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Trump diz que Lula pediu que ele não tomasse partido na eleição brasileira

29 October 2026 at 15:12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer que as eleições brasileiras foram uma vergonha nesta quinta-feira (29) depois de duas declarações semelhantes nos últimos dias, e que não tomou partido durante a campanha a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O país até agora não parabenizou ou reconheceu oficialmente a vitória de Lula à reeleição.

Trump disse que achou a eleição “uma grande vergonha para o povo do Brasil”, mas que conversará com o petista em breve.

“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente, o atual presidente [Lula]”, afirmou ele ao ser questionado por jornalistas. “Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça. Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil.”

Não interferência

O presidente Lula disse, em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour em setembro, que Donald Trump o comunicou que não pretende interferir nas eleições do Brasil.

“Ele [Donald Trump] já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim. É bom que seja assim”, destacou Lula. “É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento”, acrescentou.

“As eleições dos Estados Unidos é um problema do povo americano. Quem ganha é ela e quem perde é ela. As eleições do Brasil é um problema do Brasil. Quem ganha é ela e quem perde é ela”, prosseguiu.

O chefe do Planalto relatou ter pedido que Trump não interferisse no pleito de outubro pra não acabar com a relação “sofisticada” entre o Brasil e os EUA.

“Eu já disse ao presidente Trump, é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, disse Lula.

“É muito importante, porque nós temos uma relação diplomática de 203 anos, é uma relação muito sólida e o Brasil não é um país anti-americanista. O Brasil tem uma relação muito sofisticada com os Estados Unidos. E eu já disse, é importante que vocês não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”, continuou.

Em relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou sobre possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito de outubro. A chance de interferência, segundo a agência, aumentou para um “nível de criticidade”.

O relatório cita documentos do governo norte-americano entre novembro de 2025 e maio de 2026. Conforme a Abin, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.

Em atualização*

Netanyahu intensifica ataques a partidos árabes sob risco de perder poder

29 October 2026 at 14:47

Benjamin Netanyahu alegou nesta quinta-feira (29), sem apresentar provas, que o crescimento recorde dos partidos árabes nas eleições desta semana foi impulsionado, em parte, por fraude eleitoral. Líderes árabes rejeitaram a acusação e acusaram o primeiro-ministro de incitação.

A acusação representa uma intensificação da retórica antiárabe de Netanyahu e de seus aliados de extrema direita após a alta participação da população árabe na votação nacional de terça-feira, que, na prática, impediu tanto o primeiro-ministro quanto seus principais rivais judeus de chegar facilmente ao poder.

Autoridades eleitorais israelenses afirmaram nesta quinta-feira que há uma investigação sobre as suspeitas de fraude, mas disseram que a integridade da eleição não foi “comprometida de forma sistemática”.

Analistas e críticos afirmam que, ao intensificar os ataques aos partidos árabes, Netanyahu pode estar tentando fazer com que seu principal rival, Gadi Eisenkot, se sinta impedido até mesmo de considerar a formação de um governo minoritário com apoio árabe que poderia tirá-lo do poder.

O objetivo de Netanyahu é “deslegitimar qualquer cooperação entre árabes e judeus”, afirmou Eytan Gilboa, professor de política da Universidade Reichman.

As autoridades eleitorais deveriam concluir a apuração dos votos ainda nesta quinta-feira. A eleição, marcada por uma disputa acirrada, não produziu um vencedor claro e deve ser seguida por semanas de negociações prolongadas para a formação de um novo governo.

Com quase 93% dos votos apurados, o bloco nacionalista-religioso de Netanyahu tinha uma pequena vantagem em número de cadeiras sobre o bloco de partidos de direita e centro-esquerda liderado por Eisenkot. As coalizões dos dois candidatos, porém, estavam abaixo das 61 cadeiras necessárias para conquistar a maioria no Parlamento.

Os partidos que representam a minoria árabe de Israel, que corresponde a 21% da população, deveriam conquistar um número sem precedentes de 19 cadeiras. Com isso, o bloco de Eisenkot, com 48 assentos, contra 53 do grupo de Netanyahu, não teria um caminho viável para chegar ao poder sem amplo apoio árabe — uma possibilidade que Eisenkot até agora descartou.

O grupo de Eisenkot também poderia, no entanto, tentar formar um governo minoritário com apoio externo dos partidos árabes, sem incluí-los formalmente na coalizão governista.

Netanyahu acusa partidos árabes de fraude; partidos árabes denunciam incitação

Ahmad Tibi, um dos líderes da Lista Conjunta, partido árabe, afirmou que Netanyahu conduz uma campanha coordenada e tóxica destinada a enfraquecer os resultados eleitorais.

“Esta campanha inteira é dirigida contra Eisenkot, para impedi-lo, intimidá-lo e assustá-lo, afastando-o da possibilidade de formar um governo que dependa do apoio externo da Lista Conjunta ou do Ra’am”, disse Tibi à Reuters.

Durante e após a votação de terça-feira, Netanyahu e seus aliados alertaram contra o aumento da participação dos eleitores árabes. O Likud, partido de direita do primeiro-ministro, divulgou comunicados acusando os partidos árabes de “roubar a eleição”.

A legenda exigiu que a polícia e o Shin Bet, serviço de inteligência interna de Israel, investigassem episódios suspeitos de compra de votos e intimidação em seções eleitorais de cidades árabes. O partido afirmou possuir provas dessas práticas, mas não as apresentou publicamente.

