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“É bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos” aos credores do BES

30 October 2026 at 07:01

Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal que cessa esta sexta-feira funções, acredita que é possível que em 2027 já haja condições para começar fazer pagamentos aos credores comuns do BES, ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. Anuncia ainda que há mudanças significativas em curso na lei bancária e diz que o Fundo de Resolução terá condições para pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos no fim deste ano ou início do próximo.

Terminou o mandato a 20 de junho e sai nesta sexta-feira. Passou mais de dez anos na administração do Banco de Portugal (BdP). Que balanço faz do que fez e ficou por fazer?

O balanço essencial é o de ter contribuído para um processo de grande melhoria do Banco. Melhorou o desempenho das missões centrais do Banco de Portugal, mas também a organização, os recursos tecnológicos e as políticas para reter talento. O Banco é hoje uma instituição mais próxima da comunidade a vários níveis, mais ligada à academia e à sociedade, e com um projeto para permitir que mais colaboradores aproveitem as condições das delegações regionais e das agências.

O Banco é liderado por um governador – lidei com três – e tem um conselho de administração que funciona de forma colegial. Somos todos, em alguma medida, responsáveis pelo que de bom ou de menos bom acontece na instituição e a evolução nestes dez anos é bastante positiva. A situação do setor bancário em 2016 era muitíssimo mais negativa. O mérito primordial é das instituições supervisionadas, que limparam balanços, racionalizaram recursos e ajustaram o modelo de negócio. Mas o novo quadro regulatório pós-crise e uma atuação supervisora muito mais efetiva também contribuíram. Os resultados recentes da avaliação do FMI (FSAP) são gratificantes, tanto para o sistema bancário como para a ação do Banco enquanto supervisor, na prevenção do branqueamento de capitais e na gestão de crises, onde se inclui a resolução.

O dossier Novobanco foi a tarefa mais difícil? Não será também uma medalha ver o banco que saiu das cinzas do BES a ser comprado pelo francês BPCE?

Medalha não tenho, porque não fui condecorado [risos]. O mais difícil foi fazer aplicar, com rigor, o acordo de capital contingente, defendendo o interesse público ao longo de todo o processo, em especial na aplicação rigorosa do contrato, e procurando minimizar os pagamentos que tínhamos de fazer ao abrigo do CCA [Mecanismo de Capital Contingente]. Não me lembro de nenhum acordo deste tipo aplicado em Portugal, e isto nem sequer é típico das funções de um banco central. Obrigou a uma minúcia e a um rigor enorme e convocou competências particulares, que foi possível reunir com uma equipa dedicada constituída no departamento de resolução.

O Acordo de Capitalização Contingente teve um impacto público significativo, porque falamos de verbas muito avultadas, assentes nas contribuições das instituições financeiras para o fundo e em empréstimos do Estado e das próprias instituições. Houve muita incompreensão, o que é natural. O escrutínio foi muito exigente, mas acabou por ajudar-nos a cumprir a missão, porque tivemos de verificar ao pormenor o racional das nossas decisões e de como as fundamentávamos. O Estado será reembolsado, e as instituições também.

Os meus mandatos ficam marcados pelas questões da resolução, o que é normal por serem os temas mais mediáticos, mas houve muitas outras coisas. Por exemplo, quando tive o Departamento de Supervisão Comportamental, integrou-se no perímetro da supervisão os intermediários de crédito, vários milhares, o que foi um grande desafio. Significou trazer todo um setor para o perímetro da supervisão.

Compensou ter havido o mecanismo de capital contingente?

Em 2017 não havia modo de encontrar alguém disposto a comprar o Novobanco sem um mecanismo como este. Não foi um apoio direto às perdas de um conjunto de ativos (que aliás se verificou serem bem maiores do que aquilo que foi despendido), era um mecanismo original, no sentido em que estava limitado ao menor de dois valores, entre as perdas desses ativos e o necessário para manter determinados rácios de capital no Novobanco. Sem ele, a venda não existia. O balanço final acaba por ser positivo para o país.

A venda do Novobanco foi um bom negócio para o Fundo de Resolução e para o Estado?

Aderimos [o FdR] a uma venda que a Lone Star promoveu e há pouco balizei o meu contributo no Novobanco como a defesa do interesse público na aplicação do mecanismo de capital contingente [antes da venda ao BPCE] e em todas as fases do processo, incluindo a venda final. Mas é objetivo que o valor obtido ultrapassou as melhores expectativas, o que é muito positivo. E o comprador ser uma grande instituição bancária de um mercado, o francês, que não tinha uma presença extraordinária em Portugal, abre novas possibilidades de interconexão para a economia portuguesa. O desfecho final foi positivo.

Em 10 anos também teve de lidar com um contencioso gigantesco…

Em 2016, os processos contra o Banco de Portugal eram da ordem do milhar. Claro que os processos, por causa do contencioso das medidas de resolução, tiveram um peso importante aqui. Não é normal um banco central ter um contencioso tão extenso, e alguns com ramificações no Tribunal Europeu e noutras ordens jurídicas, como Espanha e Reino Unido. As decisões que fomos tomando foram sendo avaliadas por tribunais, que no fundo é o escrutínio mais imparcial possível…

O Banco de Portugal ganhou os processos?

Todos não, mas quase todos, e sem dúvida os mais importantes: aqueles em que se procurava responsabilizar o Banco por falhas de supervisão e os do contencioso da resolução. Como por exemplo a retransmissão das obrigações do Novobanco para o BES.

Noutro plano, nos processos contraordenacionais, em que tivemos de aplicar sanções com todas as garantias, nos universos BES e Banif, as decisões judiciais confirmaram no essencial as posições do Banco. Se não fosse assim teria sido mais difícil.

A resolução devia ter saído da órbita do Banco de Portugal?

