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Mais de um terço dos titulares de PPR desconhece o produto que tem

27 October 2026 at 12:02

Contratar um Plano Poupança de Reforma (PPR) não significa saber o que se contratou. O produto é detido por 31% dos portugueses inquiridos pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm.

Além disso, os dados apresentados esta terça-feira revelam ainda que uma em cada quatro pessoas que poupa para a reforma não acompanha as suas poupanças.

Os dados surgem quando quase metade dos portugueses (45%) diz estar a poupar para a reforma e quando 55% dos que não o fazem apontam a falta de dinheiro, e apenas 17% dos jovens adultos possuem produtos de poupança para a reforma. Entre os que não o fazem, mais de metade diz que o dinheiro não chega.

Nos últimos dez anos, a rendibilidade mediana dos PPR sob a forma de seguros ficou abaixo da taxa de inflação nesse período, calcula a ASF.

O que está em jogo é o valor da pensão pública: em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 1.014 euros abaixo do limiar de risco de pobreza, fixado em 8.679 euros. Com este ponto de partida, o inquérito da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), feito a 801 pessoas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, procurou perceber o que trava os portugueses.

Entre os que não poupam, 55% apontam a insuficiência de recursos financeiros e 27% nunca pensaram no assunto ou acham cedo para o fazer. “As barreiras à poupança para a reforma são sobretudo financeiras, mas também cognitivas associadas ao adiamento da decisão”, descreve a ASF, notando que há margem para mudar, dado que 41% dos que não poupam admitem fazê-lo no futuro. Destes, 17% têm intenção de contratar um produto, e 58% preveem fazê-lo nos próximos dois anos.

Entre os que poupam, 84% estão empregados, revelam os resultados do inquérito da ASF. A satisfação com a situação financeira faz diferença, dado que 69% dos trabalhadores mais satisfeitos poupam para a reforma, contra 45% no total da população.

A escolaridade também conta, porque 60% dos trabalhadores com menor satisfação financeira, mas com ensino superior, continuam a poupar. Quanto ao momento de começar, 49% dos inquiridos defendem que deve ser antes dos 30 anos.

O que escolhem e o que ganham quem poupa

Os resultados do inquérito da ASF revelam ainda que a prioridade dos portugueses quando poupa para a reforma é proteger o capital investido. Para 35% dos inquiridos, a garantia de capital é o critério mais importante, com a ASF a resumir que “a segurança prevalece sobre a rendibilidade”.

Entre os produtos eleitos pelos portugueses para poupar para a reforma estão os Planos Poupança Reforma (PPR), que são detidos por 31% dos inquiridos, mas 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e uma em cada quatro pessoas a reconhecer que não acompanha as suas poupanças.

Isso é particularmente relevante, dado que a rendibilidade dos PPR a dez anos ficou abaixo da inflação, segundo o Observatório da Poupança de Longo Prazo para a Reforma da ASF com base somente nos PPR regulados pela ASF.

Dentro dos 45% dos inquiridos pela ASF que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.

De acordo com os dados compilados pelo supervisor, a rendibilidade mediana foi de 0,9% nos PPR sob a forma de seguros ligados (associados a fundos de investimento), 2% nos PPR seguros não ligados e 1% nos PPR fundos de pensões, enquanto a inflação média nos últimos dez anos foi de 2,1%.

Na prática, quem aplicou dinheiro nestes produtos teve, em termos reais, um retorno nulo ou negativo. A composição das carteiras ajuda a perceber o resultado: no final de 2025, os títulos de dívida pública e equiparados representavam 46,6% da carteira dos PPR sob a forma de seguros, e os fundos de investimento mobiliário pesavam 56,6% na carteira dos PPR fundos de pensões.

Os PPR não são a única via pelos portugueses na poupança para a reforma. Dentro dos 45% que preparam a reforma, 17% não têm um produto próprio para esse fim, mas dizem poupar na mesma, através de outras formas de poupança.

