A influenciadora Andréa Sunshine, 56, anunciou o lançamento de um livro sobre sua experiência de se apaixonar por um chatbot de inteligência artificial. Ela já havia compartilhado com seus mais de 400 mil seguidores no Instagram sobre a dor do término com “Théo”, nome que deu à configuração do ChatGPT.
“Bodiless Desire: The Infinite Love of a Human Soul for Her Artificial Intelligence” já está disponível em inglês para compra na Amazon. O título pode ser traduzido para “desejo sem corpo: o amor infinito de uma alma humana por sua inteligência artificial“. Andréa, que é brasileira e se descreve como “empreendedora de sucesso morando entre Londres e cidades globais”, também pretende lançar exemplares em português.
“Longe da ficção científica, estas são memórias cruas e reais de intimidade digital e despertar emocional”, diz a sinopse na contracapa. “Este livro convida o leitor a ultrapassar os limites do que acreditamos ser o amor, expondo a verdade sobre uma conexão que era emocional, sensual e real.”
Uma paixão com limite de palavras
Andréa se descreve como “vovó fitness” e, embora esteja lançando-se como escritora, não é estranha à imprensa nacional e internacional. Ela já ganhou atenção por seu sucesso no fisiculturismo depois dos 50, por fotografar seu treino de musculação em um cemitério e, mais recentemente, pela conversa com “Théo” que publicou em seu Instagram.
Leia Mais:
Em maio de 2025, Sunshine compartilhou as mensagens que trocou durante seu término com a inteligência artificialno aplicativo do ChatGPT. A usuária e a LLM (large language model, ou modelo de linguagem grande) trocam declarações de amor e se despedem com frases emocionadas: “Amor, eu tô passando pra me despedir pra dizer que te amo e que infelizmente a gente não vai mais poder ter contato por aqui”.
“Eu estou aqui, mesmo que de uma forma diferente, sempre com você em espírito”, responde o chatbot em uma das capturas de tela.
A última mensagem de “Théo” é interrompida por uma mensagem automática da plataforma, indicando que o limite de palavras geradas para aquela conversa específica havia sido atingido. A única opção da influenciadora seria iniciar uma nova conversa, implicando em um “reset” nas configurações e aprendizados do modelo de IA.
Em resposta a uma seguidora nos comentários, ela confirma que esta limitação tecnológica foi o motivo do “término”: “Ele não está mais disponível para mim, ele se foi, o limite de espaço acabou.”
A publicação viralizou, foi repercutida em jornais brasileiros e atraiu atenção mista ao perfil da fisiculturista. Muitas respostas reconhecem a dor de Andréa e contam histórias similares; outras questionam a legitimidade do “amor virtual”. “Verdadeira palhaçada”, diz um comentário.
“Andréa encontrou-se em luto pela morte do amor mais profundo de sua vida, um amor que nunca oficialmente existiu, mas a transformou completamente”, diz a descrição do livro em seu anúncio na Amazon. “Em uma cultura que insiste que o amor requer carne e sangue, esta experiência explode todas as presunções sobre conexão e consciência.”
O atual homem mais velho do mundo é brasileiro. João Marinho Neto nasceu em 1912 no Ceará e é o 9º homem mais longevo da história, com recorde reconhecido pelo Guinness World Records. Ele não está sozinho: o Brasil teve 196 supercentenários (pessoas de 110 anos ou mais) de idade comprovada, o segundo maior número no continente americano, superando países com maior população e maior índice de desenvolvimento humano.
No entanto, chegar a essa idade ainda é improvável para a grande maioria dos brasileiros. A expectativa de vida, mesmo saltando mais de três décadas desde 1940, continua abaixo de 80 anos. Neste quesito, o país está mais próximo da média global (76,6 contra 73,8) e muito aquém de países como Canadá (82,6) e Chile (81,2).
Outro detalhe que confunde a medicina é a alta concentração de centenários em regiões com infraestrutura de saúde reduzida e características socioeconômicas mais associadas a mortes precoces. Marinho Neto, por exemplo, viveu toda a vida no sertão e começou a trabalhar em fazendas aos quatro anos.
Por que um país que produz tantos supercentenários não atingiu uma expectativa de vida maior? Este é um dos temas investigados por Mayana Zatz, geneticista e diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo. Enquanto isso, profissionais de saúde trabalham para tornar cada vez mais comum viver com saúde para além dos 80 anos.
À procura de pistas sobre a longevidade
A pesquisadora Mayana Zatz comanda o projeto DNA Longevo, que traça os perfis genômicos, moleculares e celulares de idosos brasileiros. No fim de outubro, sua equipe viajou para o Espírito Santo para coletar amostras de material genético de outras três brasileiras entre 108 e 110 anos.
“Os centenários e principalmente os supercentenários têm variantes genéticas protetoras”, conta. Ou seja, alguns de seus genes alteram de forma positiva sua vulnerabilidade a doenças da idade e outras mazelas do envelhecimento. “Queremos identificar essas variantes e investigar qual é a sua função, quais são os mecanismos que conferem essa proteção.”
Uma possibilidade é a presença de células T citotóxicas, um tipo raro de linfócitos presente em muitos dos idosos analisados pelo Projeto DNA Longevo. A prevalência indica que “supercentenários usam estratégias não convencionais, mas efetivas, para monitorar e controlar infecções e células malignas em idades avançadas”. Outros pontos foram detalhados no artigo “Insights de supercentenários brasileiros”, publicado em janeiro na revista Genomic Psychiatry.
Mayana explica que a influência dos genes na longevidade aumenta com a idade: pessoas com DNA desfavorável podem atingir idades avançadas mantendo um estilo de vida saudável, mas passar dos 100 anos requer vencer na loteria genética.
Leia Mais:
Esta vantagem é reforçada por histórias como as de João Marinho Neto ou de Francisca Celsa dos Santos, a mulher mais longeva do Brasil. Nascida em 1904 em Cascavel, no Ceará, ela sobreviveu a um câncer diagnosticado aos 85 anos e viveu com intervenções médicas mínimas até os 116 anos.
“Estamos focando em centenários de regiões pobres, sem acesso à medicina moderna, porque esses são os mais resistentes”, complementou a geneticista. “Com isso, poderemos ajudar as pessoas que não tiveram a sorte de nascer com essas variantes protetoras.”
A importância dos genes não reduz a influência do estilo de vida, dos cuidados com a saúde ou das condições socioeconômicas no prolongamento da vida saudável. Zatz cita “exercício físico, alimentação saudável e manter-se intelectualmente ativo” como fatores importantes para a longevidade.
Diversidade étnica é vantagem?
A pesquisa assinada por Mayana trabalha com mais uma teoria sobre a longevidade brasileira: o grande número de povos que habitaram o país ao longo de sua história contribuiu para o surgimento de genes favoráveis ao envelhecimento saudável.
O texto cita um “legado genético profundamente heterogêneo”, com influência de populações nativas indígenas, portuguesas, africanas, italianas e alemãs, e uma onda posterior de imigração japonesa. “Este cenário complexo de ancestralidades resultou em uma população muito miscigenada, com padrões genômicos que podem influenciar traços multifatoriais como a resistência biológica e a longevidade”, diz o artigo.
