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À beira da catástrofe a França intensifica a repressão contra o dissenso político

By: A A
17 October 2026 at 19:26

Macron, com 15% de aprovação, prepara guerra com Rússia e dissolve associação Egalité et Réconciliation de Alain Soral por “extremismo político”.

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Macron é, hoje, muito possivelmente, o presidente mais impopular do planeta, contando com apenas 15% de aprovação, segundo uma enquete Ipsos BVA-Cesi. Sob seu comando, a França se depara com a estagnação econômica (crescimento de 0,6% em 2025) e com o endividamento (120% do PIB). Sob Macron, a França viu também a desindustrialização acelerada do país, com as indústrias correspondendo a apenas 9% do PIB, menor patamar da União Europeia, e não surpreendentemente, o poder de compra despencou, com metade dos franceses dizendo que sua renda dá apenas para o essencial e apenas 70% dos cidadãos em idade ativa ocupando um posto de trabalho, atualmente.

Como se isso já não fosse o bastante, em aproximadamente 10 anos de governo Macron, aproximadamente 4 milhões de imigrantes entraram no país (muitos dos quais não trabalham, mas recebem benefícios sociais); quantia que torna impossível a absorção econômica bem como a assimilação etnocultural dos recém-chegados. Naturalmente, ao descontrole imigratório estão vinculadas taxas de criminalidade, favelização de centros urbanos e aumento das tensões sociais. Muitos franceses étnicos sentem-se demograficamente substituídos em sua terra natal, e não por acaso, tudo indica que Marine Le Pen ganhará (finalmente) as eleições presidenciais francesas em 2027.

Não sabemos quais seriam os resultados de uma presidência Le Pen e é razoável ser cético a respeito, mas claramente o atual curso da França é perigosíssimo, inclusive em sua política externa.

Gradualmente, nos últimos 2 anos, começaram a aparecer inúmeros sinais de que Macron estaria preparando o país para uma guerra com a Rússia. O governo francês criou um serviço militar voluntário e aprovou a expansão das forças armadas permanentes a 275 mil homens, bem como um aumento orçamentário para a defesa. O general Fabien Mandon, do Estado-Maior, afirmou em 2025 que a França deveria se preparar para um conflito de alta intensidade com a Rússia no prazo de três a quatro anos, e agora em setembro de 2026 Macron declarou que a França “poderia” se tornar alvo de drones explosivos. Constantemente, também, se ouve discursos sobre a necessidade de transformar a economia francesa numa “economia de guerra”.

Por isso, talvez seja surpreendente para muitos (mas não para nós) que em meio a tudo isso que tem acontecido no país, o governo Macron ainda encontre tempo para a implementação de um aparato de censura e repressão de níveis totalitários.

Sua nova vítima é a associação Egalité et Réconciliation (Igualdade e Reconciliação), criada pelo sociólogo e escritor Alain Soral. A associação se identifica como “nacionalista de esquerda” e tem como principal slogan “esquerda do trabalho, direita dos valores”, apelando a uma superação da falsa dicotomia entre esquerda e direita e, ainda mais importantemente, por uma reconciliação nacional entre todos os setores sociais; em anos recentes, ela esteve envolvida nas manifestações dos Coletes Amarelos, em algumas atividades ligadas ao partido Reagrupamento Nacional (apesar de, simultaneamente, manter uma postura de “crítica construtiva” contra certas tendências sionistas e liberais presentes no partido) e à militância pró-Palestina.

Ocorre que, no dia 9 de outubro, o Ministro do Interior do governo de Macron, Laurent Nuñez, anunciou a abertura de um procedimento de dissolução contra a associação Egalité et Réconciliation, sob a acusação de “extremismo político”. A sua equipe jurídica recebeu um prazo de 1 semana para se defender, e a decisão a respeito deve ocorrer, ainda, em outubro.

O próprio Alain Soral é uma figura de elevado espírito inconformista, razão pela qual já foi vítima de incontáveis perseguições judiciais – dezenas de fato – majoritariamente por “delitos de opinião”, ou seja, por comentários críticos contra pessoas específicas ou “minorias protegidas”. Em condenações, Soral já acumulou milhões de euros a serem pagos em indenização para ONGs globalistas diversas, soma obviamente impagável, bem como já foi encarcerado algumas vezes, também pelos mesmos motivos. A perseguição judicial foi tão intensa que Soral teve que se exilar de sua pátria, primeiro na Suíça e depois na Rússia.

