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Juros futuros fecham semana em alta após reeleição de Lula

30 October 2026 at 19:55

As taxas dos DIs voltaram a subir nesta sexta-feira (30) e encerraram a semana pós-eleição com altas acumuladas de mais de 250 ​pontos-base em alguns vencimentos, refletindo o ajuste de posições em meio à reeleição ​do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às preocupações com a política fiscal do futuro governo.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,5%, em alta de 13 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,33%, com elevação de 10 pontos-base ante 15,234%.

No acumulado da semana pós-segundo turno, essas taxas subiram 164 e 259 pontos-base, respectivamente, refletindo a surpresa com a vitória no último domingo de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro – até então o favorito da Faria ⁠Lima.

Agora, ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem ​comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a ​política fiscal no novo governo.

Durante a semana, a necessidade de ajuste nas contas públicas seguiu como um tema recorrente no mercado, que vê a ⁠questão como fundamental para o controle da inflação e, consequentemente, para ⁠a redução sustentável dos juros.

Dados do Banco Central mostraram na quinta-feira que o setor público consolidado registrou em setembro ​déficit ‌nominal – que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública – de R$113,0 bilhões. Em 12 meses até setembro, o déficit nominal está em ⁠R$ 1,275 trilhão, ou 9,51% do PIB (Produto Interno Bruto).

“O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor”, pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório divulgado nesta sexta-feira.

“Além da dívida do governo, as famílias e as ‌empresas ⁠estão muito endividadas”, alertou.

Pela manhã, ‌o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a taxa de desemprego no país recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O dado veio em linha com as expectativas dos economistas.

Já o rendimento real habitual ⁠do trabalhador ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, ⁠com alta de 3,6% na comparação anual.

“Esse resultado reforça que o desemprego e o mercado de trabalho devem desacelerar gradualmente conforme o ano for passando, que é sempre a nossa ‌expectativa”, comentou António Ricciardi, economista do Banco Daycoval. “A gente tem expectativa de taxa terminal de desemprego em 5,2%.”

Na próxima quarta-feira, o Banco Central anunciará sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno da eleição presidencial, levando em conta não apenas os dados mais recentes da economia real como as mudanças nas expectativas e no câmbio desde a vitória de Lula.

Nesta semana pós-segundo turno, o dólar saltou mais de 40 ‌centavos de real.

As preocupações com o equilíbrio fiscal no governo Lula conduziram nesta semana boa parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica Selic em 13,75% ao ano.

“Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte ⁠de juros. E o que passamos a ver pós-segundo turno, pós-reeleição do presidente Lula, foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião”, pontuou Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos.

“Não foi a eleição que mudou os fundamentos de inflação ou a atividade de um dia para ​o outro, o que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso ​pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação”, acrescentou.

No exterior, com influência menor sobre as taxas nesta sexta-feira, os rendimentos dos Treasuries tiveram baixas firmes, em meio ao movimento global de venda de ações de empresas de tecnologia e compra de ativos mais seguros, como os títulos norte-americanos.

Às 16h42, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de ‌investimento – caía 6 pontos-base, a 4,925%.

 

 

Meta faz acordo com adolescente que acusava redes sociais de causar vício

30 October 2026 at 18:58

A Meta chegou a um acordo com uma adolescente que acusava a empresa de ter projetado o Instagram e o Facebook para serem viciantes, causando problemas de saúde mental e distúrbios alimentares, disseram os advogados da autora nesta sexta-feira (30).

O acordo foi firmado após o início da seleção do júri na quarta-feira para um julgamento que analisaria as alegações de dois adolescentes, identificados como SJ e KDB, contra a Meta e a Snap Inc (controladora do Snapchat). A big tech havia chegado a um acordo com a SJ dias antes do julgamento e, agora, com a KDB.

O julgamento desta sexta-feira seguirá apenas com as acusações contra a Snap.

“Continuamos empenhados em melhorar a segurança das crianças em aplicativos de redes sociais e em responsabilizar as empresas de tecnologia, e estamos satisfeitos por termos chegado a uma resolução justa em nome de nosso cliente”, disse Emily Jeffcott, advogada da KDB, em um comunicado.

Um porta-voz da Meta disse que acordos, arquivamentos e julgamentos fazem parte do processo de análise de casos como este.

“Continuaremos a nos defender no tribunal e mantemos nosso histórico”, disse o porta-voz, observando que a Meta fabrica ferramentas de segurança há mais de uma década.

Um porta-voz do Snap não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Este é o segundo julgamento no tribunal estadual de Los Angeles sobre alegações apresentadas por jovens que afirmam ter se tornado viciados em redes sociais após o surgimento do Meta, Snap, TikTok e YouTube.

Os adolescentes SJ e KDB já haviam chegado a um acordo com o TikTok e o YouTube.

O caso foi selecionado entre milhares de processos pendentes como um caso-teste, para que o veredicto do júri pudesse influenciar a forma como as empresas e os demandantes resolvem casos semelhantes.

SJ, uma garota de 16 anos de Illinois, e KDB, um jovem de 18 anos do Mississippi, afirmam que começaram a usar o YouTube aos 3 anos de idade e as outras plataformas por volta dos 9 anos, desenvolvendo hábitos compulsivos que atribuem a recursos como reprodução automática e rolagem infinita.

As empresas rejeitaram as alegações de que suas plataformas foram projetadas para viciar jovens e afirmam ter tomado medidas para tornar os aplicativos espaços seguros para que os jovens se expressem.

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