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Brasil tem cinco regiões de recifes de corais costeiros sob ameaça

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Cinco ecorregiões de recifes de corais brasileiras foram classificadas como criticamente em perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, lançada na 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em Yerevan, na Armênia.

O Brasil teve oito ecorregiões de recifes de corais analisadas, mas três não contavam com dados suficientes para receber uma classificação geral de risco.

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As cinco áreas sob alerta são: 
  • Parrachos; 
  • Atol das Rocas e Fernando de Noronha; 
  • Costa dos Corais; 
  • Baía de Todos os Santos e Baixo Sul; 
  • Abrolhos.

A classificação Criticamente em Perigo significa que, apesar de abrigarem corais vivos e funcionarem como ecossistemas recifais, é necessário agir com urgência para protegê-las.

Essa foi a primeira avaliação global, para esses ecossistemas, promovida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

O documento lista as ecorregiões conforme o risco de colapso, considerando a distribuição dos corais, as restrições geográficas, a degradação e outros critérios ambientais. Os locais são classificados como: Vulneráveis (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo (CR) ou Colapsados (CO).

Houve dados insuficientes para Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande. Para a analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar, a falta de informação não pode ser lida como ausência de risco.

“A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação”, reforça a pesquisadora.

As cinco regiões criticamente em perigo foram avaliadas sobre as mudanças ocorridas nos últimos 50 anos e as projeções de estresse térmico provocado pelo aquecimento dos oceanos nas próximas cinco décadas.

A avaliação concluiu que, nos últimos 50 anos, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já apresentavam condições para uma classificação CR. Já Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos ficariam classificados como EN.

O nível de perigo crítico foi alcançado pelas cinco ecorregiões devido às projeções para os próximos 50 anos de estresse térmico, com base em um cenário intermediário apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Ameaças

As ondas marinhas de calor são apontadas como principais ameaças aos recifes brasileiros, tendo como referência importantes eventos de estresse térmico que resultaram em branqueamento severo e mortalidade de espécies-chave de corais, como os ocorridos em 2019/2020 e 2024.

“Pressões humanas locais, como a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro, o turismo e o aporte de sedimentos e nutrientes provenientes do continente, contribuem para a degradação da qualidade da água, reduzindo a resiliência e a capacidade de recuperação dos recifes”, aponta a avaliação sobre as ecorregiões brasileiras.

O estudo destaca também pressões adicionais, como a exploração de petróleo e gás, mineração e navegação, além da invasão de espécies exóticas como os corais-sol e o peixe-leão.

“De modo geral, os recifes costeiros estão expostos a pressões cumulativas maiores do que os recifes situados mais longe da costa”, acrescenta o documento.

Metodologia

A avaliação global analisou apenas recifes de coral fóticos, que ocupam regiões mais rasas e ensolaradas. Não foram incluídos recifes profundos, rochosos e corais de água fria.

Em todo o mundo, foram analisados 127 ecorregiões em mais de 80 países e territórios, agrupados em dez macrorregiões. Desse total, 122 ecorregiões foram classificadas como Criticamente em Perigo, o equivalente a 96%.

Quando consideradas apenas as mudanças ocorridas nos últimos 50 anos, sem as projeções do IPCC, 30 ecorregiões já estão criticamente em perigo e outras 116 estão ameaçadas.

Ferramenta

A Lista Vermelha de Ecossistemas é uma das ferramentas para a revisão do tratado internacional da biodiversidade de Kunming-Montreal, estabelecido em dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário.

A avaliação serve como referência para relatórios e adoção de políticas nacionais capazes de proteger os recifes, recuperar as populações de espécies marinhas e reduzir as pressões locais.

A análise destaca, no entanto, que ações locais devem ser vistas como complementares à ação climática global.

“Medidas locais não são capazes de impedir as ondas de calor marinhas, portanto, cortes rápidos nas emissões continuam sendo essenciais”, destaca a análise.

Será que Lula 4 nos conduzirá ao futuro ancestral?

29 October 2026 at 15:00

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Em seu discurso de vitória na noite de 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, em seu quarto mandato, uma nova forma de governar. Com isso, quis dizer que buscaria uma comunicação mais ativa com as ruas, prolongando o sucesso da estratégia digital e de mobilização no segundo turno. Me pergunto se o novo mandato também poderia representar uma oportunidade de inovar na economia e no meio ambiente. Seria possível aprofundar um projeto socioambiental que proteja nossos biomas e favoreça os povos indígenas?

Na candidatura de Lula, a redução do desmatamento, o combate às mudanças climáticas e a proteção aos direitos indígenas estavam presentes. Bem ao contrário do projeto abertamente danoso do bolsonarismo, que negava o direito à demarcação dos territórios indígenas e prometia o desmonte da legislação ambiental. Os jornalistas e ativistas que analisaram os programas de governo dos candidatos do PT e do PL encontraram centenas de menções aos temas socioambientais no caso do petista e quase nenhuma nas propostas de Flávio Bolsonaro.

Por isso, julgo que, a partir de janeiro de 2027, há possibilidades de avanços nas políticas do poder executivo. A trajetória de redução do desmatamento coloca o Brasil como líder na transição ecológica. Tudo indica que será possível acabar com as derrubadas ilegais na Amazônia até 2030. O caminho pode ser um pouco mais longo no Cerrado, onde a agricultura industrial obtém maior lucro. Para estancar a destruição neste bioma, será preciso repensar incentivos financeiros, como os créditos agrícolas, ou mesmo sancionar as propriedades privadas que insistem em destruir para produzir.

Há, no entanto, um caminho mais profundo e de longo prazo. Uma articulação política e territorial que se inspira nos modelos comunitários e de manejo da natureza dos povos indígenas.

A frase “O futuro é ancestral” se popularizou a partir do pensador e escritor Ailton Krenak, o primeiro indígena a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em seu livro de mesmo nome, publicado em 2022, ele traz uma mensagem de esperança ao apontar que o futuro não precisa ser apocalíptico, já que a solução sobre como viver em harmonia neste planeta já está entre nós. Contrário à noção de um progresso ocidental, que transforma a natureza somente em recurso, o pensamento indígena enxerga a terra, as florestas e os rios como entes vivos, nossos parentes mais antigos neste mundo.

Krenak popularizou o conceito, mas o senso de comunidade e o respeito à mãe natureza são algo que observamos em muitas culturas indígenas. Quando escutamos que grandes lideranças como o xamã Yanomami Davi Kopenawa nos alertam dos riscos de liberar os espíritos maléficos quando destruímos a floresta, é fácil entender a violência das invasões garimpeiras em seu território.

Essa visão de mundo, tão distinta da economia capitalista, tem consequências concretas para todos nós. A demarcação de terras indígenas, direito garantido aos povos originários na Constituição de 1988, permitiu que uma vasta extensão de ecossistemas nativos na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal fosse conservada até hoje. Existe uma centena de estudos científicos que demonstram que as áreas sob cuidado dos indígenas estão em melhor condição do que as terras não demarcadas.

Em complemento a estas evidências sobre a efetividade dos territórios indígenas nas estratégias de conservação, temos um estudo muito importante liderado pelos pesquisadores do grupo de ecologia tropical do Instituto Serrapilheira, que foi capaz de calcular a contribuição econômica que as terras indígenas geram ao agronegócio.

A conexão entre floresta, chuvas e lavouras

Essa conexão se dá exatamente pela relação entre a floresta e as chuvas: a umidade advinda dos chamados rios voadores alimenta as lavouras do Centro-Oeste e Sul do país. Segundo nota técnica publicada em dezembro de 2024, as chuvas vindas das terras indígenas da Amazônia abasteceram 80% da atividade agropecuária do país, o que gerou R$ 338 bilhões em 2021, ou 57% da receita total.

Estes mesmos pesquisadores, junto a outros nomes de peso, como José Marengo, atual diretor do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais, publicaram também em 2024 na revista Nature um artigo em que mostram que as terras indígenas são essenciais para evitar o colapso ambiental da Amazônia, o chamado ponto de não retorno. Neste estágio crítico, as florestas deixariam de absorver carbono em quantidade útil para o equilíbrio do clima. Tornando-se mais seca com tantas queimadas e calor, a maior floresta tropical úmida do mundo não mais seria a provedora de chuvas essenciais.

Por esta razão, políticas públicas que reconheçam a importância das terras indígenas para o bem-estar de toda a nação são cada vez mais urgentes. Lula, junto à ministra Marina Silva foram bem sucedidos em criar o Fundo Amazônia em 2008 e com isso atrair recursos de governos estrangeiros e investir na manutenção e proteção dos territórios indígenas.

Mas é preciso avançar mais nos mecanismos de pagamento por serviços ambientais, que ainda engatinham ou flertam com soluções mercadológicas como os créditos de carbono.

Reforço o que havia dito há algumas semanas, quando defendi que povos da floresta estão unidos contra a extrema direita. O senso comunitário que historicamente permitiu a mobilização política em defesa dos direitos à terra, contra a invasão de desmatadores, garimpeiros ilegais é o mesmo que se uniu contra a proposta de entregar o Brasil aos grileiros.

Para saber mais

Já que hoje estamos falando do saber indígena, gostaria de recomendar a leitura do especial “Manejo do Mundo” publicado na edição deste mês da revista piauí e reproduzido em uma super versão interativa no site da mesma.

Este trabalho mostra como atuam os Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAS) das terras indígenas do Alto Rio Negro. Através de diários sobre as condições climáticas e observações da fauna e flora, estes pesquisadores indígenas trazem uma representação incrivelmente completa do meio ambiente e suas transformações.

https://piaui.uol.com.br/revista/241/o-manejo-do-mundo/

Semana termina com previsão de chuva em grande parte do país

29 October 2026 at 13:06

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a semana termina com previsão de chuva em grande parte do país, especialmente nas principais regiões agrícolas do Centro-Oeste, Sudeste, Sul e em Matopiba, que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Até sexta-feira (30), a atuação de áreas de baixa pressão e cavados em superfície sobre o interior do país deve manter a instabilidade e favorecer a ocorrência de chuva em grande parte do território nacional, sem mudanças significativas no padrão do tempo ao longo do período.