Agora, para além das justificativas oficiais, por qual motivo o Estado francês baniria uma organização relativamente pequena e de poucos recursos financeiros?

É possível analisar o “ângulo” da presença de Alain Soral na Rússia, em mais de um sentido. Primeiro, porque ao estar na Rússia Soral finalmente tornou-se imune à constante perseguição judicial e às ameaças de prisão que ele sofria na França, ao mesmo tempo em que seguia tomando parte ativa no debate político e cultural francês, mesmo à distância. Nisso, ele era capaz de exercer e expandir a sua influência, “sob a proteção dos russos”, o que certamente alimenta as típicas paranoias atuais da elite francesa sobre uma “guerra informacional” russa.

Existe, porém, também um aspecto interno. Recentemente, Alain Soral voltou a ser bastante comentado pela mídia francesa por dois motivos. Um é o “caso Bardella”, o qual diz respeito à descoberta de supostos escritos “politicamente incorretos” de Jordan Bardella, presidente do partido Reagrupamento Nacional, e à informação de que em sua juventude a principal influência intelectual de Bardella era Alain Soral. O segundo é uma pesquisa de opinião indicando que 15% dos homens franceses com menos de 35 anos de idade se identificam com as ideias de Soral.

Isso às vésperas das eleições presidenciais representa um risco significativo para Macron e para o establishment francês. Ainda que, aparentemente, não haja chance de vitória para qualquer candidato contra Le Pen, não podemos duvidar da possibilidade de manipulação do processo eleitoral, tal como aconteceu na Romênia.

Esse silenciamento é ainda mais preocupante pelo fato de que Soral e o E&R serem praticamente os únicos personagens socialmente e culturalmente relevantes na França hoje que defendem a reconciliação nacional e que evitam a incitação do tensionamento interno, promovido pelos elementos mais islamofóbicos do RN e pela própria liderança do LFI de Mélenchon com seu “exército” de antifas e imigrantes.

Abya Yala vs. the nomos of the American discovery

By: A A
17 October 2026 at 18:58

Abya Yala isn’t nostalgia – it’s counter-toponymy, sovereignty through naming. Empires die; names endure.

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A name imposed from outside

Every October 12, history once again becomes a battlefield. This year, the two events took place just a few days apart and a few thousand kilometers from one another. On one side, the White House, where on October 9, Donald Trump honored Christopher Columbus in front of a marble statue reassembled from fragments of the Baltimore monument that had fallen into the harbor in 2020, and signed a proclamation linking the 1492 voyage to the 1776 Declaration of Independence and promising that the explorer’s legacy will not be erased by “radical extremists.” On the other side were Indigenous organizations that for more than thirty years have rejected even the name of the continent, calling it Abya Yala.

The dispute over the continent’s name is a dispute over sovereignty, and the fact that it is resurfacing with such intensity in 2026 – while Washington is rewriting its relations with the Western Hemisphere in an openly hegemonic manner – is no mere coincidence of the calendar.

The name “America” originated in a cartographic workshop in the Vosges Mountains. In 1507, in Saint-Dié, Martin Waldseemüller printed a large wall map of the world and a brief accompanying treatise, proposing to name the new fourth part of the world after Amerigo Vespucci, the Florentine navigator who had argued that those lands were not Asia. On the map, the name appears in the southern part of the continent. Within a few decades, it came to apply to the entire continental landmass. None of the people who lived there were consulted.

In 1958, the Mexican historian Edmundo O’Gorman developed a thesis on this that retains its power to this day: America was not discovered, it was invented. Not in the trivial sense that it did not exist before, but in the sense that Europe constructed a new geographical and conceptual entity, placing it within its own image of the world and assigning it a role in its own universal history. The name was the first act of this construction. Before being conquered by force of arms, the continent was conquered on paper.

