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Halloween: fantasias, maquiagens e glitter podem desencadear crises alérgicas em crianças

27 October 2026 at 21:54

Fantasias, maquiagens, sprays coloridos e glitter fazem parte da caracterização de Halloween, mas alguns desses itens podem provocar reações alérgicas e agravar sintomas respiratórios, especialmente em crianças com rinite ou asma. A composição dos produtos, as condições de armazenamento das roupas e a forma de aplicação dos cosméticos estão entre os fatores que exigem atenção.

Segundo a alergista e imunologista Cristiane Passos, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, poeira, ácaros, mofo, fragrâncias e substâncias químicas presentes em produtos de maquiagem e acessórios podem irritar as vias respiratórias. Os sintomas variam de espirros e coriza a tosse, chiado no peito e crises de asma.

“Fantasias, maquiagens, tintas, glitter e acessórios podem funcionar como gatilhos, principalmente em crianças que já apresentam rinite ou asma. É importante observar não apenas o material utilizado, mas também o estado da fantasia e a forma como os produtos são aplicados”, explica a especialista.

Fantasias guardadas podem acumular poeira e mofo

Roupas e acessórios armazenados durante meses podem acumular poeira e ácaros. Dependendo das condições do local, também podem apresentar mofo, que pode agravar sintomas alérgicos e respiratórios.

A recomendação é lavar a fantasia antes de vestir a criança, preferencialmente com sabão neutro e sem produtos muito perfumados. Também é indicado deixar a peça arejar antes do uso. Se houver cheiro persistente de mofo, o ideal é não utilizar a roupa até que o problema seja resolvido.

Tecidos sintéticos podem causar desconforto, principalmente quando permanecem em contato direto com a pele por períodos prolongados. Uma alternativa é utilizar uma camiseta fina de algodão por baixo da fantasia, desde que isso não aumente o calor ou o desconforto.

Glitter, sprays e maquiagens exigem cuidados

Produtos usados para completar a caracterização também podem provocar irritações. O glitter solto, por exemplo, contém partículas que podem ser inaladas durante a aplicação, enquanto sprays para cabelo liberam aerossóis capazes de irritar as vias respiratórias, sobretudo em ambientes fechados.

Maquiagens e tintas faciais também merecem atenção. Fragrâncias, conservantes e determinados corantes podem causar irritação ou reações alérgicas na pele.

“Quanto mais próximo do rosto e das vias respiratórias estiver o produto, maior deve ser o cuidado. Para crianças alérgicas, é preferível escolher produtos próprios para a faixa etária, com formulações mais simples e sem fragrância, além de testar previamente em uma pequena área da pele”, orienta Cristiane Passos.

Máscaras e ambientes fechados podem agravar sintomas

Máscaras de plástico ou borracha podem provocar desconforto devido ao calor, ao cheiro dos materiais ou à dificuldade de respirar em determinados modelos. Para crianças com asma ou outros problemas respiratórios, é importante evitar acessórios que cubram completamente o nariz e a boca, além de limitar o tempo de uso.

O ambiente da festa também influencia o bem-estar das crianças. Locais fechados, com pouca ventilação, poeira ou fumaça artificial, podem concentrar partículas e substâncias irritantes, aumentando o risco de desconforto respiratório.

Crianças com rinite e asma precisam de atenção redobrada

Crianças que têm diagnóstico de rinite ou asma devem manter o tratamento prescrito pelo médico e evitar experimentar fantasias e maquiagens pela primeira vez no dia da festa. Uma medida preventiva é testar os produtos e vestir a fantasia alguns dias antes, por um período curto, para observar possíveis reações.

Coceira no nariz ou nos olhos, espirros frequentes, coriza, congestão nasal, tosse, vermelhidão nos olhos e irritação na pele podem indicar uma reação a algum componente da caracterização.

“Se a criança apresentar chiado, falta de ar ou dificuldade para respirar, é preciso retirar imediatamente a fantasia ou o produto que possa estar desencadeando a reação e procurar atendimento. Crianças com asma devem ter consigo a medicação de resgate prescrita pelo médico”, alerta a especialista.