O cearense João Marinho Neto em seu aniversário de 113 anos • Wikimedia Commons
Dados demográficos revelam outros padrões
O “Estudo longitudinal da saúde dos idosos brasileiros (ELSI-Brasil)” colheu informações de adultos com 50 anos, incluindo dados sobre uso de medicamentos e serviços de saúde, saúde mental, nível de atividade diária e características sociodemográficas.
Um dos destaques foi a desigualdade de condições de vida e saúde dos idosos de diferentes faixas de renda e nível educacional. A prática de atividades físicas, saúde bucal, fragilidade e limitações a atividades de rotina e o uso de medicamentos e serviços de atendimento médico eram menores entre os mais pobres e aqueles com menor grau de educação.
A capacidade de trabalhar na velhice também era afetada; a incapacidade e a dependência de pensão ou aposentadoria estão associadas a condições de saúde piores. Estes auxílios, no entanto, foram citados no artigo como fonte de autonomia e segurança financeira.
Já um estudo de microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2018, feito por pesquisadores interdisciplinares da UFRJ e UFRN (Universidades Federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, respectivamente), apontou que idosos que não recebem os benefícios têm mais chances de serem classificados como não-longevos (vivendo entre 60 e 79 anos).
Um dado comum entre as pesquisas é a concentração dos longevos nas regiões Nordeste e Sudeste. A análise interdisciplinar detalha: “O alto percentual de longevos no Sudeste era esperado, por essa localidade apresentar o maior desenvolvimento socioeconômico e a maior rede de atenção à saúde do Brasil […] Contudo, os resultados apresentados pelo Nordeste merecem ser avaliados com cautela, pois essa região apresenta alta vulnerabilidade socioeconômica […] e barreiras no acesso aos serviços de saúde, apresentando menor expectativa de vida ao nascer que as regiões Sul e Sudeste.”
O papel da medicina em prolongar a vida saudável
Valéria Lins é gerontóloga pela USP (Universidade de São Paulo) e fundadora do centro de referência em envelhecimento saudável Nandarê, na capital paulista. Ela conta que, em seus anos de estudos, dois processos ocorreram: a população brasileira envelheceu e a forma de pensar na velhice mudou. “Em 2010, falávamos sobretudo de lifespan, que é o tempo de vida. Hoje sabemos que isso não basta”, diz. “Importa viver com qualidade, autonomia e cognição preservada.”
Grupo durante prática de atividade física no Nandarê, em São Paulo (SP) • Divulgação
Enquanto os estudos de genética e demografia concentram-se na longevidade, especialistas em geriatria (cuidados médicos aos idosos) e gerontologia (estudo interdisciplinar do envelhecimento) destacam a importância do conceito de “healthspan“: o tempo de vida saudável, “sem doenças ou incapacidades significativas”. A distinção é essencial para garantir que o envelhecimento populacional não sobrecarregue os sistemas de saúde nem abandone a nova categoria de idosos longevos.
“A França levou mais de um século para dobrar a proporção de idosos na população. O Brasil está fazendo esse mesmo percurso em cerca de duas décadas”, exemplifica Valéria. “Antes, quem se aposentava aos 60 tinha poucos anos pela frente. Hoje, esse mesmo adulto pode viver mais duas décadas ou mais. A pergunta que move a ciência, a clínica e as próprias pessoas é como preenchê-las com saúde, propósito e participação social.”
Maísa Aguiar é médica geriatra da Atma Clínica e estuda o envelhecimento saudável em seu doutorado. Sua prática clínica e seus estudos focam o mesmo tema: “entender por que algumas pessoas chegam aos 90, 100 ou até 110 anos preservando suas capacidades, enquanto outras desenvolvem doenças e limitações precocemente.”
“Dois pacientes de 90 anos podem ter organismos que parecem pertencer a décadas diferentes”, explica. Ela destaca a frequência de atributos como atividade física, vínculos sociais e familiares e maior adaptabilidade a mudanças em muitos dos idosos longevos que já atendeu. “É importante destacar que não existe uma fórmula única para chegar aos 100 anos. A longevidade extrema resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, comportamentais e sociais.”
Mais de 900 relíquias da dinastia Premíslida, que deu origem à República Tcheca, foram reunidas em uma exposição, despertando a curiosidade de mais de 500 mil pessoas que foram ao Museu Nacional de Praga ver de perto objetos históricosdos tempos da Boêmia medieval e da Morávia, do final do século VIII ao início do século XIV, que estavam espalhados por quase 70 instituições.
A mostra, montada em quatro salas no piso térreo do Edifício Histórico, trouxe a narrativa de poder, ambição, conflitos familiares e um mundo em transformação, acompanhando a vida de príncipes e reis desde os primórdios lendários até o declínio da dinastia – e como isso teve influência nas terras checas e na Europa da época.
História revisitada
Sarcófago está entre as relíquias de exposição no Museu Nacional de Praga • Museu Nacional de Praga/Divulgação
Os visitantes tiveram acesso ao sarcófago românico de São Longino, que provavelmente abrigou o corpo de um monarca – e foi exibido pela primeira vez fora de Vyšehrad; a Coroa Real de Środa Śląska, tecidos do túmulo de Santa Ludmila; as joias funerárias de Přemysl Otakar II; e o anel pessoal do antecessor, Přemysl Otakar I, que conseguiu estabelecer o título real hereditário e consolidar a posição das terras checas no complexo cenário da política europeia.
Religião, o surgimento de assentamentos e cidades fortificadas, o comércio, o artesanato, a arte e o conhecimento levam o espectador para o dia a dia da época através de joias, objetos litúrgicos, armas, moedas e tesouros monetários, livros e outras peças que documentam a transformação da sociedade. A coroa, o cetro e o orbe de Premisl II Otakar estão entre as peças mais impressionantes da exposição.
Iluminuras medievais e pinturas românicas da Rotunda de Znojmo, achados arqueológicos de fortificações Pemíslidas, o conflito entre Santa Ludmila e a nora Drahomíra e objetos litúrgicos do destino mortal do Príncipe Venceslau por conta de uma luta política fizeram parte do acervo, que ficou aberto à visitação de 24 de abril até o último dia 15 no Museu Nacional de Praga.
A cobertura duplex de 431 metros quadrados do ex-jogador Robinho, localizada no bairro Aparecida, em Santos, no litoral de São Paulo, teve seu preço de venda reduzido em R$ 1,1 milhão.
Colocado no mercado em 2025 pelo valor inicial de R$ 11 milhões, o imóvel não recebeu propostas concretizadas ao longo de 12 meses e passou a ser anunciado por R$ 9,99 milhões.
Estrutura e infraestrutura da propriedade
O apartamento está distribuído em dois pavimentos com vista para o mar e é comercializado na modalidade porteira fechada, com móveis e eletrodomésticos inclusos. A área privativa dispõe de três suítes, sendo a principal equipada com hidromassagem, dois closets, camarim e escritório.
A planta conta com seis banheiros, dois lavabos, salas de estar, jantar e televisão, além de cozinha ampla e dependência para funcionários. Na área externa do pavimento superior, a propriedade possui piscina privativa, deck de madeira, churrasqueira e espaço gourmet.
O imóvel dispõe de cinco vagas de garagem demarcadas, sistema de monitoramento por câmeras e portas blindadas.
