, apesar disso, o resultado do pleito foi entregue com segurança.

“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança“, escreveu em comunicado.

Ainda afirmou que todos os “questionamentos feitos dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.

“Com empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”, prosseguiu.

Nesta tarde, Flávio divulgou uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.

No documento, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa “fraude eleitoral” no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.

O ex-candidato do PL (Partido Liberal) cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação de domingo (25) até as 19h, como um dos argumentos. Ele se refere a Zanin como “ex-advogado de Lula” e afirma que o magistrado permitiu uma “impossibilidade matemática”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio — uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Como mostrou a CNN, dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

No próprio domingo, Nunes Marques já havia declarado que a prorrogação do horário de votação não comprometeu o pleito.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, destacou.

Desde a divulgação dos resultados, Flávio disse não reconhecer o resultado do segundo turno e afirmou que pediria anulação das eleições. Um dia depois, porém, integrantes da campanha do ex-candidato ouvidos pela CNN disseram que ele havia desistido de questionar a validade da votação.

Na terça (27), aliados relataram à CNN que Flávio havia deixado o Brasil.

O senador chegou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta após passar pela fronteira da Argentina, fazer escala no Equador — onde parou para abastecer — e decolar em direção aos EUA.

 

Cidadania italiana pode ser obstáculo a eventual asilo de Flávio nos EUA

28 October 2026 at 18:32

A cidadania italiana do senador Flávio Bolsonaro (PL) pode representar um obstáculo a um eventual pedido de asilo político nos Estados Unidos. A CNN Brasil consultou advogados especialistas em imigração sobre as possibilidades do candidato derrotado à Presidência.

Flávio chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28), três dias após perder o segundo turno da eleição presidencial. Segundo relatos de aliados, o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de asilo.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou à CNN Brasil a emissão de vistos para o senador e sua família, mas esclareceu que a autorização de entrada no país não equivale à concessão de asilo.

Segundo a advogada de imigração Caroline Azevedo, da Visa Finder, a dupla nacionalidade pode pesar contra o pedido.

Flávio tem cidadania italiana desde 2023. Em 9 de outubro, o Board of Immigration Appeals (BIA), instância administrativa de recursos em matéria migratória nos EUA, publicou uma decisão que estabelece uma presunção contrária à concessão de asilo a cidadãos da União Europeia, ressalvadas circunstâncias extraordinárias.

O entendimento, conhecido como Matter of B-S-A-N-, considera, entre outros fatores, que cidadãos europeus têm direito de residir legalmente nos demais países do bloco. Na avaliação da advogada, a possibilidade de viver na Itália pode dificultar a demonstração de que Flávio necessita de proteção nos Estados Unidos.

A legislação americana também prevê que pessoas com mais de uma nacionalidade, em determinadas circunstâncias, demonstrem que não podem obter proteção em nenhum dos países dos quais são cidadãs. A regra foi estabelecida em precedente de 2013, conhecido como Matter of B-R-.

Há, porém, uma ressalva jurídica: em 2022, um tribunal federal de apelações com jurisdição sobre Nova York, Connecticut e Vermont decidiu que, para ser considerado refugiado, um requerente com dupla nacionalidade precisa demonstrar perseguição em apenas um dos países de sua nacionalidade. Essa decisão não tem aplicação nacional e não afasta automaticamente o entendimento mais recente sobre cidadãos da União Europeia.

O precedente de outubro também não impede que Flávio apresente um pedido de asilo, nem determina que ele seja necessariamente negado. A decisão cria uma presunção contrária à concessão, que pode ser superada nas circunstâncias previstas no entendimento. A análise dependerá dos fundamentos apresentados, das provas e da interpretação das autoridades migratórias americanas.

A eventual negativa de asilo também não implica deportação automática. Flávio e família conseguiram vistos americanos. Não há informações sobre qual classificação dos documentos.

Flávio obteve cidadania italiana em 2023, por descendência, assim como os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro. A nacionalidade voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar a entrega dos passaportes do senador. Segundo informações apuradas pela CNN Brasil, Flávio utilizou o documento italiano durante o deslocamento para o exterior.

