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“Ciclo eleitoral acabou e é hora de dialogar”, diz governador eleito do ES

29 October 2026 at 15:15

O governador eleito do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (29) que a classe política deve “iniciar um novo ciclo” destinado a “unir o país” após o resultado das eleições gerais deste ano.

“O período eleitoral se encerrou naquele momento. O que nós precisamos agora é de unir o país, é de unir as pessoas, é de dialogar intensamente para que as políticas públicas cheguem”, disse em entrevista à CNN Brasil.

Pazolini, que apoiou a campanha do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) durante o pleito, defendeu ainda o reconhecimento do resultado das urnas.

“O brasileiro fez as suas escolhas. À classe política cabe respeitar e formular, planejar, preparar os estados e preparar o Brasil para termos melhorias.”

O futuro mandatário capixaba destacou a atuação do seu correligionário Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, quem chamou de “farol da boa gestão pública”.

Também foram citados os demais governadores eleitos da região Sudeste. Além do governador paulista, disse que pretende trabalhar com Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais, e Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro, para que os estados cresçam de forma harmônica.

Em relação a possibilidade do governador paulista disputar a Presidência da República em 2030, Pazolini afirma que haverá o tempo adequado para discutir a questão, mas “que não é agora”. Sua sugestão é que o momento pede “arregaçar as mangas, cuidar dos estados e do país”.

Lorenzo Pazolini foi eleito governador no segundo turno, quando recebeu 1.151.818 votos válidos, o equivalente a 52,17% dos sufrágios. Antes, foi prefeito de Vitória por dois mandatos. Seu adversário neste pleito, Ricardo Ferraço (MDB), teve 1.056.119 votos, 47,83% da preferência dos capixabas.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder

Lula busca uma mulher para assumir Defesa

29 October 2026 at 15:00

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva busca uma mulher civil para assumir o Ministério da Defesa, a primeira a comandar as Forças Armadas na história.

A ideia seria fazer um aceno para a diversidade nas Forças Armadas, que permitiu desde o início deste ano o serviço inicial militar feminino.

Nos últimos dias, segundo relatos feitos à CNN, interlocutores do governo petista levaram sugestões de nomes para os comandantes das Forças Armadas. O presidente não pretende fazer uma indicação que enfrente forte resistência.

O atual ministro José Múcio Monteiro já pediu ao presidente para deixar a pasta em um novo mandato. Ele já quis deixar o posto no passado, mas o petista pediu para que ele aguardasse o fim do mandato.

A ideia de uma mulher no Ministério da Defesa, pasta chefiada por homens desde sua criação em 1999, tem como pano de fundo também o desejo de atrair atenção da militância petista para uma área historicamente negligenciada — e até criticada — pela esquerda.

Lula falou diversas vezes, inclusive em discursos na campanha, sobre a importância em investimentos no reaparelhamento militar diante de tensões geopolíticas crescentes.

Em seu terceiro mandato, ele sancionou projeto de lei complementar com uma exceção de R$ 30 bilhões para a compra de equipamentos das Forças Armadas até 2031. O próprio petista, no entanto, tem dito que é preciso investir mais.

A favorita de Múcio é a atual secretária-geral, Cinara Wagner Fredo. O ministro tem dito a interlocutores que ela tem a vantagem de já conhecer a pasta, ter conquistado trânsito na cúpula das Forças Armadas e ser um ativo político para o Palácio do Planalto.

Além dela, dois nomes são citados no Palácio do Planalto. A presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, é um deles. Lula já cogitou indicá-la ao Supremo Tribunal Federal, mas a idade se tornou um impecilho, já que ela tem 66 anos.

Além de ter sido a primeira mulher a presidir a Corte Militar, Maria Elizabeth teve postura firme em processos penais contra militares e defendeu punições ao ex-presidente Jair Bolsonaro no plano golpista.

O nome da ex-ministra Simone Tebet também tem sido mencionado. Além de ser conhecido por ter um perfil moderado, Tebet dialoga bem com segmentos conservadores. Nos bastidores, ela tem indicado teria preferência a não retornar ao Planejamento.

Antes de fechar um nome, Lula deve se reunir com os Alto Comando das Forças Armadas. A principal defensora de uma mulher na Defesa é a primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja.

 

Justiça libera acesso a prontuários médicos de Tancredo Neves à família

29 October 2026 at 11:16

O TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) concedeu a um dos filhos do ex-presidente Tancredo Neves acesso a documentos e prontuários médicos relacionados a morte do pai. Conforme a ação, a família busca esclarecer os “fatos ocorridos durante o episódio histórico” e embasar a produção de um livro.

Em primeira instância, a Justiça Federal do Distrito Federal aceitou a recomendação do CFM (Conselho Federal de Medicina) de que o sigilo médico deve ser mantido mesmo após a morte.

Ainda que o pedido tenha partido de um dos herdeiros do ex-presidente, o entendimento do órgão é que estes documentos não podem ser transmitidos para sucessores.

Nesta nova decisão, contudo, o desembargador Roberto Carvalho Veloso alega que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) admitiu em outros julgamentos que o sigilo médico, embora protegido pela Constituição, pode ser quebrado em situações de “justa causa” e interesse de sucessores. “O sigilo médico, embora elevado à condição de valor ético e constitucional, não é absoluto.”

Além disso, o relator do processo afirma em seu voto que o esclarecimento da morte do ex-presidente interessa não só à família, mas à sociedade brasileira.

“O conhecimento pleno das circunstâncias que envolveram seu tratamento e óbito não interessa apenas à família, mas a toda a sociedade brasileira, para a correta preservação de sua memória histórica. A recusa em fornecer tais documentos, décadas após o ocorrido, sob o pretexto de um sigilo que, no caso, obstrui a verdade histórica, mostra-se desproporcional”, escreveu Veloso em seu voto.

O relatório foi aceito de forma unânime pela 13ª turma do Tribunal.

Eleito através do voto indireto, Tancredo Neves morreu antes de assumir a Presidência, em 1985. Ele seria o primeiro civil a governar o país após duas décadas de ditadura militar. Com a morte, porém, este marco coube a José Sarney, então vice de Tancredo.

*Sob supervisão de Renata Souza

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