❌

Normal view

Netanyahu intensifica ataques a partidos árabes sob risco de perder poder

29 October 2026 at 14:47

Benjamin Netanyahu alegou nesta quinta-feira (29), sem apresentar provas, que o crescimento recorde dos partidos árabes nas eleições desta semana foi impulsionado, em parte, por fraude eleitoral. Líderes árabes rejeitaram a acusação e acusaram o primeiro-ministro de incitação.

A acusação representa uma intensificação da retórica antiárabe de Netanyahu e de seus aliados de extrema direita após a alta participação da população árabe na votação nacional de terça-feira, que, na prática, impediu tanto o primeiro-ministro quanto seus principais rivais judeus de chegar facilmente ao poder.

Autoridades eleitorais israelenses afirmaram nesta quinta-feira que há uma investigação sobre as suspeitas de fraude, mas disseram que a integridade da eleição não foi “comprometida de forma sistemática”.

Analistas e críticos afirmam que, ao intensificar os ataques aos partidos árabes, Netanyahu pode estar tentando fazer com que seu principal rival, Gadi Eisenkot, se sinta impedido até mesmo de considerar a formação de um governo minoritário com apoio árabe que poderia tirá-lo do poder.

O objetivo de Netanyahu é “deslegitimar qualquer cooperação entre árabes e judeus”, afirmou Eytan Gilboa, professor de política da Universidade Reichman.

As autoridades eleitorais deveriam concluir a apuração dos votos ainda nesta quinta-feira. A eleição, marcada por uma disputa acirrada, não produziu um vencedor claro e deve ser seguida por semanas de negociações prolongadas para a formação de um novo governo.

Com quase 93% dos votos apurados, o bloco nacionalista-religioso de Netanyahu tinha uma pequena vantagem em número de cadeiras sobre o bloco de partidos de direita e centro-esquerda liderado por Eisenkot. As coalizões dos dois candidatos, porém, estavam abaixo das 61 cadeiras necessárias para conquistar a maioria no Parlamento.

Os partidos que representam a minoria árabe de Israel, que corresponde a 21% da população, deveriam conquistar um número sem precedentes de 19 cadeiras. Com isso, o bloco de Eisenkot, com 48 assentos, contra 53 do grupo de Netanyahu, não teria um caminho viável para chegar ao poder sem amplo apoio árabe — uma possibilidade que Eisenkot até agora descartou.

O grupo de Eisenkot também poderia, no entanto, tentar formar um governo minoritário com apoio externo dos partidos árabes, sem incluí-los formalmente na coalizão governista.

Netanyahu acusa partidos árabes de fraude; partidos árabes denunciam incitação

Ahmad Tibi, um dos líderes da Lista Conjunta, partido árabe, afirmou que Netanyahu conduz uma campanha coordenada e tóxica destinada a enfraquecer os resultados eleitorais.

“Esta campanha inteira é dirigida contra Eisenkot, para impedi-lo, intimidá-lo e assustá-lo, afastando-o da possibilidade de formar um governo que dependa do apoio externo da Lista Conjunta ou do Ra’am”, disse Tibi à Reuters.

Durante e após a votação de terça-feira, Netanyahu e seus aliados alertaram contra o aumento da participação dos eleitores árabes. O Likud, partido de direita do primeiro-ministro, divulgou comunicados acusando os partidos árabes de “roubar a eleição”.

A legenda exigiu que a polícia e o Shin Bet, serviço de inteligência interna de Israel, investigassem episódios suspeitos de compra de votos e intimidação em seções eleitorais de cidades árabes. O partido afirmou possuir provas dessas práticas, mas não as apresentou publicamente.

A polícia informou que pelo menos sete pessoas foram presas desde terça-feira no sul de Israel, região onde vivem muitos árabes, sob suspeita de fraude eleitoral. A emissora pública israelense Kan informou que elas eram suspeitas de tentar subornar eleitores para que votassem no Ra’am, partido de predominância árabe com raízes islâmicas.

