"É complicado falar em mudança após eleições em Israel"


Quando um Presidente da República, um Ministro da Defesa e o Diretor Executivo da Agência Europeia de Defesa (EDA) ocupam a mesma tribuna, a mensagem política fica dada antes de qualquer discurso. Foi isso que se viu no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, no encerramento do exercício ARTEX 26 (Army Technological Experimentation 2026) que se inseriu na campanha europeia HEDI OPEX26 (Hub for European Defence Innovation Operational Experimentation 2026). António José Seguro, Presidente da República Portuguesa, percorreu a exposição, contactou com as empresas participantes e só no fim da visita respondeu aos jornalistas. Nuno Melo, Ministro da Defesa Nacional, falou de um verdadeiro laboratório do futuro na área da defesa. André Denk, Diretor da EDA, lembrou que as ameaças à segurança europeia são reais e imediatas. Esta atenção de topo deve ser reconhecida, porque mostra que o exercício deixou de ser um assunto do Exército, que o organizou de forma superior, para passar a ser um assunto de Estado e da Europa.
Parte dessa atenção, porém, não é exclusivamente política pública de defesa, é, também o futuro e a viabilidade das empresas que desenvolvem as soluções. Uma cerimónia, por mais solene que seja, não financia protótipos nem compra equipamento. A fotografia de encerramento esquece-se depressa e o que resta é uma pergunta mais incómoda: o que acontece às soluções que foram testadas?
Os números apresentados no encerramento são expressivos: 77 empresas, 112 soluções tecnológicas e 22 países presentes. Segundo o Ministro da Defesa, o número de empresas participantes duplicou face ao ano anterior e o ARTEX, iniciado em 2023, passou a integrar pela primeira vez o calendário da EDA. Estes dados mostram uma trajetória de crescimento. Não mostram, por si só, para onde essa trajetória conduz.
O próprio Exército, através do responsável pela robótica e pelos sistemas autónomos do CEMTEx (Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército), explicou (e bem) que a instituição nunca se compromete a que um participante seja depois adotado como equipamento. Essa prudência é compreensível e correta, porque nenhuma instituição deve prometer aquisições que não controla ou que não necessita. Mas a consequência é que a passagem do ensaio à encomenda, normalmente, não depende de quem testa. Depende de quem tem competência para decidir a compra, com que orçamento, com que regras e com que calendário.
Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício. A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias.
O diretor executivo da EDA pediu encomendas firmes e de longo prazo, bem como regras de aquisição mais simples. Subscrevo esse pedido precisamente porque o Parlamento Europeu tem acompanhado em instrumentos como o EDIP (European Defence Industry Programme), orientado para a produção conjunta, e o SAFE (Security Action For Europe) , que mobiliza empréstimos para compras de defesa, e ainda o AGILE (Program for Agile and Rapid Defence Innovation), recentemente aprovado, que financia inovação. Um fabricante que vence um teste e não recebe qualquer encomenda no ano seguinte não tem um problema técnico, tem um problema de procura e de sobrevivência da empresa. A nossa tarefa é verificar se estes instrumentos de apoio (europeus e nacionais) chegam, de facto, às soluções que Santa Margarida permitiu avaliar e não apenas aos programas teóricos desenhados antes do exercício.
A capacidade industrial portuguesa está, aliás, bem representada nas iniciativas europeias. A UAVision, foi uma das cinco empresas selecionadas para o Sentinel Strike Challenge, a competição da EDA para testar drones de ataque e ficou em quarto lugar na avaliação inicial, entre mais de 140 manifestações de interesse. A Beyond Vision foi uma das três empresas convidadas a experimentar, ao lado do Exército português, sistemas aéreos de baixo custo para missões de alto risco. Um veículo de vigilância desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico, com origem num projeto com a Frontex, está presente no exercício desde a primeira edição do ARTEX. Há, portanto, massa crítica. O que falta é que estes casos deixem de ser exceções destacadas em comunicados e passem a ser encomendas reais.