Não acho que esse fosse uma boa solução. A decisão de fazer do Banco de Portugal a autoridade nacional de resolução foi acertada e recentemente até foi estendida às contrapartes centrais. Seria muitíssimo pior lidar com uma instituição nova, sem recursos, quando o Banco tem os recursos humanos e o conhecimento para o fazer.

Quando é que o Fundo de Resolução vai pagar entre 1,7 mil milhões e 1,9 mil milhões de euros ao Estado e aos bancos?

Tencionamos pagar no final de 2026 ou início de 2027.

Essa receita decorre da venda do Novobanco?

Também, mas não apenas. Temos ainda os dividendos da Oitante, rendimentos das aplicações dos recursos do fundo e, naturalmente, as contribuições do setor bancário, que se mantém.

Vamos cumprir os contratos e, ao reembolsar capital, deixamos de pagar os juros que teríamos se mantivéssemos a dívida, o que significa um ganho substancial, na ordem das dezenas de milhões de euros.

Os empréstimos não foram contratualizados todos na mesma data nem têm todos as mesmas regras, e alguns passam a pagar juros em 2027. O aspeto central é que temos recursos reunidos para pagar entre 1,7 mil e 1,9 mil milhões, o que melhora a situação líquida do fundo e evita que sejamos onerados com juros. Não é ainda a dívida toda, há muito trabalho a fazer. O Estado será reembolsado e as instituições também.

Qual é o impacto nas contas do fundo da liquidação desses 1,9 mil milhões de euros?

Posso-lhe dizer que a liquidação de 1,9 mil milhões de euros permite uma poupança bruta anual de juros de 67,8 milhões de euros. Em contrapartida, há uma perda de rendibilidade de 42,6 milhões associada à amortização, porque o montante aplicado passa a ser inferior ao atual. A poupança líquida estimada para o Fundo de Resolução é, assim, de 25,2 milhões.

Há bocado perguntou-me o que ficou por fazer, aqui está uma coisa que ficou por fazer, neste domínio da resolução: reembolsar os empréstimos, embora, como já disse, isto não ficou feito, mas ficou bem preparado. Portanto, estamos em condições de o fazer, mas o reembolso não foi ainda efetivado. Até agora só pagámos juros e ainda não começámos a reembolsar capital, o que acontecerá no fim de 2026 e início de 2027.

A segunda coisa que ficou por fazer foi o reembolso aos credores do BES ao abrigo do princípio “no creditor worse off”. As compensações também ficam por resolver. Já constituímos uma provisão…

Os 630 milhões valor da provisão para cumprir o princípio “no creditor worse off” no BES é uma estimativa realista e quando será pago aos credores?

Constituímos essa provisão sabendo que mais cedo ou mais tarde teria de haver este pagamento, porque é um pilar essencial da legalidade da resolução. Quando um credor recebe menos na resolução do que teria recebido numa liquidação, tem de ser compensado. Uma avaliação independente estimou que os credores comuns receberiam 31,7% do seu crédito se o BES tivesse ido para liquidação em agosto de 2014.

Teoricamente teria de se esperar pelo fim da liquidação do BES, mas houve um movimento por parte dos credores no sentido de que, sendo já reconhecido como privilegiado (o crédito do Fundo de Resolução), podem estar reunidos os pressupostos para que a compensação se exerça. Na provisão usámos um critério de prudência, que não quer dizer que seja o valor final, pode ser menos. Mas as contas têm de ter total transparência, e para isso era fundamental que, ao registar a receita decorrente da venda do Novobanco, também se constituísse essa provisão.

O pagamento está sujeito a requisitos que têm de ser verificados em concreto para cada crédito. A única garantia é que receberão, sem dúvida, aqueles que em que se verificarem todos os requisitos previstos na lei.

O que sucederá no momento em que a autoridade de resolução entender que estão verificados todos os pressupostos. Isto é, que sejam reconhecidos como credores comuns e que esteja fixado o montante. Terá de haver um procedimento regulamentar. Fizemos uma consulta pública e acabámos de receber as respostas.

Portanto não darei uma data específica, mas é bem possível que em 2027 já haja condições para fazer pagamentos a alguns. Isto é uma decisão tomada credor a credor, e cada um vai cumprindo os requisitos recebe.

Impulsionou um Código da Atividade Bancária que não saiu da gaveta. Qual era a sua importância?

O atual RGICSF é de 1992 e tem centenas de alterações: é uma manta de retalhos, quase indecifrável em alguns aspetos. O CAB era uma verdadeira reforma da legislação do setor financeiro. O trabalho começou em 2019, com a ideia de revogar o RGICSF e substituir por esse código. Politicamente não foi possível, houve dissoluções do parlamento, mudanças de Governo e o Código tinha de passar pela Assembleia da República.

Mas nem tudo se perdeu. No contexto da transposição da CRD VI há elementos importantes que estavam previstos no CAB e que poderão manter-se no novo RGICSF, como a organização do diploma, o sentido codificador, a sequência das normas e o regime da tramitação eletrónica dos processos contraordenacionais. Há aspetos, quer de forma, quer de substância, que irão agora integrar o novo RGICSF. Portanto, não será um novo código, mas será um novo RGICSF.

A união bancária é essencial para remover obstáculos às fusões transfronteiriças. A concentração bancária deve ser promovida?

As fusões transfronteiriças têm toda a gente a favor, exceto quando lhes toca a eles… Portugal é até um bom exemplo. A venda do Novobanco ao BPCE foi uma operação transfronteiriça e correu bem. Acho que a concentração bancária não se pode fazer por decreto. Percebo que os bancos europeus tenham de ser grandes à escala da União e à escala mundial, e a dimensão conta para ser mais competitivo, mas tem de nascer do mercado, das sinergias que as instituições encontrem entre si. Não deve ser uma política de cima para baixo, até porque temos de salvaguardar a concorrência, hoje a uma escala mais ampla do que a dos mercados nacionais. Para isso existem a Comissão Europeia e as autoridades nacionais de concorrência.

