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Empresa que quer explorar lítio em Trás-os-Montes conclui trabalhos geotécnicos e diz que vê “cada vez maior aceitação”

29 October 2026 at 19:50

A Savannah anunciou hoje que concluiu os trabalhos geotécnicos no âmbito da mina de lítio do Barroso, em Boticas, numa área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

“A conclusão desta campanha representa mais um passo concreto no desenvolvimento do projeto lítio do Barroso. Foram cinco meses de trabalho intenso, com uma equipa alargada e envolvendo empresas locais e regionais, que nos permitiram recolher um conjunto muito significativo de informação técnica para a próxima fase do projeto”, afirmou, citado em comunicado, o diretor-executivo (CEO) da Savannah, Emanuel Proença.

Entre terça-feira e hoje, algumas dezenas de pessoas concentraram-se junto a um local de sondagens em Covas do Barroso, em terreno baldio abrangido pela servidão administrativa concedida pelo Governo em maio, para bloquearem os trabalhos da empresa e protestarem contra o projeto mineiro.

Hoje juntaram-se cerca de 50 pessoas naquela área florestal onde estavam máquinas da empresa.

No comunicado divulgado hoje, a Savannah disse que, “ao contrário do referido repetidamente, o protesto dos últimos dias não paralisou trabalhos”.

“Conforme a empresa foi esclarecendo, não estavam previstas intervenções no local dos protestos, encontrando-se o programa já concluído nessa área. As operações prosseguiram noutras frentes de trabalho, de acordo com o planeamento definido pela empresa. A Savannah reafirma que a sua atuação no local ocorreu ao abrigo da servidão administrativa concedida pela Estado português”, salientou a empresa.

A Savannah disse ter comunicado hoje ao mercado que concluiu “com sucesso” no início da semana os trabalhos de reconhecimento geotécnico e hidrogeológico previstos para o bloco neste do projeto. Esta é a área onde se instalará a fábrica e se concentrarão as atividades durante os primeiros oito anos de operação.

“Relativamente à contestação ao projeto dos últimos dias, por sermos da região, sabemos que a mesma não representa o sentimento local. Nós vemos no dia a dia a cada vez maior aceitação do projeto por todos aqueles que acolheram a via do diálogo, vemos o interesse que as pessoas têm no projeto e nas oportunidades que ele está já a criar nas comunidades”, acrescentou Emanuel Proença.

O responsável referiu que “mais de 2.000 candidatos a novos empregos e 50 novas vagas para preencher nos próximos meses, reforçam a grande responsabilidade” que a empresa “tem em mãos”.

A campanha durou cinco meses e envolveu 276 pontos de observação e mais de 180 poços de reconhecimento e, segundo a empresa, os trabalhos “representaram um investimento superior a 500 mil euros em serviços diretos na economia local”.

Realizaram-se ainda 32 sondagens para piezómetros, que permitem medir e acompanhar os níveis de água, e 30 sondagens geotécnicas, que forneceram dezenas de amostras destinadas a caracterizar as condições das fundações das futuras instalações e a qualidade dos materiais que poderão ser utilizados em construção.

A empresa concretizou que, para além dos mais de 40 trabalhadores da Savannah envolvidos nesta campanha, os trabalhos mobilizaram, em média, cerca de 30 profissionais por dia.

A contestação à mina é feita há oito anos e já a 09 de outubro a associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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Greve de trabalhadores da Misericórdia da Póvoa de Varzim com adesão de 30%

29 October 2026 at 12:43

 A greve dos trabalhadores da Santa Casa da Póvoa de Varzim para contestar os horários impostos e reivindicar aumentos salariais e o cumprimento do contrato coletivo de trabalho regista uma adesão de cerca de 30%, disse hoje fonte sindical.

Em declarações à Lusa, Célia Vareiro, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), explicou que a alteração dos turnos, fixada em 26 de outubro, levou a que “alguns trabalhadores passassem a terminar o horário às 00:00”, situação que considera “incompatível com as responsabilidades familiares e as limitações dos transportes públicos”.

“Há trabalhadores a pensar em despedir-se. Alguns residem longe do local de trabalho e não dispõem de transporte próprio para regressar a casa durante a noite”, disse.

A greve decorre durante todo o dia e abrange trabalhadores de várias categorias profissionais da instituição que, segundo Célia Vareiro, conta com “cerca de 250 funcionários” e assegura respostas sociais como lares, unidades de cuidados continuados, apoio domiciliário, centro de dia e serviços de fisioterapia.

No final de uma concentração frente à Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, realizada cerca das 07:30, o sindicato entregou “declarações individuais dos trabalhadores contestando os horários e manifestando a intenção de continuar a cumprir os horários anteriores, alegando que a vida familiar e pessoal estava organizada em função desses períodos de trabalho”.

