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Moraes autoriza Valdemar a visitar Bolsonaro após fuga de Flávio

28 October 2026 at 21:20

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta quarta-feira (28) o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro está marcado para quinta (29), das 9h às 11h, na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. O pedido foi feito pela defesa.

A visita ocorre em meio à crise aberta na direita depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o país e anunciou que pretende comandar a oposição do exterior, embora o próprio partido tenha reconhecido a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição.

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Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou nesta quarta uma carta na qual voltou a alegar, sem apresentar provas, que houve fraude no segundo turno. Na primeira versão do texto, o senador se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, republicou a carta apresentando-se como “líder do Brasil”.

A direção do PL, após o pleito, divulgou nota assinada por Valdemar reconhecendo o resultado proclamado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lula venceu o segundo turno, no domingo (25), com 64,2 milhões de votos (51,79% dos válidos). Flávio teve 59,8 milhões (48,21%), diferença de cerca de 4,4 milhões.

Após a derrota, Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes. Flávio, porém, saiu do Brasil na terça (27) pela Argentina e seguiu em avião particular para Miami.

Flávio Bolsonaro chega aos EUA após derrota na eleição
Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida • 28/10/26 – Reuters/Eva Marie Uzcategui

A viagem surpreendeu a cúpula do PL. Valdemar convocou uma reunião emergencial com dirigentes estaduais para alinhar o discurso e discutir os rumos da legenda. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, disse que o núcleo político da candidatura não foi avisado previamente.

Na carta, Flávio citou Marinho como seu candidato à presidência do Senado e disse que pretende orientar do exterior a atuação de aliados no Congresso.

A saída do senador também abriu disputa pela liderança da direita. Com Flávio fora do país e Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, aliados da família e integrantes do centrão passaram a apontar o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um dos nomes mais bem posicionados para ocupar o espaço.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, por tentativa de golpe de Estado. Como está em prisão domiciliar, depende de autorização judicial para receber visitantes que não estejam dispensados das restrições impostas pelo Supremo.

PL tem divisão interna sobre fuga de Flávio Bolsonaro

28 October 2026 at 17:48

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil provocou divisões internas no Partido Liberal, com integrantes da sigla adotando posições distintas sobre o episódio e seus possíveis desdobramentos políticos.

Segundo apuração da analista de Política da CNN Isabel Mega, ao Live CNN, enquanto uma ala do partido foi pega de surpresa pela iniciativa, outra já a esperava de alguma forma.

De acordo com a analista, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, figura descrita como pragmática dentro do partido, teria ficado “chateado” com os acontecimentos.

A avaliação interna é de que o PL precisará se reorganizar e caminhar para um tom mais moderado, distanciando-se do radicalismo que marcou a sigla nos últimos anos com a amplitude do bolsonarismo.

Reorganização do PL e disputa pela presidência do Senado

O pragmatismo de Valdemar Costa Neto já mira um plano para 2027: tornar o partido ainda mais competitivo para conquistar a presidência do Senado Federal.

A avaliação interna é de que ainda é possível reunir apoio suficiente para viabilizar a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), mesmo diante das articulações de Davi Alcolumbre (União-AP), que estaria se reorganizando para se manter na função e já contabilizaria 41 votos a seu favor.

Segundo Isabel Mega, a saída de Flávio Bolsonaro do país pode, paradoxalmente, beneficiar os senadores do PL na tentativa de atrair parlamentares do chamado Centrão.

A avaliação é de que parlamentares que poderiam caminhar com Davi Alcolumbre, mas que entendem que ele pode barrar pautas utilizadas por eles nas eleições ao Senado Federal, podem se sentir sensibilizados a votar em Rogério Marinho.

Isso porque Alcolumbre é visto pelo bolsonarismo como aliado a Alexandre de Moraes, o que, na leitura interna, inviabilizaria o encaminhamento de pedidos de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Críticas internas e expectativas frustradas

Ainda de acordo com a apuração, parlamentares do PL fizeram críticas a Flávio Bolsonaro sob reserva, afirmando que a decisão de deixar o Brasil era “muito ruim para o partido” e muito negativa para a imagem da sigla.

A avaliação era de que seria preciso “perder com honra, não com esperneio”, com Flávio ocupando uma posição de liderança da oposição ao governo Lula a partir do Brasil.

Havia, inclusive, uma expectativa de que Flávio Bolsonaro, com o fim de seu mandato de senador previsto para o final do ano, pudesse se instalar na sala anteriormente utilizada por Jair Bolsonaro na sede do PL em Brasília, assumindo o comando da oposição.

Com a fuga, esse cenário foi descartado. Valdemar Costa Neto passou a aparecer ao lado de Michelle Bolsonaro (PL), com quem tem afinidade declarada e que terá mandato pela frente, enquanto Flávio Bolsonaro não terá.

Direita busca reposicionamento

Isabel Mega destacou ainda que o restante da direita também aproveita o momento para tentar assumir as rédeas da ala ideológica que, segundo ela, “dividiu o Brasil ao meio” com o bolsonarismo, tido como extrema direita.

A avaliação é de que outros setores da direita apostam no enfraquecimento da família Bolsonaro e do bolsonarismo para retomar uma postura mais pragmática junto aos demais partidos.

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