Governance e criação de valor: a evolução do papel dos acionistas. Veja o “Boa Governança”

30 October 2026 at 07:00

Ouça e acompanhe o “Boa Governança” também em formato podcast:

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O videocast “Boa Governança” tem como convidado o advogado António Lobo Xavier. Tem uma carreira longa na vida pública, foi autarca, deputado à Assembleia da República, conselheiro de Estado. Ao longo das últimas décadas, exerceu funções de administração executiva, não executiva e de supervisão em algumas das mais relevantes empresas e instituições portuguesas. É, desde 2024, Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP.

Nas últimas duas décadas, o papel dos acionistas mudou significativamente, em particular com o crescimento dos investidores institucionais. Nesta edição, vamos ter tentar perceber se os acionistas são hoje mais interventivos na gestão das empresas e onde se traçam os limites da influência dos acionistas e da autonomia da administração.

O “Boa Governança” resulta de uma parceria entre o Jornal Económico e o Instituto Português de Corporate Governance, e é um espaço para debatermos os desafios que as organizações enfrentam na área da governança, com Ricardo Santos Ferreira, diretor-adjunto do JE, e Marta Saldanha, diretora do IPCG.

CaixaBank gana 4.962 millones hasta septiembre, un 12,9% más

By: Efe
30 October 2026 at 06:44
El margen de intereses se situó en 8.186 millones (+2,9%), con un crecimiento del 2,5% en el tercer trimestre respecto al segundo Leer

El margen de intereses se situó en 8.186 millones (+2,9%), con un crecimiento del 2,5% en el tercer trimestre respecto al segundo

Neinor lanza una opa de exclusión a 24 euros por su antigua competidora Aedas

30 October 2026 at 06:33

Llega el fin en Bolsa de Aedas Homes, una de las que fueron grandes promotoras cotizadas. Neinor, la inmobiliaria vasca que desde el pasado año controla a su antigua rival, lanza una opa de exclusión sobre su antigua rival, tal como ha adelantado CincoDías y las empresas han comunicado este viernes a la CNMV. Se espera que entre diciembre y enero finalice esa operación y la toma de control de Neinor ya será del 100%.

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Jordi Argemí, consejero delegado de Neinor.

© NEINOR (NEINOR)

Viviendas de Neinor Homes en Zorrozaurre, en Bilbao, en una imagen cedida por la compañía.

CaixaBank roza los 5.000 millones de beneficio hasta septiembre y repartirá un dividendo de 1.281 millones

30 October 2026 at 06:16

CaixaBank bate las estimaciones con un nuevo récord de beneficio hasta septiembre. La entidad ha obtenido un beneficio neto de 4.962 millones en los nueve primeros meses del ejercicio, casi un 13% más interanual, apoyado en el tirón del negocio. La subida de los tipos de interés ha beneficiado al grupo, así como los mayores volúmenes que elevan el pago del impuesto sobre margen de intereses y comisiones (el impuesto al sector financiero) a 452 millones, ocho millones más que el año anterior.

El banco destaca el "sólido" crecimiento con unos ingresos récord. Al cierre del primer trimestre, esta partida se había incrementado un 4,4%, hasta los 12.656 millones. De esta partida, el grueso se corresponde con margen de intereses, que asciende a 8.186 millones (+2,9%), mientras que los servicios, que engloba gestión patrimonial, seguro de protección y comisiones bancarias repuntan un 7,7%, hasta 4,182 millones. En cuanto a los ingresos procedentes de la cartera de sus participadas llegan a los 349 millones, un 7,8% más interanual.

En conjunto, su volumen de negocio ha alcanzado los 1,16 billones al término de septiembre, al calor de la mayor financiación tanto de familias como de empresas, de tal manera que el crédito sano se coloca en los 397.469 millones. El segmento de empresas despunta un 11,4% y se erige como el que más crece, seguido de consumo (9,8%) y adquisición de vivienda (+7%). Dentro de la cartera hipotecaria, seis de cada diez préstamos están referenciados a tipo fijo cuando en 2021 apenas llegaban al 20%, justo antes del inicio del ciclo de subidas de tipos.

"Crecemos de forma sólida y equilibrada, ganando clientes y aumentando nuestra actividad. Y lo hacemos gracias a nuestra posición de fortaleza", indica el consejero delegado, Gonzalo Gortázar. El banco prevé distribuir 1.281 millones entre sus accionistas, equivalente a 18,44 céntimos por acción, pagadero el próximo 6 de noviembre. Esto equivale al 40% del beneficio neto correspondiente al primer semestre. El plan de dividendos establecido para 2026 recoge una distribución en efectivo de entre el 50 y el 60% de las ganancias a abonar en dos pagos.

El grupo acaba de superar los 21 millones de clientes entre España y Portugal tras sumar 480.000 nuevos usuarios en los últimos doce meses. La expansión del negocio se produce con una tasa de impago contenida después de que la morosidad se haya situado en el 1,76%.

Noticia en ampliación...

CaixaBank gana 4.962 millones hasta septiembre, un 12,9% más

30 October 2026 at 05:57
Imagen de una oficina de CaixaBank en Santiago de Compostela.

CaixaBank ronda un nuevo máximo de beneficios anual en este año. El banco ha ganado entre enero y septiembre de 2026 un total de 4.962 millones, un 12,9% más que en el mismo periodo del ejercicio anterior. La cifra en solo nueve meses prácticamente iguala a las ganancias de todo 2025, cuando se llegó a 5.891 millones.

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Migasa se une a Coricelli, y Dcoop y Acesur juntan sus ofertas en la batalla final por Deoleo

30 October 2026 at 04:15
Planta de embotellado de aceite de oliva Carbonell, marca propiedad del grupo Deoleo, en una imagen cedida por la empresa.

