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Carga policial em protesto de extrema-direita em Madrid após acidente

28 October 2026 at 22:57

Mais de mil pessoas concentraram-se hoje em frente à sede do Ministério dos Transportes, em Madrid, num protesto convocado por grupos de extrema-direita para exigir responsabilidades após o acidente ferroviário, registando-se confrontos entre a polícia e os manifestantes.

 

O momento de maior tensão ocorreu quando alguns participantes avançaram contra o cordão policial, levando os agentes da polícia de choque a intervir e a utilizar gás lacrimogéneo.

A manifestação foi dispersada pela Polícia Nacional depois de alguns manifestantes terem protagonizado episódios de violência, lançando sinalizadores e outros objetos, o que resultou em novas intervenções policiais para conter o grupo.

Durante o ato, convocado pelo partido de extrema-direita Falange e por outros grupos do mesmo espetro, como o Revuelta, os manifestantes entoaram palavras de ordem de cariz fascista e proferiram críticas contra o governo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, o PSOE e o ministro dos Transportes, Óscar Puente.

Os protestos voltaram-se, sobretudo, contra a gestão de Puente, à frente da pasta responsável pelas infraestruturas ferroviárias e pelos transportes públicos.

Sob a sua gestão, ocorreram dois acidentes ferroviários mortais em menos de um ano, em Adamuz (Córdoba), que fez 46 mortos e 152 feridos, e em Urda (Toledo), ambos no mesmo troço ferroviário.

Nesta zona, reuniram-se também pessoas vindas da manifestação convocada pelo sindicato Solidaridad, ligado ao partido Vox (extrema-direita), que começou na praça de Cibeles e terminou na sede do Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana.

Durante as quase duas horas de duração da mobilização, os participantes entoaram ainda gritos contra as pessoas acampadas na Puerta del Sol, contra o Partido Popular e a sua ala jovem, bem como contra imigrantes e jornalistas.

A grande maioria dos presentes transportava bandeiras de Espanha e da ala jovem da Falange. Estavam também várias bandeiras da era franquista.

À mesma hora, milhares de pessoas participaram hoje num minuto de silêncio em frente a câmaras municipais por toda a Espanha.

Os atos terminaram com aplausos em memória das vítimas, com especial comoção em Urda, local da tragédia, em Adamuz e Santiago de Compostela, palcos de acidentes anteriores, e em Sevilha, destino dos comboios que sofreram o acidente.

A iniciativa partiu da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP).

O acidente de hoje envolveu dois comboios, um da Renfe e outro da Iryo, e ocorreu pouco antes das 09:00 locais (08:00 em Lisboa) perto da estação de Urda, na província de Toledo, na linha Madrid-Sevilha.

Pelo menos 64 pessoas morreram. Mais de 540 pessoas viajavam nos dois comboios de alta velocidade envolvidos na colisão e as autoridades admitiram que o número de vítimas mortais pode aumentar.

Juíza proíbe acesso à zona em Urda para preservar provas

Juíza proíbe acesso à zona em Urda para preservar provas

A juíza instrutora do processo de investigação do acidente ferroviário em Urda (Toledo), no qual morreram pelo menos 68 pessoas, proibiu o acesso à zona e a remoção de elementos para preservar as provas.

Lusa | 21:52 - 28/10/2026

Precios de productos básicos aumentarán 23 por ciento en 2026

28 October 2026 at 22:16

Washington, 28 oct (Prensa Latina) Los precios de los productos básicos aumentarán 23 por ciento en 2026 a medida que se intensifican las conmociones mundiales, según el informe Perspectivas de los mercados de productos básicos del Grupo Banco Mundial, publicado hoy.

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EUA. Mulher abandona filha em posto de gasolina e diz que não é sua

28 October 2026 at 22:16

Uma mulher norte-americana terá abandonado a filha de quatro anos num posto de combustível no Missouri, Estados Unidos, e depois terá dito à polícia que a menina não era sua filha. 

 

Kayla Marie Christensen está a ser acusada de ter deixado a filha de quatro anos numa bomba de gasolina e depois fugido com os outros dois filhos no interior do carro. O sucedido terá ocorrido por volta das 03h00 locais da sexta-feira passada. 

De acordo com a rádio KZRG, mais tarde, a mulher terá deixado os dois filhos sozinhos no carro e ido para um casino em Wyandotte.

As autoridades foram chamadas para uma ocorrência que dava conta de uma menina de quatro anos sozinha e, posteriormente, localizaram Kayla Marie Christensen. Questionada sobre a filha, a mulher respondeu que a menina não era sua filha e que os únicos filhos estavam com ela. 

