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Mulheres morrem arrastadas por enxurrada em Jundiaí; chuva derruba árvores e causa alagamentos

25 October 2026 at 17:52

Duas mulheres morreram em Jundiaí, no interior de São Paulo, na madrugada deste domingo, 25, arrastadas pela enxurrada durante as fortes chuvas que atingiram o Estado entre a noite de sábado, 24, e a manhã de domingo.

O temporal também derrubou árvores, e causou alagamentos e deslizamentos na capital paulista e em outras cidades do Estado.

Uma das áreas mais afetadas foi a região no entorno de Campinas. De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, por volta das 4h56, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender a uma ocorrência envolvendo duas mulheres arrastadas pela correnteza ao tentarem atravessar um córrego no bairro Casa Branca, em Jundiaí.

Uma das vítimas foi encontrada às margens do córrego, já em parada cardiorrespiratória, e levada à Santa Casa do município, mas não resistiu. Após buscas, os bombeiros encontraram o corpo de outra mulher também arrastada pela enxurrada. O óbito foi constatado no local. Não foram divulgadas informações sobre as identidades e as idades das vítimas.

Na cidade de Monte Mor, o rio Capivari e o córrego Água Comprida transbordaram, causando alagamento em vias e a queda de um muro. Não há registro de vítimas.

Alagamento

Na rodovia Anhanguera, houve alagamento na altura do km 42, no sentido sul (capital), o que levou à interdição parcial do tráfego, com apenas uma faixa liberada para circulação. O bloqueio ocorreu na região de Cajamar, na Grande SP.

Ainda no município, a chuva intensa causou a abertura de uma cratera na rua Padre Manoel Crispim, seguida do vazamento de uma adutora, além de alagamentos em vias e casas.

Na capital paulista, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), vinculado à Prefeitura de São Paulo, registrou 16 pontos de alagamento nas últimas 24 horas, dos quais cinco deixaram a via atingida intransitável.

Prefeitura de Jundiaí
Jundiaí registrou 80 mm de chuva em 12 horas; força-tarefa atua em várias frentes - Prefeitura de Jundiaí

Dois desses pontos seguiam ativos por volta das 13 horas deste domingo, ambos no sentido Castello Branco da marginal Tietê - um próximo à ponte das Bandeiras e outro perto da ponte Attilio Fontana.

Uma árvore de grande porte caiu sobre uma das pistas da avenida Pompeia, na zona oeste da capital, quase na esquina com a rua Desembargador do Vale, interditando o trânsito na pista sentido Vila Madalena. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) organizou desvios na região.

Segundo o Corpo de Bombeiros, foram 16 chamados para quedas de árvores na Grande São Paulo entre as 19 horas de sábado e as 6 horas de domingo. A corporação também registrou dez chamados para enchentes e quatro para desabamentos. Não há informações sobre feridos nessas ocorrências.

© Prefeitura de Jundiaí

Jundiaí registrou 80 mm de chuva em 12 horas; força-tarefa atua em várias frentes

Campanha de Flávio pede votação até 19h por chuvas em alguns estados

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A campanha do candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu há pouco ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O candidato defende que o horário seja estendido até as 19h. 

Conforme a legislação eleitoral, o horário de votação deve ser encerrado às 17h. Contudo, a campanha do presidenciável argumentou que os estados foram atingidos por fortes chuvas neste domingo (25), fato que prejudicou o deslocamento de eleitores. 

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O pedido de Flávio para ampliar o horário de votação foi feito após a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também solicitar que o horário de votação seja estendido até as 19h. 

A campanha do PT citou que a circulação de transporte coletivo foi restringida em municípios dos estados do Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia. 

Eleitores vão cedo aos locais de votação no Rio, mesmo com chuva

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Os eleitores do Rio de Janeiro comparecem aos locais de votação no horário de abertura das urnas, neste domingo (25), mesmo com chuva. Quase 12,9 milhões de pessoas estão aptas a votar no estado, sendo 4,9 milhões na capital, no segundo turno das eleições. 