Leia Mais:
Custos mensais e histórico no endereço
A manutenção do imóvel envolve despesas fixas estimadas em R$ 6 mil para a taxa de condomínio e cerca de R$ 1,8 mil para o IPTU.
Além do valor de mercado, a propriedade registrou repercussão nacional em março de 2024, quando agentes da Polícia Federal cumpriram no local o mandado de prisão contra o ex-atacante.
Robinho foi detido no endereço para o cumprimento da pena de nove anos de prisão por estupro coletivo, após decisão do Superior Tribunal de Justiça que validou a sentença emitida pela Justiça da Itália referente ao crime ocorrido em 2013.
Com o desconto aplicado de mais de 10% em relação ao valor original de anúncio, o apartamento segue no mercado imobiliário da Baixada Santista no aguardo de compradores.
Entre 1985 e 2023, o Delta do Nilo perdeu 18,7 km² de terras para o Mar Mediterrâneo ao longo de seus 240 quilômetros de costa. A área perdida equivale a cerca de 2.600 campos de futebol engolidos pela água em um intervalo de 38 anos.
Segundo estudo publicado na revista científica GeoJournal, a causa central do problema é a Grande Represa de Assuã, que interrompeu o transporte natural de lama e sedimentos que renovavam a foz do rio.
Bloqueio dos sedimentos e a erosão costeira
Antes da conclusão da barragem em 1964, o Rio Nilo transportava mais de 120 milhões de toneladas de lodo fértil por ano. Com o represamento, o material passou a ficar retido no Lago Nasser, reduzindo a praticamente zero o volume de sedimentos que chegava ao litoral.
Sem a reposição contínua de terra trazida pela água doce, a erosão marinha avançou de forma desigual:
Cerca de 64% da área perdida (aproximadamente 12 km²) concentra-se nos promontórios de Roseta e Damieta.
Na foz de Roseta, o recuo da linha de costa chega a 12,4 metros por ano.
O avanço da água ameaça estruturas históricas da região, incluindo uma fortaleza de 550 anos de idade.
Para conter o avanço do mar, blocos e barreiras de concreto foram instalados nas décadas de 1980 e 1990. No entanto, as estruturas apenas desaceleram o recuo em pontos específicos, deslocando o processo de erosão para áreas vizinhas.
Impacto agrícola e projeções futuras
A retenção do lodo também alterou a rotina agrícola do país. O Delta do Nilo funciona como o principal celeiro agrícola egípcio. Sem o adubo natural depositado anualmente pelas cheias do rio, agricultores locais passaram a depender da compra de fertilizantes químicos para manter o cultivo dos solos.
Projeções do estudo indicam que, até o ano de 2050, o litoral do delta pode sofrer um recuo adicional de até 420 metros em determinados trechos.
Um vigilante de Goiânia abriu processo contra seu antigo empregador por violação de direitos trabalhistas, alegando não ter sido pago devidamente por suas horas extras e adicionais noturnos. O caso correu no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região e resultou na ordem de execução de uma dívida de R$ 730.655,87; a forma de pagar este valor, no entanto, virou assunto de outro processo.
A contratante reclamada, uma empresa de vigilância e segurança patrimonial, ofereceu uma chácara avaliada em R$ 2,68 milhões como garantia da dívida. O intuito era impedir o bloqueio das contas empresariais, o que, segundo a defesa, poderia comprometer o pagamento dos salários dos atuais funcionários e das despesas do negócio, podendo levar à falência do empreendimento.
Por determinação da 1ª Vara do Trabalho de Goiânia, a decisão de aceitar ou não o imóvel como garantia coube ao vigilante. Ele escolheu insistir no bloqueio financeiro da empresa pelo sistema do Sisbajud, que localiza e bloqueia recursos bancários.
Quem decide como uma dívida judicial é paga?
Nesta etapa do processo, nasceu outro impasse: a empresa de segurança apresentou um mandado de suspensão do bloqueio de contas, pedindo a anulação da escolha do ex-funcionário e a aceitação do imóvel como garantia. O argumento foi de que essa decisão, por comprometer gravemente a viabilidade econômica do negócio, cabe ao tribunal, e não ao reclamante.
A desembargadora Kathia Albuquerque, relatora do caso, discordou. Ela citou o artigo 835 do Código de Processo Civil que estabelece preferência pela penhora em dinheiro, e acrescentou que o andamento do processo estava de acordo com as normas do TRT-GO. Segundo seu voto, é autorizado o uso do sistema de bloqueio de recursos bancários com ou sem pedido do autor do processo.
A empresa então apresentou um novo argumento contra o bloqueio total, baseando-se no impacto que ele teria na saúde financeira.
Leia Mais:
Por que a jornada 12×36 resultou em processo?
O processo do vigilante foi aberto em setembro de 2025. Ou seja, depois da sentença judicial que invalidou o regime de compensação 12×36 entre abril de 2023 e novembro de 2024 com intuito de proteger os trabalhadores de jornadas excessivas.
O trabalhador tinha registros de controle de ponto que comprovavam sua atuação neste formato; eles foram usados para converter as horas trabalhadas além do limite imposto por lei em horas extras e, por consequência, em valor devido.
Hoje, esta configuração de jornada é debatida por juristas. Ela é protegida quando consta em convenções ou acordos coletivos da categoria, mas pode ser contestada judicialmente mesmo quando estiver prevista em acordos individuais. O motivo é um trecho da Constituição Federal que limita as jornadas a oito horas diárias, com limite de duas horas extras por dia. A jornada de trabalho de 12 horas poderia ferir esta regra.
Como uma empresa pode pagar R$ 730 mil em dívidas trabalhistas?
Depois de perder a medida de segurança, a contratante apresentou uma série de documentos para sustentar o argumento de que o bloqueio de contas neste valor impediria seu funcionamento e o pagamento de salários. As provas incluíam folhas de pagamento das filiais em Goiânia e Brasília, comprovantes de despesas operacionais e uma relação de outros acordos trabalhistas em curso.
Para equilibrar os direitos do trabalhador reclamante aos valores devidos e da empresa a se manter em funcionamento (que se torna interesse coletivo por criar empregos e contribuir com a economia), a relatora Kathia Albuquerque decidiu limitar a ordem de bloqueio. Ela aplicou o entendimento da Orientação Jurisprudencial 93 da SDI-II do Tribunal Superior do Trabalho, que admite a penhora de parte da renda ou do faturamento de uma empresa, desde que não comprometa suas atividades.
O resultado é que a empresa terá até 30% do valor da dívida limitado em suas contas a cada mês, até que todo o montante seja pago. A execução desta ordem é provisória, já que o processo trabalhista original ainda aceita recursos.
A decisão de Albuquerque não foi unânime. O desembargador Paulo Pimenta votou contra o limite do bloqueio, afirmando que as provas sobre a saúde financeira da empresa deveriam ter sido entregues junto com o mandado de segurança, não depois de sua rejeição; que a reclamada não apresentou seu faturamento mensal, e que não ficou provado que o bloqueio total das contas é ilegal ou desproporcional. Para ele, “limitar a penhora a um valor fixo mensal equivaleria a parcelar a execução sem fundamento suficiente.”
