O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu nesta terça-feira (27) que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado norte-americano.
“O país (Venezuela) se tornará próspero e, quem sabe, talvez em breve ele se torne um próspero 51º estado. É possível. Vamos fazer isso acontecer. Vamos torná-lo o 51º estado. E, em vez de um presidente, teremos uma eleição para governador. O que acha? Pois é”, afirmou durante um comício na cidade de Corpus Christi, no Texas.
Trump também afirmou que a Venezuela possui vastas reservas de petróleo e que grandes empresas do setor estão investindo bilhões de dólares no país.
Leia Mais:
“Quero agradecer à Venezuela, onde nossa relação se tornou muito, muito boa — excelente, na verdade. Bilhões e bilhões de dólares estão sendo investidos agora, por parte das maiores empresas de petróleo — muitas delas vindas do Texas — em todo o território venezuelano”, afirmou o presidente americano.
Trump fez as declarações diante de um navio ancorado ao largo da costa, o qual, segundo ele, transportava um milhão de barris de petróleo provenientes da Venezuela.
O presidente americano acrescentou que o petróleo venezuelano seria refinado no Texas e afirmou que a carga foi obtida sem custo algum para os contribuintes norte-americanos.
Trump também disse que os preços da gasolina e do diesel cairiam para os consumidores dos EUA, e elogiou os militares norte-americanos pelo que descreveu como uma vitória contra a Venezuela.
Com as pesquisas de boca de urna em Israel indicando que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal adversário, Gadi Eisenkot, possuem um caminho claro para obter uma maioria que lhes permita governar, o cenário de coalizões pós-eleição permanece totalmente em aberto.
Um impasse, um governo minoritário, um governo de unidade — ou até mesmo uma nova eleição — são, no momento, possibilidades plausíveis.
As notícias são ruins para Netanyahu. Seu bloco, composto por aliados ultraortodoxos e de extrema-direita, perdeu a maioria, passando de 68 cadeiras para apenas 50. As pesquisas de boca de urna projetam que seu partido, o Likud, manterá uma representação expressiva de 24 cadeiras, permanecendo como a maior legenda.
Ainda assim, o número está bem abaixo das 61 cadeiras necessárias para formar maioria no parlamento, que conta com 120 assentos. Para permanecer no poder, Netanyahu precisa, fundamentalmente, de uma coalizão.
O bloco de oposição detém, no papel, um número expressivo de 70 cadeiras; contudo, a realidade é que ele se encontra fragmentado e dividido, o que dificulta a definição de um caminho a seguir. Os partidos sionistas judaicos somam 52 cadeiras, enquanto os partidos árabes devem conquistar um recorde de 18 assentos — a maior representação árabe já registrada.
O partido Yashar, de Eisenkot, aparece nas projeções como a maior força dentro do bloco de oposição, com 22 cadeiras. No entanto, outros líderes partidários desse mesmo bloco descartaram a possibilidade de um governo que dependa de apoio árabe, o que complica significativamente qualquer tentativa de remover Netanyahu do poder.
A participação recorde do eleitorado árabe parece ser um dos aspectos mais marcantes destas eleições. Os cidadãos palestinos de Israel — que representam cerca de 20% da população do país — tradicionalmente registram taxas de comparecimento às urnas inferiores à média nacional. Na eleição de 2022, a participação árabe foi de 53%; desta vez, estima-se que tenha saltado para mais de 78%.
Esse movimento é interpretado como um voto de protesto contra o governo de Netanyahu e seus aliados de extrema-direita: o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Por outro lado, a alta taxa de comparecimento eleva a exigência para os partidos menores, que precisarão de um número maior de votos para atingir a cláusula de barreira de 3,25%.
Vale ressaltar que as pesquisas de boca de urna são apenas projeções; o cenário pode sofrer alterações à medida que os votos reais forem contabilizados ao longo da noite.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenta se manter no poder nas eleições realizadas em 27 de outubro no país. No poder em diferentes períodos desde 1996, ele é uma das figuras mais permanentes e influentes da política israelense.
Netanyahu construiu sua trajetória política com um discurso voltado à segurança nacional e ao combate ao terrorismo.
Ao longo dos anos, também esteve no centro de controvérsias envolvendo políticas relacionadas aos palestinos, uma reforma do sistema judicial e investigações por corrupção.
