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De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo

24 October 2026 at 18:03

O barulho contínuo e surdo das máquinas pesadas, que giram sem parar, e os estampidos metálicos das roldanas e bobines, espalhadas por toda a fábrica, são música na nossa vida. É da matéria que aqui se cria que nasce o sublime: fios quase invisíveis que nos conectam uns aos outros, sem conhecerem limites ou fronteiras; que conduzem a nossa vida sem darmos por eles, e nos permitem ser mais rápidos, mais ágeis, melhores. 

A NKT, grupo industrial dinamarquês líder no fabrico e instalação de cabos de energia – que em 2024 adquiriu a antiga SolidAl, em Esposende, fundada em 1968 – deu mais um passo no seu programa de investimento com a inauguração, no passado dia 20 de outubro, de uma nova ala que veio reforçar a capacidade e o desempenho da empresa na resposta às crescentes necessidades das redes elétricas europeias.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Cerimónia contou com a presença do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, do presidente da Câmara Municipal de Esposende, Carlos Silva, e da Assembleia Municipal, Alberto Figueiredo. Foto: Direitos Reservados

“Este é um marco importante na história desta unidade industrial, que tem uma grande importância regional e nacional. É com muito orgulho que olhamos para o caminho percorrido até aqui e para o crescimento que já foi alcançado”, afirmou Dinis Pinto, vice-presidente de operações da NKT, durante o seu discurso de inauguração, seguro de que o futuro da empresa se pautará por mais oportunidades de emprego qualificado, mais inovação e mais “confiança nas pessoas e na região”. 

50 milhões de euros, 150 novos postos de trabalho

Com um investimento global de 50 milhões de euros, a capacidade da fábrica vai aumentar cerca de 50% e vai possibilitar a criação de 150 novos postos de trabalho.

“Nós, neste momento, produzimos quase 30 mil toneladas, vamos aumentar para cerca de 50 mil”, refere Dinis Pinto.

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Dinis Pinto (à esquerda) é o vice-presidente de operações da NKT. Foto: Direitos Reservados

“É uma expansão que permite acompanhar a transição energética que está a acontecer, especialmente na Europa. É um investimento necessário para que as redes se tornem mais resilientes e aguentem toda a necessidade de energia que está agora a aparecer, como os data centers, por exemplo, que são consumidores de uma enorme quantidade de energia. Por isso, nós, com esta expansão, temos a oportunidade de acompanhar essa evolução das necessidades do mercado”.

A unidade de Esposende, com mais de 50 anos de experiência na produção de cabos de energia e soluções integradas para a transmissão e distribuição de energia, especializa-se na produção de cabos de média e alta tensão até 225 kV, bem como em soluções de baixa tensão e condutores em alumínio e ACSR. 

Os milhares de quilómetros de fios e cabos elétricos que todos os dias são produzidos e saem das suas instalações, já chegaram a mais de 40 países, ligando pessoas e comunidades, gerando energia em fábricas e indústrias e fazendo funcionar fontes de energia renovável em todo o mundo.

Esta é, na verdade, uma das grandes preocupações da NKT: o desenvolvimento de soluções energéticas que apoiam a transição para um futuro mais sustentável. A outra, são as pessoas.

Mão de obra qualificada, séria e competente

“Juntos conectamo-nos a um mundo mais verde”, atirou Michael Hjorth, CCO da NKT, durante a cerimónia de apresentação, impressionado com o facto de 75% da eletricidade produzida em Portugal Continental ter origem em fontes renováveis.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Michael Hjorth, CCO da NKT. Foto: Direitos Reservados

“Tanto caminho percorrido em tão pouco tempo. Antigamente, a SolidAl e NKT eram empresas concorrentes e competiam uma contra a outra, mas agora estão juntas. Aqui, vimos potencial para construir algo ainda maior”, disse, reforçando o compromisso de longo prazo da NKT com Portugal, valorizando a tradição industrial existente na unidade.

Aproveitou e elogiou também a “forma de trabalho muito educada e competente” dos trabalhadores locais. São eles o coração da empresa, músculo que gera energia. E são eles que estão também no topo das prioridades.

Por todo o lado há avisos e normas de segurança, vestem-se equipamentos de proteção individual adequados às funções e, num ecrã, mesmo ao lado de um parque de bobines trefiladas, é possível ler um orgulhoso aviso: 292 dias sem acidentes.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Inauguração da nova ala aconteceu na passada terça-feira, 20 de outubro. Foto: Direitos Reservados

A fábrica de Esposende, parte essencial da rede de produção europeia da empresa dinamarquesa, conta, atualmente, com 580 colaboradores mas, em breve, serão muitos mais.

“A expansão que hoje inauguramos representa o crescimento de uma unidade industrial que tem confiança num projeto sólido e inovador, em que há confiança nas pessoas e em Esposende para atrair investimento. Esta é uma empresa que cria emprego, gera riqueza e melhora a qualidade de vida das pessoas, e que tem um impacto real no território”, avança Carlos Silva, presidente da Câmara Municipal de Esposende.

De Esposende para 40 países: os fios quase invisíveis que ligam o mundo
Carlos Silva, presidente da Câmara Municipal de Esposende. Foto: Direitos Reservados

“E isso é o melhor programa social que se pode apresentar. Mais do que atribuir subsídios, é fazer com que todos tenham um emprego digno, com o qual possam fazer face às suas despesas do dia a dia e criar as suas famílias em tranquilidade”, sublinhou o autarca.