A polícia informou que pelo menos sete pessoas foram presas desde terça-feira no sul de Israel, região onde vivem muitos árabes, sob suspeita de fraude eleitoral. A emissora pública israelense Kan informou que elas eram suspeitas de tentar subornar eleitores para que votassem no Ra’am, partido de predominância árabe com raízes islâmicas.

Nesta quinta-feira, o presidente do Comitê Central Eleitoral de Israel, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, afirmou ter solicitado ao Shin Bet que investigasse suspeitas de que agentes estrangeiros não identificados tentaram interferir na eleição.

O Likud aproveitou a solicitação de Sohlberg para denunciar um ataque à democracia israelense, uma “islamização de Israel” e uma tentativa de derrubar a direita para provocar a retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) e uma derrota em todas as frentes, principalmente contra o Irã.

O Likud afirmou que o Catar estava por trás da suposta interferência eleitoral. O governo catariano negou posteriormente a acusação.

Mansour Abbas, líder do Ra’am, afirmou nesta quinta-feira que seu partido não esteve envolvido nas condutas suspeitas relatadas e pediu uma investigação completa. Ele acusou Netanyahu de conduzir uma campanha de incitação contra os cidadãos árabes de Israel.

“Temos uma mensagem em resposta à campanha de incitação e deslegitimação que ele está promovendo contra os cidadãos árabes: nada resultará disso, porque não há nada que justifique essas acusações”, afirmou Abbas em comunicado.

Em uma carta enviada a um parlamentar e divulgada pelo Comitê Central Eleitoral, o órgão afirmou que “não há fundamento para alegações de que a integridade da eleição tenha sido prejudicada de forma sistemática”.

Presidente de Israel: “Não devemos macular uma comunidade inteira”

Após a conclusão da apuração, o presidente Isaac Herzog consultará os líderes dos partidos e escolherá o candidato que considerar ter as melhores chances de formar um governo.

A coalizão que derrubou Netanyahu em 2021 dependia do apoio do Ra’am, de Abbas. Mas o desempenho abaixo do esperado de Eisenkot significa que a oposição agora precisaria do apoio da Lista Conjunta, dominada por partidos árabes e que inclui uma legenda explicitamente antissionista. Desde a fundação de Israel, a maioria dos líderes judeus evita alianças formais com partidos árabes.

Eisenkot pediu uma investigação que proteja a integridade eleitoral, mas afirmou que Netanyahu está explorando as suspeitas para “espalhar o caos”.

Em comunicado, disse que o objetivo de Netanyahu é “contestar os resultados oficiais das eleições, nas quais a população israelense votou contra o governo”.

Herzog afirmou que as alegações devem ser investigadas.

“Mas, mesmo em um momento como este, não devemos macular uma comunidade inteira que buscou exercer seu direito ao voto e participar ativamente da democracia”, declarou o presidente em um comunicado.

Quem é Benjamin Netanyahu, político israelense?

Menina de 8 anos fica ferida após ataque de lobo em zoológico alemão

29 October 2026 at 12:11

Uma menina de 8 anos foi hospitalizada com ferimentos graves após ser atacada por um lobo dentro do recinto de um zoológico na Alemanha.

A menina estava com outras duas crianças e um funcionário quando pelo menos um lobo a atacou na manhã de quarta-feira no Parque de Vida Selvagem Johannismühle, ao sul de Berlim, informou a polícia em um comunicado divulgado no mesmo dia.

O local estava promovendo um evento especial para crianças no momento do incidente, segundo a agência de notícias Associated Press (AP), que citou autoridades do distrito de Teltow-Fläming.

O tratador de animais interveio antes que as outras duas meninas, que estavam no recinto dos lobos-do-ártico, fossem atacadas, de acordo com a AP.

A menina ferida foi transportada de helicóptero para o hospital, enquanto as outras duas aparentemente não sofreram ferimentos, informou a polícia, que investiga o caso.

Segundo o site do zoológico, o local permanecerá fechado até pelo menos 2 de novembro.

O ataque é o mais recente de uma série de incidentes envolvendo animais em cativeiro que ganharam destaque nos últimos meses.

Um tratador de animais na Holanda morreu na terça-feira, três dias depois de ser atacado por um leopardo no parque de safári onde trabalhava.

No início deste mês, um homem morreu após ser atacado por um tigre ao entrar no recinto do animal em um parque de vida selvagem no Reino Unido.

Em setembro, um tratador de tigres ligado a Joe Exotic, conhecido pela série Tiger King, morreu após ser atacado por um dos felinos na reserva de animais em Oklahoma onde trabalhava.

Enquanto isso, uma mulher foi mordida por um lobo em uma área comercial de Hamburgo no início deste ano, informou a AP, citando autoridades. Acredita-se que tenha sido o primeiro ataque desse tipo desde o retorno dos lobos à Alemanha, em 1998.

Ataque russo com drone a estação ferroviária deixa 13 mortos na Ucrânia

29 October 2026 at 11:16

Um drone russo matou 13 pessoas na principal estação ferroviária da cidade ucraniana de Dnipro, atingindo uma plataforma lotada de pessoas que embarcavam em um trem, segundo autoridades.

A empresa ferroviária estatal, Ukrzaliznytsia, informou que um drone a jato atingiu uma plataforma onde um trem suburbano se preparava para partir com destino à cidade vizinha de Zaporizhzhia, no sul do país.

O governador regional Oleksandr Hanzha disse em uma postagem no Telegram que pelo menos mais cinco pessoas ficaram feridas.

“Apesar do alerta de risco elevado, havia pessoas na plataforma”, informou a Ukrzaliznytsia, acrescentando que equipes de resgate estavam no local.