Nesta quinta-feira, o presidente do Comitê Central Eleitoral de Israel, o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg, afirmou ter solicitado ao Shin Bet que investigasse suspeitas de que agentes estrangeiros não identificados tentaram interferir na eleição.

O Likud aproveitou a solicitação de Sohlberg para denunciar um ataque à democracia israelense, uma “islamização de Israel” e uma tentativa de derrubar a direita para provocar a retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) e uma derrota em todas as frentes, principalmente contra o Irã.

O Likud afirmou que o Catar estava por trás da suposta interferência eleitoral. O governo catariano negou posteriormente a acusação.

Mansour Abbas, líder do Ra’am, afirmou nesta quinta-feira que seu partido não esteve envolvido nas condutas suspeitas relatadas e pediu uma investigação completa. Ele acusou Netanyahu de conduzir uma campanha de incitação contra os cidadãos árabes de Israel.

“Temos uma mensagem em resposta à campanha de incitação e deslegitimação que ele está promovendo contra os cidadãos árabes: nada resultará disso, porque não há nada que justifique essas acusações”, afirmou Abbas em comunicado.

Em uma carta enviada a um parlamentar e divulgada pelo Comitê Central Eleitoral, o órgão afirmou que “não há fundamento para alegações de que a integridade da eleição tenha sido prejudicada de forma sistemática”.

Presidente de Israel: “Não devemos macular uma comunidade inteira”

Após a conclusão da apuração, o presidente Isaac Herzog consultará os líderes dos partidos e escolherá o candidato que considerar ter as melhores chances de formar um governo.

A coalizão que derrubou Netanyahu em 2021 dependia do apoio do Ra’am, de Abbas. Mas o desempenho abaixo do esperado de Eisenkot significa que a oposição agora precisaria do apoio da Lista Conjunta, dominada por partidos árabes e que inclui uma legenda explicitamente antissionista. Desde a fundação de Israel, a maioria dos líderes judeus evita alianças formais com partidos árabes.

Eisenkot pediu uma investigação que proteja a integridade eleitoral, mas afirmou que Netanyahu está explorando as suspeitas para “espalhar o caos”.

Em comunicado, disse que o objetivo de Netanyahu é “contestar os resultados oficiais das eleições, nas quais a população israelense votou contra o governo”.

Herzog afirmou que as alegações devem ser investigadas.

“Mas, mesmo em um momento como este, não devemos macular uma comunidade inteira que buscou exercer seu direito ao voto e participar ativamente da democracia”, declarou o presidente em um comunicado.

Quem é Benjamin Netanyahu, político israelense?

Israel: Netanyahu deve permanecer como interino após eleição inconclusiva

29 October 2026 at 09:32

Benjamin Netanyahu parecia destinado a permanecer como primeiro-ministro interino de Israel depois que um apoio inesperadamente forte entre os eleitores judeus deixou seus oponentes com poucas perspectivas aparentes de destituí-lo, apesar de seu bloco de direita ter perdido a maioria parlamentar.

Com mais de 90% das urnas apuradas, as três principais emissoras de Israel projetaram que o bloco de Netanyahu, formado por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, conquistaria 53 cadeiras no Knesset, de 120 cadeiras, bem à frente das 48 do bloco de oposição do rival Gadi Eisenkot.

Os partidos que representam os árabes israelenses deveriam conquistar 19 cadeiras — um número sem precedentes —, deixando a Eisenkot poucas chances realistas de chegar ao poder sem o amplo apoio desses grupos, o que muitos líderes políticos judeus rejeitam.

Os resultados ainda podem mudar à medida que a contagem continua, mas o bloco de Eisenkot, formado por partidos anti-Netanyahu — que vão da centro-esquerda à direita —, ficou aquém das pesquisas pré-eleitorais, que previam uma disputa acirrada.

Netanyahu permaneceria como primeiro-ministro interino durante quaisquer negociações de coalizão e, potencialmente, até uma nova eleição no ano que vem. Embora um governo interino enfrente algumas restrições, especialistas afirmam que ele mantém poderes, inclusive sobre a guerra com o Irã.