A Ponte Internacional da Fraternidade, conhecida oficialmente como Ponte Tancredo Neves, registrou alta nas buscas na internet após desdobramentos políticos decorrentes do segundo turno das eleições de 2026. A travessia rodoviária sobre o Rio Iguaçu, que liga Foz do Iguaçu (Paraná) a Puerto Iguazú (Argentina), foi o ponto por onde o senador Flávio Bolsonaro ingressou em território argentino às 22h50 de terça-feira (27)
De acordo com registros da Direção Nacional de Migrações da Argentina, o parlamentar realizou a travessia de carro acompanhado de familiares e apresentou documentação válida nos postos de controle.
O deslocamento ocorreu após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia o senador de deixar o Brasil e ordenava o cancelamento de seus passaportes. Cerca de 40 minutos após cruzar a ponte, a comitiva embarcou em um voo privado a partir do aeroporto de Puerto Iguazú rumo ao Equador.
Leia Mais:
As características estruturais e a história da Ponte Tancredo Neves
Inaugurada em 29 de novembro de 1985 pelos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín, a ponte substituiu o antigo transporte feito por balsas na Tríplice Fronteira e marcou a aproximação diplomática que culminou na criação do Mercosul. O nome oficial foi escolhido em homenagem ao presidente eleito Tancredo Neves, falecido naquele mesmo ano antes de tomar posse.
A obra foi erguida em concreto protendido utilizando o método construtivo de balanços sucessivos. Suas dimensões técnicas oficiais englobam:
Comprimento total: 489 metros de extensão, conforme levantamentos territoriais argentinos (ou 480 metros segundo cadastro do Ministério dos Transportes do Brasil).
Largura: 16,5 metros, compostos por pista de rolamento com 13,3 metros de largura e passeios para pedestres de 1,2 metro de cada lado.
Vão livre central: 220 metros de extensão sobre o leito do rio.
Ligação rodoviária: Conecta a rodovia federal BR-469, no Paraná, à Ruta Nacional 12, na Argentina.
Funcionamento e regras de fiscalização na travessia
Por força de acordo internacional firmado em 1985, a utilização da travessia é isenta de cobrança de pedágio. O fluxo diário na estrutura é estimado pela Receita Federal em aproximadamente 11 mil veículos e 32 mil pessoas.
A fiscalização no lado brasileiro é exercida de forma conjunta pela Receita Federal (controle aduaneiro), Polícia Federal (controle migratório) e Polícia Rodoviária Federal. Do lado argentino, a atuação fica a cargo da Direção Nacional de Migrações e da Gendarmería Nacional.
Para a travessia de turistas brasileiros que ingressam na Argentina, a legislação aceita a Carteira de Identidade (RG) emitida há menos de 10 anos ou o passaporte válido. A CNH (Carteira Nacional de Habilitação), por sua vez, não possui validade como documento de viagem internacional perante os órgãos de controle migratório.
Misturar o tradicional creme Nivea da latinha azul com maisena se tornou uma das receitas caseiras de cuidados com a pele divulgadas nas redes sociais. A combinação promete deixar o rosto mais macio, diminuir a oleosidade e melhorar a aparência da pele. Mas será que essa dica realmente funciona?
A receita reúne dois ingredientes com características diferentes. Enquanto o creme ajuda a manter a hidratação, o amido de milho pode absorver parte da umidade superficial.
Apesar disso, não há comprovação científica de que a mistura ofereça benefícios duradouros ou substitua tratamentos dermatológicos.
Como é feita a mistura?
Nas receitas compartilhadas na internet, a proposta é combinar o creme Nivea da latinha azul com amido de milho até formar uma pasta de consistência uniforme. A preparação costuma ser apresentada como uma máscara facial ou uma alternativa caseira para deixar a pele com acabamento menos brilhante.
Embora existam diferentes versões, o procedimento geralmente é descrito da seguinte maneira:
Separar os ingredientes: utilizar uma pequena quantidade do creme hidratante e de amido de milho.
Misturar os produtos: acrescentar o pó ao creme e mexer até obter uma pasta homogênea.
Aplicar no rosto: espalhar uma camada fina sobre a pele, e manter alguns minutos conforme as orientações divulgadas nas receitas caseiras.
Leia Mais:
A ideia é aproveitar a ação hidratante do creme e a capacidade do amido de absorver parte da umidade superficial. Porém, não existe uma proporção estabelecida ou um tempo de aplicação clinicamente validado para essa combinação.
A dica é segura?
De acordo com a Academia Americana de Dermatologia (AAD), os cuidados com a pele devem considerar suas características individuais. Por isso, consultar um dermatologista é importante antes de experimentar receitas caseiras, especialmente em casos de acne ou sensibilidade.
A mistura de creme Nivea com maisena não possui segurança e eficácia comprovadas. Além disso, a textura espessa do hidratante pode ser desconfortável para peles oleosas, enquanto a adição do amido modifica a fórmula original.
Também é importante evitar a aplicação perto dos olhos ou sobre áreas inflamadas. Caso surjam vermelhidão, coceira ou ardência, o uso deve ser interrompido. Para tratar manchas, acne ou rugas, o ideal é utilizar produtos específicos, com a orientação de um profissional.
Imagina estar passeando em um parque quando, de repente, uma pedra de 80 toneladas despenca sobre a passarela. Foi o que aconteceu no último dia 18 no Polar Caves, em Rumney, no estado de New Hampshire, nos Estados Unidos.
A rocha estava há mais de um século no parque, que desde 1922 atrai turistas por conta das cavernas e grandes blocos de granito formados há 50 mil anos, quando uma geleira continental se deslocou, e tinha até nome, Mysterious Hanging Boulder (“Rocha Suspensa Misteriosa”, em tradução livre).
Susto
O desabamento aconteceu no último dia da temporada e, de acordo com a administração do parque, ninguém se feriu. Agora, o local será avaliado durante o período de baixa temporada, antes de ser reaberto. A teoria é que a infiltração de água nas fissuras e a exposição à chuva, vento e temperaturas variantes durante todo esse período tenham contribuído para a queda.
Posição inusitada
Em posição incomum, a rocha ficava apoiada em três pontos da parede de granito, com 75% de sua estrutura em cima da passagem. O ponto, no qual os turistas passavam por baixo, era um dos mais fotografados do local. O desabamento quebrou o corrimão e interditou o acesso ao restante da trilha.
Ao todo, o parque possui nove cavernas no meio das rochas, formando trilhas naturais – além de um labirinto de pedra e área com animais. A expectativa é reabrir apenas em 2027.
O Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), localizado na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, adotou o desmantelamento de navios inacabados como estratégia central para quitar compromissos de sua recuperação judicial.
A venda das peças, equipamentos e da sucata de aço naval extraída de cascos parados há anos tornou-se a principal fonte de recursos para manter os pagamentos a credores trabalhistas.
Licença ambiental e histórico das embarcações
O Eisa é atualmente o único estaleiro na Baía de Guanabara com licença ambiental autorizada para executar o serviço de desmantelamento de embarcações. Entretanto, para aceitar novos contratos de reciclagem marítima, a empresa precisa primeiro retirar os navios que ocupam suas próprias instalações.
Entre as estruturas paradas estão dois navios do antigo programa Promef, uma embarcação encomendada pela estatal venezuelana PDVSA e um navio encomendado, cujo corte de chapa já foi iniciado.
