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Da lavoura aos portos, o agronegócio brasileiro busca novos caminhos sobre os trilhos para enfrentar um dos mais complexos desafios do setor: o escoamento da produção.
A empresa brasileira de transporte multimodal VLI prevê movimentar mais de 800 mil toneladas de sorgo neste ano, com rotas de exportação pelos portos de Santos, Vitória e São Luís, no Maranhão.
Em entrevista ao CNN Agro News a diretora executiva comercial da VLI, Carolina Hernandez Táscon, destacou que na empresa, multimodal e de multissegmento, o agro se torna cada vez mais relevante em sua operação.
“O agro virou muito relevante em função do crescimento desses mercados nos últimos anos”, afirmou. Segundo ela, o Brasil avançou nos investimentos em infraestrutura portuária, ferrovias e hidrovias, mas ainda enfrenta um obstáculo central.
O grande desafio identificado por Carolina não é exatamente a capacidade dos sistemas, mas sim a segregação.
Carolina ressaltou que a matriz de exportações do agro brasileiro está se diversificando, incorporando novos produtos como DDG, farelo de soja e sorgo, além dos tradicionais soja, milho, açúcar e fertilizantes. Com diferentes variedades ou especificações a estrutura de transporte exige que as cargas nunca se misturem ao longo da cadeia movimentada pelos trilhos.
O desafio, portanto, é capacitar os sistemas logísticos para movimentar produtos diferentes – simultaneamente – sem perder eficiência e produtividade.
“Estamos hoje formatados para fazer a movimentação em pool, com um ou dois produtos ao mesmo tempo dentro dos sistemas. Mais do que isso, os sistemas começam a perder capacidade”, explicou.
Carolina destacou o sorgo como uma das grandes novidades recentes.
“O sorgo foi uma grande surpresa. É a primeira vez que o Brasil exporta sorgo para mercados especialmente como China e Norte da África”, disse.
Há cinco anos, o Brasil produzia apenas 2,5 milhões de toneladas do grão. Neste ano, a produção deve chegar a cerca de 9 milhões de toneladas, com entre 2,5 milhões e 3 milhões destinadas à exportação.
A VLI é a primeira ferrovia a transportar o produto, aproveitando o fato de que 55% do plantio de sorgo é convergente à malha FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), e 20% à malha FNS (Ferrovia Norte-Sul), ou corredor norte.
Além do sorgo, Carolina apontou que os derivados do esmagamento de soja e milho, como farelo de soja e DDG, devem ganhar cada vez mais espaço na pauta de exportações, impulsionados pelo crescimento da indústria de biocombustíveis.
“Esses produtos vêm cada vez mais fortes para o mercado de exportação”, afirmou.
Para o futuro, a diretora destacou que a matriz multimodal brasileira ainda é ineficiente, com trajetos longos entre os polos de produção e os portos, e que adequações serão necessárias. No entanto, ressaltou que ganhos de produtividade nos ativos existentes podem representar avanços significativos mesmo antes que grandes projetos de infraestrutura sejam concluídos.
“Às vezes não se trata de grandíssimos investimentos, às vezes se trata de adequações para você tirar o mais produtivo desse sistema”, concluiu.
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