A bancada de parlamentares do PL (Partido Liberal) no Congresso manifestou nesta quarta-feira (28) seu “total apoio” ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos após ser derrotado na eleição presidencial do último domingo (25).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição no Senado, disse nesta terça-feira (27) que o núcleo duro da campanha presidencial não foi comunicada sobre a fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. Marinho, que coordenou a campanha de Flávio ao Palácio do Planalto, afirmou estar “surpreso” com a notícia.
Marinho disse que pessoalmente não tem informações sobre o paradeiro do senador e que só soube de movimentações por notícias da imprensa. Ele afirma que se encontrou com Flávio na tarde da última segunda-feira (27) para “agradecer” a votação recebida no segundo turno da disputa presidencial. O candidato do PL foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por cerca de 4,4 milhões de votos.
“Nós não tivemos notícia ainda por parte do Flávio e advogados do que de fato aconteceu. Tentamos contactar o Flávio após as informações. Recebi uma mensagem de texto dizendo que iria dar um tempo hoje e depois conversaria conosco, por volta das 8h da manhã. Estamos surpresos porque conversamos ontem sobre a necessidade para que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição”, disse Marinho.
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A fala do senador ocorreu após reunião de emergência do PL convocada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. O encontro reuniu lideranças estaduais da legenda para afinar o discurso e definir os rumos da sigla diante da fuga de Flávio.
Marinho também menciona uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de cancelar os passaportes do senador derrotado nas urnas minutos após a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral): “Uma coincidência que precisa ser analisada pela sociedade. Numa democracia é muito estranho que um candidato à Presidência da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de medida cautelar, no inquérito em que o principal motivo caiu por terra, para a retenção dos seus passaportes. Me parece a preparação para uma coisa mais persecutória.”
Fuga de Flávio
O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com sua mulher e filhas nesta terça-feira (27). A informação foi confirmada por fontes ligadas ao governo americano.
Flávio repetiu a decisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que viajou aos EUA dois meses depois de perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.
O senador deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar que ele entregasse seus passaportes comum e diplomático à PF (Polícia Federal).
Segundo relatos feitos à CNN Brasil, o parlamentar demonstrou irritação com a determinação e Moraes. Alvo de inquéritos no STF, o senador temia ser preso.
Apesar de ter afirmado que corria risco de prisão, aliados de Flávio o aconselharam a não deixar o país, durante uma reunião na segunda-feira (26) com os principais nomes de sua campanha no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul, em Brasília. Foi a última vez que Flávio falou com a maioria deles.
Parlamentares governistas e de oposição repercutiram nesta terça-feira (27) a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de fugir para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais de domingo (25).
Na tribuna da Câmara dos Deputados durante a primeira sessão após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares de oposição minimizaram a fuga do senador e parabenizaram a atitude em razão de uma suposta “perseguição” por parte de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), em especial, o ministro Alexandre de Moraes.
O deputado Junio Amaral (PL-MG) subiu na tribuna e parabenizou Flávio “pela inteligência para evitar a perseguição do Judiciário”. Segundo ele, até os próprios parlamentares estão sofrendo com o que chamou de uma “ditadura”, portanto, o ex-candidato teria maior poder de mobilização política em território estrangeiro: “Não é possível liderar uma oposição dentro de um território dominado. Ele fez certo”.
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Em seu perfil no X, o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), reforçou que Flávio tem “apoio total” da bancada parlamentar. Ele afirma que o senador não possui qualquer condenação ou julgamento em curso e que a decisão do ministro Moraes de cancelar os passaportes do parlamentar logo após o resultado do segundo turno se classifica como “perseguição”: “Quase 60 milhões de brasileiros votaram nele. Em qualquer democracia, isso se chama oposição. Aqui, se chama alvo. Um pai que protege a família desse sistema não é fugitivo. É perseguido“.
Do lado governista, parlamentares afirmam que a fuga de Flávio se justifica por “medo” de investigações da PF (Polícia Federal) e futuras condenações do Supremo.
“Ele não tem segurança na sua defesa? Ou ele sabe que tem empresas em paraíso fiscal, jatinho do Vorcaro. Ele foge e confessa que tem culpa do cartório. O bandido não pode esconder, ele foge“, disse o deputado federal Bohn Gass (PT-RS) em plenário.
“Flávio disse que era o candidato da mudança. Mas só não disse que era da mudança de país. Nada novo sobre o sol, já que Eduardo fugiu para lá também, o pai só não conseguiu por incapacidade de seu plano de fuga. Brasil, alguns de seus filhos fogem à luta sim”, disse a também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) em vídeo no Instagram.
Fuga de Flávio
Um funcionário do governo americano disse inicialmente à CNN que Flávio estava a caminho da Flórida, mas depois afirmou que o destino exato dele nos Estados Unidos não estava claro.
Uma fonte brasileira próxima a Bolsonaro disse que o político temia ser preso no Brasil, onde é investigado pela mais alta corte do país por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Bolsonaro nega qualquer irregularidade.
As especulações sobre seu paradeiro aumentaram depois que o veículo de imprensa argentino Infobae noticiou que Flávio havia deixado o Brasil pela Argentina após perder o segundo turno da eleição presidencial de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em comunicado, o governo argentino afirmou que “não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro” no país.
A senadora eleita por Minas Gerais, Marília Campos (PT), disse nesta segunda-feira (26) em entrevista à CNN que “não é novidade” que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25), não reconheça o resultado das eleições presidenciais.
Marília mencionou a grande vantagem de Lula em relação à Flávio pelo número de votos que, segundo ela, “não dá para não aceitar”: “Foram 4 milhões de votos a mais. Acho que devemos seguir em frente e esperar os próximos passos deles. Eles têm uma dificuldade grande de respeitar o resultado.”
A senadora eleita também citou a tentativa de golpe de Estado promovida pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) na transição de governo logo após a derrota para Lula. Ela reforça que naquele momento também houve questionamento do processo eleitoral e que a ala bolsonarista implicou em um “grande golpe para a democracia”.
O senador afirma que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de adiar o fechamento das urnas em duas horas em todo o país inviabilizaria o resultado das urnas. Houve relatos de falta de ônibus e longas esperas em cidades como São Paulo e Salvador durante o dia de eleição.
Marília Campos também respondeu acerca do desafio que Lula enfrentará a partir de 2027 com um Congresso Nacional, em especial no Senado, ainda mais de oposição.
O PL teve 19 senadores eleitos em 2026 e terá a maior bancada a partir de 2027 no Senado Federal. Ao todo, o partido terá 28 congressistas na Casa Alta. O PT é o segundo partido com mais senadores na legislatura que começa no ano que vem. A sigla do presidente Lula elegeu seis senadores e terá nove parlamentares na próxima legislatura.
“Lula teve dificuldade de governabilidade [do mandato atual], mas isso não impediu que aprovasse a PEC do fim da escala 6×1, vários projetos no Senado, como a política de minerais raros, fim das bets. Claro que temos eleitos, mas a direita tem fissuras, tem divergências”, disse.
A senadora eleita também afirmou que o campo bolsonarista saiu “enfraquecido”, apesar de maior presença no Congresso, por não ter elegido justamente o Presidente da República.