Origem
Netanyahu nasceu em 21 de outubro de 1949, em Tel Aviv, pouco mais de um ano após a fundação do Estado de Israel. Filho do historiador Benzion Netanyahu e de Cela Netanyahu, cresceu em Jerusalém e passou parte da adolescência nos Estados Unidos.
Ele retornou a Israel em 1967 para cumprir o serviço militar nas Forças de Defesa de Israel. Ele integrou a Sayeret Matkal, uma unidade de elite das forças israelenses, e participou de operações especiais, incluindo o resgate de reféns de um avião da companhia aérea belga Sabena, sequestrado em 1972.
Em 1972, concluiu o serviço militar regular, retornando às atividades militares durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, quando foi promovido a capitão da reserva.
Depois do serviço militar, estudou no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, onde se formou em arquitetura e concluiu um mestrado em administração de empresas. Também estudou ciência política no MIT e na Universidade de Harvard.
Entre 1976 e 1982, trabalhou no setor privado. Primeiro, atuou na consultoria internacional Boston Consulting Group e, depois, ocupou um cargo de direção na empresa de mobiliário Rim Industries.
Ainda nos anos 70, fundou o Instituto Yonatan, em homenagem ao seu irmão, morto em uma operação de resgate a reféns em um avião sequestrado da Air France, em Uganda.
O instituto tinha como foco o estudo do terrorismo, passando a defender a cooperação internacional a esse tipo de ameaça.
A organização promoveu conferências internacionais em 1979 e 1984 para discutir formas de combater essas organizações. Netanyahu também escreveu e organizou livros sobre o tema, entre eles Terrorism: How the West Can Win, publicado em 1987.
Diplomacia e liderança do Likud
A carreira pública de Netanyahu obteve destaque na década de 1980. Entre 1982 e 1984, atuou como vice-chefe da missão diplomática de Israel em Washington. Em seguida, foi embaixador israelense nas Nações Unidas, cargo que ocupou de 1984 a 1988.
Em 1988, retornou a Israel e foi eleito para o Knesset, o Parlamento do país, pela lista do Likud. Na sequência, assumiu o cargo de vice-ministro das Relações Exteriores durante o governo do premiê Yitzhak Shamir.
Em 1993, Netanyahu foi eleito presidente do Likud, tornando-se líder da oposição. Na época, defendia posições consideradas linha-dura em questões de segurança e se posicionava a favor da privatização de empresas estatais.
Primeiro mandato
Netanyahu foi eleito primeiro-ministro em 1996, com 50,49% dos votos, em uma disputa contra Shimon Peres. A campanha foi organizada com estratégias inspiradas em eleições americanas e teve como lema “Paz com Segurança”.
Embora tivesse ressalvas em relação ao reconhecimento da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e aos Acordos de Oslo, Netanyahu se reuniu com o líder palestino Yasser Arafat pela primeira vez em setembro de 1996. Na ocasião, os líderes afirmaram estar comprometidos com o acordo de paz interino entre Israel e a OLP.
O líder palestino Yasser Arafat, o rei Hussein da Jordânia, o presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, durante os cumprimentos na cerimônia de assinatura do acordo de paz de Wye, na Casa Branca • Dirck Halstead/Getty Images
Durante seu primeiro mandato, o governo israelense assinou o Protocolo de Hebron, em janeiro de 1997, e o Memorando de Wye River, em outubro de 1998. Os acordos integravam o processo de negociações entre israelenses e palestinos.
O período foi marcado por divergências dentro da coalizão governista, conflitos sobre a condução das negociações e dificuldades para aprovar o orçamento. A renúncia de ministros e os desentendimentos entre os partidos que sustentavam o governo também tiveram impacto na administração.
Em 1999, Netanyahu perdeu a eleição para o trabalhista Ehud Barak e deixou o cargo. Na sequência, se afastou temporariamente da política e voltou a trabalhar no setor privado.
Retorno à política
Netanyahu voltou ao governo em 2002, como ministro das Relações Exteriores. No ano seguinte, assumiu o Ministério das Finanças, cargo que ocupou até 2005.
Em agosto de 2005, renunciou ao cargo de ministro das Finanças em protesto contra o plano de retirada dos assentamentos israelenses da Faixa de Gaza. A medida, implementada naquele ano pelo governo de Ariel Sharon, previa a retirada dos colonos israelenses do território.
