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Fantoches viram ‘mães’ de corujas bebês em centro de reabilitação animal no Pará

27 October 2026 at 20:17

Um vídeo de um filhote de coruja sendo alimentado por um fantoche infantil chamou a atenção nas redes sociais na última semana.

O bebê, ainda sem penas e posicionado dentro de um pote de plástico, recebe comida de uma seringa segurada por uma mão coberta pelo fantoche. A enfermeira humana tem uma máscara ocultando seu rosto.

Publicada pelo Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), a cena reflete um princípio pouco conhecido do cuidado com animais silvestres: o anti-imprinting.

O que é imprinting?

É um comportamento também chamado de “estampagem” ou “cunhagem” que acontece logo nos primeiros dias da vida de um animal, em resposta à presença de uma figura materna ou paterna.

Ele foi descrito pela primeira vez pelo etólogo Konrad Lorenz ao observar filhotes de gansos e patos recém-nascidos. Assim que saíam dos ovos, os bebês seguiam instintivamente o primeiro objeto que viam – podendo ser sua mãe, outro animal ou até um objeto inanimado.

Seria este o mecanismo responsável pela aprendizagem de comportamentos essenciais para a sobrevivência: ao fixar sua atenção em figuras maternas e paternas, os filhotes copiam os comportamentos dos mais velhos e extraem diversas informações importantes.

Mas quando animais são separados dos pais ao nascer, o “imprinting” pode escolher um alvo que não tem estes aprendizados a oferecer. Este é o contexto do “anti-imprinting”.

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No vídeo do Cetra, um filhote de coruja-da-igreja ou suindara é alimentado com uma luva de fantoche desenhada para parecer uma coruja adulta. O rosto da cuidadora, além de sua mão, é oculto para não desviar a atenção do bebê para a figura humana.

“Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”, diz a publicação.

A tática simula o oferecimento do alimento pela mãe coruja, e também preserva o distanciamento natural entre as espécies, conservando instintos de proteção das corujas e impedindo o desenvolvimento de confiança excessiva nos humanos.

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