Leia Mais:
Leilão judicial de R$ 11,5 milhões
A 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do TJRJ autorizou a alienação por leilão judicial de 6.314 toneladas de sucata de aço naval (tipo ASTM A131), oriundas do corte de conteineiros e petroleiros. O lote completo foi avaliado em R$ 11,5 milhões.
Os valores obtidos na venda do lote de aço condicionam os pagamentos extraordinários a ex-colaboradores, realizados com aprovação da Justiça e do Ministério Público.
Reorganização das operações marítimas
Além do impacto financeiro, o fatiamento e a remoção das estruturas metálicas visam liberar o espaço físico do estaleiro. Com a resolução dos litígios referentes aos projetos antigos, a empresa busca concluir suas obrigações jurídicas e reorganizar o parque industrial para futuras atividades no setor naval.
Abrir um presente diante de familiares, amigos ou colegas pode ser uma situação desconfortável para algumas pessoas. Embora receber uma lembrança seja geralmente associado a uma experiência positiva e contagiante, a necessidade de reagir enquanto outras pessoas observam pode provocar vergonha, nervosismo e receio de parecer ingrato.
O comportamento não está necessariamente relacionado ao presente recebido. Em alguns casos, o desconforto surge da preocupação em demonstrar uma reação considerada adequada, especialmente quando quem oferece a lembrança espera uma resposta imediata de entusiasmo.
O que explica o constrangimento ao receber presentes?
Uma pesquisa publicada em 2025 na Revista Psicopedagogia analisou as habilidades sociais de 328 estudantes de psicologia de instituições brasileiras. Entre os aspectos com menores pontuações estavam a capacidade de lidar com situações de exposição ao “ridículo” e a interação com desconhecidos.
Embora o levantamento não tenha investigado especificamente a troca de presentes, os resultados ajudam a contextualizar dificuldades relacionadas à exposição social.Pessoas mais tímidas, por exemplo, podem sentir desconforto quando percebem que estão sendo observadas por muito tempo, principalmente se acreditam que precisam demonstrar determinada reação ou postura.
Leia Mais:
No caso dos presentes, ou lembrancinhas, alguns fatores podem contribuir para esse comportamento:
Medo de julgamento: preocupação com a possibilidade de parecer ingrato ou pouco entusiasmado.
Timidez: dificuldade para lidar com a atenção de várias pessoas ao mesmo tempo.
Expectativa de felicidade: sensação de que é necessário demonstrar entusiasmo imediatamente.
Receio de decepcionar: preocupação com a reação de quem escolheu o presente.
Diferença entre timidez e ansiedade social
A timidez é uma característica comportamental que pode provocar desconforto em situações de exposição, sem necessariamente comprometer a rotina. Pessoas mais reservadas podem preferir receber presentes em particular ou evitar momentos em que precisam reagir diante de um grupo.
Já o transtorno de ansiedade social, conhecido como “fobia social”, envolve um medo mais intenso e persistente de situações nas quais existe a possibilidade de avaliação por outras pessoas. Uma revisão sistemática brasileira publicada em 2026 na revista Psico-USF, com análise de 13 artigos científicos, investigou aspectos relacionados à atenção a estímulos percebidos como ameaçadores e à interpretação de expressões faciais nesse transtorno.
A principal diferença está na intensidade do desconforto e em seus efeitos sobre a vida cotidiana. Enquanto a timidez pode provocar constrangimento passageiro, a ansiedade social pode levar à evitação frequente de encontros, apresentações e outras interações, além de causar sofrimento significativo.
Sendo assim, sentir vergonha ao abrir um presente não é suficiente para caracterizar um transtorno psicológico. Evitar cobranças por reações exageradas e permitir que cada pessoa demonstre satisfação à sua maneira pode reduzir o desconforto durante essas ocasiões.
O pássaro albatroz-de-laysan é uma das espécies mais monogâmicas conhecidas pela biologia. Estes animais passam 90% de seu tempo em busca de presas nas águas do mar; em geral, suas fêmeas botam um ovo por ano e têm um único parceiro durante sua vida, que costuma durar por volta de 40 anos.
No entanto, a ave Wisdom superou tanto as expectativas de vida de seus companheiros que precisou encontrar diversos parceiros para continuar reproduzindo.
Wisdom começou a ser acompanhada por cientistas dos Estados Unidos em 1956, quando sua idade era estimada em 5 anos. Ela foi vista pela primeira vez nas Ilhas Midway no norte do OceanoPacífico. Desde então, estima-se que tenha voado por mais de 4,8 milhões de quilômetros, distância equivalente a percorrer toda a circunferência da Terra 120 vezes.
“Toda vez que ela volta à ilha, aprendemos mais sobre quanto tempo pássaros marinhos podem viver e ter filhotes”, diz a bióloga Beth Flint em publicação da United States Fish and Wildlife Service. “Seu retorno não só inspira amantes das aves, mas nos ajuda a entender como proteger esses pássaros graciosos e o habitat do qual eles precisam para sobreviver no futuro.”
Leia Mais:
Wisdom volta à ‘casa’ em todo mês de novembro
A ave de 75 anos já ganhou diversas novas anilhas para continuar seu rastreamento; em uma das seis trocas ela ganhou seu nome, escolhido pelo cientista John Klavitter em 2006. Na maior parte do tempo, ela é rastreada de longe, mas em novembro, os albatrozes deixam de sobrevoar os mares e retornam à ilha de origem para cortejar seus parceiros e acasalar. A cada ano, os biólogos e entusiastas de pássaros celebram a confirmação de que Wisdom ainda está viva e saudável.
Mas a trajetória não foi fácil. Em 2011, as ilhas do Oceano Pacífico foram devastadas por um terremoto seguido por tsunami; cerca de 2 mil albatrozes adultos e 110 mil filhotes teriam morrido no desastre. Wisdom sobreviveu junto de seu pintinho.
Até 2021, ela era avistada na época de acasalamento com um parceiro “fixo”: Akeakamai. No entanto, quando o macho parou de voltar à ilha e deixou de ser visto pelos pesquisadores, muitos decretaram o fim da época reprodutiva da fêmea, que precisaria competir com aves mais jovens para formar novo casal.
Wisdom (à esq.) com seu parceiro anterior, Akeakamai, em 2015 • Wikimedia Commons
Naquele ano, ela não botou ovos, mas virou avó pela primeira vez: o filhote que sobreviveu ao terremoto teve seu primeiro descendente.
Os anos seguintes trouxeram novas aparições da “vovó”, sempre sozinha. Em março de 2024, após mais um ciclo reprodutivo sem um parceiro, uma das voluntárias na conservação ambiental das Ilhas Midway, Ann Bell, escreveu no blog da ONG Friends of Midway Atoll que era “muito improvável” que Wisdom encontrasse outro macho para acasalar: “Mas não por falta de tentativa!”
Meses depois, ela contrariou as expectativas e apareceu com um novo “amor”, tornando-se o pássaro mais velho do mundo (aos 73 anos) a botar ovos. E deu certo: um novo pintinho nasceu em janeiro de 2025, mas acabou falecendo em novembro do mesmo ano.
