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A nova Fed de Warsh: número de reuniões não muda, mas há menos decisões sobre juros

28 October 2026 at 19:39

Depois de lançar task forces para rever o trabalho da Reserva Federal (Fed) em cinco áreas, de boicotar o dot plot que sinaliza as taxas de juro no futuro, de abolir o forward guidance (orientação prospetiva) e limitar os comunicados a uma dúzia de curtos parágrafos, o chair Kevin Warsh anunciou esta quarta-feira a próxima etapa da ‘revolução’ no funcionamento do banco central — o mesmo número de reuniões do comité de política monetária (FOMC), mas nem todas irão incluir decisões sobre taxas de juros.

“Acreditamos que oito reuniões por ano é o número adequado para o FOMC, mas, em 2027, uma reunião centrar-se-á exclusivamente na estratégia geral de política monetária, não se prevendo nem uma votação sobre a taxa dos fundos federais nem uma declaração de política“, afirmou Warsh, em conferência de imprensa depois de a Fed ter anunciado a manutenção das taxas de juro no intervalo 3,75%-4%.

“As restantes serão reuniões regulares do FOMC para a definição de política monetária, e prevejo que, em 2028, teremos duas reuniões dedicadas a discussões sobre estratégia e seis… para a definição de política”, adiantou.

Warsh, que foi nomeado por Donald Trump em janeiro e sucedeu a Jerome Powell à frente da Fed em maio, nunca escondeu a aversão à comunicação excessiva. “Ao contrário de muitos dos meus colegas, tanto antigos como atuais, não acredito no forward guidance”, explicou no Senado em abril. “Não acho que deva antecipar-vos qual poderá ser uma decisão futura”.

O presidente da Fed é também um forte crítico do dot plot – o gráfico que representa as avaliações dos membros do FOMC sobre o percurso futuro das taxas de juro. “A Fed comunica ao mundo inteiro quais vão ser os seus dots e quais vão ser as suas previsões”, disse na mesma audição. “Bem, então a Fed também é humana — mantém essas previsões por mais tempo do que deveria”.

Logo na primeira reunião do FOMC, em junho, o presidente da Fed começou a dar sinais que não quer o banco central a dar muitas pistas. A declaração eliminou por completo qualquer orientação sobre futuros movimentos das taxas, com um formato revisto que se limitava a indicar a decisão sobre as taxas e reafirmava a intenção do banco central de manter reservas abundantes no sistema bancário. O documento abreviado marcava o regresso a um formato semelhante ao utilizado pelo antigo presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan. Apenas 18 dos 19 decisores apresentaram projeções de taxas de juro no dot plot, com Warsh a confirmar que foi ele a exceção.

“Aprender muito” até dezembro

O Presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com Kevin Warsh durante a sua cerimónia de tomada de posse como novo presidente da Reserva Federal no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, a 22 de maio de 2026.EPA/YURI GRIPAS / POOL

Esta quarta-feira, questionado sobre se a Fed poderá aumentar os juros na reunião de 9 de dezembro, conforme prevê a grande maioria dos analistas, Warsh repetiu o mantra. “Não acredito na orientação prospetiva, na ausência de uma crise”, disse.

“Não acredito em prejulgar as reuniões, não vou partilhar reflexões sobre o que vai acontecer em dezembro” vincou. “Podemos aprender muito até lá, estaremos em melhor posição para determinar a decisão política certa”. defendeu.

Em comunicado, a Fed admitiu que a “inflação continua elevada”, mas sublinhou que “a recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

Reserva Federal mantém juros inalterados e ganha tempo para continuar a avaliar impacto da guerra

28 October 2026 at 18:00

A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos manteve esta quarta-feira inalteradas as taxas de juro, ganhando tempo para avaliar o impacto da guerra no Médio Oriente na inflação e no mercado de trabalho antes de avançar para uma segunda subida do custo do dólar este ano, prevista por analistas e investidores para dezembro.

A decisão, que mantém as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,75% e 4,00%, era amplamente esperada e foi anunciada em comunicado após o final da reunião de dois dias do Federal Open Market Committee (FOMC, comité de política monetária).

“A inflação continua elevada”, referiu o banco central liderado por Kevin Warsh. “A recolha de mais informação ajudará o Comité a determinar a orientação de política adequada para garantir um regresso atempado da inflação à meta de 2%”.

No curto comunicado, a Fed adiantou que a atividade económica está a expandir-se a um ritmo forte. “Embora a incerteza continue elevada, em parte devido à evolução da situação geopolítica, o consumo interno tem-se mostrado resiliente”, vincou. Explicou ainda que o crescimento da produtividade é forte e o investimento de capital é robusto, enquanto a criação de emprego tem acompanhado o crescimento da população ativa e a taxa de desemprego tem-se mantido praticamente inalterada.

Na última reunião, a 16 de setembro, a Fed quebrou uma pausa que durava desde o final do ano passado, com um aumento de 25 pontos base. Essa decisão tinha sido unânime, mas a desta quarta-feira contou com dois votos derrotados contra 10 a favor.

A governadora Lisa Cook, atualmente alvo do presidente Donald Trump, que pretende afastá-la do banco central, manifestou discordância a favor de um aumento da taxa de juro de um quarto de ponto percentual, tal como fez a presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, uma voz consistentemente hawkish que também manifestou a sua discordância em julho pelo mesmo motivo.

(Notícia atualizada às 18h12 com mais informação)

 

 

 

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