El proceso de venta de Deoleo suma nuevos ingredientes en su recta final. Finalmente, cuatro gigantes del sector olivarero español y mundial, repartidos en dos consorcios, se disputan la propiedad de la compañía aceitera dueña de Carbonell después de presentar las ofertas definitivas por la misma, una vez expirado el plazo dado hasta el pasado lunes.

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Los controladores alertaron en enero a Adif del estrés por la sobrecarga de trabajo tras el accidente de Adamuz

30 October 2026 at 04:00

El accidente ferroviario que ha causado la muerte de al menos 69 personas en Urda (Toledo) ha vuelto a poner de manifiesto la importancia de las condiciones en las que se desarrolla la gestión de la circulación ferroviaria. A la espera de que la investigación esclarezca las causas de lo sucedido, entre ellas el fallo del sistema de protección y las decisiones operativas adoptadas desde el centro de control, el ministro de Transportes, Óscar Puente, circunscribe la responsabilidad del accidente en un "fallo humano". En este contexto, cabe precisar que los trabajadores de los centros de regulación de la circulación (CRC) llevan meses alertando a Adif sobre la presión operativa, la sobrecarga de trabajo y el desgaste emocional que soportan en sus puestos de trabajo.

Una de las advertencias más concretas se produjo el pasado 23 de enero, cinco días después del accidente ferroviario de Adamuz (Córdoba) que dejó 46 fallecidos y hasta 292 heridos. Entonces, el Sindicato de Circulación Ferroviario (SCF) denunció ante Adif las cargas de trabajo "desbordantes" que asumían los trabajadores a raíz de los accidentes y los avisos incesantes de los maquinistas del mal estado de la vía. Lo hizo, explican desde el sindicato, con la intención de evitar que los responsables de coordinar el tráfico de trenes actúen con agobio y estrés, siempre respetando los parámetros de seguridad.

Esta reclamación fue plasmada el mismo día por el comité general de empresa de Adif en una carta dirigida al presidente de Adif, Luis Pedro Marco de la Peña. En esta misiva a la que ha tenido acceso este periódico, los trabajadores trasladan su "más profunda preocupación" por la situación de "sobrecarga laboral que origina un elevado nivel de estrés que afecta a la salud mental de las personas trabajadoras". Una coyuntura que, añaden, se vio "intensamente agravada con motivo de los desgraciados accidentes ferroviarios ocurridos en la Línea de AVE en Adamuz y Rodalies en Gelida".

Asimismo, el comité trasladó a la dirección otra advertencia acerca del "notable incremento de la carga operativa" que sufrían sus trabajadores tras la continua comunicación y establecimiento de numerosas limitaciones de velocidad". Una condición que, a su juicio, originan "una presión constante en la continua toma de decisiones de este personal que puede afectar a las condiciones psicosociales y psicofísicas del personal que desempeña funciones críticas y esenciales para la seguridad ferroviaria".

Meses después, tal y como reportaba este jueves El Mundo, el mismo colectivo de profesionales trasladó varias misivas entre abril y mayo a la Agencia Estatal de Seguridad Ferroviaria (AESF) -organismo adscrito a Transportes, como Adif- en las que pedía medidas para garantizar que "el personal de regulación y control de tráfico no supere límites que comprometan la seguridad ferroviaria debido a la fatiga".

Lo cierto es que el SCF lleva meses reclamando un aumento de personal, en un escenario marcado por la ausencia de una planificación adecuada del relevo generacional, el incremento del tráfico ferroviario derivado de la liberalización de los corredores de alta velocidad y el aumento de las incidencias que afectan a la circulación. En este contexto, el sindicato convocó concentraciones el 6 de octubre ante la sede de Adif en Madrid y el día 14 ante el puesto de mando de Chamartín para reclamar un nuevo mejor convenio.

Adif ya fue advertida de la filtración de audios internos

Se da la circunstancia de que en la citada misiva de enero, el comité de empresa ya reclamó a Adif una "investigación exhaustiva para esclarecer el origen de la filtración de las grabaciones de seguridad de las comunicaciones internas entre el personal tras producirse el accidente". Un hecho que volvió a ser denunciado este jueves por el secretario general del Sindicato Español de Maquinistas y Ayudantes Ferroviarios (Semaf), Diego Martín, al tachar de "alarmante, irrespetuoso e irresponsable" que "se filtren contenidos de audios sesgados" del centro de control, en relación a la publicación de los audios de las conversaciones entre los trenes y el centro de control.

Estas declaraciones del líder de Semaf se produjeron durante una jornada de paros impulsada por el sindicato mayoritario de maquinistas que estaba convocada antes del accidente de Urda. Cita que Martín aprovechó para cuestionar "que cada vez se trabaja más con sistemas degradados" y manifestar que el sistema de señalización LZB, que había fallado cuando se produjo el accidente, "debería haber sido sustituido hace mucho tiempo" por causar problemas en "reiteradas ocasiones".

Fábrica da Tupperware em Constância vendida por 4 milhões

30 October 2026 at 01:15
A fábrica em Constância foi vendida a uma empresa de cutelaria de Leiria, não identificada. A venda vai permitir pagar cerca de 50% dos créditos dos trabalhadores.

© PAULO CUNHA/LUSA

A fábrica foi colocada à venda por 10 milhões, mas foi vendida por apenas 4 milhões.

Grupo Indra acelera encomendas no 3.º trimestre e mantém crescimento de dois dígitos

30 October 2026 at 00:26

O Grupo Indra acelerou a captação de encomendas no terceiro trimestre, voltando a registar crescimentos de dois dígitos nas receitas e no resultado operacional, anunciou hoje a empresa.

Nos primeiros nove meses de 2026, as receitas aumentaram 29%, para 4.645 milhões de euros, com subidas em todas as divisões, com destaque para a Defesa (100%) e Tráfego Aéreo (23%).

