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ONU vota pelo fim do embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba

28 October 2026 at 21:51

A Assembleia Geral da ONU pediu, por esmagadora maioria, pelo fim do embargo econômico imposto há décadas pelos Estados Unidos a Cuba, mas uma campanha de pressão dos EUA levou vários países a se oporem à resolução nesta quarta-feira ou a se absterem pela primeira vez em anos.

Os resultados mostraram que 130 nações votaram a favor da resolução, 25 se abstiveram e 17 países, incluindo os EUA e Israel, votaram contra. No ano passado, a votação havia sido de 165 a 7, com 12 abstenções. Vários países ocidentais, incluindo Alemanha e Itália, se abstiveram pela primeira vez em muitos anos.

A votação da ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra Fria. A Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, vem adotando a resolução anualmente há mais de três décadas — exceto em 2020, durante a pandemia da Covid.

“Estou satisfeito por tantos países agora, incluindo grandes economias como a Coreia, a Alemanha e outros, terem mudado sua posição”, disse o enviado dos EUA à ONU, Mike Waltz, aos repórteres após a votação.

“A diplomacia leva tempo, mas agora que o número de países que mudaram de posição triplicou, esperamos que isso só continue a crescer”, disse ele.

As tensões entre as duas nações na ONU se intensificaram antes da votação, incluindo discussões acaloradas entre diplomatas cubanos e norte-americanos na ONU na semana passada, bem como gritos e empurrões no plenário da Assembleia Geral na terça-feira.

Nesta quarta-feira, Waltz acusou um diplomata cubano de “agredir um diplomata norte-americano” durante as discussões de terça-feira, acrescentando que Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da missão de Cuba na ONU, será expulso dos EUA.

“Esse primeiro secretário cubano estará hoje em um avião saindo do país de volta a Havana”, disse Waltz a repórteres na ONU.

A missão de Cuba na ONU não respondeu imediatamente às perguntas sobre a expulsão.

Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo do presidente norte-americano  Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido às Forças Armadas em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou no X, após a votação, que “o governo dos EUA está mais uma vez isolado em sua tentativa de continuar sufocando o povo cubano e submetendo-o a um ato de punição coletiva e genocídio”.

“Nem seus pretextos mais insanos, nem suas pressões, nem o circo midiático prevalecerão sobre a força dos fatos e da verdade”, disse ele.

Os Estados Unidos têm votado contra as resoluções da ONU desde 1992, mas se abstiveram pela primeira vez em 2016, durante o governo do ex-presidente Barack Obama, quando Washington e Havana estreitaram suas relações.

Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado, a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.

No mês passado, Trump afirmou na ONU que Cuba era um Estado falido e que a liberdade chegaria à nação insular.

A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total no mês passado, mergulhando a ilha na escuridão e deixando milhões de pessoas sem energia elétrica.

Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?

Calor extremo causa mais de 500 mil mortes por ano em todo o mundo, aponta relatório internacional

28 October 2026 at 17:05

Um relatório internacional publicado nesta terça-feira (27) aponta que, em média, o calor esteve associado a 540.800 mortes por ano entre 2016 a 2023, das quais 68,4% (369.940) foram atribuídas às mudanças climáticas influenciadas pelo homem. Os dados demonstram ainda que países com baixo IDH (índice de Desenvolvimento Humano) são os locais com as maiores proporções relacionadas aos óbitos.

O levantamento é da Lancet Countdown, iniciativa internacional que monitora as mudanças climáticas e a saúde mundial, publicado na revista The Lancet. Foram analisados dados desde 2016 em meio a 400 referências de estudos internacionais.

Segundo a análise, os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados dos últimos tempos. Ondas de calor são frequentemente associadas as secas extremas que, por sua vez, representam uma ameaça à insegurança alimentar. Em 2025, as secas afetaram 51,8% da superfície mundial.

Paralelo a isso, também houve um aumento da frequência de dias com chuvas intensas, que afetaram 17,2% por ano da superfície terrestre global entre 2016 e 2025. Os temporais oferecem risco de inundações e deslizamentos de terra.