Em dezembro de 2005, Netanyahu voltou à liderança do Likud. Após as eleições de 2009, conseguiu formar uma coalizão e reassumiu o cargo de primeiro-ministro, iniciando o período mais longo de sua trajetória à frente do governo.
A eleição de 2009, marcada pela disputa de Netayahu e sua principal rival, Tzipi Livni, apresentou resultados incertos, mas o candidato obteve apoio do parlamento e se tornou primeiro-ministro designado.
Netanyahu permaneceu no poder até 2021. Durante esse período, defendeu o fortalecimento militar de Israel e a ampliação das relações econômicas e diplomáticas com outros países.
Um dos principais focos de sua política externa foi a oposição ao programa nuclear do Irã. Como primeiro-ministro, defendeu a adoção de sanções internacionais contra Teerã e levou o tema a discursos na ONU e no Congresso dos Estados Unidos. Em diferentes ocasiões, afirmou que Israel deveria manter a capacidade de se defender sem depender de outros países.
A relação com Washington também resultou em um acordo de assistência militar de dez anos, no valor de US$ 38 bilhões, assinado durante o governo do presidente Barack Obama.
Na política regional, o governo adotou uma postura de resposta militar a ataques contra Israel e promoveu ações de segurança nas fronteiras. Netanyahu também defendeu a cooperação entre Israel, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio contra grupos extremistas.
Em setembro de 2020, durante o primeiro mandato do presidente americano Donald Trump, Netanyahu participou da cerimônia de assinatura dos acordos de normalização das relações entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, conhecidos como Acordos de Abraão.
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani; o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; e o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, participam da cerimônia de assinatura dos Acordos de Abraão no gramado sul da Casa Branca, em 15 de setembro de 2020 • Alex Wong/Getty Images
Instabilidade e queda do governo
Em março de 2020, o Likud conquistou 59 cadeiras nas eleições, três a menos do que o necessário para obter a maioria. Em abril, Netanyahu e Benny Gantz, seu adversário político, anunciaram um acordo para formar um governo de emergência nacional.
A administração tomou posse em maio, com Gantz como primeiro-ministro alternativo e previsão de que ele assumisse o comando do governo em novembro de 2021.
Porém, a coalizão não resistiu às divergências internas. Em dezembro de 2020, o governo entrou em colapso depois que o Parlamento não conseguiu aprovar os orçamentos de 2020 e 2021 dentro do prazo. O impasse levou à dissolução do Parlamento e a novas eleições.
Em março de 2021, os israelenses voltaram às urnas. Apesar de o Likud permanecer como a maior força parlamentar, Netanyahu não conseguiu reunir apoio suficiente para formar um novo governo.
Em 13 de junho, Naftali Bennett assumiu o cargo de primeiro-ministro, encerrando um período de 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder.
A administração de Bennett também enfrentou dificuldades para manter sua maioria parlamentar. Em 2022, a coalizão perdeu apoio e decidiu antecipar as eleições. Netanyahu voltou a disputar o comando do governo e, após as eleições parlamentares de novembro, conseguiu formar uma nova coalizão. Em 29 de dezembro de 2022, tomou posse novamente como primeiro-ministro, cerca de 18 meses depois de deixar o cargo.
Reforma judicial e protestos
Após retornar ao cargo, o governo de Netanyahu avançou com uma proposta de reforma do sistema judicial, que provocou ondas de protestos pelo país.
Em março de 2023, o premiê resistiu aos apelos para abandonar o projeto. A proposta buscava alterar o equilíbrio entre os poderes e reduzir a capacidade de intervenção da Justiça em decisões do governo e do Parlamento.
Em julho daquele ano, o Knesset aprovou uma das principais medidas da reforma, relacionada ao chamado princípio da razoabilidade, que permite à Justiça avaliar determinadas decisões administrativas. Em janeiro de 2024, a Suprema Corte israelense derrubou uma parte central da legislação.
Os críticos da reforma afirmavam que as mudanças enfraqueceriam os mecanismos de controle sobre o governo e ameaçariam a democracia israelense. Netanyahu e seus aliados defendiam a necessidade de modificar o funcionamento do Judiciário.
A polícia de Israel intervém em protesto contra projeto de lei que limita poderes da Suprema Corte, em 24 de julho de 2023. • Getty Images
Os ataques de 7 de outubro e a guerra em Gaza
Em 7 de outubro de 2023, integrantes do Hamas lançaram um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza. A ofensiva deixou 1.200 mortos e levou à captura de 251 reféns.