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A instabilidade também deve atingir importantes áreas urbanas da Região Sudeste, com condições para tempestades em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além do sul de Goiás, para onde há aviso laranja de perigo.

Por outro lado, segundo o Inmet, o tempo permanece mais estável, com temperaturas elevadas, no extremo norte da Região Norte, especialmente em Roraima, no norte do Pará e no Amapá, além do interior da Região Nordeste, onde as temperaturas podem se aproximar dos 40 °C.

No extremo sul do Rio Grande do Sul e em áreas do oeste gaúcho, também são esperadas condições mais estáveis, com temperaturas amenas.

Brasil diminui em 43% área de vegetação nativa fragmentada

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A área de vegetação nativa fragmentadas por desmatamento para mudança de uso da terra diminuiu 43% em 38 anos, mostram dados do módulo de Degradação do MapBiomas, divulgado nesta quinta-feira (29).

O Brasil passou de 287 hectares fragmentados, em 1986, para 163 hectares, em 2024. São porções de mata original cercadas por áreas desmatadas para agricultura, pasto ou urbanização.

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Apesar de a área fragmentada ter diminuído, esses trechos ficaram menores e cresceram em quantidade. Eram 2,35 milhões de recortes de vegetação nativa em 1986 e passaram a 3,41 milhões em 2024.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Dhemerson Conciani, esses pequenos fragmentos dificultam a dispersão de sementes e a circulação de animais, afetando diretamente a reprodução das espécies nativas que vivem nessas áreas. Conciane é também coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas,

“[Essa segmentação] reduz o fluxo gênico [transferência de material genético] e aumenta o risco de extinções locais.”

Biomas

Quando o recorte é feito por bioma, a Mata Atlântica é a mais afetada, com 1,38 milhão de áreas recortadas e o Cerrado é o segundo com maior, ao somar 957 mil pequenas porções de vegetação nativa. Também é na Mata Atlântica que estão os menores trechos, com área média de 25 hectares.

Ao reunir 81 hectares de área média, o Pampa é o segundo bioma com porções reduzidas, seguido do Cerrado, onde os fragmentos têm em média 105 hectares.

Na Amazônia, apesar de os extratos serem os maiores em termos de área em 2024, com 662 hectares, desde 1986, quando a média era de porções com 2,7 mil hectares, o tamanho dos fragmentos já diminuiu 76%.

A quantidade de porções isoladas por áreas desmatadas também cresceu em 38 anos, saindo de 144 mil fragmentos, em 1986, para 519 mil fragmentos, em 2024. O aumento foi de 260%.

Regionalismo

Quase metade do total de fragmentos no país (49%) está nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná.

São nas regiões Sudeste e Sul que estão a maior parte dos municípios brasileiros com área média de porções inferior a 25 hectares. Dos 20 municípios brasileiros com menor área média recortada, 12 ficam na região Sudeste, cinco no Nordeste e três na Região Sul.

Já na Região Norte, as áreas de vegetação nativa tendem a ser mais contínuas. É lá que estão 19 dos 20 municípios com trechos maiores. No estado do Amazonas, por exemplo, os fragmentos tem, em média, 4 mil hectares e Itamarati (AM) é o município que lidera, com 65,6 mil hectares de área média segmentada.

“Quanto mais fragmentada fica a paisagem, menor é a área média de seus fragmentos, e isso é muito ruim em termos ambientais porque aumenta drasticamente a exposição aos efeitos de borda e ao fogo, especialmente em anos de eventos climáticos extremos”, explica Conciani.

Vulnerabilidade

As áreas de borda são faixas próximas (entre 30 e 150 metros) às regiões desmatadas que sofrem os efeitos da degradação por serem submetidas a condições diferentes das que existem em áreas preservadas, como entrada de luz em excesso, vulnerabilidade aos ventos fortes e assoreamento do solo por perda de umidade.

De acordo com os pesquisadores, em todo o país, entre 37 milhões e 102 milhões de hectares de vegetação nativa estão nas chamadas áreas de borda. Isso representa de 7% a 18% da vegetação nativa brasileira.

Entre os biomas, o Cerrado é o que reúne maior vegetação nativa exposta à vulnerabilidade da área de borda. São de 11 milhões e 32 milhões de hectares em extensão. Já em proporção, a Mata Atlântica é o bioma mais exposto, com 29% a 66% do total de vegetação nativa remanescente em área de borda.

COP17

Os dados do módulo de Degradação do MapBiomas foram atualizados após o lançamento da Coleção 11 de mapas e dados anuais de cobertura e uso da terra do Brasil, lançado em agosto de 2026.

O estudo foi apresentado nesta quinta-feira (29), em Yerevan, Armênia, durante a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

Na avaliação do pesquisador da GeoKarten Eduardo Vélez, que também integra o grupo de Degradação do MapBiomas, compreender a dinâmica da perda de vegetação nativa e sua fragmentação é fundamental para enfrentar a crise global da biodiversidade.

“As informações inéditas disponibilizadas e atualizadas sobre a fragmentação da vegetação nativa no Brasil são estratégicas para entender a dimensão do problema, evitar seu agravamento e inclusive orientar ações de restauração na busca de maior conectividade ecológica.”

Rio Uruguai está em elevação e atinge cota de alerta em Uruguaiana

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O nível do Rio Uruguai voltou a subir em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul (RS), informa a Defesa Civil da cidade. Uma elevação de 60 centímetros ocorreu em 24 horas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou que às 16h45 desta quarta-feira (28), o Rio Uruguai estava 8,33 metros acima do nível normal e atingiu a cota de alerta.  

De acordo o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres, a expectativa é de que o cenário seja de crescimento nos próximos dias. “Está subindo e deve continuar, no mínimo até sábado”, avaliou. A Defesa Civil segue monitorando o avanço não somente no município de Uruguaia, mas em toda região cortada pelo Rio Uruguai.

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A prefeitura de Uruguaiana informou que, devido à cheia do Rio Uruguai, o município tem 41 desabrigados (12 famílias) e 176 desalojados (69 famílias) que estão fora de casa em razão da elevação do nível do rio.

Balanço da prefeitura mostra que os desalojados estão em casa de parentes ou conhecidos. Os desabrigados foram levados para o Centro Esportivo Zona Leste, no bairro Santo Inácio, e no Centro Esportivo Nova Esperança.

A prefeitura e a Defesa Civil prestam atendimento às famílias nas áreas da saúde, segurança e assistência social. Os desabrigados contam com apoio da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada do Exército Brasileiro e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra).

Balanço do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontava para uma primavera chuvosa e com episódios recorrentes de tempestade e cheias, especialmente na Fronteira Oeste e na Metade Norte do estado do Rio Grande do Sul, por influência do El Niño 2026-2027.

A previsão é de que a bacia do Rio Uruguai se mantenha acima do nível até o final de novembro.

Previsão

De acordo com o Inmet, a previsão é de chuva nesta quinta-feira (29), na Região Sul, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, onde chove com trovoadas isoladas.

Para o Paraná e para o norte de Santa Catarina, está vigente aviso amarelo de perigo potencial para tempestades. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Rio Grande do Sul, mas, nas demais áreas do estado gaúcho, o sol aparece entre muitas nuvens e não deve chover.

O dia será frio em Curitiba (PR), com mínima de 13 °C e máxima de apenas 18 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas ficam amenas, com máxima de 23 °C.

Para esta sexta-feira (30), a chuva continua em grande parte da Região Sul. O tempo fica mais fechado em Santa Catarina, onde chove com trovoadas ao longo de todo o dia. No oeste, centro, sul e leste do Paraná e no norte do Rio Grande do Sul, ocorrem pancadas de chuva com trovoadas isoladas.

A meteorologia divulgou um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Também existe possibilidade de chuva isolada no norte do Paraná e na região de Porto Alegre (RS). Em grande parte do oeste e em toda a faixa sul do Rio Grande do Sul, o céu fica com muitas nuvens, mas não há previsão de chuva.

As temperaturas continuam amenas. Em Curitiba (PR), a mínima será de 15 °C e a máxima não deve passar dos 20 °C. Em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), as temperaturas variam entre a mínima de 16 °C e a máxima, de 22 °C.

Super-ricos geram mais poluição e lucram com desastres climáticos

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A parcela de 0,1% mais ricos da população mundial - 8 milhões de pessoas - gera mais poluição por carbono do que os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres.

Os super-ricos impulsionam o colapso climático por meio de emissões desproporcionais, enquanto conseguem se proteger das consequências e ainda lucram a partir da destruição.Por outro lado, as pessoas em maior vulnerabilidade sofrem os piores impactos, como casas e plantações destruídas por enchentes ou incêndios, além de meios de subsistência perdidos e fome.

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A conclusão é de um relatório produzido pela Oxfam, publicado antes da conferência climática da ONU (COP31), na Turquia, que será realizada de 9 a 20 de novembro de 2026.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, em nota.

Uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém que faz parte dos 50% mais pobres, segundo dados reunidos no estudo.

Análise da Oxfam indica que apenas um ano de emissões dos 1% mais ricos causará 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor. Dessas, 78% vão ocorrer em países de renda baixa e média-baixa, ainda que esses países sejam responsáveis por apenas 8% das emissões globais.

“Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, acrescentou Behar.

Além disso, o relatório aponta que as emissões dos 1% mais ricos causarão quase US$53 trilhões em danos econômicos até 2050. Até essa data, há ainda a estimativa de que até 1 bilhão de pessoas possam ser deslocadas pela crise climática, sendo a maioria no Sul Global.

“Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, concluiu o diretor da Oxfam.

O relatório alerta ainda que desastres climáticos são cada vez mais explorados para promover políticas que aprofundam a desigualdade, como a privatização da ação climática e dos serviços públicos, apropriações de terras, desregulamentação e benefícios fiscais para os super-ricos.

“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores”, afirmou Behar. “Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução.”

O novo índice Destruir e Reconstruir (Destroy & Rebuild Index) da Oxfam identificou 217 empresas que lucram simultaneamente com setores que impulsionam o colapso climático e com atividades de preparação, resposta, recuperação e reconstrução pós desastres.

Recomendações

Diante do cenário relatado, a Oxfam fez algumas recomendações. Uma delas é que os grandes poluidores paguem e reduzam de forma rápida e significativa suas emissões de carbono, por meio de impostos sobre riqueza e renda, tributação sobre empresas de combustíveis fósseis e impostos punitivos sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados.

Outra medida seria aumentar o financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações, em vez de empréstimos que ampliam o endividamento. Os recursos destinados à adaptação climática precisariam ser triplicados até 2035.

Além de garantir uma infraestrutura pública resiliente ao clima e serviços públicos fortalecidos, a entidade recomenda acabar com o lucro obtido a partir dos desastres climáticos, limitando o poder corporativo em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises.

Lista das espécies da flora ameaçadas de extinção é atualizada

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) atualizou, nesta quarta-feira (28), a Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. Ao todo, 3.730 espécies foram avaliadas e classificadas pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), de acordo com o atual estado de conservação.

São árvores, arbustos e plantas de pequeno porte, que aparecem em uma lista de quatro categorias:

  • Vulnerável (VU);
  • Em Perigo (EN);
  • Criticamente em Perigo (CR) e
  • Criticamente em Perigo - Possivelmente Extinta (CR-PE).

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Ao todo, 838 espécies da flora oram classificadas como vulneráveis, como a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), que integra a lista desde 1992, e o palmito-juçara (Euterpe edulis), de grande importância para a economia da floresta.

O maior grupo reúne 2.162 espécies em perigo de extinção. Figuram entre elas a araucária (Araucaria angustifólia) e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis). Das 728 espécies que foram classificadas como criticamente em perigo, está o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

Apenas duas espécies foram listadas como possivelmente extintas: o Symplocos rizzinii, uma árvore da Mata Atlântica, presente na região da Serra do Itatiaia, no Rio de Janeiro, e a Plinia rogersiana, espécie do mesmo gênero da jabuticaba, também nativa da Mata Atlântica, com ocorrência em São Paulo.

A atualização da lista adota critérios como tamanho, fragmentação e declínio das populações, distribuição geográfica, ameaças e medidas de conservação existentes. De acordo com a Portaria 43/2014, do Ministério do Meio Ambiente, a lista deve ser revisada a cada cinco anos.

A última revisão foi publicada em 7 de junho de 2022, quando estavam classificadas na lista 3209 espécies.

Governo libera R$ 68,6 milhões para combater incêndios e seca no Norte

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O Governo Federal informou nesta quarta-feira (28) que liberou R$ 68,6 milhões para ações de combate a incêndios em estados da Região Norte. Os recursos, enviados para o Amazonas, Pará e Acre, também se destinam ao combate à estiagem e à seca.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informou ainda que enviou técnicos da Defesa Civil Nacional para os estados. Eles vão auxiliar, especialmente os municípios amazonenses e paraenses, nos processos de solicitação federal de situação de emergência e de liberação de recursos para assistência humanitária.

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Cidades com reconhecimento federal de situação de emergência ou de estado de calamidade pública podem solicitar ao MIDR recursos para ações de defesa civil. Até o momento, o ministério aprovou para o Amazonas 47 planos de trabalho, somando R$ 45,2 milhões. O estado tem 48 municípios com reconhecimento federal de situação de emergência vigente.

“Algumas cidades foram contempladas com mais de um decreto, resultando em 66 reconhecimentos, sendo 29 em razão da estiagem e 37 por causa dos incêndios”, disse o MIDR.

O Pará recebeu R$ 3,9 milhões, resultantes da aprovação de seis planos. Ao todo, 24 municípios estão reconhecidos com situação de emergência. Algumas cidades paraenses também foram contempladas com mais de um decreto, somando 28 reconhecimentos, sendo 16 em função das queimadas e o restante devido à falta de chuva.

Já o Acre recebeu R$ 19,3 milhões para o enfrentamento da seca, após a aprovação de 15 planos de trabalho. No total, 22 cidades estão em situação de emergência no estado.

Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, as equipes em campo estão dedicadas a agilizar o reconhecimento federal da situação de emergência e, consequentemente, a liberação de recursos para assistência humanitária.

“Trabalharemos para agilizar o reconhecimento da situação de emergência e a liberação de recursos a cada demanda manifestada. Não há como mensurar quanto de recurso será disponibilizado. Tudo o que for necessário será liberado, conforme os planos de trabalho municipais e estaduais", afirmou.

Amazônia e Cerrado evitaram emissões equivalentes às do Japão

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O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que avanços no combate ao desmatamento evitaram que os impactos dos recentes incêndios florestais fossem maiores.

De acordo com ele, de julho de 2025 até o mesmo mês de 2026, a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitaram emissões equivalentes às que são emitidas pelo Japão em um ano.

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Ao participar do programa Bom Dia Ministro, no CanalGov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Capobianco voltou a destacar o recorde na queda do desmatamento de 41,8% na Amazônia, a menor desde 1988, e de 23,8% no Cerrado.

“O desmatamento caiu em todos os seis biomas brasileiros. Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa tiveram redução do desmatamento em 2025”, reforça o ministro.

Os dados citados pelo o ministro são os números oficiais registrados pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) e divulgados no último dia 16.

“Não haverá fumaça suficiente para encobrir esse resultado excepcional que a sociedade brasileira conseguiu”, destacou Capobianco, ao fazer uma relação com as recentes ondas de incêndios florestais nos estados do Amazonas, que avançaram sobre a divisa com o estado do Pará e ainda afetam a região oeste do estado vizinho.

Segundo o ministro, os esforços conjuntos dos governos federal, estaduais e municipais resultaram na contenção dos focos de calor no Amazonas. No estado do Pará, as ações ainda estão em curso, mas já extinguiram 361 grandes incêndios florestais, com centenas de focos de calor.

“A Casa Civil convocou a sala de situação para tratar especificamente do Pará, já que já tínhamos tratado o Amazonas”, explicou.

Investigação

Capobianco voltou a destacar que as Polícias Federal, Rodoviária Federal e forças de segurança local investigam a origem dos incêndios florestais, mas há indícios de ação humana. E uma coincidência com o período eleitoral.  

“A partir do primeiro turno, quando tivemos o quadro que todos já conhecem, multiplicaram exponencialmente os focos de calor e os eventos de incêndio, então, há uma correlação. Mas, se isso foi uma coincidência ou se foi proposital em uma expectativa de impunidade futura, quem vai dizer para nós é a Polícia Federal”, diz.

O ministro ressaltou ainda que alguns suspeitos já foram presos pela Polícia Militar do Amazonas, fazendo referência à prisão de onze pessoas no município de Autazes (AM), no dia 18 de outubro.

Capobianco também destacou que, conforme cada caso e os crimes cometidos, os responsáveis por provocar incêndios florestais estão sujeitos a penas que podem somar até quatro anos de reclusão.

 

Chuvas continuam favorecendo região do Matopiba no Nordeste

28 October 2026 at 12:13

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Nesta quarta-feira (28), chove em uma extensa área do Brasil que alcança desde o oeste e sul do Amazonas passando pelo Acre, Rondônia e centro-sul do Pará, também pela região do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, chamada de Matopiba, pelo Centro-Oeste do país, até parte do Sudeste.

O Instituto Nacional de Meteorologia mantém um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades em todas essas regiões até o fim do dia.

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No Nordeste do país, chove com trovoadas no centro e sul do Maranhão, em grande parte do Piauí e no noroeste e oeste da Bahia. Nas demais áreas do Maranhão e do Piauí, além do Recôncavo Baiano chove com intensidade, de forma isolada.

Já no setor oeste do Ceará e de Pernambuco e na região central da Bahia a possibilidade de chuva é menor, mas existe.

Os termômetros variam nas capitais entre a temperatura mínima de 22 graus Celsius (°C) e a máxima de 32 °C em Recife.

Na Região Norte, pancadas de chuva e trovoadas isoladas alcançam o leste do Acre, centro e sul do Amazonas, sul do Pará, Tocantins e Rondônia. Também chove de forma isolada nas demais áreas do Amazonas, no sudoeste de Roraima, no centro e oeste do Acre e no noroeste e centro do Pará.

Entre as capitais a temperatura varia da mínima de 20 °C em Rio Branco até a máxima de 38 °C em Boa Vista.

No Centro-Oeste brasileiro chove com trovoadas em praticamente toda a região. No extremo sul de Mato Grosso do Sul e na divisa com o Paraná as chuvas terão menos intensidade.

A temperatura mínima nas capitais será de 18 °C em Brasília e a máxima será de 30 °C.

Na Região Sudeste, as chuvas se concentram principalmente no oeste de Minas Gerais, Triângulo Mineiro e nas regiões central, oeste e norte de São Paulo. Também há previsão de chuvas isoladas no sul de Minas Gerais e na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Nas capitais a temperatura mínima registrada em São Paulo é de 16 °C. A máxima será em Belo Horizonte, onde os termômetros chegam a 28 °C.

No Sul do país, o sol aparece entre muitas nuvens, com possibilidade de chuvas isoladas à tarde no norte, oeste, sudoeste e centro do Paraná, no centro, oeste e litoral sul de Santa Catarina e no nordeste do Rio Grande do Sul.