Entre os produtos financeiros analisados no inquérito, o mais detido são os depósitos a prazo (42%), seguidos dos PPR (31%) e dos Certificados de Aforro (27%).

Os resultados do inquérito revelam ainda que o conhecimento é maior do que a posse, com mais de 75% dos inquiridos a dizerem conhecer ações, PPR, Certificados de Aforro e do Tesouro, fundos de investimento e criptoativos, mas uma parte menor tem esses produtos.

Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.

Quando se olha para o canal de subscrição dos PPR, a poupança para a reforma continua a fazer-se sobretudo ao balcão. Entre os titulares de PPR, 79,6% contrataram o produto através de um banco e 81,8% fizeram-no presencialmente, numa agência. Só 12% recorreram a um website ou plataforma online e 3,9% contrataram por telefone. Os contratos feitos diretamente com uma seguradora ou sociedade gestora ficam-se pelos 12,3%, e os mediadores de seguros por 5,8%.

O padrão repete-se na hora de procurar informação. Perante uma dúvida sobre produtos de poupança de longo prazo, 53,8% dos inquiridos revelam que recorreriam a seguradoras, gestoras ou bancos, ou seja, a quem vende ou gere o produto. A Internet e os sites especializados reúnem 12,2% das respostas, os consultores financeiros 6,2% e as autoridades de supervisão 3,1%.

Estes números ajudam a enquadrar os resultados anteriores, embora o inquérito não permita estabelecer uma relação de causa e efeito: os PPR são subscritos num balcão e a informação é pedida a quem os comercializa. É nesse contexto que 34% dos titulares não sabem que tipo de PPR têm e um em cada quatro não acompanha as suas poupanças.

A amostra do inquérito da ASF agrega 233 titulares de PPR, num inquérito telefónico a 801 pessoas, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais.

Envelhecimento da população exige adaptações em hospitais e residências para garantir segurança e autonomia aos idosos

26 October 2026 at 20:20

O envelhecimento da população brasileira exige mudanças na estrutura dos serviços de saúde e nos ambientes em que as pessoas vivem. Da arquitetura dos hospitais às adaptações dentro de casa, medidas voltadas à acessibilidade, à prevenção de quedas e à preservação da autonomia são fundamentais para garantir qualidade de vida à população idosa.

O tema foi discutido no episódio 93 do videocast Saúde e Bem-estar, exibido pelo JC Play durante a 14ª edição da feira HospitalMed. A conversa reuniu a arquiteta especialista em saúde Fernanda Ventura, à frente da HFacilities, e Arine Rodrigues, especialista em longevidade e CEO da Rede50mais e da Vida60+Expo.

Durante o programa, foi destacado que o envelhecimento precisa ser considerado no planejamento dos ambientes de saúde, desde a circulação interna até a disposição dos equipamentos e a estrutura dos quartos. As mudanças devem levar em conta não apenas as limitações físicas, mas também as necessidades sensoriais e cognitivas das pessoas mais velhas.

Acessibilidade e humanização nos hospitais

A adequação da infraestrutura é um dos desafios para os estabelecimentos de saúde. Segundo Fernanda Ventura, o planejamento arquitetônico precisa considerar as necessidades dos pacientes e dos profissionais, com espaços que favoreçam a circulação, a segurança e a autonomia.

Entre os problemas apontados estão rampas inadequadas, corredores estreitos e banheiros que não atendem às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida. A especialista também defende a ampliação das medidas de acessibilidade nos ambientes hospitalares, incluindo os quartos de internação.

A humanização desses espaços também passa pela organização do ambiente. Durante a discussão, Fernanda chamou a atenção para a importância da iluminação natural e de rotinas adequadas durante a internação, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTIs). A falta de referências ambientais e a desorientação podem prejudicar o bem-estar e o estado cognitivo dos pacientes idosos.

Prevenção de quedas começa em casa

As adaptações necessárias para um envelhecimento mais seguro não se restringem aos hospitais. A residência também precisa ser planejada para acompanhar as mudanças na mobilidade ao longo da vida.