Naquele dia, Netanyahu declarou que Israel estava em guerra. O governo iniciou uma ampla operação militar na Faixa de Gaza, com o objetivo declarado de combater o Hamas e recuperar os reféns.
O conflito provocou destruição em larga escala e uma grave crise humanitária no território palestino. Dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, apontam que o conflito deixou ao menos 74 mil mortos e 173.514 feridos até junho de 2026.
Vista de prédios destruídos na Faixa de Gaza • REUTERS
Em outubro de 2025, Netanyahu afirmou que a luta de Israel ainda não havia terminado, mesmo após um acordo de cessar-fogo com o Hamas. Na ocasião, prometeu alcançar todos os objetivos da guerra.
Em 2026, uma comissão independente de inquérito da Organização das Nações Unidas afirmou que forças e autoridades israelenses haviam cometido genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra crianças palestinas. Segundo a comissão, pelo menos 20.179 crianças foram mortas entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025.
Israel rejeitou as conclusões e classificou o relatório como “difamatório e tendencioso”. A missão israelense em Genebra afirmou que o país trabalha para minimizar danos a crianças durante conflitos e negou ter atacado deliberadamente menores.
Mandado de prisão
Em novembro de 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Netanyahu durante parte da guerra em Gaza.
O tribunal afirmou ter encontrado “motivos razoáveis” para acreditar que Netanyahu e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, tinham responsabilidade criminal por crimes cometidos entre 8 de outubro de 2023 e 20 de maio de 2024.
Entre as acusações estão o uso da fome como método de guerra, assassinato, perseguição e outros atos considerados desumanos. O TPI também apontou responsabilidade pelo crime de guerra de direcionar intencionalmente ataques contra a população civil.
Sede do Tribunal Penal Internacional, em Haia • 22 de setembro de 2025 REUTERS/Piroschka van de Wouw
Investigações por corrupção
Netanyahu também enfrenta acusações criminais em Israel. As investigações por corrupção começaram a ganhar destaque público em 2017, quando ele foi interrogado por suspeitas de ter recebido benefícios de empresários.
Em fevereiro de 2018, a polícia israelense afirmou haver evidências suficientes para recomendar seu indiciamento em dois casos. As suspeitas incluíam suborno, fraude e abuso de confiança. Netanyahu negou as acusações e afirmou que elas tinham motivação política.
Um dos casos ficou conhecido como Caso 4000. A investigação apurou a suspeita de que Netanyahu teria concedido benefícios regulatórios a um empresário em troca de cobertura favorável em um veículo de comunicação. Os benefícios investigados poderiam chegar a 1 bilhão de shekels, equivalentes, à época, a cerca de US$ 280 milhões.
Em fevereiro de 2019, o procurador-geral de Israel anunciou a intenção de indiciar Netanyahu por acusações de suborno e abuso de confiança relacionadas a três investigações, após uma audiência. Em novembro daquele ano, foram anunciadas formalmente acusações de suborno, fraude e quebra de confiança nos três casos.
Em janeiro de 2020, Netanyahu foi formalmente indiciado, pouco depois de retirar um pedido de imunidade parlamentar. Ele negou ter cometido irregularidades e afirmou que as acusações eram parte de uma tentativa política de afastá-lo do poder.
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu depõe em julgamento • 12 de março de 2025 Yair Sagi/Pool via REUTERS
Eleições de Israel
Esse será o primeiro pleito desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que abalou o país e mergulhou o Oriente Médio em turbulência.
Embora as pesquisas prevejam derrota de Netanyahu, as eleições podem ser complexas devido a um sistema político fragmentado, no qual qualquer um pode emergir como uma figura decisiva na formação de coalizões.
O sistema eleitoral israelense é parlamentar. A votação para o Parlamento, o Knesset, com 120 cadeiras, ocorre a cada quatro anos. Porém, na prática, poucas legislaturas do Knesset cumpriram o mandato completo.
Israel ficou preso em um ciclo de governos de curta duração e eleições que começou em 2019 e terminou em 2022, quando Netanyahu garantiu uma maioria parlamentar sólida e retornou ao poder à frente do governo.
A próxima eleição marcará um dos raros casos em que uma legislatura do Knesset completou o mandato integral.