Entre as capitais, a temperatura mínima será de 12 °C em Curitiba e a máxima de 23 °C em Porto Alegre.

 

Concentração de gases do efeito estufa atingem níveis recordes

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Um relatório publicado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) mostrou que 2025 atingiu níveis de concentração “sem precedentes” de gases do efeito estufa na atmosfera.

O estudo constatou que a concentração de dióxido de carbono (CO₂), o principal desses gases, é 53% mais alto do que em níveis pré-industriais (antes de 1750).

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Em relação ao metano (CH₄), a concentração é 167% maior, na mesma base de comparação. Já o óxido nitroso (N₂O), o gás com maior potencial de aquecimento dentre os três, tem um nível 26% superior ao nível pré-industrial.

Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm). Isso significa que, a cada um milhão de moléculas suspensas na atmosfera, aproximadamente 426 são de gás carbônico. São 2,8 ppm a mais do que em 2024.

O crescimento foi um pouco abaixo do registrado em 2024 (3,6 ppm), na comparação com o ano anterior, mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano).

De acordo com o relatório, a redução do ritmo de crescimento em relação ao ano anterior provavelmente se deve à redução das emissões e a recuperação de sumidouros de carbono terrestres.

O fato de haver alta da concentração, no entanto, reflete a continuidade de grandes emissões provenientes da queima de combustível fóssil. Também pode ter ocorrido um impacto da temporada 2023/2024 do El Niño que evitou uma absorção maior do gás pela biosfera.

Do total de emissões humanas ocorridas entre 2015 e 2024, 50% se acumularam na atmosfera. O restante foi parar nos oceanos (29%), sejam dissolvidos na água, absorvidos pela biosfera marinha, e na terra (21%), absorvidos por processos biológicos ou geológicos.

O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa, ou seja, da capacidade de aquecimento na nossa atmosfera. Ele é também responsável por 83% do aumento dessa força na última década.

Metano

O segundo gás com maior força radiativa, o metano, que responde por 16% dela na nossa atmosfera, passou a ter uma concentração de 1.948 partes por bilhão (ppb), um aumento de 6 ppb em relação a 2024, menor do que os crescimentos de 8 ppb em 2024 e de 10,2 ppb por ano da média da década.

Desde 2007, o crescimento da emissão de metano na atmosfera vem caindo. Dois terços da emissão de gás metano no planeta Terra vem de ações antropogênicas, como a criação de gado e a decomposição de resíduos orgânicos.

Óxido nitroso

Já a concentração de óxido nitroso, também conhecido como gás do riso, que responde por 6% da força radiativa, chegou a 339,1 ppb, ou seja, 1,1 ppb a mais que em 2024, o mesmo ritmo de crescimento de 2023 para 2024 e próximo da média anual da década (1,08 ppb por ano).

Apesar de ter menor concentração na atmosfera, cada molécula deste gás contribui cerca de 270 vezes mais para o aquecimento global que uma molécula de dióxido de carbono. Diferentemente do metano, apenas um terço dele é originário de ações humanas, como o uso de fertilizantes agrícolas.

CFC

O relatório verificou ainda que os clorofluorcarbonos (CFCs), que tem capacidade de aquecer a atmosfera e de destruir a camada de ozônio (que protege a Terra de radiação solar), estão reduzindo sua concentração atmosférica. Apesar disso, os CFCs respondem, junto com outros gases halogenados (aqueles que contém cloro ou flúor em sua composição), tem diminuído.

O documento chama atenção, no entanto, para o crescimento de alguns gases halogenados, como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs), que substituíram os CFCs nas indústrias, têm aumentado apesar de ainda terem baixas concentrações. E eles também contribuem para o aquecimento global. Os gases halogenados respondem por 12% da força radiativa na nossa atmosfera.

Outro alerta do relatório é para o aumento da emissão de hexafluoreto de enxofre (SF₆), pela indústria química, já que ele é usado como isolante elétrico em equipamentos de distribuição de energia.

Apesar de ainda ser baixa, sua concentração na atmosfera hoje é três vezes maior do que a observada em meados da década de 1990. E ele tem vida útil de mais de 1.900 anos na atmosfera.

Gás hidrogênio

Já o gás hidrogênio (H₂) que aparece como uma promissora fonte energética limpa, também preocupa devido a seu vazamento de dutos, tanques de estocagem e de células de combustível.

Apesar de não ter potencial de aquecimento, há a possibilidade reação química com hidroxilas (OH), moléculas que contribuem para limpar a atmosfera por reagir com gases como o metano.

Ao reagir com o gás hidrogênio, as hidroxilas se tornam mais escassas para reagir com o metano, por exemplo. A reação de OH com CH₄ gera dióxido de carbono, um gás do efeito estufa 80 vezes menos potente que o metano. Por isso, o vazamento de H₂ para a atmosfera acaba contribuindo indiretamente para o aquecimento global.

 

Chuvas atingem importantes áreas agrícolas nesta terça, prevê Inmet

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A presença de uma frente fria no litoral sul da Bahia favorece um canal de umidade sobre o país nesta terça-feira (27), propiciando a ocorrência de chuvas e trovoadas em importantes áreas agrícolas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas mais intensas podem atingir Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e o Distrito Federal, além do sul do Pará; centro e norte de Goiás; norte de Minas Gerais; sul do Piauí e áreas da Bahia e do Maranhão.

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O instituto alerta para o perigo potencial de tempestades até amanhã (28) em áreas das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Por outro lado, na região Sul, onde o dia começou com temperaturas baixas, o frio deve começar a diminuir ao longo das próximas horas.

Um aviso amarelo de perigo potencial para tempestade vigora para uma área que se estende do oeste do Amazonas, passando por grande parte do Centro-Oeste do país, até o litoral da Bahia e do Sergipe, com risco de chuvas entre 20 e 30 milímetros/hora e de ventos intensos (40 a 60 quilômetros/hora).

Confira a previsão do Inmet para cada região:

Norte: Tempo instável, com muito calor mas também com chuvas e trovoadas no oeste e no sul da região. Previsão de chuvas e trovoadas no Acre, Tocantins, Rondônia e nas regiões sul, central, oeste e noroeste do Amazonas, além do sul do Pará. Há um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades em vigor para o Acre, sudoeste do Amazonas, sudeste do Pará e centro e sul do Tocantins. O céu fica com muitas nuvens, com possibilidade de chuvas isoladas em Roraima e no leste do Amazonas. Nesta quarta-feira, as áreas de instabilidade continuarão atuando sobre o oeste e o sul da região. Em Palmas (TO), a máxima deve chegar aos 37 °C. 

Nordeste: Nesta terça-feira, o tempo fica instável, com chuvas e trovoadas na Bahia e no sul do Piauí e do Maranhão. No leste da região (do RN a SE), o céu permanece claro e sem chuva. Nas capitais, Maceió registra a menor mínima (22 °C) e a máxima chega a 33 °C; Salvador marca até 29 °C, Fortaleza 32 °C e Teresina atinge a maior máxima (40 °C). Amanhã, as áreas de instabilidade devem se intensificar, provocando chuvas com trovoadas no oeste e no litoral da Bahia, incluindo o Recôncavo Baiano, bem como no centro e sul do Piauí e no sul do Maranhão.

Centro-Oeste: Fortes áreas de instabilidade atingem o nordeste de Mato Grosso, o norte de Goiás e o Distrito Federal, onde são esperadas chuvas com trovoadas ao longo desta terça-feira. As chuvas com trovoadas ocorrem também na região central de Goiás e no norte e noroeste de Mato Grosso. Durante o dia, a umidade deve aumentar em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, favorecendo a formação de nuvens e a possibilidade de chuvas isoladas até o final da noite, inclusive no Mato Grosso. Entre as capitais, a temperatura mínima será de 18 °C em Brasília (DF) e de 19 °C em Campo Grande (MS). A temperatura máxima em Campo Grande (MS) não deve passar dos 28 °C, e chega a 31 °C em Brasília (DF) e em Goiânia (GO), e a 36 °C em Cuiabá (MT).

Sudeste: As instabilidades se concentram no norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde o tempo fica chuvoso, com trovoadas. Nessas áreas, está vigente um aviso amarelo de perigo potencial para tempestades. Há possibilidade de chuvas isoladas também nas demais áreas do Espírito Santo e na região de Belo Horizonte (MG). Nas demais áreas da Região Sudeste, a terça-feira será de sol entre poucas nuvens e temperaturas amenas. As temperaturas devem variar entre 11 ºC, em São Paulo, e 25 ºC em Belo Horizonte. Na quarta-feira, toda a região permanecerá coberta por muitas nuvens, com previsão de fortes chuvas com trovoadas em áreas do interior de São Paulo, no Triângulo Mineiro e no oeste de Minas Gerais.

Sul: A terça-feira será ensolarada na região. Embora a terça-feira tenha começado com temperaturas baixas e possibilidade de formação de geada na Serra Gaúcha e Catarinense, nas demais áreas o céu fica claro, com poucas nuvens. Em Curitiba, o dia começa gelado, com temperatura mínima de 7 °C. Durante a tarde, a máxima não deve passar dos 18 °C. O dia também começa frio em Porto Alegre (RS), com mínima de 8 °C, mas, durante a tarde, a temperatura fica agradável, e a máxima na capital gaúcha pode chegar a 23 °C. Em Florianópolis (SC), a temperatura mínima será de 11 °C e a máxima, de 22 °C. A noite, a nebulosidade deve aumentar sobre algumas áreas, principalmente no Paraná, em Santa Catarina e no norte e leste do Rio Grande do Sul, mas, por enquanto, não há previsão de chuva. A nebulosidade deve aumentar sobre toda a região a partir de amanhã.