As autoridades agradeceram aos funcionários da bomba de gasolina por terem mantido a criança de quatro anos calma e em segurança.

No interior do carro, a polícia terá encontrado utensílios para o consumo de droga, nomeadamente seringas. 

Christensen foi detida e acusada pelo crime de exposição ou abandono em primeiro grau e dois crimes por colocar menores em perigo. Foi ainda acusada de posse ilegal de utensílios para consumo de produtos estupefacientes.

Leia Também: EUA. Mãe detida no aeroporto ficou chateada por filho ligar para 112

Israel reivindica eliminação de "terroristas" em Gaza

28 October 2026 at 22:05

O Exército israelita reivindicou hoje a eliminação de vários "terroristas" na Faixa de Gaza, onde as autoridades palestinianas, controladas pelo movimento islamita Hamas, deram conta de cinco mortos.

 

O porta-voz da Proteção Civil nas zonas do território controladas pelo Hamas afirmou à AFP que quatro pessoas foram mortas e várias outras ficaram feridas, algumas em estado grave, num ataque de um drone em Rafah (sul).

Um hospital local confirmou ter recebido três corpos e 15 feridos.

Segundo a Proteção Civil, uma outra pessoa foi morta num ataque em Khan Yunis (sul).

Consultado pela AFP, o exército israelita afirmou ter "alvejado terroristas", acrescentando que mais informações seriam divulgadas mais tarde.

Na segunda-feira, o Exército israelita reivindicou a eliminação de "quatro terroristas" — dois do Hamas outros tantos da Jihad Islâmica — em bombardeamentos no fim de semana na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor.

O ataque sem precedentes levado a cabo pelo Hamas em 2023 em território israelita, envolvendo milhares de operacionais e uma barragem de mísseis, resultou na morte de 1.221 pessoas, segundo um inquérito da AFP.

A ofensiva lançada por Israel em Gaza, como represália, fez mais de 74.400 mortos, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, que não distingue entre vítimas civis e combatentes.

Irão deve

Irão deve "demonstrar boas intenções" para apaziguar conflito, diz Qatar

O Catar, um dos principais mediadores na guerra do Irão, sustentou hoje que Teerão deve "demonstrar boas intenções" para alcançar segurança no Médio Oriente, num contexto de renovadas ameaças de escalada militar com Estados Unidos e Israel.

Lusa | 17:39 - 27/10/2026

Carta de Bolsonaro? "Não me vou envolver. Foram eleições muito estranhas"

28 October 2026 at 21:56

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou envolver-se na polémica pós-eleitoral do Brasil, depois de Flávio Bolsonaro, que perdeu as eleições para Lula da Silva, ter-se declarado como o "verdadeiro líder brasileiro". 

 

"Não vou fazer comentários sobre isso, mas sei que lhe demos permissão para entrar no país", disse Trump, em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira, quando questionado sobre a carta de Flávio Bolsonaro. 

E acrescentou: "Não me vou envolver. Foram umas eleições muito estranhas, isso é certo."

De recordar que Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil cerca de 24 horas depois de ter perdido as eleições e de ter afirmado que iria pedir a anulação dos resultados.

O candidato pelo Partido Liberal atravessou as fronteiras do seu país e fugiu para os Estados Unidos, tendo inclusive já chegado.

Bolsonaro emite comunicado: "Líder" do Brasil

Esta quarta-feira, Bolsonaro emitiu um comunicado, onde agradeceu a quem o recebeu - e não só. "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao presidente [Javier] Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao presidente [Donald] Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher", começou por escrever, horas depois de ser conhecido que seguiu para os Estados Unidos com membros da família, depois de ter fugido para a Argentina [presidida por Milei], com passagem pelo Equador.

Esta parte da carta foi sujeita, entretanto, a alteração: em menos de uma hora, a carta foi alterada duas vezes. Primeiro, substituindo a formulação "verdadeiro presidente eleito" para "verdadeiro presidente" e, finalmente, para "líder" do Brasil.

Na missiva, Flávio Bolsonaro define os EUA como uma "terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país" e classificou Trump como "um grande defensor da liberdade de expressão".

Sobre a noite da derrota, o filho mais velho de Jair Bolsonaro, disse que viu "estarrecido uma fraude eleitoral concretizar-se" diante dos seus olhos.

"A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], tomada por cima da competência do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas", acrescentou.