There is also a second appropriation, less discussed in Europe and deeply felt south of the Rio Grande. In common usage, “America” means the United States. The shift is not merely lexical. On December 2, 1823, James Monroe declared to Congress that the American continent was no longer to be considered open to European colonization: the phrase “America for Americans” already contained, in embryo, the idea that the Americans par excellence were those of Washington. Two centuries later, the same logic has led to pressure regarding the Panama Canal in 2025 and the military operation in Venezuela in January 2026. When an indigenous movement utters “Abya Yala,” it thus challenges two names at once: the one imposed by Europe and the one annexed by the United States.

The nomos of discovery

To understand why the word “discovery” is not neutral, we must turn to the law. Carl Schmitt, in a 1950 book that remains one of the foundational texts of legal geopolitics, argues that 1492 ushered in the first global nomos of the earth: an ordering of space based on the seizure of land. The European powers recognized one another as legal subjects and treated the New World as a free space, available for occupation. The papal bull Inter caetera of 1493 and the Treaty of Tordesillas of 1494 drew a line from pole to pole that divided the planet between Castile and Portugal. Those who lived on those lands did not participate in the division: they were its objects.

Schmitt describes this order with a jurist’s admiration for an effective legal construct, and his analysis must be read with that in mind. But the mechanism he identifies is real and has had a long institutional life. In 1823, the same year as the Monroe Doctrine, the U.S. Supreme Court decided the case Johnson v. M’Intosh: Justice Marshall ruled that “discovery” conferred sovereign title to the land upon the European power – and later upon the United States as its successor – leaving the indigenous peoples with a mere right of occupation. The Doctrine of Discovery has remained part of American jurisprudence to this day. It was not until March 2023 that two Vatican departments issued a joint statement formally distancing themselves from it, acknowledging that 15th-century papal bulls were used to justify the expropriation of indigenous peoples.

The human cost of this system is measured in figures that remain uncertain, though their order of magnitude is not. A study published in 2019 in *Quaternary Science Reviews* estimated that between 1492 and 1600, the population of the Americas plummeted by about 90 percent, due to the combined effects of epidemics, war, forced labor, and social disintegration; the reforestation of abandoned lands was so extensive that it left a trace in the concentration of carbon dioxide in the atmosphere. Tzvetan Todorov, in his book The Conquest of America, had already spoken of the greatest genocide in human history, questioning how knowledge of the other could coexist with its destruction. The “discovery,” in other words, was also the disappearance of most of those who were there.

What Abya Yala means

Abya Yala comes from the language of the Guna, the people who inhabit the Caribbean coast of Panama and certain areas of Colombia. In its form “Abiayala,” it is usually translated as “land in full maturity”; other renderings such as “living land” or “land of vital blood” are also in circulation. The transition from a local place name to a continental name is recent. According to the most widely cited accounts, it was the Bolivian Aymara leader Takir Mamani who proposed that indigenous peoples adopt this name in their documents, in place of that of the colonizers. The proposal took shape during the wave of protests that accompanied the 500th anniversary in 1992, when counter-celebrations marking “500 years of resistance” stood in opposition to the official commemorations. In the 2000s, the summit meetings of indigenous peoples across the continent permanently adopted it as part of their name.

The Guna’s choice is no accident. This is a people who, in 1925, rose up against the Panamanian state and eventually secured an autonomous comarca – now known as Guna Yala – with its own institutions and effective control over the territory: one of the most successful examples of indigenous self-governance on the continent. Borrowing their word means choosing as an emblem a concrete experience of territorial sovereignty, not mere nostalgia.

It should be noted that Abya Yala does not erase the plurality of local names: Anáhuac for the Nahua world of central Mexico, Tawantinsuyu for the political and territorial organization of the Incas, and Pindorama for the Tupi lands of present-day Brazil. Each of these names expresses a different cosmology of space. Abya Yala functions as common ground, a sort of federal name that does not replace the specific ones. This is an important detail, because it signals that the project is not the invention of a single, symmetrical indigenous identity mirroring the “American” one, but rather a coordination among diverse actors.

Cartography as an act of sovereignty

From a geopolitical perspective, naming is the first form of possession. This is well understood by states that rename gulfs and seas, contest place names on official maps, and impose transliterations in international institutions. The year 2025 provided a textbook example with the U.S. renaming of the Gulf of Mexico. In this context, Abya Yala is a counter-toponym: a name that does not seek to occupy school atlases, but rather to wrest from hegemonic power the monopoly on the description of space.