 

Gases de efeito estufa batem novo recorde e aumentam aquecimento global, aponta ONU

27 October 2026 at 10:50

A concentração dos principais gases de efeito estufa na atmosfera voltou a quebrar recordes históricos em 2025. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (27) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo o 22º Boletim de Gases de Efeito Estufa, o acúmulo contínuo de poluição atmosférica garante a manutenção do aquecimento global por décadas e até séculos. Os dados revelam que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados na história. 

CO₂ atinge marca histórica

O dióxido de carbono (CO₂), principal gás estufa de origem humana e responsável por cerca de 66% do efeito de aquecimento provocado por gases de longa duração, alcançou a média global de 426,8 ppm (partes por milhão) na superfície em 2025.

O valor representa 153% dos níveis pré-industriais, período anterior a 1750, quando a concentração era de 278,3 ppm.

A taxa de crescimento do CO₂ acelerou significativamente ao longo das últimas décadas, triplicando desde os anos 1960. Entre 2024 e 2025, a elevação foi de 2,8 ppm. Embora o avanço tenha sido inferior ao salto verificado no período 2023-2024 (3,6 ppm), ele permaneceu acima da média anual da última década (2,63 por ppm por ano).

De acordo com a cientista sênior da OMM, Oskana Tarasova, a desaceleração relativa em 2025 refletiu a recuperação dos sumidouros terrestres de carbono e a diminuição das queimadas após o enfraquecimento do fenômeno El Niño.

No entanto, ela ressalta que o avanço de 2,8 ppm representa uma adição substancial de carbono decorrente da queima de combustíveis fósseis. 

Alta preocupante

Os outros dois principais gases de efeito estufa vinculados às atividades humanas também registraram marcas inéditas em 2025.

O metano (CH₄) atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb), equivalente a 267% do nível pré-industrial. O gás é responsável por cerca de 16% do forçamento radiativo. Cerca de 65% das emissões de metano vêm de fontes antrópicas como pecuária, cultivo de arroz, combustíveis fósseis e aterros, e 35% de fontes naturais. 

Análises isotópicas apontaram que incêndios florestais na América do Norte e na Amazônia em 2023-2024 impactaram significativamente o orçamento do gás.

Já o óxido nitroso (N₂O) chegou a 339,1 ppb, o que representa 126% do nível pré-industrial. O N₂O responde por 6% do efeito de aquecimento dos gases de longa duração. Cerca de 35% de suas emissões decorrem da ação humana, com destaque para o uso de fertilizantes nitrogenadas na agricultura. 

Conforme o ìndice Anueal de Gases de Efeito Estufa (AGGI) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o efeito de aquecimento acumulado por todos os gases de longa duração aumentou 56% entre 1990 e 2025, com o CO₂ sendo o causador direto de aproximadamente 81% desse aumento.

Alerta para gases de transição energética

O relatório da OMM faz um alerta específico sobre dois gases diretamente ligados à infraestrutura e à eletricidade.

O hexafluoreto de enxofre (SF₆), usado como isolante elétrico em equipamentos de alta voltagem, registrou em 2025 o maior aumento anual da história, atingindo 12,24 ppt, um salto de 249% em três décadas.

O SF₆ possui o maior potencial de aquecimento global em 100 anos e vida útil superior a 1.000 anos na atmosfera.

O hidrogênio (H₂), embora não seja um gás de efeito estufa direto, altera a química atmosférica e estenda a vida do metano. Sua concentração subiu 5,3% entre 2010 e 2024 (de 532 ppb para 560 ppb).

A OMM destaca que vazamentos no transporte e armazenamento de hidrogênio podem comprometer parte dos benefícios climáticos da transição energética se não forem controlados. 

Petrobras inova na produção sustentável de combustível de aviação

27 October 2026 at 10:32

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Um novo marco na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) foi obtido pela Refinaria Duque de Caxias (Reduc) na primeira quinzena de outubro. Com a recertificação internacional do produto, a Petrobras obteve avanços que reduziram significativamente a intensidade de carbono SAF, reforçando os mais elevados padrões globais de sustentabilidade, rastreabilidade e governança.

Uma auditoria internacional de aviação confirmou evolução expressiva no desempenho ambiental do combustível. O processo reconheceu melhorias implementadas na gestão das fontes de hidrogênio utilizadas na produção do SAF, tornando a operação da refinaria ainda mais alinhada à metodologia internacional de certificação.

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Com isso, a intensidade de carbono de hidrogênio empregado na produção foi reduzida em 29%. Essa melhoria refletiu diretamente no desempenho ambiental produzido a partir do óleo de milho, com redução de 23,8% na intensidade de carbono do SAF.

O resultado posiciona o SAF produzido pela Reduc entre os combustíveis sustentáveis de aviação com menor intensidade de carbono disponíveis no mercado.

“A conquista da Reduc demonstra que a redução das emissões associadas ao SAF não depende apenas do uso de matérias-primas certificadas, mas também da busca contínua por soluções de processo capazes de diminuir a pegada de carbono dos insumos utilizados na produção”, afirma o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França.

 “Ao aprimorar seus processos e fortalecer sua governança em sustentabilidade, a Petrobras avança na construção de alternativas para atender às futuras exigências regulatórias e ampliar sua participação nos mercados de combustíveis renováveis e de baixo carbono”, acrescenta.

Holanda anuncia US$ 500 milhões em fundo florestal criado pelo Brasil

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O governo dos Países Baixos (Holanda) anunciou nesta segunda-feira (26) que pretende investir US$500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O mecanismo internacional de financiamento foi idealizado pelo Brasil e lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, em 2025.

O aporte não será feito todo de uma vez, mas dividido ao longo de um período de 10 anos. Segundo o anúncio do governo, o investimento reforça a ambição do país em relação às metas climáticas internacionais e à biodiversidade.

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O ministro do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, disse que preservar as florestas é fundamental para enfrentar as mudanças climáticas, que ameaçam segurança, prosperidade e liberdades.

“Isso reduz as emissões e é essencial para a resiliência dos ecossistemas, da biodiversidade e do abastecimento alimentar global. Por meio deste compromisso, oferecemos aos países um incentivo sólido e previsível para proteger e conservar suas florestas tropicais”, disse Sjoerdsma.

Com o anúncio, os Países Baixos passam a integrar uma coalizão internacional que já anunciou intenção de contribuir com o investimento. Entre os países estão Brasil, Noruega, Luxemburgo,  Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido.

Os investidores que comprarem os títulos emitidos pelo TFFF receberão juros fixos e estáveis. Já os países que conseguirem recuperar e manter suas florestas de pé serão recompensados financeiramente por esse esforço. Eles só receberão os valores após verificação por imagens de satélite que confirmem níveis de desmatamento abaixo de limites pré-definidos.

O fundo também prevê um protagonismo das populações indígenas e povos e comunidades tradicionais, que desempenham papel direto na proteção das florestas. O mecanismo propõe destinar pelo menos 20% dos pagamentos nacionais a essas populações. 

Os idealizadores do TFFF estimam que ele poderá proteger mais de 1 bilhão de hectares de florestas em mais de 70 países. O objetivo é arrecadar, pelo menos, US$ 125 bilhões. Desse montante, US$ 100 bilhões deverão vir do setor privado, enquanto os outros US$ 25 bilhões são esperados de governos pelo mundo.

Prefeitura do Paulista remove entulho e cercas de obras irregulares na reserva da Mata do Frio

26 October 2026 at 17:44

Uma operação de fiscalização da prefeitura do Paulista resultou na remoção de materiais de construção e cercamentos irregulares na reserva ambiental da Mata do Frio, na quinta-feira (22).

A ação, coordenada pelas secretarias municipais de Meio Ambiente, Serviços Públicos e Desenvolvimento Urbano com apoio do 17º Batalhão da Polícia Militar, retirou cerca de três caçambas de entulho do local.

Remoção de materiais e monitoramento

Durante a vistoria, as equipes identificaram e desmontaram cercas recentes e recolheram restos de imóveis previamente demolidos que vinham sendo reutilizados em novas edificações não autorizadas dentro do perímetro protegido.

Segundo os técnicos envolvidos na operação, ainda restam resíduos no local que deverão ser recolhidos em etapas posteriores. A gestão municipal informou que não foram emitidos termos de notificação nem autos de infração durante o procedimento.

Orientação ambiental aos moradores

Além da limpeza e da desobstrução da área, a fiscalização atuou na orientação dos moradores do entorno sobre o manejo e os cuidados com a reserva.

Entre as adequações explicadas pelos agentes esteve a restrição ao plantio de cercas vivas com plantas exóticas, vegetação não recomendada para a manutenção das características nativas do ecossistema local. As vistorias na Mata do Frio são realizadas periodicamente para identificar e conter novas intervenções não licenciadas.

© Juan Marvin / SEI

Remoção de materiais de construções irregulares na Mata do Frio, no município do Paulista

Monitoramento no litoral do Recife registra captura de mais cinco tubarões

26 October 2026 at 15:09

Cinco tubarões foram capturados na última sexta-feira (23) a cerca de sete quilômetros da costa do Recife, nas imediações do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.

A operação integra o segundo mês de atividades de um projeto de monitoramento científico retomado pelo Governo de Pernambuco após 11 anos de paralisação, somando agora oito animais identificados na Região Metropolitana.

Espécies catalogadas

Entre os espécimes recolhidos na operação estão dois tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier) — uma fêmea jovem de 160 centímetros e outro indivíduo que se soltou do anzol antes da medição e microchipagem — e três tubarões-flamengo (Carcharhinus acronotus), todas fêmeas, com comprimentos de 103, 108 e 114 centímetros. A equipe técnica realizou exames de ultrassom e coletou amostras de sangue e muco para análises laboratoriais.