Há também um projeto nacional que merece atenção prioritária. O general Chefe de Estado Maior do Exército (CEME), Eduardo Mendes Ferrão propôs a constituição da Zona Livre Tecnológica D. Afonso Henriques, que abrangerá as áreas militares de São Jacinto, Santa Margarida e Beja e permitirá testes terrestres e aéreos com munições e explosivos à escala real. O general CEME espera vê-la concretizada em breve. As decisões de ordenamento, licenciamento e dotação orçamental são nacionais. Enquanto a zona não existir, o laboratório português continuará a ter limites que outros Estados já não têm e a ambição de Portugal, através do Exército português, se tornar um centro experimental europeu dependerá dessa decisão.
Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno.
O general Mendes Ferrão anunciou também a assinatura de um memorando com a iniciativa DIANA (Defence Innovation Accelerator for North Atlantic) da NATO, que fará do CEMTEx, localizado em Paço de Arcos, um centro de testes afiliado. É uma excelente notícia, que merece ser operacionalizada pelas duas partes e acompanhada de um calendário firme. Do lado europeu, a EDA criará a 1 de novembro o Centro Europeu de Inovação em Defesa, com a experimentação operacional como atividade central. O seu Diretor Executivo, Andre Denk, afirmou que Portugal está perfeitamente posicionado para acolher futuras iniciativas da EDA. Partilho essa confiança. Seria essencial que a candidatura nacional a polo permanente da rede seja apresentada de forma coordenada entre o Governo, o Exército e a indústria.
Portugal tem hoje um tecido empresarial com provas dadas na defesa. Segundo o levantamento mais recente da idD Portugal Defence, são cerca de 440 as entidades com atividade no setor, 81 delas criadas só em 2025, com uma faturação que ronda os 8,7 mil milhões de euros por ano. Santa Margarida mostrou que estas empresas sabem levar a tecnologia para o terreno. No quadro do SAFE, a exigência de que pelo menos 65% do custo e da produção dos componentes tenha origem europeia abre às empresas portuguesas um espaço que até aqui era ocupado por fornecedores de fora da União.
O passo seguinte é preparar essa presença para o ciclo orçamental europeu que se aproxima – Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034. Isso passa por empresas que se conheçam antes de os concursos abrirem, por consórcios internacionais montados com antecedência e por uma presença regular em Bruxelas, porque os programas de trabalho definem-se muito antes de as candidaturas abrirem. O Governo pode ajudar, usando as suas aquisições para integrar as pequenas e médias empresas nas cadeias de fornecimento dos grandes fabricantes e apoiando os custos iniciais de entrada em consórcios europeus, que chegam muito antes de qualquer receita. Se este caminho for seguido, as empresas portuguesas poderão apresentar-se à Europa como ecossistema, e não uma a uma, que é a forma como os grandes programas as procuram.
Parabéns a todos os envolvidos.
Um submarino nuclear russo da Frota do Pacífico lançou esta quarta-feira um míssil balístico intercontinental a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, atingindo o alvo na região ártica de Arkhangelsk, a 600 quilómetros da Finlândia e Noruega.
“Em conformidade com o plano de treino militar, a tripulação do submarino nuclear estratégico ‘Generalissimus Suvorov’, do projeto 955A Borei-A, pertencente à Frota do Pacífico, lançou um míssil balístico intercontinental Bulava em direção ao polígono de testes de Chizha, na região de Arkhangelsk”, explicou o Ministério da Defesa da Rússia, na rede Telegram.
O comando militar detalhou que o lançamento ocorreu a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, no extremo oriente russo, e divulgou um vídeo do exercício. “As ogivas do míssil atingiram com sucesso o polígono de testes no horário previsto”, concluiu o Ministério da Defesa.
O polígono de testes de Chizha situa-se nas margens do Mar Branco, a pouco mais de 600 quilómetros da fronteira com a Finlândia e a Noruega, países cujos líderes, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e o Presidente finlandês, Alexander Stubb, mantiveram, na véspera, uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin.