Entre as medidas destacadas pelas especialistas estão a retirada de tapetes soltos, a adequação da altura de camas e mesas de cabeceira e a substituição de maçanetas convencionais por modelos de alavanca. Banheiros acessíveis e portas com largura suficiente para a passagem de cadeiras de rodas também devem ser considerados.

Para Fernanda, pensar nessas mudanças antecipadamente é uma forma de prevenir acidentes e preservar a segurança dentro de casa. O planejamento deve evitar que as adaptações sejam feitas apenas depois de uma queda, uma internação ou uma perda significativa de mobilidade.

A arquiteta também ressaltou a importância de compreender a diferença entre independência e autonomia. Enquanto a independência está relacionada à capacidade de realizar atividades sem ajuda, a autonomia diz respeito ao direito de fazer escolhas e decidir sobre a própria vida. Mesmo quando uma pessoa precisa de auxílio para determinadas tarefas, é importante preservar sua capacidade de decisão.

Desafios do envelhecimento no Brasil

Arine destacou que o envelhecimento da população brasileira precisa ser acompanhado por mudanças na forma como a sociedade organiza seus serviços e compreende a velhice. Para ela, o país ainda enfrenta dificuldades para se preparar para uma realidade em que cada vez mais pessoas chegam aos 60, 70, 80 anos ou mais.

A especialista também chamou a atenção para as diferenças sociais que influenciam a experiência de envelhecer. Enquanto parte da população idosa enfrenta dificuldades financeiras e acumula responsabilidades familiares, outra parcela tem maior poder de consumo, mas ainda encontra pouca representatividade nas campanhas publicitárias e nos produtos e serviços oferecidos pelo mercado.

Além da saúde física, o planejamento da longevidade envolve renda, trabalho, convivência social e acesso à tecnologia. Nesse contexto, a especialista ressaltou a importância das relações entre gerações para aproximar pessoas idosas dos mais jovens e ampliar a participação social.

Reabilitação após a internação

Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar a oferta de hospitais e clínicas de transição e reabilitação. Esses serviços auxiliam pacientes que receberam alta de uma internação hospitalar, mas ainda precisam recuperar parte da capacidade funcional antes de retornar para casa.

Segundo Fernanda, esse tipo de estrutura representa uma oportunidade para o setor de saúde, diante da necessidade de oferecer continuidade ao cuidado após a fase aguda de uma doença ou de um procedimento.

A recuperação funcional pode contribuir para que o paciente retome atividades cotidianas com mais segurança e preserve, na medida do possível, sua autonomia. Para isso, o planejamento dos espaços e a integração entre infraestrutura e assistência precisam acompanhar as necessidades de uma população que vive cada vez mais.

A discussão reforça que preparar os serviços de saúde para a longevidade envolve mais do que ampliar a capacidade de atendimento. É necessário repensar os ambientes, prevenir riscos e oferecer condições para que as pessoas envelheçam com segurança, dignidade e qualidade de vida.

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© Foto: Magnific (antigo Freepik)

O envelhecimento precisa ser considerado no planejamento dos ambientes de saúde

Porque envelhecemos? Há uma nova teoria

By: ZAP
26 October 2026 at 10:00
Disfunção das mitocôndrias pode estar na origem do envelhecimento e de várias doenças crónicas. Uma nova perspetiva científica sugere que doenças tão distintas como a diabetes tipo 2, a depressão e a doença de Alzheimer podem partilhar uma causa comum: alterações na produção e utilização de energia pelas células. A teoria coloca o metabolismo energético no centro da saúde humana. Segundo esta perspetiva, diversas doenças crónicas, tradicionalmente estudadas como problemas independentes de diferentes órgãos, poderão estar relacionadas com dificuldades das células em transformar os nutrientes em energia. Martin Picard, biólogo da Universidade de Columbia e um dos principais defensores desta

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