O coordenador do Projeto Ecotuba e professor do Departamento de Pesca e Aquicultura da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Paulo Oliveira, explicou o propósito do trabalho técnico: “Esses procedimentos permitem obter informações sobre aspectos biológicos e fisiológicos dos indivíduos e contribuem para os estudos sobre a ocorrência e a movimentação dos tubarões no ambiente marinho”.

Foco na segurança aquática

A iniciativa integra o Edital Cientista Arretado, promovido pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) e pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE), tendo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE) como instituição demandante.

“O projeto de monitoramento contribui para o fortalecimento das ações de segurança aquática em Pernambuco, favorecendo a integração entre pesquisa científica, gestão ambiental, conservação da biodiversidade marinha e proteção da população. É mais uma importante ação do Governo de Pernambuco para ampliar a coleta de dados e contribuir para as estratégias de prevenção de incidentes e de educação ambiental”, ressalta Daniel Coelho, secretário de Meio Ambiente.

© Projeto Ecotuba/Reprodução

Cinco outros tubarões são capturados no litoral pernambucano

Novo canal de umidade leva chuvas ao Norte, Centro-Oeste e Nordeste

26 October 2026 at 11:58

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O avanço de uma frente fria pela costa brasileira e a formação de um novo canal de umidade favorecem, nesta segunda-feira (26), o retorno das chuvas a áreas do Norte, Centro-Oeste e Nordeste, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Um aviso amarelo de perigo potencial para tempestade vigora para uma área que se estende do oeste do Amazonas, passando por grande parte do Centro-Oeste do país, até o litoral entre o centro-sul baiano e o norte do Paraná.

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Na Região Norte, chove com trovoadas no Acre, no norte de Rondônia, no Amazonas, em Roraima e no centro-sul do Pará e do Tocantins. A temperatura mínima, nas capitais, será de 21°C, em Rio Branco, e a máxima chega a 38°C, em Palmas.

No Nordeste, pancadas de chuva chegam com trovoadas isoladas no sul do Maranhão e do Piauí e no oeste, centro e sul da Bahia, incluindo a capital Salvador. Os termômetros marcam temperatura mínima, entre as capitais, de 22°C, em João Pessoa, e máxima de 39°C, em Teresina.

No Centro-Oeste do país, ocorrem pancadas de chuva com trovoadas isoladas no norte e leste de Mato Grosso, em Goiás e no Distrito Federal. A temperatura fica amena em Campo Grande, que registra a mínima de 18°C entre as capitais. A máxima será de 32°C em Goiânia.

Na Região Sudeste, chove com trovoadas isoladas em Minas Gerais, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e no norte e leste de São Paulo. Nas capitais da região, os termômetros variam entre a mínima de 11°C, em São Paulo, e a máxima de 27°C, em Belo Horizonte.

No Sul do país, há possibilidade de chuvas isoladas apenas no leste do Paraná e de Santa Catarina e na Serra Gaúcha.  Uma massa de ar seco e frio que chega à região derruba as temperaturas, que nas capitais varia entre a mínima de 8°C, em Curitiba, e a máxima de 19°C, em Porto Alegre.

 

O ecocídio por trás de Flávio Bolsonaro

22 October 2026 at 16:00

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O engenheiro florestal Argemiro Teixeira Leite-Filho, do INPE,  que há anos tem estudado os impactos do desmatamento da Amazônia sobre as chuvas que alimentam o Sudeste e o Centro-Oeste cunhou um termo que explica o risco do crescimento econômico a qualquer custo – o agrossuicídio. 

O que esta palavra explica é como a perda da floresta influi diretamente na quantidade de água que cai sobre as maiores lavouras e pastagens do país. Provou com análises de imagens de satélite que, nas partes mais desmatadas de Rondônia e Mato Grosso, o clima está mais seco. Ou seja, aqueles produtores que derrubaram e queimaram por ganância, no longo prazo estão perdendo seu principal insumo – a água. Sem os rios voadores criados pela umidade da floresta, o agronegócio, considerado o motor econômico do Brasil, pode se tornar inviável.

Ao ouvir as propostas do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), tenho convicção de que o Brasil pode cometer um suicídio ecológico. Por trás de seus discursos que prometem simplificar a vida do empreendedor e do produtor rural, há uma mensagem de que um eventual governo vai liberar geral: pode desmatar que não haverá multas, pode garimpar que não haverá fiscalização, pode grilar que terra roubada vai ser regularizada.

Foi o que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro. O antigo presidente perseguiu os fiscais do Ibama e congelou a cobrança de multas por crimes ambientais. As áreas de garimpo ilegal cresceram 92% em quatro anos, como mostrei em uma coluna há duas semanas. Muitas outras boiadas passaram e o resultado deste projeto destrutivo se revelou nas taxas de desmatamento: no governo Bolsonaro as derrubadas na Amazônia aumentaram 59,6%.

Nas redes de desinformação bolsonaristas há uma tentativa de emplacar a mentira de que foi no governo Lula que aconteceu a tragédia dos garimpos na Terra Indígena Yanomami. Ou ainda que, nestes últimos anos, o desmatamento bateu recordes. Apenas dando um google, pode-se checar estes dados e comprovar que políticos aliados de Flávio seguem mentindo sem pudor. 

Foi a fiscalização do Ibama e do Exército do atual governo que conseguiu expulsar os garimpeiros do território Yanomami. Foi no governo Lula que as derrubadas voltaram a cair. Na semana passada, tivemos a ótima notícia de que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado chegou ao nível mais baixo da história. 

É possível dizer que, durante o governo de Bolsonaro, o Brasil estava caminhando a passos largos para um ecocídio. Este também é um termo já existente. É utilizado como um conceito que embasa processos levados à Corte Penal Internacional. Juristas e ONGs buscam neste momento imputar responsabilidade a governos e empresas que, com suas atividades destrutivas, tornam a vida no planeta insustentável. 

Pense nas mudanças climáticas. Nunca estivemos num momento tão crítico no balanço entre o clima e a saúde humana. Nesta semana, por exemplo, uma análise de dados sobre a frequência e intensidade das ondas de calor revelou que, enquanto nos anos 1960 havia em média cinco eventos de calor extremo no mundo, no ano passado foram 102 episódios de “tempestades de calor”. Frente a este cenário de emergência, o que encontramos em Flávio Bolsonaro? Um negacionista desonesto que repete a ladainha de Trump que o mundo está esfriando. É uma postura ultrajante e perigosa. O Brasil, país que detém a maior floresta tropical úmida do planeta, não pode aderir a um governo que feche os olhos para a emergência climática.

Se já temos indícios de que a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal estão sofrendo com a falta de chuvas, um projeto de poder bolsonarista, que não respeita as regras ambientais, apenas nos empurra para a beira do abismo. Não é exagero pensar que o suprimento de água, energia e mesmo a disponibilidade de comida barata estão diretamente ameaçadas pela eleição de Flávio Bolsonaro.

É muito grave sua afirmação de que, caso eleito, não vai demarcar novas terras indígenas. Se o Brasil ainda tem florestas preservadas e rios limpos, isso se deve em grande parte ao cuidado que os povos indígenas tiveram com seus territórios. Privá-los do que já é garantido pela Constituição já seria um crime de violação aos seus direitos. Mas promover a destruição e a invasão destes territórios é algo que afetará a todos os brasileiros, desta e das futuras gerações.

A mensagem de que a nossa legislação ambiental será desmontada já está clara nos discursos de Flávio Bolsonaro e seu programa de governo. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo do dia 9 de outubro, ele pretende revisar o papel do Ibama, do ICMBio e da Funai para facilitar a aprovação de novos empreendimentos. Já em evento nesta segunda (19/10) no Pará, prometeu fazer um programa para regularizar a propriedade de terras sem titularidade. Em outras palavras: anistiar grileiros que tomaram as florestas preservadas e as queimaram impunemente.

Os projetos autoritários que seguem ganhando espaço ao redor do mundo têm em comum uma utopia da refundação da sociedade. O conservadorismo como tal é uma promessa de futuro que olha para o passado. Assim avançou a plataforma MAGA (Make America Great Again), de Donald Trump, que se aproveita do desespero econômico gerado pela perda de competitividade americana frente à China para apelar aos desempregados.

Junto a esta falsa promessa de um passado glorioso, há um canto de ódio que promete a terra arrasada. A destruição e a guerra como uma forma de forjar a nação. Você já viu isso por aqui não viu? De maneira igualmente grotesca, a motosserra de Javier Milei traz essa mensagem: vamos destruir tudo. E agora infelizmente, a Argentina está pagando o preço com mais pobreza e caos econômico.

Se os impactos na economia de uma tática suicida como essa já estão se provando desastrosos, é importante alertar para o que isso pode representar para o meio ambiente. Uma plataforma de governo similar à que foi liderada no governo de Jair Bolsonaro levará o país a um colapso ambiental. Um voto como esse é um ecocídio.

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Foragido, líder do garimpo ilegal Rodrigo Cataratas tem empresas e bens de luxo nos EUA

22 October 2026 at 08:00

No Brasil, Rodrigo Cataratas gosta de manter um perfil espalhafatoso nas redes sociais. Condenado na primeira instância por liderar o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, ele tem mais de 43 mil seguidores no Instagram, onde defende a garimpagem, pede anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de golpe de Estado) e ataca o governo do PT. 

Mas Rodrigo Martins de Mello – seu nome verdadeiro – é bem mais discreto sobre um aspecto importante da sua vida: seus bens de luxo e suas atividades empresariais nos Estados Unidos, país que frequenta desde os anos 90. Agora sabemos o porquê de tamanha discrição. 

Em dezembro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Cataratas por ter ajudado na fuga de Alexandre Ramagem, o ex-diretor da Abin do governo Bolsonaro condenado pela trama golpista. Seu pedido de habeas corpus foi negado pela ministra Carmem Lúcia na última terça-feira (19/10), segundo informação do site Amado Mundo confirmada pela Agência Pública. “Consta que o mandado de prisão está pendente de cumprimento, pela ausência de localização do paciente até esta data”, escreveu a ministra na decisão. O pedido de prisão preventiva só veio à público nesta semana, já que o processo corre em sigilo.