Putin alertou ambos os líderes de que a conquista de uma paz justa e duradoura na Ucrânia “só será possível se forem levados em conta, de maneira plena e incondicional, os interesses legítimos da Federação Russa“.
Criticou ainda “a política de confronto dos países da União Europeia e da NATO, que leva ao prolongamento das ações militares” entre russos e ucranianos.
Desde a criação dos Bulava, a Rússia realizou mais de 40 lançamentos de teste desses mísseis intercontinentais. O mais recente ocorreu a 5 de novembro de 2024, pelo submarino nuclear ‘Imperator Alexandr III’.
Um ano antes, o ‘Generalissimus Suvorov’ lançou um míssil Bulava do Mar Branco em direção ao polígono de testes de Kura, localizado em Kamchatka, nas margens do Pacífico.
O Presidente da Roménia, Nicusor Dan, acusou o Governo russo de ter intensificado a guerra híbrida e as hostilidades contra as democracias europeias, após episódios de sabotagem no seu país, incluindo o registado numa empresa de armamento romena.
Nicusor Dan disse que estes incidentes “inaceitáveis” “representam uma grave violação da soberania e da segurança” do país e sublinhou que “nenhuma entidade estrangeira tem o direito de agir assim” em qualquer Estado europeu.
“Durante anos, a Rússia utilizou um diversificado arsenal de meios para enfraquecer as democracias europeias. As tentativas de influenciar os processos eleitorais, as campanhas de desinformação, a guerra de informação, os ciberataques e os atos de sabotagem é tudo parte da guerra híbrida desencadeada pela Rússia”, afirmou.
O chefe de Estado destacou que nas últimas semanas, a Rússia aumentou a aposta ao provocar vários incidentes no Mar Negro contra o transporte marítimo civil.
“Tudo isto não são incidentes isolados, sem ligação entre si, mas fazem parte de uma campanha premeditada e coordenada”, realçou.
Para o Presidente da República romeno, o Kremlin pretende com este tipo de ações provocar divisão e confusão nas sociedades europeias, com o objetivo de colocar em causa o compromisso destas com a própria segurança e com a defesa comum.
Dan garantiu que “a guerra híbrida tem sido travada há anos de diferentes formas” e acrescentou que um aumento da mesma exige por parte dos Estados europeus uma resposta equivalente, ampliando a vigilância e a prevenção de riscos.
Nesse sentido, o PR sublinhou que a Roménia atuará “com determinação” para prevenir este tipo de ações e identificar os seus responsáveis, ao mesmo tempo que continua a trabalhar estreitamente com os seus parceiros da NATO e da EU”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Roménia convocou esta terça-feira o embaixador russo em Bucareste, Vladimir Lipayev, para lhe transmitir o protesto “enérgico” do Governo do seu país pelo suposto ato de sabotagem registado em meados de setembro contra as instalações da empresa de defesa romena Carfil, em Brasov.
“As provas demonstram a responsabilidade da Rússia neste ataque híbrido inaceitável“, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dan Neculaescu, que também protestou junto do diplomata russo contra o aumento dos ataques no Mar Negro.
As autoridades romenas denunciaram que no dia 14 de setembro ocorreu um incêndio nas instalações desta empresa, responsável pela fabricação de drones, por indicações dos serviços de inteligência russos.
A Barcelcom está a expandir para defesa e segurança, área onde investiu cerca de meio milhão de euros. A têxtil de Barcelos, que até aqui atuava sobretudo no setor de saúde, com meias de punção, criou uma meia que protege os utilizadores de fogo. As “Guardian Socks” vão ser apresentadas na Alemanha, tendo os setores de defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e equipamentos de proteção individual como potencial mercado.
“Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional“, adianta Vânia Fontes, administradora da Barcelcom, ao ECO/eRadar.
