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Galp considera diferentes parceiros para retalho e refinação

26 October 2026 at 19:05

O acordo para uma fusão parcial entre Galp e Moeve caiu por terra, mas a petrolífera rapidamente informou que estaria interessada em explorar novas parcerias para as áreas de retalho e refinação. Em declarações ao ECO/Capital Verde, os co-CEO da cotada indicam que está em cima da mesa a hipótese de fazer alianças com parceiros diferentes para cada uma das áreas.

O co-CEO da Galp indica que o importante para a Galp é que “o mérito estratégico” de uma futura transação, no sentido da consolidação, se mantenha inalterado. A empresa portuguesa quer, por um lado, um parceiro que, na área do retalho, esteja “claramente focado na Península Ibérica e no cliente”. Em paralelo, procura um parceiro que, no negócio industrial, traga “escala, competitividade, complementaridade e alguma aceleração na transição energética”.

Estas “são duas componentes perfeitamente segregáveis e não necessariamente com o mesmo parceiro”, indica João Diogo Silva. Por seu lado, Maria João Carioca frisa que “seria muito estranho” já ter uma lista de potenciais parceiros, pronta a ativar, no dia em que dá por terminada uma negociação com uma elevada “intensidade” e “compromisso” com a Moeve.

[Retalho e indústria] são duas componentes perfeitamente segregáveis e não necessariamente com o mesmo parceiro.

João Diogo da Silva

Co-CEO da Galp

Sobre as razões que determinaram que a Galp não firmasse um acordo com a concorrente espanhola, o mesmo gestor indica apenas que os termos finais, do ponto de vista comercial, não permitiram atingir o racional de investimento e a disciplina de alocação de capital da Galp, sem querer detalhar os fatores específicos que influenciaram a decisão.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou esta segunda-feira que, perante o salto de 68% nos lucros da Galp relativos ao terceiro trimestre, a iniciativa do Governo de avançar com uma taxa sobre os lucros extraordinários das petrolíferas foi “a decisão correta”.

Confrontada com estas declarações, a co-CEO salienta que a empresa que gere pagou, neste mesmo trimestre, uma taxa de imposto efetiva de 43%. “Naturalmente que nós respeitamos as opções de política fiscal do governo, isso não é tema. Mas temos tido sempre um diálogo no sentido de se salientar que qualquer medida desta natureza tem impacto”, indica, explicando que o negócio tem ciclos de investimento muito longos e que ativos como a refinaria de Sines “estão permanentemente a ser confrontados com ativos semelhantes”. Ativos estes que recebem incentivos, “muitas vezes mais significativos” do que aqueles que a Galp tem recebido em Portugal, afere.

Temos tido sempre um diálogo no sentido de se salientar que qualquer medida desta natureza tem impacto.

Maria João Carioca

Co-CEO da Galp

João Diogo da Silva recorda que a Galp investiu uma média de 340 milhões ao ano na atividade da empresa em Sines e que, em 11 dos últimos 20 anos, esta unidade industrial registou um free cash flow negativo. “É muito fácil nos anos em que as coisas correm bem taxarmos Sines, mas temos memória relativamente curta acerca dos anos em que investimos e perdemos dinheiro em Sines”, conclui.

Governo “atento” a futuras parcerias da Galp

26 October 2026 at 16:16

O Governo diz que vai continuar atento às intenções, declaradas pela Galp, de formar parcerias no negócio de refinação e retalho. Depois de a petrolífera ter apresentado um aumento dos lucros de 68% no terceiro trimestre, a ministra do Ambiente e Energia considera que a decisão de aplicar uma taxa sobre os lucros excessivos sai reforçada como “correta”.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, falava com os jornalistas à margem do lançamento do Passaporte Climático das Cidades, no âmbito do terceiro Encontro Nacional do Pacto de Autarcas para o Clima e Energia, em Torres Vedras.

