❌

Normal view

TSE e aliados de Flávio defendem urnas após carta com teor golpista

29 October 2026 at 07:50

Após divulgação de carta com teor golpista pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), aliados do ex-candidato à Presidência e o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se pronunciaram defendendo o resultado do segundo turno das eleições, que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No texto, Flávio não reconhece a derrota no pleito e alega “fraude”, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral. Na primeira versão, declarava-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e republicou o documento sem a frase, se dizendo “líder” do país.

Depois da acusação, o TSE se manifestou dizendo que “qualquer pessoa” pode baixar os arquivos das urnas e auditar o resultado da eleição.

Em publicação, a Justiça Eleitoral afirmou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os logs de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos contêm informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que votaram.

O presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, também se pronunciou. Em nota, disse que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.

O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado” e disse que o resultado do pleito foi entregue com segurança.

“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e a competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, escreveu em comunicado.

Ainda afirmou que todos os “questionamentos feitos dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.

O que disseram os aliados

Alguns integrantes da campanha de Flávio à Presidência e aliados também se manifestaram após a divulgação do texto.

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos primeiros a se pronunciar.

Em nota, afirmou que a oposição deve respeitar o resultado das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. No texto, disse compreender a indignação de Flávio e destacou que o sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

Para Tarcísio, o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”. No texto, ainda defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições para fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.

Nesta quarta, o governador disse ter recomendado que Flávio permanecesse no Brasil após derrota nas eleições. Também afirmou, em entrevista ao Estadão, que não sabia que o senador pretendia viajar para os Estados Unidos.

Tarcísio já havia reconhecido o resultado do pleito em vídeo publicado nas redes sociais na terça (27). Na publicação, disse que “reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, fazendo críticas à gestão de Lula.

Outro nome que discordou do teor da carta de Flávio foi seu coordenador de campanha e líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Marinho disse nesta noite que não é possível afirmar, sem provas, que as eleições foram fraudadas.

“Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas. Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, disse o senador.

Marinho ainda afirmou não ter sido consultado sobre o documento divulgado pelo ex-candidato à Presidência e que não sabe como Flávio vai atuar dos Estados Unidos para coordenar a direita. Também voltou a dizer que não sabia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixaria o país.

Após a carta de Flávio, o União Brasil, que havia lhe apoiado no segundo turno, também divulgou nota dizendo reconhecer que o processo eleitoral “transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.

A Federação União Progressista — formada pelo União e pelo PP — já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado. O presidente do partido, Antônio Rueda, disse que “a soberania popular se manifestou de forma livre” nas urnas.

Outros partidos que declararam apoio a Flávio no segundo turno também reconheceram a vitória de Lula, como o Republicanos, o Podemos e o MDB.

Carta de Flávio

Na tarde desta quarta, Flávio divulgou uma carta em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou o texto e republicou um novo sem usar a frase.

No documento, o senador confirma que está nos Estados Unidos com a família e diz que vai liderar a oposição no exterior. Ainda acusa “fraude eleitoral” no segundo turno das eleições, mas não apresenta provas de irregularidades no processo eleitoral.

O ex-candidato do PL (Partido Liberal) cita a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou a votação de domingo (25) até as 19h, como um dos argumentos. Ele se refere a Zanin como “ex-advogado de Lula” e afirma que o magistrado permitiu uma “impossibilidade matemática”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio — uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Como mostrou a CNN, dados oficiais divulgados pelo TSE mostram que 34.393 votos foram computados após as 17h do dia do pleito. Dessa forma, mesmo que todos os votos dados no horário extra tivessem ido para o petista, eles representariam menos de 1% da diferença final entre os candidatos.

No próprio domingo, Nunes Marques já havia declarado que a prorrogação do horário de votação não comprometeu o pleito.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, destacou.

Desde a divulgação dos resultados, Flávio disse não reconhecer o resultado do segundo turno e afirmou que pediria anulação das eleições. Um dia depois, porém, integrantes da campanha do ex-candidato ouvidos pela CNN disseram que ele havia desistido de questionar a validade da votação.

Na terça (27), aliados relataram à CNN que Flávio havia deixado o Brasil.

O senador chegou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta após passar pela fronteira da Argentina, fazer escala no Equador — onde parou para abastecer — e decolar em direção aos EUA.

 

Nos EUA, Ramagem diz que Flávio será voz do Brasil por “liberdade”

29 October 2026 at 01:30

Ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Alexandre Ramagem (PL) apareceu em foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite desta quarta-feira (28). Na publicação, escreveu que o ex-candidato à Presidência foi para os Estados Unidos para ser “a voz do Brasil por liberdade”.

“Hoje nos Estados Unidos. Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade. Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. Esse dia vai chegar”, afirmou.

Condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro de 2025 a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2023, ele mora nos Estados Unidos desde o ano passado, tendo deixado o Brasil mesmo após proibição da Suprema Corte.

Segundo investigação da PF (Polícia Federal), Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Além da prisão, ele também foi condenado a 50 dias-multa no valor de um salário mínimo o dia. A Suprema Corte ainda determinou, por maioria, a perda do mandato de deputado federal.

Em entrevista à CNN Brasil, em julho, Ramagem afirmou que aguardava a análise de um pedido de asilo e negou as acusações. Ele chegou a ser detido pelo serviço de imigração americano em abril, mas foi liberado dois dias depois.

Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta manhã acompanhado de sua esposa e duas filhas. A CNN mostrou com exclusividade o momento em que o avião fretado pousou no aeroporto executivo de Miami-Opa Locka (OPF).

Integrantes do governo de Donald Trump sabiam, já na segunda-feira (26), que o senador precisava entregar seus passaportes em um prazo de 24 horas. Eles deixaram claro ao ex-candidato que sua entrada no país seria permitida, como apurado pela CNN.

Nesta noite, Flávio divulgou uma carta com teor golpista. No documento, ele diz que não reconhece o resultado do pleito que deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chegou a se apresentar como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, antes de recuar do termo e publicar um novo documento no qual se define como “líder”.

Segundo a Justiça Eleitoral, Lula venceu no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.

 

❌