Bolsonaro (fugido) declara-se

Bolsonaro (fugido) declara-se "presidente eleito", depois recua: "Líder"

Flávio Bolsonaro emitiu uma declaração na qual se declara o "verdadeiro presidente eleito", do Brasil, fala em caça às bruxas e falou do pai, Jair Bolsonaro, que está "calado, preso e censurado". Menos de uma hora depois, editou a carta, substituindo a formulação "verdadeiro presidente eleito" para "verdadeiro presidente" e, finalmente, para "líder".

Notícias ao Minuto | 20:05 - 28/10/2026

Juíza proíbe acesso à zona em Urda para preservar provas

28 October 2026 at 21:52

A juíza instrutora do processo de investigação do acidente ferroviário de hoje em Urda (Toledo), no qual morreram pelo menos 68 pessoas, proibiu o acesso à zona e a remoção de elementos para "preservar as evidências, provas e indícios".

 

O Tribunal Superior de Justiça de Castilla-La Mancha informou das primeiras medidas adotadas pela titular do lugar número 2 da Secção Civil e de Instrução do Tribunal de Instância de Orgaz (Toledo), responsável pela investigação sobre as causas do acidente ferroviário.

Numa providência emitida esta tarde, a juíza proíbe o acesso de qualquer pessoa não autorizada a menos de dois quilómetros da linha de Alta Velocidade Madrid-Sevilha, de modo que apenas as forças e corpos de segurança do Estado, equipas de salvamento e saúde e pessoal judicial estão autorizados a permanecer naquela área.

Na mesma providência, proíbe-se a remoção de qualquer elemento, bem como a recolha e difusão de imagens da zona afetada.

Entretanto, durante a noite de hoje a Guarda Civil continuará o trabalho na zona do acidente ferroviário em Urda (Toledo) com vista a localizar e resgatar vítimas que possam continuar dentro dos vagões, e espera que a unidade cinológica intervenha na quinta-feira.

Estas explicações foram dadas pela porta-voz do Comando da Guarda Civil de Toledo, Teresa Albacete, em declarações à agência de notícias espanhola EFE, que acrescentou que maquinaria pesada está deslocada na área e "que já está a remover parte desses vagões e a massa de ferro que está no local".

A porta-voz salientou ainda que os drones do Instituto Armado estão a trabalhar com sensores térmicos "que podem fornecer algum tipo de indicação das pessoas que possam estar lá dentro" e com estes está a ser realizada uma recriação da área.

Sobre o dia de quinta-feira, Albacete realçou que a Guarda Civil continuará "até que tudo seja inspecionado" e que está a ser feito um trabalho para garantir a segurança da área para que possam entrar os guias caninos com os cães especializados em localização de pessoas e restos biológicos, já que não podem aceder à zona até que isso esteja assegurado.

Teresa Albacete especificou que durante o dia de quinta-feira continuarão a contar com o serviço aéreo, com os drones e um helicóptero, assim como com o serviço de segurança cidadão e o de trânsito, que está a controlar as entradas na zona, para trabalhar até que tudo esteja inspecionado e tenha sido confirmado que não ficou ninguém nos escombros.

Passageira sobreviveu a acidente de Ademuz e... ao de Toledo:

Passageira sobreviveu a acidente de Ademuz e... ao de Toledo: "Abalada"

Uma passageira que esteve em dois acidentes ferroviários em Espanha, um em Toledo e outro em Adamuz, saiu ilesa, mas está emocionalmente abalada. A informação foi divulgada por uma funcionária da Cruz Vermelha.

Notícias ao Minuto | 19:58 - 28/10/2026

Eleições intercalares nos EUA: Governo dividido é o cenário mais provável, aponta JP Morgan

28 October 2026 at 22:00

A pouco menos de um mês das intercalares americanas, marcadas para 3 de novembro de 2026, o cenário mais provável é o de um governo dividido em Washington, com pelo menos uma câmara do Congresso a passar para controlo Democrata. É a conclusão de uma análise de Zara Nokes, Global Market Analyst da J.P. Morgan Asset Management, publicada a 8 de outubro.

Atualmente, as duas câmaras são controladas pelo Partido Republicano. Mesmo num cenário de vitória total dos Democratas, a chamada “blue sweep”, a maioria não deverá ser suficiente para ultrapassar o poder presidencial, o que aponta para um período de bloqueio político e poucas mudanças de fundo na política americana no curto prazo.