The Latin American decolonial school has given this insight a precise theoretical form. Aníbal Quijano has termed the structure that survives the end of formal colonialism “the coloniality of power”: a hierarchy of peoples, knowledge, and territories that continues to organize the international division of labor and the production of knowledge. Walter Mignolo has shown how “Latin America” itself is a designation that originated in the nineteenth century in French and Creole circles, with specific political functions. The year 1492 marks not only the beginning of the conquest of the Americas but also the birth of the world-system centered first on Europe and later on the Atlantic. Challenging the continent’s name therefore means challenging the founding date of the unipolar order, tracing it back to its very roots.

Here, the issue intersects with the debate on multipolarism. A multipolar order is not merely a different distribution of power among great states. It implies the recognition that there are multiple civilizations, each with its own concepts of space, law, and relationship to the land. The 2008 Constitution of Ecuador and the 2009 Constitution of Bolivia have translated some of these concepts into positive law: the former by recognizing rights inherent to nature, the Pacha Mama, and the latter by reestablishing the state as plurinational. These are imperfect experiments, but they represent the most serious attempt in the hemisphere to build a form of statehood that does not derive entirely from the European model.

Columbus, Italy, and two identity politics

For the Italian reader, the story takes an additional turn. Columbus Day did not originate as a celebration of conquest. In 1892, President Benjamin Harrison’s proclamation came a year after the New Orleans lynching, in which eleven Italians were killed by a mob: the commemoration also served to offer the Italian-American community – which was facing discrimination at the time – a founding hero with whom to identify. Columbus thus became a tool for the integration of a minority that Anglo-Saxons considered little more than white.

Today, that history is being enlisted in a different battle. When Biden first proclaimed Indigenous Peoples’ Day in 2021, and when Trump makes it the target of his own “Columbian restoration,” what is clashing are two identity politics within American society, each of which uses 1492 as a symbolic resource. Italian Americans find themselves serving as a shield for an operation that primarily concerns the definition of the U.S. nation and its relationship with the rest of the hemisphere.

Italy and Europe can avoid this dilemma. Remembering Columbus as a navigator, as a figure of Mediterranean and Genoese culture, and as a man of his time does not oblige one to subscribe to the “nomos” of discovery or the legal doctrine that derived from it. One can honor the sailor while rejecting the claim of ownership. Indeed, it is precisely from Europe that a gesture of historical maturity might emerge, similar to the one made by the Holy See in 2023: distinguishing the memory of the person from the legitimization of a spatial order that has produced expropriation and death on a continental scale.

October 12, 2026, revealed two opposing ways of approaching the same date. Washington used Columbus to reaffirm a narrative of national founding that, in foreign policy, translates into a renewed claim to guardianship over the hemisphere. Indigenous movements used Abya Yala to remind us that that hemisphere had names, political systems, and sovereignty before 1492 – and that it still retains some of them today.

There is no symmetry between the two positions. One has aircraft carriers, sanctions, and courts; the other has a word and territories to defend one by one, but the history of maps teaches us that names have a long life – longer than the empires that imposed them. “America” appeared on a map printed in a small town in the Vosges and ended up designating half the planet.

No one can say today what fate awaits Abya Yala, but the mere fact that millions of people refuse to call their land by another’s name already speaks volumes about the crisis of the order that name had ushered in.

Menaces allemandes sur la France

By: A A
11 October 2026 at 17:05

par Jules  SEYES

Si l’Allemagne désirait interrompre les aéroports français, elle pourrait équiper ses Typhoon de missiles et créer une bulle de supériorité aérienne au-dessus du sol français. L’affirmation sonne-t-elle ridicule ? C’est exact, elle est pourtant l’exact miroir de l’alerte qu’El Mundo prête à la CIA selon laquelle les Russes pourraient équiper un navire de drones pour désactiver des aéroports occidentaux1. Comprendre pourquoi l’une sonne comme folle alors que l’autre paraît terrifiante suppose de saisir les méthodes d’analyse sur lesquelles elles reposent, avant d’analyser justement les présupposés des intentions.