Com um único voto para depositar, o processo está transcorrendo muito mais rápido do que no primeiro turno. Na Universidade Unisuam, em Bonsucesso, na Zona Norte, maior local de votação da capital, com 13 mil eleitores, o fluxo de pessoas foi grande durante a manhã, mas poucas sessões tinham fila. 

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O casal Tamara Almeida e Eduardo de Andrade preferiu ir logo no começo da votação para garantir que conseguiriam deixar seus votos na urna. Encontraram uma situação bem mais tranquila do que a do primeiro turno. 

"No primeiro turno, fiquei mais de duas horas na fila até conseguir votar. Agora foram 10 minutos", disse Tamara. "Antes estava muito cheio, tinha fila do lado de fora da escola. Estava bem caótico, mas hoje está bem diferente", complementou Eduardo.  

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O eleitor Paulo César da Silva, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio. Foto  - Tomaz Silva/Agência Brasil

Paulo Cesar da Silva também saiu cedinho da cidade de Nova Iguaçu, e mesmo com um ferimento na perna, fez questão de participar da eleição. Com a ajuda de uma muleta e das rampas da universidade, disse que não teve problemas para chegar à sua sessão eleitoral. 

"Não demorei nem um minuto pra votar, a sessão estava vazia. Eu vim pelo direito dos trabalhadores. Sou brasileiro. É mais um voto."

Marcus Vinicius de Andrade, que mora no Complexo da Maré disse que o transporte gratuito facilitou muito a sua participação nessa eleição. Ele votava perto de casa, mas seu local de votação foi um dos 72 alterados pelo Tribunal Regional Eleitoral. 

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O eleitor Marcus Vinicius Andrade, após votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto - Tomaz Silva/Agência Brasil

"No primeiro turno, falaram que meu local era em outra escola, cheguei lá e enfrentei a maior fila, quando eu entrei, me falaram que era aqui, mas deu tempo de votar. Hoje foi bem tranquilo e muito rápido." 

De acordo com mesários, duas participações se destacam neste domingo (25): a dos idosos e a de pessoas que não votaram no primeiro turno, mas compareceram às sessões no segundo. 

Maria das Dores de Lima, de 82, se encaixa nas duas situações. Com a ajuda de uma cadeira de rodas por causa de um problema na coluna, ela fez questão de participar: "É muito importante votar. E eu também quero fazer a minha prova de vida do INSS", ela disse. 

A neta Alexia de Lima complementa: "No primeiro turno, ficamos receosos de trazer, por causa de toda a movimentação. Mas como hoje está mais tranquilo, decidimos vir."

Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – A eleitora aposentada Maria das Dores de Lima e sua neta Alexia de Lima indo votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 25/10/2026 – A eleitora aposentada Maria das Dores de Lima e sua neta Alexia de Lima indo votar, no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM), na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Maria das Dores de Lima, de 82, fez questão de participar - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Regina Maria Neves, de 79 anos, também quis garantir sua participação. Pegou um ônibus em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para chegar a Vila Isabel, na capital, onde vota e esperou cerca de 30 minutos, sob chuva, até a abertura do local de votação. 

"Todo cidadão brasileiro tem que votar. Perdendo ou ganhando todo mundo tem que vir, porque a nossa opinião importa", disse. 

Gilberto Adamati, de 73 anos, chegou antes das 8h ao local. "Eu penso que é uma responsabilidade com o país. Estou bem de saúde, então não há porque deixar de vir. Eu soube de uma senhorinha de 96 anos que foi votar em cadeira de rodas. Um exemplo desses, não tem como a gente não seguir." 

Chuva altera local de votação em Itapevi, no interior paulista

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As fortes chuvas que atingiram diversas cidades do estado de São Paulo durante esta madrugada provocaram alteração de um local de votação na cidade de Itapevi, no interior paulista. A mudança ocorreu logo cedo, por volta das 7h30 de hoje (25), informou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

Por causa disso, os eleitores que votavam no Centro Municipal de Educação Básica (Cemeb) Professor Edevaldo Caramez, das seções eleitorais 439ª e 474ª, precisaram ser transferidos para a Escola do Futuro ETI Professor Irany Toledo de Moraes, que fica localizada na Rodovia Engenheiro Renê Benedito Da Silva, 1.400, Jardim Santa Rita.