Richarlison ironiza fuga de Flávio: “Então não tem ninguém na ilha?”

28 October 2026 at 00:04

O jogador de futebol Richarlison ironizou nesta terça-feira (27) a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência, do Brasil em direção aos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, ele mencionou uma ilha em Angra dos Reis que está no centro de um conflito seu com Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar.

“Então não tem ninguém na ilha, né? 😅”, escreveu Richarlison.

No post, o jogador incluiu imagens feitas por inteligência artificial que mostram ele chegando na ilha e fazendo churrasco ao lado de amigos. As fotos ainda contêm os dizeres: “Ilha do Richarlison”, em uma placa.

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Como mostrou a CNN, a PF (Polícia Federal) vai incluir a apuração sobre a disputa pela posse de uma ilha envolvendo o jogador de futebol no mesmo inquérito que investiga as relações entre Flávio e Willer Tomaz.

Richarlison acusa o senador e o advogado de tomarem posse de área na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).

O atacante do Tottenham, da Inglaterra, diz ter investido R$ 10 milhões na compra da propriedade. De acordo com ele, Flávio demonstrou interesse na ilha, mas ele se recusou a vendê-la.

“Flávio e o tal Willer Tomaz pegaram em 24h a posse da ilha na mão grande e sem gastar um tostão porque eu não quis vender”, disse o jogador em vídeo publicado nas redes sociais.

O empresário Oswaldo Botrel, agente de Richarlison, afirmou à CNN que o atleta comprou a ilha dos primeiros posseiros e donos originais do terreno.

Willer Tomaz, no entanto, negou as acusações e disse que o jogador comprou a propriedade de pessoas que não tinham direito de vendê-la. O advogado declarou que a aquisição feita por sua empresa foi regular e está amparada por escritura pública, registro em cartório e documentação da SPU (Secretaria do Patrimônio da União).

Flávio deixa o país

Como mostrou a CNN, aliados de Flávio afirmaram mais cedo que o político saiu do país com a família em direção aos Estados Unidos. A informação também foi confirmada por autoridades americanas à agência de notícias Reuters.

A decisão do senador teria ocorrido após a PF (Polícia Federal) solicitar que ele entregasse seus passaportes sob determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Além de estabelecer a entrega dos documentos em até 24 horas, o magistrado também proibiu que Flávio deixasse o país e que mantivesse qualquer tipo de contato com o advogado Willer Tomaz.

Conforme apuração da CNN, o senador já chegou aos EUA com sua mulher e filhas. A informação foi confirmada por fontes ligadas ao governo americano.

Moro diz que “Flávio deixar o país é compreensível”

27 October 2026 at 20:33

O governador eleito no Paraná, Sergio Moro (PL), disse na tarde desta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, ter deixado o país é “compreensível”. Moro ainda questionou a intimação da PF (Polícia Federal) para que Flávio entregasse seus passaportes.

“Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição? O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível”, escreveu nas redes sociais.

Como mostrou a CNN, aliados de Flávio afirmaram mais cedo que o político saiu do país com a família em direção aos Estados Unidos. A informação também foi confirmada por autoridades americanas à agência de notícias Reuters.

A decisão do senador teria ocorrido após a PF (Polícia Federal) solicitar que ele entregasse seus passaportes sob determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Além de estabelecer a entrega dos documentos em até 24 horas, o magistrado também proibiu que Flávio deixasse o país e que mantivesse qualquer tipo de contato com o advogado Willer Tomaz.

Como apurou a CNN, o candidato do PL (partido Liberal) não entregou os documentos dentro do prazo, que se encerrou às 11h desta terça. Desta forma, a PF cancelou os passaportes do senador.

A fuga de Flávio do Brasil provocou surpresa e insatisfação entre seus aliados políticos, segundo apuração da CNN. Integrantes do entorno do ex-candidato afirmaram não compreender a decisão, e um deles chegou a dizer que a saída do país é “inaceitável”.