Os cientistas acreditam que o El Niño, considerado um dos mais devastadores das últimas décadas, influencie e agrave cada vez mais a saúde mundial. O fenômeno começou no segundo semestre de 2026 e deve se estender até o começo de 2027.

“Agora, um El Niño severo ameaça agravar os impactos das mudanças climáticas e desencadear crises humanitárias climáticas sem precedentes no mundo todo. Devido às ameaças crescentes na última década, as mudanças climáticas se tornaram uma emergência global de saúde. Enfrentá-la exige correção urgente de rumo para promover ações coordenadas e baseadas em evidências através das fronteiras, a fim de proteger a saúde e a sobrevivência”, aponta o relatório.

Além das mortes por desidratação e insegurança alimentar, o aumento das temperaturas é favorável para a transmissão de doenças como a dengue, visto que o mosquito aedes aegypti (vetor responsável pelo vírus) se reproduz em ambientes mais quentes e úmidos.

Leia também: Mudanças climáticas impulsionam o avanço da dengue no Brasil, aponta estudo | CNN Brasil

Exposição ao calor influencia na perda financeira

De acordo com os pesquisadores, os impactos sobre a saúde associadas ao calor também provocaram efeitos nas condições econômicas mundiais. Em 2025, a exposição ao calor provocou a perda de 573 bilhões de horas potenciais de trabalho, resultando em perdas estimadas em US$ 1,07 trilhão.

Leia também: Análise: calor extremo ganha escala global e pressiona economia | Blogs | CNN Brasil

Emissões precisam cair 18% até 2030 para evitar agravamento da clise climática

Previsões meteorológicas indicam um aumento da temperatura global que deverá atingir o nível crítico de 1,5 °C em 2030. O número soa preocupante uma vez que o Acordo de Paris — assinado em 2015 e que tem como meta a redução das emissões de gases do efeito estufa — previa a redução da temperatura global, com o objetivo de não ultrapassar os 1,5°C acima do período pré-industrial.

Para tentar evitar esse cenário, a ONU indica que são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de gás carbônico ao longo do século.

Segundo a organização, o aumento da temperatura global influencia para o desequilíbrio de estações climáticas, bem como o aumento de ondas de calor. Todos esses fatores influenciam em mais poluição, que por sua vez desencadeia em mortes e doenças.

Leia também: Aquecimento global chegou a 1,37°C em 2025 e deve atingir 1,5°C em 2030 | CNN Brasil

O que deve ser feito?

As duas organizações reconhecem que houve um avanço em energias renováveis e políticas climáticas em diversos países. A transição para uma energia mais limpa evitou cerca de 400.000 mortes em 2023 em comparação com 2016, graças à melhoria da qualidade do ar interno.

Mesmo assim, as medidas adotadas pelos países continuam insuficientes para evitar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população global.

Baseado nos critérios estabelecidos pela ONU, a Lancet apontou seis tópicos que precisam ser analisados e priorizados para evitar impactos catastróficos e que ultrapassem as normas que foram estabelecidas no acordo de Paris.

Veja:

 

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Calor, El Niño e tempestades: veja prognóstico para a primavera de 2026

 

Por que aviões ficam dando voltas antes de pousar? Prática deixa voos mais poluentes e custa mais de US$ 2,3 bilhões para a gestão do tráfego aéreo

27 October 2026 at 13:47

Viajantes frequentes podem estar familiarizados com a experiência de ver seu avião chegando ao aeroporto e se animar com a perspectiva de esticar as pernas e aterrissar em terra firme, só para se verem presos na aeronave enquanto ela circula no céu por um período que parece interminável.

A manobra não é capricho do piloto, nem necessariamente sinal de pane: na maioria das vezes, ocorre por falhas na gestão do tráfego aéreo.

Nesta terça-feira (27), a ONU (Organização das Nações Unidas) compartilhou um plano para mitigar o problema – e ele envolve medidas que a aviação nacional já aplica, mas com restrições.

Por que aviões voam em círculos?

O cenário é chamado de padrão de espera: quando um avião entra em trajetória circular em um ponto fixo do céu enquanto soluciona um problema mecânico, aguarda melhores condições climáticas para seguir viagem ou espera autorização para aterrissar. Em espaços aéreos muito movimentados, esta autorização pode demorar.