Como prevenir reações alérgicas no Halloween

Alguns cuidados podem ajudar a reduzir a exposição a possíveis agentes irritantes durante a festa:

  • Lavar a fantasia antes do uso, especialmente se ficou guardada por meses;
  • Deixar as roupas arejarem e evitar peças com cheiro forte de mofo ou de produtos químicos;
  • Priorizar tecidos confortáveis e, quando possível, algodão em contato direto com a pele;
  • Escolher maquiagens próprias para crianças, preferencialmente sem fragrância, e testar o produto previamente;
  • Evitar a aplicação de glitter solto próximo ao rosto;
  • Utilizar sprays capilares com cautela, em locais ventilados e longe da criança durante a aplicação;
  • Evitar máscaras que cubram completamente o nariz e a boca, especialmente em crianças com problemas respiratórios;
  • Preferir ambientes bem ventilados para as comemorações;
  • Manter os tratamentos prescritos e garantir o acesso às medicações recomendadas pelo médico.

Com medidas preventivas, é possível aproveitar as fantasias e a maquiagem de Halloween com menos exposição a fatores que podem desencadear alergias e problemas respiratórios. Para crianças com rinite ou asma, a escolha dos produtos e a atenção aos primeiros sintomas são especialmente importantes.

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© Foto: Divulgação

Os sintomas variam de espirros e coriza a tosse, chiado no peito e crises de asma.

Inteligência artificial: sem formação não há competitividade

28 October 2026 at 00:06

A inteligência artificial está a redefinir a forma como as empresas competem, inovam e criam valor. Mas, no debate sobre infraestruturas, capacidade computacional e agentes autónomos, há uma dimensão que não pode ser secundarizada: a preparação das pessoas.

Foi uma das reflexões que retirei do Portugal Digital Summit, em particular da intervenção de Bernardo Correia, secretário de Estado, sobre os desafios da transformação digital em Portugal. Pessoas, infraestruturas, dados e capacidade de execução são dimensões essenciais. Contudo, é a qualificação das pessoas que permite transformar as restantes em resultados económicos.

A formação não é um complemento da transformação digital. É uma das suas principais condições de sucesso.

Os dados ajudam a compreender a dimensão do desafio. Segundo o Eurostat, em 2025, apenas 59,2% da população portuguesa entre os 16 e os 74 anos tinha competências digitais básicas ou superiores, face a cerca de 60,4% na União Europeia. Estamos, portanto, longe da meta europeia de 80% até 2030. O problema não é apenas tecnológico: é também de competências.

O Fórum Económico Mundial, no Future of Jobs Report 2025, estima que 39% das competências atuais dos trabalhadores se transformarão ou ficarão desatualizadas até 2030. Além disso, 63% dos empregadores identificam as lacunas de competências como um dos principais obstáculos à transformação das suas organizações. A resposta não pode limitar-se a contratar especialistas. Exige investimento sistemático na aprendizagem e requalificação de quem já trabalha.

Importa, porém, distinguir formar para utilizar de formar para transformar.

A inteligência artificial generativa permite produzir conteúdos, analisar informação e automatizar tarefas. Mas o seu verdadeiro potencial económico surge quando as organizações repensam processos, decisões e modelos de negócio. A evolução para agentes capazes de executar tarefas e interagir com diferentes sistemas torna esta necessidade ainda mais evidente. Precisamos de profissionais capazes de trabalhar com estas tecnologias, avaliar os seus resultados e reconhecer os limites da sua autonomia.

A OCDE reforça esta ideia: menos de 1% dos trabalhadores necessitará de competências avançadas específicas de IA, como desenvolver modelos. A maioria precisará de competências digitais, capacidade para interpretar dados e competências humanas, como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas. A formação em inteligência artificial tem, por isso, de chegar muito para além dos departamentos tecnológicos.

Mas qualificar pessoas não basta. É necessário criar condições para aplicar o conhecimento adquirido. Uma empresa pode formar os seus colaboradores e continuar a não gerar valor se mantiver os mesmos processos, incentivos e modelos de decisão. A liderança tem de ligar aprendizagem, experimentação e execução, definindo objetivos e medindo resultados em produtividade, qualidade e inovação.

Portugal tem aqui uma oportunidade estratégica. Universidades, empresas e decisores públicos devem trabalhar em conjunto para democratizar o acesso à formação, combinar conhecimento científico com aplicação prática e promover a aprendizagem ao longo da vida. Iniciativas europeias como a AI Skills Academy refletem esta prioridade, mas o impacto dependerá da capacidade de transformar a ambição em competências efetivas e resultados mensuráveis.

Na era da inteligência artificial, a vantagem competitiva não pertencerá necessariamente a quem tiver mais tecnologia, mais dados ou mais agentes. Pertencerá a quem souber mobilizar pessoas capazes de os transformar em valor económico. Investir na formação é investir na produtividade, na inovação e na competitividade de Portugal. A tecnologia abre possibilidades. São as pessoas preparadas que as concretizam.

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