Outros aliados, no entanto, como o vice na chapa de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), disseram que o senador sofre uma “perseguição implacável”.

À CNN, políticos próximos de Flávio afirmaram que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endossou o movimento dele de deixar o Brasil e sinalizou a concessão de asilo político

Flávio Bolsonaro responde a três inquéritos no STF.

Um deles é por calúnia contra o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT); outro, sobre suspeitas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); e, por último, um relacionado à associação com o advogado Willer Tomaz por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Os relatores dos casos são Alexandre de Moraes e André Mendonça, que deverão analisar se há vínculo entre os crimes investigados e o mandato parlamentar do senador. Havendo esse vínculo, os processos continuarão tramitando no STF. Caso contrário, poderão ser remetidos à primeira instância.

Lula supera Flávio no Norte por 1.079 votos e PT volta a vencer na região

27 October 2026 at 00:36

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno de domingo (25), venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa ao Planalto na região Norte do país por 1.079 votos, segundo levantamento da CNN Brasil.

Conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), entre os nortistas, o petista obteve 5.024.626 contra 5.023.547 do candidato derrotado do PL (Partido Liberal). Na região, Lula venceu com 50,01%.

A vitória de Lula no Norte é a primeira do PT (Partido dos Trabalhadores) na região em um segundo turno desde 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita.

A maior diferença para a legenda do presidente Lula na região foi no segundo turno de 2006, quando Lula disputava a Presidência com seu atual vice, Geraldo Alckmin (PSB). À época, o chefe do Planalto obteve 65,59% no Norte, com uma vantagem de 2.022.652 em relação a Alckmin.

Lula reeleito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo em segundo turno turno ao superar Flávio Bolsonaro.

Com 100% das urnas apuradas, foram 51,79% dos votos para Lula (64,2 milhões), contra 48,21% de Flávio (59,8 milhões).

O petista conquistou uma virada histórica nas eleições presidenciais de 2026.

Nunca antes na história do Brasil o candidato à Presidência que ficou em segunda colocação no primeiro turno conseguiu virar a votação e vencer no segundo turno.

Lula ainda é o primeiro presidente a ocupar o cargo quatro vezes na história do Brasil.

Foi eleito pela primeira vez em 2002, contra José Serra, e reeleito em 2006, contra Alckmin. Após 12 anos longe do Palácio do Planalto, o petista assumiu a chefia do Executivo Federal novamente em 2022, quando venceu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em seu terceiro mandato.

Também é o presidente com mais reeleições desde que a modalidade foi permitida no Brasil, em 1997. Com a vitória de domingo, o chefe do Planalto já garantiu duas reeleições.

 

Edinho: Se vitória de Lula não for reconhecida, PT levará base às ruas

26 October 2026 at 22:30

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse à CNN Brasil na noite desta segunda-feira (26) que, caso a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seja reconhecida, a legenda vai mobilizar a população e levar apoiadores às ruas.

Edinho afirmou que é “inaceitável” o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, não reconhecer o resultado do pleito.

“Estamos convocando a executiva nacional do PT para quinta-feira a gente se reunir, avaliar esse cenário, porque se não for reconhecida a eleição do presidente Lula, se não for reconhecida a democracia brasileira, nós também vamos mobilizar e pôr gente nas ruas, nós vamos criar um plano de mobilização nessa reunião de quinta-feira para que a gente mobilize o Brasil”, afirmou à CNN Brasil.

Na ocasião, ainda disse que Flávio tem respaldo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Porque o que estão fazendo é uma inconsequência, é uma irresponsabilidade do Flávio Bolsonaro, respaldado pelo Donald Trump, que tentou intervir na eleição no Brasil por meio das big techs, nós denunciamos, a ONU reconheceu, a própria meta reconheceu que ela errou no impulsionamento de publicidade, portanto teve uma ingerência no processo eleitoral e agora está tendo uma ingerência internacional no resultado das eleições no Brasil?”, questionou.