O volume de combustível no tanque da aeronave precisa levar em conta esse período; hoje, as normas de transporte aéreo e aviação civil propõem abastecer o suficiente para manter um padrão de espera de até 45 minutos, além do necessário para completar a rota.

Caso a permissão para pouso demore demais e o combustível fique próximo do nível mínimo de segurança, o piloto deve avisar a torre de segurança para receber prioridade na fila ou mudar a rota para outra pista.

Leia Mais:

Quais as consequências dos longos padrões de espera?

Segundo a Icao (Organização da Aviação Civil Internacional) da ONU, as companhias aéreas de todo o mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia; o número total pode chegar a 12,4 bilhões até 2050.

Os céus cada vez mais congestionados significam que qualquer emergência ou tempestade pode causar atrasos em milhares de viagens, prejudicando viações e viajantes, além de empresas que dependem do transporte aéreo para suas cargas.

A Eurocontrol, entidade responsável pela navegação aérea na Europa, afirma que só em 2025 os atrasos custaram mais de US$ 2,3 bilhões no continente.

Como solucionar?

A proposta da ONU é baseada nos semáforos de trânsito. O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, faz uma comparação com o transporte sobre rodas.

“Se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”, afirma. “Se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente.”

Para ele, o mesmo acontece no tráfego aéreo. A solução começaria, então, na origem do trajeto: o aeroporto de partida.

Se um aeroporto sabe que não pode mais receber aeronaves por um determinado período, emite um sinal para que os aviões não pousem. O que deveria acontecer, segundo o representante da Icao, é coordenar com outros aeroportos para que atrasem as decolagens de voos que têm como destino pistas já lotadas.

A proposta parte do princípio de que voos com decolagem atrasada não emitem mais gases de efeito estufa nem queimam mais combustível, como ocorre quando um pouso é suspenso.

Testes deste modelo com apoio da Icao no continente americano já “pouparam mais de 265 mil minutos de tempo de voo em 2026 e mais de US$ 38,9 milhões”, diz a entidade. Também economizaram “cerca de 13.330 toneladas de combustível e evitaram a emissão de 42.160 toneladas de dióxido de carbono, contribuindo para a meta de emissões líquidas zero de carbono na aviação internacional até 2050”.

Sistema não é novidade, mas implementação é parcial

Salazar afirma que Brasil e Colômbia, além de países fora das Américas, já usam este sistema em voos nacionais. Mas os benefícios são limitados pela falta de comunicação entre sistemas de voo internacionais.

Atualmente, muitas informações de tráfego aéreo não são trocadas entre diferentes países “por falta de vontade ou de meios para transmiti-las em tempo real”, diz o secretário. Um voo da Europa para a Oceania, no exemplo selecionado por ele, exigiria a coordenação entre quatro ou cinco regiões.

Outro empecilho é o uso do espaço aéreo em zonas de conflito. Drones e mísseis lançados entre países obrigam companhias aéreas a desviar suas rotas, tornando os trajetos menos previsíveis.

 *Publicado por Juliana Santos.

Gases de efeito estufa batem novo recorde e aumentam aquecimento global, aponta ONU

27 October 2026 at 10:50

A concentração dos principais gases de efeito estufa na atmosfera voltou a quebrar recordes históricos em 2025. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (27) pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência vinculada à ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo o 22º Boletim de Gases de Efeito Estufa, o acúmulo contínuo de poluição atmosférica garante a manutenção do aquecimento global por décadas e até séculos. Os dados revelam que os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados na história. 

CO₂ atinge marca histórica

O dióxido de carbono (CO₂), principal gás estufa de origem humana e responsável por cerca de 66% do efeito de aquecimento provocado por gases de longa duração, alcançou a média global de 426,8 ppm (partes por milhão) na superfície em 2025.

O valor representa 153% dos níveis pré-industriais, período anterior a 1750, quando a concentração era de 278,3 ppm.