A carteira de encomendas atingiu 22.165 milhões de euros no final de setembro, mais 133% em termos homólogos, impulsionada pelos setores da Defesa e do Espaço, nomeadamente pela integração da Hispasat e Hisdesat e pelos contratos do programa IRIS².

A entrada de encomendas nos nove meses fixou-se em 8.085 milhões de euros, mais 82%, com uma aceleração de 139% apenas no terceiro trimestre, sobretudo devido a contratos de 1.926 milhões de euros do programa europeu IRIS².

O EBITDA cresceu 62% e o EBIT 42%, para uma margem de 9,8%, face a 8,8% no mesmo período de 2025. O resultado líquido foi de 355 milhões de euros, mais 22%.

Em comunicado, o presidente executivo do Grupo Indra, Josep Maria Recasens, afirmou que “o terceiro trimestre confirma a força do nosso crescimento e demonstra o potencial do Espaço como um dos principais motores do Grupo Indra”.

“O contrato relacionado com o IRIS² representa um marco para a empresa e reforça a nossa posição para liderar grandes programas tecnológicos e industriais europeus”, acrescentou.

O responsável sublinhou ainda que o grupo está a construir “uma Indra mais integrada, mais industrial e mais orientada para o produto”, preparada para traduzir o crescimento da carteira em resultados sustentáveis, numa altura em que prepara o novo Plano Estratégico, a apresentar em novembro.

O grupo, que no terceiro trimestre anunciou a compra de 30% da TRC (IndraMind) e de 100% da Dares Technology, reafirmou as metas financeiras para 2026: receitas superiores a 7.000 milhões de euros, EBIT acima de 700 milhões e free cash flow superior a 375 milhões.

O Indra Group (Grupo Indra) é um grande grupo multinacional de origem espanhola, líder nos setores de defesa, aeroespacial, gestão de tráfego aéreo, mobilidade inteligente e tecnologias de informação

 

Ainda bem que os bancos estão a apresentar lucros

30 October 2026 at 00:16

Os resultados que os bancos portugueses estão a apresentar são boas notícias para o país. O BCP anunciou esta semana lucros de 874 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, mais 12,6% do que em 2025. O Santander ganhou 664 milhões, apesar de uma descida de 8,8%. São números expressivos, que confirmam a solidez e a rentabilidade do nosso sistema bancário.

Há quem olhe para estes resultados com desconfiança, como se ganhar dinheiro fosse, por si só, motivo de censura. Não é. Os bancos são empresas, têm acionistas, trabalhadores, clientes e obrigações. Precisam de ser rentáveis para investir, conceder crédito, reforçar os capitais próprios e resistir às crises.

Sobretudo, convém não esquecer o passado. Portugal sabe bem quanto custa ter bancos em dificuldades. O BPN, o BES, o Banif e a própria Caixa Geral de Depósitos, em situações muito diferentes, obrigaram a intervenções públicas que custaram milhares de milhões de euros. Os erros de gestão, os riscos excessivos e as falhas de supervisão acabaram por ter consequências pesadas para os contribuintes e para os clientes, em muitos casos privados de recuperar poupanças de uma vida.

A diferença é enorme. Um banco que dá lucros paga impostos, remunera os seus acionistas, emprega milhares de pessoas e pode acumular capital para financiar a economia. Um banco que entra em colapso pode destruir poupanças, comprometer empresas, abalar a confiança e exigir recursos públicos que fazem falta na saúde, na educação ou noutras prioridades do país. Não foi assim há tanto tempo. Convém não esquecer.

Saudar estes resultados não significa, naturalmente, defender tudo o que os bancos fazem. As comissões cobradas aos clientes, a remuneração dos depósitos, os spreads e as margens de intermediação financeira devem continuar sujeitos a escrutínio. A concorrência tem de funcionar e os consumidores precisam de ser protegidos. Uma banca saudável não fica dispensada de praticar preços justos e prestar bons serviços.

Também não basta apresentar lucros elevados e distribuir dividendos. Os bancos têm uma responsabilidade decisiva no financiamento das empresas, no apoio ao investimento e na modernização da economia. E podem ter agora um papel especialmente importante no combate à crise da habitação, ajudando a financiar a construção de novas casas, aumentando a oferta e criando condições de acesso ao crédito que não comprometam o futuro das famílias. Portugal precisa de crescer mais, de aumentar a produtividade e de criar riqueza. Uma banca capitalizada e bem gerida deve ser parte dessa solução.

Portugal fez um longo caminho desde a crise financeira. Os bancos reduziram o crédito malparado, reforçaram os capitais e recuperaram a confiança. Seria um erro desvalorizar essa transformação. É legítimo exigir mais à banca portuguesa. Mais concorrência, ainda mais transparência, melhores serviços e maior capacidade para apoiar a economia. O que não faz sentido é transformar os seus lucros num problema. O problema nunca foi os bancos ganharem dinheiro. O problema foi, demasiadas vezes, perderem tanto que acabámos todos a pagar a conta.

Grupo INFORM cria EVOTESS para levar inteligência artificial à logística dos materiais de construção

30 October 2026 at 00:13

O Grupo INFORM anunciou a criação da EVOTESS, uma nova empresa independente, integralmente detida pelo grupo, especializada na aplicação de inteligência artificial e tecnologias avançadas de otimização à logística da indústria dos materiais de construção.

A nova empresa surge apoiada em mais de 35 anos de experiência acumulada pela INFORM no desenvolvimento de soluções para os setores do cimento, betão, agregados e asfalto. A EVOTESS pretende ajudar as empresas destas indústrias a planear e gerir operações logísticas de forma mais eficiente, recorrendo a tecnologias de Inteligência Artificial (IA), Machine Learning e otimização matemática.