Quem são os principais rivais de Netanyahu?
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, tem crescido nas pesquisas.
Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.
Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.
Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.
O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.
Eleitores vão às urnas nesta terça-feira (27) para as eleições gerais em Israel. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, tenta se manter no cargo em meio a críticas de rivais políticos. Essa é a primeira vez desde 1988 que uma legislatura consegue completar o tempo integral do mandato, sem uma dissolução antecipada.
O voto em Israel é para maiores de 18 anos e não é obrigatório. Segundo o Comitê Central Eleitoral do país, órgão governamental encarregado da organização e apuração das eleições, 7,3 milhões de eleitores estão registrados e aptos a votar nas cerca de 12 mil seções eleitorais.
O pleito é o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que iniciou a guerra no Oriente Médio. Mais de 1.200 pessoas morreram na ocasião e 251 pessoas foram levadas como reféns.
Leia Mais:
Em resposta, o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, lançou uma ofensiva contra a Faixa de Gaza. Mais de 75 mil pessoas foram mortas no território palestino desde o início da guerra.
A última rodada de pesquisas pré-eleitorais em Israel mostra que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não deve conseguir maioria nas eleições.
Os levantamentos também sugerem que o principal rival do premiê, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, também não deve conseguir maioria e, provavelmente, precisará contar com o apoio dos partidos árabes para tirar Netanyahu do poder.
A pesquisa do Channel 13 News aponta que o bloco de Netanyahu cairia de seus atuais 64 assentos para 50 no Knesset, que possui 120 cadeiras.
O bloco de direita e religioso de Netanyahu precisa conquistar ao menos 61 assentos para uma “vitória absoluta”.
Como funcionam as eleições em Israel?
Israel funciona com um sistema parlamentarista e, por isso, tem um chefe de Estado e um chefe de governo. A função de chefe de Estado, marcada principalmente por obrigações cerimoniais e formais, é exercida pelo presidente, cargo atualmente ocupado por Isaac Herzog. Já a função de chefe de governo fica a cargo do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu.
No sistema parlamentarista, a direção dos assuntos de interesse público é atribuída a um gabinete ministerial formado no parlamento e liderado pelo premiê. O parlamento israelense é chamado de Knesset e reúne 120 membros, eleitos a cada quatro anos, em uma única câmara.
A população vota para eleger os integrantes do Knesset, que, por sua vez, escolhem quem será o primeiro-ministro. Para conquistar um assento no Parlamento, os partidos precisam superar a cláusula de barreira de 3,25% dos votos.
Nenhum partido jamais conquistou os 61 assentos necessários para ter maioria absoluta no Knesset e governar sozinho. Por isso, os governos costumam ser formados por coalizões, frequentemente instáveis.
O voto é facultativo e é um direito garantido a todos os cidadãos israelenses maiores de 18 anos. A votação é feita em cédulas de papel.
Quem são os principais rivais de Netanyahu?
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, é o principal rival de Netanyahu nas eleições.
Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.
Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.
Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.
O ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.
Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.
Quais são as principais forças na disputa?
As principais forças que disputam a eleição são o Likud, partido de direita do premiê Benjamin Netanyahu, e o partido de centro Yashar, liderado por Gadi Eisenkot.
Netanyahu e o Likud governam o país desde 2009, com uma breve interrupção entre junho de 2021 e dezembro de 2022. Atualmente, o partido governa por uma coalizão com o partido Sionismo Religioso, do ministro das Finanças Bezalel Smotrich, defensor dos assentamentos na Cisjordânia, e com Poder Judaico, do ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que propõe expulsar os palestinos de Gaza.
A coalizão também era integrada pelo partido Judaísmo Unido da Torá, que renunciou devido à disputa sobre o recrutamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.
Analistas apontam que, para conseguir governar e para tentar garantir o apoio dos partidos Haredi e de siglas da ultradireita, Netanyahu fez várias concessões.
Em julho, a coalizão do Likud pressionou pela aprovação da isenção do recrutamento obrigatório para os ultraortodoxos, por exemplo. Já o Partido Sionista Religioso, de Smotrich, conseguiu que o governo aprovasse um pacote de centenas de milhões de dólares para financiar assentamentos na Cisjordânia ocupada.