A taxa de crescimento do CO₂ acelerou significativamente ao longo das últimas décadas, triplicando desde os anos 1960. Entre 2024 e 2025, a elevação foi de 2,8 ppm. Embora o avanço tenha sido inferior ao salto verificado no período 2023-2024 (3,6 ppm), ele permaneceu acima da média anual da última década (2,63 por ppm por ano).

De acordo com a cientista sênior da OMM, Oskana Tarasova, a desaceleração relativa em 2025 refletiu a recuperação dos sumidouros terrestres de carbono e a diminuição das queimadas após o enfraquecimento do fenômeno El Niño.

No entanto, ela ressalta que o avanço de 2,8 ppm representa uma adição substancial de carbono decorrente da queima de combustíveis fósseis. 

Alta preocupante

Os outros dois principais gases de efeito estufa vinculados às atividades humanas também registraram marcas inéditas em 2025.

O metano (CH₄) atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb), equivalente a 267% do nível pré-industrial. O gás é responsável por cerca de 16% do forçamento radiativo. Cerca de 65% das emissões de metano vêm de fontes antrópicas como pecuária, cultivo de arroz, combustíveis fósseis e aterros, e 35% de fontes naturais. 

Análises isotópicas apontaram que incêndios florestais na América do Norte e na Amazônia em 2023-2024 impactaram significativamente o orçamento do gás.

Já o óxido nitroso (N₂O) chegou a 339,1 ppb, o que representa 126% do nível pré-industrial. O N₂O responde por 6% do efeito de aquecimento dos gases de longa duração. Cerca de 35% de suas emissões decorrem da ação humana, com destaque para o uso de fertilizantes nitrogenadas na agricultura. 

Conforme o ìndice Anueal de Gases de Efeito Estufa (AGGI) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), o efeito de aquecimento acumulado por todos os gases de longa duração aumentou 56% entre 1990 e 2025, com o CO₂ sendo o causador direto de aproximadamente 81% desse aumento.

Alerta para gases de transição energética

O relatório da OMM faz um alerta específico sobre dois gases diretamente ligados à infraestrutura e à eletricidade.

O hexafluoreto de enxofre (SF₆), usado como isolante elétrico em equipamentos de alta voltagem, registrou em 2025 o maior aumento anual da história, atingindo 12,24 ppt, um salto de 249% em três décadas.

O SF₆ possui o maior potencial de aquecimento global em 100 anos e vida útil superior a 1.000 anos na atmosfera.

O hidrogênio (H₂), embora não seja um gás de efeito estufa direto, altera a química atmosférica e estenda a vida do metano. Sua concentração subiu 5,3% entre 2010 e 2024 (de 532 ppb para 560 ppb).

A OMM destaca que vazamentos no transporte e armazenamento de hidrogênio podem comprometer parte dos benefícios climáticos da transição energética se não forem controlados. 

Rússia comete crimes contra humanidade ao atacar civis na Ucrânia, diz ONU

26 October 2026 at 22:41

A Rússia está cometendo crimes de guerra e contra a humanidade ao atacar intencionalmente a infraestrutura civil — incluindo sistemas de energia vitais — na Ucrânia, afirmou um painel independente de investigação da ONU nesta segunda-feira (26).

As forças russas têm visado a infraestrutura energética ucraniana desde os primeiros meses da guerra, em 2022, e intensificaram drasticamente esses ataques no início do inverno do ano passado, deixando milhões de ucranianos passando frio na escuridão de suas casas.

Um novo relatório, publicado nesta segunda-feira pela Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia e compartilhado com a CNN, afirma que esses ataques “foram realizados com intenção” e estão alinhados a uma “política de Estado” russa de “privar a população civil de suprimentos energéticos essenciais e causar sofrimento”.

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“Os comandantes russos que ordenaram esses ataques sabiam que as instalações de aquecimento que visavam eram indispensáveis ​​para a população civil, especialmente durante o inverno”, diz o relatório, que está sendo submetido à Assembleia Geral da ONU.

A CNN entrou em contato com o Kremlin para solicitar um comentário.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que o relatório “confirma o que os ucranianos vivenciam há anos: os ataques sistemáticos da Rússia à infraestrutura energética civil constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

Em uma publicação na rede social X, Sybiha declarou que a Rússia “privou deliberadamente milhões de pessoas de eletricidade, aquecimento e água, transformando o frio e a escuridão em instrumentos de guerra”.