Guy Lurie, pesquisador do Instituto da Democracia de Israel, afirmou que um governo interino tem formalmente os mesmos poderes que um governo regular, mas também “um dever de moderação” e menos discricionariedade em algumas áreas.

Luta pela segurança

Netanyahu, dirigindo-se aos fiéis de seu partido, o Likud, após as 3h da manhã (horário local), pediu a formação de “um governo nacional forte e de direita”.

Ele destacou os sucessos militares de Israel e levantou a possibilidade de uma nova ação militar conjunta contra o Irã ao lado de seu aliado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que os dois países tinham uma “oportunidade histórica única” de eliminar o que chamou de ameaça iraniana “de uma vez por todas”.

Trump, que havia exortado os eleitores israelenses a manterem Netanyahu no poder para que os dois líderes pudessem “concluir o trabalho” no Irã, disse que Netanyahu se saiu “muito bem” e afirmou que seu apoio “o ajudou muito”.

A eleição em Israel repercutiu no restante do Oriente Médio.

Em Teerã, faixas com imagens do líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, lembraram aos iranianos os ataques dos EUA e de Israel lançados em fevereiro, que deram início à guerra. Logo à direita, havia um cartaz do falecido líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que foi morto por ordem de Netanyahu no Líbano.

“Eu realmente vejo a possibilidade de um ataque”, disse Abdollah Karimi, cidadão iraniano de 50 anos.

A frustração também era palpável no Egito, o primeiro país árabe a firmar paz com Israel em 1979.

Outhman Selim, um advogado de 62 anos, disse que suas esperanças de que uma derrota de Netanyahu afastasse o país da extrema-direita haviam sido frustradas.

Eisenkot reconheceu que Netanyahu continua como primeiro-ministro interino, mas alertou que ele poderia usar a segurança para fins políticos.

“Apelo aos chefes das forças de segurança e do serviço público: Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”, disse ele. “Mantenham-se firmes diante de qualquer tentativa de desafiá-los.”

O gabinete de Netanyahu já havia rejeitado acusações de que ele estaria usando o conflito com o Irã para obter ganhos políticos e não respondeu imediatamente a um pedido de comentário nesta quarta-feira.

A perspectiva de um governo interino sem maioria parlamentar pesou sobre os mercados israelenses. O shekel se desvalorizou cerca de 1,6%. Os principais índices de referência da bolsa de Tel Aviv caíram mais de 3% .

Mudança decisiva

O resultado ressaltou a guinada para a direita entre os judeus israelenses durante os anos em que Netanyahu foi a figura política dominante do país. A centro-esquerda, que dominou Israel durante a primeira metade de sua história, foi reduzida a uma pequena minoria.

Quase todos os partidos judeus agora compartilham da rejeição de Netanyahu a um eventual Estado palestino independente, base dos esforços de paz endossados internacionalmente desde a década de 1990.

A eleição foi a primeira em Israel desde que combatentes liderados pelo Hamas mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns em ataques ocorridos em 7 de outubro de 2023, que mergulharam o país em guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.

A guerra em Gaza, que arrasou o território e matou 74 mil palestinos, segundo as autoridades de saúde de Gaza, deixou Israel cada vez mais isolado no cenário mundial.

O próprio Netanyahu é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, em Haia, por acusações de crimes de guerra que ele considera absurdas, e enfrenta acusações de corrupção em Israel que rejeita como uma conspiração do establishment.

A participação eleitoral chegou a 77,7%, a mais alta em mais de duas décadas, e foi particularmente alta entre os israelenses de ascendência palestina, que representam mais de um quinto da população. Muitos foram motivados pelo que consideram racismo aberto por parte do gabinete de Netanyahu, que inclui um líder partidário condenado por incitar o ódio racial contra os árabes.

A sede da Lista Conjunta, uma aliança de vários partidos árabes, explodiu em assobios e aplausos quando as pesquisas de boca de urna foram divulgadas. “Rejeitamos a ocupação e o racismo, e permaneceremos aqui”, disse a candidata da Lista Conjunta Faten Gattas.