Celles-ci étant un peu complexes, commençons par la doctrine, qui aura le mérite de clarifier le brouillard mental actuel. Un peu comme le brouillard de guerre auquel les militaires sont confrontés. Deux méthodes offrent un moyen de le briser : la méthode des moyens et celle des intentions.

La première repose sur un inventaire des ressources connues de l’adversaire pour évaluer l’ensemble des points qu’il peut toucher. C’est aujourd’hui l’exercice de la CIA : les Russes disposent de drones, ceux-ci peuvent être basés sur un navire, donc les Russes peuvent équiper un navire. L’exercice en début d’article relève de la même logique : prendre le nombre de chasseurs de la Bundeswehr, le nombre de Taurus en stock, puisque contrairement à nos SCALP ces armes n’ont pas été envoyées en Ukraine, et établir que cette combinaison a la capacité de mener une attaque surprise au-dessus de la France.

Le problème de cette méthode est de livrer un arc de menace souvent inutilisable, car il existe trop d’axes de vulnérabilité pouvant être exploités. L’automne 1944 en offre l’illustration2. Les Allemands retirent alors plusieurs divisions du front. La reconnaissance aérienne alliée photographie, à partir de la mi-novembre, un trafic ferroviaire intense autour de Cologne, de Coblence et dans l’Eifel : gares de triage saturées, locomotives sous pression, une vingtaine de wagons plats chargés de chars Tigre sur la ligne d’Euskirchen. Début décembre, cent soixante-dix wagons plats chargés de blindés et de véhicules roulent entre Cologne et Limbourg. La nuit, les chasseurs de nuit repèrent des convois aux phares masqués. Des dépôts de ravitaillement apparaissent à Rheinbach et à Schleiden, des piles de bois propres à jeter des ponts près d’Echternach, des trains sanitaires à l’ouest du Rhin. Les écoutes radio identifient une armée blindée nouvelle, la 6e Panzerarmee. À la mi-décembre, face aux Ardennes, le VIIIe corps américain signale une activité d’artillerie inhabituelle, aucun mouvement visible et presque plus de prisonniers. Cette force, dont la valeur combative était connue, pouvait être engagée de bien des manières.

Une seconde méthode doit alors entrer en jeu : celle des intentions. En fonction des moyens connus, on établit ce que l’ennemi voudra toucher. Plus précise, celle-ci possède l’inconvénient de reposer sur des déterminants bien moins solides, puisque liés à la compréhension de la psychologie de l’adversaire.

Ces indices remontent à tous les états-majors alliés, et chacun les interprète selon le tempérament de son chef. Au quartier général d’Eisenhower, commandant suprême des forces alliées, homme de coalition et de logistique, domine une conviction : les Allemands sont trop fatigués pour attaquer. Les divisions retirées sont donc évaluées comme des rotations de repos et une reconstitution de réserve. Le 15 décembre encore, son bureau des opérations n’a rien à signaler dans les Ardennes. Patton, chef de la Troisième Armée, passe pour le plus offensif des généraux américains : il ne conçoit la guerre qu’en mouvement et à l’attaque. Son état-major projette cette volonté offensive sur l’ennemi allemand. Elle reflète en réalité la psychologie des analystes, elle-même dérivée de la psychologie des chefs. Son chef du renseignement, le colonel Oscar Koch, lit les mêmes indices comme la préparation d’un coup et présente à Patton, le 9 décembre, sa conclusion : une contre-offensive allemande est possible dans les Ardennes. Patton fait aussitôt préparer les plans qui permettront à la Troisième Armée de pivoter vers le nord. Le lendemain du rapport rassurant d’Eisenhower, l’offensive allemande éclate. Autrement dit, la méthode des intentions en dit souvent plus sur la manière de penser des analystes que sur leur compréhension fine de l’adversaire. Bien conscients de ces défauts, les militaires appliquent les méthodes classiques d’analyse stratégique pour filtrer l’ensemble. La première d’entre elles est le rapport coût-avantage : qu’est-ce que l’adversaire a à gagner ? Pour quel coût ?

