GMV lidera projeto europeu de vigilância espacial com participação portuguesa
A tecnológica GMV vai liderar um projeto europeu destinado a reforçar a vigilância e a segurança no espaço, com as equipas portuguesas a assumir responsabilidades na componente de cibersegurança. O projeto ARGUS prevê desenvolver uma constelação de até cinco pequenos satélites capazes de detetar interferências nas radiofrequências, identificar emissores e acompanhar objetos e detritos em órbita, contribuindo para a autonomia espacial europeia.
O contrato foi atribuído à GMV pela Agência Espacial Europeia (ESA) no final de setembro, no âmbito do programa europeu “EU Secure Connectivity”, para consolidar atividades pré-operacionais e reduzir riscos associados à futura implementação de serviços governamentais em órbita terrestre baixa. A iniciativa está ligada ao IRIS 2, a futura rede europeia de conectividade espacial segura e resiliente.
“O contrato assinado com a ESA corresponde à fase de consolidação do programa IRIS 2 Low-LEO [órbita terrestre baixa], centrada na definição das soluções tecnológicas e na redução de riscos. Esta fase deverá abrir caminho ao desenvolvimento e à operação do sistema. Só nessa altura, ultrapassadas as atuais incertezas, será possível definir a dimensão concreta da missão e falar de valores de investimento mais significativos”, afirmou fonte oficial da GMV ao ECO/eRadar, quando questionada sobre o valor do investimento.
As equipas da GMV em Portugal serão responsáveis pela estratégia de acreditação e pela capacidade de gerar e gerir Informação Classificada da União Europeia (EUCI), contando com a participação da espanhola Alén Space, empresa que integra o grupo.
“É a confirmação do reconhecimento das competências das equipas da GMV na área da consciência do domínio espacial, um domínio essencial, cada vez mais disputado e sujeito a ameaças e ataques”, assinala João Branco, diretor de Sistemas Espaciais da GMV em Portugal, citado em comunicado.
O responsável destaca ainda que a ESA decidiu ativar opções do contrato, atribuindo à empresa não só tarefas relacionadas com a estratégia de acreditação de segurança, mas também responsabilidades na gestão de informação classificada europeia.
Cinco satélites para detetar interferências e objetos em órbita
O conceito de missão ARGUS prevê uma constelação de até cinco satélites pequenos do tipo CubeSat 16U, equipados com sensores para monitorizar o espetro de radiofrequências e sistemas óticos para observar o ambiente orbital.
Os equipamentos de radiofrequência permitirão detetar e caracterizar interferências nas comunicações, incluindo através da geolocalização de emissores terrestres e da identificação de emissores em órbita. Em paralelo, os sensores óticos deverão permitir detetar e acompanhar satélites, outros objetos espaciais e detritos orbitais.
A combinação destas duas capacidades pretende melhorar a consciência do domínio espacial (Space Domain Awareness), permitindo identificar ameaças e proteger as próprias infraestruturas espaciais europeias.
Uma das características do ARGUS será a sua arquitetura distribuída: os dados recolhidos pelos diferentes satélites serão combinados e processados em terra, através de técnicas de fusão de informação, para gerar dados com maior utilidade operacional. O sistema foi também concebido para integrar sensores adicionais e outras fontes externas de informação, permitindo alargar progressivamente as suas capacidades.