A coalizão que derrubou Netanyahu pela última vez contou com um pequeno partido árabe, mas o fraco desempenho de Eisenkot significa que a oposição agora precisaria do apoio da própria Lista Conjunta. A maioria dos líderes judeus tem evitado alianças formais com partidos árabes desde a fundação de Israel.

Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel?

 

Israel Election Deadlock Clouds Prospects for New Government

29 October 2026 at 05:17
Israel election results leave Benjamin Netanyahu and Gadi Eisenkot facing coalition negotiations in the Knesset.

Arab parties could hold the balance of power as rival blocs fall short of a majority, leaving coalition talks or fresh elections on the table.


Israel faces difficult negotiations to form its next government after parliamentary election results left rival blocs short of a majority, with Arab parties potentially holding the key to breaking the deadlock.

RELATED: Israel Kills Four Palestinians in Gaza Despite Ceasefire

With 88.6% of the vote counted, Prime Minister Benjamin Netanyahu’s bloc held 53 seats in the 120-member Knesset, compared with 48 for the opposition camp led by centrist Gadi Eisenkot. Arab parties won a combined 19 seats, leaving neither side with the 61 needed for an absolute majority.

The Central Elections Committee is expected to publish the final results on Friday, after counting between 430,000 and 480,000 double-envelope ballots cast by military personnel, diplomatic staff, prisoners and people who are ill.

Once the results are official, President Isaac Herzog will ask the candidate he considers best placed to assemble a majority to form a government. The designated candidate will initially have 28 days to build a coalition, with the option of a 14-day extension.

The negotiations could be protracted. Netanyahu took 58 days to form his current cabinet after the November 2022 election, and the latest results leave both camps facing obstacles to securing the support needed to govern.

Eisenkot has a relative advantage in seeking coalition partners, as smaller right-wing parties failed to clear the threshold required to enter parliament, limiting Netanyahu’s options for gaining additional seats.

Arab parties could prove decisive in the negotiations. Raam, led by Mansour Abbas, has signaled its willingness to open talks with Eisenkot’s bloc, while the Joint List has proposed providing a parliamentary “safety net” to any coalition that removes Netanyahu from power.

Opposition leaders have nevertheless been reluctant to enter formal agreements with Arab parties, given hostility toward such arrangements among substantial sections of the electorate. During the campaign, Netanyahu used the prospect of cooperation between his rivals and Arab parties to attack the opposition, describing it as an alliance of the “left and the Muslim Brotherhood” that would undermine state security.

Yair Golan, leader of the Democrats and the only Zionist political figure openly willing to include Arab parties in a governing arrangement, has convened talks with Eisenkot and Yair Lapid to discuss possible alliances.

Avigdor Lieberman, leader of Yisrael Beiteinu, has taken a different approach. He opposes both a minority government dependent on Arab parties and a cabinet headed by Netanyahu, preferring instead a national unity arrangement in which Eisenkot joins the incumbent prime minister.

Eisenkot has advocated a “Zionist mobilization government” as an alternative. In a social media post following the release of the initial projections, he wrote: “There are still long days of work ahead of us, but we are focused on the important task entrusted to us: bringing change to Israel and establishing a Zionist mobilization government.”

National unity or another election

A national unity government bringing together parties with a Zionist profile, while excluding Arab and ultra-religious parties, has been floated as another way out of the deadlock. A poll published in mid-October found that 55% of respondents preferred such an arrangement to holding another election.

The proposal faces significant political resistance. In 2020, Netanyahu and centrist Benny Gantz agreed to rotate the premiership under a power-sharing deal that collapsed after a year. Local media have reported behind-the-scenes efforts by Herzog to bring Netanyahu and Eisenkot closer, but the opposition has framed the election as a referendum on Netanyahu’s leadership.

If coalition talks fail, Israel could be forced to hold another election, repeating a cycle of political instability that saw four national votes between April 2019 and March 2021.

Alternative arrangements, including a minority government supported by individual lawmakers, could avert an immediate return to the polls. Until a new administration is formed, Netanyahu will remain in office in a caretaker capacity.

❌