Em troca, esses partidos apoiaram várias iniciativas do governo, incluindo uma legislação para limitar a autoridade do procurador-geral e um projeto de lei para reformular as regras de radiodifusão no país.
Mesmo assim, as últimas pesquisas apontam que a coalizão do Likud pode não ter apoio suficiente de partidos sectoriais ou mais à direita para formar maioria.
Já o Yashar foi criado em 2025 pelo ex-chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, escolhido pelo próprio Netanyahu e agora visto como seu principal concorrente. O filho de Eisenkot foi morto no conflito em Gaza, e o ex-chefe militar que integrava o gabinete de guerra de Netanyahu passou a criticar a conduta do governo por falta de uma estratégia clara.
Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot projeta a imagem de um militar de carreira e outsider da política, buscando contrastar com as décadas de Netanyahu no poder. Mas ele não deve suavizar a política regional de Israel: o general foi uma figura central na elaboração da estratégia militar israelense de uso de força massiva, inclusive contra infraestrutura civil, como forma de dissuasão após a guerra do Líbano de 2006, além de ter participado do planejamento estratégico no início da guerra em Gaza.
Em terceiro lugar nas pesquisas aparece o partido Juntos (Beyachad), fundado pelo direitista Naftali Bennett e pelo centrista Yair Lapid.
Os dois formaram uma coalizão improvável em 2022 e interromperam 12 anos seguidos de governo Netanyahu, e agora uniram forças para fundar um partido. Eles apostam em reformas internas, inclusive sobre o serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos, mas também não devem adotar estratégias muito diferentes do atual governo para a segurança nacional e a política externa.
“O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão […] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele”, afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel.
Para a oposição, essa tem sido considerada a eleição mais importante da história de Israel, explica o professor de Sociologia da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman.
“Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento”, diz Gherman.
A Rússia está cometendo crimes de guerra e contra a humanidade ao atacar intencionalmente a infraestrutura civil — incluindo sistemas de energia vitais — na Ucrânia, afirmou um painel independente de investigação da ONU nesta segunda-feira (26).
As forças russas têm visado a infraestrutura energética ucraniana desde os primeiros meses da guerra, em 2022, e intensificaram drasticamente esses ataques no início do inverno do ano passado, deixando milhões de ucranianos passando frio na escuridão de suas casas.
Um novo relatório, publicado nesta segunda-feira pela Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia e compartilhado com a CNN, afirma que esses ataques “foram realizados com intenção” e estão alinhados a uma “política de Estado” russa de “privar a população civil de suprimentos energéticos essenciais e causar sofrimento”.
Leia Mais:
“Os comandantes russos que ordenaram esses ataques sabiam que as instalações de aquecimento que visavam eram indispensáveis para a população civil, especialmente durante o inverno”, diz o relatório, que está sendo submetido à Assembleia Geral da ONU.
A CNN entrou em contato com o Kremlin para solicitar um comentário.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que o relatório “confirma o que os ucranianos vivenciam há anos: os ataques sistemáticos da Rússia à infraestrutura energética civil constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.
Em uma publicação na rede social X, Sybiha declarou que a Rússia “privou deliberadamente milhões de pessoas de eletricidade, aquecimento e água, transformando o frio e a escuridão em instrumentos de guerra”.
Segundo Kiev, ataques russos em larga escala com drones e mísseis, ocorridos no inverno passado, reduziram a capacidade de geração de energia térmica da Ucrânia em 70% nas áreas mais afetadas. O sofrimento foi agravado por um inverno excepcionalmente rigoroso, com temperaturas chegando a -30 graus Celsius em diversas ocasiões.
A comissão foi estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU poucos dias após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Anteriormente, o grupo já havia relatado outros aspectos da guerra da Rússia contra a Ucrânia, incluindo alegações de violência sexual e de gênero cometidas pelas forças armadas russas, bem como a deportação forçada em larga escala de crianças ucranianas pelas autoridades russas.
Neste relatório mais recente, a comissão descreve os impactos graves da exposição prolongada ao frio sobre os civis ucranianos, afirmando que as autoridades médicas do país documentaram mortes causadas pelas baixas temperaturas em residências e até mesmo em hospitais.
“Profissionais de saúde relataram que, durante o último inverno, atenderam pacientes que sofreram traumas relacionados ao frio, incluindo diversos graus de congelamento e hipotermia. Os pacientes desenvolveram essas condições em suas próprias casas, devido à exposição a ambientes sem aquecimento, e precisaram ser hospitalizados”, diz o relatório.