Mais cedo, como mostrou a CNN Brasil, Trump afirmou, sem apresentar provas, que a votação no Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas disse que gosta de Lula e que se dá bem com o petista.

No domingo (25), Trump disse que monitorava a eleição brasileira, mas não declarou apoio a nenhum candidato.

Após o primeiro turno, porém, o americano disse que o desempenho de Flávio Bolsonaro — que ficou à frente de Lula — era uma “grande vitória”.

“Bem, é uma grande vitória — apertada, mas uma vitória muito grande. Incrível, na verdade”, afirmou a jornalistas ao sair da Casa Branca.

Como mostrou a CNN, o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, disse no início de outubro que a corporação chegou a abrir uma investigação sobre uma possível interferência dos EUA nas eleições brasileiras.

Lula reforçou a preocupação diversas vezes em discursos. O petista disse que chegou a conversar com Trump e que o americano garantiu que não interferiria no pleito.

Anulação do resultado

No domingo, em discurso após a derrota, Flávio disse que pediria anulação das eleições que deram a vitória ao petista.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram; vamos pedir anulação dessas eleições”, disse o candidato.

Na ocasião, acusou interferência de Cristiano Zanin, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), por ter determinado a extensão do horário de votação em todo o território nacional após pedido da campanha de Lula.

Nesta segunda, porém, integrantes da campanha de Flávio afirmaram à CNN que Flávio desistiu e não haverá pedido de anulação da votação. A estratégia será contestar supostos abusos da máquina pública durante a campanha, sem colocar em dúvida a validade dos votos.

Mais tarde, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, anunciou que a sigla reconhece o resultado do pleito, mas disse que os questionamentos sobre o segundo turno “precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”.

CNBB parabeniza Lula por reeleição e reafirma defesa da democracia

26 October 2026 at 20:42

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) parabenizou nesta segunda-feira (26) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em carta a Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a instituição afirmou que “o resultado das urnas expressa a decisão democrática do povo brasileiro e renova a responsabilidade confiada as Vossas Excelências de conduzir os destinos da nação”.

“Neste momento, desejamos que o novo mandato seja marcado pela sabedoria, pelo espírito de serviço e pelo compromisso com o bem comum, fundamento de toda autêntica responsabilidade política“, escreveu.

A CNBB disse que as eleições acabaram, mas que a tarefa de “cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros” permanece .

Em manifesto, ainda destacou que a polarização da sociedade não pode determinar o próximo período do governo.

“O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições democráticas”, afirmou, acrescentando que pacificar não significa silenciar as divergências, mas criar condições para que elas sejam enfrentadas com “respeito, justiça, verdade e disposição para o encontro”.

O documento também reforça que todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas eleitorais, pertencem à mesma comunidade e merecem igual consideração dos que exercem autoridade pública, mas defendeu que a atenção prioritária deve ser dedicada “aos mais pobres e vulneráveis”.

“Acreditamos que a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens, a solidariedade, a subsidiariedade e o bem comum devem orientar as decisões políticas e econômicas”, pontuou.

A instituição também declarou que o desenvolvimento de uma nação não pode ser avaliado apenas por seus indicadores econômicos, mas também pela “capacidade de assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e dos direitos fundamentais”.

O conselho reafirmou a importância do fortalecimento das instituições, da Constituição, da promoção da paz, do combate à corrupção e da violência. Pediu ainda que o país tenha políticas públicas que enfrentem seus problemas estruturais, mas preservando a democracia.

Por fim, reiterou a autonomia entre Igreja e Estado e o diálogo institucional construtivo.

“Desejamos que o novo mandato seja uma oportunidade para fortalecer a democracia, aproximar os brasileiros e renovar a esperança daqueles que mais necessitam de atenção e cuidado”, concluiu.

Reeleito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25) em segundo turno ao superar Flávio Bolsonaro. Com 100% das urnas apuradas, foram 51,79% dos votos para Lula (64,2 milhões), contra 48,21% de Flávio (59,8 milhões).

Foi a primeira vez na história da República que quem saiu atrás no primeiro turno conseguiu virar no segundo.

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