Pela primeira vez, suas redes estão em silêncio. “Ele sumiu do mapa”, relatou um ex-parceiro de negócios nos EUA localizado pela Pública.

Uma investigação conjunta da Pública e do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) encontrou rastros do empresário do garimpo ilegal e de sua vida nos Estados Unidos. Ele tem registro de votação como Republicano na Flórida, onde apenas cidadãos norte-americanos podem votar, e manteve empresas ligadas a seu nome e ao de parentes e colegas. Os negócios, todos na Flórida, vão de aluguel de iates à demolição, passando pelo e-commerce.

Uma das empresas ligadas a Cataratas é a X One Charters LLC, fundada em 10 de julho de 2023 e registrada no endereço do apartamento do condomínio Sole Mia, em Miami – onde Cataratas hospedou Ramagem em setembro de 2025, como revelou a Pública. Segundo o documento de fundação da companhia, Cataratas era o dono da empresa. Mas em janeiro de 2026, um mês depois do pedido de prisão preventiva, os registros foram atualizados e ele saiu da sociedade, que passou a ter como diretor Marcos Felix Ribeiro.

Embora no papel a empresa hoje pertença Ribeiro, o WhatsApp de contato do site é um número de Roraima que pertence ao próprio Rodrigo Cataratas.

Print de tela das informações de contato de um número de WhatsApp pertencente a Rodrigo Mello
Print de tela das informações de contato de um número de WhatsApp pertencente a Rodrigo Mello

A empresa foi fundada na época em que Cataratas atuava, segundo o Ministério Público Federal, como um dos líderes de um grupo criminoso responsável por garimpo ilegal e degradação ambiental na Terra Indígena Yanomami. Ele foi condenado a 16 anos de prisão e ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 31 milhões, mas recorreu e aguarda em liberdade.

A X One Charters oferece aluguel do iate de mesmo nome, segundo seu site. O valor pode variar entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por algumas horas nas águas de Miami. A embarcação conta com quarto, sala, cozinha e uma área externa de lazer. “Uma embarcação confortável com muitos assentos e acomodações. Cabine espaçosa com AC e banheiro. Sistema de som Premium com Bluetooth para seu entretenimento e tapete aquático para nadar enquanto você aprecia a incrível vista do horizonte da cidade de Miami a partir das águas. Venha conosco para uma experiência incrível”, diz o site, que pode ser lido em inglês, espanhol ou português. Nas fotos, grupos de turistas se deleitam nas águas azuladas da Flórida.

Imagem mostra parte externa de um iate no mar
Imagem mostra área interna de um iate
Imagem mostra área interna de um iate
Iate conta com quarto, sala, cozinha e área externa de lazer; o aluguel pode variar entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por algumas horas nas águas de Miami

Na mesma alteração nos registros realizada em janeiro de 2026, o endereço da X One Charters mudou. Em vez do Sole Mia, a empresa agora fica sediada em um rancho de 34 acres, o Sunniland Ranch, de propriedade do mesmo Marcos Felix Ribeiro. Procurado pela Pública, ele confirmou ter tido transações comerciais com Cataratas em um negócio de mineração na Guiana. Segundo ele, o iate foi dado a ele como pagamento por uma escavadeira sua que ficou no país sulamericano – uma troca estimada em cerca de R$ 500 mil reais (US$ 100 mil).

“Eu peguei esse barco que na realidade é um pesadelo, porque está com problema de vazamento de óleo, um barco desse aqui na água, é 15 mil dólares de multa. Eu tive que tirar esse trambolho da água e no final vai sair mais caro”, diz.

Marcos Felix disse à Pública que conheceu Cataratas quando ele estava com frequência nos EUA, por volta de 2022. Rodrigo de Mello teria visitado seu rancho por ser um local que possui pista de pouso e uma escola de aviação, algo que tem grande afinidade com a área de atuação de Rodrigo Martins de Mello, que teve escola de treinamento de pilotos em Roraima e duas empresas de táxi aéreo. Rodrigo foi considerado pela Justiça como o operador logístico, por meio de aeronaves e helicópteros, do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

Empresa de frete com parceiro de longa data

No mesmo rancho está registrada ainda outra empresa que tem ligação com Cataratas, a Cargo Flow. A empresa tem como diretor, além de Marcos Felix Ribeiro, um roraimense de nome Marcel Anderson Coelho Carvalho, que trabalhou com Cataratas em diversas ocasiões, incluindo a extração ilegal de minérios no território Yanomami.

Fundada em março de 2025 em São Petesburgo, outra cidade da Flórida, a empresa está registrada junto às autoridades americanas para realizar transporte de cargas comerciais em trajetos interestaduais nos EUA. Neste mesmo registro, o endereço de correspondência da Cargo Flow é o mesmo do apartamento do Sole Mia.

Segundo seu site, a Cargo Flow realiza entregas de produtos no varejo ou atacado, encaminhamento de fretes “do porto ao depósito”, além de entrega de partes para a indústria de peças de avião. “Nossa missão é simplificar a logística para que nossos clientes possam se concentrar no que fazem de melhor, enquanto nós cuidamos dos aspectos críticos, sensíveis ao tempo e complexos de suas cadeias de suprimentos com precisão e cuidado.”

Seu dono, porém, não se apresenta como empresário. O brasileiro Marcel Anderson Carvalho orgulha-se de ser piloto de avião e de trabalhar como contratado, viajando para lugares como Dubai, Guam, África do Sul, Washington e Califórnia. 

Mas, segundo o MPF de Roraima, ele também participou do esquema, liderado por Cataratas, de extração ilegal de minérios em terra indígena. O roraimense de 35 anos mantém o canal de YouTube “Marcel the Pilot”, onde descreve sua jornada de estudante de dentista até piloto treinado.

Print de vídeo do canal de YouTube “Marcel the Pilot”
Canal de YouTube “Marcel the Pilot”, onde Marcel descreve sua jornada de estudante de dentista até piloto treinado

Nele, Marcel descreve ter trabalhado como instrutor de aviação em uma escola de Boa Vista – Rodrigo Cataratas teve uma escola do tipo – e como, depois, “seu chefe” o convidou a trabalhar pilotando helicópteros em áreas remotas da floresta, incluindo contatos com indígenas isolados. Em algumas cenas, ele aparece ao lado de indígenas Yanomami. Após o trabalho na Amazônia, ele conta ter ido trabalhar em um barco de pesca de atum nas Filipinas.

Aldeia de indígenas yanomami
Marcel relata ter trabalhado como instrutor de aviação e piloto de helicóptero na Amazônia, onde teve contato com indígenas Yanomami

Não há descrição sobre suas atividades comerciais na Flórida. Mas a investigação de Agência Pública e ICIJ conseguiu determinar que ele ficou hospedado no apartamento do Sole Mia entre maio e agosto do ano passado, pouco antes de Ramagem ser acolhido pela família Martins de Mello no mesmo local.

Marcel durante hospedagem no apartamento do Sole Mia
Marcel durante hospedagem no apartamento do Sole Mia

Marcel trabalha com Rodrigo Martins de Mello desde pelo menos 2016, quando seu nome figurava como funcionário da empresa Cataratas Poços Artesianos Ltda, segundo o Ministério Público Federal.

Em 16 de outubro de 2018, Marcel foi flagrado durante um patrulhamento fluvial do Exército no rio Uraricoera, na área do garimpo do Espadim, no interior do território Yanomami. Dois garimpeiros conseguiram fugir, mas Marcel foi detido. Em seu depoimento à polícia, reconheceu ter transportado combustível do município de Amajari (RR) até uma pista de pouso na mata. Marcel declarou à época que era “piloto de avião e helicóptero” e que estava “desempregado”. Ele também disse que havia trabalhado para a Tarp Taxi aéreo – outra empresa de Cataratas – até dois meses antes.

No helicóptero, Marcel carregou seis carotes de combustível, com capacidade de 50 litros cada um. Este tipo de combustível é geralmente transportado por helicóptero até a área de garimpo para fazer funcionar as máquinas necessárias para a extração de ouro e cassiterita. O helicóptero, um Robinson R44 Raven, estava em nome de um “testa de ferro” mas, segundo o MPF, pertencia a Rodrigo Cataratas.

Tanto Marcel quanto seu pai seriam integrantes da organização criminosa liderada por Cataratas, segundo a denúncia oferecida pelo MPF. “Indivíduos responsáveis por realizar e viabilizar a atividade de garimpo ilegal em terras indígenas mediante a operação irregular de aeronaves empenhadas no transporte de pessoas, insumos e minérios, incluindo aquisição, armazenamento e transporte ilícito de combustíveis”. Marcel foi denunciado por transporte de substâncias perigosas sem autorização.

Em agosto, Rodrigo Martins de Mello tornou-se réu em outro processo por liderar uma operação de venda, lavagem e comercialização de ouro e cassiterita proveniente da TI Yanomami que teria movimentado mais de R$ 200 milhões de reais entre 2021 e 2023. O esquema contava com a participação da empresa White Soldier, que fundia a cassiterita e vendia os lingotes de estanho “esquentados” com certificação para o mercado internacional. 

Foi justamente neste período que as empresas Cargo Flow e a X One Charters foram fundadas nos EUA.

A Agência Pública e o ICIJ enviaram questionamentos a Rodrigo Cataratas sobre se ele utilizou dinheiro de garimpo ilegal para obter empresas e imóveis nos EUA, mas não obtiveram respostas.