No Senado, estão em disputa 35 das 100 cadeiras este ano, incluindo eleições especiais na Florida e no Ohio. Destas, 22 são atualmente republicanas. Os Democratas precisariam de um ganho líquido de quatro lugares para assumirem o controlo, segundo o banco norte-americano

Na Câmara dos Representantes, todos os 435 lugares estão em jogo. Os Democratas têm atualmente 214 assentos e há duas vagas, uma delas anteriormente democrata. Se mantiverem esse lugar, precisam apenas de mais três para obter a maioria.

Apesar de o redesenho dos círculos eleitorais pós-2024 ter sido favorável aos Republicanos, as sondagens indicam dificuldades para manter a Câmara. Segundo a análise, pesam a queda acentuada da popularidade do Presidente Trump, o conflito no Médio Oriente que fez subir os preços da gasolina, gasóleo, crédito à habitação e dívida ao consumo, além de preocupações com o acesso à saúde e com a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE.

Historicamente, o partido do Presidente quase sempre perde terreno na Câmara em eleições intercalares – aconteceu em 20 das últimas 23. Em média, a perda é de 27 lugares. Com uma maioria já curta e baixa aprovação, os Republicanos enfrentam um desafio acrescido, diz o JP Morgan.

A corrida ao Senado é mais renhida. O resultado dependerá de poucos estados competitivos. Para vencer, os Democratas teriam de segurar Geórgia, Michigan, Minnesota e New Hampshire e conquistar quatro lugares republicanos, com a mira apontada para Carolina do Norte, Maine e Ohio, onde lideram nas sondagens, e ainda Alasca, Texas, Kansas e Iowa.

Os Republicanos enfrentam uma ameaça é que há dois fatores podem ajudar os Democratas: o Canadá é o principal parceiro comercial de 26 estados americanos, incluindo Iowa, Maine, Carolina do Norte e Ohio, e as tensões comerciais entre EUA e Canadá estão a pressionar a inflação, num momento em que o custo de vida é a principal preocupação dos eleitores.

O preço do gasóleo a 6 dólares por galão em plena época de colheitas pode também penalizar os Republicanos nos estados agrícolas do Midwest.

O que significa para a política: três cenários, segundo o JP Morgan

Republicanos perdem a Câmara, mantêm o Senado. Este é o cenário considerado mais provável. A agenda doméstica da Casa Branca ficaria muito mais difícil de avançar. A área orçamental seria o principal ponto de pressão, já que Trump precisa do Congresso para financiar o governo e aumentar o teto da dívida, que deverá ser atingido em meados de 2027.

Os Republicanos ponderam uma “Reconciliation 3.0” para aprovar medidas com voto partidário antes do final do ano, incluindo o aumento do teto da dívida e mais despesa em defesa, habitação e saúde, mas a aprovação antes das intercalares parece improvável. O risco maior é de impasse orçamental e ameaças de shutdown. A pressão do mercado de obrigações deverá funcionar como travão a qualquer expansão orçamental significativa.

Com menos margem na política interna, Trump poderá focar-se em áreas onde tem mais poder discricionário, como política externa e comércio – como já se vê na guerra comercial com o Canadá. Uma Câmara democrata aumentaria também significativamente a fiscalização do executivo, com poder de intimação e controlo das agendas de investigação. O impeachment torna-se processualmente mais plausível, mas a destituição exigiria dois terços no Senado, o que é altamente improvável.

O segundo cenário mais preocupante para os Republicanos é perderem Câmara e Senado. Mas mesmo com controlo total do Congresso, os Democratas teriam dificuldade em aprovar legislação de fundo. Ultrapassar um veto presidencial exige dois terços em ambas as câmaras, e superar um filibuster no Senado exige 60 votos. Concessões limitadas em saúde poderão ser possíveis, mas grandes reformas regulatórias, de saúde ou climáticas são improváveis.

Uma área com apoio bipartidário é a regulação da Inteligência Artificial. Esforços federais para limitar a construção de data centers de IA seriam provavelmente vetados, mas ganhos democratas poderiam dar impulso a restrições a nível estadual, sobretudo em estados democratas.

O controlo do Senado daria ainda aos Democratas poder sobre nomeações – para o Supremo Tribunal, tribunais inferiores e Reserva Federal –, reduzindo o risco de desafios à independência das instituições, em particular da Fed.

O terceiro cenário seria os Republicanos manterem a Câmara e Senado. É considerado o menos provável, embora não seja impossível.