Segundo Kiev, ataques russos em larga escala com drones e mísseis, ocorridos no inverno passado, reduziram a capacidade de geração de energia térmica da Ucrânia em 70% nas áreas mais afetadas. O sofrimento foi agravado por um inverno excepcionalmente rigoroso, com temperaturas chegando a -30 graus Celsius em diversas ocasiões.

A comissão foi estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU poucos dias após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Anteriormente, o grupo já havia relatado outros aspectos da guerra da Rússia contra a Ucrânia, incluindo alegações de violência sexual e de gênero cometidas pelas forças armadas russas, bem como a deportação forçada em larga escala de crianças ucranianas pelas autoridades russas.

Neste relatório mais recente, a comissão descreve os impactos graves da exposição prolongada ao frio sobre os civis ucranianos, afirmando que as autoridades médicas do país documentaram mortes causadas pelas baixas temperaturas em residências e até mesmo em hospitais.

“Profissionais de saúde relataram que, durante o último inverno, atenderam pacientes que sofreram traumas relacionados ao frio, incluindo diversos graus de congelamento e hipotermia. Os pacientes desenvolveram essas condições em suas próprias casas, devido à exposição a ambientes sem aquecimento, e precisaram ser hospitalizados”, diz o relatório.

O documento cita uma civil que vive em Dnipro, a quarta maior cidade da Ucrânia, descrevendo o impacto que os ataques russos tiveram sobre ela: “O frio — ele te paralisa; simplesmente não há como se aquecer, e pensamentos aterrorizantes surgem na sua mente”, relatou.

Responsabilizando Putin e outros

O relatório da comissão da ONU aponta várias autoridades russas de alto escalão como as principais responsáveis ​​pelo que classifica como “crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

O texto afirma que o presidente russo, Vladimir Putin, fez diversas “declarações referentes a instruções para realizar ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia”.

O relatório alega ainda que evidências coletadas ao longo dos últimos anos indicam que o ex-ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, e seu sucessor, Andrey Belousov — assim como o chefe do Estado-Maior General, Valery Gerasimov —, foram responsáveis ​​pelo planejamento e pela supervisão desses ataques.

O Tribunal Penal Internacional já havia emitido mandados de prisão contra Putin, Shoigu e Gerasimov por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Com a chegada do tempo mais frio à Ucrânia, a Rússia deixou claro que pretende continuar a aterrorizar seu país vizinho.

Na noite desta segunda-feira, mísseis balísticos russos atingiram o campus de uma universidade em Kiev, bem como áreas próximas, incluindo as imediações de uma estação de metrô e edifícios residenciais, informou Zelensky em seu pronunciamento noturno. Operações de resgate estão em andamento, com relatos de pessoas presas sob os escombros, acrescentou.

“Os mísseis atingiram áreas muito movimentadas, onde não existe nenhuma instalação militar”, disse o presidente ucraniano. “Foi um ataque direto contra a cidade e sua infraestrutura.” O relatório menciona uma declaração feita pelo Ministério da Defesa da Rússia em agosto, que anunciou ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia e afirmou: “No inverno, vocês vão congelar”.

A Ucrânia enfrenta dificuldades crescentes para se defender contra esses ataques em larga escala, devido a uma escassez crítica de mísseis de defesa aérea. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem feito apelos repetidos aos aliados ocidentais de Kiev por mais munição, destacando, em particular, a chegada do inverno como uma grande preocupação.

Kiev vinha atacando a infraestrutura de petróleo e gás da Rússia, em um esforço para prejudicar as receitas do Kremlin provenientes das exportações de energia. No entanto, a Ucrânia reduziu esses ataques após críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que culpou o país pela alta nos preços dos combustíveis.

“Tráfico de pessoas”

O relatório divulgado nesta segunda-feira também investigou os métodos da Rússia para recrutar cidadãos estrangeiros para servir em suas forças armadas, concluindo que tais práticas constituem violações dos direitos humanos e tráfico de pessoas.