Marcos Felix Ribeiro, cujo rancho consta como sendo a sede da X One Charter e da Cargo Flow, disse à Pública que montou a empresa Cargo Flow junto a Marcel para vender peças de aviação e maquinário. Segundo ele, a empresa nunca fez nenhuma venda e, por isso, pediu para tirar seu nome da sociedade. Ele afirmou ainda que se desentendeu com o Marcel: “Nunca mais liguei pra ele, nunca mais me ligou”.

Ribeiro afirmou ainda que não sabia do passado do Rodrigo Cataratas nem dos problemas dele no Brasil.

Marcel Carvalho afirmou à reportagem que é residente nos EUA desde 2022 e se mudou para a Flórida depois de se divorciar, onde alugou um quarto em um apartamento desocupado. Ele não esclareceu se o apartamento era de Rodrigo Cataratas, mas afirmou que não mantém “nenhum negócio, sociedade ou vínculo empresarial com Rodrigo Martins de Mello”.

Sobre a Cargo Flow, disse apenas que a correspondência era enviada para o Sole Mia e hoje em dia a sede da empresa é em Orlando. “Quanto à mineração ilegal, não tenho um posicionamento a apresentar sobre o assunto”, completou. 

Casas de luxo e Sole Mia

Cataratas aparece ligado a dez endereços no estado norte-americano desde outubro de 1997. Em 2015, ele adquiriu uma casa de quatro quartos em Boca Ratón, cidade ao norte de Miami conhecida por ter campos de golfe, parques e belas praias. A casa tem dois andares, 250 metros quadrados, quintal, uma piscina coberta e acesso a um lago artificial. Seu valor estimado, hoje, supera os R$ 4 milhões (814 mil dólares). A propriedade pertenceu a Rodrigo Cataratas e à sua ex-esposa, Marcia Phelipe Martins de Mello, até o divórcio do casal. Desde 2021, a propriedade está em nome da ex.

  • Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões
    Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões
  • Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões
    Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões
  • Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões
    Casa em Boca Ratón que pertenceu a Rodrigo Cataratas é avaliada em mais de R$ 4 milhões

Antes disso, o casal esteve ligado a um endereço em um apartamento no norte de Miami e em um predinho residencial em Dade County, outro condado da cidade.

Hoje, Cataratas tem um apartamento de 96 m² no luxuoso condomínio Sole Mia, cujo aluguel mensal gira em torno de R$ 20 mil reais, com um lago artificial de 28 mil metros quadrados, areia e coqueiros plantados ao redor, além de campo de futebol, quadras esportivas, playground, pista de cooper, trilhas para caminhadas e spa. A propriedade é estimada em R$ 1,6 milhão (320 mil dólares).

Foi neste apartamento que Rodrigo Cataratas e sua família hospedaram Ramagem em setembro do ano passado, depois de ajudá-lo a fugir do Brasil pela Guiana. Alexandre Ramagem ficou no apartamento de 11 de setembro até meados de novembro de 2025. Foi lá que recebeu sua esposa, Rebeca Ramagem, e os filhos em 17 de novembro.

Enquanto esteve por lá, o foragido Ramagem contou com a ajuda do filho de Cataratas, Celso, e da esposa do minerador, Priscila Melo, para resolver problemas com o condomínio, conforme revelou a Agência Pública. Celso afirmou em mensagem do WhatsApp ter falsificado um documento de contrato de aluguel para ajudar Ramagem a tirar sua carteira de motorista nos Estados Unidos.

Mas, assim que a estadia de Alexandre Ramagem no Sole Mia foi descoberta pela imprensa, Rodrigo Cataratas fez questão de dissociar-se do seu nome. Uma carta escrita para ser enviada ao condomínio e assinada por ele dizia ter descoberto pela imprensa que Ramagem não podia deixar sair do Brasil e pedia sua saída imediata “para evitar quaisquer problemas para o condomínio ou para mim mesmo”. “Notifique-o IMEDIATAMENTE da minha determinação de que ele deixe minha propriedade. Sinceramente, Rodrigo Martins de Mello”, dizia a carta encontrada no celular da sua então esposa, Priscila Freitas de Melo.

Empresas da família

O rastro empresarial de Rodrigo Martins de Mello nos EUA vem de longe.

Em 2 de abril de 1998, ele registrou a CRM Trading Company em Miami, uma empresa que trabalha com “toda e qualquer finalidade” de acordo com as leis da Flórida. Curiosamente, a empresa tem as iniciais do seu filho primogênito (Celso Rodrigo de Mello) e foi aberta apenas duas semanas antes do seu nascimento. O irmão mais velho de Cataratas, que tem o mesmo nome, Celso Martins de Mello Filho, aparece como “tesoureiro e secretário” da empresa, que foi extinta em setembro do ano seguinte.

Rodrigo de Mello abriu ainda outra empresa com as iniciais do primogênito na Flórida, a CRM Business LLC. A empresa foi aberta em seu nome e da ex-esposa, Marcia Phelipe Martins de Mello, em março de 2015 na cidade de Fort Lauderdale.

Ambos aparecem como gerentes da empresa até 2019, quando Márcia passa a figurar sozinha neste cargo. No mesmo ano, o novo marido de Márcia assumiu a gerência da empresa – ao mesmo tempo em que assumiu também a casa que pertencia a Cataratas em Boca Ratón.

Pouco depois, Márcia e o atual marido estabeleceram 5 fundos “trust”, todos constituídos na Flórida entre abril e junho de 2021 para gerenciar imóveis em diferentes cidades –  Coconut Creek, Boca Ratón, Deerfield Beach. Somadas, as propriedades administradas por esses fundos valem cerca de R$ 7,5 milhões ( 1,5 milhão de dólares).

O filho de Cataratas e Márcia, Celso, é cidadão americano, como fez questão de afirmar o próprio Rodrigo em suas redes sociais. Quando Celso foi preso por ajudar a fuga de Ramagem, Rodrigo Cataratas postou no Reels do Instagram um texto dizendo que a prisão de um cidadão americano “amplia o debate jurídico e diplomático sobre a condução do caso”, e que o consulado foi avisado.

Celso abriu três empresas nos últimos anos nos EUA

Em agosto de 2024, o filho de Cataratas abriu a Engage Financial Strategies no seu endereço na cidade de Coral Springs, onde vivia em uma casa de três quartos avaliada em mais de R$ 3,2 milhões (639.680 dólares). Tanto ele quanto a esposa, Mariana Poerschke de Mello, foram designados como administradores desta empresa, que atualmente consta como “inativa”.

Em janeiro de 2023, Celso abriu outra empresa, inicialmente voltada ao comércio online, a Cool Stuff E-Commerce LLC. Em 7 de junho, o nome da companhia mudou – assim como, aparentemente, o ramo de atividade. Segundo registros oficiais da Flórida, Celso mudou o nome para Demello Demolition LLC.

Outra empresa criada por Celso também leva suas iniciais: CRM Demolition and Construction LLC, fundada em janeiro de 2023. Embora ele tenha pedido a dissolução da empresa apenas seis meses depois por estar inoperante, ela segue “ativa” nos registros oficiais e em 2024, foi registrada uma nova agente para representá-la.

Celso Rodrigo de Mello atualmente vive em Boa Vista com a esposa Mariana, que é influenciadora digital. Nas fotos do casal no Instagram, é possível vê-lo com uma tornozeleira eletrônica, resultado da prisão por ter facilitado a fuga de Ramagem.

Celso, que é sócio do pai em empresas no Brasil, também foi condenado a oito anos de prisão pela mineração ilegal na terra Yanomami.

‘Ameaça direta à segurança nacional’

O estado da Flórida é apontado como um dos destinos favoritos do ouro garimpado ilegalmente da Amazônia.

O secretário de Estado do EUA, Marco Rubio, já chegou a afirmar, quando era senador, que o ouro ilegal vendido em Miami é uma “ameaça direta à segurança nacional”. O combate ao ouro ilegal chegou a ser sua bandeira quando era senador. Em uma audiência no Senado em 2019, ele afirmou que “há um grande custo humano se não conseguirmos controlar este problema” e mencionou as consequências da mineração ilegal: tráfico de pessoas, corrupção, envenenamento por mercúrio, contrabando de drogas, desmatamento da Amazônia e enriquecimento de “poderosos” grupos criminosos.

“Infelizmente, meu país se tornou um grande porto de entrada para esta atividade”, disse, completando que o ouro “é refinado, transformado em joias, colocado nos nossos eletrônicos e então vendido aos consumidores dos EUA – grande parte, se não tudo, irrastreável”. 

A postura combativa anterior de Marco Rubio contrasta com a intervenção do governo de Donald Trump no caso de Alexandre Ramagem.

Ele chegou a ser detido por estar ilegalmente no país, mas foi liberado por pressão do Departamento de Estado dois dias depois, embora o Serviço de Imigração estivesse ciente do apoio recebido do garimpeiro ilegal.

Procurado pela reportagem, o departamento de imigração afirmou que Ramagem segue ilegalmente nos EUA e pode ser deportado e preso, conforme revelamos na quarta-feira (21).

A atuação de Rodrigo Cataratas no garimpo ilegal durante o governo Bolsonaro levou os Yanomami à fome generalizada e à morte de 570 crianças indígenas por causas evitáveis. Seu filho Celso Rodrigo de Mello também foi condenado. Segundo o MPF, as operações de garimpo ilegal geralemnte são feitos por organizações familiares.

Em seu Instagram, Cataratas usa uma foto com Jair Bolsonaro como imagem de perfil com a palavra “anistia”. Em 2022, ele foi candidato a deputado federal pelo PL e declarou, na época, um patrimônio de R$ 33,6 milhões, incluindo dez aeronaves. Este ano ele chegou a anunciar sua candidatura, mas desistiu e se mudou para a Guiana, onde segue fazendo atividades de mineração. Na época, ele pagou um publieditorial no jornal Folha de Boa Vista anunciando que, “com coragem e ação”, estava levando sua retroescavadeira para o país vizinho.

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