“A característica antipunção pode ter interesse noutros contextos, como o bloco operatório ou os próprios equipamentos de proteção individual. É uma área que queremos explorar com calma: perceber onde o produto pode realmente fazer a diferença e ir construindo essa presença de forma gradual”, acrescenta a administrada da empresa têxtil quando questionada sobre o que motivou a aposta neste novo setor.
As “Guardian Socks”, que estão agora a levar para o mercado, levaram “dois anos” em desenvolvimento, tendo contado com a “colaboração de três parceiros: a Fibrenamics, a Pixartidea e a Sciencentris” para criar um produto que visa cumprir uma dupla função para a qual, dizem, ainda não existe resposta.
Sempre apostámos na especialização e em nichos de mercado. Neste caso, identificámos uma necessidade e percebemos que, com o conhecimento que já temos na área têxtil, conseguíamos dar-lhe resposta. Há também uma ligação muito clara à saúde. Em cenários de conflito, por exemplo, há profissionais de saúde que precisam de uma proteção adicional.
“A grande diferença está em reunir na mesma meia duas características: proteção antipunção e proteção contra o fogo. Tanto quanto conhecemos o mercado, não existe outro produto que combine estas duas funcionalidades, e foi precisamente essa a necessidade a que quisemos responder”, destaca Vânia Fontes.
O projeto representou “um investimento de cerca de 500 mil euros”, precisa a administradora, sem arriscar uma expectativa de faturação com esta aposta num novo produto e setor.
“Estamos a entrar num setor novo para nós, por isso as nossas expectativas são prudentes. Acreditamos no produto, mas sabemos que há um caminho a percorrer até conquistarmos o nosso espaço neste mercado”, diz. “Para já, mais do que definir o peso que isto vai ter na faturação, interessa-nos perceber como o produto é recebido e desenvolver contactos comerciais”, refere.
A Barcelcom vai apresentar o produto na Alemanha. “Nesta fase, estamos focados sobretudo na defesa, saúde, bombeiros, proteção civil e nos equipamentos de proteção individual”, adianta Vânia Fontes. “O objetivo é mostrar o produto a quem trabalha nestes setores, ouvir as suas necessidades e perceber em que aplicações há maior interesse. Esse contacto vai ser fundamental para orientar o nosso trabalho comercial”, aponta como passos imediatos do projeto.
Mas há outros segmentos que, com este produto, a empresa pode expandir. “Há também um ganho muito importante, que é o conhecimento que fomos adquirindo ao longo do projeto. Isso permite-nos olhar para outras aplicações dentro dos equipamentos de proteção individual, por exemplo na indústria metalúrgica ou em trabalhos de soldadura“, realça a administradora da empresa têxtil.
Quanto a novos produtos para o setor de defesa e segurança, para já, não está nas prioridades imediatas da companhia. “Neste momento, estamos concentrados na comercialização deste produto. Foram dois anos de desenvolvimento e agora queremos dar o passo seguinte: levá-lo ao mercado e trabalhar as oportunidades que forem surgindo”, admite. “Poderão aparecer novas ideias ou necessidades, mas, para já, é aqui que estão os nossos esforços”, conclui.
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Depois de no ano passado ter fechado com um volume de negócios de cerca de três milhões de euros, este ano a Barcelcom estima chegar aos 3,5 milhões, o que representa um crescimento de aproximadamente 17%, adianta Vânia Pontes quando questionada sobre objetivos de faturação da empresa com 43 trabalhadores.
Suíça, Países Baixos, França, Itália, Alemanha, Malásia, Áustria, Islândia, Suécia, Inglaterra, entre outros, são alguns dos países onde a empresa já está presente. “Cerca de 90% da nossa produção destina-se à exportação, por isso os mercados externos têm um peso muito significativo na atividade da empresa. Queremos continuar a crescer lá fora, tanto nos mercados onde já estamos como através de novas oportunidades”, afirma. América do Norte, Canadá e Japão são mercados na mira da empresa.