Segundo Célia Vareiro, a alteração dos turnos afeta sobretudo os trabalhadores de apoio, serviços gerais e ajudantes de ação direta.

À Lusa, a responsável sindical denunciou ainda “a substituição de trabalhadores em greve, através da realização de turnos de 12 horas por trabalhadores escalados para o turno da tarde e da alteração das folgas de outros funcionários para assegurar os serviços mínimos”.

A dirigente do CESP considerou que a adesão à greve também é condicionada pela “existência de muitos trabalhadores contratados e pelo receio de represálias, nomeadamente entre os que temem não conseguir assegurar a continuidade do vínculo laboral”.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais significativos, a redução do horário de trabalho para 35 horas semanais, o cumprimento das cláusulas do contrato coletivo, o pagamento dos subsídios de turno, a atualização das categorias profissionais e a progressão nas carreiras.

O sindicato contesta igualmente o tratamento dos intervalos para refeição e a organização dos horários, alegando que não estão a ser respeitadas as disposições previstas no contrato coletivo de trabalho.

De acordo com Célia Vareiro, a administração da instituição comprometeu-se a conceder as duas folgas e a pagar os subsídios de turno a partir de agora, mas não respondeu favoravelmente às restantes reivindicações.

A sindicalista afirmou que os trabalhadores reclamam o pagamento dos subsídios de turno relativos a cerca de 15 anos, período durante o qual, segundo o sindicato, esses valores não foram pagos.

Contactado pela Lusa, o provedor da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim, Virgílio Ferreira, remeteu esclarecimentos sobre este protesto para mais tarde.

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Pelo terceiro dia consecutivo há protesto contra mina de lítio em Trás-os-Montes

29 October 2026 at 08:00

Pelo terceiro dia consecutivo, cerca de 50 pessoas concentram-se esta manhã junto a um local de sondagem da Savannah numa zona baldia, em Covas do Barroso, Boticas, em protesto contra a mina de lítio que a empresa quer explorar.

“O bloqueio para nós tem sido um enorme sucesso. A Savannah está há três dias sem trabalhar no baldio. E é preciso desmontar o que tem sido a narrativa da empresa, ao afirmar que não planeava de qualquer forma trabalhos nestes dias. Alguém acredita nisto vindo de uma empresa que está pressionada para avançar com os licenciamentos de um projeto que se arrasta há quase 10 anos? É conversa de conveniência para amenizar as preocupações dos investidores”, afirma, citado em comunicado, presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB), Nélson Gomes.

Os protestos começaram na terça-feira e a empresa tem dito que, nestes dias, “não estavam previstos trabalhos no local do protesto” e que os trabalhos no terreno seguem um “calendário próprio definido unicamente pela Savannah, dentro do respeito pela servidão administrativa concedida pelo Estado Português”.

A GNR não tem sido chamada ao local.

“A Savannah continua a trabalhar em várias frentes, cumprindo o seu plano de trabalhos tanto no terreno como na conclusão do estudo de Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), na frente de financiamento e em tantas outras áreas de relevo”, realça ainda a empresa.

Os trabalhos decorrem numa área de baldio abrangida por uma servidão administrativa, concedida pelo Governo em maio, que permite à empresa realizar operações de sondagem, apesar da oposição dos proprietários e compartes.

Maria Loureiro, pastora de Romainho, disse, também citada no comunicado, que hoje o dia de bloqueio está a ser “muito especial” porque “chegaram pessoas de todas as pontas do país para ajudar” no protesto.

“Mostra o quanto cada vez mais isto não é uma luta apenas de Covas do Barroso. O que só nos dá mais convicção de que estamos a fazer a coisa certa, quando dizemos não a este projeto”, refere ainda.

Rui Valente, ativista do Porto, foi uma das pessoas que se deslocou a Covas do Barroso para apoiar a população no Barroso, explicando que o que o se passa nesta aldeia o revolta.

“Não é difícil imaginar a dificuldade que seria para estas pessoas aguentarem um bloqueio deste tipo, a ter de deixar constantemente o trabalho e questões familiares em suspenso. Foi a pensar nisso que juntei um grupo de amigos e viemos ajudar. Eu sou de fora, mas na verdade, como habitante do Porto, isto também me pode vir a afetar. A contaminação do rio Covas, em última análise, é também a contaminação do rio Douro”, afirma, também citado no comunicado.

A contestação à mina é feita há oito anos e já em 09 de outubro a associação interrompeu os trabalhos da empresa, com a GNR a identificar 27 opositores à mina de lítio.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.

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