“Muitas pessoas morreram. Muitas ficaram feridas”, escreveu o prefeito de Dnipro, Borys Filatov, no Telegram.

Análise: Tensões entre Trump e Zelensky ameaçam apoio dos EUA à Ucrânia

Assessor de Milei ajudou a organizar fuga de Flávio Bolsonaro, diz jornal

29 October 2026 at 10:22

Uma reportagem do jornal argentino Clarín revela que Santiago Caputo, importante assessor do presidente Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na mesma noite em que o candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fugiu do Brasil pela fronteira.

Na terça-feira (27), Flávio e a família embarcaram em um voo particular no aeroporto da cidade com destino a Miami, nos Estados Unidos. Eles chegaram no destino final na manhã seguinte, depois de uma escala no Equador.

Caputo não possui cargo formal no governo, mas mantém comunicação direta com representantes da Casa Branca ligados ao presidente americano Donald Trump. Ele também representa o grupo digital Las Fuerzas del Cielo.

Segundo fontes da Casa Rosada ouvidas pelo Clarín, o assessor monitorou a operação desde o início, “quando empresas ligadas à Embaixada dos Estados Unidos contrataram um voo com a companhia argentina Baires Fly.”

Caputo saiu de Buenos Aires em direção a Puerto Iguazú em um voo comercial, acompanhado da equipe. “Do terminal, acompanhou cada etapa da operação para garantir o transporte da família Bolsonaro, com uma preocupação central: impedir que fotos ou vídeos do que acontecia no local fossem divulgados.”

Reportagem do Clarín revela envolvimento de assessor de Milei com fuga de Flávio Bolsonaro
Reportagem do Clarín revela envolvimento de assessor de Milei com fuga de Flávio Bolsonaro • Reprodução/Clarín/Foto de Maxi Failla

Como tudo começou

Na manhã da terça-feira (27), o portal Infobae divulgou a foto do jatinho de luxo Gulfstream G400 parado na pista do aeroporto da cidade, que posteriormente se confirmou como o mesmo em que decolou o senador.

Na noite do mesmo dia, por volta das 23h, jornalistas de emissoras locais, como a TN, afiliada da CNN, registraram a chegada de uma van com placa brasileira e vidros escuros, acompanhada de escolta e em alta velocidade.

Fuga de Flávio Bolsonaro - Van do Brasil com escolta foi vista em aeroporto argentino
Fuga de Flávio Bolsonaro – Van do Brasil com escolta foi vista em aeroporto argentino • Reproduçao/TN

O Clarín ainda mostra que a presença de Caputo ficou registrada em documentos policiais durante uma fiscalização de rotina às 2h50 da quarta-feira (29).

“Na ocasião, duas caminhonetes pertencentes à Entidade Binacional Yacyretá foram identificadas enquanto circulavam pela rodovia 12, na província argentina de Misiones. O assessor presidencial estava em um dos veículos.”

Ao longo de dois dias, Caputo fez diversas publicações nas redes sociais debochando da cobertura da imprensa.

“Todos escrevem rumores baseados em rumores. Que papelão os meios argentinos” disse ele na terça-feira (27), quando o paradeiro de Flávio era desconhecido.

Enquanto veículos internacionais e brasileiros afirmavam que ele já estava nos Estados Unidos, com base em relatos de aliados e figuras do governo americano, televisões argentinas apostavam que o Gulfstream esperava pelo embarque do senador.

Caputo reforçou a crítica no dia seguinte, após a confirmação de que o ex-candidato, na verdade, havia fugido pela Argentina naquela madrugada.

“A cobertura do dia de hoje deve ter sido provavelmente um dos maiores papelões da história. Disseram tudo com o mesmo nível de certeza e animosidade. Em todas as partes do mundo. Não sei quem passou a perna neles, mas toda minha admiração.”

La cobertura periodística del día de hoy debe haber sido probablemente uno de los papelones más grandes del periodismo mundial de la historia. Dijeron cualquier cosa. Se desdijeron. Lo volvieron a decir. Todo con el mismo nivel de certeza y animosidad. En todas partes del mundo. No sé quien es el que los sacó a pasear en chota pero toda mi admiración.

— Santi C. (@slcaputo) October 28, 2026

A matéria do Clarín também reforça o envolvimento de autoridades dos governos da Argentina e dos Estados Unidos para tirar Flávio Bolsonaro do Brasil apenas dois dias depois do segundo turno das eleições em que perdeu para o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Fontes da Casa Rosada afirmaram aos jornalistas que autoridades brasileiras também estavam a par da movimentação.

Ainda não está claro como Flávio Bolsonaro chegou a Foz de Iguaçu para cruzar a fronteira com a Argentina.

Ele entrou no país usando seu passaporte italiano – um dos três que possuía, além do brasileiro e do diplomático.

Na noite de domingo (25), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a apreensão dos documentos de Flávio, atendendo a um pedido da PF (Polícia Federal)

Ele chegou a ser intimado ainda em Brasília depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Após divulgar nas redes sociais a ordem de Moraes, afirmando que cumpriria a decisão, o senador ficou em silêncio nas redes sociais, cortou o contato com políticos de seu partido e só apareceu em público novamente ao desembarcar em Miami na manhã de quarta-feira.

Israel: Netanyahu deve permanecer como interino após eleição inconclusiva

29 October 2026 at 09:32

Benjamin Netanyahu parecia destinado a permanecer como primeiro-ministro interino de Israel depois que um apoio inesperadamente forte entre os eleitores judeus deixou seus oponentes com poucas perspectivas aparentes de destituí-lo, apesar de seu bloco de direita ter perdido a maioria parlamentar.

