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Carlos relata pedido de desculpa a Jair em visita: “A gente falhou”

28 October 2026 at 15:21

Carlos Bolsonaro (PL), senador eleito por Santa Catarina e irmão do candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã desta quarta-feira (28), em meio à fuga de Flávio aos Estados Unidos após o resultado do pleito de domingo (25).

Em vídeo publicado nas redes sociais, Carlos disse que conversou por duas horas com Jair, que estaria tentando assimilar os últimos acontecimentos. “Ele está forte, sabe que a vida continua, ainda não acabou”, relatou.

Na gravação, o recém-eleito senador disse que teria se emocionado durante o encontro e se desculpado com o pai pela derrota do irmão. “Falei: ‘Desculpa, pai, a gente falhou’. Ele: ‘Negativo, levanta a cabeça, vamos embora’. Muita coisa para fazer pelo Brasil ainda. Preparou um café pra mim ali, foi bacana”, contou.

Carlos foi eleito Senador por Santa Catarina em 4 de outubro, com 2.041.840 votos. Ele ficou em segundo lugar na disputa local, atrás de Carol de Toni (PL).

No vídeo, ele reforçou que o pai seria um “preso político” dos atos de 8 de Janeiro de 2023 e declarou que continuará a atuar pela liberdade de Jair e pelos outros bolsonaristas que participaram da tentativa de golpe de Estado.

“Vamos nessa, pessoal. Um dia de cada vez, não acabou ainda. Vamos tocando a vida, tranquilo. Tenho sorte de ter um pai vivo, que me dá sempre o suporte que eu preciso e, inacreditavelmente, ele que me deu suporte hoje, mais uma vez”, finalizou.

Teresópolis (RJ) registra boicote a comércios após vitória de Lula

28 October 2026 at 14:44

Entidades de Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, repudiaram, na terça-feira (27), uma campanha de boicote a comércios e estabelecimentos da cidade que supostamente teriam como donos apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no domingo (25), passou a circular em grupos de mensagens do município uma lista com alguns estabelecimentos que não teriam apoiado Flávio. A medida também incentiva a polarização política ao pedir que a população pare de consumir nestes locais.

A CNN Brasil teve acesso à lista e a um vídeo, gravado pelo advogado Klauss Fins. Na gravação, ele aparece com uma camisa amarela em que está escrito “Meu partido é o Brasil” e incentiva uma perseguição política ao pedir que se coloque uma “estrela vermelha” na porta de negócios em que os donos “são petistas”.

“Já que aqueles petistas acreditam que o PT é o melhor para o país, votaram no Lula e elegeram teoricamente esse presidente, eles é que toquem o negócio deles com o Lula na Presidência. Mete uma estrela do PT na portinha da sua loja e vê o que vai acontecer. Já existe um movimento para que não se compre, não se prestigie e não se negocie com petistas porque eles acabaram com a economia do país”, diz ele. “Negocie somente com patriotas”, ressalta na gravação.

A reportagem pediu um posicionamento de Klauss, mas ainda não teve resposta. Já em outro vídeo, homens vestidos com a camisa da Seleção Brasileira ateiam fogo à uma bandeira de Lula e jogam o material incendiado no meio da rua.

Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Teresópolis afirmou que divergência política não justifica perseguição e disse repudiar as práticas de intimidação, constrangimento e incentivo ao boicote ao comércio por posicionamentos partidários.

“Empreendedores e trabalhadores são fundamentais para o desenvolvimento da cidade, a geração de empregos e o fortalecimento da economia. Nenhuma disputa partidária deve ser usada para prejudicar atividades comerciais e profissionais”, afirma a administração municipal.

O diretor do PL (Partido Liberal) na cidade também divulgou uma nota dizendo que os trabalhadores não podem ser discriminados por opiniões políticas. “A liberdade de escolha é um direito constitucional, e respeitá-la é um dever de todos”, escreveu Alex Castellar.

O diretório do PT (Partido dos Trabalhadores) de Teresópolis disse, para a imprensa, repudiar os atos e ressaltou que a ação remete à Alemanha Nazista, quando campanhas de boicote foram organizadas contra judeus. No comunicado, o partido chama a lista de “inadmissível”, “grave” e uma forma de “intimidação”.

“Em uma cidade onde tantas famílias dependem do comércio local, dos pequenos empreendimentos e da circulação de recursos para garantir sua sobrevivência, incentivar o boicote a estabelecimentos comerciais significa atacar diretamente a economia do município, ameaçar postos de trabalho e prejudicar o sustento de inúmeras famílias. Não existe patriotismo em prejudicar a economia da própria cidade, perseguir comerciantes ou colocar em risco o emprego de trabalhadores por divergências políticas.”

O Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis também alegou repudiar o incentivo à hostilidade e pontuou que “o fortalecimento do comércio depende de um ambiente de confiança, respeito e valorização dos empreendedores e trabalhadores”.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) na cidade emitiu uma nota afirmando que a liberdade de expressão e o respeito às divergências são pilares de uma sociedade democrática.

“Intimidação, perseguição política, assédio e constrangimento com motivação política não serão aceitos e são repudiados”, destacou a entidade.

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