Neste caso, a administração Trump prometeu entregar cheques de 5.000 dólares a cada adulto americano, a um custo estimado entre 1,20 e 1,35 biliões de dólares, medida que dificilmente reunirá apoio dos republicanos mais preocupados com as contas públicas. Poderá também avançar com o SAVE America Act para combater fraude eleitoral, mas também sem votos suficientes.

E 2028?

As intercalares serão um termómetro para as presidenciais de 2028. Para os Democratas, vitórias de candidatos mais progressistas no Midwest, como Abdul El-Sayed no Michigan, podem reforçar a tese de uma nomeação mais à esquerda, como Alexandria Ocasio-Cortez. Para os Republicanos, a questão será se é possível vencer estando totalmente alinhado com Trump ou se é preciso criar uma identidade mais independente.

Para os investidores, a mensagem é de continuidade. “Em geral, num cenário de governo dividido – seja ou não uma vitória total democrata – Washington deverá entrar num período de bloqueio político”, resume a análise.

Zara Nokes, Global Market Analyst da J.P. Morgan Asset Management, diz que, com menor capacidade de moldar a política interna, aumenta o risco de uma presença americana mais imprevisível no palco global e de maior recurso a ordens executivas – uma tendência já visível nos primeiros dois anos do segundo mandato de Trump.

Ainda assim, conclui Nokes, os mercados tendem a ignorar o ruído político: quanto mais caótico o cenário político, maior a probabilidade de governos em todo o mundo recorrerem a estímulo orçamental.

Irão disponível para executar o seu plano de paz em menos de uma semana

28 October 2026 at 21:09

O Irão afirmou hoje que mantém contactos com mediadores para analisar propostas que permitam executar o seu "plano de paz de sete dias" em menos de uma semana, apesar de Washington o ter rejeitado há mais de um mês.

 

"Mantemos um contacto estreito e contínuo com os mediadores para analisar propostas que permitam garantir a implementação do nosso plano de sete dias num prazo ainda inferior a uma semana", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, nas redes sociais.

Embora as Forças Armadas da República Islâmica estejam "totalmente preparadas para defender a pátria", o ministro frisou que Teerão continuará a dar uma oportunidade à diplomacia "para que esta seja bem-sucedida".

O site de notícias norte-americano Axios avançou hoje que mediadores regionais liderados pelo Qatar estavam a envidar esforços para retomar as negociações entre o Irão e os Estados Unidos e impedir o recomeço da guerra após as eleições intercalares norte-americanas, marcadas para 03 de novembro.

Segundo o Axios, que cita nomeadamente fontes norte-americanas e israelitas, os diplomatas do Qatar estão a tentar "convencer o Irão a autorizar os inspetores da ONU a visitar as suas instalações nucleares bombardeadas, em troca de uma certa redução das sanções" norte-americanas.

A República Islâmica recebeu nos últimos dias representantes da Rússia, Qatar, Paquistão, Arábia Saudita e Turquia — os três últimos, membros do Acordo de Meca —, com quem abordou a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão há oito meses.

Até ao momento não foram anunciados avanços no sentido de um acordo de paz, enquanto os beligerantes continuam a trocar ameaças e manter o impasse no estreito de Ormuz.

A 25 de setembro, durante uma conferência de imprensa à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, Araghchi propôs a Washington um plano de sete dias para pôr fim às hostilidades, reabrir o estreito de Ormuz e, posteriormente, iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.

A proposta previa um cessar-fogo no Médio Oriente, o fim do bloqueio naval norte-americano, o levantamento das sanções ao petróleo iraniano e a libertação dos ativos iranianos congelados, em troca da reabertura do estreito de Ormuz e do início de negociações com os Estados Unidos para alcançar um acordo definitivo.

Um dia após a sua apresentação, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou ter rejeitado o plano, alegando que o seu país já controlava totalmente a estratégica passagem marítima de Ormuz.

Desde então, Teerão tem insistido que qualquer solução diplomática para o conflito deve garantir o cumprimento das suas condições.

Órgãos de comunicação social norte-americanos noticiaram preparativos de Washington e Telavive para lançar uma nova ofensiva contra a República Islâmica após as eleições intercalares nos Estados Unidos.

Segundo o Axios, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, o general Eyal Zamir, conversou na segunda-feira com o comandante do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), o almirante Brad Cooper, para coordenar possíveis futuros ataques.

O mesmo 'media' norte-americano, citando autoridades norte-americanas e israelitas, indicou que a futura operação militar incluiria uma semana de ataques em grande escala contra alvos relacionados com a liderança da República Islâmica, infraestruturas energéticas e nucleares.