Segundo o grupo, a nova estrutura dá continuidade ao trabalho já desenvolvido internacionalmente pela INFORM nesta área. As tecnologias da empresa são atualmente utilizadas por alguns dos maiores operadores mundiais do setor dos materiais de construção, entre os quais a Heidelberg Materials, a Holcim e a CRH.

Para o mercado português, a criação da EVOTESS é apresentada como uma oportunidade para acelerar a adoção de soluções tecnológicas capazes de melhorar a eficiência operacional, otimizar a utilização de recursos e apoiar os processos de transformação digital da indústria.

Citado em comunicado, João Faísca, CEO da INFORM Portugal, afirma que a criação da EVOTESS reforça a aposta do grupo na especialização tecnológica e na capacidade de responder aos desafios enfrentados pelas empresas do setor.

“A criação da EVOTESS reforça a nossa aposta na especialização tecnológica e na capacidade de responder aos desafios de uma indústria cada vez mais pressionada para aumentar a eficiência e controlar custos”, refere o responsável.

A empresa considera que a crescente necessidade de otimização de operações, associada à pressão sobre custos e sustentabilidade, está a acelerar a procura por ferramentas de inteligência artificial capazes de melhorar a tomada de decisão e aumentar a produtividade em atividades logísticas complexas.

Com esta aposta, o Grupo INFORM procura consolidar a sua presença num segmento considerado estratégico para a transformação digital da indústria dos materiais de construção.

Governo defender transparência salarial sem aumentar burocracia para as empresas

30 October 2026 at 00:55

O Governo não tem qualquer “hesitação em defender a transparência salarial para defender a igualdade salarial entre homens e mulheres”, mas este desígnio não pode “criar nas empresas um ónus de natureza burocrática”, disse o ministro da Economia, no Parlamento.

“Não temos nenhuma hesitação em defender a transparência salarial para defender a igualdade salarial entre homens e mulheres”, disse Manuel Castro Almeida, numa audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Economia e Coesão Territorial, Reforma do Estado e Poder Local e Agricultura e Pescas, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). “Mas não se podem criar nas empresas ónus de natureza burocrática quando fornecem ao Estado documentação se estão ou não a cumprir a lei”, disse o responsável em resposta ao Chega e ao PAN. “Temos de resolver os problemas e não acrescentar burocracia”, acrescentou.

A diretiva europeia sobre transparência salarial entrou em prazo limite de transposição a 7 de junho por isso Portugal já está atrasado na transposição da mesma, embora não seja o único. O Governo está a preparar para adaptar à legislação portuguesa esta diretiva europeia. “Temos de acautelar a igualdade salarial entre homens e mulheres e evitar as burocracias que alguns querem impor”, disse Castro Almeida.

O ministro fez questão de sublinhar um dos grandes problemas da economia nacional é a fraca produtividade, e que essa será a grande prioridade do próximo ciclo de programação dos fundos europeus (2028-2034). “Não culpe os fundos europeus pela baixa produtividade”, atirou Castro Almeida a um deputado do Chega. “Temos de reconhecer que os fundos andaram a tratar de outros assuntos que não a produtividade. Portugal mudou à custa dos fundos europeus que pagaram infraestruturas, escolas, saúde. As condições de vida dos portugueses melhoraram muito à custa dos fundos europeus”, acrescentou.

Contudo, “os fundos não foram tão dirigidos quanto deveriam — e quanto esperto que venham a ser no futuro — para falta de produtividade, causa do maior problema dos portugueses que é a falta de dinheiro no bolso”, disse o ministro. Para resolver este problema são necessários “acréscimos de produtividade para onde queremos dirigir o próximo ciclo de fundos europeus”.

Castro Almeida apelou às empresas, universidades e centros de investigação que comecem já a preparar consórcios para depois para fazer consórcios com empresas e universidades estrangeiras para fazer candidaturas conjuntas ao Fundo Europeu da Competividade, que tem uma dotação de 400 mil milhões de euros. “A aposta no Fundo Europeu para a Competividade é o grande desafio que vamos ter no novo ciclo de programação”, frisou Castro Almeida. “Portugal tem de ter capacidade de apresentar boas candidaturas ao Fundo Europeu da Competividade e podemos vir a inverter a diminuição de fundos europeus que haverá no próximo ciclo para todos os países da Europa”.

“Algumas universidades já estão a fazer este trabalho e a AI2 também está a promovê-lo juto de alguns centros de investigação”, revelou o minsitro.

Para ajudar as empresas, o ministro da Economia recordou que o Executivo baixou a taxa de IRC num ponto percentual em 2026 e vai voltar a fazê-lo no próximo ano, de acordo com a proposta de Orçamento do Estados para 2027, havendo o compromisso de repetir a medida para 2028. Castro Almeida explicou que a opção foi baixa o IRC, mas garantiu que a descida da derrama estadual irá ser feita. O responsável sublinhou a política seguida pelo Governo e “baixar os impostos para o mínimo indispensável para garantir o Estado social e a autoridade”, já que “as empresas têm muito onde investir o dinheiro desde logo para investir em inovação, melhorar equipamentos e melhorar salários”.

Em termos de salários, o ministro da Economia garantiu os salários dos portugueses estão, sistematicamente, a crescer acima da inflação, citando os “números inequívocos do INE”. Reconhecendo que gostava que a diferença fosse maior, sublinhou que a guerra no Médio Oriente e o aumento dos custos com os combustíveis impedem que assim seja. “Apesar disso, [os salários] estão a crescer em Portugal. Não estou a dizer que estão bem ou a crescer demais”, alertou.