Ici, vous constatez par exemple la différence de pensée entre Eisenhower et Patton. Pour le premier, le coût est en carburant ; le second pense en termes d’avantage moral de l’offensive. D’où la divergence d’analyse. Si nous prenons notre exemple d’avions allemands équipés de Taurus, le coût est une guerre franco-allemande, voire OTAN-Allemagne si l’article 5 venait à jouer. Aucune attaque, même couronnée de succès, ne pourrait provoquer des dégâts suffisants pour compenser les coûts d’un conflit avec une puissance nucléaire. En pratique, l’Allemagne aurait beaucoup à perdre et peu à gagner, puisque son influence dans l’appareil d’État et l’UE lui permet d’obtenir satisfaction dans des domaines cruciaux, telle la fermeture de Fessenheim.

Alors, la Russie ?

La CIA vient de nous gratifier d’un de ces mémos qui relèvent à la fois de la plus pure vérité et du plus pur mépris du public destiné à recevoir la fuite. Voici la menace : «Le point faible de l’Europe» : la menace d’une attaque russe contre la France et l’Espagne est réelle, selon la CIA.

Le scénario de l’attaque impliquerait des drones Gerbera3, de petits appareils à la charge explosive réduite dont l’intérêt est perturbateur et non de faire des victimes : fermer un aéroport, par exemple. Ils seraient lancés depuis des navires marchands déguisés en trafic commercial ordinaire et postés en Méditerranée.

Je vous avouerai qu’en ouvrant ce mémo, je m’étais attendu à un scénario sérieux, pas à cela. À la découverte du propos, son outrance m’a fait passer à la limite de l’insulte. Voilà une proposition d’attaque étatique dont le but serait de «perturber» ? Se rend-on compte du terme ? Une attaque pour perturber ? Schlieffen se retourne dans sa tombe, Napoléon s’étrangle avec sa bataille décisive, Manstein est fort heureusement mort. Car, hélas, un État ne gaspille pas la surprise en lançant un tapotage gentil. S’il faut recourir à la violence, alors il faut d’emblée prendre un avantage définitif pour maintenir au plus court la durée de la campagne. Sun Tzu le notait déjà : aucun pays n’a jamais tiré profit d’une guerre prolongée.

Le projet proposé contredit tous ces principes et, dès lors, il ne pose qu’une seule question : le code militaire russe a-t-il supprimé la peine de mort pour les traîtres ? Eh oui, désolé de décevoir ces intervenants de plateaux qui se prétendent experts malgré leurs abus propagandistes, mais ce que la CIA nous propose est de lancer une attaque inefficace pour ruiner la réputation que les Russes ont acquise auprès du reste du monde. Nous parlons bien sûr des pays sérieux, hors de l’Occident malade où les journalistes reprennent ce scénario comme un sujet sérieux.

En clair, une balance coût-bénéfice où il n’y aurait que des coûts pour la Russie et aucun bénéfice. Eh oui, car fermer un aéroport fait peut-être perdre quelques millions à des entreprises, mais cela n’a AUCUN impact stratégique. Pire, il est inutile de mobiliser un drone Gerbera, un navire ou tout autre moyen militaire : un coup de fil d’un gamin pour annoncer une bombe suffit. Ou bien une voiture piégée.

Bref, l’aventure proposée n’apporte aucun bénéfice stratégique et se fait avec des moyens disproportionnés qui coûteraient énormément à la Russie. Seul un traître à la Russie peut avoir cette idée. Je sais, en Occident, nous sommes habitués avec les relais US, mais plus en Russie : les réseaux qui ont soutenu V. Poutine après son arrivée au pouvoir s’en sont assurés. Ou en tout cas, ils ont fait monter le prix de la passe. Un officier russe réclamerait une méga-malle de billets pour seulement proposer cela à ses chefs, vu qu’il sait que ce serait (si ses chefs sont gentils) la fin de sa carrière. Quant à le mettre en œuvre sans validation politique, il aurait intérêt à avoir le bon billet d’avion pour s’éclipser au plus vite.

