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Vorcaro diz que indiciamento pela PF por fraude é “frágil e absurdo”

28 October 2026 at 22:44

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, classificou como “frágil e absurdo” o seu indiciamento pela PF (Polícia Federal) e pediu tanto o arquivamento do inquérito quanto a revogação da sua prisão preventiva. Nesta quarta-feira (28), a corporação enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um relatório de mais de 700 páginas, no qual acusa o ex-banqueiro de gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além de Vorcaro, a PF também indiciou o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas no inquérito que apura as fraudes entre o Master e o BRB. A corporação também pediu que o STF prorrogue a investigação por mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares.

Segundo a defesa de Vorcaro, o próprio pedido de prorrogação do prazo seria uma prova de que a PF “antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado”. Alega também que “não há nenhum fato novo” nem prova que sustente o indiciamento.

“No mesmo documento em que indicia, a autoridade policial pede ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para prosseguir nas apurações. Reconhece que exames periciais seguem ‘em elaboração’, que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas relevantes sequer foram ouvidas. Indicia-se primeiro para investigar depois”, diz o texto.

O BRB comprou cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Segundo a PF, ao menos R$ 12,2 bilhões desse montante correspondem a créditos comercializados sem comprovação de existência, parte central do esquema fraudulento investigado.

Para os investigadores, foram usados créditos fictícios para sustentar operações bilionárias e manter o fluxo de recursos em direção ao Master. O relatório aponta que o esquema se desenvolveu em frentes interligadas, que incluíam a compra, recompra e substituição de créditos, operações relacionadas aos aumentos de capital do BRB e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco público de Brasília.

A defesa de Vorcaro alega, entretanto, que o negócio envolvendo as carteiras de da Tirreno não foi concluído.

“As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília”, afirma a nota.

Continua: “Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo: os números citados no relatório vêm da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB, que é parte interessada, e a própria Polícia Federal reconhece que não teve acesso ao resultado da auditoria sobre os ativos entregues em substituição”.

Sobre o indiciamento por lavagem de dinheiro, a defesa de Vorcaro afirma que não houve rastreamento dos recursos. “Imputa-se a ocultação de valores cujo caminho sequer foi examinado.”

Alega ainda que as relações entre o BRB e o Master tratam-se de matéria civil e não criminal e que haveria um vazamento seletivo de informações sobre o inquérito, citando um suposto “depoimento esclarecedor” à PF que nunca foi divulgado.

Por fim, pede o arquivamento do inquérito e a suspensão prisão preventiva de Vorcaro para que o ex-banqueiro responda ao inquérito em liberdade.

*Com informações de Fernanda Fonseca

PF indicia Vorcaro e mais 14 investigados no caso Master

Logo Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB). As irregularidades foram investigadas na primeira fase da Operação Compliance Zero. 

De acordo com relatório de indiciamentos, Vorcaro teve "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.

Notícias relacionadas:

"Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.

Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

Além de Vorcaro, também estão na lista de indiciados o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, ex-sócio do Master.

Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Prejuízo

De acordo com os investigadores da PF, o prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Parte das perdas foram provocadas por carteiras de créditos inexistentes, que estavam em nome da Tirreno, empresa de fachada operada pelo Master, e que fez transações com o BRB. 

"Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual", afirmou a PF.

Após concluir a primeira parte da Operação Compliance Zero, os investigadores enviaram o relatório de indiciamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogação das investigações por mais 60 dias.

O prazo será utilizado para conclusão dos exames periciais que estão pendentes e apresentação de um relatório complementar de investigação.

*texto atualizado às 17h19

 

Outro lado

 

A Agência Brasil busca contato com a defesa dos acusados.

PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraudes no caso Master

28 October 2026 at 19:54

A PF (Polícia Federal) indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no inquérito que apura fraudes envolvendo operações entre o Banco Master e o BRB.

Os indiciamentos constam de um relatório parcial de mais de 700 páginas encaminhado nesta quarta-feira (28) ao STF (Supremo Tribunal Federal). A PF também pediu a prorrogação da investigação por mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares.

O BRB comprou cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Segundo a PF ao menos R$ 12,2 bilhões desse montante correspondem a créditos comercializados sem comprovação de existência, parte central do esquema fraudulento investigado.

Leia Mais:

Para os investigadores, foram usados créditos fictícios para sustentar operações bilionárias e manter o fluxo de recursos em direção ao Master.

O relatório aponta que o esquema se desenvolveu em frentes interligadas, que incluíam a compra, recompra e substituição de créditos, operações relacionadas aos aumentos de capital do BRB e a tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco público de Brasília.

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O relatório da Polícia Federal o descreve como o “principal centro de comando, coordenação e decisão” da estrutura criminosa investigada.

Já Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. A PF diz que o ex-presidente do BRB atuava como principal articulador das operações dentro do banco e usava as atribuições do cargo para garantir a continuidade dos negócios estruturados por Vorcaro.

Veja quem foi indiciado: 

  • Daniel Bueno Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;
  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do BRB;
  • Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro;
  • Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Banco Master;
  • Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master;
  • Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Banco Master;
  • Allan da Silva Machado, ligado à estrutura operacional do Master;
  • Henrique Souza e Silva Peretto, ligado à Tirreno;
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ligado à Tirreno;
  • Daniel Lopes Monteiro, advogado que atuou na estruturação das operações;
  • Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor do BRB;
  • Luana de Andrade Ribeiro, ex-integrante da diretoria do BRB;
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-integrante da diretoria do BRB;
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-integrante da diretoria do BRB;
  • José Maria Correa Dias Junior, ex-integrante da diretoria do BRB.

O relatório é parcial e não encerra as investigações.

A PF afirmou que os indiciamentos formalizados hoje se referem às condutas que considera “suficientemente consolidadas” até o momento e que ainda há medidas da investigação pendentes.

Relembre a Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do SFN (Sistema Financeiro Nacional). Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. No caso do Banco Master, a PF aponta Daniel Vorcaro como líder do grupo e responsável por coordenar as operações com carteiras de crédito.

Em 18 de novembro de 2025, a PF realizou a primeira prisão de Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele se preparava para viajar a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Vorcaro permaneceu quase uma semana detido preventivamente na Superintendência da PF em São Paulo antes de ser transferido posteriormente para o CDP II (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, pavilhão destinado principalmente a presos midiáticos e formados em Direito.

Cerca de dez dias após a prisão, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal) determinou que Vorcaro e outros quatro executivos do Master deixassem o presídio e cumprissem medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.

Após quase quatro meses cumprindo medidas cautelares, o ex-banqueiro foi preso novamente pela PF no último dia 4 de março, por determinação do ministro do STF André Mendonça. A prisão ocorreu diante da suspeita de que ele tentava atrapalhar as investigações relacionadas ao Banco Master.

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