Ainda assim lamentou o “enorme atraso” no rendimento dos portugueses, e o facto do país comparar mal com a média europeia em termos de PIB per capita. “É um dos piores indicadores no confronto com a Europa. Estamos aproximadamente em 80% do PIB per capita. Tanto quanto Portugal tinha há 30 anos. Estivemos a marcar passo”. Apesar de ressalvar que a situação já foi pior, sublinhou não ver razão para que o país se contente com menos do que a média da União Europeia. “Para recuperar este atraso o país tem de crescer, a cada ano, mais do que a média europeia. Se o país crescer tanto como no primeiro semestre deste ano, é possível atingir 100% da média europeia em 2043″, explicou repetindo a ideia que já tinha defendido no último dia de debate da proposta de Orçamento do Estado antes da votação na generalidade.

“Em dez anos conseguimos recuperar 12 pontos percentuais. Está ao alcance dos portugueses, assim haja ambição e organização do trabalho”, concluiu.

Refinaria de Sines vai além dos interesses da Galp

29 October 2026 at 23:54

O ministro da Economia reconheceu que houve “uma intervenção” nas negociações entre a Galp e a Moeve com vista a fundir os negócios de refinação e distribuição, já que era necessário compatibilizar o direito da livre iniciativa e o direito da propriedade com o mais alto interesse estratégico do país. Manuel Castro Almeida disse que o Governo cumpriu o seu papel num negócio que envolvia a única refinaria do país cujo valor estratégico vai para além dos direitos da livre iniciativa.

Fazendo questão de sublinhar que “o Governo respeita totalmente a iniciativa privada e a livre iniciativa”, Castro Almeida sublinhou que a convicção do Executivo é de que “a soberania de um país tem de ser equacionada a par com os valores de livre iniciativa e do direito de propriedade”. “É possível compatibilizar estes dois direitos” com o dever de defesa do “interesse estratégico do país”, acrescentou.

Numa resposta ao deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, o ministro da Economia reconheceu que “o Governo teve uma intervenção que foi no sentido de compatibilizar os valores de livre iniciativa e economia de mercado com o mais alto interesse estratégico do país”.

“Uma refinaria que é única em Portugal tem um valor estratégico que vai para além dos direitos de livre iniciativa”, disse Castro Almeida.

“O Governo cumpriu o seu papel e a Galp entendeu que era melhor para si não fazer o negócio que tinha projetado. Essa é uma decisão soberana da empresa que é estranha a qualquer decisão do Governo”, garantiu.

Tal como o ECO avançou em primeira mão, na segunda-feira a Galp informou o mercado que, “na sequência do anúncio de 8 de janeiro de 2026, relativo a um acordo não vinculativo entre a Galp e os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group, e na sequência de negociações exaustivas entre as partes, não foi alcançado qualquer acordo”.

Está a ser “mais difícil” cumprir metas de execução que impedem devolução de verbas a Bruxelas

29 October 2026 at 22:16

O ministro da Economia e da Coesão Territorial reconheceu que está a ser “muito exigente” e “mais difícil do que em quadros anteriores” cumprir as metas de execução que impedem a devolução de verbas a Bruxelas.

“No Portugal 2030 o cumprimento da regra do N+3 está a ser mais difícil do que em quadros anteriores, em que era cumprida com grande facilidade”, disse Manuel Castro Almeida na audição conjunta com as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças e Administração Pública, Economia e Coesão Territorial, Reforma do Estado e Poder Local e Agricultura e Pescas, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). Isto porque o atual quadro “começou com mais um ano de atraso face ao PT2020”, explicou o responsável. “Começou muito tarde ter pelo meio de encaixar as metas do PRR dificultou a capacidade de execução de autarquias e de empresas”, precisou.

De acordo com as regras comunitárias, os países têm de gastar o correspondente ao orçamento de cada ano nos três anos seguintes. Se não o fizerem, o montante remanescente tem de ser devolvido a Bruxelas.

“O ano de 2026 ainda é muito exigente para o cumprimento da regra N+3, muito exigente mesmo“, disse Castro Almeida. “Espero que o próximo ano seja mais fácil do que está a ser o de 2026”, disse, com o cuidado de acrescenta que está “confiante que será cumprido”.

O secretário de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional revelou que é ao nível dos programas regionais do Centro e do Algarve que se colocam os maiores desafio. Questionado especificamente sobre o Norte 2030, Hélder Reis disse que o N+3 estava cumprido.

Em termos de cumprimento, o ministro da Economia garantiu que está a ser feito “um esforço enorme para eliminar os atrasos na análise de candidaturas”. “Na área do Sistema de Incentivos já não há atrasos na análise das candidaturas”, garantiu. “O IAPMEI e a AICEP estão a cumprir a 100% os prazos de análise das candidaturas”, acrescentou, sem no entanto fazer referência ao Compete.

Castro Almeida reconheceu porém que “ainda estão por cumprir os prazos dos pagamentos”. “Mas estamos quase a lá chegar”, garantiu. As regras determinam que os pagamentos devem ser feitos a 30 dias.

Confrontado pelo deputado socialista, Nuno Fazenda, com exemplos de empresas que não conseguem submeter pedidos de pagamento no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), por a plataforma estar ainda a ser operacionalizada, Castro Almeida sublinhou apenas que já foram 350 milhões de euros no âmbito deste instrumento.

O assunto já tinha sido tratado na Comissão de Economia, a semana passada, quando o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos, confirmou as afirmações do deputado Nuno Fazenda, que também tem recebido queixas de beneficiários dos concursos da Inteligência artificial por não terem resposta aos pedidos de reembolso das despesas. Uma situação justificada pela demora de oito meses na definição das regras para a submissão das despesas.

Os apoios aos projetos de inteligência artificial foram os primeiros a serem lançados no âmbito do IFIC – a receção de candidaturas encerrou a 21 de novembro de 2025 – mas a orientação técnica da estrutura de missão Recuperar Portugal e do Banco de Fomento com as regras operacionais aplicáveis à execução e acompanhamento dos projetos aprovados no âmbito do IFIC só foi publicada a 30 de setembro.