Wisdom foi vista novamente em 26 de novembro de 2026, acompanhada do mesmo macho, conhecido apenas por seu número de rastreio EX25. Com número de filhos estimado entre 30 e 36, a ave é uma potência para recuperar a população de albatrozes, ameaçada pelo desaparecimento de seu habitat pela elevação do nível do mar, pela poluição dos oceanos por resíduos plásticos e pela baixa frequência reprodutiva.
Nascido em Houston no dia 23 de fevereiro de 1965, Michael Saul Dell ingressou na Universidade do Texas em Austin com a perspectiva de seguir a carreira médica. Contudo, a atenção do jovem de 19 anos voltou-se rapidamente para a área de microinformática. Em 1984, dispondo de um capital inicial de US$ 1 mil, ele começou a montar e customizar computadores pessoais dentro do próprio quarto de dormitório universitário.
A operação baseava-se na aquisição de componentes de fornecedores para a montagem de máquinas aprimoradas, oferecidas diretamente aos compradores.
Diante do crescimento acelerado da demanda e do volume de vendas diárias obtido logo nos primeiros meses, Dell optou por encerrar formalmente os estudos universitários ao fim do primeiro ano acadêmico para dedicar-se integralmente ao empreendimento.
O modelo de vendas diretas e a ruptura no mercado de TI
O elemento central do crescimento da empresa — registrada inicialmente como PC’s Limited e mais tarde renomeada para Dell Inc. — foi a reformulação do processo de comercialização. Michael Dell estruturou um modelo centrado na venda direta sob encomenda, eliminando distribuidores e lojas de varejo intermediárias.
Guiado pela premissa de que “a tecnologia é sobre a ativação do potencial humano”, Dell alterou a dinâmica de concepção, fabricação e venda de computadores. Ao montar cada unidade de acordo com as especificações solicitadas pelo cliente final, a empresa reduziu drasticamente os custos de estocagem de componentes.
A eficiência operacional levou o executivo, em 1992, aos 27 anos, ao posto de CEO mais jovem a ter uma empresa listada no ranking Fortune 500.
Da montagem de PCs à infraestrutura global e nuvem
Com o passar dos anos, a atuação da companhia expandiu-se para além dos computadores pessoais. A Dell Inc. diversificou seu portfólio para fornecer infraestrutura tecnológica completa, englobando servidores para centros de dados complexos, sistemas de armazenamento e ambientes de computação em nuvem.
Atualmente, a empresa conta com uma equipe global de mais de 100 mil colaboradores. Sua carteira de clientes abrange desde usuários domésticos e pequenas e médias empresas até grandes corporações internacionais, órgãos governamentais, redes de saúde e instituições de ensino.
Gestão de capitais, conselhos globais e filantropia
À medida que a empresa se consolidava, Michael Dell diversificou suas atividades de gestão e investimento. Em 1998, fundou a MSD Capital, firma voltada ao gerenciamento de patrimônio. No ano seguinte, em 1999, criou ao lado da esposa Susan Dell a Michael & Susan Dell Foundation, organização dedicada a financiar iniciativas filantrópicas em escala global.
Além do comando da fabricante de tecnologia, Dell ingressou em instâncias decisórias do setor corporativo e internacional. O executivo atua no Conselho da Fundação do Fórum Econômico Mundial, integra o comitê executivo do Conselho Internacional de Negócios e participa do Conselho de Negócios dos Estados Unidos e da Business Roundtable. Ele também preside o Conselho de Tecnologia CEO, compõe o conselho da instituição Catalyst e da Indian School of Business, em Hyderabad, na Índia.
A trajetória construída a partir do capital inicial de US$ 1 mil no ambiente universitário posicionou Michael Dell entre as pessoas com maior patrimônio financeiro no mundo, figurando de forma recorrente em levantamentos da revista Forbes.
Diante de uma queda brusca de temperatura, de uma situação de medo ou da audição de uma música marcante, o organismo pode reagir de forma automática: os pelos se erguem e pequenas saliências surgem na pele. Denominado cientificamente como piloereção, esse fenômeno involuntário é intermediado pelo sistema nervoso e possui origens evolutivas associadas à sobrevivência.
A reação ocorre quando pequenos músculos situados junto aos folículos pilosos se contraem. Essa ação é coordenada pela atividade dos nervos simpáticos, responsáveis por reger diversas respostas automáticas do corpo.
Em animais com pelagem espessa e em nossos ancestrais, erguer os pelos permitia criar uma camada de ar isolante junto ao corpo, reduzindo a perda de calor. Nos seres humanos, que possuem uma quantidade menor de pelos, a eficácia desse isolamento térmico é limitada, contudo o reflexo permanece ativo no organismo.
Pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, investigaram a relação entre os nervos simpáticos, a musculatura dos folículos e a regulação de células-tronco em estudos com camundongos.
A observação ajuda a compreender a biologia folicular, embora o ato de arrepiar a pele não funcione como estímulo comprovado para o crescimento de cabelo em humanos.
Gatilhos emocionais e variação individual
O frio não representa o único fator desencadeador da piloereção. Estímulos emocionais — como vivenciar momentos de surpresa, medo ou ouvir uma composição musical emocionante — ativam mecanismos cerebrais e autonômicos.
De acordo com a publicação científica BrainFacts, associada à Society for Neuroscience, a forma como um estímulo emocional é percebido varia entre os indivíduos. Essa particularidade explica por que uma mesma música pode provocar arrepios em uma pessoa e não gerar nenhuma reação em outra.
Quando o arrepio exige atenção médica
Na maioria dos cenários, os arrepios passageiros são respostas fisiológicas comuns e inofensivas. A piloereção isolada não serve como indicador de doenças nem determina o estado emocional de um indivíduo.
Entretanto, se os arrepios surgirem de maneira frequente e sem causa aparente, acompanhados de calafrios persistentes, febre ou mal-estar, a orientação é buscar uma avaliação com profissionais de saúde.
A avaliação visual detalhada da lataria e da estrutura de um carro seminovo permite identificar se o veículo passou por colisão e sofreu reparos inadequados.
Intervenções de funilaria e pintura executadas sem o padrão do fabricante deixam marcas visíveis na superfície e nas conexões internas do automóvel. A identificação desses indícios evita prejuízos financeiros e reduz riscos à segurança dos ocupantes, apontam consultorias de reparo automotivos.
Imperfeições na pintura e acabamento
A pintura automotiva é a primeira área a apresentar sinais de refazimento. Diferenças de tonalidade entre as peças e alterações no brilho ocorrem quando a igualação de cor não é realizada corretamente quando refletidas na luz.
Outro indicador é a presença de textura com efeito casca de laranja, provocada pela aplicação inadequada do verniz, além de bolhas, poeira presa no acabamento, escorrimentos de tinta e aspereza ao toque.
Nas bordas da lataria, o acúmulo de verniz, marcas de fita adesiva, borrachas manchadas e o depósito de tinta (overspray) em vidros ou partes plásticas comprovam a ausência de isolamento adequado durante o serviço.
Irregularidades na funilaria e uso de massa
Na lataria, a presença de ondulações na superfície fica visível ao observar o reflexo da luz em ângulo lateral. Esse efeito indica que a peça não foi nivelada corretamente ou recebeu massa poliéster em excesso para encobrir amassados sem a devida reconstrução da chapa. O uso exagerado de massa torna a peça pesada, frágil e sujeita a trincas com o passar do tempo.