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Segundo o TRE-SP, a mudança precisou ser feita porque o antigo local de votação ficou inacessível por causa de alagamentos na região.

Durante a semana, segundo o TRE-SP, seis locais de votação – previstos para funcionar no segundo turno – precisaram ser alterados no estado de São Paulo em decorrência de situações climáticas.

Além de Itapevi, três locais ficam no interior paulista, nas cidades de Presidente Prudente, São João da Boa Vista e Ibitinga. Outras duas mudanças precisaram ser feitas na capital paulista, nos bairros do Tucuruvi e Jabaquara.

De acordo com o TRE, eleitores de São Paulo que estiverem em dúvidas sobre a transferência dos locais de votação podem procurar a Central de Atendimento Telefônico ao Eleitor, pelo número 148. Além disso, o eleitorado pode acessar o site do TRE-SP ou buscar atendimento pelo WhatsApp, por meio do número (11) 3130-2200.

Antes de votar, é importante que o eleitor cheque o local de votação por meio do seu e-Título ou pelo portal da Justiça Eleitoral, por meio do menu Consultas, opção Onde Votar.

Mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no país

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Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país. A explicação é simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma barreira de proteção. 

Essa defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.

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Na Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil, com 188 óbitos. 

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não ocorre apenas no Rio Grande do Sul. De 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa metade do país (54%).

As outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a baixa, com risco esporádico ou incerto.

A principal explicação para essa mudança está no clima. A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por determinado período de tempo.

"O que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão zero", alertam os autores. 

De acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas. 

A doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na França e na Itália. 

Granato explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue são afetadas pelo clima.

"Eles colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão da fêmea para os ovos".

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML
O infectologista Celso Granato . Foto: Divulgação SBPC/ML

A temperatura também altera o comportamento dos mosquitos já adultos. 

"Quando está muito calor, eles têm que bater a asinha mais rapidamente para conseguir voar. Então, eles gastam mais energia e precisam picar mais para se alimentar e acabam transmitindo mais a doença também".

Febre do Oropouche

Mas a dengue não é a única doença afetada pelas mudanças climáticas. A febre do Oropouche, que circulava quase exclusivamente na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal. 

A relação com o clima ainda está sendo investigada, mas especialistas acreditam que mudanças nos padrões de temperatura e chuvas, em conjunto com a degradação ambiental, tenham contribuído para a expansão da doença. 

Granato chama atenção ainda para surtos que podem ocorrer após eventos extremos, como secas e enchentes, que têm se tornado mais frequentes com as mudanças climáticas. O alerta aumenta com a previsão de que o Brasil seja afetado pelo fenômeno El Niño, que favorece esses eventos.

 

Brasília (DF) 02/02/2024 - O Ministério da Saúde define a febre do Oropouche como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil,  em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação Brasília (DF) 02/02/2024 - O Ministério da Saúde define a febre do Oropouche como doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, identificado pela primeira vez no Brasil,  em 1960, a partir da amostra de sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.
Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação
Mosquito causador da febre do Oropouche Foto: Sociedade Brasileira de medicina tropical/Divulgação

"No Rio Grande do Sul, após o desastre das chuvas, aumentou muitas vezes a frequência de leptospirose", exemplifica.

A doença é causada por uma bactéria transmitida principalmente pela urina de ratos, que é espalhada durante enchentes. 

"A água da enxurrada também se mistura com o esgoto e pode contaminar a que as pessoas vão beber ou lavar seus alimentos. Há um grande risco de se contaminar com bactérias que causam problemas gastrointestinais e com vírus, como o da hepatite A", complementa o infectologista.