“Tenho recebido relatos de muitas empresas, sobretudo da IA, que têm projetos aprovados, que conseguem submeter as despesas, mas as mesmas estão por iniciar”, disse Dominguinhos aos deputados. “Recordo que há cerca de 15 dias foi publicada uma orientação técnica por parte da estrutura de missão, conjuntamente com o Banco Português de Fomento, a referir quais eram os procedimentos para os pagamentos. Portanto, deduzo que a plataforma esteja agora a ser otimizada para que as entidades possam analisar os pedidos de pagamento”, sublinhou o presidente da CNA.

Dominguinhos recordou que a audição a 13 de maio na mesma comissão parlamentar, na qual referiu a questão dos pagamentos dos adiantamentos nestes concursos “que não estavam a ser feitos”. “Aquilo que sei é que passado uma semana, ou 15 dias, a maior parte dos adiantamentos foram regularizados”, sublinhou.

Os 350 milhões de euros de pagamentos a que Castro Almeida se referiu na audição, podem, na verdade, ser referentes apenas aos adiantamentos já pagos e não ao pagamento de pedidos de reembolsos.

 

Ações da Intel derrapam 21% com explosão de fábrica em Israel e abrandamento dos PC

By: ECO
29 October 2026 at 22:07

As ações da Intel estão a afundar mais de 21% na negociação após o fecho, depois de a fabricante de chips ter apresentado previsões para o quarto trimestre abaixo do esperado, penalizadas por uma explosão mortal na sua fábrica em Israel e pelo abrandamento do segmento de PC.

A Intel prevê receitas entre 15 e 16 mil milhões de dólares no quarto trimestre, abaixo dos 17,07 mil milhões estimados pelos analistas, e um lucro ajustado de 25 cêntimos por ação, longe dos 43 cêntimos esperados.

A explosão em outubro na fábrica de Kiryat Gat, em Israel, que matou duas pessoas e feriu outra com gravidade, fará desaparecer cerca de 600 milhões de dólares em receitas ao longo de dois trimestres, avança a agência noticiosa Reuters. A unidade, que produz sobretudo chips para centros de dados, deverá começar a retomar a produção até ao final desta semana, após uma paragem de duas semanas.

Segundo o diretor financeiro, David Zinsner, a situação levará que as previsões de receitas para o quarto trimestre sejam reduzidas em cerca de 300 milhões de dólares. A Intel prevê um impacto semelhante nas receitas do primeiro trimestre de 2027. O impacto final pode ser maior, já que a Intel ainda está a avaliar que bolachas de silício podem ser aproveitadas.

A juntar-se a este cenário, a fabricante de chips alertou que as receitas no segmento de PC vão continuar a abrandar até ao primeiro semestre do próximo ano. O segmento está a ser pressionado pela forte subida dos preços da memória. A empresa estima que as receitas neste segmento caiam na ordem dos 25% no próximo trimestre.

No terceiro trimestre, as vendas da divisão de chips para PC caíram 5%, para 8,10 mil milhões de dólares. O mercado estimava 8,98 mil milhões. As receitas da Intel subiram 21%, para 16,51 mil milhões de dólares, em linha com as estimativas. O lucro ajustado situou-se nos 52 cêntimos por ação, acima das estimativas de 40 cêntimos.

Projeto liderado pela UTAD quer transformar a forma de desenvolver talento desportivo em Portugal

29 October 2026 at 21:57
UTAD

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai receber 150 mil euros do Comité Olímpico de Portugal (COP) para desenvolver o projeto TALENTODROME-PT – Transdisciplinary Ecosystem for Talent Development and Innovation in Sport.

A candidatura foi uma das cinco aprovadas, entre 20 submetidas, no concurso de Bolsas para Projetos de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento Desportivo, e recebe o montante máximo atribuído por projeto.

TALENTODROME-PT quer transformar a forma como o talento desportivo é desenvolvido em Portugal, combinando ciência, inovação tecnológica e novas metodologias de treino.

“O objetivo é aproximar a investigação científica das necessidades concretas de atletas, treinadores, federações e organizações desportivas, transferindo conhecimento para a prática”.

A UTAD revela que durante os próximos 30 meses, os investigadores vão desenvolver e testar, com jovens atletas de diferentes modalidades desportivas, “um modelo inovador de desenvolvimento do talento que integra a diversificação da prática desportiva, a criatividade, novas metodologias de treino, a prevenção de lesões, a saúde mental e a utilização de tecnologias avançadas e inteligência artificial”.

“O talento não é uma fotografia tirada aos 12 ou 14 anos. É uma trajetória que se constrói, muitas vezes de forma imprevisível, através das interações entre pessoas, experiências e contextos. Com o TALENTODROME-PT queremos estudar e transformar esses ecossistemas onde ele possa emergir, desenvolver-se e atingir a excelência”, explica Jaime Sampaio, docente da UTAD e investigador do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD).

A equipa é composta por oito investigadores do CIDESD. Seis da UTAD: Jaime Sampaio, Sara Santos, Nuno Mateus, Eduardo Abade, Catarina Abrantes e Nuno Leite. Diogo Monteiro é Universidade de Leiria e Oeste e Maria João Lagoa, da Universidade da Maia.

O concurso do COP distribuiu cerca de 750 mil euros pelos cinco projetos selecionados, nas áreas da monitorização da performance, inteligência artificial, desenvolvimento de talento e inovação tecnológica. O programa prevê um mínimo de 10 bolsas – cinco financiadas pelo COP e cinco pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) –, com um teto de 150 mil euros por projeto.

O COP já transferiu a primeira tranche, correspondente a 25% do valor atribuído, o que permite iniciar de imediato a execução do projeto.

Para o presidente do COP, Fernando Gomes, investir em investigação aplicada é dar ao desporto português capacidade para tomar melhores decisões, com “conhecimento que chegue ao treino, às federações, aos atletas e às organizações”.

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