Com mais de 90% das urnas apuradas, as três principais emissoras de Israel projetaram que o bloco de Netanyahu, formado por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, conquistaria 53 cadeiras no Knesset, de 120 cadeiras, bem à frente das 48 do bloco de oposição do rival Gadi Eisenkot.

Os partidos que representam os árabes israelenses deveriam conquistar 19 cadeiras — um número sem precedentes —, deixando a Eisenkot poucas chances realistas de chegar ao poder sem o amplo apoio desses grupos, o que muitos líderes políticos judeus rejeitam.

Os resultados ainda podem mudar à medida que a contagem continua, mas o bloco de Eisenkot, formado por partidos anti-Netanyahu — que vão da centro-esquerda à direita —, ficou aquém das pesquisas pré-eleitorais, que previam uma disputa acirrada.

Netanyahu permaneceria como primeiro-ministro interino durante quaisquer negociações de coalizão e, potencialmente, até uma nova eleição no ano que vem. Embora um governo interino enfrente algumas restrições, especialistas afirmam que ele mantém poderes, inclusive sobre a guerra com o Irã.

Guy Lurie, pesquisador do Instituto da Democracia de Israel, afirmou que um governo interino tem formalmente os mesmos poderes que um governo regular, mas também “um dever de moderação” e menos discricionariedade em algumas áreas.

Luta pela segurança

Netanyahu, dirigindo-se aos fiéis de seu partido, o Likud, após as 3h da manhã (horário local), pediu a formação de “um governo nacional forte e de direita”.

Ele destacou os sucessos militares de Israel e levantou a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã ao lado de seu aliado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que os dois países tinham uma “oportunidade histórica única” de eliminar o que chamou de ameaça iraniana “de uma vez por todas”.

Trump, que havia exortado os eleitores israelenses a manterem Netanyahu no poder para que os dois líderes pudessem “concluir o trabalho” no Irã, disse que Netanyahu se saiu “muito bem” e afirmou que seu apoio “o ajudou muito”.

A eleição em Israel repercutiu no restante do Oriente Médio.

Em Teerã, faixas com imagens do líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, lembraram aos iranianos os ataques dos EUA e de Israel lançados em fevereiro, que deram início à guerra. Logo à direita, havia um cartaz do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que foi morto por ordem de Netanyahu no Líbano.

“Eu realmente vejo a possibilidade de um ataque”, disse Abdollah Karimi, cidadão iraniano de 50 anos.

A frustração também era palpável no Egito, o primeiro país árabe a firmar paz com Israel em 1979.

Outhman Selim, um advogado de 62 anos, disse que suas esperanças de que uma derrota de Netanyahu afastasse o país da extrema-direita haviam sido frustradas.

Eisenkot reconheceu que Netanyahu continua como primeiro-ministro interino, mas alertou que ele poderia usar a segurança para fins políticos.

“Apelo aos chefes das forças de segurança e do serviço público: Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”, disse ele. “Mantenham-se firmes diante de qualquer tentativa de desafiá-los.”

O gabinete de Netanyahu já havia rejeitado acusações de que ele estaria usando o conflito com o Irã para obter ganhos políticos e não respondeu imediatamente a um pedido de comentário nesta quarta-feira.

A perspectiva de um governo interino sem maioria parlamentar pesou sobre os mercados israelenses. O shekel se desvalorizou cerca de 1,6%. Os principais índices de referência da bolsa de Tel Aviv caíram mais de 3% .

Mudança decisiva

O resultado ressaltou a guinada para a direita entre os judeus israelenses durante os anos em que Netanyahu foi a figura política dominante do país. A centro-esquerda, que dominou Israel durante a primeira metade de sua história, foi reduzida a uma pequena minoria.

Quase todos os partidos judeus agora compartilham da rejeição de Netanyahu a um eventual Estado palestino independente, base dos esforços de paz endossados internacionalmente desde a década de 1990.

A eleição foi a primeira em Israel desde que combatentes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns em ataques ocorridos em 7 de outubro de 2023, que mergulharam o país em guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

A guerra em Gaza, que arrasou o território e matou 74 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza, deixou Israel cada vez mais isolado no cenário mundial.

O próprio Netanyahu é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, em Haia, por acusações de crimes de guerra que ele considera absurdas, e enfrenta acusações de corrupção em Israel que rejeita como uma conspiração do establishment.

A participação eleitoral chegou a 77,7%, a mais alta em mais de duas décadas, e foi particularmente alta entre os israelenses de ascendência palestina, que representam mais de um quinto da população. Muitos foram motivados pelo que consideram racismo aberto por parte do gabinete de Netanyahu, que inclui um líder partidário condenado por incitar o ódio racial contra os árabes.

A sede da Lista Conjunta, uma aliança de vários partidos árabes, explodiu em assobios e aplausos quando as pesquisas de boca de urna foram divulgadas. “Rejeitamos a ocupação e o racismo, e permaneceremos aqui”, disse a candidata da Lista Conjunta Faten Gattas.

A coalizão que derrubou Netanyahu pela última vez contou com um pequeno partido árabe, mas o fraco desempenho de Eisenkot significa que a oposição agora precisaria do apoio da própria Lista Conjunta. A maioria dos líderes judeus tem evitado alianças formais com partidos árabes desde a fundação de Israel.

Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel?

 

Eleição em Israel: Como acontecem as negociações para formação de governo?

29 October 2026 at 09:00

As eleições em Israel terminaram sem um vencedor claro. Nem o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o de seu principal rival, Gadi Eisenkot, conquistaram as 61 cadeiras do Parlamento necessárias para formar uma maioria.