Depois de o acordo para uma fusão parcial entre Galp e Moeve ter caído por terra, e de a petrolífera ter declarado que se mantém aberta a novas oportunidades de parcerias, a ministra da tutela diz que irá “acompanhar” os “desenvolvimentos futuros”. “Teremos de continuar atentos às futuras parcerias”, afirma.

A ministra indica, contudo, que lhe “agrada” que a Galp queira separar o negócio do retalho e refinação. “será útil porque assim permite focar as atenções da parte do Estado na refinaria”, defende, relembrando que existia o “receio” de que a única refinaria escapasse ao controle nacional. Vê ainda “com muito bons olhos” a intenção, declarada pela Galp, de continuar a investir em produtos verdes, nomeadamente o hidrogénio verde e os biocombustíveis avançados.

Confrontada com o salto de 68% nos lucros da Galp, e se este dá força à intenção do Governo de taxar os lucros extraordinários das petrolíferas, Maria da Graça Carvalho anui. “Sim, isso já tinha sido uma decisão, é um projeto de lei que está na Assembleia da República e mostra que foi a decisão correta do Governo”. “esperamos que passe em breve na Assembleia da República”, rematou.

Governo lança leilões com foco no armazenamento de energia

26 October 2026 at 15:12

O Governo lançou novos leilões de capacidade com foco no armazenamento, informa o Ministério do Ambiente e Energia, através de um comunicado. Estão a concurso um total de 1.050 MVA, na sua maioria destinados à ligação de projetos de armazenamento autónomos.

O pontapé de saída estava marcado para setembro, mas foi a 22 de outubro que, num despacho publicado em Diário da República e assinado pelo secretário de Estado da Energia, Jean Barroca (na foto), foram lançados os dois concursos anunciados pela ministra da tutela, Maria Graça Carvalho, no passado mês de maio, numa conferência do ECO/Capital Verde.

Estão agora a leilão 300 megavolt-ampére (MVA) para centros eletroprodutores que utilizem fontes de energia renovável, associados a instalações de armazenamento na mesma localização. Estas instalações de armazenamento devem ter uma potência mínima correspondente a 20% da capacidade de injeção atribuída e capacidade de armazenamento suficiente para assegurar uma duração mínima de quatro horas à potência máxima de injeção.

Em paralelo, abriu o concurso para atribuição de títulos de reserva de capacidade de injeção na rede destinados à instalação, construção, exploração e operação de instalações de armazenamento autónomo de eletricidade. O procedimento abrange uma capacidade máxima global de 750 MVA, distribuída por diferentes localizações. Estas instalações devem dispor de potência instalada correspondente a, pelo menos, 100% da capacidade de injeção e de carregamento atribuída, bem como assegurar uma duração mínima de armazenamento de quatro horas à potência máxima de injeção.

Ambos os procedimentos vão decorrer através de leilão eletrónico, aberto a todos os interessados que preencham os requisitos definidos nas respetivas peças, compreendendo as fases de qualificação, licitação e atribuição.

Estes procedimentos preveem que para os municípios fiquem reservadas 30% das receitas do leilão de armazenamento autónomo e 70% das receitas do leilão de capacidade sobrante, a que acrescem ainda as compensações anuais pagas pelos titulares dos projetos. “O claro reforço dos benefícios para as comunidades que acolhem estes projetos reconhece não só o seu contributo para o sucesso dos mesmos, como recompensa o seu apoio e envolvimento”, lê-se na mesma comunicação.

De acordo com o Governo, estes são os primeiros procedimentos concorrenciais para atribuição de capacidade de ligação à rede lançados desde 2021. “Estes leilões dão um novo impulso ao armazenamento em Portugal e a uma transição energética que combina eletricidade mais acessível com a valorização das comunidades e do uso do solo”, afirma a ministra do Ambiente e Energia, citada no comunicado.

A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia, recentemente submetida a consulta pública, aponta para que o país atinja três gigawatts de armazenamento em baterias até 2030.

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