Já as secas representam um perigo diferente e pouco conhecido: "Quando a gente tem incêndio, os animais que dependem da floresta migram para as casas das pessoas que moram perto, principalmente pequenos mamíferos, que têm uma série de doenças que podem passar para o ser humano".

O exemplo mais preocupante é o hantavírus. A cepa que circula no Brasil causa uma síndrome cardiopulmonar bastante grave. Desde 2016, 530 infecções foram confirmadas no país, com 212 mortes, uma taxa de letalidade de 40%. 

"A gente tem vários exemplos anteriores, na Bolívia e no Paraguai, por exemplo. Quando ocorrem queimadas, os roedores infectados entram na casa das pessoas e causam essa doença", alerta Granado. 

Fungos

Outra ameaça pouco conhecida é a das doenças fúngicas. Na última edição do Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo Sarah Gonçalves Tavares alertou que as mudanças climáticas estão levando os fungos a se adaptarem e, com isso, alguns passam ser nocivos aos humanos. 

"A gente tem uma temperatura corporal média de 37 graus Celsius, e 95% dos fungos que estão no ambiente não conseguem crescer nessa temperatura. Mas a temperatura do meio-ambiente tem aumentado, e os fungos estão se adaptando a isso. Então, essa barreira que a gente tem acaba sendo rompida".

A professora explica que a mudança de temperatura é uma das "engrenagens" desse processo, assim como o aumento de raios ultravioleta e outras alterações ecológicas, que se somam e propiciam a emergência de determinados fungos como patológicos. 

"A gente tem micro-organismos que estavam no meio-ambiente e não eram causadores de doenças em seres humanos, mas eles foram se adaptando a vários tipos de estresse ao longo do tempo e começaram a surgir, principalmente, em pacientes em tratamento intensivo".

 

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto a professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Na foto a professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
A professora da UFES Sarah Gonçalves Tavares. Foto:  Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O maior exemplo é a Candida auris, identificada pela primeira vez na década de 1990 em áreas alagadas de países asiáticos, depois em regiões rurais e, por fim, em cidades. Ele apresenta duas características muito perigosas: consegue sobreviver em altas temperaturas e resistir por muito tempo no meio ambiente. 

"Uma pessoa sadia dificilmente vai desenvolver uma infecção por esse tipo de fungo, mas os pacientes imunodeprimidos são vulneráveis", complementa Sarah. Por isso, os surtos de Candida auris têm acontecido em unidades hospitalares, com letalidade entre 40 e 60%". 

Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal Mudanças climáticas já levam ao aumento de doenças infecciosas . Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal
Fungo do tipo Aspergilus . Foto: Sarah Tavares/ Arquivo Pessoal

O primeiro registro de infecção pelo fungo no Brasil foi em 2020, na Bahia. De lá para cá, foram 24 ocorrências em 15 estados, todas em unidades de saúde. Dos 146 pacientes colonizados, 56 morreram. Quando o fungo chegou a corrente sanguínea, provocando infecção generalizada, a letalidade chegou a 82%. 

Um exemplo mais recente é o Trichophyton indotineae, uma espécie de fungo que causa problemas de pele, identificada pela primeira vez em 2022.

"Ele já emergiu com resistência a antifúngicos, porque provavelmente estava exposto a isso no meio ambiente, e o remédio acaba selecionando cepas isoladas que são resistentes", conta a professora da Ufes.

Fungos resistentes não respondem aos tratamentos tradicionais, logo, são muito mais difíceis de serem combatidos. As mudanças climáticas também interferem indiretamente nesse processo: eventos extremos aumentam a vulnerabilidade das plantações, o que leva os agricultores a aplicarem mais fungicidas, acelerando a seleção de cepas resistentes. 

Alterações ambientais causadas pelo clima também podem contribuir para a dispersão de fungos que normalmente existem em áreas delimitadas. Um exemplo é o Aspergillus, que se desenvolve melhor em regiões quentes e úmidas, e tem avançado para outros lugares, após mudanças nos padrões de temperatura e umidade, inclusive no Brasil.

 

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