Car là est le point qui permet aux individus tarés que l’Occident nomme journalistes de procéder à cette propagande goebbelsienne (enfin, je m’excuse auprès du docteur Goebbels pour cet amalgame insultant) : les moyens existent. Exact, la Russie possède les drones, les navires. Elle aligne même un porte-avions et surtout un arsenal de missiles de toute première qualité. Depuis les années cinquante, l’URSS dispose de bombardiers stratégiques et de missiles capables de frapper le territoire français. La menace n’a donc rien de nouveau, puisque la Russie peut transformer la France en parking si elle le désire.

L’alerte de la CIA ajoute-t-elle de nouvelles capacités ? La réponse est non, une fois, deux fois, mille fois NON !

Héritière, État successeur de l’URSS, la Russie dispose depuis sa naissance des moyens de nous mettre à terre si elle accepte les millions de morts qu’exigera l’absorption de la salve nucléaire française. Une poignée de drones n’y ajoute rien, n’y retranche rien. D’autant plus que la Russie dispose de missiles hypersoniques Orechnik en mesure d’infliger de douloureux dégâts à notre territoire. Par exemple, mais je ne voudrais pas exciter LCI, par une frappe d’Orechnik contre des centrales nucléaires ou, en non nucléaire, contre nos barrages. Nous n’aurions aucun moyen de riposte non nucléaire.

Dès lors, oui, les Russes peuvent monter des drones sur un navire, ils peuvent monter des Grad aussi, ou toute autre arme à plus ou moins grande portée. Dans un tel scénario, l’élément coûteux est le navire sacrifié, pas les munitions embarquées. L’alerte donnée, qui n’est que l’une des alertes autour desquelles on nous a fait résonner tambours et trompettes, n’apporte rien de structurellement nouveau. Un bricolage de drones pour frapper notre territoire n’a rien de complexe. Après tout, le gouvernement de Kiev a bien réussi à introduire des drones sur le territoire russe pour frapper des bombardiers stratégiques.

Seulement, à ce jeu, tout le monde peut jouer ou presque. Il faut le restreindre : l’équipe Le Maire, Breton ne peut pas jouer, mais c’est lié à l’incompétence des joueurs. La France, par exemple, possède encore quelques officiers de valeur capables d’organiser l’affaire. (Non, pas le colonel monté hors de propos en lui accrochant des étoiles comme des guirlandes de Noël, et qui fait aujourd’hui comme s’il dirigeait l’armée française.)

Le problème est que ces gens refuseraient de monter une telle opération. Frapper la Russie, comme frapper la France pour la Russie, exige que la première balle soit mortelle. On tire au cœur ou on ne tire pas, et dans ce cas, entre puissances nucléaires, la question n’est pas celle des moyens, mais celle de la volonté. Même si nous avons TOUT fait, par une politique irresponsable, pour irriter les Russes, ils n’ont nullement annoncé leur intention de répondre à la hauteur de notre bêtise.

Reste l’intention : les Russes peuvent nous frapper, c’est acquis, ils peuvent le faire depuis des décennies pour un coût fixé. Resterait le gain d’une frappe : faire cesser l’appui français à l’Ukraine. Dans ce domaine, hélas, hormis l’agacement entre les oreilles d’entendre les rodomontades et pseudo-discours d’Emmanuel Macron, qui justifient toute envie de retourner une paire de claques justement méritée, la vérité commande de constater l’épuisement de nos moyens : la macronie a déjà envoyé à peu près tout ce qu’elle pouvait racler dans les fonds de tiroirs ; quant à l’argent, l’Allemagne ou la Grande-Bretagne peuvent le fournir. Les véritables acteurs sont les Anglais, par l’usage des moyens de leurs services secrets très actifs dans la guerre des drones, et les Allemands pour la livraison de munitions. Pour peser sur les opérations en Ukraine, une frappe russe devrait cibler en priorité ces deux pays.

Sauf à vouloir faire de l’éducation prioritaire, mais dans ce cas, l’ambassade de Russie peut se contenter d’engager un professeur de SEGPA pour l’envoyer à l’Élysée. Pour la fessée, il serait même inutile d’engager : Montjoie Saint-Denis a fait des petits.

Prise sous un angle militaire, l’information n’apportait rien, et si les journalistes en avaient fait une lecture correcte, ils l’auraient classée verticalement.