Mas a política israelense gira em torno da formação de coalizões, e não de qual partido é o maior. Com isso, o caminho de Netanyahu para permanecer no poder está indefinido, mas a oposição também enfrenta dificuldades para chegar ao governo.

Os partidos contrários ao premiê estão fragmentados e divididos entre direita, esquerda e centro, além de separados entre partidos judeus e árabes.

O Yashar, de Eisenkot, é a maior legenda da oposição. Mas o caminho para que ele chegue ao poder passaria pela cooperação com os partidos árabes — algo que nem todos os líderes partidários da oposição estão dispostos a aceitar.

A contagem final dos votos é esperada até 30 de outubro, e os resultados oficiais da eleição são formalmente publicados uma semana após o pleito, no dia 4 de novembro.

Com isso, os partidos terão de negociar entre si e tentar chegar a uma coalizão que tenha maioria no Congresso.

Como acontecem as negociações pós-eleição em Israel?

Depois que os resultados forem certificados, o processo eleitoral passa para o presidente de Israel, Isaac Herzog.

Em uma série de reuniões em Jerusalém, Herzog iniciará uma rodada de consultas durante a qual cada partido eleito recomendará seu candidato ao cargo de primeiro-ministro.

Com base nessas recomendações, o presidente encarregará um dos candidatos com a tarefa de tentar formar um governo.

Esse candidato não precisa necessariamente ser o líder do maior partido, mas aquele que, a critério do presidente, tiver mais chances de reunir uma coalização com a maioria de 61 cadeiras.

Assim, vencer a eleição de Israel não depende apenas dos votos e das cadeiras conquistadas, mas também da capacidade de construir — e manter — uma coalizão viável.

Depois de receber a incumbência, o candidato iniciará semanas de negociações políticas sobre cargos ministeriais, prioridades orçamentárias e compromissos de governo.

Essa pessoa designada pelo presidente terá um prazo de 28 dias — provavelmente prorrogável por mais 14 dias — para formar um governo.

Se não conseguir, o presidente israelense passará a incumbência a outro candidato, que terá mais quatro semanas.

Se essa segunda tentativa também fracassar, o Parlamento terá um curto prazo para apresentar outro candidato. Caso isso não aconteça, o país irá automaticamente a novas eleições.

Como nenhum dos lados tem uma maioria clara, um impasse parece um resultado plausível.

Herzog poderá tentar convencer Netanyahu e Eisenkot a formarem um governo de união nacional entre os dois maiores partidos, mas não está claro se esse arranjo seria sequer possível.

O premiê tem um longo histórico de romper acordos com políticos com quem firmou entendimentos semelhantes, e o líder opositor descartou integrar um governo liderado pelo atual primeiro-ministro.

Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel?

Flávio Bolsonaro chega com família a Miami após fuga do Brasil

28 October 2026 at 13:25

O candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chegou com a família às 10h25 desta quarta-feira (28) nos Estados Unidos.

A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Flávio Bolsonaro chega aos EUA após derrota na eleição
Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida 28 de outubro de 2026 REUTERS/Eva Marie Uzcategui • REUTERS

Na operação para fugir do Brasil, Flávio passou pela fronteira com Argentina em Foz de Iguaçu às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã para abastecer. Minutos depois, decolou em direção à Flórida.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria em território argentino, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser questionado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

Flávio passou a fronteira na noite de terça

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.

A Migrações afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes.

Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil.

Como mostrou a CNN, o governo de Javier Milei negou, na manhã de terça-feira que Flávio havia entrado na Argentina.

À CNN Brasil, o ministério da Segurança, pasta responsável pelo departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou que o senador, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), não entrou no país.

Fontes confirmam destino final

Uma fonte brasileira próxima ao senador disse à CNN que ele temia ser preso no Brasil.

Um conselheiro de Donald Trump disse à CNN que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país.

O avião é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. Segundo a imprensa argentina, ele estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26) e decolou por volta da 0h20 desta quarta. De acordo com o site de monitoramento de voos Flight Radar, a aeronave pousou em Guayaquil pouco antes das 6h da manhã desta quarta-feira.

Versão oficial muda a cronologia

O comunicado altera a cronologia que vinha sendo apurada ao longo de terça.

À tarde, duas fontes informaram à CNN que Flávio já havia deixado o Brasil a caminho dos Estados Unidos. Mais tarde, uma pessoa a par da situação disse à CNN que o senador já tinha chegado ao país.

Pelo registro oficial argentino, porém, Flávio só deixou o território brasileiro na noite de terça. O horário de entrada na Argentina equivale ao de Brasília, já que os dois países estão no mesmo fuso.

O próprio governo argentino mudou de posição. Durante a terça, o órgão de imigração havia informado que não tinha registro de entrada de Flávio no país.

Um porta-voz do governo de Javier Milei também negou que o senador estivesse na Argentina ou que uma aeronave com as características descritas tivesse decolado para os Estados Unidos.

Passaportes cancelados

A viagem ocorre depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de deixar o país. A decisão foi tomada no domingo (25), dia do segundo turno, em que o senador foi derrotado pelo presidente Lula (PT).

A medida foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e a entrega de eventuais documentos estrangeiros em até 24 horas. Também proibiu o contato entre os dois investigados.

Na segunda-feira (26), Flávio disse em vídeo que havia sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, os agentes o informaram de que estava proibido de sair do Brasil.

O senador classificou a medida como tentativa de intimidação e afirmou que entregaria os documentos.

A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio depois que ele não os entregou no prazo, conforme informou a CNN Brasil, e passou a procurar o senador.

