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Moraes diz que polícia prende usuários de maconha como traficantes

27 October 2026 at 22:17

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (27) que policiais estão descumprindo a decisão da Corte sobre porte de maconha para uso pessoal e prendendo usuários como se fossem traficantes.

A declaração foi feita durante o julgamento de um recurso na Primeira Turma. A associação autora do pedido queria autorização judicial para cultivar cannabis e distribuir derivados da planta a associados para fins medicinais. Segundo Moraes, ele levou o tema ao colegiado para alertar sobre situações que passaram a ocorrer depois que o STF fixou critérios para diferenciar usuário e traficante.

“A polícia vem ignorando a decisão do STF. Se o STF disse que não é crime, naquelas condições específicas, a pessoa não pode ser conduzida à delegacia, não pode ser presa em flagrante, para depois conseguir um habeas corpus”, disse o ministro.

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O que o STF decidiu

Em 2024, no julgamento do Tema 506 da repercussão geral, o Supremo decidiu que não comete infração penal quem adquire, guarda, transporta ou porta cannabis para consumo próprio. A conduta continua sendo ilícita, mas não gera consequências criminais.

A Corte também estabeleceu a presunção de uso pessoal para quem for flagrado com até 40 gramas de maconha ou seis plantas-fêmeas.

A presunção, no entanto, não é absoluta. A polícia pode prender por tráfico mesmo com quantidade menor, desde que haja elementos concretos de comercialização, como a forma de acondicionamento da droga, a apreensão de balança ou registros de vendas.

Durante a sessão, Moraes relembrou um levantamento apresentado por ele no julgamento do tema, que apontava diferenças no enquadramento conforme idade, raça e escolaridade.

“A pessoa até 22 anos, preta, só com ensino fundamental, ela com 10 gramas era traficante, enquanto a pessoa com mais de 35 anos, branca e com curso universitário, não era considerada traficante”, declarou.

Cultivo medicinal

O ministro também manifestou preocupação com prisões ligadas ao cultivo de cannabis para fins medicinais. Segundo ele, médicos e integrantes de associações têm sido enquadrados como traficantes e, em alguns casos, permanecem presos por dias até que a Justiça decida sobre o caso.

O recurso analisado pela Primeira Turma foi apresentado pelo Instituto de Articulação de Tecnologias Sociais e Ações Formativas, que pedia salvo-conduto para cultivar cannabis e fornecer derivados a associados em tratamentos de saúde. A autorização havia sido concedida em primeira instância, mas foi cassada pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Os ministros negaram o recurso por unanimidade. O relator, Flávio Dino, entendeu que o STF não poderia examinar o pedido, porque isso exigiria reanalisar fatos e provas e interpretar legislação infraconstitucional. Com isso, a Turma não julgou o mérito do cultivo e da distribuição de cannabis medicinal pela entidade. Moraes, apesar das ressalvas feitas durante a sessão, acompanhou o voto do relator.

Flávio Bolsonaro flees to the United States after election defeat to Lula

28 October 2026 at 07:28

Just days after his defeat in Brazil’s presidential election, Flávio Bolsonaro has fled Brazil for the United States. The U.S. State Department announced it would issue visas to the far-right leader and his family to allow them to enter the United States. The move had already been anticipated by people with close ties to Bolsonaro who spoke with Brazilian media outlets on a day full of rumors and speculation. According to O Globo, Bolsonaro landed in Miami last night.

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© Associated Press/LaPresse (APN)

Flávio Bolsonaro holds a press conference in Brasilia after his election defeat on Sunday.



Associate Press/ LaPresse
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Flávio Bolsonaro se habría fugado a EE.UU. para evadir la justicia de Brasil

27 October 2026 at 19:20
La Policía Federal de Brasil investiga si el senador Flávio Bolsonaro salió del país rumbo a Estados Unidos, tras no entregar sus pasaportes en el plazo fijado por el Supremo Tribunal Federal. Su paradero no está confirmado: el gobierno argentino y las autoridades brasileñas dicen que no hay registro oficial de su paso por la frontera.

Sumiço de Flávio incomoda aliados, que cobram respostas

27 October 2026 at 14:51

O sumiço do senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato derrotado do PL à Presidência da República, gera incômodo entre os próprios aliados.

A avaliação de membros do Partido Liberal é de que especulações sobre uma possível fuga do Brasil são negativas para o bolsonarismo.

Flávio é alvo de cobranças de parlamentares para gravar um vídeo ou soltar uma nota para esclarecer a situação e tem até a manhã desta terça-feira (27) para entregar passaportes à Polícia Federal, após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Como mostrou a CNN, a Polícia Federal acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga do país do senador, que saiu derrotado na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República.