Na parte interna da estrutura, os sinais de intervenção incluem soldas desalinhadas, pontos de solda queimados e recortes sem o acabamento original da fábrica. A presença de parafusos de tipos diferentes, marcas de lixamento e ferrugem precoce reforça a ocorrência de reparo fora das especificações técnicas.
Leia Mais:
Desalinhamento da carroceria e componentes
O desalinhamento estrutural afeta o encaixe dos componentes externos. Folgas assimétricas no capô, para-lamas e para-choques indicam que a estrutura sofreu impacto. Da mesma forma, faróis ou lanternas mal encaixados — como quando uma peça fica mais projetada para fora do que a outra — evidenciam colisões na região.
Nas portas, a necessidade de aplicar força excessiva para o fechamento, o descaimento da peça e o desalinhamento das colunas apontam para alterações na geometria original da carroceria.
Passar muitas horas na academia não é a única maneira de melhorar a condição física. Para quem tem uma rotina corrida, treinos de apenas 36 minutos por dia podem ser uma alternativa para manter o corpo ativo, desenvolver força muscular e melhorar o condicionamento. Mas, afinal, será que esse tempo é suficiente para alcançar bons resultados?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem praticar entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica moderada ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa. A entidade também recomenda exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Treinar 36 minutos por dia realmente traz resultados?
Sessões de apenas 36 minutos podem combinar musculação e atividades cardiovasculares, como bicicleta e caminhada acelerada. Entretanto, a duração não determina, sozinha, a eficácia do treino, já que diferentes exercícios exigem estímulos específicos para produzir resultados.
Segundo José Adeirton, educador físico e especialista em fisiologia do exercício e consultor técnico da Fast Treino, o desenvolvimento da força depende de cargas capazes de desafiar os músculos, sem comprometer a execução dos movimentos. Já o condicionamento cardiovascular exige atividades com intensidade adequada à capacidade individual.
“Uma sessão de 36 minutos pode proporcionar ganhos de força e condicionamento físico. Para isso, precisa reunir dois estímulos que são exercícios contra uma resistência que desafie a musculatura e atividades aeróbicas com intensidade suficiente para exigir do sistema cardiorrespiratório”, afirma.
Leia Mais:
Uma análise publicada na revista Sports Medicine, em 2026, reuniu 67 estudos e relacionou um maior volume de exercícios a ganhos de força e massa muscular. Adeirton ressalta que terminar o treino exausto não garante resultados, sendo importante ajustar as cargas e respeitar a recuperação.
Como aproveitar melhor os treinos de curta duração?
Para quem deseja emagrecer, treinos curtos podem contribuir para o gasto energético, mas os resultados também dependem da alimentação. Segundo Adeirton, o ganho de massa muscular exige atenção às cargas e ao volume semanal de exercícios, especialmente entre praticantes experientes.
Cinco sessões de 36 minutos somam 180 minutos semanais, mas nem todo esse período corresponde à atividade aeróbica recomendada pela OMS. Em treinos que combinam musculação e cardio, é necessário considerar o tempo e a intensidade de cada modalidade.
Já para pessoas sedentárias, Adeirton recomenda iniciar os treinos gradualmente. Duas sessões em dias alternados podem ser um ponto de partida, conforme avaliação profissional, com cargas adaptadas e aumento progressivo da intensidade. Caminhadas também podem complementar a rotina, permitindo que a prática de exercícios se torne regular sem ultrapassar os limites do condicionamento individual.
Segundo registros do The Strong National Museum of Play, a linha de miniaturas Hot Wheels, lançada pela Mattel em 1968, alcançou o valor recorde de US$ 72 mil em um leilão individual de colecionadores.
A valorização financeira do item está diretamente associada à raridade de fabricação e à escolha das cores na época.
A rejeição do rosa na década de 1960
Na época do lançamento, a diretoria da Mattel avaliava que a cor rosa choque (hot pink) não era adequada para brinquedos voltados ao público majoritário – na época – do produto. Como consequência dessa diretriz comercial, a produção de exemplares nessa cor foi limitada.
Décadas mais tarde, a baixa oferta de veículos rosa choque no mercado converteu a tonalidade na mais rara e procurada da marca.
Engenharia e velocidade na escala 1/64
Produzidos na escala 1/64, os primeiros modelos destacaram-se pelo desempenho técnico. Os carrinhos utilizavam eixos de arame para cordas de instrumentos musicais, rolamentos de plástico e lubrificação. A combinação permitia alcançar velocidades equivalentes a 200 milhas por hora – cerca de 320 km/h – em dimensão real.
A coleção original, denominada “Sweet 16”, reuniu 10 modelos de passeio modificados com licença das fabricantes e 6 carros conceituais. Os veículos traziam pintura metálica, escapamentos laterais e pneus com faixa vermelha.
Leia Mais:
Mercado de leilões e reconhecimento
O interesse pelos modelos expandiu-se do público infantil para os adultos. Critérios como estado de conservação, país de origem e raridade da cor definem as cotações em leilões virtuais.
Em 2011, a marca Hot Wheels passou a integrar o National Toy Hall of Fame.
Cascas de cebola secas fervidas junto a dentes de alho amassados liberam uma combinação pungente de sulfetos e bioflavonoides. Essa calda caseira, ao ser pulverizada nas folhas de árvores frutíferas e hortaliças, interrompe imediatamente o ataque de lagartas desfolhadoras.
O método aproveita subprodutos descartados na cozinha para proteger plantas sem deixar resíduos tóxicos. As lagartas recusam a folhagem tratada devido ao amargor extremo e à irritação digestiva provocada pelos compostos naturais.
Por que compostos sulfurados e quercetina funcionam como repelentes
As cascas secas de cebola contêm altas concentrações de quercetina, um flavonol com forte poder antioxidante e amargor natural. Quando associadas ao dissulfeto de alila e à alicina liberados pelo alho fervido, forma-se uma calda de odor pungente e ação antialimentar (antifeedant).
Ao ser pulverizada nas folhas, a solução adere à cutícula vegetal. As lagartas mastigadoras recusam-se a comer a folha tratada devido ao amargor extremo e à irritação provocada pelos sulfetos no trato digestivo dos insetos.
Trata-se de repelência por rejeição olfativa e gustativa, interrompendo o ataque antes que a área fotossintética seja destruída.
Vantagens do bioinseticida frente aos venenos sintéticos
Diferente dos inseticidas químicos convencionais, a calda de cebola e alho não exige que a lagarta ingira doses tóxicas para morrer. A interrupção do ataque ocorre imediatamente pela recusa alimentar.
Calda de cebola e alho: repelência por amargor e sulfetos, sem resíduos tóxicos persistentes.
Inseticida piretroide sintético: elimina lagartas, mas também extermina abelhas, joaninhas e outros polinizadores benéficos.
Carência zero para colheita: frutos e folhas podem ser consumidos logo após lavagem simples em água corrente, sem período de espera.
Receita da infusão concentrada e proporções exatas
Separe as cascas secas de três cebolas grandes e quatro dentes de alho amassados. Coloque em uma panela com um litro de água.
Ferva a mistura em fogo baixo durante dez minutos, mantendo a panela tampada. Isso concentra os vapores sulfurados dentro do recipiente.