O documento cita uma civil que vive em Dnipro, a quarta maior cidade da Ucrânia, descrevendo o impacto que os ataques russos tiveram sobre ela: “O frio — ele te paralisa; simplesmente não há como se aquecer, e pensamentos aterrorizantes surgem na sua mente”, relatou.
Responsabilizando Putin e outros
O relatório da comissão da ONU aponta várias autoridades russas de alto escalão como as principais responsáveis pelo que classifica como “crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.
O texto afirma que o presidente russo, Vladimir Putin, fez diversas “declarações referentes a instruções para realizar ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia”.
O relatório alega ainda que evidências coletadas ao longo dos últimos anos indicam que o ex-ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, e seu sucessor, Andrey Belousov — assim como o chefe do Estado-Maior General, Valery Gerasimov —, foram responsáveis pelo planejamento e pela supervisão desses ataques.
O Tribunal Penal Internacional já havia emitido mandados de prisão contra Putin, Shoigu e Gerasimov por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Com a chegada do tempo mais frio à Ucrânia, a Rússia deixou claro que pretende continuar a aterrorizar seu país vizinho.
Na noite desta segunda-feira, mísseis balísticos russos atingiram o campus de uma universidade em Kiev, bem como áreas próximas, incluindo as imediações de uma estação de metrô e edifícios residenciais, informou Zelensky em seu pronunciamento noturno. Operações de resgate estão em andamento, com relatos de pessoas presas sob os escombros, acrescentou.
“Os mísseis atingiram áreas muito movimentadas, onde não existe nenhuma instalação militar”, disse o presidente ucraniano. “Foi um ataque direto contra a cidade e sua infraestrutura.” O relatório menciona uma declaração feita pelo Ministério da Defesa da Rússia em agosto, que anunciou ataques contra a infraestrutura energética da Ucrânia e afirmou: “No inverno, vocês vão congelar”.
A Ucrânia enfrenta dificuldades crescentes para se defender contra esses ataques em larga escala, devido a uma escassez crítica de mísseis de defesa aérea. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem feito apelos repetidos aos aliados ocidentais de Kiev por mais munição, destacando, em particular, a chegada do inverno como uma grande preocupação.
Kiev vinha atacando a infraestrutura de petróleo e gás da Rússia, em um esforço para prejudicar as receitas do Kremlin provenientes das exportações de energia. No entanto, a Ucrânia reduziu esses ataques após críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que culpou o país pela alta nos preços dos combustíveis.
“Tráfico de pessoas”
O relatório divulgado nesta segunda-feira também investigou os métodos da Rússia para recrutar cidadãos estrangeiros para servir em suas forças armadas, concluindo que tais práticas constituem violações dos direitos humanos e tráfico de pessoas.
A CNN relatou extensivamente como a Rússia utiliza o engano, o suborno e a chantagem para atrair estrangeiros para suas forças militares. Pessoas de diversos países da África, da Índia e da América Latina relataram ter recebido promessas de emprego na Rússia, apenas para se verem, na realidade, nas linhas de frente do combate.
A comissão afirmou ter encontrado “provas contundentes” de que as autoridades russas, em colaboração com agentes, “traficaram pessoas de 29 países, recorrendo ao engano ou à coerção, para recrutá-las para as forças armadas russas”.
O documento aponta que o fato de a Rússia ter empregado as mesmas táticas para recrutar indivíduos de vários países “demonstra um alto grau de coordenação entre agentes que operam ao redor do mundo e as autoridades russas”.
“Os pagamentos e bônus prometidos eram, em geral, desviados pelos agentes recrutadores e comandantes militares; passaportes e telefones eram frequentemente confiscados, e o contato entre os recrutas e suas famílias era interrompido assim que eles eram enviados para o front.”
O relatório conclui que a Rússia violou os direitos humanos fundamentais dos recrutas, incluindo o direito à vida, à liberdade, à saúde e a um tratamento humano.
A comissão também investigou o recrutamento de cidadãos estrangeiros pelas forças armadas da Ucrânia.
Segundo o órgão, os depoimentos coletados indicam que aqueles que ingressaram nas forças armadas ucranianas “o fizeram de forma consciente e voluntária”, compreendendo os contratos que assinavam e recebendo salários.