Aliados relataram à CNN que procuraram pelo senador após o início das especulações, mas afirmam não ter notícia de Flávio.

Integrantes do PL afirmam que o posicionamento do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, de reconhecer em uma nota o resultado da eleição, teria gerado incômodo no entorno de Flávio.

Ao longo da segunda-feira (26), Flávio se reuniu com diversos aliados e estava decidido a ouvir a ala moderada do partido e se consolidar na oposição ao governo Lula. Há a possibilidade de que ele, inclusive, ocupe a sala utilizada no passado pelo pai, Jair Bolsonaro, na sede do partido.

Com a derrota na disputa presidencial e o encerramento do mandato como senador, Flávio ficará sem cargo público pela primeira vez em 24 anos.

Em menos de 24 horas após a vitória de Lula, Flávio recalibrou o discurso de não aceitação do resultado das eleições feito ainda no domingo à noite. Na segunda-feira, anunciou em um vídeo nas redes sociais que iria pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e que buscaria fazer da Câmara e do Senado uma “fortaleza contra barbárie”.

Na mesma gravação, o senador afirma que nunca pensou em deixar o país, relata uma abordagem da PF ao sair da casa do pai para entregar o passaporte por causa da proibição de sair do Brasil e confirma que iria entregar o documento.

À CNN, a defesa de Flávio confirmou o horário estabelecido pela PF para a entrega do passaporte. Segundo os advogados, Flávio iria recebê-lo nesta terça-feira para tratar do assunto, o que ainda não aconteceu. A defesa afirma que não conseguiu contato com o senador hoje.

 

Entenda inquéritos contra Flávio e a decisão de Moraes

27 October 2026 at 14:08

Flávio Bolsonaro (PL) foi intimado a entregar seus passaportes à PF (Polícia Federal) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que concedeu prazo de 24 horas para o cumprimento da medida.

Além disso, o senador está proibido de manter qualquer tipo de contato com o advogado Willer Tomaz, também investigado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A intimação ocorreu na manhã de segunda-feira (26).

Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse não apenas o passaporte brasileiro, mas também quaisquer documentos relacionados a outras nacionalidades ou viagens internacionais.

Em um vídeo publicado nas redes sociais na tarde de segunda, o senador afirmou que foi intimado pela Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Hoje de manhã, fui visitar meu pai, como vocês sabem ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, no meio da rua, fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, relatou.

As suspeitas investigadas

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal em razão do foro por prerrogativa de função do senador. O processo apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.

A suspeita central da Polícia Federal é de que o senador teria participação econômica e societária com Willer Tomaz em algumas empresas, principalmente na Alcazar Holding, na qual Flávio estaria nominado como usuário master em conta bancária.

Movimentações suspeitas de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 foram identificadas, valor considerado incompatível com as atividades econômicas conhecidas do senador.

A Polícia Federal também investiga possíveis irregularidades envolvendo apostas esportivas e uma casa lotérica no estado do Rio de Janeiro, com suspeita de fraude em licitação. Willer Tomaz, que atualmente mora nos Estados Unidos, já havia sido alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades envolvendo o INSS.

Postura de Flávio Bolsonaro

Na última sexta-feira, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, publicou em suas redes sociais uma sugestão de que Flávio poderia deixar o Brasil caso perdesse as eleições. No vídeo publicado após a decisão de Alexandre de Moraes, Flávio afirma que a determinação se baseou nessa declaração do irmão e ressalta que nunca manifestou intenção de sair do país.

O senador também recuou da intenção de pedir a anulação dos votos do segundo turno. A estratégia da campanha passou a ser a de apontar possíveis irregularidades cometidas pela campanha do PT, sem contestar o resultado final das eleições, decisão que teria sido aconselhada por aliados e lideranças do próprio PL.

O futuro dos inquéritos no STF

O analista de Política da CNN Teo Cury explicou, ao CNN Novo Dia, que, no ano passado, o STF mudou seu entendimento sobre o alcance do foro por prerrogativa de função. Por maioria de votos, os ministros decidiram que um parlamentar que deixe o cargo continua respondendo pelos crimes investigados mesmo após o término do mandato.

Assim, com o fim do mandato de Flávio Bolsonaro previsto para fevereiro do próximo ano, a tendência é que os casos permaneçam no Supremo.

Flávio Bolsonaro responde a três inquéritos no STF: um por calúnia contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um sobre suspeitas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” e outro relacionado à associação com Willer Tomaz por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Os relatores dos casos são Alexandre de Moraes e André Mendonça, que deverão analisar se há vínculo entre os crimes investigados e o mandato parlamentar do senador. Havendo esse vínculo, os processos continuarão tramitando no STF. Caso contrário, poderão ser remetidos à primeira instância.

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