Leia Também: Emir do Catar pede ajuda a Putin para resolver situação em Ormuz

Estudantes exigiram demissão. Diretora da TV sérvia saiu no dia seguinte

28 October 2026 at 20:51

A diretora do grupo de comunicação social público Rádio e Televisão da Sérvia (RTS) demitiu-se hoje, um dia após o pedido feito pelo movimento estudantil vencedor das eleições legislativas antecipadas de domingo.

 

A opositora Lista dos Estudantes obteve no escrutínio maioria absoluta no país balcânico, afastando do poder o todo-poderoso ex-presidente ultraconservador Aleksandar Vucic.

"Manja Grcic demitiu-se do cargo de diretora-geral da RTS", noticiou a estação, acrescentando: "A sua demissão tinha sido exigida pelo sindicato dos trabalhadores da RTS, por grupos informais de funcionários da estação e pela Lista dos Estudantes".

Grcic, que ocupava o cargo desde fevereiro deste ano e era há anos considerada próxima de Vucic, afirmou estar disposta a "prestar toda a cooperação necessária" para garantir uma transição ordenada, permitindo que a RTS continue a funcionar.

Na terça-feira, o movimento estudantil solicitou, através de uma carta, a demissão da diretora-geral da RTS, da sua adjunta, dos editores responsáveis pela cobertura da atualidade, bem como de todos os redatores do departamento de informação.

O movimento estudantil acusou a RTS de realizar um tratamento parcial da informação e de não exercer um controlo crítico sobre as autoridades políticas.

Na noite das eleições, a estação interrompeu a cobertura dos acontecimentos em Belgrado logo após o ex-presidente nacionalista Aleksandar Vucic ter reconhecido a derrota, apesar de haver celebrações a decorrer na rua por todo o país.

A Lista dos Estudantes exigiu também a criação de uma direção provisória para a RTS, uma proposta feita em conjunto com os sindicatos que representam os trabalhadores da estação pública, acusada pelos seus críticos de não ter cumprido as suas funções de serviço público.

"Os cidadãos têm direito a uma informação verdadeira, completa e imparcial", declarou a Lista, após a vitória eleitoral.

Segundo a organização não-governamental CRTA (Centro de Pesquisa, Transparência e Responsabilidade), durante uma semana da campanha eleitoral analisada, a RTS dedicou 93% do tempo a Vucic e a outros representantes do Governo, ao passo que a oposição obteve apenas 7% do tempo e, em grande parte, de forma negativa.

Na Sérvia, a grande maioria dos meios de comunicação social, incluindo a estação pública RTS e os privados, tem sido controlada por Vucic ou por pessoas do seu círculo próximo.

Em 2025, o ex-chefe de Estado sérvio foi incluído pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na sua lista mundial dos 34 "Predadores da Liberdade de Imprensa".

Em Novi Sad, no norte da Sérvia, a estação pública regional RTV pediu na segunda-feira desculpa por ter deixado de cumprir "durante muitos anos" a sua função de serviço público, e o diretor do canal apresentou a demissão.

Nas eleições legislativas antecipadas de domingo na Sérvia, uma lista apoiada pelos estudantes obteve uma vitória histórica sobre o partido nacionalista de direita SNS, de Aleksandar Vucic, pondo fim a 14 anos no poder.

Esta vitória ocorreu após dois anos de protestos desencadeados pelo desabamento, em 2024, da cobertura de um alpendre na estação ferroviária de Novi Sad, uma tragédia que resultou em 16 mortos.

Amplamente atribuída à corrupção, a catástrofe provocou algumas das maiores manifestações na Sérvia desde a queda do líder autoritário Slobodan Milosevic, em 2000.

Ao longo dos protestos, os estudantes acusaram repetidas vezes a RTS de ignorar deliberadamente os manifestantes e de os difamar.

Paralelamente, organizações da sociedade civil e associações de comunicação social instaram as autoridades reguladoras a retirar a licença à Informer TV, um canal privado alinhado com Vucic, alegando violações recorrentes da lei de imprensa.

Menor morto após atacar guarda à entrada da Embaixada de Israel na Sérvia

Menor morto após atacar guarda à entrada da Embaixada de Israel na Sérvia

Um menor de 16 anos foi abatido após esfaquear um guarda à entrada da Embaixada de Israel em Belgrado. O ministro do Interior do país declarou o incidente como uma "ataque terrorista", confirmando que o jovem era simpatizante do Estado Islâmico.

Márcia Guímaro Rodrigues | 07:46 - 28/10/2026

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