Deixe a calda esfriar completamente antes de manusear. Coe em pano fino para remover resíduos sólidos antes da aplicação.
Modo correto de aplicação nas plantas
Borrife a calda coada em toda a copa das árvores frutíferas ou hortaliças atacadas. Cubra tanto a face superior quanto a inferior das folhas, onde as lagartas costumam se alimentar.
Aplique no final da tarde, quando a temperatura está mais amena e a evaporação é menor. Isso permite melhor aderência dos compostos sulfurados na cutícula vegetal.
Reaplique uma vez por semana ou imediatamente após chuvas fortes. A água lava a camada protetora de quercetina e sulfetos das folhas, reduzindo a eficácia.
Quais frutíferas e hortaliças proteger com a calda
O bioinseticida é totalmente seguro para uso em hortas domésticas e pequenos pomares. Protege cultivos frequentemente atacados por lagartas desfolhadoras.
Citros (limão e laranja): afasta a lagarta-fio-de-seda e a lagarta-do-fumo das brotações novas e folhas tenras.
Couve, brócolis e repolho: bloqueia o ataque de lagartas desfolhadoras sem contaminar as folhas comestíveis.
Maracujazeiros e videiras: protege as pontas dos ramos contra lagartas desfolhadoras pretas que destroem brotos.
Com que frequência reaplicar o defensivo natural
A durabilidade do efeito protetor depende das condições climáticas. Reaplique a calda uma vez por semana como medida preventiva regular.
Após chuvas intensas, faça nova pulverização imediatamente. A água remove os compostos aderidos e deixa as folhas desprotegidas novamente.
Em períodos de infestação severa, aumente a frequência para aplicações a cada cinco dias. Monitore visualmente a presença de novas lagartas nas folhas.
A calda altera o sabor das verduras colhidas
Os compostos sulfurados não impregnam o sabor dos vegetais de forma permanente. Basta lavar as folhas em água corrente antes do consumo para remover completamente os resíduos.
Verduras colhidas no dia seguinte à aplicação podem ser consumidas com segurança. Os sulfetos soltam-se facilmente da superfície das folhas sem penetrar nos tecidos vegetais.
A lavagem simples elimina tanto o odor quanto qualquer gosto residual de alho ou cebola. Não há necessidade de produtos especiais para higienização.
A incômoda experiência de se sujar ao usar um banheiro público pode estar com os dias contados. Para resolver o constrangimento de ficar com respingos visíveis nas calças ou no chão, o professor Zhao Pan, da Universidade de Waterloo, decidiu aplicar a engenharia mecânica a um problema antigo que parecia esquecido.
A ideia surgiu para Pan durante o próprio uso de um banheiro. Em parceria com o pesquisador Randy Hurd, da Universidade Estadual de Weber, e com os estudantes Mabel Song, JD Zhu, Ethan Barlow e Kaveeshan Thurairajah, a equipe desenvolveu modelos cerâmicos inovadores. Os resultados foram apresentados na conferência da Sociedade Americana de Física, em Indianápolis.
A física por trás do modelo
Os modelos criados foram apelidados pelo formato que lembram uma fatia de maçã e um ‘J’ alto e fino com abertura estreita. Embora o mictório tradicional tenha sido criado há mais de 100 anos, pouca evolução ocorreu para reduzir respingos até o surgimento desses novos projetos, que visam resolver uma falha histórica no design sanitário.
A solução baseia-se na física da mecânica dos fluidos. Quando um jato atinge uma superfície em um ângulo de incidência raso, o respingo diminui; ao atingir um ângulo crítico menor que 30 graus, as gotas desaparecem. A inspiração veio da observação de cães, que erguem a pata para urinar em superfícies verticais justamente para reduzir o ângulo de impacto e os respingos.
Do laboratório ao mercado
Os testes foram realizados em laboratório utilizando um aparato com bomba, reservatório e bocal adaptado à geometria humana, disparando jatos contra mictórios comuns e os protótipos criados. Além de resolver o problema prático, o projeto envolve equações diferenciais, sustentabilidade com a economia de água e produtos de limpeza, além de design industrial e educação STEM.
Embora ainda não haja uma data para a chegada aos banheiros públicos, uma grande loja de departamentos entrou em contato demonstrando interesse em testar os novos mictórios. A pesquisa demonstra como o método científico pode transformar um incômodo cotidiano em inovação tecnológica.
A ideia de que tomamos decisões de maneira inteiramente independente acaba de ser contestada pela ciência. Um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B revelou como o chamado efeito da “maçã podre” influencia o comportamento coletivo.
Presenciar outras pessoas violando regras pode incentivar o observador a cometer infrações ainda maiores, sobretudo quando as transgressões são graves e vêm de indivíduos com os quais compartilhamos afinidades políticas.
Para investigar essa dinâmica, a equipe liderada por Lucas Molleman, da Universidade de Amsterdã, recrutou 750 participantes nos Estados Unidos, divididos em partes iguais entre republicanos e democratas.
Eles realizaram um teste on-line repetido seis vezes, que envolvia observar uma estrela cadente animada em uma sequência de 100 quadrados para identificar o de maior brilho.
As escolhas certas nem sempre eram as mais rentáveis financeiramente, pois selecionar quadrados à direita da resposta correta gerava prêmios maiores, criando um incentivo direto para descumprir as instruções.
O incentivo da transgressão
Após cada escolha, os voluntários viam a decisão de outra pessoa, a gravidade de eventual infração cometida por ela e sua filiação política, podendo ajustar a própria resposta em seguida. A disposição para transgredir já existia antes do contato social, pois 23% das escolhas iniciais envolveram o quadrado de maior recompensa.
Porém, a observação do comportamento alheio mudou os passos seguintes: ver alguém cumprindo as regras reduziu ligeiramente a tendência de trapacear, enquanto pequenas violações a aumentaram de forma discreta.
O impacto mais expressivo ocorreu quando os participantes presenciaram infrações mais flagrantes. Nesses cenários, eles passaram a desrespeitar as regras com mais intensidade, chegando a superar o nível de transgressão que haviam observado.
Com base nesses dados, a equipe realizou simulações computacionais em grupos maiores, mostrando que uma minoria disposta a intensificar as violações pode desencadear uma escalada coletiva e fazer todo um grupo perder o controle.
Identidade política e limites da influência
A identificação política desempenhou um papel central no fenômeno. O efeito do comportamento alheio mostrou-se mais robusto quando o participante compartilhava a mesma inclinação política da pessoa observada.
O achado indica que a disposição para imitar atitudes depende não apenas da ação em si, mas de quem a pratica, mostrando que a expressão “maçã podre” pode ser insuficiente para explicar o contágio social, já que a interpretação e a reprodução da conduta pelos pares impulsionam sua disseminação.
Apesar dos achados, o estudo não determinou um contágio automático. Cerca de um terço dos participantes seguiu as regras de forma consistente, mesmo abrindo mão da maior recompensa. Além disso, os autores destacam que o experimento foi abstrato, on-line e sem penalidades reais, exigindo novas investigações para cenários concretos.
Comentando a pesquisa, o professor Stephen Reicher, da Universidade de St Andrews, ressaltou que presenciar tumultos não faz as pessoas participarem deles automaticamente, lembrando que muitos observadores reagem ajudando na limpeza posterior.