Através da sua mão de obra qualificada e de um trabalho desenvolvido em equipa; do apurado conhecimento técnico e da avançada tecnologia que investe em materiais de qualidade; das novas instalações bem equipadas e de um forte sentido ético que aposta em políticas de sustentabilidade, a NKT projeta o território muito além das fronteiras.

E dá a volta ao mundo conectando-nos de mil e uma formas – que apesar de quase invisíveis, estão sempre lá.

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Split payment deve ter pouco impacto no caixa das empresas

O split payment previsto na reforma tributária terá pouco impacto no caixa das empresas brasileiras e pode ajudar a reduzir a alíquota dos novos impostos, segundo economistas ouvidos pela Folha.

Eles utilizam como base dados sobre prazos de pagamento nas operações entre duas empresas. Essa questão é fundamental para definir quando haverá ou não o recolhimento antecipado dos novos tributos na liquidação financeira da operação.

O split se tornou tema da campanha eleitoral, e a entrada em vigor está prevista para o segundo semestre de 2027. Seu uso será opcional e somente em transações entre empresas.Split payment terá pouco impacto no caixa das empresas

A ferramenta garante que os tributos pagos pelo comprador sejam recolhidos e devolvidos a ele na forma de um crédito.

Prazo de pagamento limita impacto do split payment

O economista Gustavo Madi, responsável na consultoria LCA por estudos na área de tributação, afirma que a maior parte das operações entre pessoas jurídicas (B2B) tem prazo de pagamento ao fornecedor acima de 60 dias, ou seja, superior ao vencimento do tributo último dia útil do mês seguinte à venda.

“Se o pagamento da fatura é posterior ao vencimento do tributo, o split não tem nenhum papel, porque o fornecedor já terá feito o desembolso do imposto antes de receber o dinheiro, tal como é hoje”, afirma.

“Quando o pagamento for feito, o agente bancário consulta a Receita, olha como está a situação daquela nota e fala: ‘O tributo já foi pago, não preciso fazer nada.’ Isso é o que vai acontecer com mais frequência, ou seja, impacto nenhum.”

Ele cita um relatório da Coface (Companhia Francesa de Seguros para o Comércio Exterior) que aponta que o prazo médio de pagamento no Brasil é de 66 dias.

Levantamento feito pelo advogado e economista Eduardo Fleury, ex-consultor do Banco Mundial, mostra um prazo médio de recebimento de 41 dias somente nas operações de grandes indústrias com fornecedores, segundo dados coletados junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Nas vendas do comércio e serviços para pessoas físicas que não serão alcançadas pela ferramenta de split em desenvolvimento o prazo supera 50 dias. Ele também cita relatório da Allianz Trade que calcula um tempo médio de 62 dias em todos os tipos de operação.

Fleury afirma que os números mostram que pagar o imposto antes de receber os recursos do comprador já é uma realidade no sistema tributário atual, e isso não vai mudar com a reforma. Na maioria dos casos, o split funcionará apenas como garantia de recolhimento do tributo em caso de inadimplência do fornecedor.

Ele lembra também que, nas operações parceladas, o que pode ser antecipado será o tributo sobre o valor da primeira prestação.

“Trabalhamos com empresas grandes e o que vemos são prazos bem superiores a esses. O que vai acontecer na prática é que o split payment vai ter pouco efeito no B2B. Vai ser uma exceção quando acontecer”, afirma.

Efeito sobre o caixa das empresas

Nas transações B2B com pagamento à vista ou com prazos mais curtos, haverá um efeito de caixa negativo para quem vende, mas “simetricamente positivo” para quem compra, devido à antecipação do crédito tributário referente àquela aquisição, segundo Madi, da LCA.

Se a empresa estiver no meio de uma cadeia de produção, ela terá antecipação do crédito pelas aquisições e do tributo sobre as vendas, com efeitos opostos sobre o caixa. “O impacto é muito menor do que o que se tem dito, pelo menos para a maioria das empresas”, afirma o economista.

Ele destaca ainda que o recolhimento antecipado não retira recursos da economia, pois todo tributo recolhido no B2B se torna automaticamente crédito para o comprador. “A Receita não vai reter dinheiro e ficar trabalhando com ele. A apuração e ressarcimento de crédito está programada para ser uma coisa muito rápida. Então é dinheiro na mão de uma empresa ou na mão da outra.”

Regra de crédito é principal mudança da reforma

Eles lembram que a principal mudança trazida pela reforma não é o split, mas a regra que vincula o crédito do adquirente ao pagamento do tributo pelo fornecedor, mudança que busca combater fraudes e deve resultar em uma alíquota menor no futuro.

Para implementar essa regra é necessário que as empresas possam utilizar o split ou a guia de recolhimento pelo adquirente, que está pronta para ser utilizada em janeiro, quando começa a cobrança dos novos tributos.

O tributarista José Andrés Lopes da Costa, professor da Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV, diz que a questão do float tributário período no qual a empresa opera com os tributos pagos pelos clientes- se tornou um “mito” e não representa valores tão relevantes nas operações B2B.

Ele afirma que, do ponto de vista econômico, o split reduz custos de transação, de fiscalização e de compliance, o número de fraudes e tem um reflexo positivo na alíquota que todos pagam.

“Quando você enfraquece esse mecanismo de arrecadação, de fiscalização e de compliance tributário, você pressiona a alíquota para cima. Então é o benefício de alguns, que é o ‘float’, contra o malefício de muitos, porque você tem uma alíquota mais alta para toda a sociedade.” (Eduardo Cucolo/FOLHAPRESS)

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