O comunicado argentino não esclarece qual documento Flávio apresentou na fronteira. Cidadãos do Mercosul podem entrar na Argentina apenas com a carteira de identidade.

Avião em que estaria Flávio Bolsonaro pousa em Miami

28 October 2026 at 13:25

Flávio Bolsonaro chegou com a família às 10h25 desta quarta-feira (28) em nos Estados Unidos. O avião em que ele estava pousou no aeroporto Miami-Opa Locka Executive Airport (OPF), como mostraram imagens exclusivas da CNN.

O candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde parou no início da manhã.

Segundo apuração da TN (Todo Noticias), afiliada da CNN na Argentina, é a aeronave que transportou Flávio Bolsonaro e sua família até o Equador.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria na Argentina, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser perguntado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

 

Deputada argentina denuncia entrada de Flávio Bolsonaro no país

28 October 2026 at 10:25

A deputada nacional Marcela Pagano anunciou que apresentou uma denúncia criminal à Justiça Federal de Puerto Iguazú pela entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina e sua posterior saída em um avião particular. Ela comunicou a medida por meio do X antes de a Direção Nacional de Migrações confirmar que o senador brasileiro havia entrado no país acompanhado de três familiares e que o grupo havia embarcado em um voo com destino a Guayaquil, no Equador.

Em sua publicação, Pagano afirmou que Bolsonaro estava proibido de deixar o Brasil por ordem judicial e questionou as versões oficiais que inicialmente negavam sua entrada em território argentino.

“Se ele entrou, alguém o deixou entrar. Se quiseram retirá-lo por um aeroporto federal, alguém fez vista grossa”, escreveu.

Presenté denuncia penal en la Justicia Federal de Puerto Iguazú. Flávio Bolsonaro tiene prohibido salir de Brasil por orden judicial. Los medios ubican su ingreso clandestino por Iguazú, un jet de matrícula argentina esperándolo para volar a EE.UU. y a la ANAC frenando ese despegue. Mientras tanto, el Gobierno dice que “nunca ingresó”. Si entró, alguien lo dejó entrar. Si lo quisieron sacar por un aeropuerto federal, alguien miró para otro lado. Pedí preservar las cámaras del puente y del aeropuerto, los planes de vuelo, la lista de pasajeros y el contrato del chárter, e investigar por tráfico de personas en tránsito e incumplimiento de los deberes de funcionario público. La frontera argentina no es un pasillo VIP de nadie. La soberanía no se negocia ni se presta. Fiel al compromiso de seguir dando testimonio en tiempos difíciles.

— Marcela Pagano (@Marcelampagano) October 28, 2026

A deputada pediu a preservação das gravações das câmeras da ponte internacional e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato do voo fretado. Além disso, solicitou a investigação de possíveis crimes relacionados ao trânsito de pessoas e ao descumprimento dos deveres de funcionário público.

Avião em que estaria Flávio Bolsonaro está a caminho de Miami, mostra site

O candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde pousou na manhã desta quarta-feira (28).

O mesmo avião decolou horas depois com destino a Miami. A previsão de pouso é de 10h39, no horário de Brasília, no aeroporto Miami-Opa Locka Executive Airport (OPF), como mostra o site Flightaware.

Segundo apuração da TN (Todo Noticias), afiliada da CNN na Argentina, é a aeronave que transportou Flávio Bolsonaro e sua família até o Equador.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria na Argentina, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser perguntado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Fuga de Flávio: Van do Brasil com escolta foi vista em aeroporto argentino

28 October 2026 at 10:20

Uma van cinza com placa brasileira entrou na noite desta terça-feira (28) no aeroporto de Puerto Iguazú.

Em meio à polêmica sobre a fuga de Flávio Bolsonaro, uma van cinza com placa brasileira entrou na noite desta terça-feira no aeroporto de Puerto Iguazú e levou um grupo de pessoas até a pista do aeroporto local.

Segundo apurou o TN, que está no local, o veículo foi escoltado por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), em meio a uma forte operação de segurança.

A movimentação ocorreu em meio a relatos de que Flávio Bolsonaro teria embarcado em um avião particular com destino aos Estados Unidos.

Também não há confirmação de que as pessoas transportadas na van tenham ligação com o político brasileiro.

Dentro do veículo da marca Fiat, que circulava em alta velocidade, havia pelo menos uma pessoa usando boné e sentada nos bancos traseiros. A van registrada na região tinha um adesivo com a inscrição “Iguaçu Dallas Travel LTDA.” e vidros escurecidos.

Após vários minutos de incerteza, um avião do modelo Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW e pertencente à empresa Baires Fly, decolou do aeroporto de Puerto Iguazú nesta quarta-feira, às 0h21. De acordo com o rastreamento publicado pelo FlightRadar24, a aeronave sobrevoou o território paraguaio após partir da província de Misiones.

A Direção Nacional de Migrações confirmou registros de entrada do senador e sua família na noite de terça-feira (28) e afirmou que foram realizadas verificações na aeronave e em sua tripulação.

A polêmica começou depois que Bolsonaro deixou o país, apesar de a Justiça brasileira ter proibido sua saída do território nacional e determinado a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação judicial.

Avião em que estaria Flávio Bolsonaro está a caminho de Miami, mostra site

28 October 2026 at 09:53

O candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil às 22h50 de terça-feira (27). Quarenta minutos depois, embarcou em um voo privado para Guayaquil, no Equador, onde pousou na manhã desta quarta-feira (28).

O mesmo avião decolou horas depois com destino a Miami. A previsão de pouso é de 10h39, no horário de Brasília, no aeroporto Miami-Opa Locka Executive Airport (OPF), como mostra o site Flightaware.