Ce n’était bien évidemment pas le but, mais au contraire d’avoir un thème pour parler de menace russe afin de poursuivre la propagande par martèlement, qui vise à abrutir les téléspectateurs de menaces pour leur faire admettre le concept sans esprit critique. Ça marche avec les résidents de maison de retraite au stade pré-Rivotril.

Tel est le problème de nos gouvernants. Faute d’agression russe, il faut créer le sentiment d’une agression, ce qui est le but de ces annonces : entretenir l’hystérie et donner un prétexte pour prononcer les mots agression, guerre, menaces, puissants générateurs d’un sentiment d’insécurité dans la population soumise à ce discours anxiogène.

Ça n’a qu’un défaut : messieurs les journalistes, vous avez repris en connaissance de cause une publication des services américains pour engager notre pays sur une trajectoire fausse et dangereuse pour sa sécurité.

Soit vous êtes des idiots congénitaux, ce que la CIA n’exclut peut-être pas, et je vais m’offrir de partager le soupçon. Soit vous le faites délibérément. Même en tenant compte de votre bêtise, tous les journalistes français ne peuvent pas être aussi désavantagés par la nature ; il aurait donc dû en rester assez pour faire échouer la manipulation.

Cela fait de vous, en tant que catégorie, des traîtres à votre nation, susceptibles de subir les foudres judiciaires au moment où le pouvoir changera de main et cessera de couvrir vos abus. Il ne s’agit pas de menaces, mais d’une évaluation juridique. VOUS mettez objectivement notre nation en danger !

La méthode marcherait si, justement, conscients de la menace sur leur esprit, beaucoup de citoyens ne s’étaient pas dirigés vers internet.

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  1. L’alerte a été rendue publique par le quotidien espagnol El Mundo le 24 septembre 2026 (article de Xavier Colás), reprise notamment par Euronews : «La CIA alerte sur des drones russes visant l’Espagne, la France ou l’Italie», https://fr.euronews.com/2026/09/24/la-cia-alerte-sur-des-drones-russes-visant-lespagne-la-france-ou-litalie ;
    i24news : «Les États-Unis alertent l’Europe sur une possible attaque de drones russes depuis la Méditerranée», https://www.i24news.tv/fr/actu/international/artc-les-etats-unis-alertent-l-europe-sur-une-possible-attaque-de-drones-russes-depuis-la-mediterranee ;
    Meduza, sur le démenti italien : https://meduza.io/en/feature/2026/09/24/no-one-needs-more-fuel-on-the-fire-italy-pushes-back-on-report-that-cia-warned-of-possible-russian-sea-launched-drone-attacks
  2. Sur le renseignement allié avant l’offensive des Ardennes : U.S. Army, «Third Army G2 predicts Battle of the Bulge, 9 December 1944», https://www.army.mil/article/116038/third_army_g2_predicts_battle_of_the_bulge_9_december_1944 ;
    Carlo D’Este, «December 16, 1944 : Ardennes Offensive Begins, An “Abysmal Failure of Allied Intelligence”», https://www.thehistoryreader.com/military-history/december-16-1944-ardennes-offensive-begins-abysmal-failure-allied-intelligence/
    DVIDS, «First Army in the Battle of the Bulge», https://www.dvidshub.net/news/printable/385060 ;
    David T. Zabecki, «Patton at Bastogne», The Intelligencer (AFIO), vol. 29, n° 2, 2024, https://afio.com/publications/eprints_2024/ZABECKI_Patton_at_Bastogne_AFIO_INTELLIGENCER_Vol29_No2_SummerFall_2024.pdf ;
    Oscar W. Koch, G-2 : Intelligence for Patton, 1971.
    The Army Air Forces in World War II, vol. III, chap. 19, Third Army G2 Predicts Battle of the Bulge, First Army in the Battle of the Bulge, D’Este, The History Reader.
  3. «Gerbera (drone)», Wikipédia, https://en.wikipedia.org/wiki/Gerbera_(drone)

Publiéà l’origine par  Reseau International

Everybody is Losing

30 September 2026 at 15:43

Faced with a fiscally incontinent state drowning in DEI and incapable of controlling its borders, it's easy for the Right to feel like its losing, says Dr Hugh Willbourn. But weirdly, so does the Left.

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