A CNN relatou extensivamente como a Rússia utiliza o engano, o suborno e a chantagem para atrair estrangeiros para suas forças militares. Pessoas de diversos países da África, da Índia e da América Latina relataram ter recebido promessas de emprego na Rússia, apenas para se verem, na realidade, nas linhas de frente do combate.

A comissão afirmou ter encontrado “provas contundentes” de que as autoridades russas, em colaboração com agentes, “traficaram pessoas de 29 países, recorrendo ao engano ou à coerção, para recrutá-las para as forças armadas russas”.

O documento aponta que o fato de a Rússia ter empregado as mesmas táticas para recrutar indivíduos de vários países “demonstra um alto grau de coordenação entre agentes que operam ao redor do mundo e as autoridades russas”.

“Os pagamentos e bônus prometidos eram, em geral, desviados pelos agentes recrutadores e comandantes militares; passaportes e telefones eram frequentemente confiscados, e o contato entre os recrutas e suas famílias era interrompido assim que eles eram enviados para o front.”

O relatório conclui que a Rússia violou os direitos humanos fundamentais dos recrutas, incluindo o direito à vida, à liberdade, à saúde e a um tratamento humano.

A comissão também investigou o recrutamento de cidadãos estrangeiros pelas forças armadas da Ucrânia.

Segundo o órgão, os depoimentos coletados indicam que aqueles que ingressaram nas forças armadas ucranianas “o fizeram de forma consciente e voluntária”, compreendendo os contratos que assinavam e recebendo salários.

Inquérito da ONU afirma que Israel continuou genocídio em Gaza após trégua

26 October 2026 at 22:13

A comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou, em um relatório publicado nesta segunda-feira (26) que Israel continuou cometendo genocídio em Gaza após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro do ano passado.

O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel examinou as violações contra crianças palestinas do início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023, até setembro deste ano.

O relatório afirma que as autoridades israelenses continuaram cometendo “atos genocidas com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em Gaza”, e que a situação também continuou se deteriorando na Cisjordânia ocupada.

Outro relatório da comissão, divulgado em setembro do ano passado, concluiu que Israel havia cometido genocídio em Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, incitaram esses atos — acusações que Israel considerou escandalosas.

A missão israelense em Genebra afirmou que o último relatório faz parte de uma campanha de desinformação para demonizar o Estado de Israel.

“A tentativa de destruir o Estado judeu… continua até hoje por meio de esforços de atores como a Comissão de Inquérito da ONU para minar a legitimidade de Israel e negar seu direito fundamental de existir e se defender”, afirmou o embaixador Daniel Meron em comunicado.

Munição pesada

A comissão constatou que as forças israelenses continuaram usando munições pesadas, drones, quadricópteros, artilharia e tiros de atiradores em áreas densamente povoadas durante o cessar-fogo em Gaza.

Segundo a comissão, a “Linha Amarela” — apresentada como uma demarcação temporária do cessar-fogo — está se estendendo cada vez mais para dentro de Gaza, tornando-se uma fronteira de fato, o que, segundo o relatório, reflete a expansão do controle territorial de Israel sobre Gaza.

Autoridades palestinas afirmam que mais de 74 mil pessoas foram mortas nos ataques de Israel a Gaza, iniciado após combatentes liderados pelo Hamas matarem cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023.

Em seu relatório ao Conselho de Segurança da ONU, a comissão afirmou que a situação na Cisjordânia também se deteriorou drasticamente, com o número de palestinos mortos em ataques aéreos aumentando de seis entre 2008 e 6 de outubro de 2023 para 254 entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026.

O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que o assassinato intencional de civis palestinos e a destruição de residências na Cisjordânia fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos.

Operações militares desde janeiro de 2025 levaram ao maior deslocamento de palestinos na Cisjordânia desde 1967, com 34.176 palestinos ainda deslocados em agosto de 2026, segundo o relatório.

A comissão também criticou a Autoridade Palestina, afirmando que ela havia perseguido palestinos que expressavam opiniões divergentes e que jornalistas e defensores dos direitos humanos haviam sido mortos e feridos.

Comissão da ONU aponta genocídio em Gaza com ataques de Israel a crianças

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