Segundo apuração da TN (Todo Noticias), afiliada da CNN na Argentina, é a aeronave que transportou Flávio Bolsonaro e sua família até o Equador.

Na noite de terça-feira, o presidente Donald Trump disse que havia sido informado de que Flávio estaria na Argentina, mas sem saber seu real paradeiro. Ao ser perguntado por jornalistas sobre a ida do candidato derrotado aos EUA, ele disse que “aprovaria” a entrada da família no país.

Dois funcionários do governo dos EUA afirmaram à CNN que vistos estão sendo emitidos para o senador, esposa e duas filhas. Um funcionário americano chegou a indicar a Flórida como destino.

Site Flightaware mostra percurso do avião em que estaria Flávio Bolsonaro e a família dele
Site Flightaware mostra percurso do avião em que estaria Flávio Bolsonaro e a família dele • Reprodução

Flávio passou a fronteira na noite de terça

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, órgão oficial de imigração do país, Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, por volta de 22h50. O senador estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das filhas.

A Migrações afirma que os quatro apresentaram documentação de viagem válida, sem nenhum impedimento legal para a entrada no país, e que não houve incidentes.

Ainda de acordo com o órgão, às 23h30 a comitiva embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. O destino informado no plano de voo era Guayaquil.

Como mostrou a CNN, o governo de Javier Milei negou, na manhã de terça-feira que Flávio havia entrado na Argentina.

À CNN Brasil, o ministério da Segurança, pasta responsável pelo departamento de Imigração e pela Polícia de Segurança Aeroportuária, afirmou que o senador, derrotado nas eleições presidenciais de domingo (25), não entrou no país.

Fontes confirmam destino final

Uma fonte brasileira próxima ao senador disse à CNN que ele temia ser preso no Brasil.

Um conselheiro de Donald Trump disse à CNN que o presidente americano aprovou a entrada de Flávio no país.

O avião é um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW. Segundo a imprensa argentina, ele estava parado no aeroporto de Puerto Iguazú desde segunda-feira (26) e decolou por volta da 0h20 desta quarta. De acordo com o site de monitoramento de voos Flight Radar, a aeronave pousou em Guayaquil pouco antes das 6h da manhã desta quarta-feira.

Há divergências sobre quem estava a bordo. O comunicado oficial menciona apenas os quatro integrantes da família. A imprensa local chegou a relatar tanto que Flávio seria o único passageiro quanto que oito pessoas estariam no voo.

Versão oficial muda a cronologia

O comunicado altera a cronologia que vinha sendo apurada ao longo de terça.

À tarde, duas fontes informaram à CNN que Flávio já havia deixado o Brasil a caminho dos Estados Unidos. Mais tarde, uma pessoa a par da situação disse à CNN que o senador já tinha chegado ao país.

Pelo registro oficial argentino, porém, Flávio só deixou o território brasileiro na noite de terça. O horário de entrada na Argentina equivale ao de Brasília, já que os dois países estão no mesmo fuso.

O próprio governo argentino mudou de posição. Durante a terça, o órgão de imigração havia informado que não tinha registro de entrada de Flávio no país.

Um porta-voz do governo de Javier Milei também negou que o senador estivesse na Argentina ou que uma aeronave com as características descritas tivesse decolado para os Estados Unidos.

Passaportes cancelados

A viagem ocorre depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir Flávio de deixar o país. A decisão foi tomada no domingo (25), dia do segundo turno, em que o senador foi derrotado pelo presidente Lula (PT).

A medida foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e a entrega de eventuais documentos estrangeiros em até 24 horas. Também proibiu o contato entre os dois investigados.

Na segunda-feira (26), Flávio disse em vídeo que havia sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, os agentes o informaram de que estava proibido de sair do Brasil.

O senador classificou a medida como tentativa de intimidação e afirmou que entregaria os documentos.

A Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio depois que ele não os entregou no prazo, conforme informou a CNN Brasil, e passou a procurar o senador.

O comunicado argentino não esclarece qual documento Flávio apresentou na fronteira. Cidadãos do Mercosul podem entrar na Argentina apenas com a carteira de identidade.

Pedido de investigação na Argentina

A deputada argentina Marcela Pagano apresentou uma denúncia à Justiça Federal de Puerto Iguazú questionando a entrada do senador no país. Ela pediu a preservação das imagens das câmeras da ponte e do aeroporto, dos planos de voo, da lista de passageiros e do contrato do voo fretado.

Pagano pediu que sejam apurados possível tráfico de pessoas em trânsito e descumprimento de deveres por funcionários públicos.

A CNN procurou a defesa de Flávio Bolsonaro, o PL e a Polícia Federal e aguarda retorno. Flávio nega qualquer irregularidade.

Colisão de trem na Espanha deixa pelo menos 30 mortos, diz governo

28 October 2026 at 09:39

Pelo menos 30 pessoas morreram após a colisão de dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, informou um porta-voz do governo regional ao veículo de notícias local CMM Noticias nesta quarta-feira (28).

Esther Padilla, porta-voz do governo regional da planície de Castilla-La Mancha, afirmou que havia 146 passageiros e um bebê em um dos trens, e 397 passageiros no outro.

“O tráfego na linha ferroviária de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi suspenso após uma colisão traseira entre dois trens”, informou a Adif em uma publicação no X.

O presidente do país, Pedro Sánchez, se pronunciou sobre o acidente nas redes sociais. Ele disse que já está em contato com o ministro dos Transportes, Oscar Puentes, e com o presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page.

O jornal espanhol El País citou testemunhas que relataram vários feridos e a chegada de equipes de emergência ao local. Segundo a reportagem, dois dos vagões envolvidos no acidente teriam saído dos trilhos e caído por um barranco.

De acordo com o El País, o acidente ocorreu pouco depois das 9h, no horário local, entre as cidades de Los Yébenes e Urda, na província de Toledo.

*Esta notícia está em atualização.

Policial mata homem com faca em frente à embaixada de Israel na Sérvia

28 October 2026 at 08:49

Um agressor armado com duas facas feriu um policial que fazia a segurança da embaixada israelense em Belgrado durante a madrugada, antes que o agente atirasse e matasse o agressor, informou nesta quarta-feira (28) o ministro do Interior da Sérvia, que está de saída do cargo.

“Um menor, de identidade ainda não determinada, que se suspeita ser de Šabac, avançou contra um oficial da Gendarmaria gritando ‘Allahu Akbar’ e o atacou com duas facas”, disse Ivica Dacic em um comunicado enviado por e-mail.

Dacic acrescentou que elevou o nível de alerta de segurança da Sérvia para vermelho, o mais alto, e que haverá um aumento da presença policial em locais estratégicos. O policial sofreu um ferimento leve na cabeça, disse Dacic.

Este é o segundo ataque desse tipo à embaixada israelense em Belgrado em dois anos. Em junho de 2024, um agressor atirou em um policial sérvio no pescoço com uma besta.

O ataque ocorreu um dia depois de os israelenses irem às urnas, com as projeções mostrando o bloco de oposição praticamente empatado com o grupo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O que é o Knesset, o Parlamento de Israel?

 

Como é eleito o presidente de Israel e o que ele faz?

27 October 2026 at 09:30

Enquanto o primeiro-ministro é o chefe de governo de Israel e lidera as negociações internas e no exterior, o país conta com um presidente que age como chefe de Estado, com um papel mais simbólico do que político.

A cada sete anos, um candidato é eleito pelo Knesset, o Parlamento do país, para mandato único. Na prática, o presidente israelense pode continuar no cargo por diferentes gestões, garantindo estabilidade.

A votação é secreta, realizada durante uma sessão especial.

O atual presidente israelense é Isaac Herzog, que assumiu em 2021.

Além de representar o país de forma diplomática pelo mundo, ele será responsável por definir quem será responsável por organizar a formação de governo após as eleições desta terça-feira (27) em Israel.

A votação é vista como um teste político para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O resultado poderá dificultar a formação de um novo governo liderado por ele, caso seus aliados não consigam reunir apoio suficiente no Knesset.

O que isso significa e quais são as funções do presidente?

De acordo com o governo israelense, a influência do presidente está “na capacidade de servir como símbolo da unidade nacional”.

A natureza e o alcance da influência do cargo são definidos como poder brando ou quarto poder.

A principal atribuição é apontar um líder partidário para formar um governo, após eleições ou renúncia de um primeiro-ministro.

Depois do resultado das eleições, o presidente consulta representantes dos partidos e atribui a um integrante do Knesset a tarefa de formar o governo.

O parlamentar escolhido conduz as negociações para reunir apoio suficiente e, caso consiga formar uma coalizão, apresenta o governo ao Parlamento para obter um voto de confiança.

“Existem duas razões principais para o envolvimento do presidente nessa política: primeiro, a estabilidade do cargo. Em segundo, há a capacidade para mediar agendas e grupos partidários, especialmente nos momentos mais polarizados e divisivos da vida nacional: as eleições para o Knesset”, diz o governo.

Outras funções

  • Assinar leis depois de terem sido aprovadas pelo Knesset;
  • Credenciar os representantes diplomáticos do Estado de Israel e receber as credenciais dos representantes diplomáticos enviados a Israel por Estados estrangeiros;
  • Assinatura de tratados com Estados estrangeiros aprovados pelo Knesset;
  • Nomeação e destituição de juízes e outros titulares de cargos públicos;
  • Conceder indultos a condenados pela redução ou anulação de penas.

Quem pode se candidatar?

  • Qualquer cidadão israelense residente em Israel pode ser candidato à Presidência;
  • A candidatura deve ser proposta por pelo menos dez integrantes do Knesset;
  • O presidente é eleito pelos parlamentares em votação secreta;
  • Após a eleição, o presidente eleito deve prestar uma declaração de compromisso perante o Knesset;
  • O mandato tem duração de sete anos, sem possibilidade de reeleição para um segundo mandato.

Saída do cargo

A lei permite que o presidente seja destituído em casos de condutas incompatíveis com o cargo.

Isso acontece após audiências e o consentimento de pelo menos 90 de 120 membros do Knesset.

Qual é a diferença entre presidente e primeiro-ministro em Israel?

Enquanto Benjamin Netanyahu define ministros, propõe leis e negocia com outros parlamentares e líderes internacionais, Isaac Herzog recebe diplomatas, faz viagens oficiais sem peso político, mas institucional, e defende a imagem do Estado e suas ações.

Não é incomum a separação entre chefes de Governo – que controlam o Executivo – e chefes de Estado – responsáveis por representar os países de forma institucional.

Caso parecido é o do Reino Unido: a Família Real tem o rei ou rainha vigente no papel de chefe de Estado, enquanto o primeiro-ministro lidera o governo e conduz a política executiva. Embora o monarca exerça funções constitucionais, a condução política cotidiana cabe ao governo, que precisa contar com a confiança de outros parlamentares da Câmara.

Knesset, Likud: Entenda os principais termos da eleição de Israel

 

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